Câmbio eleva preços de
produtos tradicionais do almoço de Páscoa
Agência Brasil
Por influência do câmbio, com o real desvalorizado em relação à moeda
norte-americana, a Páscoa deste ano está 15,17% mais cara do que no ano
passado. De acordo com pesquisa divulgada hoje (22) no Rio de Janeiro, pelo
Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), a taxa
supera a inflação acumulada nos últimos 12 meses até fevereiro deste ano, que
atingiu 10,37%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV.
O Ibre estima que itens importantes da Páscoa e que são importados como
vinho, azeite e bacalhau, devem ficar no mímino 25% mais caro do que no ano
passado. O vinho deve ficar cerca de 28% mais caro, o azeite, 25% e o bacalhau,
30%.
O economista do Ibre André Braz conta que mesmo os produtos nacionais
devem ficar mais caro: "mesmo que [produtos nacionais] não sofram
influência direta do câmbio, acabam subindo de preço, porque acompanham o preço
dos concorrentes. Então, o consumidor acaba encontrando esses itens
tradicionais da Páscoa muito mais caros”.
Itens de mesa mais populares, como hortaliças e legumes, também vão
estar mais caros, segundo apuração do Ibre, devido à seca que o país enfrentou
em 2015, além do pouco tempo para regularizar a oferta e demanda. Com isso,
“vários itens básicos acabam ficando muito mais caros”, disse Braz. Destaque
para batata, com alta de 15,61%, e couve (16,26%), que são itens usados no
preparo do almoço de Páscoa.
Para André Braz, a solução para o consumidor é usar a criatividade.
Dividir a despesa com as pessoas que vão participar do almoço é uma
alternativa. “É uma forma de não pressionar o custo de vida de todo mundo. Cada
um leva um ingrediente do almoço”. Outra sugestão é procurar marcas alternativas,
que embora sejam de qualidade, têm nível de preço mais baixo, além de peixes
que substituam o bacalhau. “Pode ser uma boa opção para compor o almoço de
Páscoa com um nível de preço mais baixo”, comentou.
O economista do Ibre-FGV assegurou, entretanto, que mesmo optando por
produtos populares, não dá para fugir do aumento. "As famílias vão ver
preços bem diferentes da Páscoa do ano passado", disse.
Presente
Outra pesquisa nacional, elaborada pela Federação do Comércio do Estado
do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) e Instituto Ipsos, revela que cerca de 75
milhões de brasileiros devem comprar algum tipo de presente na Páscoa deste
ano. Os 49% dos consumidores que querem presentear na data sinalizaram para um
gasto médio real de R$ 45,14. De acordo com a Fecomércio-RJ, isso significa
injeção de R$ 3,4 bilhões na receita do comércio brasileiro.
A pesquisa foi feita entre os dias 13 e 28 de fevereiro passado com 1,2
mil pessoas em 72 municípios de todo o país e mostra, ainda, que os ovos de
chocolate lideram a preferência de 77% dos consumidores que pretendem ir às
compras na Páscoa, apesar de apresentar queda de 5 pontos percentuais em
comparação a 2015.

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