História de MARIANNA HOLANDA E GUILHERME BOTACINI – Folha de S. Paulo
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente chinês, Xi Jinping, deu ao
presidente Lula (PT) de presente um pedaço da rocha lunar, durante
jantar no Itamaraty na noite desta quarta-feira (20).
É praxe a troca de presentes entre chefes de Estado em cerimônias
como esta. Xi chegou ao Brasil para o G20 no Rio de Janeiro, e hoje foi
recebido por Lula em visita oficial a Brasília. O presidente brasileiro,
por sua vez, presenteou o homólogo chinês com cerâmica Marajoara.
Segundo integrantes do governo, um dos presentes do chinês ao
brasileiro foi um pedaço da rocha colhida no programa espacial chinês.
Em junho, pela primeira vez na história, a China foi à face oculta da
Lua, o hemisfério lunar jamais visto da Terra, e trouxe amostras de
volta à Terra. O episódio levou o nome de missão Chang’e 6.
O jantar no Itamaraty em homenagem a Xi Jinping teve mais gente do
que é costumeiro em eventos como este no salão do palácio do Ministério
de Relações Exteriores. A organização teve de colocar mesas fora do
salão, o que é incomum. Relatos dão conta de cerca de 200 pessoas, entre
integrantes do primeiro escalão, de empresas privadas e públicas.
Ele foi recepcionado ao chegar por Lula e pelos presidentes do STF
(Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, do Senado, Rodrigo
Pacheco (PSD-MG) e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), num gesto que reflete
a importância que o governo quis imprimir para o evento.
De acordo com um ministro de Lula, Xi foi tietado pelos presentes.
Empresários e parlamentares pediam para tirar foto com o líder chinês e
com Lula durante o jantar, que começou pontualmente às 18h30 e terminou
duas horas depois.
O cerimonial teve de ficar pedindo para os presentes retornarem aos seus lugares para poderem continuar servindo o jantar.
A China é maior parceiro comercial do Brasil. A delegação chinesa
trouxe empresários para firmar acordos com o governo brasileiro, como
SpaceSail, concorrente de satélites da SpaceX de Elon Musk.
Além disso, o país é um dos grandes compradores de proteína animal
brasileira. Estiveram presentes empresários como Wesley Batista, da
J&F, e Marcos Molina, da Mafirg. Além deles, o vice-presidente de
assuntos corporativos e institucionais da Vale, Alexandre D’Ambrosio, e
Luiza Trajano, presidente do conselho administrativo da Magazine Luiza.
Segundo relatos, a conversa girou em torno da relação entre os dois
países. Um executivo disse à Folha, reservadamente, que este é o melhor
momento das relações comerciais, mesmo diante do aumento de tensões
entre a China e os Estados Unidos, após a eleição de Donald Trump.
Da parte do governo, participaram a grande maioria dos ministros,
como Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Alexandre
Padilha (Relações Institucionais), Renan Filho (Transportes) e Anielle
Franco (Igualdade Racial).
Também estiveram presentes a presidente da Petrobras, Magda
Chambriard, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, além do
diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O futuro presidente
do Banco Central, Gabriel Galípolo, também acompanhou tanto o jantar,
quanto as reuniões e o almoço no Palácio da Alvorada.
O jantar era em homenagem aos chineses, mas a culinária era
brasileira. De entrada, havia dadinho de rabada e bolinho de carne de
sol. Os convidados também puderam comer pato laqueado e moqueca de
banana, e de sobremesa, sorvete de côco com cajuzinho.
A viagem de Xi Jinping teve segurança redobrada. As reuniões
bilateral e ampliada e a assinatura de atos ocorreram no Palácio da
Alvorada, mais cedo, a pedido dos chineses, segundo relatos.
A recepção a governantes ocorrida pela manhã no Alvorada é incomum. O
palácio é de mais difícil acesso, distante de outros prédios. Além
disso, sua delegação fechou um hotel que fica à beira do Lago Paranoá e a
1 km do Alvorada. Além disso, os acessos de imprensa foram mais
restritos.
Quando chegou, foi recebido pelo presidente e a primeira-dama, Janja,
por uma cerimônia com militares, conhecida como revista à tropa. Mas
também teve uma apresentação de uma banda Ibrachina Music Project, e de
uma soprano. Segundo integrantes do governo, a música escolhida, chamada
My Homeland, fez sucesso na China.
O bilionário Elon Musk disse, nesta quarta-feira (20), que, como
futuro encarregado da “eficiência” do Estado americano, prevê cortes
maciços de funcionários públicos, remoção de subsídios e
desregulamentação, em um artigo publicado no The Wall Street Journal.
O homem mais rico do mundo disse que tem como alvo centenas de
bilhões de dólares em gastos governamentais, incluindo o financiamento
de emissoras públicas e os grupos de planejamento familiar Planned
Parenthood, bem como uma burocracia que representa uma “ameaça
existencial” à democracia dos EUA.
O fundador da Tesla e da SpaceX afirmou que vai trabalhar juntamente
com seu colega empresário Vivek Ramaswamy, assim como ele leal a Trump,
para reduzir as regulações federais e fazer importantes cortes
administrativos e de custos.
“Somos empresários, não políticos. Vamos servir como voluntários
externos, não como funcionários públicos ou empregados federais”,
escreveram Musk e Ramaswamy.
“Quando o presidente cancelar milhares destas regulações, os críticos
vão alegar extrapolação executiva. De fato, estará corrigindo a
extrapolação executiva de milhares de regulações promulgadas por decreto
administrativo que nunca foram autorizadas pelo Congresso”, afirmaram.
Musk e Ramaswamy acrescentaram que uma redução das regulações abriria
o caminho para “reduções maciças de pessoal em toda a burocracia
federal”. O objetivo, segundo eles, é cortar mais de US$ 500 bilhões
(aproximadamente R$ 2,88 trilhões) em gastos governamentais.
“Com um mandato eleitoral decisivo e uma maioria conservadora de 6-3
na Suprema Corte”, o novo departamento de eficiência governamental “tem
uma oportunidade histórica de realizar reduções estruturais no governo
federal”, opinam.
