quinta-feira, 9 de julho de 2015

EXEMPLO A SER SEGUIDO



HISTÓRIA DE PESSOA POBRE QUE VENCEU PELO SEU PRÓPRIO ESFORÇO

André Luiz Souza


Estímulo dos pais foi fundamental para que jovem realizasse sonho de virar doutor e morar nos EUA
O pai era motorista de ônibus e a mãe, manicure. Ambos dedicaram pouco tempo aos estudos, mas o casal ficou no pé dos filhos Anderson, Andre e Stephanie. Tanta cobrança, relata André, foi fundamental. Até os 20 anos, ele viveu no Vera Cruz, um dos bairros mais carentes de Belo Horizonte. Hoje, aos 34, é PhD em antropologia e dá aulas nos Estados Unidos.
Quando você entrou para a faculdade?
Entrei na UFMG em 1999. Escolhi letras porque queria um curso que me ensinasse inglês para poder ir embora para os Estados Unidos, sempre tive esse sonho. Para passar no vestibular, estudava pela manhã, trabalhava à tarde (estágio) e voltava a estudar em casa à noite.
Como surgiu a ideia de ir para os Estados Unidos?
O sonho começou cedo. Sempre ouvia casos de pessoas que iam para lá, trabalhavam e voltavam ricos. Queria fazer o mesmo. Meu plano inicial era entrar no país, mesmo que ilegalmente, e procurar um emprego. Quando estava no 3° período de letras, fiquei sabendo de um intercâmbio. Passei em uma prova e fui selecionado pela Universidade do Texas. Chegando lá, me sustentei trabalhando em um restaurante lavando pratos. Também cortei grama e limpei calhas, e ainda tinha tempo de ir às aulas e estudar.
E o que ocorreu depois?
Depois desse semestre nos EUA, voltei ao Brasil para terminar a graduação. No entanto, no período em que estive lá, trabalhei para uma professora que era orientadora de doutorado de uma aluna brasileira. De Belo Horizonte, ajudei as duas a coletar dados para a pesquisa. Fui apresentado a outra professora da UFMG, que me aceitou como aluno de mestrado em psicologia. Em 2007, voltei para os Estados Unidos para fazer meu doutorado em psicologia cognitiva. Terminei o doutorado em 2012 e fui para Montreal, no Canadá, fazer um pós-doutorado na Universidade Concórdia. Em 2013, fui para a Universidade de Oxford para um segundo pós-doutorado em antropologia cognitiva e, em 2014, para a Universidade do Alabama, onde sou professor no Departamento de Psicologia.
Atualmente, muitos jovens da periferia abandonam os estudos e acabam entrando na criminalidade. Que conselho você daria a eles?
Os estudos me ampliaram os horizontes. Muitos jovens da periferia entram no crime porque enxergam aí o único caminho, e talvez o mais fácil, para resolver problemas imediatos, tanto financeiros quanto psicológicos. Para mim, os estudos serviram para me mostrar que existem outras possibilidades. O conselho que eu dou é: seja curioso e explore essas outras possibilidades. É preciso ter força de vontade e saber que as dificuldades sempre existirão.

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