quinta-feira, 21 de novembro de 2024

QUEM PAGARÁ A CONTA DA CRISE CLIMÁTICA É A PERGUNTA DA COP29

 

História de Priscila Mengue – Jornal Estadão

ENVIADA ESPECIAL A BAKU – A um dia do encerramento oficial, a Cúpula do Clima deste ano (COP-29) segue indefinida em relação aos mesmos dois pontos que travaram a discussão até o momento: valor e pagadores do financiamento climático. Informalmente chamado de “COP das Finanças”, o evento da Organização das Nações Unidas (ONU) está previsto para terminar nesta sexta-feira, 22, mas a apresentação de um rascunho do acordo com pontos chave indefinidos aumentou a possibilidade de que seja estendida por mais dias. Nos bastidores, fala-se de extensão por mais um, dois ou até mais dias.

O novo texto estava previsto para a publicação na meia-noite desta quinta-feira, 21, mas foi veiculado no início da manhã do horário local, de Baku, capital do Azerbaijão, a sete horas de diferença do Brasil. Entre organizações que acompanham as negociações, há pessimismo de avanços significativos neste ano, aumentando a responsabilidade da próxima COP (em Belém), e ainda esperança de que os países terão algum consenso nas próximas horas.

Previsto no Acordo de Paris, o financiamento climático de países ricos para em desenvolvimento segue, contudo, indefinido: não há um valor anual a ser pago, por enquanto há apenas um “US$ []”, com margem tanto para a casa do trilhão quanto dos bilhões de dólares anuais. Organizações e nações em desenvolvimento defendem por volta de US$ 1,3 trilhão anual.

O texto foi apresentado pela presidência da COP-29, de responsabilidade do Azerbaijão. Anunciado como “mediadores” das demandas de países ricos e em desenvolvimento, Brasil e Reino Unido devem apresentar um retorno mais específico à presidência sobre a recepção do texto, mas os demais países poderão se manifestar em plenárias e no andamento das negociações, que devem se intensificar nas próximas horas, especialmente a partir da tarde.

Por ser em um “petroestado”, considerado berço da indústria petroleira, e realizada logo após a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, a COP-29 começou com expectativas moderadas.

Há, porém, aqueles que avaliam que esse cenário de polarização e a recente declaração do G-20 sobre a importância do financiamento climático podem estimular os países para avanços reais.

Mukhtar Babayev, presidente da COP-29 Foto: Peter Dejong/AP

Mukhtar Babayev, presidente da COP-29 Foto: Peter Dejong/AP

O rascunho mostra que não há superação completa de um ponto que vem emperrando a discussão nas reuniões pré-COP-29 há meses: a definição dos contribuintes obrigatórios, a exemplo do que está no Acordo de Paris. Há tanto uma versão que reconhece a responsabilidade dos maiores poluidores históricos (países ricos), com a possibilidade de contribuição voluntária de países em desenvolvimento em ascensão (como China), enquanto a outra diz que a liderança deve ser das nações ricas, mas “incluindo esforços de outros países com capacidade econômica para contribuir”.

O chamado Novo Objetivo Quantificado Coletivo (NCQG na sigla em inglês) é de US$ 100 bilhões atualmente, mas foi pouco cumprido desde seu prazo inicial, de 2020 a 2025, sem que o valor estivesse atrelado às necessidades reais dos países.

Nesse contexto, o texto apresenta duas interpretações: uma aponta que a meta foi alcançada a partir de 2022, conforme a OCDE.

Outra versão lamenta que a meta não foi atingida e prevê repasse retroativo até 2026. O cumprimento ou não tem sido tema controverso, com questionamentos, inclusive, sobre quais tipos de recursos entraram na contabilização feita pela organização, como no caso de empréstimos a juros significativos ou recursos não diretamente ligados ao clima.

Texto reconhece conhecimento indígena

Um ponto que tem sido elogiado é que o texto reforça a necessidade de valorização da ciência e dos conhecimentos de povos indígenas e tradicionais e comunidades locais, os quais devem ser incluídos no desenvolvimento das ações.

O texto salienta a necessidade de respeito aos direitos humanos, de modo a salvaguardar os povos indígenas e ser sensível às questões de gênero. Deve, portanto, “considerar as necessidades e prioridades dos outros povos e comunidades na linha de frente das mudanças climáticas, incluindo mulheres e meninas, crianças, jovens, pessoas com deficiência e trabalhadores, bem como comunidades locais e sociedade civil, em reconhecimento do seu papel crítico na prevenção, abordagem e resposta às alterações climáticas”.

Manifestação na COP-29, em Baku Foto: Peter Dejong/AP

Manifestação na COP-29, em Baku Foto: Peter Dejong/AP

O documento enfatiza que o NCQG será voltado à aplicação das metas de redução de emissões dos países (as chamadas NDCs) e aos planos de adaptação climática dos países em desenvolvimento. Ao mencionar países pouco desenvolvidos e insulares, diz que a nova meta deve ter equidade e princípio de responsabilidade comum, mas diferenciada a partir das capacidades, vulnerabilidades e diferentes circunstâncias de cada país.

Além disso, reconhece que os países em desenvolvimento sofrem impactos desproporcionais das alterações climáticas e enfrentam diversas barreiras e desafios, como elevados custos, espaço fiscal limitado, altos níveis de endividamento e altos custos de transação. Também enfatiza a necessidade de respeitar a soberania dos países, enquanto destaca a “importância da justiça climática na tomada de medidas para enfrentar as alterações climáticas”.

Reforça, ainda, que é necessário investimento anual de US$ 4 trilhões em energia renovável até 2030 para que a neutralidade de carbono seja alcançada até 2050. “Espera-se a necessidade de investimento de ao menos US$ 4 trilhões a US$ 6 trilhões anuais para a transformação global para uma economia de baixo carbono”, acrescenta.

O rascunho inicia com uma contextualização de que o financiamento é importante para atingir o artigo 2 do Acordo de Paris, de 2015, de conter o aquecimento global abaixo dos 2ºC (em relação aos níveis pré-industriais), com esforços para que seja contido em 1,5ºC — elevação que já implica em intensificação e aumento na frequência de extremos climáticos em todo o mundo, como ondas de calor, secas e enchentes.

Desse modo, poderia “tornar os fluxos financeiros consistentes com um caminho rumo a baixas emissões de gases de efeito de estufa e um desenvolvimento resiliente ao clima”. O texto salienta a “urgência de aumentar a ambição e a ação nesta década” e admite que “há uma lacuna, mas barreiras ao redirecionamento de capital para a ação climática”.

Como foi a repercussão?

Diretor técnico da organização Laclima, André Castro considera que o texto mostra que as negociações ainda estão rachadas entre países ricos e em desenvolvimento. Ele espera que a situação mude ao longo do dia e na sexta-feira, pois parte das nações costuma insistir em seus posicionamentos até quase o último momento.

COP-29 é realizada no Azerbaijão, berço da indústria petroleira no mundo Foto: Rafiq Maqbool/AP

COP-29 é realizada no Azerbaijão, berço da indústria petroleira no mundo Foto: Rafiq Maqbool/AP

Coordenador de projetos internacionais da Laclima, Eneas Xavier considera importante que o texto faça menção direta ao IPCC, principal instituição mundial no mapeamento científico das mudanças climáticas. Da mesma forma, também avaliou como positiva a menção direta aos povos indígenas e ao “fardo” dos empréstimos. “A gente espera avanços no decorrer desse dia”, finalizou.

Já a coordenadora de projetos da Laclima, Gaia Hasse resumiu como um texto com “falta de ambição”. Para ela, não está à altura da urgência climática, tão evidente em desastres ocorridos neste ano, como a enchente recorde no Rio Grande do Sul e as secas e queimadas na Amazônia. Dessa forma, uma decisão mais robusta poderia sobrar para a COP-30, de Belém.

Organizações internacionais também começaram a repercutir a publicação. A Climate Action Network International (CAN) avaliou que o texto segue incompleto. O entendimento da organização é de que os números precisam ser colocados na mesa agora, para não se correr o risco de uma COP sem avanços tão significativos. Assim como avaliou que tende a reduzir as responsabilidades diretas dos países ricos, repassando-as parcialmente para o setor privado.

