Ao participar do encerramento de um seminário do PT destinado a
debater os rumos do partido – aquele tipo de encontro em que o
comissariado petista costuma reafirmar vícios do passado para
aprimorá-los no futuro –, o presidente Lula da Silva fez uma crítica
contundente à comunicação do governo. “Há um erro do governo na questão
da comunicação e sou obrigado a fazer as correções necessárias”, disse o
presidente, em declaração interpretada como um prenúncio de que em
breve trocará o responsável pela área, o desgastado ministro Paulo
Pimenta, da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da
República. “Quero começar a resolver no começo de ano”, avisou.
Apoquentado com o que considera um abismo entre suas grandes realizações
e a tépida aprovação popular, Lula endossou e inflamou as queixas já
recorrentes num tema que ganha evidência toda vez que o demiurgo sente
que seus poderes divinos não estão sendo bem compreendidos..
A fala amuada de Lula contra a comunicação do seu governo até
adquiriu contornos inéditos pelas palavras duras que escolheu, mas na
prática ele só repetiu o velho hábito de terceirizar a responsabilidade
por problemas que nascem, no fundo, no próprio gabinete presidencial. A
Lula o que é de Lula: a despeito da inquestionável má qualidade da
comunicação no atual mandato e do baixo nível de conhecimento dos seus
artífices sobre as dinâmicas do ambiente digital, o defeito de origem
está no produto, não no marketing destinado a vendê-lo. O fato é que não
há ministro, marketing político ou estratégia de qualidade capaz de
vender um produto ruim.
Ocorre que, com a fritura pública de Pimenta, a bolsa de apostas para
substituí-lo já tem até favorito: o marqueteiro do presidente na
eleição vitoriosa de 2022, Sidônio Palmeira, ideia que teria ganhado
corpo após o ruidoso anúncio que misturou, em rede nacional de rádio e
TV, o pacote de ajuste fiscal e a isenção do IR para quem ganha até R$ 5
mil. Coube a Sidônio a ideia de combinar as duas coisas e adornar a
fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, convertida no primeiro ato
de uma campanha institucional, lançada com slogan marqueteiro e
consistência duvidosa. A mistura, o timing e a forma do anúncio
provocaram estragos adicionais em um pacote que deveria comprovar a
alegada sobriedade econômica do governo, mas foi levado adiante como
peça de propaganda eleitoral. Ao que parece, contudo, Lula considerou a
operaç.
Não faltou nem mesmo a velha tática de afetar humildade, quando Lula
se incluiu entre os responsáveis pelos problemas de comunicação: “Há um
equívoco meu na comunicação. O Stuckert (referência a seu fotógrafo oficial, Ricardo Stuckert)
costuma dizer ‘presidente, o senhor é o maior comunicador do nosso
partido, o senhor tem que falar mais’. E a verdade é que não tenho
organizado as entrevistas coletivas”. Então estamos combinados: Lula,
que já fala pelos cotovelos, avisou que vai “falar mais”.
E talvez seja exatamente esse o problema. Quando Lula fala, quase
sempre de improviso, ou cria expectativas incompatíveis com a capacidade
do governo de realizá-las, ou constrange a equipe econômica com
discursos demagógicos que contrariam o compromisso com a saúde das
contas públicas. O resultado é a crescente falta de credibilidade do
governo.
Mas Lula está convencido de que seu governo é um primor e que a
maioria dos brasileiros se convenceria disso se o presidente concedesse
“mais entrevistas” – sobretudo para meios escolhidos a dedo pelo Palácio
por deixarem Lula à vontade.
Enquanto isso, Lula não comenta sobre os problemas de coordenação
política (liderada por ele mesmo), ou sobre a falta de um núcleo
dirigente no Planalto capaz de corrigir os rumos ditados pelo
presidente, ou ainda sobre a malaise provocada por um governo
que chega envelhecido à metade do mandato. Como se vê, o que o
presidente espera da comunicação do seu governo é algo que diz respeito
mais a ele próprio. Uma certeza que só escancara a inutilidade do debate
proposto na reunião do PT.
Luciano Huck e Patricia Abravanelinteragiram por cerca de 11 minutos na noite deste domingo, 15, em transmissão simultânea pela Globo e pelo SBT durante homenagem a Silvio Santos no prêmio Melhores do Ano, do Domingão Com Huck. O fato chama atenção, mas não é inédito: em 2003, Gugu e Faustão dividiram a tela durante uma campanha publicitária.
O tom da homenagem não foi dramático e nem recorreu às lágrimas.
Foram ditas palavras bonitas e, ao fim das contas, uma bem-humorada
referência ao bordão “Quem quer dinheiro”, com direito a Huck
arremessando aviõezinhos de dinheiro à plateia.
Do lado da Globo, a programação apenas retornou do intervalo. Pelo SBT, o Programa Silvio Santos,
gravado, foi interrompido pela vinheta de um “plantão” acompanhado por
uma animação de Silvio e o anúncio feito por sua filha sobre a união das
transmissões. Apesar de tudo ter acontecido nos estúdios da Globo, o
logotipo do SBT continuou a ser exibido na emissora paulista – e o da
Globo na fluminense.
Também estavam presentes na plateia Paulo Marinho, diretor-presidente
da Rede Globo, e Daniela Beyruti, a filha de Silvio que preside o SBT.
Como um todo, o encontro chamou atenção, como haveria de ser, parece
algo potencialmente mais marcante para parte dos telespectadores do que o
encontro ocorrido há 20 anos, do qual muita gente ainda se lembra.
Luciano Huck e Patricia Abravanel em homenagem a Silvio Santos no
‘Domingão’ da Globo, com transmissão simultânea no SBT Foto: Reprodução
de ‘Domingão Com Huck’ (2024)/Globo|SBT
Em fevereiro 2003 (alguns meses antes de vir à tona o escândalo dos falsos integrantes do PCC no Domingo Legal)
a ‘guerra pela audiência’ era maior do que hoje, o que poderia dar uma
sensação até de maior estranheza para a ‘união’ entre emissoras à época.
Gugu e Faustão até trocaram breves elogios. “Ao contrário do que
muita gente gostaria, nós somos concorrentes, jamais fomos inimigos.
Muito pelo contrário”, disse o apresentador da Globo. Mas não saiu muito
disso. Em pouco mais de três minutos, cada um já havia voltado à
programação normal.
‘Domingão do Faustão’ e ‘Domingo Legal’ uniram transmissões durante a
promoção ‘Junta Brasil’, da Nestlé, em 23 de fevereiro de 2003, quando
Faustão estava na Globo e Gugu Liberato no SBT Foto: Reprodução de
‘Domingão do Faustão’ (2003)/Globo
Nesta segunda-feira(16), é celebrado o Dia do Reservista, uma justa
homenagem à sua devoção patriótica e por ter contribuído para o
fortalecimento da consciência cívica no país e estímulo às reflexões
sobre o papel de cada brasileiro perante a Nação, a defesa da Pátria e a
todos os valores que ela representa.
Esse também é o dia do nascimento de Olavo Bilac, poeta brasileiro
parnasiano e patrono do serviço militar que escreveu a letra do Hino à
Bandeira. Olavo Bilac nasceu em 1865 e ficou conhecido pelo seu patriotismo, tal como dá mostras a letra do hino que compôs:
“Recebe o afeto que se encerra em nosso peito juvenil, Querido símbolo da terra, Da amada terra do Brasil!”
(Trecho do Hino à Bandeira, adotado em 1906)
Ele defendia a obrigatoriedade do serviço militar e, junto com outros
intelectuais, fundou a Liga de Defesa Nacional em 1916. Assim, com o
seu ideal cívico, Bilac tende a inspirar os brasileiros e, por essa
razão, motiva a origem da celebração do Dia do Reservista.
É assim desde 1939, quando o presidente do Brasil Getúlio Vargas
instituiu a data pelo Decreto-Lei n.º 1908, de 26 de Dezembro de 1939. A
data tem como objetivo homenagear os reservistas, os oficiais da força
militar que conciliam sua vida civil estando sempre disponíveis para o
caso de serem convocados para situações de urgência ou em caso de
guerra.