A pesar da agenda ambiciosa, os planos para desmantelar programas
vão, muito provavelmente, se deparar com a oposição de políticos,
inclusive republicanos.
Mesmo assim, Musk e Ramaswamy citaram uma série de decisões da
Suprema Corte que, segundo eles, justificam os cortes, e avaliam que o
uso de decretos para cortar regulações não aprovadas pelo Congresso é
“legítimo e necessário”.
Eles esperam ter terminado a tarefa até 4 de julho de 2026.
Musk se tornou um aliado próximo de Trump nos últimos meses. Gastou
mais de 100 milhões de dólares (R$ 577 milhões, na cotação atual) para
impulsionar sua candidatura à Presidência e participou de comícios no
estado-chave da Pensilvânia.
Como suas empresas têm diferentes graus de interação com o governo
americano e com governos estrangeiros, seu novo posto traz dúvidas sobre
um conflito de interesses.
O bilionário nascido na África do Sul convidou Trump a assistir a um
voo de testes de sua empresa, SpaceX, na terça-feira, em uma
demonstração dos vínculos cada vez mais estreitos entre os dois, mas
atritos podem surgir no futuro.
ENVIADA ESPECIAL A BAKU – A um dia do encerramento oficial, a Cúpula do Clima deste ano (COP-29) segue indefinida em relação aos mesmos dois pontos que travaram a discussão até o momento: valor e pagadores do financiamento climático. Informalmente chamado de “COP das Finanças”, o evento da Organização das Nações Unidas (ONU) está
previsto para terminar nesta sexta-feira, 22, mas a apresentação de um
rascunho do acordo com pontos chave indefinidos aumentou a possibilidade
de que seja estendida por mais dias. Nos bastidores, fala-se de
extensão por mais um, dois ou até mais dias.
O novo texto estava previsto para a publicação na meia-noite desta
quinta-feira, 21, mas foi veiculado no início da manhã do horário local,
de Baku, capital do Azerbaijão, a sete horas de diferença do Brasil.
Entre organizações que acompanham as negociações, há pessimismo de
avanços significativos neste ano, aumentando a responsabilidade da
próxima COP (em Belém), e ainda esperança de que os países terão algum
consenso nas próximas horas.
Previsto no Acordo de Paris, o financiamento climático de países
ricos para em desenvolvimento segue, contudo, indefinido: não há um
valor anual a ser pago, por enquanto há apenas um “US$ []”, com margem
tanto para a casa do trilhão quanto dos bilhões de dólares anuais.
Organizações e nações em desenvolvimento defendem por volta de US$ 1,3
trilhão anual.
O texto foi apresentado pela presidência da COP-29, de
responsabilidade do Azerbaijão. Anunciado como “mediadores” das demandas
de países ricos e em desenvolvimento, Brasil e Reino Unido devem
apresentar um retorno mais específico à presidência sobre a recepção do
texto, mas os demais países poderão se manifestar em plenárias e no
andamento das negociações, que devem se intensificar nas próximas horas,
especialmente a partir da tarde.
Mukhtar Babayev, presidente da COP-29 Foto: Peter Dejong/AP
O rascunho mostra que não há superação completa de um ponto que vem
emperrando a discussão nas reuniões pré-COP-29 há meses: a definição dos
contribuintes obrigatórios, a exemplo do que está no Acordo de Paris.
Há tanto uma versão que reconhece a responsabilidade dos maiores
poluidores históricos (países ricos), com a possibilidade de
contribuição voluntária de países em desenvolvimento em ascensão (como
China), enquanto a outra diz que a liderança deve ser das nações ricas,
mas “incluindo esforços de outros países com capacidade econômica para
contribuir”.
O chamado Novo Objetivo Quantificado Coletivo (NCQG na sigla em
inglês) é de US$ 100 bilhões atualmente, mas foi pouco cumprido desde
seu prazo inicial, de 2020 a 2025, sem que o valor estivesse atrelado às
necessidades reais dos países.
Nesse contexto, o texto apresenta duas interpretações: uma aponta que a meta foi alcançada a partir de 2022, conforme a OCDE.
Outra versão lamenta que a meta não foi atingida e prevê repasse
retroativo até 2026. O cumprimento ou não tem sido tema controverso, com
questionamentos, inclusive, sobre quais tipos de recursos entraram na
contabilização feita pela organização, como no caso de empréstimos a
juros significativos ou recursos não diretamente ligados ao clima.
Texto reconhece conhecimento indígena
Um ponto que tem sido elogiado é que o texto reforça a necessidade de
valorização da ciência e dos conhecimentos de povos indígenas e
tradicionais e comunidades locais, os quais devem ser incluídos no
desenvolvimento das ações.
O texto salienta a necessidade de respeito aos direitos humanos, de
modo a salvaguardar os povos indígenas e ser sensível às questões de
gênero. Deve, portanto, “considerar as necessidades e prioridades dos
outros povos e comunidades na linha de frente das mudanças climáticas,
incluindo mulheres e meninas, crianças, jovens, pessoas com deficiência e
trabalhadores, bem como comunidades locais e sociedade civil, em
reconhecimento do seu papel crítico na prevenção, abordagem e resposta
às alterações climáticas”.
Manifestação na COP-29, em Baku Foto: Peter Dejong/AP
O documento enfatiza que o NCQG será voltado à aplicação das metas de
redução de emissões dos países (as chamadas NDCs) e aos planos de
adaptação climática dos países em desenvolvimento. Ao mencionar países
pouco desenvolvidos e insulares, diz que a nova meta deve ter equidade e
princípio de responsabilidade comum, mas diferenciada a partir das
capacidades, vulnerabilidades e diferentes circunstâncias de cada país.
Além disso, reconhece que os países em desenvolvimento sofrem
impactos desproporcionais das alterações climáticas e enfrentam diversas
barreiras e desafios, como elevados custos, espaço fiscal limitado,
altos níveis de endividamento e altos custos de transação. Também
enfatiza a necessidade de respeitar a soberania dos países, enquanto
destaca a “importância da justiça climática na tomada de medidas para
enfrentar as alterações climáticas”.
