Inevitável o afastamento de
Dilma pelo Senado por 180 dias
Orion Teixeira
Além de haver sondagens que antecipam tendências à admissibilidade do
processo pelo placar mínimo de 41 votos, dificilmente, o Senado tomaria outra
decisão que, simplesmente, contrariasse os mais de 70% da Câmara dos Deputados
que votaram pela abertura do impeachment. Ainda que não manifestassem
argumentos sustentáveis para a decisão que tomaram. No entanto, uma vez
instalado no Senado, a presidente Dilma Rousseff (PT) é automaticamente
afastada por até 180 dias do cargo, período no qual será julgada, desta vez,
com chances de, talvez, ser ouvida e de receber um julgamento que equilibre o
jurídico com o político.
Ou seja, a avaliação de que houve ou não, tecnicamente, crime de responsabilidade pelo recurso das chamadas ‘pedaladas fiscais’. Como se viu, os deputados federais desconheceram esses aspectos e só votaram com a má-vontade política de ocasião. A maioria dos que votaram contra pertenceu à base aliada no início do atual mandato e de, maneira mais integral, na primeira gestão. Tudo somado, na Câmara, Dilma foi derrotada pela perda de apoio político. Para os deputados, na hora do microfone, qualquer motivo seria argumento para oferecer-lhe o ‘não’.
Essa mesma contaminação, o governo e aliados tentarão conter, para que a razão dê lugar à falta dela, o que dominou a votação de domingo (17/04). Com o tempo escapando-lhe pelas mãos, Dilma buscará, por meio do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), ganhar mais tempo para recuperar a interlocução com os parlamentares e contar com a sorte de melhorar a avaliação popular.
Como o próprio tempo, só tem fatores adversos e concorrentes. Primeiro,
porque, do outro lado, haverá também interlocução intensa, com o agravante de que
o vice-presidente Michel Temer (PMDB) reúne, ao contrário de Dilma, crescentes
expectativas de poder. Segundo, com o governo incompleto, pela saída de cinco
ministros, não terá como produzir resultados nesse curto período que a separa
do inevitável afastamento. Uma vez de fora do governo, seu vice assume a plenos
poderes de alterar a equipe ministerial e adotar medidas de gestão que reforçam
aquela crescente expectativa de poder citada.
Enfim, à beira do impeachment, restará a Dilma somente a denúncia de que foi derrubada muito mais por ter perdido a sustentação política do que por ter cometido crime. O “não vai ter golpe” foi posicionamento acertado, mas só mobilizou a militância e muito pouco a opinião pública, que permanece em alta reprovação.
Enfim, à beira do impeachment, restará a Dilma somente a denúncia de que foi derrubada muito mais por ter perdido a sustentação política do que por ter cometido crime. O “não vai ter golpe” foi posicionamento acertado, mas só mobilizou a militância e muito pouco a opinião pública, que permanece em alta reprovação.
Indicação de Lula vira caso perdido
O Supremo Tribunal Federal volta a julgar, nesta semana, a indicação do ex-presidente Lula para ministro da Casa Civil. A essa altura, já perdeu a razão de ser. Caso sua posse seja autorizada, há risco de ela ser revista pelo possível afastamento da presidente a partir da instalação do processo no Senado, previsto para as primeiras semanas de maio.
Mauro Lopes é demitido em entrevista
Depois de trair seu partido, ao assumir o Ministério da Aviação Civil, e à presidente, na votação do impeachment, quando votou contra ela, o deputado federal mineiro Mauro Lopes foi demitido, nesta segunda (18), durante entrevista coletiva da presidente.
Depois de trair seu partido, ao assumir o Ministério da Aviação Civil, e à presidente, na votação do impeachment, quando votou contra ela, o deputado federal mineiro Mauro Lopes foi demitido, nesta segunda (18), durante entrevista coletiva da presidente.

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