Além dos reservistas, o dia 16 de dezembro homenageia Olavo Bilac
(1865-1918), brasileiro dedicado que demonstrou amor à pátria e, por
isso, o Decreto nº 58.222, de 19 de abril de 1966, o consagrou como
patrono do Serviço Militar.
Fonte: Karla Neto Foto: Reprodução
CURIOSIDADES – Karla Neto
Você sabia que o chá de cravo alivia a dor de dente?
A dor de dente é um problema bastante comum e pode ser causada por
diversos fatores, como cáries, infecções ou até mesmo problemas na
gengiva. Quando a dor aparece, pode ser difícil encontrar alívio
imediato. Felizmente, existem alguns chás que podem ajudar a aliviar a
dor de dente de forma rápida e eficaz. Neste artigo, serão apresentados
cinco chás que podem ajudar a aliviar a dor de dente e como prepará-los.
A dor de dente é um dos incômodos mais desagradáveis que alguém pode
sentir. Ela pode ser causada por diversos fatores, como cáries,
inflamações na gengiva, infecções e até mesmo por um dente quebrado.
Quando a dor aparece, é importante buscar ajuda médica para tratar o
problema. Mas enquanto isso não é possível, existem alguns chás que
podem ajudar a aliviar a dor de dente.
Chá de cravo: alívio imediato para a dor de dente O cravo é um
ingrediente muito utilizado na culinária brasileira, mas também tem
propriedades medicinais importantes. Ele é um analgésico natural e pode
ajudar a reduzir a dor de dente. Para fazer o chá de cravo, basta
colocar uma colher de sopa de cravos em uma xícara de água quente e
deixar descansar por alguns minutos. Depois, é só coar e beber.
Você sabia que a girafas podem limpar suas orelhas usando suas enormes línguas que podem chegar aos 50 centímetros!
As girafas são animais vertebrados da classe dos mamíferos, família
Giraffidae e ordem Cetartiodactyla. Alimentam-se de folhas, caules,
flores e frutos de plantas, preferencialmente, do gênero Acacia sp.,
portanto são animais herbívoros.
Apesar de sua enorme diferença de tamanho, se comparadas a outros
mamíferos, as girafas possuem sete vértebras no pescoço. As girafas
possuem um pescoço longo justamente por possuírem vértebras cervicais
extremamente alongadas.
Outra característica é a presença de apêndices cefálicos. Esses
animais podem ter de dois a cinco dessas estruturas chamadas de
ossicones. Os ossicones são estruturas ósseas localizadas no topo da
cabeça das girafas. Em machos, os ossicones são grossos e sem pelos no
topo, nas fêmeas são mais finos e com tufos de pelos na parte superior.
Sua reprodução ocorre internamente, ou seja, seus filhotes se
desenvolvem no útero da fêmea, portanto, são vivíparos. O tempo de
gestação é de 15 meses e quando o ocorre o parto, o filhote chega a cair
de uma altura de aproximadamente 2 metros.
Girafas são animais dóceis e, como a maioria dos mamíferos, garantem o
importante cuidado parental de seus descendentes. Amamentam e cuidam
dos filhotes até um ano e meio após seu nascimento. Diferenciar o sexo de uma girafa é relativamente simples.
Os machos possuem de duas a cinco estruturas ósseas na cabeça,
chamadas ossicones que são mais grossos e sem “tufos” de pelos no topo.
Por outro lado, as fêmeas possuem de dois a cinco ossicones mais finos e
com “tufos” de pelos na ponta.
Elas possuem pernas longas, sendo as dianteiras mais altas que as
traseiras, e número reduzido de costelas. O tempo de vida de uma girafa é
de aproximadamente 15 a 20 anos.
Devido ao baixo teor nutritivo das folhas, as girafas precisam comer
grandes quantidades e passam quase 20 horas por dia comendo. O
comprimento do corpo pode ultrapassar os 2,25 metros e ainda possui uma
cauda com 80 centímetros de comprimento, não contando com o pincel
final.
O seu peso pode ultrapassar os 500 Kg. Apesar do seu tamanho, a
girafa pode atingir a velocidade de 47 km/h, suficiente para fugir de
seus predadores.
Você sabia que um simples alimento pode não só ajudar a melhorar a
qualidade do seu sono, mas também fortalecer a saúde do seu cérebro?
Incluir pistaches em sua alimentação diária oferece benefícios
notáveis para o corpo e mente. Estes pequenos frutos secos são ricos em
ácidos graxos insaturados, nutrientes essenciais para a saúde do coração
e do cérebro, e ainda são práticos e baratos. Mas o que realmente os
torna especiais é seu impacto direto na qualidade do sono e no bem-estar
mental.
Se você está em busca de uma forma natural de melhorar o descanso
noturno e dar um impulso à saúde cognitiva, as nozes podem ser a chave.
O pistache é uma fonte importante de melatonina, hormônio responsável
pela regulação do ciclo do sono. Uma porção de cerca de 30 gramas de
pistache fornece aproximadamente 6 mg desse hormônio, o que contribui
para um sono mais profundo e reparador.
Além de melhorar o descanso, essa noz é um aliado poderoso da saúde
cognitiva. Ela contém luteína e zeaxantina, carotenoides que protegem as
células cerebrais do estresse oxidativo, prevenindo o envelhecimento
precoce do cérebro.
Com uma riqueza em minerais como potássio, magnésio, fósforo, ferro e
zinco, ele fortalece a memória, melhora a concentração e até ajuda a
controlar o estresse, promovendo o bom humor.
Após nove anos de espera, mineiros e fluminenses terão, finalmente,
um novo transporte de passageiros. Está previsto para entrar nos
trilhos, no primeiro semestre de 2025, o trem turístico Rio-Minas, que
vai circular entre Três Rios e Sapucaia, ambas no Rio de Janeiro,
passando por Chiador, na Zona da Mata mineira, onde fica a primeira
estação ferroviária das Gerais, agora em fase adiantada de restauração.
No total, serão 36 quilômetros de um trecho com belas paisagens,
fazendas centenárias e patrimônio cultural precioso. “Estamos muito
satisfeitos, esperamos muito por esse dia. Essa etapa foi decisiva”,
comemora a presidente da Organização da Sociedade Civil de Interesse
Público (Oscip) Amigos do Trem, Cyntia Nascimento.
Na quarta-feira (11/12), foi firmado na sede do Ministério dos
Transportes, em Brasília (DF), um acordo entre a VLI (companhia de
soluções logísticas que opera ferrovias, portos e terminais) e a Amigos
do Trem. Em nota, a companhia informou que a assinatura do Contrato
Operacional Específico (COE), que regula a possibilidade de operação de
um trem de passageiros conectando as cidades de Três Rios e Sapucaia
(RJ), possibilita uma nova rota turística sobre trilhos no país, a ser
operada e administrada pela Amigos do Trem”. Após a assinatura, o COE
será encaminhado à Agência Nacional do Transporte Terrestre (ANTT),
responsável pela análise e autorização da operação.
Para viabilizar todo o processo, a companhia investiu cerca de R$ 40
milhões na malha férrea, além de ceder gratuitamente quatro locomotivas
para a Amigos do Trem. “A assinatura representa o entendimento entre VLI
e a Amigos do Trem quanto a obrigações e responsabilidades
operacionais; entrará em vigor após a expressa autorização da ANTT para o
transporte de passageiros com finalidade turística e
histórico-cultural, nos termos da Resolução ANTT 5975/2022”, afirma o
CEO da VLI, Fábio Marchiori.
A devolução de trechos não operacionais prevista na proposta de
renovação antecipada da Ferrovia Centro-Atlântica poderá originar novas
possibilidades de operação similares, uma vez que a concessão é
vocacionada para o transporte de carga geral”, acrescenta Marchiori.