Reforça, ainda, que é necessário investimento anual de US$ 4 trilhões
em energia renovável até 2030 para que a neutralidade de carbono seja
alcançada até 2050. “Espera-se a necessidade de investimento de ao menos
US$ 4 trilhões a US$ 6 trilhões anuais para a transformação global para
uma economia de baixo carbono”, acrescenta.
O rascunho inicia com uma contextualização de que o financiamento é
importante para atingir o artigo 2 do Acordo de Paris, de 2015, de
conter o aquecimento global abaixo dos 2ºC (em relação aos níveis
pré-industriais), com esforços para que seja contido em 1,5ºC — elevação
que já implica em intensificação e aumento na frequência de extremos
climáticos em todo o mundo, como ondas de calor, secas e enchentes.
Desse modo, poderia “tornar os fluxos financeiros consistentes com um
caminho rumo a baixas emissões de gases de efeito de estufa e um
desenvolvimento resiliente ao clima”. O texto salienta a “urgência de
aumentar a ambição e a ação nesta década” e admite que “há uma lacuna,
mas barreiras ao redirecionamento de capital para a ação climática”.
Como foi a repercussão?
Diretor técnico da organização Laclima, André Castro considera que o
texto mostra que as negociações ainda estão rachadas entre países ricos e
em desenvolvimento. Ele espera que a situação mude ao longo do dia e na
sexta-feira, pois parte das nações costuma insistir em seus
posicionamentos até quase o último momento.
COP-29 é realizada no Azerbaijão, berço da indústria petroleira no mundo Foto: Rafiq Maqbool/AP
Coordenador de projetos internacionais da Laclima, Eneas Xavier
considera importante que o texto faça menção direta ao IPCC, principal
instituição mundial no mapeamento científico das mudanças climáticas. Da
mesma forma, também avaliou como positiva a menção direta aos povos
indígenas e ao “fardo” dos empréstimos. “A gente espera avanços no
decorrer desse dia”, finalizou.
Já a coordenadora de projetos da Laclima, Gaia Hasse resumiu como um
texto com “falta de ambição”. Para ela, não está à altura da urgência
climática, tão evidente em desastres ocorridos neste ano, como a
enchente recorde no Rio Grande do Sul e as secas e queimadas na
Amazônia. Dessa forma, uma decisão mais robusta poderia sobrar para a
COP-30, de Belém.
Organizações internacionais também começaram a repercutir a
publicação. A Climate Action Network International (CAN) avaliou que o
texto segue incompleto. O entendimento da organização é de que os
números precisam ser colocados na mesa agora, para não se correr o risco
de uma COP sem avanços tão significativos. Assim como avaliou que tende
a reduzir as responsabilidades diretas dos países ricos, repassando-as
parcialmente para o setor privado.
Já a WWF apontou que a falta de um valor definido no rascunho é
preocupante. “As decisões mais desafiadoras ficaram para o último
minuto.”
A escalada no conflito na Ucrânia continua nesta quinta-feira (21). A
aeronáutica ucraniana informou ter interceptado um míssil balístico
intercontinental russo, lançado da região de Astrakhan pela manhã. Na
quarta (20), Kiev utilizou, pela primeira vez, mísseis britânicos de
longo alcance contra o território russo, com autorização de Londres.
Esta é a primeira vez que a Rússia faz uso deste tipo de míssil de
longo alcance, capaz de transportar ogivas nucleares ou cargas
convencionais, desde o início da invasão da Ucrânia em fevereiro de
2022. O ataque teve como alvo empresas e infraestruturas críticas no
Dnipro, no centro-leste da Ucrânia, disse a Força Aérea ucraniana, sem
especificar onde o projétil caiu ou se causou danos, nem seu modelo
exato.
A Ucrânia acrescenta que, além de ter interceptado o projétil
intercontinental, também abateu seis misseis de cruzeiro russos Kh-101.
Os disparos ocorreram um dia após o país utilizar mísseis balísticos
americanos de 300 quilômetros de alcance contra alvos dentro da Rússia,
que prometeu responder “à altura”.
Kiev reivindicava havia meses autorização para usar estas armas recebidas,
mas seus aliados ocidentais temiam a reação de Moscou. A Rússia
advertiu que isso representaria ultrapassar uma linha vermelha no
conflito.
Vários mísseis britânicos Storm Shadow, com alcance superior a 250
quilômetros, foram disparados contra pelo menos um alvo militar russo,
reportou o jornal Financial Times, citando três fontes anônimas, entre elas um funcionário de um governo ocidental informado sobre o ataque.
Segundo The Guardian, o governo britânico autorizou o uso
destes mísseis contra o território russo em resposta ao destacamento de
tropas norte-coreanas para ajudar o exército russo. Nem Kiev, nem
Londres confirmaram esta informação.
Apelo de Xi Jinping e latino-americanos
Em meio à visita de Estado que realizou ao Brasil, o presidente da
China, Xi Jinping, apelou para “mais vozes comprometidas com a paz” para
buscar uma “solução política” para a guerra na Ucrânia, segundo a
agência oficial de notícias chinesa Xinhua.
Em um comunicado conjunto, Brasil, Chile, Colômbia e México pediram
que seja evitada uma “escalada da corrida armamentista” que “agrave” o
conflito na Ucrânia.
Zelensky: ‘apenas diálogo’ devolveria a Crimeia à Ucrânia
Em uma entrevista ao canal de televisão americano Fox News
transmitida na quarta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky,
disse que somente a diplomacia permitiria à Ucrânia recuperar a
península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. “Não podemos perder
dezenas de milhares de nossos cidadãos para recuperar a Crimeia, e não é
certo que possamos recuperá-la com armas nas mãos. Entendemos que a
Crimeia pode ser devolvida através dos canais diplomáticos”, frisou
Zelensky.
Ele rejeitou, entretanto, a ideia de ceder à Rússia territórios já
ocupados pelas forças russas, dizendo que a Ucrânia “não poderia
reconhecer legalmente qualquer território da Ucrânia como russo”. “Já
mencionei que estamos prontos para ver a Crimeia devolvida através dos
canais diplomáticos”, ressaltou o presidente ucraniano.A Rússia anexou a
península da Crimeia em 2014, após uma revolta que forçou o presidente
pró-Rússia da Ucrânia da época a fugir do país.
