terça-feira, 19 de novembro de 2024

A DIFERENÇA ENTRE UM PROFISSIONAL COMUM E UM PROFISSIONAL DE DESTAQUE ESTÁ CADA VEZ MAIS LIGADO ÀS SOFT SKILLS (HABILIDADES SOCIAIS)

 

Autor: Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria

(Foto: Isaque Martins)

Atualmente, a diferença entre um profissional comum e um profissional de destaque está cada vez mais ligada às soft skills (habilidades sociais). Essas habilidades, muitas vezes consideradas intangíveis, são o que permite que um profissional se adapte, colabore, comunique e cresça em ambientes dinâmicos e incertos.

O desafio de lidar com transformações abruptas, muitas vezes sem recursos suficientes, faz com que os empregadores busquem, mais do que nunca, profissionais que tenham capacidade de adaptação, comunicação clara e liderança colaborativa.

Aqui estão as 7 soft skills que você deve destacar em seu currículo para se manter competitivo no mercado brasileiro – e recomendações práticas de como incorporá-las em seu currículo.

1. Adaptabilidade

Novas tecnologias, mudanças regulatórias e uma economia global cada vez mais interconectada exigem que os profissionais sejam adaptáveis. Essa habilidade é crucial, já que o mercado frequentemente passa por mudanças súbitas devido a fatores políticos e econômicos.

As empresas buscam colaboradores que consigam se adaptar a diferentes cenários sem perder o foco nos resultados. Profissionais que demonstrem resiliência e flexibilidade, especialmente em momentos de crise, têm maior valor nas organizações.

É importante mostrar em seu currículo como você se adaptou a mudanças anteriores, seja em processos internos, tecnologias ou estratégias de negócios.

2. Comunicação eficaz

Se comunicar bem vai além de falar ou escrever claramente. É necessário entender o tom certo, o meio certo e ser capaz de traduzir ideias complexas de maneira que outros possam agir com base nelas. Com equipes diversificadas e, muitas vezes, remotas, a comunicação clara se torna ainda mais importante.

As organizações costumam valorizar profissionais que conseguem se comunicar com clareza e empatia, facilitando o trabalho em equipe e a execução de projetos.

Uma recomendação é incluir no seu currículo exemplos de como sua comunicação ajudou a resolver conflitos, alinhou expectativas ou facilitou a colaboração entre as pessoas.

3. Resolução de problemas

Os problemas no local de trabalho são inevitáveis, e os profissionais que conseguem abordá-los de forma criativa e prática se destacam. No Brasil, onde recursos e infraestrutura muitas vezes são limitados, a habilidade de encontrar soluções criativas e eficientes é uma qualidade especialmente valorizada.

Os empregadores buscam candidatos que, além de identificar problemas, conseguem propor soluções rápidas e eficazes. Profissionais que demonstram essa competência e proatividade estão melhor posicionados para assumir cargos de liderança.

Assim, liste exemplos de problemas que você solucionou e como isso impactou positivamente a empresa.

4. Inteligência emocional

A capacidade de entender e gerenciar suas próprias emoções, bem como as dos outros, se tornou uma das soft skills mais procuradas. Com equipes diversas e o crescente debate sobre saúde mental, a inteligência emocional é crucial para criar um ambiente de trabalho saudável e produtivo.

Gestores e colaboradores que conseguem lidar com emoções, tanto as próprias quanto as de suas equipes, são fundamentais para manter um clima organizacional positivo, evitando o desgaste emocional e os conflitos.

Para destacar essa soft skill, pense em situações em que sua inteligência emocional contribuiu para a resolução de problemas ou melhoria do ambiente de trabalho.

5. Colaboração

Trabalhar em equipe é uma habilidade essencial no mercado de trabalho atual, já que muitas empresas estão adotando estruturas organizacionais mais horizontais. Com isso, a colaboração entre departamentos e equipes é uma peça-chave para o sucesso dos projetos.

Os empregadores querem ver profissionais que sabem trabalhar bem em equipe, respeitam diferentes pontos de vista e conseguem integrar diversas habilidades para alcançar objetivos comuns.

Portanto, demonstre como você colaborou em projetos interdepartamentais ou como ajudou sua equipe a alcançar objetivos compartilhados.

6. Pensamento crítico

A complexidade regulatória e econômica imposta no mercado de trabalho atual exige uma atenção constante às mudanças. Por isso, os empregadores valorizam profissionais capazes de pensar criticamente sobre problemas complexos.

Com isso, é possível analisar os desafios sob várias perspectivas e encontrar soluções que equilibrem risco e benefício, o que é crucial para o sucesso organizacional.

Para o seu currículo, considere incluir exemplos de como seu pensamento crítico ajudou a empresa a evitar erros ou melhorar processos.

7. Gestão do tempo

Com a crescente demanda por produtividade e o aumento das responsabilidades dos profissionais, a capacidade de gerenciar bem o tempo nunca foi tão importante. Profissionais que conseguem priorizar tarefas, cumprir prazos e gerenciar múltiplos projetos de maneira eficaz se destacam no mercado. A gestão do tempo também envolve a capacidade de equilibrar trabalho e vida pessoal, algo cada vez mais valorizado pelas empresas.