Para a viabilização operacional do COE pela Amigos do Trem, a VLI
cedeu gratuitamente quatro locomotivas, uma oficina ferroviária em
Recreio, na Zona da Mata, pátios e linhas de manobra, bem como a
recuperação da via permanente do trecho, com a substituição de 5 mil
dormentes, dentre outros itens. Os vagões que farão o transporte de
passageiros integram o acervo da Amigos do Trem e serão transportados
pela VLI até a cidade de Três Rios, em um prazo de 120 dias contados a
partir da assinatura do Contrato.
Novo capítulo
O percurso do trem de passageiros tem extensão total de 36
quilômetros, sendo considerado promissor do ponto de vista turístico em
razão da relevância histórica da região de Três Rios e Sapucaia, que
reúne ainda paisagens naturais e se encontra nas proximidades de outros
centros urbanos. “Precisaremos, a partir de agora, de participação, com
recursos, das prefeituras dos três municípios (Três Rios, Sapucaia e
Chiador, esse na Zona da Mata mineira), para fazer a manutenção dos
carros e outras ações fundamentais”, destaca Cyntia. No total, serão
transportados, em cada viagem, 1.014 passageiros ou 78 em cada um dos 13
vagões.
Na assinatura do acordo, a presidente da Oscip agradeceu à VLI por
contribuir para que o projeto, dentro de toda a sua complexidade, se
tornasse realidade, bem como o empenho de municípios, empresas e demais
entes públicos, além de voluntários da Amigos do Trem e todos aqueles
que já passaram pela nossa história. “É uma grande satisfação participar
da construção de um novo capítulo do turismo ferroviário no
Brasil”.Este será o primeiro trem turístico interestadual do Sudeste do
país. “A partir da autorização da ANTT, a Amigos do Trem passará a ser o
operador ferroviário do trecho. Teremos total autonomia”, observa
Cyntia.
A Amigos do Trem foi criada há 26 anos pelo mineiro de Juiz de Fora
(Zona da Mata), Paulo Henrique do Nascimento, que faleceu em novembro de
2018 e dedicou décadas para estruturar as bases do projeto e colocar em
práticas suas ideias. O projeto concebido por ele percorreria 168
quilômetros, nos fins de semana e feriados. No roteiro, estavam
Cataguases, Leopoldina, Recreio, Volta Grande e Além Paraíba, na Zona da
Mata, Sapucaia (RJ), Chiador e Três Rios (RJ). Trata-se do antigo ramal
ferroviário Leopoldina.
Desde a mobilização para colocar o trem turístico nos trilhos, o EM vem
documentando o caso. No último dia 28, a coluna “Nossa História/Nosso
Patrimônio” mostrou o andamento das obras de restauro da estação de
Chiador, a primeira de Minas, inaugurada, em 1869, pelo imperador dom
Pedro II (1825–1891), por onde passará o trem turístico. O imóvel
histórico, antes em ruínas, tem obras patrocinadas pela Eletrobras.
A chegada da estrada de ferro a Chiador propiciou o intercâmbio com
outras localidades, inclusive o litoral, e promoveu o surgimento das
indústrias de laticínio e cerâmica. O intenso comércio com o Rio de
Janeiro garantiu o crescimento do povoado, que, em 1880, se tornou
distrito de Mar de Espanha.
Memória
Em 19 de maio de 2018, a pacata cidade de Recreio viveu um momento
histórico. Bem cedo, veio gente de todo lado para ver a partida do trem
Rio-Minas, que, naquele dia, fazia uma viagem-teste em direção a
Cataguases, em um trajeto de 60 quilômetros. A equipe do Estado de Minas estava presente e postou um vídeo que viralizou na internet.
Tendo à frente Paulo Henrique do Nascimento, idealizador do projeto e
falecido em novembro daquele ano, a viagem envolveu 15 pessoas, sendo
sete a bordo e oito de carro, munidos de rádios de comunicação para
fazer acompanhamento. Naquela viagem-teste, os passageiros ficaram de
fora, apenas acenando de longe para o trem que trafegava em velocidade
baixa (3 a 5 km/h) com duas locomotivas e três vagões.
Segundo empresário especialista em franquias Henrique Mol, o ideal é
aliar os dois métodos; ele compartilha dicas de estratégias para aplicar
ambas prospecções em seus negócios
A tecnologia digital trouxe inúmeras facilidades para o ambiente
corporativo, especialmente com o trabalho remoto e as vendas realizadas
de forma on-line. O uso de videoconferências, aplicativos de mensagem e
outras ferramentas de comunicação à distância permite que os vendedores
alcancem mais leads em menos tempo e economizem com deslocamentos.
No entanto, apesar das vantagens, o olho no olho presencial ainda tem
seu lugar de destaque, principalmente em negociações mais complexas,
como a venda de franquias. Henrique Mol, especialista em franquias e
presidente da holding Encontre Sua Franquia, reforça a importância de
equilibrar prospecções virtuais e presenciais para alcançar resultados
melhores.
O crescimento das vendas virtuais
O avanço das Inside sales, vendas realizadas remotamente, facilitou o
trabalho de prospecção. Com ferramentas como Zoom, Google Meet e
WhatsApp, os vendedores conseguem conduzir várias reuniões em um único
dia, mantendo o contato frequente com leads, realizando follow-ups e
agilizando propostas.
Antes, com a dependência dos encontros presenciais, especialmente em
capitais como a Grande São Paulo, era possível fazer de duas a quatro
reuniões presenciais, por dia. Mas, agora, com as ferramentas virtuais,
este número pode crescer expressivamente.
Além disso, as vendas virtuais reduzem o Custo de Aquisição do
Cliente (CAC), já que não há gastos com deslocamento e estadia, e o
vendedor pode se preparar melhor para cada reunião. O tempo economizado
no transporte é utilizado para estudar o lead e ajustar a abordagem.
“Hoje é uma realidade que deve fazer parte da estratégia de qualquer
negócio, afinal as pessoas gastam mais tempo por lá. A internet é o
local onde, independentemente de qual seja o interesse de negócio,
servirá como fonte de pesquisa”, relata Henrique.
Entretanto, há algumas limitações. O vendedor remoto pode enfrentar
taxas mais altas de reagendamentos e a falta de envolvimento total do
cliente, como quando se negam a ligar a câmera ou dividem a atenção com
outras atividades, como e-mail e mensagens no celular. Por isso, seja
presencial ou não, é necessário buscar meios de manter a conexão e a
fluidez da negociação.
Para tornar as prospecções virtuais mais efetivas, Henrique
compartilha algumas dicas de estratégias que ajudam a construir
autoridade e segurança, no caso das vendas de franquias:
– Documentar provas sociais por vídeos;
– Ter materiais na internet que mostrem a estrutura que possui aos futuros franqueados da rede;
– Bastidores do dia a dia da franqueadora;
– O negócio precisa ter uma referência, com seus fundadores se posicionando nas redes sociais;
– Usar bastante das videoconferências.
O poder do contato presencial nas prospecções
Se o ambiente digital acelera etapas do processo de venda, ele não
substitui a importância de um encontro presencial, principalmente quando
falamos de vendas de maior complexidade, como a de franquias. As vendas
presenciais (Field sales) permitem que o vendedor estabeleça uma
relação de confiança mais profunda e envolva o cliente de maneira mais
emocional.
“O contato presencial é algo que sempre terá maior conversão, o
desafio está na escala e custos para que ocorra as negociações.
Entendemos que ter o presencial em locais onde exista um número grande
de negociações, possa fazer sentido.”
Este tipo de prospecção é especialmente eficaz para produtos e
serviços com tíquete médio alto, onde o processo de decisão de compra é
mais demorado e exige um vínculo mais forte entre o vendedor e o
cliente. Por meio destes encontros, o prospect consegue analisar o
comprometimento da marca antes de tomar a decisão final.
Além disso, o contato humano em um encontro presencial facilita a
leitura de sinais não-verbais, como a linguagem corporal e o tom de voz,
elementos importantes na condução da negociação. Assim, o vendedor
consegue identificar hesitações, preocupações e oportunidades de uma
forma que, no virtual, nem sempre é possível.
O melhor dos dois mundos: unindo estratégias de prospecção
Apesar das diferenças, é importante ressaltar que vendas virtuais e
presenciais não são excludentes. Segundo Henrique Mol, o ideal é
encontrar um equilíbrio entre estas abordagens, aproveitando o melhor de
cada uma delas. Inclusive, é isso que ele aplica em sua holding
“Encontre Sua Franquia”.