Desde a invasão da Ucrânia, as forças russas ocuparam cerca de um
quinto do território ucraniano. Moscou anexou quatro regiões ucranianas,
embora não tenha controle total sobre elas.
Volodymyr Zelensky apresentou um “plano de vitória” que inclui um
convite incondicional à integração da Ucrânia na Otan e a implantação no
seu território de um dispositivo de dissuasão estratégico não nuclear.
Os dois pontos não foram objeto de qualquer compromisso por parte dos
aliados ocidentais.
Incêndios atingiram 67 mil quilômetros quadrados de Floresta
Amazônica de janeiro a outubro deste anoSob seca extrema, Floresta
Amazônica registra em 2024 incêndios em área equivalente a 31 cidades de
Baku, capital do Azerbaijão e sede da Conferência do Clima da ONU neste
ano.Os incêndios atingiram 67 mil quilômetros quadrados de Floresta
Amazônica de janeiro a outubro deste ano. O número, considerado
“chocante” pelos cientistas, é dez vezes maior que a taxa de
desmatamento oficial anunciada recentemente, de 6,3 mil quilômetros
quadrados, segundo registro via satélite captado de julho de 2023 a
agosto de 2024.
O dado é do Monitor do Fogo do Instituto de Pesquisa Ambiental da
Amazônia (Ipam), parte da rede Mapbiomas, e foi divulgado durante a
Conferência do Clima de Baku, a COP29, realizada até esta sexta-feira
(22/11).
É como se 6,7 milhões de estádios de futebol como o que sedia as negociações no Azerbaijão, sofressem o impacto das chamas.
Os episódios de seca extrema em 2023 e 2024 trouxeram mudanças para a
floresta: com menos folhas, menos água e mais vulneráveis, ela perdeu
principalmente a capacidade de barrar a “entrada” do fogo que vem de
fora. Se a tendência continuar, novas formas de proteção terão que ser
pensadas.
“A gente reduziu o desmatamento no último ano, foi o menor em quase
dez anos. Mas o fogo impactou uma área dez vezes maior! A floresta pode
até se recuperar, mas o processo é muito longo”, diz à DW a pesquisadora
Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam que está em Baku.
A diferença entre desmatamento e incêndio
Embora o desmatamento e o fogo tenham uma relação na Amazônia, eles
são detectados e medidos de formas diferentes. O desmatamento é
computado quando acontece o corte raso, ou seja, quando há completa
remoção da vegetação nativa. Na imagem de satélite, isso é percebido por
meio de cores diferentes.
“Depende da composição colorida. Nessa composição, a vegetação
aparece em verde. Quando desmata, que o solo fica exposto, fica um tom
róseo. A cicatriz de incêndio aparece em outro tom, mais para o roxo”,
explica Claudio Almeida, coordenador do programa de monitoramento do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a metodologia mais
usada.
Ane Alencar, do Ipam, explica que a contagem de área de floresta
queimada é feita a partir da cicatriz que o fogo deixa na paisagem. “A
detecção ocorre pela redução da quantidade de verde na imagem. Quando o
fogo passa, ele deixa uma marca, a umidade cai, e o tom de verde também
muda”, detalha. “E uma cicatriz de fogo numa área que já foi desmatada é
totalmente diferente de uma área de floresta em pé”, adiciona.
Como isso entra na conta
A diferença de metodologia se reflete na taxa de desmatamento, que
soma a área onde não há mais resquício de vegetação nativa. No caso de
incêndio, a floresta continua lá de certa forma, o tipo de uso do solo
não muda imediatamente – e por isso os dados são tão diferentes.
“Não quer dizer que toda esta floresta vai desaparecer depois do
incêndio. Ela vai sofrer, vai ficar debilitada, pode demorar muitos anos
para se recuperar, é preciso chuvas regulares por alguns anos. É como
um paciente doente”, explica Cláudio Almeida, do Inpe.
Na Amazônia, até então, o fogo era provocado quase que na sequência
de um corte raso. A intenção do desmatador é limpar a área para uso
agropecuário, seja pasto ou lavoura. Mas esse padrão tem mudado nos
últimos anos.
“Nos últimos anos, temos percebido um aumento do solo exposto devido a
queimadas constantes. É o que a gente classifica como desmatamento por
degradação progressiva”, diz Almeida.
Em 2022, uma parcela de cerca de 7% do desmatamento contabilizado na
taxa anual divulgada pelo Inpe na Amazônia foi causada por incêndios
repetidos. Em 2023, essa relação foi de 20%. Neste ano, subiu para 25%.
Quente demais em 2024
O fogo provavelmente vai continuar aparecendo como um dos principais
impactos das mudanças climáticas no mundo. Na Floresta Amazônica, que se
desenvolveu ao longo de milhões de anos num regime úmido, isso é
especialmente problemático, pois a vegetação não está “preparada” em
termos evolutivos para resistir às chamas.
“A floresta úmida e superdiversa se desenvolveu há cerca de 60
milhões de anos, logo após o impacto do asteroide que extinguiu os
dinossauros. Desde então, tudo indica que ela tem permanecido num estado
de umidade e alta diversidade”, afirma Carlos D’Apolito, paleontólogo
da Universidade Federal do Acre (UFAC).
Com o desmatamento, o aumento da temperatura média global nas últimas
décadas e a ocorrência de eventos climáticos extremos, como a seca, a
Amazônia está mais vulnerável. “Imagina a situação de muita seca, muitas
folhas no chão. As árvores desfolhadas permitem a entrada de mais
radiação solar e ar quente. É perfeito para o fogo se espalhar”, explica
Alencar.
Fogo na conta das emissões
As árvores na Amazônia são consumidas parcialmente pelo fogo e não
caem na hora, a morte, se ocorrer, pode ser lenta. Isso quer dizer que
todo o carbono que ela acumulou ao longo do seu crescimento não vai de
uma vez para atmosfera, mas é liberado depois, quando ela cai, ao longo
de uma década.
“Se a gente zerasse hoje o desmatamento, a gente vai ter emissões nos
próximos anos desta floresta que foi queimada agora. Se ela for morrer
aos poucos, o carbono vai sendo liberado aos poucos”, diz Alencar.