Já a WWF apontou que a falta de um valor definido no rascunho é preocupante. “As decisões mais desafiadoras ficaram para o último minuto.”

NOVO MÍSSIL BALÍSTICO DE LONGO ALCANCE BRITÂNICO ENTRA NA GUERRA DA UCRÂNIA

 

História de RFI

Escalada na guerra: Rússia lança míssil intercontinental, após Ucrânia usar balísticos britânicos

Escalada na guerra: Rússia lança míssil intercontinental, após Ucrânia usar balísticos britânicos© Lewis Joly / AP

A escalada no conflito na Ucrânia continua nesta quinta-feira (21). A aeronáutica ucraniana informou ter interceptado um míssil balístico intercontinental russo, lançado da região de Astrakhan pela manhã. Na quarta (20), Kiev utilizou, pela primeira vez, mísseis britânicos de longo alcance contra o território russo, com autorização de Londres.

Esta é a primeira vez que a Rússia faz uso deste tipo de míssil de longo alcance, capaz de transportar ogivas nucleares ou cargas convencionais, desde o início da invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. O ataque teve como alvo empresas e infraestruturas críticas no Dnipro, no centro-leste da Ucrânia, disse a Força Aérea ucraniana, sem especificar onde o projétil caiu ou se causou danos, nem seu modelo exato.

A Ucrânia acrescenta que, além de ter interceptado o projétil intercontinental, também abateu seis misseis de cruzeiro russos Kh-101. Os disparos ocorreram um dia após o país utilizar mísseis balísticos americanos de 300 quilômetros de alcance contra alvos dentro da Rússia, que prometeu responder “à altura”.

Kiev reivindicava havia meses autorização para usar estas armas recebidas, mas seus aliados ocidentais temiam a reação de Moscou. A Rússia advertiu que isso representaria ultrapassar uma linha vermelha no conflito.

Vários mísseis britânicos Storm Shadow, com alcance superior a 250 quilômetros, foram disparados contra pelo menos um alvo militar russo, reportou o jornal Financial Times, citando três fontes anônimas, entre elas um funcionário de um governo ocidental informado sobre o ataque.

Segundo The Guardian, o governo britânico autorizou o uso destes mísseis contra o território russo em resposta ao destacamento de tropas norte-coreanas para ajudar o exército russo. Nem Kiev, nem Londres confirmaram esta informação.

Apelo de Xi Jinping e latino-americanos

Em meio à visita de Estado que realizou ao Brasil, o presidente da China, Xi Jinping, apelou para “mais vozes comprometidas com a paz” para buscar uma “solução política” para a guerra na Ucrânia, segundo a agência oficial de notícias chinesa Xinhua.

“Em um mundo assolado por conflitos armados e tensões geopolíticas, China e Brasil colocam a paz, a diplomacia e o diálogo em primeiro lugar“, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em um comunicado conjunto, Brasil, Chile, Colômbia e México pediram que seja evitada uma “escalada da corrida armamentista” que “agrave” o conflito na Ucrânia.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deu no domingo seu aval para que sejam usados mísseis americanos contra alvos dentro da Rússia. O presidente democrata passará em janeiro o comando do país ao republicano Donald Trump, menos inclinado a ajudar financeira e militarmente a Ucrânia.

Zelensky: ‘apenas diálogo’ devolveria a Crimeia à Ucrânia

Em uma entrevista ao canal de televisão americano Fox News transmitida na quarta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que somente a diplomacia permitiria à Ucrânia recuperar a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. “Não podemos perder dezenas de milhares de nossos cidadãos para recuperar a Crimeia, e não é certo que possamos recuperá-la com armas nas mãos. Entendemos que a Crimeia pode ser devolvida através dos canais diplomáticos”, frisou Zelensky.

Ele rejeitou, entretanto, a ideia de ceder à Rússia territórios já ocupados pelas forças russas, dizendo que a Ucrânia “não poderia reconhecer legalmente qualquer território da Ucrânia como russo”. “Já mencionei que estamos prontos para ver a Crimeia devolvida através dos canais diplomáticos”, ressaltou o presidente ucraniano.A Rússia anexou a península da Crimeia em 2014, após uma revolta que forçou o presidente pró-Rússia da Ucrânia da época a fugir do país.

Desde a invasão da Ucrânia, as forças russas ocuparam cerca de um quinto do território ucraniano. Moscou anexou quatro regiões ucranianas, embora não tenha controle total sobre elas.

Volodymyr Zelensky apresentou um “plano de vitória” que inclui um convite incondicional à integração da Ucrânia na Otan e a implantação no seu território de um dispositivo de dissuasão estratégico não nuclear. Os dois pontos não foram objeto de qualquer compromisso por parte dos aliados ocidentais.

Com informações da Reuters e AFP

67 MIL QUILÔMETROS QUADRADOS DE FLORESTA AMAZÔNICA DE JANEIRO A OUTUBRO DESSE ANO FORAM DESTRUÍDOS PELO FOGO

 

História de IstoÉ News

Incêndios atingiram 67 mil quilômetros quadrados de Floresta Amazônica de janeiro a outubro deste ano

Incêndios atingiram 67 mil quilômetros quadrados de Floresta Amazônica de janeiro a outubro deste anoSob seca extrema, Floresta Amazônica registra em 2024 incêndios em área equivalente a 31 cidades de Baku, capital do Azerbaijão e sede da Conferência do Clima da ONU neste ano.Os incêndios atingiram 67 mil quilômetros quadrados de Floresta Amazônica de janeiro a outubro deste ano. O número, considerado “chocante” pelos cientistas, é dez vezes maior que a taxa de desmatamento oficial anunciada recentemente, de 6,3 mil quilômetros quadrados, segundo registro via satélite captado de julho de 2023 a agosto de 2024.

O dado é do Monitor do Fogo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), parte da rede Mapbiomas, e foi divulgado durante a Conferência do Clima de Baku, a COP29, realizada até esta sexta-feira (22/11).

É como se 6,7 milhões de estádios de futebol como o que sedia as negociações no Azerbaijão, sofressem o impacto das chamas.

Os episódios de seca extrema em 2023 e 2024 trouxeram mudanças para a floresta: com menos folhas, menos água e mais vulneráveis, ela perdeu principalmente a capacidade de barrar a “entrada” do fogo que vem de fora. Se a tendência continuar, novas formas de proteção terão que ser pensadas.

“A gente reduziu o desmatamento no último ano, foi o menor em quase dez anos. Mas o fogo impactou uma área dez vezes maior! A floresta pode até se recuperar, mas o processo é muito longo”, diz à DW a pesquisadora Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam que está em Baku.

A diferença entre desmatamento e incêndio

Embora o desmatamento e o fogo tenham uma relação na Amazônia, eles são detectados e medidos de formas diferentes. O desmatamento é computado quando acontece o corte raso, ou seja, quando há completa remoção da vegetação nativa. Na imagem de satélite, isso é percebido por meio de cores diferentes.

“Depende da composição colorida. Nessa composição, a vegetação aparece em verde. Quando desmata, que o solo fica exposto, fica um tom róseo. A cicatriz de incêndio aparece em outro tom, mais para o roxo”, explica Claudio Almeida, coordenador do programa de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a metodologia mais usada.

Ane Alencar, do Ipam, explica que a contagem de área de floresta queimada é feita a partir da cicatriz que o fogo deixa na paisagem. “A detecção ocorre pela redução da quantidade de verde na imagem. Quando o fogo passa, ele deixa uma marca, a umidade cai, e o tom de verde também muda”, detalha. “E uma cicatriz de fogo numa área que já foi desmatada é totalmente diferente de uma área de floresta em pé”, adiciona.

Como isso entra na conta

A diferença de metodologia se reflete na taxa de desmatamento, que soma a área onde não há mais resquício de vegetação nativa. No caso de incêndio, a floresta continua lá de certa forma, o tipo de uso do solo não muda imediatamente – e por isso os dados são tão diferentes.

“Não quer dizer que toda esta floresta vai desaparecer depois do incêndio. Ela vai sofrer, vai ficar debilitada, pode demorar muitos anos para se recuperar, é preciso chuvas regulares por alguns anos. É como um paciente doente”, explica Cláudio Almeida, do Inpe.