Ele relata: “Criamos ações em marketing para despertar o desejo de
potenciais franqueados. Entendemos que, para os formatos de negócios que
temos internamente, seja a melhor estratégia.” A isso, Henrique alia as
abordagens presenciais em situações com alta circulação de pessoas,
como uma forma de reduzir o CAC e o tempo de prospecção. “A estratégia
que utilizamos é utilizar de eventos como feiras e palestras”, completa.
As empresas podem utilizar a prospecção virtual para qualificar
leads, otimizar o tempo e os recursos da equipe de vendas. Assim, os
vendedores podem concentrar seus esforços nas reuniões presenciais com
prospects que demonstraram um alto potencial de fechamento. Desta forma,
as abordagens virtuais ajudam a preparar o terreno, enquanto as
presenciais permitem selar o acordo com mais segurança. Essa pode ser
uma boa aliança.
No caso das vendas de franquias, especialmente, o encontro
presencial, muitas vezes, pode ser o que vai definir a decisão final.
Isso porque o cliente quer sentir a segurança e o comprometimento do
franqueador, algo que o contato olho no olho transmite com muito mais
eficácia.
Sobre o Henrique Mol
Henrique Mol, natural de Belo Horizonte/MG, é presidente da holding
Encontre Sua Franquia, detentora das marcas Entre Sua Viagem, SUAV,
Zaplus Car, Acquazero, Quisto Corretora de Seguros e Only Mule, que
juntas somam mais de 1 mil franqueados no Brasil e exterior e teve
faturamento anual de R$ 220 milhões em 2023. O empresário também conta
com seu próprio canal sobre franquias no Youtube
(www.youtube.com/@HenriqueMol1). Ele utiliza o espaço para falar sobre
diversas oportunidades de negócios em diferentes segmentos. Hoje, o
canal soma 84 mil inscritos, 1.448 vídeos e mais de 4 milhões de
visualizações, o que o deixa no 3º lugar como o maior youtuber
referência no franchising.
A STARTUP VALEON OFERECE SEUS SERVIÇOS AOS EMPRESÁRIOS DO VALE DO AÇO
Moysés Peruhype Carlech – Founder da Valeon
A Startup Valeon, um site marketplace de Ipatinga-MG, que faz divulgação de todas
as empresas da região do Vale do Aço, chama a atenção para as seguintes questões:
• O comércio eletrônico vendeu mais de 260 bilhões em 2021 e superou pela
primeira vez os shopping centers, que faturou mais de 175 bilhões.
• Estima-se que mais de 35 bilhões de vendas dos shoppings foram migradas
para o online, um sintoma da inadequação do canal ao crescimento digital.
• Ou seja, não existe mais a possibilidade de se trabalhar apenas no offline.
• É hora de migrar para o digital de maneira inteligente, estratégica e intensiva.
• Investir em sistemas inovadores permitirá que o seu negócio se expanda, seja através
de mobilidade, geolocalização, comunicação, vendas, etc.
• Temas importantes para discussão dos Shoppings Centers e do Comércio em Geral:
a) Digitalização dos Lojistas;
b) Apoio aos lojistas;
c) Captura e gestão de dados;
d) Arquitetura de experiências;
e) Contribuição maior da área Mall e mídia;
f) Evolução do tenant mix;
g) Propósito, sustentabilidade, diversidade e inclusão;
h) O impacto do universo digital e das novas tecnologias no setor varejista;
i) Convergência do varejo físico e online;
j) Criação de ambientes flexíveis para atrair clientes mais jovens;
k) Aceleração de colaboração entre +varejistas e shoppings;
l) Incorporação da ideia de pontos de distribuição;
m) Surgimento de um cenário mais favorável ao investimento.
Vantagens competitivas da Startup Valeon:
• Toda Startup quando entra no mercado possui o sonho de se tornar rapidamente
reconhecida e desenvolvida no seu ramo de atuação e a Startup Valeon não foge disso,
fazem dois anos que estamos batalhando para conquistarmos esse mercado aqui do
Vale do Aço.
• Essa ascensão fica mais fácil de ser alcançada quando podemos contar com apoio de
parceiros já consolidados no mercado e que estejam dispostos a investir na execução de
nossas ideias e a escolha desses parceiros para nós está na preferência dos empresários aqui
do Vale do Aço para os nossos serviços.
• Parcerias nesse sentido têm se tornado cada vez mais comuns, pois são capazes de
proporcionar vantagens recíprocas aos envolvidos.
• A Startup Valeon é inovadora e focada em produzir soluções em tecnologia e estamos
diariamente à procura do inédito.
• O Site desenvolvido pela Startup Valeon, focou nas necessidades do mercado e na falta de
um Marketplace para resolver alguns problemas desse mercado e em especial viemos para ser
mais um complemento na divulgação de suas Empresas e durante esses dois anos de nosso
funcionamento procuramos preencher as lacunas do mercado com tecnologia, inovação com
soluções tecnológicas que facilitam a rotina dessa grande empresa. Temos a missão de
surpreender constantemente, antecipar tendências, inovar. Precisamos estar em constante
evolução para nos manter alinhados com os desejos do consumidor. Por isso, pensamos em
como fazer a diferença buscando estar sempre um passo à frente.
• Temos a plena certeza que estamos solucionando vários problemas de divulgação de suas
empresas e bem como contribuindo com o seu faturamento através da nossa grande
audiência e de muitos acessos ao site (https://valedoacoonline.com.br/) que completou ter
mais de 150.000 acessos.
Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:
• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas
de marketing;
• Atraímos visualmente mais clientes;
• Somos mais dinâmicos;
• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;
• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;
• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.
• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em buscadores, redes
sociais e em várias publicidades online para impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso
site e aumentar as suas vendas.
Proposta:
Nós da Startup Valeon, oferecemos para continuar a divulgação de suas Empresas na nossa
máquina de vendas, continuando as atividades de divulgação e propaganda com preços bem
competitivos, bem menores do que os valores propostos pelos nossos concorrentes offlines.
Pretendemos ainda, fazer uma página no site da Valeon para cada empresa contendo: fotos,
endereços, produtos, promoções, endereços, telefone, WhatsApp, etc.
O site da Valeon é uma HOMENAGEM AO VALE DO AÇO e esperamos que seja também uma
SURPRESA para os lojistas dessa nossa região do Vale do Aço.
“Já vi situações extremas, mas eu nunca tinha visto nada tão forte quanto agora”.
A frase de Francisco Wataru Sakaguchi, agricultor de Tomé-Açu, no
nordeste da Amazônia paraense, dá o tom do que representaram as
queimadas e incêndios florestais este ano. Sakaguchi tinha agendado uma
palestra em Manaus no início de dezembro, mas teve que cancelá-la de
última hora para impedir que o fogo chegasse na propriedade dele. Os
esforços deram resultado, mas outros vizinhos não tiveram a mesma sorte.
“A minha situação está resolvida, fiquei mais protegido. Mas muita
gente perdeu tudo. A gente presencia o desespero das pessoas,
perguntando o que vai ser da vida delas dali para frente. E tudo o que a
gente pode fazer é dar um apoio moral”, disse o agricultor, em vídeo
enviado para a TEDxAmazônia.
Dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe) mostram que em 2024 a Amazônia teve o maior número de
focos de calor dos últimos 17 anos. Até o início de dezembro foram
137.538, o que inclui queimadas, controladas ou não, e incêndios
florestais. O período só não foi pior do que em 2007, quando foram
registrados 186.480 focos.
Em relação a 2023, houve aumento de 43%. Em todo o ano passado, foram
98.646 focos. Em 2024, a maior parte dos registros ocorreu entre julho e
novembro, com números acima da média histórica. Só em setembro foram
41.463 focos. A média para o mês é de 32.245.