Por enquanto, essas emissões de queimadas não entram nos inventários
oficiais no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança
do Clima (UNFCCC). Mas o dado de 2024 pode ser um alerta para o Brasil.
Nesta quinta-feira (21), é celebrado o Dia Mundial da Televisão, uma
data proclamada em 1996 pelas Nações Unidas. O objetivo é reconhecer o
crescente impacto que o meio tem na tomada de decisões, chamando a
atenção para conflitos, ameaças à paz e à segurança, e o seu potencial
em dar visibilidade a questões económicas e sociais.
A TV demorou quase 70 anos para receber esse reconhecimento, sendo
que as primeiras demonstrações do aparelho ocorreram em 1927. Mas,
chegando a perto de um século de transmissões, a televisão tem mesmo
muito o que comemorar.
No Brasil, a televisão como meio de comunicação de massa inicia com a
TV Tupi. A emissora fez sua primeira transmissão em 18 de setembro de
1950. De lá para cá, a TV estabeleceu-se como a mídia mais consumida no
País.
Foi durante o primeiro Fórum Mundial da Televisão (de 21 a 22 de
novembro de 1996) que a Assembleia Geral das Nações Unidas discutiu a
importância deste meio de comunicação no mundo.
A televisão foi reconhecida como uma das ferramentas mais importantes
para a informação, canalização e sensibilização da opinião pública.
Hoje em dia não se trata apenas de comemorar o equipamento em si, mas sim a simbologia que carrega.
CURIOSIDADES – Karla Neto
Você sabia que podemos fazer chá de casca de manga? Conheça os benefícios e veja como fazer!
A fruta é fonte de fibras, vitamina A e C, e potássio, o que auxilia
no bom funcionamento do intestino e aumenta a imunidade. A casca da
manga também é rica em nutrientes e possui quase o dobro de carotenóides
na casca em relação à polpa.
Porém, para utilizar as cascas das frutas, é importante tentar usar
sempre fruta orgânica ou biológica, que são cultivadas sem agrotóxicos
ou substâncias químicas que normalmente se acumulam nas cascas dos
vegetais e podem fazer mal à saúde, se consumidas com frequência.
Usar casca de manga pode ser uma opção saudável porque ela é fonte de
fibras solúveis, o que ajuda a regular o sistema digestivo e a
controlar o colesterol. Conforme já destacamos, ela também é rica em
nutrientes antioxidantes, o que é importante na ação anti-inflamatória
do organismo.
A casca de manga é rica em vitamina A e C, dois poderosos
antioxidantes que neutralizam a ação dos radicais livres. Em níveis
normais, os radicais livres não fazem mal à saúde, o problema é quando
eles são produzidos em excesso. Quando isso acontece, essas moléculas
começam a atacar as células saudáveis do nosso corpo, causando uma série
de desequilíbrios metabólicos e doenças degenerativas.
O chá de casca de manga, nesse caso, auxilia as defesas naturais do
organismo a combater os radicais livres e prevenir seus danos à saúde. A
presença de vitamina A, C e outros nutrientes como ferro, zinco,
cálcio, potássio e magnésio também tornam seu chá um ótimo
anti-inflamatório. Por isso, a bebida ajuda a diminuir processos
inflamatórios e até mesmo cólica menstrual.
Outro grande benefício da casca de manga é a alta concentração de
fibras. Essas substâncias auxiliam nos processos digestivos e no
trânsito intestinal. Bebidas feitas com fontes de fibras também reduzem a
retenção de líquido e ajudam a reduzir inchaços.
Benefícios que o chá pode trazer para a saúde são os seguintes: •
Combate ao envelhecimento precoce: as propriedades presentes na casca da
manga ajudam a diminuir o estresse oxidativo, situação que aumenta
manchas na pele, acnes e rugas, por exemplo; • Efeitos diuréticos: o
chá também aumenta a frequência de idas ao banheiro durante o dia,
ajudando a evitar a retenção de líquidos e diminuir o inchaço causado
por este tipo de problema; • Faz bem para o cabelo: as vitaminas presentes na manga ajudam a dar brilho ao cabelo e trazem benefícios à saúde dos fios.
Contraindicações No entanto, apesar de estarmos falando de um chá
que utiliza apenas ingredientes naturais, é importante destacar que há
cuidados para se tomar antes de incluí-lo em sua dieta. Afinal, assim
como qualquer outro chá, ele pode ter interações com medicamentos e não
agir de forma benéfica para o organismo. Além disso, o chá também pode
causar efeitos colaterais. Por isso, é importante consultar um médico
antes de incluir o chá de casca de manga de forma regular na sua dieta.
Isso porque o seu organismo pode não responder de forma positiva a esta
mudança na rotina alimentar.
Como fazer chá de casca de manga A receita de chá de casca de
manga é muito simples. Você só precisa ferver um pouco de água junto com
a casca da fruta por uns 15 minutos. Após a fervura, coe a bebida e
aproveite. Também existe a possibilidade de preparar o chá no
liquidificador. Para isso, basta bater a casca com a quantidade de água
que desejar. Em seguida, ferva a mistura no fogo e, quando estiver
pronta, coe. Essa versão fica com mais textura.
Ex-ajudante de ordens se apresenta nesta quinta ao STF e corre risco
de perder delação premiada; militar nega que conhecia plano de matar
Lula, Alckmin e ministro do STF21/11/2024 às 04:24
Sob o risco de perder os benefícios da delação premiada,
o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), tenente-coronel Mauro
Cid, demonstrou desânimo e chorou diante de familiares na véspera de
audiência no Supremo Tribunal Federal (STF).
Nesta quinta-feira (21), às 14h, Cid terá de se apresentar diante do
ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito da tentativa de golpe
de Estado, para esclarecer omissões e contradições apontadas pela
Polícia Federal durante depoimento prestado na terça-feira (19). O
procurador-geral da República, Paulo Gonet, estará presente na audiência
no STF.
Pessoas próximas estão pessimistas de que Cid conseguirá manter o
acordo de delação premiada e avaliam que, caso a colaboração seja
cancelada, ele poderá ter a prisão determinada novamente ao final da
audiência.