Na Amazônia, até então, o fogo era provocado quase que na sequência de um corte raso. A intenção do desmatador é limpar a área para uso agropecuário, seja pasto ou lavoura. Mas esse padrão tem mudado nos últimos anos.

“Nos últimos anos, temos percebido um aumento do solo exposto devido a queimadas constantes. É o que a gente classifica como desmatamento por degradação progressiva”, diz Almeida.

Em 2022, uma parcela de cerca de 7% do desmatamento contabilizado na taxa anual divulgada pelo Inpe na Amazônia foi causada por incêndios repetidos. Em 2023, essa relação foi de 20%. Neste ano, subiu para 25%.

Quente demais em 2024

O fogo provavelmente vai continuar aparecendo como um dos principais impactos das mudanças climáticas no mundo. Na Floresta Amazônica, que se desenvolveu ao longo de milhões de anos num regime úmido, isso é especialmente problemático, pois a vegetação não está “preparada” em termos evolutivos para resistir às chamas.

“A floresta úmida e superdiversa se desenvolveu há cerca de 60 milhões de anos, logo após o impacto do asteroide que extinguiu os dinossauros. Desde então, tudo indica que ela tem permanecido num estado de umidade e alta diversidade”, afirma Carlos D’Apolito, paleontólogo da Universidade Federal do Acre (UFAC).

Com o desmatamento, o aumento da temperatura média global nas últimas décadas e a ocorrência de eventos climáticos extremos, como a seca, a Amazônia está mais vulnerável. “Imagina a situação de muita seca, muitas folhas no chão. As árvores desfolhadas permitem a entrada de mais radiação solar e ar quente. É perfeito para o fogo se espalhar”, explica Alencar.

Fogo na conta das emissões

As árvores na Amazônia são consumidas parcialmente pelo fogo e não caem na hora, a morte, se ocorrer, pode ser lenta. Isso quer dizer que todo o carbono que ela acumulou ao longo do seu crescimento não vai de uma vez para atmosfera, mas é liberado depois, quando ela cai, ao longo de uma década.

“Se a gente zerasse hoje o desmatamento, a gente vai ter emissões nos próximos anos desta floresta que foi queimada agora. Se ela for morrer aos poucos, o carbono vai sendo liberado aos poucos”, diz Alencar.

Por enquanto, essas emissões de queimadas não entram nos inventários oficiais no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Mas o dado de 2024 pode ser um alerta para o Brasil.

DIA MUNDIAL DA TELEVISÃO E CURIOSIDADES

 

Karla Neto – Colunista Correspondente

Nesta quinta-feira (21), é celebrado o Dia Mundial da Televisão, uma data proclamada em 1996 pelas Nações Unidas. O objetivo é reconhecer o crescente impacto que o meio tem na tomada de decisões, chamando a atenção para conflitos, ameaças à paz e à segurança, e o seu potencial em dar visibilidade a questões económicas e sociais.

A TV demorou quase 70 anos para receber esse reconhecimento, sendo que as primeiras demonstrações do aparelho ocorreram em 1927. Mas, chegando a perto de um século de transmissões, a televisão tem mesmo muito o que comemorar.

No Brasil, a televisão como meio de comunicação de massa inicia com a TV Tupi. A emissora fez sua primeira transmissão em 18 de setembro de 1950. De lá para cá, a TV estabeleceu-se como a mídia mais consumida no País.

Foi durante o primeiro Fórum Mundial da Televisão (de 21 a 22 de novembro de 1996) que a Assembleia Geral das Nações Unidas discutiu a importância deste meio de comunicação no mundo.

A televisão foi reconhecida como uma das ferramentas mais importantes para a informação, canalização e sensibilização da opinião pública.

Hoje em dia não se trata apenas de comemorar o equipamento em si, mas sim a simbologia que carrega.

CURIOSIDADES  – Karla Neto

Você sabia que podemos fazer chá de casca de manga? Conheça os benefícios e veja como fazer!

A fruta é fonte de fibras, vitamina A e C, e potássio, o que auxilia no bom funcionamento do intestino e aumenta a imunidade. A casca da manga também é rica em nutrientes e possui quase o dobro de carotenóides na casca em relação à polpa.

Porém, para utilizar as cascas das frutas, é importante tentar usar sempre fruta orgânica ou biológica, que são cultivadas sem agrotóxicos ou substâncias químicas que normalmente se acumulam nas cascas dos vegetais e podem fazer mal à saúde, se consumidas com frequência.

Usar casca de manga pode ser uma opção saudável porque ela é fonte de fibras solúveis, o que ajuda a regular o sistema digestivo e a controlar o colesterol. Conforme já destacamos, ela também é rica em nutrientes antioxidantes, o que é importante na ação anti-inflamatória do organismo.

A casca de manga é rica em vitamina A e C, dois poderosos antioxidantes que neutralizam a ação dos radicais livres. Em níveis normais, os radicais livres não fazem mal à saúde, o problema é quando eles são produzidos em excesso. Quando isso acontece, essas moléculas começam a atacar as células saudáveis do nosso corpo, causando uma série de desequilíbrios metabólicos e doenças degenerativas.

O chá de casca de manga, nesse caso, auxilia as defesas naturais do organismo a combater os radicais livres e prevenir seus danos à saúde. A presença de vitamina A, C e outros nutrientes como ferro, zinco, cálcio, potássio e magnésio também tornam seu chá um ótimo anti-inflamatório. Por isso, a bebida ajuda a diminuir processos inflamatórios e até mesmo cólica menstrual.

Outro grande benefício da casca de manga é a alta concentração de fibras. Essas substâncias auxiliam nos processos digestivos e no trânsito intestinal. Bebidas feitas com fontes de fibras também reduzem a retenção de líquido e ajudam a reduzir inchaços.

Benefícios que o chá pode trazer para a saúde são os seguintes:
• Combate ao envelhecimento precoce: as propriedades presentes na casca da manga ajudam a diminuir o estresse oxidativo, situação que aumenta manchas na pele, acnes e rugas, por exemplo;
• Efeitos diuréticos: o chá também aumenta a frequência de idas ao banheiro durante o dia, ajudando a evitar a retenção de líquidos e diminuir o inchaço causado por este tipo de problema;
• Faz bem para o cabelo: as vitaminas presentes na manga ajudam a dar brilho ao cabelo e trazem benefícios à saúde dos fios.

Contraindicações
No entanto, apesar de estarmos falando de um chá que utiliza apenas ingredientes naturais, é importante destacar que há cuidados para se tomar antes de incluí-lo em sua dieta.
Afinal, assim como qualquer outro chá, ele pode ter interações com medicamentos e não agir de forma benéfica para o organismo. Além disso, o chá também pode causar efeitos colaterais.
Por isso, é importante consultar um médico antes de incluir o chá de casca de manga de forma regular na sua dieta. Isso porque o seu organismo pode não responder de forma positiva a esta mudança na rotina alimentar.

Como fazer chá de casca de manga
A receita de chá de casca de manga é muito simples. Você só precisa ferver um pouco de água junto com a casca da fruta por uns 15 minutos. Após a fervura, coe a bebida e aproveite. Também existe a possibilidade de preparar o chá no liquidificador. Para isso, basta bater a casca com a quantidade de água que desejar. Em seguida, ferva a mistura no fogo e, quando estiver pronta, coe. Essa versão fica com mais textura.

TENENTE CORONEL MAURO CID CORRE RISCO DE PERDER OS BENEFÍCIOS DA DELAÇÃO PREMIADA HOJE NO STF

 

Jussara Soares – CNN Brasil

Ex-ajudante de ordens se apresenta nesta quinta ao STF e corre risco de perder delação premiada; militar nega que conhecia plano de matar Lula, Alckmin e ministro do STF21/11/2024 às 04:24

STF vai decidir se anula delação de Mauro Cid | CNN PRIME TIME





Sob o risco de perder os benefícios da delação premiada, o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), tenente-coronel Mauro Cid, demonstrou desânimo e chorou diante de familiares na véspera de audiência no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta quinta-feira (21), às 14h, Cid terá de se apresentar diante do ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito da tentativa de golpe de Estado, para esclarecer omissões e contradições apontadas pela Polícia Federal durante depoimento prestado na terça-feira (19). O procurador-geral da República, Paulo Gonet, estará presente na audiência no STF.