A Amazônia é o bioma mais impactado, com 50,6% de todos os focos do
país. Logo na sequência, vem Cerrado (29,6% / 80.408 focos), Mata
Atlântica (7,7% / 21.051), Caatinga (6,5% / 17.736), Pantanal (5,3% /
14.489) e Pampa (0,2% / 419). E não se trata apenas de ter o maior
número de focos, mas da capacidade de reagir ao fogo.
“A Floresta Amazônica é do tipo ombrófila, por ser muito úmida. Ela
tem vários estratos que impedem a passagem do vento e é mais sombreada.
Caso o fogo ocorra e se propague nela, o impacto é muito maior. Porque
ela não tem adaptações de resistência ao fogo. A casca é mais fina, as
folhas são mais membranosas. Diferentemente do Cerrado, que é uma
vegetação dependente do fogo e evolui em dependência dele. A vegetação
tem casca mais grossa, as gemas são protegidas”, explica o engenheiro
Alexandre Tetto, coordenador do Laboratório de Incêndios Florestais
(Firelab) e do Laboratório de Unidades de Conservação (Lucs) no Setor de
Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O Pará, que tem como bioma predominante a Amazônia, é o estado que
lidera em número de focos de calor: 54.561. Os municípios mais
impactados são os de São Félix do Xingu (7.353), Altamira (5.992) e Novo
Progresso (4.787).
Nas últimas semanas, o céu paraense foi coberto por uma fumaça densa,
oriunda das queimadas e incêndios florestais. A maior parte está
relacionada ao desmatamento ilegal da Amazônia. A qualidade do ar ficou
comprometida em diversas cidades. Santarém ganhou destaque pelos números
altos de concentração de poluentes e teve decretada situação de
emergência ambiental.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), no dia 24 de novembro, a
poluição do ar no município foi 42,8 vezes superior à diretriz anual de
qualidade do ar da Organização Mundial de Saúde (OMS). A Secretaria
Municipal de Saúde disse que, entre os meses de setembro e novembro de
2024, Santarém registrou 6.272 atendimentos relacionados a sintomas
respiratórios.
Brigadistas
Amazônia tem o maior número de queimadas e incêndios em 17 anos.
Daniel Gutierrez, faz parte da brigada voluntária de Alter do Chão,
um dos distritos administrativos de Santarém. O grupo existe desde 2018 e
tem lidado cada vez mais com episódios de fogo na região e arredores.
Na semana passada, um esquadrão precisou ser enviado à Reserva
Extrativista Tapajós-Arapiuns para ajudar a combater três incêndios. O
grupo se juntou às equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBio) e às outras brigadas de locais próximos.
“A gente que vive aqui, sentiu que aumentaram muito as queimadas. E,
agora, parece que estacionou uma nuvem. A fumaça que a gente sentiu nos
últimos meses, eu nunca tinha visto antes, em dez anos morando aqui. As
pessoas que são daqui e vivem há muito mais tempo do que eu, também
nunca tinham visto. Esse ano foi muito pior”, relata Gutierrez.
O brigadista destaca que é preciso melhorar as investigações sobre os
focos de incêndios e queimadas, porque eles são majoritariamente
provocados pela ação humana.
“A vegetação fica seca e mais propensa a pegar fogo. Mas alguém
provoca, não tem fogo natural. Fogo natural na Amazônia é de raio. Só
que quando tem raio, tem chuva. Pode acontecer um fogo com raio? Pode.
Eu só vi uma vez aqui em Alter do Chão, em um dia que não choveu. Mas é
uma exceção da exceção”, diz o brigadista.
O Pará, que tem como bioma predominante a Amazônia, lidera em número de focos de calor. Foto: Agência Santarém.
Focos de calor
O engenheiro florestal Alexandre Tetto explica que as condições
climáticas em 2024 foram favoráveis para a propagação do fogo, seja ele
natural, legal ou criminoso.
“Picos de focos de calor ocorrem em função de duas coisas. Maior
disponibilidade material combustível, quer dizer, você tem mais
vegetação para queimar. E condições meteorológicas: temperaturas mais
altas, umidade relativa do ar mais baixa, velocidade do vento maior, e
estiagem, tempo maior sem precipitação. Tudo isso acaba possibilitando a
maior ocorrência e propagação dos incêndios”, diz o especialista.
O fogo pode ser usado de forma controlada e autorizada em
determinadas condições meteorológicas. Quando o índice de incêndio está
baixo ou médio, a queima controlada pode ser feita com mais segurança.
“A queima controlada e autorizada tem uma série de funções e
objetivos no campo, desde melhoria do habitat para fauna, manejo de
vegetação, abertura de área para agricultura de subsistência. Inclusive
para a FAO [Food and Agriculture Organization, das Nações Unidas], a
queima controlada é vista como uma forma de reduzir a pobreza, por
possibilitar ao pequeno agricultor abrir uma área com baixo custo, de
uma forma relativamente segura”, explica Alexandre.
Tempo de extremos
Francisco Sakaguchi conta que chegada da chuva esta semana ajudou a impedir que fogo se propagasse Foto: Agência Santarém.
Em Tomé-Açu, onde vive o agricultor Francisco Sakaguchi, a chegada da
chuva esta semana ajudou a impedir que o fogo se propagasse e causasse
danos ainda maiores. Mas os acontecimentos climáticos extremos e
inéditos deste ano não deixam boas perspectivas para o futuro.
“Nunca vi o meu lago secar. Tem umas áreas de brejo, alagadas, que
tem muito açaí. Nunca vi o açaizeiro, que eu sempre andei quando criança
e andava dentro do igapó, morrendo pela seca. E esse anos, eu estou
vendo isso”, relata Francisco. “Nós aqui da comunidade sempre tivemos
preocupação de medir índice pluviométrico, umidade relativa do ar. A
gente usa isso como ferramenta da nossa agricultura. E eu nunca vi na
minha vida, a umidade relativa do ar ser abaixo de 50% aqui na nossa
região. E esse ano teve dias que marcaram 42%. Foram cento e cinquenta
dias sem chuvas”.
Notas
A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Pará
disse que o combate às queimadas em Santarém e outras regiões do estado
foi intensificado. Desde o fim de novembro, as operações receberam um
reforço de “40 novos bombeiros, totalizando 120 profissionais na linha
de frente, distribuídos em cinco frentes de trabalho. Além disso, oito
novas viaturas e abafadores de incêndio foram incorporados às três já em
operação, com o suporte adicional de dois helicópteros no combate
aéreo. O monitoramento é realizado em tempo real via satélite,
garantindo uma resposta ágil e coordenada aos focos de calor”.
A nota diz ainda que “somente 30% do território do Pará está sob
jurisdição estadual. Os outros 70% são federais, o que demanda uma
coordenação de esforços com a União. Neste sentido, o estado solicitou
em setembro deste ano o apoio do governo federal com recursos para
reforçar o combate às queimadas no estado. Além disso, a gestão estadual
faz parte do Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional
Nacional (CIMAN), coordenado pelo governo federal, que reúne
representantes dos estados e de órgãos federais como Ministério do Meio
Ambiente, IBAMA, ICMBio, FUNAI, CENSIPAM e INCRA, para discutir linhas
de trabalho e atuações em conjunto para o combate às queimadas”.
Em nota, o Ministério do Meio Ambiente disse que “em 2024, desde o
início das ações de combate aos incêndios na Amazônia, o governo federal
mobilizou mais de 1.700 profissionais, disponibilizou 11 aeronaves,
mais de 20 embarcações e mais de 300 viaturas, além de combater 578
incêndios de grandes proporções. É importante ressaltar que a resposta
foi iniciada em 1º de janeiro de 2023, com a criação da Comissão
Interministerial Permanente de Prevenção e Controle do Desmatamento e
Queimadas. Atualmente, 500 profissionais atuam no combate aos incêndios
no Pará e no Maranhão”.