Para isso, é preciso mostrar, de forma tangível, como você gerencia prazos, organiza seu trabalho e mantém a produtividade alta, mesmo sob pressão.

Ao dar ênfase a essas sete soft skills, você estará posicionado para se destacar entre a concorrência e conquistar melhores oportunidades de carreira.

Virgilio Marques dos Santos é um dos fundadores da FM2S, gestor de carreiras, doutor, mestre e graduado em Engenharia Mecânica pela Unicamp e Master Black Belt pela mesma Universidade. TEDx Speaker, foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da Unicamp, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.

7 Soft Skills essenciais para o seu currículo

Igor Lopes – Innova

Primeiro, inovar não é sobre criar coisas novas, mas também encontrar soluções que, embora já existentes, nunca foram adotadas em seu projeto.

Um caso real que comprova a minha tese é o Sr. Valdir Novaki, conhecido como “O pipoqueiro mais famoso do Brasil”.

Valdir era um pipoqueiro como os outros, mas ele sentia que precisava inovar em seu mercado.

Diante disso, Sr. Valdir adotou medidas de higiene e atendimento que ninguém fazia, mas que impactava diretamente na experiência do consumidor:

• Quem chegava no carrinho de pipoca do Valdir recebia uma dose de álcool em gel nas mãos antes de pegar a pipoca.

• Ele também limpava toda a bancada (de inox) do carrinho com álcool na frente dos clientes, deixando tudo impecável.

• Em cada dia da semana Sr. Valdir utilizava um uniforme (impecavelmente branco e limpo) do qual havia um bordado sinalizando o dia da semana.

• Ao receber a pipoca, os clientes de Valdir ganhavam uma balinha de brinde, para refrescar o hálito após o lanche.

Perceba que ele inovou, sem reinventar a roda, mas apenas trazendo abordagens simples que seus concorrentes não ousavam fazer.

Por conta disso, digo que a primeira e maior característica de uma mente inovadora é questionar o tempo todo.

Afinal, ao questionar situações e circunstâncias você encontra:

• Novos problemas;

• Oportunidades;

• E soluções.

Esse loop cria um mecanismo de descobertas que leva você (e o seu projeto) a novos resultados no caminho da inovação.

No entanto, trilhar este caminho não é fácil, por isso, toda mente inovadora tem a habilidade de ser constante, sem perder o ânimo.

Sem isso, é impossível levantar todos os dias e garimpar soluções em meio às frustrações causadas pelos fracassos que surgem no caminho da inovação.

Se olharmos para a história do Sr. Valdir, você notará que o sucesso dele não foi repentino. Mesmo inovando, as coisas levaram tempo para acontecer.

Por fim, a última característica de uma mente inovadora é o desconforto.

Imagina só:

Se homens como Steve Jobs, Jeff Bezos, Elon Musk e Sr. Valdir fossem pessoas satisfeitas e confortáveis com seus resultados, será que eles teriam conquistado tudo o que conseguiram?

Provavelmente não. Sr. Valdir, por exemplo, não só recebeu a alcunha de “Pipoqueiro Mais Famoso do Brasil”, como também já viajou boa parte do país dando palestras sobre empreendedorismo.

Ok, sabemos que não inovar é ruim.

Agora, será que inovar em excesso é bom?

Os limites da inovação

Pela minha experiência empreendendo no campo da tecnologia, esses são os dois maiores erros quando o assunto é inovação:

01 – Tentar reinventar a roda.

02 – Omissão.

Quem não se lembra do Google Glass, um típico exemplo de quem tentou inovar demais e precisou recuar.

Ou então a Playstation com o PS Vita, um videogame portátil que prometia grande desempenho e resolução, mas, no final, não teve adesão dos grandes desenvolvedores e, consequentemente, dos clientes.

Ainda no mundo dos games, a Microsoft lançou o Xbox Kinect, um sensor de movimentos exclusivo que prometia substituir os controles tradicionais do videogame.

Após alguns anos de insistência e baixa adesão dos desenvolvedores e gamers, o Kinect foi descontinuado pela Microsoft.

Inovação demais, utilidade de menos.

Por outro lado, temos alguns exemplos clássicos de empresas omissas que esperaram demais e perderam o bonde.

Blackberry

A primeira empresa de celulares a proporcionar conexão Wireless em seus aparelhos, dando origem à era dos Smartphones — uma inovação que acertaram de mão cheia.

Há 20 anos, ter um Blackberry era mais exclusivo, chique e estiloso do que ter um iPhone de última geração.

Na boa, sempre gostei dessa marca.

Realmente é uma pena que a empresa mãe dos smartphones tenha ficado para trás e hoje não ser nem a sombra do que já foi.

Também temos os exemplos clássicos, né? Nokia, Kodak, etc. Que você já cansou de ver por aí.

Todas essas foram empresas que, por arrogância, excesso de confiança ou medo, ficaram na mesma e sumiram do mapa por não inovar.

Mas, há também as empresas que inovaram na medida certa:

• Microsoft: vendia software de caixinha e hoje é uma potência tecnológica tanto em produtos como em serviços.