Pessoas próximas estão pessimistas de que Cid conseguirá manter o acordo de delação premiada e avaliam que, caso a colaboração seja cancelada, ele poderá ter a prisão determinada novamente ao final da audiência.

Caso a delação de Mauro Cid seja cancelada por descumprimento do acordo, as provas e informações prestadas seguem válidas para o inquérito.

Como mostrou o analista Caio Junqueira, a PF deverá concluir nesta semana o inquérito que investiga o Bolsonaro e seus aliados em uma tentativa de golpe de Estado. A audiência com o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro deverá ser um dos últimos atos da investigação.

Aos parentes, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro tem reafirmado que jamais teve conhecimento de um plano de matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.

Nessas conversas, o militar costuma chorar e admite apenas o que já relatou na delação de que sabia sobre a trama para tentar manter Jair Bolsonaro na Presidência, mas que nunca soube de um planejamento envolvendo o assassinato de Lula, Alckmin e Moraes.

Cid, segundo relatos, justifica que respondeu tudo o que lhe foi perguntado e que ainda espera conseguir explicar o contexto das mensagens que a PF aponta como comprovação de que tinha conhecimento do plano.

A investigação recuperou trocas de mensagens por Mauro Cid que indicava que ele sabia que o ministro Alexandre de Moraes estava sendo monitorado. Este é um dos pontos principais que pode levar à anulação da delação premaida. Em depoimento, o tenente-coronel alegou que não sabia que isso seria uma ilegalidade.

A delação

Mauro Cid é considerado uma das principais peças da apuração sobre a possível tentativa de golpe encabeçada por Bolsonaro, integrantes de seu governo e aliados. O STF homologou o acordo de delação do ex-ajudante de ordens em 9 de setembro de 2023.

Ao firmar o acordo, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro deixou a prisão. Ele estava preso desde 3 maio do mesmo ano, depois de ser alvo de investigação que apura a inserção de dados falsos nos cartões de vacina do ex-presidente.

Em março deste ano, Mauro Cid ficou sob risco de perder a delação premiada após áudios vazados em que ele critica Alexandre de Moraes e a Polícia Federal (PF).

Após prestar depoimento a Moraes no dia 22 daquele mês para explicar o vazamento dos áudios publicados pela revista “Veja”, o militar foi preso novamente. Ele passou mal e chegou a desmaiar na audiência.

Mauro Cid foi solto em 3 de maio deste ano por decisão de Alexandre de Moraes, que manteve integralmente o acordo de delação premiada.

Na decisão, o ministro citou que o ex-ajudante de ordens reafirmou a “voluntariedade a legalidade do acordo” e ressaltou que os áudios divulgados pela revista Veja “se tratavam de mero ‘desabafo’”.

Após deixar a prisão, Cid ficou obrigado a usar tornozeleira eletrônica, cumprir recolhimento domiciliar noturno, comparecimento semanal à Justiça. Ele também está proibido de deixar o país; usar redes sociais; e se comunicar com os demais investigados, com exceção de sua esposa, filha e pai.

O AVANÇO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) ESTÁ MUDANDO RADICALMENTE O MERCADO DE TRABALHO

 

Faustino da Rosa Junior, investidor de tecnologia e CEO de startups

Prepare-se para o Futuro: Profissões Tradicionais Estão Sob Risco com o Avanço da Inteligência Artificial

O avanço da inteligência artificial (IA) está mudando radicalmente o mercado de trabalho, e, para muitos especialistas, esta revolução está apenas começando. A IA, que há pouco tempo era vista como uma aliada para aumentar a produtividade, agora assume tarefas inteiras de forma autônoma, transformando carreiras antes consideradas seguras em profissões obsoletas. Segundo Faustino da Rosa Junior, investidor de tecnologia e CEO de startups, o impacto da IA em muitas dessas áreas é “inevitável e acelerado”.

“Estamos entrando em uma nova era em que as máquinas assumem trabalhos de forma não apenas eficiente, mas em uma escala que o ser humano não pode competir. Isso significa que, em vez de depender de profissionais para tarefas específicas, as empresas preferem investir em tecnologias que trabalham 24 horas por dia, com poucos ou nenhum erro”, afirma Faustino. De acordo com ele, a IA já está sendo amplamente adotada em diversos setores, e as mudanças no mercado de trabalho devem afetar principalmente funções repetitivas e previsíveis. “A tecnologia está tomando conta das tarefas mais repetitivas, e quem não se atualizar e adaptar rapidamente será ultrapassado por essa revolução digital”, alerta.

Faustino ainda destaca que o impacto da IA vai além da simples substituição de profissionais. “A inteligência artificial não é só mais rápida e eficiente. Ela também oferece insights que antes exigiriam um time inteiro de analistas, além de uma capacidade de aprendizado constante. O que antes levava meses para ser desenvolvido agora pode ser resolvido em dias ou até horas, dependendo do tipo de tecnologia aplicada. Isso está transformando o mercado e até redefinindo o que significa ser produtivo”, ele explica.

Apesar do lado promissor para empresas, essa tendência levanta preocupações sobre a extinção de várias profissões. “A IA tem o potencial de causar uma disrupção massiva. Muitas funções estão sendo eliminadas ou remodeladas para que apenas uma pequena parcela de humanos seja necessária no processo. Isso significa que, além de uma mudança nas contratações, teremos uma transformação completa nas habilidades exigidas de cada profissional”, pontua Faustino.

Diante desse cenário, Faustino da Rosa Junior acredita que profissões que não exigem criatividade ou habilidades técnicas específicas estão especialmente ameaçadas. “Se você está em uma função que é previsível e pode ser roteirizada, sua posição está em risco. Mas isso também é um alerta para que os profissionais busquem se reinventar e investir em habilidades que as máquinas ainda não podem dominar, como o pensamento crítico e a criatividade,” ele aconselha.

Com base na análise do especialista, listamos as dez profissões que já estão sendo impactadas pela Inteligência Artificial:

1.            Atendentes de Call Center A crescente popularização de chatbots e assistentes virtuais está impactando diretamente o atendimento ao cliente. Empresas adotam IA para responder perguntas frequentes e solucionar problemas básicos, reduzindo drasticamente a necessidade de operadores humanos. “Muitas companhias estão migrando para sistemas automatizados que atendem 24 horas, dispensando o trabalho humano”, explica Faustino.

2.            Redatores de Conteúdo Com a chegada de softwares de IA generativa, que conseguem redigir textos de forma coerente, a profissão de redator de conteúdo está mudando drasticamente. “O que antes demandava equipes inteiras agora é feito por algoritmos, e os redatores precisam cada vez mais focar em curadoria e revisão de conteúdo gerado automaticamente,” diz o especialista.

3.            Analistas Financeiros Assistentes O uso de softwares avançados para análise financeira e trading automatizado está diminuindo a necessidade de analistas assistentes. “Esses sistemas fazem cálculos complexos e tomam decisões em frações de segundo. O mercado financeiro está preferindo especialistas em dados e tecnologia para comandar essas IAs,” comenta Faustino.

4.            Motoristas de Entrega Empresas estão testando drones e veículos autônomos, que prometem substituir motoristas de entrega humanos em grande escala. “Estamos a alguns passos de uma era onde transporte autônomo será o padrão, especialmente para entregas. Em países como China, Japão e Estônia isso já é uma realidade e é uma questão de tempo para chegar ao Brasil”, explica.

5.            Caixas de Supermercado A popularidade de tecnologias de self-checkout e lojas automatizadas, onde o consumidor não precisa passar pelo caixa, está em alta. “Grandes redes de supermercados estão apostando em lojas totalmente automatizadas, onde o cliente entra, escolhe e paga sem qualquer interação humana,” destaca o investidor.

6.            Auxiliares Administrativos Tarefas administrativas como agendamento, arquivamento e envio de documentos são agora facilmente executadas por softwares de gestão. “O custo-benefício de automatizar essas tarefas é muito atrativo para as empresas,” pontua Faustino.

7.            Consultores de Viagem Sites e aplicativos de viagem vêm assumindo o trabalho de consultores, oferecendo planejamento completo de viagens sem intervenção humana. “Plataformas digitais agora oferecem soluções instantâneas e personalizadas, eliminando a necessidade de consultores humanos”, observa Faustino.

