HISTÓRIA DE PESSOA POBRE QUE VENCEU PELO SEU PRÓPRIO ESFORÇO
André Luiz Souza
Estímulo dos pais foi
fundamental para que jovem realizasse sonho de virar doutor e morar nos EUA
O pai era motorista de
ônibus e a mãe, manicure. Ambos dedicaram pouco tempo aos estudos, mas o casal
ficou no pé dos filhos Anderson, Andre e Stephanie. Tanta cobrança, relata
André, foi fundamental. Até os 20 anos, ele viveu no Vera Cruz, um dos bairros
mais carentes de Belo Horizonte. Hoje, aos 34, é PhD em antropologia e dá aulas
nos Estados Unidos.
Quando você entrou
para a faculdade?
Entrei na UFMG em 1999.
Escolhi letras porque queria um curso que me ensinasse inglês para poder ir
embora para os Estados Unidos, sempre tive esse sonho. Para passar no
vestibular, estudava pela manhã, trabalhava à tarde (estágio) e voltava a
estudar em casa à noite.
Como surgiu a ideia
de ir para os Estados Unidos?
O sonho começou cedo. Sempre
ouvia casos de pessoas que iam para lá, trabalhavam e voltavam ricos. Queria
fazer o mesmo. Meu plano inicial era entrar no país, mesmo que ilegalmente, e
procurar um emprego. Quando estava no 3° período de letras, fiquei sabendo de
um intercâmbio. Passei em uma prova e fui selecionado pela Universidade do
Texas. Chegando lá, me sustentei trabalhando em um restaurante lavando pratos.
Também cortei grama e limpei calhas, e ainda tinha tempo de ir às aulas e
estudar.
E o que ocorreu
depois?
Depois desse semestre nos
EUA, voltei ao Brasil para terminar a graduação. No entanto, no período em que
estive lá, trabalhei para uma professora que era orientadora de doutorado de
uma aluna brasileira. De Belo Horizonte, ajudei as duas a coletar dados para a
pesquisa. Fui apresentado a outra professora da UFMG, que me aceitou como aluno
de mestrado em psicologia. Em 2007, voltei para os Estados Unidos para fazer
meu doutorado em psicologia cognitiva. Terminei o doutorado em 2012 e fui para
Montreal, no Canadá, fazer um pós-doutorado na Universidade Concórdia. Em 2013,
fui para a Universidade de Oxford para um segundo pós-doutorado em antropologia
cognitiva e, em 2014, para a Universidade do Alabama, onde sou professor no
Departamento de Psicologia.
Atualmente, muitos
jovens da periferia abandonam os estudos e acabam entrando na criminalidade.
Que conselho você daria a eles?
Os estudos me ampliaram os
horizontes. Muitos jovens da periferia entram no crime porque enxergam aí o
único caminho, e talvez o mais fácil, para resolver problemas imediatos, tanto
financeiros quanto psicológicos. Para mim, os estudos serviram para me mostrar
que existem outras possibilidades. O conselho que eu dou é: seja curioso e
explore essas outras possibilidades. É preciso ter força de vontade e saber que
as dificuldades sempre existirão.

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