A pasta também disse que em junho, o governo federal assinou “um
pacto com governadores para combater o desmatamento e os incêndios no
Pantanal e na Amazônia”. Em julho, foi sancionado o Projeto de Lei n°
1.818/2022, que institui a Política Nacional de Manejo Integrado do
Fogo. O Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo, previsto pela
política, foi instalado pelo governo federal em 9 de outubro e já
realizou duas reuniões”. Além disso, assinou, em setembro, uma medida
provisória “que autoriza crédito de R$ 514 milhões para o combate aos
incêndios na Amazônia, incluindo R$ 114 milhões para o MMA. Uma terceira
MP, assinada em novembro, flexibiliza a transferência de recursos do
Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) para estados e municípios em
regiões com emergência ambiental, priorizando a agilidade no combate aos
incêndios,
BRASÍLIA (Reuters) – Harley Sandoval, pastor evangélico, corretor de
imóveis e empresário da mineração, foi preso em julho de 2023 acusado de
exportar ilegalmente 294 quilos de ouro da Amazônia brasileira para
Estados Unidos, Dubai e Itália. No papel, o ouro vinha de um garimpo
legal em Tocantins, onde Sandoval tinha licença para operar. No entanto,
a polícia afirma que nenhuma quantidade de ouro foi extraída desse
local desde os tempos coloniais.
Usando tecnologia forense de ponta e imagens de satélite, a Polícia
Federal concluiu que o ouro exportado não vinha do garimpo licenciado em
Tocantins. Na verdade, ele foi extraído de três garimpos clandestinos
no vizinho Pará, alguns em terras protegidas de reservas indígenas,
segundo documentos judiciais de novembro de 2023 obtidos com
exclusividade pela Reuters.
Essa ação é uma das primeiras no Brasil a utilizar uma nova
tecnologia para combater o comércio ilegal de ouro, que pode representar
quase metade da produção nacional do minério. Garimpos ilegais se
proliferaram em milhares de locais na floresta amazônica, provocando
destruição ambiental e violência. Nos últimos sete anos, apreensões
de ouro ilegal cresceram sete vezes, segundo registros da Polícia
Federal analisados pela Reuters com exclusividade.
Sandoval, que responde a processo em liberdade enquanto aguarda
julgamento, continua a vender imóveis e pregar com sua esposa em uma
igreja pentecostal em Goiânia. Ele nega as acusações e afirma ser
impossível determinar a origem do ouro após sua fundição em barras para
exportação.
“Isso é impossível. Para exportar ouro é sempre necessário fundi-lo”, disse ele à Reuters por telefone.
DNA DO OURO
Historicamente, o ouro é difícil de rastrear, especialmente após sua
fusão, que apaga marcas de origem. Assim, ele pode ser facilmente
comercializado como ativo financeiro ou usado na indústria joalheira.
Investigadores, no entanto, dizem que isso está mudando. Um programa
da Polícia Federal chamado Ouro Alvo está criando um gigantesco banco de
dados com amostras de ouro de todo o Brasil. Essas amostras são
analisadas com tecnologias como varredura de radioisótopos e
espectroscopia de fluorescência com o objetivo de determinar a
composição única dos elementos.
A técnica, usada há anos em arqueologia, foi adaptada para a
mineração pelo geólogo forense Roger Dixon, da Universidade de Pretória,
na África do Sul, para distinguir entre o ouro legal e o roubado.
O programa desenvolvido em parceria com pesquisadores universitários
também inclui o uso de poderosos feixes de luz de um acelerador de
partículas em um laboratório de São Paulo para estudar impurezas
nanométricas associadas ao ouro, seja de terra ou outros metais como
chumbo ou cobre, que ajudam a rastrear suas origens.
O delegado Humberto Freire, diretor da Amazônia e Meio Ambiente da
PF, disse que a tecnologia permite analisar o “DNA do ouro brasileiro”.
“A natureza marcou o ouro com isótopos, e conseguimos ler essas
impressões únicas”, disse Freire. “Com essa ferramenta, podemos rastrear
o ouro ilegal antes que ele seja refinado para exportação”, ressaltou. O
programa tem ajudado a impulsionar o aumento na apreensão de ouro
ilegal desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse no
começo do ano passado. Elas cresceram 38% em 2023 ante o ano anterior,
segundo dados da PF. Regras mais rígidas do Banco Central e da Receita
Federal para o mercado de ouro, incluindo notas fiscais eletrônicas
obrigatórias e maior fiscalização, também contribuíram para a elevação
da apreensão do minério comercializado na ilegalidade, segundo Freire.
“Estima-se que cerca de 40% do ouro extraído na Amazônia seja ilegal”, disse o delegado da PF.
Em 2020, o Brasil exportou 110 toneladas de ouro, avaliadas em 5
bilhões de dólares, posicionando-se entre os 20 maiores exportadores
globais. Em 2023, as exportações caíram para 77,7 toneladas, uma redução
atribuída ao aumento do combate ao garimpo ilegal, segundo envolvidos
nas discussões e especialistas do setor.
TENSÕES INDÍGENAS
O ex-presidente Jair Bolsonaro, antecessor de Lula, enfraqueceu os
controles ambientais na Amazônia durante seu governo, o que desencadeou
uma nova corrida do ouro no Brasil impulsionada por preços recordes no
mercado mundial — motivados por tensões geopolíticas e compras por
bancos centrais, lideradas pela China.
Os preços continuaram a atingir novos recordes, chegando a 2.662,82 dólares por onça na sexta-feira.
Corridas atrás do ouro têm sido uma marca do Brasil, rico em minério
desde o período colonial. Mas o aumento recente da mineração clandestina
durante o governo Bolsonaro é sem precedentes. Imagens de satélite
mostram que 80.000 garimpos chegaram a estar em atividade na floresta
amazônica, um recorde absoluto.
Antes dominada por garimpeiros com bateias, o garimpo no Brasil
tornou-se uma atividade em escala industrial, com maquinário pesado de
escavação e dragas fluviais milionárias. Organizações criminosas
transportam pessoas, equipamentos e ouro para dentro e fora das regiões
garimpeiras com helicópteros e aviões que pousam em pistas clandestinas.
As escavações frequentemente deixam para trás lagoas de lama
contaminadas com mercúrio, usado para separar o ouro da terra e de
outros minerais.
No ano passado, milhares de garimpeiros que invadiram o Território
Indígena Yanomami, a maior reserva indígena do país, na fronteira norte
com a Venezuela, trouxeram violência e doenças que causaram a
desnutrição e uma crise humanitária, levando Lula a enviar tropas para o
local.
Mas muitos voltaram este ano após a retirada dos militares. Lula, que
prometeu acabar com a mineração ilegal de ouro, tenta combater o
problema montando uma estrutura com forças especiais do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e
outros órgãos para reservas indígenas e parques de conservação
florestal.
A polícia afirma que reprimir as quadrilhas do crime organizado que
financiam os garimpeiros é o próximo passo para conter um comércio
ilegal que abastece a indústria de joias e relógios na Suíça, que compra
70% do ouro exportado pelo Brasil, de acordo com dados comerciais do
governo.
Vizinhos da Amazônia, como Colômbia e Guiana Francesa, estão
considerando adotar o método brasileiro de análise de ouro para
enfrentar o comércio ilegal de ouro. Governos europeus também
demonstraram interesse, incluindo a Suíça e o Reino Unido, os principais
importadores do Brasil depois do Canadá, segundo policiais e
diplomatas.
O Brasil representa apenas 1% do ouro importado pela Suíça, um centro
global de comércio do metal, e “medidas estão em vigor para importar
apenas ouro extraído legalmente”, afirmou um comunicado da embaixada
suíça. A embaixada informou que criou um grupo de trabalho com outros
países importadores para estudar ferramentas de rastreabilidade e
combate à falsificação.
Um estudo de 2022 do Instituto Escolhas, uma organização sem fins
lucrativos que avalia a situação do ouro, descobriu que 52% do minério
exportado da Amazônia era ilegal, quase todo proveniente de terras
indígenas protegidas ou parques nacionais de conservação.
Um lobby vigoroso a favor da mineração informal de ouro prosperou sob
Bolsonaro em um Congresso predominantemente conservador, onde projetos
de lei em tramitação propõem legalizar a mineração clandestina.