8.            Operadores de Máquinas em Fábricas A tecnologia de fábricas inteligentes e autônomas está diminuindo a demanda por operadores de máquinas. “Em algumas indústrias, o processo de produção já é quase inteiramente automatizado,” afirma Faustino.

9.            Profissionais de Telemarketing Softwares de IA que conduzem chamadas e conversas automatizadas estão eliminando o setor de telemarketing. “A IA é muito mais eficiente e já consegue realizar vendas simples sem a necessidade de intervenção humana,” comenta.

10.          Corretores de Imóveis de Baixa Complexidade Plataformas digitais facilitam a busca, compra e aluguel de imóveis, diminuindo a necessidade de corretores humanos. “Os corretores que se especializam e agregam valor continuam relevantes, mas aqueles que atuam apenas em transações básicas já estão perdendo espaço,” explica Faustino.

 Adaptar-se ou Ser Substituído?

 Para Faustino da Rosa Junior, a lição é clara: o mercado de trabalho está mudando, e profissionais precisam se preparar para essa nova realidade. “Essa transformação pode ser assustadora, mas também é uma oportunidade para aqueles dispostos a investir em habilidades que as máquinas não conseguem replicar. A chave para o futuro está na criatividade, pensamento crítico e adaptação contínua,” finaliza o especialista.

Este novo cenário não é apenas uma ameaça, mas também um convite para que os profissionais repensem suas carreiras e abracem a inovação. Afinal, a IA veio para ficar, e cabe a cada um de nós encontrar maneiras de se destacar e sobreviver em um mercado de trabalho cada vez mais dominado pela tecnologia.

Como a Plataforma Site Valeon pode ajudar as empresas a crescerem

A Plataforma Site Valeon pode ajudar as empresas a crescerem de diversas maneiras:

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•             Conteúdo informativo e relevante, que ajuda os clientes a encontrarem as informações que procuram e a entenderem os produtos e serviços da empresa.

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•             Design intuitivo e responsivo, que garante uma boa experiência de navegação em qualquer dispositivo.

3. Aumentando as vendas:

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quarta-feira, 20 de novembro de 2024

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E CONTRIBUIÇÃO DOS PAÍSES

 

História de AFP

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, faz um discurso durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP29) em Baku, em 13 de novembro de 2024

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, faz um discurso durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP29) em Baku, em 13 de novembro de 2024© Alexander NEMENOV

Com a reeleição de Donald Trump para a presidência dos EUA, todas as atenções se voltaram para a União Europeia na COP29, em Baku, para se juntar à China e pressionar por um acordo financeiro para combater o aquecimento global até sexta-feira.

Na capital do Azerbaijão, a UE está negociando discretamente com a China em uma aliança de “alta ambição” com países do sul, como Quênia e Palau.

Os países da UE são os maiores contribuintes do financiamento climático em todo o mundo, com 28,6 bilhões de euros (173 bilhões de reais) no ano passado provenientes de fontes públicas, aos quais se somaram 7,2 bilhões de euros (43 bilhões de reais) do setor privado, de acordo com a Comissão Europeia.

“Continuaremos a mostrar o caminho e a fazer nossa parte justa e ainda mais”, reiterou o comissário europeu responsável pelas negociações climáticas, Wopke Hoekstra.

“Vocês devem liderar esse processo, não têm escolha”, disse à AFP Diego Pacheco, chefe da delegação boliviana, entre duas reuniões, em um dos intrincados corredores do estádio de Baku.

O ‘think tank’ ODI calculou que muitos países europeus contribuem ainda mais do que sua “parcela justa”, estimada com base em suas emissões históricas, riqueza e população, incluindo Suécia, Dinamarca, França, Alemanha e Países Baixos. Em contrapartida, os Estados Unidos ficam para trás.

Mas há aqueles que se recusam a receber lições de países que basearam sua prosperidade no carvão e no petróleo. “Pare de tentar colocar [a responsabilidade] pela redução das emissões nos países em desenvolvimento”, disse Pacheco na plenária.

“Todos os olhos estão voltados para a UE para que assuma a liderança nessa questão […] dado o seu papel de grande contribuinte” para o financiamento climático, disse à AFP Ignacio Arroniz Velasco, do think tank E3G.

Mas a UE, onde a disciplina orçamentária é a ordem do dia, tem sido cuidadosa ao dizer quanto está disposta a pagar a partir do próximo ano, e quer manter suas cartas na manga o máximo possível.

“Esperamos que a UE dê um primeiro passo”, comentou Chiara Martinelli, da Climate Action Network (CAN) Europe.

Outro observador fez alusão à suposta relutância da Europa em “assumir” o papel de liderança que alguns esperam dela.

Os negociadores argumentaram que uma faixa de 200 a 400 bilhões de dólares (entre 1,1 trilhão e 2,3 trilhões de reais) em financiamento anual dos países ocidentais seria realista. “200 bilhões é muito, mas [é] possível”, disse um diplomata europeu.

Isso representaria pelo menos o dobro do compromisso atual de 100 bilhões de dólares (575 bilhões de reais), que a COP espera rever. Esses valores incluem financiamento público bilateral ou por meio de bancos multilaterais e uma parcela de financiamento privado.

Os europeus estão negociando parâmetros cruciais, como o horizonte da nova meta. Eles também querem ampliar a definição do pacote total, incluindo mais outras fontes de financiamento, especialmente o financiamento privado.

Mas, principalmente, eles querem que a contribuição voluntária de outros países, liderados pela China, seja incluída na meta total, o que os obrigaria a serem transparentes sobre o que já estão pagando.

MILEI DA ARGENTINA FOI O SUBSTITUTO DE TRUMP NO G20

História de Por Lisandra Paraguassu e Elizabeth Pineau – Reuters

O presidente da Argentina, Javier Milei, na cúpula do G20 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro 19/11/2024 REUTERS/Pilar Olivares

O presidente da Argentina, Javier Milei, na cúpula do G20 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro 19/11/2024 REUTERS/Pilar Olivares© Thomson Reuters

Por Lisandra Paraguassu e Elizabeth Pineau

RIO DE JANEIRO (Reuters) – Enquanto líderes mundiais na cúpula do G20 no Brasil se preparam para o retorno do presidente dos EUA, Donald Trump, ao centro dos temas globais, um chefe de Estado presente na sala já deu uma prévia de um estilo familiar e iconoclasta de direita.

O presidente argentino Javier Milei negou a ciência climática, discordou sobre igualdade de gênero, criticou impostos mais altos para bilionários e, recém-chegado de um encontro com Donald Trump em seu resort Mar-a-Lago, mostrou que está disposto a desafiar o consenso global.

Enquanto Milei celebrava com o presidente eleito dos EUA na Flórida, os principais diplomatas de seu país passaram a semana passada no Rio negociando um consenso delicado com colegas do G20 em torno de uma declaração conjunta de 9 mil palavras para aprovação final pelos chefes de Estado nesta semana.

Os diplomatas tiveram problemas quando os negociadores argentinos disseram ter recebido uma ligação do presidente com ordens para que endurecessem a resistência a trechos previamente acordados sobre cooperação tributária, relataram pessoas envolvidas nas discussões.

“Parece, agora, que a posição oficial da Argentina é criar problemas”, reclamou um diplomata europeu.

Os diplomatas argentinos cederam após dias de negociações intensas. Os chefes de Estado, no entanto, ouviram diretamente de Milei durante a cúpula suas objeções às menções no comunicado conjunto sobre tributação progressiva, igualdade de gênero e aos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, de acordo com fontes presentes no debate plenário.

Um porta-voz de Milei não respondeu a um pedido de comentário.

Ele adotou um tom desafiador nas redes sociais, repetindo uma mensagem anterior na plataforma X, na segunda-feira: “Não sou político, nem aspiro a ser. Assim como o presidente Trump, tive que entrar neste pântano podre como um ato de autodefesa”.

Em breve, ele pode não apenas ecoar a retórica, mas também as principais decisões políticas.

Após um longo debate privado com Milei antes da cúpula, o presidente francês Emmanuel Macron saiu convencido de que o argentino vai abandonar o Acordo de Paris se Trump cumprir sua ameaça de fazer o mesmo, segundo uma autoridade francesa.