Caso a delação de Mauro Cid seja cancelada por descumprimento do
acordo, as provas e informações prestadas seguem válidas para o
inquérito.
Como mostrou o analista Caio Junqueira, a PF deverá concluir nesta semana o inquérito que
investiga o Bolsonaro e seus aliados em uma tentativa de golpe de
Estado. A audiência com o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro deverá ser
um dos últimos atos da investigação.
Aos parentes, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro tem reafirmado que
jamais teve conhecimento de um plano de matar o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro
Alexandre de Moraes.
Nessas conversas, o militar costuma chorar e admite apenas o que já
relatou na delação de que sabia sobre a trama para tentar manter Jair
Bolsonaro na Presidência, mas que nunca soube de um planejamento
envolvendo o assassinato de Lula, Alckmin e Moraes.
Cid, segundo relatos, justifica que respondeu tudo o que lhe foi
perguntado e que ainda espera conseguir explicar o contexto das
mensagens que a PF aponta como comprovação de que tinha conhecimento do
plano.
A investigação recuperou trocas de mensagens por
Mauro Cid que indicava que ele sabia que o ministro Alexandre de Moraes
estava sendo monitorado. Este é um dos pontos principais que pode levar
à anulação da delação premaida. Em depoimento, o tenente-coronel alegou
que não sabia que isso seria uma ilegalidade.
A delação
Mauro Cid é considerado uma das principais peças da apuração sobre a
possível tentativa de golpe encabeçada por Bolsonaro, integrantes de seu
governo e aliados. O STF homologou o acordo de delação do ex-ajudante
de ordens em 9 de setembro de 2023.
Ao firmar o acordo, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro deixou a
prisão. Ele estava preso desde 3 maio do mesmo ano, depois de ser alvo
de investigação que apura a inserção de dados falsos nos cartões de
vacina do ex-presidente.
Em março deste ano, Mauro Cid ficou
sob risco de perder a delação premiada após áudios vazados em que ele
critica Alexandre de Moraes e a Polícia Federal (PF).
Após prestar depoimento a Moraes no dia 22 daquele mês para explicar o vazamento dos áudios publicados pela revista “Veja”, o militar foi preso novamente. Ele passou mal e chegou a desmaiar na audiência.
Mauro Cid foi solto em 3 de maio deste ano por decisão de Alexandre de Moraes, que manteve integralmente o acordo de delação premiada.
Na decisão, o ministro citou que o ex-ajudante de ordens reafirmou a
“voluntariedade a legalidade do acordo” e ressaltou que os áudios
divulgados pela revista Veja “se tratavam de mero ‘desabafo’”.
Após deixar a prisão, Cid ficou obrigado a usar tornozeleira
eletrônica, cumprir recolhimento domiciliar noturno, comparecimento
semanal à Justiça. Ele também está proibido de deixar o país; usar redes
sociais; e se comunicar com os demais investigados, com exceção de sua
esposa, filha e pai.
Faustino da Rosa Junior, investidor de tecnologia e CEO de startups
Prepare-se para o Futuro: Profissões Tradicionais Estão Sob Risco com o Avanço da Inteligência Artificial
O avanço da inteligência artificial (IA) está mudando radicalmente o
mercado de trabalho, e, para muitos especialistas, esta revolução está
apenas começando. A IA, que há pouco tempo era vista como uma aliada
para aumentar a produtividade, agora assume tarefas inteiras de forma
autônoma, transformando carreiras antes consideradas seguras em
profissões obsoletas. Segundo Faustino da Rosa Junior, investidor de
tecnologia e CEO de startups, o impacto da IA em muitas dessas áreas é
“inevitável e acelerado”.
“Estamos entrando em uma nova era em que as máquinas assumem
trabalhos de forma não apenas eficiente, mas em uma escala que o ser
humano não pode competir. Isso significa que, em vez de depender de
profissionais para tarefas específicas, as empresas preferem investir em
tecnologias que trabalham 24 horas por dia, com poucos ou nenhum erro”,
afirma Faustino. De acordo com ele, a IA já está sendo amplamente
adotada em diversos setores, e as mudanças no mercado de trabalho devem
afetar principalmente funções repetitivas e previsíveis. “A tecnologia
está tomando conta das tarefas mais repetitivas, e quem não se atualizar
e adaptar rapidamente será ultrapassado por essa revolução digital”,
alerta.
Faustino ainda destaca que o impacto da IA vai além da simples
substituição de profissionais. “A inteligência artificial não é só mais
rápida e eficiente. Ela também oferece insights que antes exigiriam um
time inteiro de analistas, além de uma capacidade de aprendizado
constante. O que antes levava meses para ser desenvolvido agora pode ser
resolvido em dias ou até horas, dependendo do tipo de tecnologia
aplicada. Isso está transformando o mercado e até redefinindo o que
significa ser produtivo”, ele explica.
Apesar do lado promissor para empresas, essa tendência levanta
preocupações sobre a extinção de várias profissões. “A IA tem o
potencial de causar uma disrupção massiva. Muitas funções estão sendo
eliminadas ou remodeladas para que apenas uma pequena parcela de humanos
seja necessária no processo. Isso significa que, além de uma mudança
nas contratações, teremos uma transformação completa nas habilidades
exigidas de cada profissional”, pontua Faustino.
Diante desse cenário, Faustino da Rosa Junior acredita que profissões
que não exigem criatividade ou habilidades técnicas específicas estão
especialmente ameaçadas. “Se você está em uma função que é previsível e
pode ser roteirizada, sua posição está em risco. Mas isso também é um
alerta para que os profissionais busquem se reinventar e investir em
habilidades que as máquinas ainda não podem dominar, como o pensamento
crítico e a criatividade,” ele aconselha.
Com base na análise do especialista, listamos as dez profissões que já estão sendo impactadas pela Inteligência Artificial:
1. Atendentes de Call Center A crescente popularização de
chatbots e assistentes virtuais está impactando diretamente o
atendimento ao cliente. Empresas adotam IA para responder perguntas
frequentes e solucionar problemas básicos, reduzindo drasticamente a
necessidade de operadores humanos. “Muitas companhias estão migrando
para sistemas automatizados que atendem 24 horas, dispensando o trabalho
humano”, explica Faustino.