Por enquanto, amostras de ouro de todo o Brasil estão sendo
adicionadas a um banco de dados com a ajuda dos peritos do Instituto
Nacional de Criminalística da PF em Brasília, onde o coordenador do
programa Ouro Alvo, Erich Moreira Lima, supervisiona a análise
microscópica de pepitas de ouro guardadas em um cofre.
“Agora que temos uma equipe formada, esperamos analisar as 30.000
amostras de ouro que o Serviço Geológico do Brasil coletou. Em alguns
anos, devemos ter mapeado todas as 24 regiões produtoras de ouro do
Brasil”, disse ele à Reuters.
Ouro de regiões como a terra Yanomami, em Roraima, e outras
localidades nos Estados do Pará, Amapá e Mato Grosso já estão sendo
catalogados.
A geóloga Maria Emilia Schutesky e sua equipe no laboratório de
geociências da Universidade de Brasília realizam análises de
espectrometria de massa em amostras de ouro para identificar moléculas
associadas, como chumbo, e determinar as origens do ouro.
“Nós, pesquisadores, buscamos uma capacidade de rastreamento de ouro
de 100%, mas isso é mais do que a polícia precisa para comprovar um
crime, que é apenas estabelecer que o ouro não vem de onde o suspeito
afirma que vem”, disse Schutesky.
O País acordou ontem com a notícia da prisão de um general quatro
estrelas da reserva, um desdobramento dramático do caso da suposta trama
golpista contra o presidente Lula da Silva, investigada pela Polícia
Federal (PF). É evidente que tudo ainda carece de maiores
esclarecimentos, mas o episódio em si mesmo ilustra com clareza
meridiana a dimensão da vergonha causada pelo bolsonarismo às Forças
Armadas.
Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF), após consulta à Procuradoria-Geral da República (PGR), a
Polícia Federal (PF) prendeu preventivamente o general de Exército da
reserva Walter Braga Netto. O militar, segundo a PF, é suspeito de ser
um dos líderes da tentativa de golpe de Estado urdida nos estertores do
governo de Jair Bolsonaro para impedir a posse de Lula da Silva, plano
que teria envolvido até o assassinato do atual mandatário, entre outras
autoridades.
Moraes decretou a prisão preventiva de Braga Netto porque, ainda de
acordo com a PF, ele estaria destruindo provas e, principalmente,
coagindo testemunhas para tomar conhecimento do teor sigiloso do acordo
de colaboração premiada firmado pelo tenente-coronel Mauro Cid,
ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
A serem verdadeiras essas acusações, haja vista que a prisão de Braga
Netto foi ordenada por Moraes em grande medida pelos supostos novos
elementos de prova que Mauro Cid teria fornecido ao STF em seu
depoimento mais recente, prestado no dia 21 de novembro, está-se diante,
de fato, de condutas típicas para a decretação da prisão preventiva.
Por essa razão, Braga Netto foi mantido no cárcere após ser submetido à
audiência de custódia, ocasião em que são verificadas as eventuais
ilegalidades de uma prisão.
De todos os suspeitos de participar da intentona, Braga Netto, sem
dúvida alguma, é o mais graduado a ser preso até agora. Acima dele só
haveria o golpista maior, Jair Bolsonaro, o grande beneficiário do
eventual sucesso daquele plano nefasto que teria sido colocado em marcha
após sua derrota nas urnas em 2022, como aponta a PF. A regra no
Brasil, como o passado demonstra, sempre foi o acobertamento de
militares, da ativa e da reserva, suspeitos de terem cometido crimes
comuns – à exceção, por óbvio, daqueles delitos cobertos pela Lei da
Anistia, de 1979.
A prisão preventiva de Braga Netto, portanto, quebra essa rotina de
leniência, para dizer o mínimo, com a apuração de crimes comuns
envolvendo militares, fardados ou não, em que pese se tratar – e é
fundamental frisar isso – de uma prisão cautelar, ou seja, decretada em
sede de investigação, e não de antecipação de culpa nem muito menos de
cumprimento de pena. Mas só isso, porém, já é algo inédito ao menos
desde a redemocratização do País.
Se a prisão de outros militares de alta patente suspeitos de
envolvimento na tentativa de golpe já não foram triviais, a de Braga
Netto é histórica, na mais estrita acepção do vocábulo. Afinal, além de
ele ser um general com quatro estrelas nos ombros a ir para a cadeia,
sobretudo por suspeita de ter liderado uma tentativa de golpe de Estado,
Braga Netto foi chefe do Estado-Maior do Exército, ministro da Casa
Civil e da Defesa no governo Bolsonaro, candidato a vice na chapa do
ex-presidente e, ademais, interventor na Segurança Pública do Rio de
Janeiro, uma elevada posição de poder, malgrado o fiasco operacional da
intervenção militar.
A prisão de um personagem como Braga Netto, alguém que, além de
possuir o currículo acima, foi uma figura central na política brasileira
nos últimos anos, é reveladora do desassombro com que membros do alto
escalão do governo anterior parecem ter agido para se manter no poder a
despeito da derrota eleitoral. Como sublinhamos nesta página há algumas
semanas, o Brasil só terá paz quando todos os suspeitos de ter urdido o
golpe de Estado forem julgados de acordo com as leis do mesmo Estado
Democrático de Direito que tentaram abolir (ver Traidores da Pátria, 20/11/2024).
Desde a manhã de ontem, o general da reserva Walter Braga Netto viu
consideravelmente reduzida a distância que o separa desse inevitável
acerto de contas com a Justiça.
BRASÍLIA – O ex-presidente Jair Bolsonaro usou sua rede social para questionar a motivação da prisão do general Walter Braga Netto neste sábado, 14.
Em postagem no X, Bolsonaro indagou como o ex-ministro pode ter sido
preso por interferir numa investigação que já teria terminado.
O ex-presidente Jair Bolsonaro questionou a prisão do general Braga Netto Foto: Wilton Junior/Estadao
“Há mais de 10 dias o “Inquérito” foi concluído pela PF, indiciando
37 pessoas e encaminhado ao MP. Como alguém, hoje, pode ser preso por
obstruir investigações já concluídas?”, escreveu Bolsonaro. O
questionamento do ex-presidente faz referência ao fato de a Polícia
Federal já ter enviado ao Supremo Tribunal Federal o relatório da
apuração sobre tentativa de golpe.
A ação deste sábado, no entanto, foi baseada em novas revelações do
ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o coronel Mauro Cid. Em complemento à
delação premiada, Cid contou que o general Braga Netto tentou obter
informações sobre o conteúdo da delação, cuja íntegra até hoje permanece
em sigilo.
Na manhã deste sábado, com autorização do ministro Alexandre de
Moraes, a PF prendeu Braga Netto sob acusação de interferência em
investigações. O militar está detido no Rio de Janeiro sob a custódia do
Exército.
A defesa de Braga Netto sustenta que poderá provar que ele não tentou
interferir nas investigações, mas só vai se pronunciar sobre o caso
quando tiver acesso à íntegra dos novos documentos.
O caminho que vai levar o Brasil a ter o maior imposto do mundo
O texto-base da reforma tributária foi aprovado pelo Senado na
quinta-feira (12). A tramitação do projeto, porém, não para por aí. A
reforma ainda volta para a Câmara dos Deputados, por conta de mudanças
feitas no texto pelos senadores, que ainda pode ter novas alterações
antes de ir à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O
relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), buscou abraçar – parcial ou
integralmente – cerca de 600 das mudanças propostas pelos legisladores.