Nas negociações climáticas da ONU na semana passada, a delegação argentina abandonou as discussões por ordens de Milei, um negacionista do aquecimento global. Durante a cúpula do G20, ele evitou uma sessão de trabalho sobre desenvolvimento sustentável nesta terça-feira, de acordo com uma fonte presente.Desde o início da cúpula, Milei deixou claro que não estava ali para fazer amigos.

Ao chegar na segunda-feira ao Museu de Arte Moderna do Rio, Milei cumprimentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anfitrião do evento, com um aperto de mão frio. Ele segurava uma pasta junto ao peito, descartando o abraço habitual entre líderes latino-americanos amigáveis.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu e Elizabeth Pineau)

 

BRASIL RESISTE A ENTRAR NA NOVA ROTA DA SEDA DA CHINA COM MEDO DE ENDIVIDAMENTO

BBC News Brasil

Visita oficial de Xi Jinping ocorre após participação do presidente chinês na cúpula do G20 no Rio de Janeiro

Visita oficial de Xi Jinping ocorre após participação do presidente chinês na cúpula do G20 no Rio de Janeiro© Getty Images

A visita oficial do presidente da China, Xi Jinping, ao Brasil, nesta quarta-feira (20/11), será marcada por protocolos, forte esquema de segurança e uma série de acordos e memorandos a serem assinados. Nos últimos meses, diplomatas dos dois países se revezaram em visitas mútuas e reuniões para reunir um “pacote” de entregas para celebrar os 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países.

Mas a visita do líder chinês não será marcada apenas pelo que será anunciado. A expectativa entre diplomatas e especialistas ouvidos pela BBC News Brasil nas últimas três semanas é de que a visita do líder chinês também seja marcada por uma ausência: a não adesão do Brasil ao projeto “Cinturão e Rota”, também conhecido como “Nova Rota da Seda”.

Trata-se de um programa trilionário chinês iniciado em 2013 que prevê a realização de obras e investimentos para ampliar mercados para a China e a presença do país no mundo.

Nos bastidores, os chineses vêm cortejando o Brasil a aderir ao projeto há anos. Havia até a expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pudesse anunciar uma adesão ao projeto em 2023, quando fez uma visita oficial à China.

Isto, porém, não se concretizou e governo brasileiro vem mantendo a política de seguir perto o suficiente dos chineses sem aderir ao projeto do país asiático.

As investidas chinesas vêm incluindo acenos ao Brasil como a concordância do país para que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) assumisse a presidência do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos Brics, visitas de delegações governamentais chinesas ao Brasil e de brasileiros à China, além de bilhões de dólares em investimentos em diversas áreas.

Mas mesmo com todas as investidas chinesas, contudo, a tendência é de que não será dessa vez que o Brasil vai aderir à “Nova Rota da Seda”.

Nas últimas semanas, a BBC News Brasil conversou com diplomatas e especialistas em relações internacionais para entender o que faz com que o país, um dos principais aliados da China fora da Ásia, hesite tanto em aderir à “Nova Rota da Seda”.

Segundo eles, a decisão faz parte de uma mistura de fatores que envolve a tradição diplomática brasileira, o cenário internacional conturbado e a percepção entre os tomadores de decisão brasileiros de que o país teria pouco a ganhar com uma eventual adesão ao projeto.

Peru inaugurou na última semana o porto de Chancay, financiado pela Nova Rota da Seda

Peru inaugurou na última semana o porto de Chancay, financiado pela Nova Rota da Seda© Reuters

O que é a “Nova Rota da Seda”

O “Belt and Road Initiative” é o nome em inglês ao que ficou conhecido como “Nova Rota da Seda” ou “Iniciativa Cinturão e Rota”, na tradução direta para o português.

Lançado em 2013 pelo governo chinês, é um projeto trilionário voltado à construção de infraestrutura, incluindo rodovias, ferrovias, portos e obras no setor energético, como oleodutos e gasodutos que conectam a Ásia à Europa.

Estima-se que, desde o início, os investimentos variem entre US$ 890 bilhões (R$ 4,46 trilhões) e US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões).

O nome “Nova Rota da Seda” remete à histórica rota comercial do primeiro milênio que ligava a Ásia à Europa Central.

Originalmente focado na região conhecida como Eurásia, o projeto expandiu-se para regiões como África, Oceania e América Latina.

Segundo o centro de estudos norte-americano sobre relações internacionais Council on Foreign Relations (CFR), 147 países aderiram formalmente ou demonstraram interesse no plano. Isso representa dois terços da população mundial e 40% do PIB global.

Na América Latina, em torno de 20 países integram a iniciativa, incluindo a Argentina, que assinou um memorando de adesão em abril de 2022.

Especialistas consideram o projeto uma estratégia de expansão econômica e política da China, hoje a segunda maior economia global, com previsões anteriores à pandemia indicando que poderia ultrapassar os Estados Unidos até 2028.

No entanto, o projeto enfrenta críticas junto à comunidade internacional, como o risco de superendividamento de países que contratam os financiamentos. Um exemplo foi o Sri Lanka, que em 2018 transferiu para o governo chinês o controle de um porto construído no país com recursos chineses depois que a nação asiática não conseguiu mais pagar as parcelas de sua dívida com o governo de Pequim.

A China rebate essas acusações, alegando que as críticas visam prejudicar sua reputação internacional.

Mas se a China aparenta estar disposta a investir seus recursos e ampliar o fluxo comercial com países como o Brasil, por que o país vem evitando aderir à iniciativa?Obras no Sri Lanka acabaram transferidas para a China após país não conseguir arcar com financiamento

Obras no Sri Lanka acabaram transferidas para a China após país não conseguir arcar com financiamento© Getty Images

Tradição e cálculo

Um diplomata brasileiro ouvido em caráter reservado pela BBC News Brasil disse que um dos motivos pelos quais o Brasil não adere à “Nova Rota da Seda” é tradição da política externa brasileira.

Historicamente, o Brasil evita alinhamentos automáticos com superpotências como a China. Mesmo durante a ditadura militar, fortemente apoiada pelo regime norte-americano entre os anos 1964 e 1985, o regime dos generais brasileiros manteve certo distanciamento em relação aos Estados Unidos.

Conhecido como uma potência média ou uma potência regional, o Brasil é conhecido (e eventualmente criticado), por adotar uma política externa que tenta manter diálogo com diferentes blocos e nações enquanto tenta fazer avançar suas próprias agendas no cenário internacional.

A tese por trás desse comportamento é a de que o alinhamento do Brasil a um determinado bloco econômico ou político não gera, necessariamente, benefícios ao país e ainda pode prejudicá-lo em negociações com outros blocos ou nações.

O diplomata disse, por exemplo, que uma adesão à “Nova Rota da Seda” poderia prejudicar as relações do país com outros blocos ou países como os Estados Unidos, que oficialmente vê a China como sua principal adversária geopolítica no mundo.

“Os diplomatas também temem que o Brasil perderia voz e influência nas relações com a China, tendo que negociar com as dezenas de países que formam a iniciativa. Há o risco de retaliações comerciais por parte dos Estados Unidos. Tudo isso somado fez com que o governo brasileiro optasse por não aderir à Nova Rota da Seda”, afirma o professor.

Pablo Ibañez, coordenador do Centro de Altos Estudos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e ex-pesquisador visitante da Universidade Fudan, em Xangai, na China, também descreve esse cenário.

“O Itamaraty pensa assim: ‘Por que a gente vai passar a ter um alinhamento ainda maior com esse grupo (a China) em um momento extremamente delicado em que, no Ocidente, entende-se que a China é uma aliada da Rússia?’”, diz à BBC News Brasil.

Países europeus e os Estados Unidos veem com desconfiança iniciativas como os Brics, grupo inicialmente fundado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e que vem se expandindo nos últimos anos.

Entre as várias iniciativas discutidas pelo grupo está a adoção de transações comerciais nas moedas locais dos seus países e não do dólar. A ideia é diminuir a dependência dessas nações em relação à moeda norte-americana.

Mas, durante a campanha presidencial, o então candidato Donald Trump, que venceu a disputa, prometeu aumentar as tarifas sobre as importações de países que adotarem este tipo de medida, o que poderia ter impactos sobre o Brasil e China, por exemplo.