2. Redatores de Conteúdo Com a chegada de softwares de IA
generativa, que conseguem redigir textos de forma coerente, a profissão
de redator de conteúdo está mudando drasticamente. “O que antes
demandava equipes inteiras agora é feito por algoritmos, e os redatores
precisam cada vez mais focar em curadoria e revisão de conteúdo gerado
automaticamente,” diz o especialista.
3. Analistas Financeiros Assistentes O uso de softwares
avançados para análise financeira e trading automatizado está diminuindo
a necessidade de analistas assistentes. “Esses sistemas fazem cálculos
complexos e tomam decisões em frações de segundo. O mercado financeiro
está preferindo especialistas em dados e tecnologia para comandar essas
IAs,” comenta Faustino.
4. Motoristas de Entrega Empresas estão testando drones e
veículos autônomos, que prometem substituir motoristas de entrega
humanos em grande escala. “Estamos a alguns passos de uma era onde
transporte autônomo será o padrão, especialmente para entregas. Em
países como China, Japão e Estônia isso já é uma realidade e é uma
questão de tempo para chegar ao Brasil”, explica.
5. Caixas de Supermercado A popularidade de tecnologias de
self-checkout e lojas automatizadas, onde o consumidor não precisa
passar pelo caixa, está em alta. “Grandes redes de supermercados estão
apostando em lojas totalmente automatizadas, onde o cliente entra,
escolhe e paga sem qualquer interação humana,” destaca o investidor.
6. Auxiliares Administrativos Tarefas administrativas como
agendamento, arquivamento e envio de documentos são agora facilmente
executadas por softwares de gestão. “O custo-benefício de automatizar
essas tarefas é muito atrativo para as empresas,” pontua Faustino.
7. Consultores de Viagem Sites e aplicativos de viagem vêm
assumindo o trabalho de consultores, oferecendo planejamento completo
de viagens sem intervenção humana. “Plataformas digitais agora oferecem
soluções instantâneas e personalizadas, eliminando a necessidade de
consultores humanos”, observa Faustino.
8. Operadores de Máquinas em Fábricas A tecnologia de
fábricas inteligentes e autônomas está diminuindo a demanda por
operadores de máquinas. “Em algumas indústrias, o processo de produção
já é quase inteiramente automatizado,” afirma Faustino.
9. Profissionais de Telemarketing Softwares de IA que
conduzem chamadas e conversas automatizadas estão eliminando o setor de
telemarketing. “A IA é muito mais eficiente e já consegue realizar
vendas simples sem a necessidade de intervenção humana,” comenta.
10. Corretores de Imóveis de Baixa Complexidade Plataformas
digitais facilitam a busca, compra e aluguel de imóveis, diminuindo a
necessidade de corretores humanos. “Os corretores que se especializam e
agregam valor continuam relevantes, mas aqueles que atuam apenas em
transações básicas já estão perdendo espaço,” explica Faustino.
Adaptar-se ou Ser Substituído?
Para Faustino da Rosa Junior, a lição é clara: o mercado de trabalho
está mudando, e profissionais precisam se preparar para essa nova
realidade. “Essa transformação pode ser assustadora, mas também é uma
oportunidade para aqueles dispostos a investir em habilidades que as
máquinas não conseguem replicar. A chave para o futuro está na
criatividade, pensamento crítico e adaptação contínua,” finaliza o
especialista.
Este novo cenário não é apenas uma ameaça, mas também um convite para
que os profissionais repensem suas carreiras e abracem a inovação.
Afinal, a IA veio para ficar, e cabe a cada um de nós encontrar maneiras
de se destacar e sobreviver em um mercado de trabalho cada vez mais
dominado pela tecnologia.
Como a Plataforma Site Valeon pode ajudar as empresas a crescerem
A Plataforma Site Valeon pode ajudar as empresas a crescerem de diversas maneiras:
1. Aumentando a visibilidade online:
• Oferecendo um site profissional e otimizado para
mecanismos de busca, aumentando a visibilidade da empresa na internet e
atraindo mais visitantes.
• Integração com ferramentas de marketing digital, como
Google Ads e Facebook Ads, para alcançar um público mais amplo e
direcionado.
• Otimização do site para conversão, com formulários de
contato e botões de ação que facilitam a interação com os clientes.
2. Melhorando a experiência do cliente:
• Conteúdo informativo e relevante, que ajuda os clientes
a encontrarem as informações que procuram e a entenderem os produtos e
serviços da empresa.
• Ferramentas de autoatendimento, como chat online e
FAQs, que respondem às perguntas dos clientes de forma rápida e
eficiente.
• Design intuitivo e responsivo, que garante uma boa experiência de navegação em qualquer dispositivo.
3. Aumentando as vendas:
• Integração com plataformas de e-commerce, permitindo
que os clientes comprem produtos e serviços consultando diretamente no
site.
• Ferramentas de marketing automation, que automatizam o
envio de emails e mensagens personalizadas para leads e clientes.
• Análise de dados, que fornece insights sobre o
comportamento dos clientes e ajuda a otimizar as campanhas de marketing.
4. Reduzindo custos:
• Automação de tarefas repetitivas, como o envio de emails e a gestão de leads.
• Otimização do site para SEO, que reduz a necessidade de investir em publicidade paga.
• Integração com ferramentas de CRM, que ajuda a gerenciar o relacionamento com os clientes de forma mais eficiente.
5. Aumentando a produtividade:
• Ferramentas de colaboração, como compartilhamento de arquivos e calendários, que facilitam o trabalho em equipe.
• Integração com ferramentas de gestão de projetos, que ajuda a organizar e acompanhar o andamento das tarefas.
• Automação de tarefas repetitivas, que libera tempo para
os funcionários se concentrarem em atividades mais estratégicas.
A Plataforma Site Valeon é uma solução completa e acessível que pode ajudar empresas de todos os portes a crescerem.
Para saber mais, visite o site <valedoacoonline.com.br> ou
entre em contato com a equipe de vendas pelo telefone (31) 98428-0590.
Com a reeleição de Donald Trump para a presidência dos EUA, todas as
atenções se voltaram para a União Europeia na COP29, em Baku, para se
juntar à China e pressionar por um acordo financeiro para combater o
aquecimento global até sexta-feira.