Especialistas ouvidos pela CNN afirmam que, dentre elas, há tanto
medidas benéficas como maléficas para as intenções da reforma. A
alíquota média do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) – modalidade que
irá substituir uma série de tributos estaduais e federais nos próximos
anos – ainda não está definida. Mas estimativas apontam que ela deve
ultrapassar 28% (podendo chegar a mais de 29%). Se a estimativa de fato
for concretizada, isso significaria que o Brasil teria o maior IVA do
mundo, ultrapassando a carga de 27% da Hungria. Como o Brasil chegou a
esse ponto? O principal motivo: regimes especiais que reduzem o peso dos
impostos sobre alguns setores. Desse modo, a média precisa subir, pois
um dos princípios é a manutenção da carga tributária. Tathiane
Piscitelli, coordenadora do Núcleo de Direito Tributário da Escola de
Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV Direito SP),
reafirma que a reforma tributária aprovada no Senado evoluiu e conseguiu
manter seus princípios de simplificação, neutralidade e não
cumulatividade. Porém, ao olhar para as isenções aprovadas, a
especialista diz ter dúvidas se o projeto seguiu princípios de
privilegiar setores e serviços essenciais. “Essa lista [de isenções] não
pode ser indiscriminada. Concordo integralmente com as críticas porque a
ideia é a neutralidade, a simplificação. As alterações devem ser
convergentes com os valores constitucionais de justiça tributária e
social”, avaliou Piscitelli em entrevista ao CNN Money. “As exceções
devem seguir isso, e não os interesses das bancadas de interesse, a fim
de construir um sistema tributário mais eficiente.” Estudos apontam que a
reforma tributária tem potencial para impulsionar a economia do país.
Ao descomplicar a estrutura tributária do país, o projeto tende a
reduzir custos e tornar o ambiente brasileiro mais atrativo para
negócios. Segundo a Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI), o
contencioso tributário do Brasil chega, hoje em dia, a cerca de 70% do
Produto Interno Bruto nacional — a soma de todas as riquezas do país.
Nos Estados Unidos, o valor é de 1% do PIB. O Banco Mundial aponta que o
atual sistema tributário brasileiro é um dos cinco piores do mundo, num
ranking com mais de 170 países. Segundo a instituição financeira
internacional, as empresas gastam cerca de 1.700 horas por ano com
compliance tributário no Brasil. Porém, Marcus Pestana, presidente da
IFI, relembra que, durante as audiências que teve com os senadores, o
grupo buscou bater na tecla de que quanto mais exceções, maior seria a
alíquota geral e a complexidade operacional do sistema; e menores os
efeitos na produtividade. Ademais, Pestana aponta que as exceções não
são as únicas culpadas pelo IVA elevado. “O Imposto sobre Valor Agregado
vai ser o maior do mundo por conta do nosso perfil tributário e de
renda. Nossa matriz tributária é muito concentrada no consumo, diferente
dos países ricos onde está no patrimônio e na renda”, disse à CNN.
“Para encontrar a alíquota, vamos ter que aprender a nadar nadando. A
própria realidade vai ditar, mas, ao mudar a regra do jogo, não tem como
antever esse hiato”, conclui. O presidente da IFI se refere ao chamado
“hiato de conformidade”. Apesar de a busca por um novo sistema buscar a
melhoria, a mudança de regras também pode abrir novas brechas.
Sonegação, judicialização e elisão fiscal são alguns dos desafios
apontados por Pestana, cuja magnitude só poderá ser compreendida com a
reforma operante. Para Piscitelli ainda há outro destaque negativo que,
segundo análise do Grupo de Pesquisa Tributação e Gênero da FGV Direito
SP, transfere o impacto para o bolso dos brasileiros: a decisão do
Senado de retirar as armas e munições do Imposto Seletivo (IS), o
chamado “imposto do pecado”. Os armamentos foram e voltaram da cobrança,
mas no fim acabaram removidos por pressão da bancada da bala. “Essa
decisão resultará em uma redução de 70% na tributação de revólveres, o
que aumentará o peso da alíquota geral sobre toda a sociedade. A
exclusão das armas do seletivo transfere para a sociedade o custo da
violência armada. É hora de pressionar os senadores para evitar esse
retrocesso”, afirma nota enviada por Piscitelli. Êxitos da reforma
tributária Piscitelli e Pestana reforçam que a alíquota poderia ser
menor caso houvessem menos exceções. Mas reconhecem que, além de esta
ter sido a reforma possível, ela carrega seu valor. “[A reforma
tributária] é uma notícia boa para um país que está precisando de
notícias boas. Ela melhora o ambiente de negócios”, enfatiza o
presidente do IFI. “E mesmo não tendo sido a reforma ideal, dadas as
pressões naturais do sistema democrático, saímos de um sistema que é
regressivo, injusto – onde pobres pagam mais que os mais ricos -,
complexo, burocrático, caro e inseguro.” Para a professora da FGV
Direito SP, alguns destaques são a redução de alíquota para fraldas, o
cashback para serviços de telecomunicação e a isenção para carnes. A
especialista em direito tributário reconhece que seria mais eficiente
incluir também as proteínas animais no sistema de devolução de valores,
mas aponta que o problema é que o país não tem o espaço orçamentário
para dar o cashback a todos que precisam. “A população de baixa renda
não deve sofrer, seguindo a lógica da essencialidade, da justiça
tributária e de que o debate democrático depende do acesso à informação e
à telecomunicação. Quem vai ser atingido é quem demanda por medidas, e
nesse caso não é a maior parte do grupo”, conclui Piscitelli. Em
entrevista ao WW, o economista e advogado tributarista Eduardo Fleury
ressalta que o projeto tratá um “ganho substancial” em eficiência e
simplificação para o ambiente de negócios. “Antes, com menos exceções,
tinhamos equilíbrio de preços relativos, escolher o produto baseado no
preço real e preferência. A despeito dos preços ficarem desnivelados,
agora vamos saber quais são, hoje nao se sabe qual é. Com essa
transparência e simplificação, todo mundo vai sentir a mudança”, afirmou
Fleury. “Apesar de todas as exceções, a visualização vai ser
infinitamente melhor. Vai haver um menor custo de administração do
tributo e uma melhora substancial no ambiente de negócios”, conclui. https://www.youtube.com/watch?v=4ya2KWYnTnQ Posição
dos setores Setores da economia – como o imobiliário, de serviços e
algumas áreas da indústria – celebraram os benefícios assegurados pela
reforma tributária. Entidades como a Câmara Brasileira da Indústria da
Construção (CBIC), a Associação Brasileira de Incorporadoras
Imobiliárias (Abrainc), a Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo (CNC), a Associação Brasileira de Bares e
Restaurantes (Abrasel), a Associação Brasileira das Indústrias de
Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir) e a Federação das
Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). O texto propõe uma redução na
alíquota da Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS) para comerciantes
da Zona Franca de Manaus (ZFM), além de contemplar a indústria de refino
de petróleo da Amazônia Ocidental com regime favorecido. A Fieam
defende que “a regulamentação aprovada no Senado não concede novos
privilégios à ZFM, apenas transpõe os mecanismos existentes na
legislação do ICMS. Nada além disso”. A entidade afirma que a decisão do
Senado reafirma o valor estratégico da região. Além disso, reforça que a
compensação de tributos visa garantir a competitividade num local com
altos custos e “uma importância ambiental única”. “Este modelo,
respaldado pela Constituição, é vital para assegurar que a produção
industrial na Amazônia participe de forma justa do mercado nacional e
internacional, evitando a migração de empresas para outros países e
protegendo mais de 96% da floresta amazônica”, conclui a Fieam em nota.
Outro lado da moeda Na ponta oposta, a Federação das Indústrias do
Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a Federação das Indústrias do Estado
de Minas Gerais (Fiemg) e a Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) avaliam como problemáticos os benefícios cedidos à
produção da Zona Franca de Manaus, e veem com preocupação como ficaria a
competitividade entre diferentes regiões. Em entrevista à CNN, Igor
Rocha, economista-chefe da Fiesp, afirma que a medida fere o princípio
de isonomia proposto pelo projeto reforma tributária. “Sem dúvida fere.
[O texto] amplia ainda mais os benefícios tributários de uma única
região em detrimento de todas as outras do país”, indaga Rocha. Já a
Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avalia que muitos dos pontos
alterados são prejudiciais, sobretudo às pequenas empresas, que poderão
sofrer com desvantagens competitivas diante das grandes empresas. “Das
24 milhões de empresas do país, aproximadamente 9 milhões estão
incorporadas no Simples Nacional e 14 milhões são MEIs. Se a proposta da
Reforma Tributária for aprovada no Congresso Nacional, muitas empresas
desse porte sofrerão danos irreversíveis e, consequentemente, os
reflexos serão vistos na economia”, diz em nota.