O cientista político e professor de Relações Internacionais do Centro de Estudos Políticos-Estratégicos da Marinha do Brasil, Maurício Santoro, destaca que, no cálculo do governo brasileiro, também pesa o fato de o país já contar com vultosos investimentos chineses.

“No Itamaraty, há forte ceticismo quanto aos benefícios que a Nova Rota da Seda poderia trazer ao Brasil. Como o país já recebe muitos investimentos chineses — é o principal destino deles entre as nações do Sul Global — não haveria muitos ganhos a extras”, diz Santoro.

O cálculo leva em conta a atual situação do Brasil em relação à China.

A China é, desde 2009, o maior parceiro comercial do Brasil. Entre janeiro e setembro deste ano, o fluxo comercial entre os dois países foi de US$ 122 bilhões, um crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Além disso, a China é um dos principais investidores diretos no Brasil.

Em 2023, a os chineses investiram US$ 1,73 bilhão no país, um aumento de 33% em relação a 2022, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Ainda de acordo com a instituição, desde 2007, a China destinou US$ 72 bilhões em investimentos no Brasil.

Nos últimos anos, a China passou a investir pesadamente em setores como a construção de linhas de transmissão, exploração de petróleo, energia e, mais recentemente, na implantação de fábricas de carros elétricos ou híbridos.Especialistas veem pressão chinesa, mas não creem em retaliação por Brasil não aderir à iniciativa

Especialistas veem pressão chinesa, mas não creem em retaliação por Brasil não aderir à iniciativa© Reuters

Retaliação chinesa?

Os dois especialistas ouvidos pela BBC News Brasil dizem considerar remota a possibilidade de a China retaliar o Brasil por não aderir à iniciativa.

“O governo chinês certamente preferiria que o Brasil se tornasse parte da Nova Rota da Seda, pois isso seria um grande incentivo para outros países em desenvolvimento, particularmente na América Latina. Mas a decisão de não ingressar também não cria grandes problemas para o Brasil”, diz Santoro.

O professor Pablo Ibañez diz acreditar que uma retaliação seria improvável.

“Até agora, não fomos. O Brasil é o maior parceiro da China na América Latina e há muitos investimentos e sinergias entre os dois países. Além disso, a China é muito pragmática”, diz o professor.

De toda forma, diz Ibañez, o Brasil deverá tentar evitar se indispor com a China em meio à hesitação em aderir à iniciativa.

“Os chineses estão pressionando bastante. O assunto, com certeza, está na pauta. Mas Lula tem uma capacidade grande de convencimento. Ele deverá explicar que Donald Trump está vindo aí e que uma adesão poderia prejudicar a relação do Brasil com os Estados Unidos”, afirma.

Conhecido por seu pragmatismo, o governo chinês já vem dando mostras de que poderá lidar sem maiores complicações com o fato de o Brasil não ter aderido formalmente à “Nova Rota da Seda”.

O exemplo mais recente foi um artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo na semana passada e assinado por Xi Jinping. Nele, o líder chinês defende o aumento das parcerias entre os dois países, mas dentro de um cenário em que o Brasil não faz parte formal do projeto.

“Vamos promover continuamente o reforço das sinergias entre a Iniciativa Cinturão e Rota e as estratégias de desenvolvimento do Brasil”, diz um trecho do artigo.

Enquanto a adesão à “Nova Rota da Seda” não vem (se é que um dia virá), China e Brasil deverão assinar acordos em diversas áreas nesta quarta-feira. Entre eles estão acordos nas áreas cultural, energética, mineral e espacial.

Um deles, aliás, prevê a entrada em funcionamento no Brasil da empresa SpaceSail, que opera satélites de órbita baixa para transmissão de internet de banda larga em locais sem acesso à rede cabeada.

Ainda não há previsão para que o serviço comece a funcionar, mas o acordo é visto como uma tentativa de Brasil e China de diminuírem a dependência do mercado em relação à empresa Starlink, do bilionário sul-africano Elon Musk.

Nos últimos meses, o empresário entrou em embates com o Supremo Tribunal Federal (STF) após sua plataforma de rede social, o X (antigo Twitter) descumprir ordens expedidas pela Corte.

Atualmente, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Starlink é líder no mercado de internet via satélite.

 

TRUMP NÃO VAI ACABAR COM A REVOLUÇÃO VERDE

História de Jodie Cook – Forbes Brasil

Foto: Scott Olson/Getty Images

Foto: Scott Olson/Getty Images

Não superestime o dano que a política energética do presidente eleito Donald Trump pode causar à transição global para a energia verde. Sim, ele prometeu desfazer a Lei de Redução da Inflação (IRA) de 2022 dos Democratas, ridicularizando-a durante a campanha como uma “nova farsa verde” devido aos US$ 500 bilhões (R$ 2,8 trilhões) em créditos fiscais e outros subsídios para projetos de energia renovável. Algumas empresas de tecnologia limpa e seus apoiadores temem perder benefícios, o que levou tanto grupos ambientais quanto investidores de ações de energia limpa reagiram com alarme à vitória de Trump.

Mas a revogação da IRA dificilmente será um fato consumado, considerando que a maioria desses projetos tem gerado empregos e investimentos em distritos congressionais controlados pelos republicanos. A tecnologia limpa pode até se beneficiar de algumas outras políticas de Trump — como a redução da taxa de imposto corporativo e da burocracia, incluindo revisões ambientais demoradas que atrasam a localização de projetos e linhas de transmissão de eletricidade.

E aqui está a razão mais importante pela qual a energia verde deve continuar a prosperar durante o governo Trump 2.0: a indústria já passou do ponto de decolagem. Os subsídios fornecem um impulso extra (e são importantes para as tecnologias mais novas que ainda não são comerciais), mas não são absolutamente necessários para que a revolução verde continue. A economia, os consumidores e a crescente demanda por eletricidade — particularmente de todos os novos centros de dados sendo construídos para atender às necessidades da inteligência artificial — continuarão a impulsionar o crescimento da energia alternativa.

“Nossa capacidade de resolver esse problema de forma lucrativa é melhor do que qualquer um imagina”, argumenta o bilionário investidor em tecnologia climática Tom Steyer, da Galvanize Capital. Falando um mês antes da eleição no Forbes Sustainability Leaders Summit, Steyer apontou dados mostrando que 86% de todos os novos equipamentos de geração de eletricidade implantados no mundo no ano passado são movidos por fontes renováveis.

“Ninguém no Vietnã colocou um painel solar porque estava preocupado com [inundações induzidas por mudanças climáticas em] Houston. Ninguém fez isso por bondade”, disse Steyer, mas sim porque é barato. Considere a China, agora o maior mercado de carros do mundo, onde mais da metade das vendas são de veículos elétricos. “Eles vão vender mais veículos elétricos do que nós vendemos carros. Por que fariam isso? Não para ajudar os Estados Unidos, mas porque custam US$ 14.000 (R$ 80.640) e percorrem 1.200 milhas com uma única carga.”

“Mais barato, mais rápido, melhor — sobe como um foguete, todo mundo compra, e é assim que se vence no capitalismo”, disse Steyer. “Se os Estados Unidos não quiserem participar disso e quisermos construir um fosso em torno do país e voltar para os anos 1950, o resto do mundo vai avançar. Eles terão sucesso e nós falharemos.”

Sem dúvida, os produtores de combustíveis fósseis estão entre os grandes vencedores dos resultados de 5 de novembro. Por exemplo, o ex-deputado Lee Zeldin, nomeado por Trump para dirigir a Agência de Proteção Ambiental (EPA), certamente vai eliminar a nova regra do metano da EPA (finalizada apenas nesta semana), que multaria os perfuradores de petróleo e gás em bilhões de dólares por ano por vazamentos de gás natural.