Na capital do Azerbaijão, a UE está negociando discretamente com a
China em uma aliança de “alta ambição” com países do sul, como Quênia e
Palau.
Os países da UE são os maiores contribuintes do financiamento
climático em todo o mundo, com 28,6 bilhões de euros (173 bilhões de
reais) no ano passado provenientes de fontes públicas, aos quais se
somaram 7,2 bilhões de euros (43 bilhões de reais) do setor privado, de
acordo com a Comissão Europeia.
“Continuaremos a mostrar o caminho e a fazer nossa parte justa e
ainda mais”, reiterou o comissário europeu responsável pelas negociações
climáticas, Wopke Hoekstra.
“Vocês devem liderar esse processo, não têm escolha”, disse à AFP
Diego Pacheco, chefe da delegação boliviana, entre duas reuniões, em um
dos intrincados corredores do estádio de Baku.
O ‘think tank’ ODI calculou que muitos países europeus contribuem
ainda mais do que sua “parcela justa”, estimada com base em suas
emissões históricas, riqueza e população, incluindo Suécia, Dinamarca,
França, Alemanha e Países Baixos. Em contrapartida, os Estados Unidos
ficam para trás.
Mas há aqueles que se recusam a receber lições de países que basearam
sua prosperidade no carvão e no petróleo. “Pare de tentar colocar [a
responsabilidade] pela redução das emissões nos países em
desenvolvimento”, disse Pacheco na plenária.
“Todos os olhos estão voltados para a UE para que assuma a liderança
nessa questão […] dado o seu papel de grande contribuinte” para o
financiamento climático, disse à AFP Ignacio Arroniz Velasco, do think
tank E3G.
Mas a UE, onde a disciplina orçamentária é a ordem do dia, tem sido
cuidadosa ao dizer quanto está disposta a pagar a partir do próximo ano,
e quer manter suas cartas na manga o máximo possível.
“Esperamos que a UE dê um primeiro passo”, comentou Chiara Martinelli, da Climate Action Network (CAN) Europe.
Outro observador fez alusão à suposta relutância da Europa em “assumir” o papel de liderança que alguns esperam dela.
Os negociadores argumentaram que uma faixa de 200 a 400 bilhões de
dólares (entre 1,1 trilhão e 2,3 trilhões de reais) em financiamento
anual dos países ocidentais seria realista. “200 bilhões é muito, mas
[é] possível”, disse um diplomata europeu.
Isso representaria pelo menos o dobro do compromisso atual de 100
bilhões de dólares (575 bilhões de reais), que a COP espera rever. Esses
valores incluem financiamento público bilateral ou por meio de bancos
multilaterais e uma parcela de financiamento privado.
Os europeus estão negociando parâmetros cruciais, como o horizonte da
nova meta. Eles também querem ampliar a definição do pacote total,
incluindo mais outras fontes de financiamento, especialmente o
financiamento privado.
Mas, principalmente, eles querem que a contribuição voluntária de
outros países, liderados pela China, seja incluída na meta total, o que
os obrigaria a serem transparentes sobre o que já estão pagando.
RIO DE JANEIRO (Reuters) – Enquanto líderes mundiais na cúpula do G20
no Brasil se preparam para o retorno do presidente dos EUA, Donald
Trump, ao centro dos temas globais, um chefe de Estado presente na sala
já deu uma prévia de um estilo familiar e iconoclasta de direita.
O presidente argentino Javier Milei negou a ciência climática,
discordou sobre igualdade de gênero, criticou impostos mais altos para
bilionários e, recém-chegado de um encontro com Donald Trump em seu
resort Mar-a-Lago, mostrou que está disposto a desafiar o consenso
global.
Enquanto Milei celebrava com o presidente eleito dos EUA na Flórida,
os principais diplomatas de seu país passaram a semana passada no Rio
negociando um consenso delicado com colegas do G20 em torno de uma
declaração conjunta de 9 mil palavras para aprovação final pelos chefes
de Estado nesta semana.
Os diplomatas tiveram problemas quando os negociadores argentinos
disseram ter recebido uma ligação do presidente com ordens para que
endurecessem a resistência a trechos previamente acordados sobre
cooperação tributária, relataram pessoas envolvidas nas discussões.
“Parece, agora, que a posição oficial da Argentina é criar problemas”, reclamou um diplomata europeu.Ví
Os diplomatas argentinos cederam após dias de negociações intensas.
Os chefes de Estado, no entanto, ouviram diretamente de Milei durante a
cúpula suas objeções às menções no comunicado conjunto sobre tributação
progressiva, igualdade de gênero e aos objetivos de desenvolvimento
sustentável da ONU, de acordo com fontes presentes no debate plenário.
Um porta-voz de Milei não respondeu a um pedido de comentário.
Ele adotou um tom desafiador nas redes sociais, repetindo uma
mensagem anterior na plataforma X, na segunda-feira: “Não sou político,
nem aspiro a ser. Assim como o presidente Trump, tive que entrar neste
pântano podre como um ato de autodefesa”.
Em breve, ele pode não apenas ecoar a retórica, mas também as principais decisões políticas.
Após um longo debate privado com Milei antes da cúpula, o presidente
francês Emmanuel Macron saiu convencido de que o argentino vai abandonar
o Acordo de Paris se Trump cumprir sua ameaça de fazer o mesmo, segundo
uma autoridade francesa.
Nas negociações climáticas da ONU na semana passada, a delegação
argentina abandonou as discussões por ordens de Milei, um negacionista
do aquecimento global. Durante a cúpula do G20, ele evitou uma sessão de
trabalho sobre desenvolvimento sustentável nesta terça-feira, de acordo
com uma fonte presente.Desde o início da cúpula, Milei deixou claro que
não estava ali para fazer amigos.
Ao chegar na segunda-feira ao Museu de Arte Moderna do Rio, Milei
cumprimentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anfitrião do
evento, com um aperto de mão frio. Ele segurava uma pasta junto ao
peito, descartando o abraço habitual entre líderes latino-americanos
amigáveis.
(Reportagem de Lisandra Paraguassu e Elizabeth Pineau)