Mas há muitas razões para que a energia alternativa se saia bem. Aqui estão 10 delas:1- A energia verde já é barata

Mesmo sem subsídios, a energia eólica e solar são as fontes de geração de eletricidade mais baratas do país, custando 9 centavos de dólar por quilowatt-hora ou menos para novos projetos em escala de utilidade, de acordo com a Lazard. Adicione baterias para armazenar essa energia (para momentos em que o vento não sopra ou o sol não brilha) e o custo sobe para cerca de 13 centavos. Isso é competitivo com novas turbinas a gás natural e muito mais barato do que tentar construir novas usinas nucleares de grande escala a 20 centavos por kWh.2- Há muita energia verde em estados republicanos

Impressionantes 80% dos benefícios da IRA até agora foram destinados a distritos congressionais republicanos. O Texas já gera mais energia verde do que a Califórnia e está prestes a adicionar 36 gigawatts de energia solar, eólica e baterias nos próximos 18 meses, mais do que qualquer outro estado, de acordo com a consultoria de dados de energia Cleanview. A Califórnia, que ocupa o segundo lugar, adicionará apenas 11 gigawatts. A gigante de energia renovável NextEra Energy disse aos analistas na semana passada que acredita que a IRA sobreviverá em grande parte porque os empregos verdes são politicamente populares. Essa é a esperança de 18 membros republicanos da Câmara que escreveram uma carta ao presidente da Casa, Mike Johnson, em agosto, ressaltando que “uma revogação completa criaria um cenário de pior caso, em que teríamos gasto bilhões de dólares dos contribuintes e recebido quase nada em troca”.3- As redes de energia dos EUA precisam de mais

Por décadas, a geração de eletricidade simplesmente acompanhou o crescimento econômico do país. Isso está prestes a mudar, já que gigantes da computação em nuvem estão aumentando a construção de centros de dados para atender à demanda por serviços online, como o líder de inteligência artificial ChatGPT, da OpenAI. Em outras palavras, a geração de eletricidade agora deve crescer mais rápido que a economia. A empresa de serviços públicos AEP antecipa um forte crescimento da demanda, particularmente em estados como Indiana, onde projeta um aumento de até 60% na demanda comercial de eletricidade nos próximos anos, principalmente devido aos centros de dados, como o projeto de US$ 11 bilhões (R$ 63,36 bilhões) que a Amazon está erguendo em New Carlisle, o maior projeto de capital da história do estado.4- Amazon, Google, Meta e Microsoft podem pagar por isso

Atualmente, os contribuintes estão, efetivamente, subsidiando centros de dados das empresas mais lucrativas do mundo, pagando 30% dos custos de novas usinas de energia que os suportam, por meio de créditos fiscais verdes. Por quê? Não é como se as grandes empresas de tecnologia pudessem construir um centro de dados, mas não conseguissem organizar eletricidade suficiente para alimentá-lo. Além disso, os operadores de redes podem obrigá-los a usar fontes renováveis. Se Trump cumprir suas promessas de cortar tanto os incentivos fiscais para energia verde quanto a taxa de imposto de renda corporativo (de 21% para 15%), esses grandes consumidores de eletricidade ficarão bem.5- Capitalistas encontrarão um caminho

Mesmo que os investimentos baseados em ESG tenham sofrido ataques políticos (de autoridades republicanas, entre outros), cerca de US$ 7 trilhões (R$ 40,32 trilhões) em fundos de ações e títulos verdes, socialmente responsáveis e designados ESG ainda estão alocados em todo o mundo. Retirar o dinheiro do governo fará com que as empresas compitam por um pool menor de capital privado. As melhores tecnologias que não precisam de subsídios irão se destacar mais rapidamente.6- Os sistemas de energia continuarão a se tornar mais eficientes

Estão chegando avanços impulsionados por IA e materiais, especialmente em energia nuclear de pequena escala e geotérmica. Mais tecnologias de carbono zero seguirão o caminho de redução de custos da energia eólica e solar, mesmo sem assistência federal. Um novo estudo do MIT acompanhou 1 mil pesquisadores trabalhando em uma empresa americana e descobriu que, quando adicionaram IA ao trabalho, eles descobriram 44% mais materiais e registraram 39% mais patentes, dobrando quase a produtividade dos principais pesquisadores. As otimizações de sistemas estão apenas começando.7- As políticas estaduais e locais estão fora do alcance de Trump

Comissários de serviços públicos estaduais e operadores de rede podem influenciar o que é construído e até exigir geração de energia verde. Em nenhum lugar do país seria possível construir uma usina a carvão, mesmo que houvesse financiamento. Os eleitores da Califórnia aprovaram recentemente um fundo de soluções climáticas de US$ 10 bilhões (R$ 57,6 bilhões). Se a Califórnia fosse um país, sua economia seria a quarta maior do mundo; suas medidas historicamente tiveram uma grande influência em todo o país. É verdade que Trump ameaçou reter verbas federais (até mesmo para ajuda em desastres) como forma de punir estados que não seguem sua linha em questões ambientais (ou outras). Mas o estado não é de recuar. O governador Gavin Newsom já convocou uma sessão legislativa especial para buscar recursos para financiar uma resposta legal aos esforços de Trump e “proteger os valores da Califórnia”.8- As grandes petrolíferas também gostam de subsídios verdes

Embora não sejam fãs de regulações rígidas e imprevisíveis, as grandes petrolíferas têm interesse em soluções climáticas. O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, há muito defende a imposição de um imposto global sobre o carbono (uma solução preferida por economistas, mas que políticos não têm disposição para implementar) e não quer que Trump retire novamente os EUA do Acordo de Paris, argumentando que é melhor Washington ter uma cadeira na mesa de negociações. “Não acho que idas e vindas sejam boas para os negócios”, disse Woods esta semana na cúpula COP29 no Azerbaijão. A Exxon tem tentado melhorar sua imagem verde há uma década. Recentemente, desistiu de tentar descobrir como extrair quantidades comerciais de petróleo a partir de algas. A empresa planeja um vasto projeto de hidrogênio em uma de suas refinarias no Texas, mas diz que só dará continuidade se tiver certeza de que poderá reivindicar os generosos créditos fiscais de hidrogênio da IRA.9- O gás natural é verde

Não conte isso a Tom Steyer (ou ao ex-vice-presidente Al Gore, cuja Generation Investment Management possui US$ 15 bilhões — R$ 86,4 bilhões — em investimentos favoráveis ao clima), mas o gás natural é o maior contribuinte individual para a redução de 40% nas emissões de carbono relacionadas à eletricidade nos EUA. Desde o início da revolução do fraturamento hidráulico do gás de xisto, as emissões domésticas de CO2 caíram de um pico de 2,4 bilhões de toneladas por ano em 2007 para 1,5 bilhão de toneladas métricas em 2023, com o gás substituindo o carvão. Enquanto isso, as emissões globais continuaram a subir. Sim, o gás natural, ou metano, é um combustível fóssil, mas quando queimado em uma usina de energia emite apenas metade do dióxido de carbono do carvão, sem fuligem, metais pesados e fumaça. Trump deve revogar a moratória de Biden sobre a aprovação federal de novas instalações de exportação de gás natural liquefeito (LNG). Em uma década, os EUA passaram de quase nenhuma exportação de gás para liderar as exportações em relação ao Catar e à Austrália. Apesar da pausa na aprovação de instalações de exportação de LNG de Biden, diversas plantas ainda estão em construção. Trump vai suspender a moratória e poderá assumir o crédito por uma quase duplicação das exportações de LNG.10- A revolução verde tem impulso

Pelo que parece, estamos apenas começando. Na última década, os EUA quase quadruplicaram a geração de eletricidade a partir de fontes eólicas e solares, chegando a cerca de 660 mil bilhões de quilowatts-hora de geração de energia renovável em 2023. Parece muito, mas de 4% há uma década, a energia eólica e solar agora fornecem apenas 16% da eletricidade dos EUA (em comparação com 39% do gás natural). Pode surpreender alguns saber que, em todo o mundo, os humanos nunca usaram tanto petróleo (103 milhões de barris por dia), gás natural (410 bilhões de pés cúbicos por dia) e carvão (8,5 bilhões de toneladas por ano). A participação de mercado está mudando, mas mesmo sob Biden não estava avançando rápido o suficiente, diz Tom Steyer, que concorreu à presidência em 2020 e aguarda o dia em que pode se tornar politicamente viável para líderes mundiais estabelecer um preço global sobre o carbono. “Você precisa de um sistema de cap-and-trade em todo o mundo”, ele diz. “Os EUA não podem fazer a coisa certa e deixar o resto do mundo poluir de graça.” Ele só precisará esperar um ou dois ciclos eleitorais.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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