• Toyota: uma empresa tradicional do mercado automotivo, mas que nunca perde o timming em inovação. Da era do motor a combustão aos motores híbridos, a Toyota sempre está no topo do ranking em qualidade, confiabilidade, tecnologia e conforto.

• Amazon: de e-commerce de garagem a uma potência de varejo e tecnologia.

• Nvidia: a empresa que surfou a onda dos games (quando ainda era uma marola ignorada por todos), aproveitou o boom das criptomoedas e hoje é a maior fabricante de GPUs utilizadas no desenvolvimento de IAs.

Sabe o que todas essas empresas têm em comum?

Elas não inovaram por moda, mas para resolver problemas concretos na vida de seus consumidores.

Você não pediu, mas eu dou: minha opinião

Sabe qual é o grande problema desse papo de inovação?

Ela é uma faca de dois gumes que pode:

• Fazer você se perder em meio ao vício de inovar.

• Fazer você perder pela falta de inovação.

Então, fica a pergunta:

Como inovar mesmo que você não tenha uma mente inovadora?

Tenha dados e informações concretas na sua mão. Sempre.

Se você tem dados, você enxerga gargalos que precisam ser resolvidos. Se você enxerga os gargalos, você precisa de soluções — e é aqui onde a inovação se esconde.

Na maioria das vezes, inovar é ser como o Sr. Valdir, e não necessariamente como Elon Musk.

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domingo, 17 de novembro de 2024

DELEGADOS DA POLÍCIA FEDERAL CONTRA OS CORTES NO ORÇAMENTO DA PF

 

História de Hugo Henud – Jornal Estadão

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou uma carta aberta com críticas ao governo federal, apontando cortes no orçamento da Polícia Federal (PF) para 2025 e a falta de investimentos na corporação — fatores que, segundo a entidade, enfraquecem a instituição. O documento, assinado na quarta-feira, 13, também apresenta ressalvas à PEC da Segurança Pública, proposta liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

Na carta, a ADPF alerta para o risco de desmantelamento da PF, enfatizando que os cortes orçamentários e a ausência de investimentos contínuos prejudicam a instituição, dificultando o combate ao crime organizado. A entidade questiona quem se beneficia desse enfraquecimento e ressalta que, ao comprometerem a autonomia e a capacidade operacional da PF, as ações do governo colocam em risco a segurança pública.

O presidente Luiza Inácio Lula da Silva em solenidade ao lado do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski e o presidente Lula Foto: wilton junior/Estadão

O presidente Luiza Inácio Lula da Silva em solenidade ao lado do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski e o presidente Lula Foto: wilton junior/Estadão

“O fim do sobreaviso remunerado trouxe dificuldades adicionais para os delegados, afetando diretamente a disponibilidade e a prontidão de nossos profissionais, levantando a indagação: a quem interessa desmantelar a PF?”, afirmam os delegados no documento.

A ADPF também criticou a PEC da Segurança Pública, apontando a falta de diálogo com as forças de segurança em sua elaboração e o desalinhamento da proposta com as reais necessidades da segurança pública no País. Segundo a entidade, a medida não fortalece a estrutura da PF nem enfrenta os desafios estruturais do setor, sendo considerada uma iniciativa política paliativa.

“O texto proposto não traz absolutamente nenhum incremento da capacidade de resposta da Polícia Federal no enfrentamento à criminalidade e não atende às reais necessidades dos órgãos de segurança pública”, pontua a entidade.

Entre as mudanças, a PEC prevê a atualização das competências da PF, ampliando seu escopo de atuação para incluir o combate a crimes ambientais, organizações criminosas e milícias com alcance interestadual ou internacional.

As críticas estão detalhadas em uma carta divulgada após o 9º Congresso Nacional dos Delegados de Polícia Federal, realizado na Bahia e promovido pela ADPF.

PAÍSES EMERGENTES DEVEM CONTRIUIR COM FINANCIAMENTO CLIMÁTICO

 

História de PATRÍCIA CAMPOS MELLO – Folha de S. Paulo

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Países europeus querem usar o G20 para emplacar sua proposta de tornar obrigatórias as contribuições financeiras de países em desenvolvimento para mitigação e adaptação climática. Segundo um negociador, países europeus como França e Alemanha querem emplacar essa exigência na declaração final da cúpula do G20. Hoje, pelo Acordo de Paris, os emergentes podem fazer contribuições voluntárias, e só os países ricos têm essa obrigação.

Mas o Brasil e outros emergentes não admitem negociar este ponto e apontam para o fato de os países ricos nunca terem cumprido, na totalidade, a meta acertada no Acordo de Paris de 2015, de US$ 100 bilhões de financiamento anual.

Além disso, países ricos querem que recursos do Banco Mundial e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) sejam contabilizados em suas metas de contribuição, segundo relatou um negociador. Também este ponto enfrenta oposição dos emergentes.

O tema da contribuição dos emergentes também está sendo debatido na reunião global do clima da ONU, a COP29, que ocorre até 22 de novembro em Baku (Azerbaijão).

Na visão do governo brasileiro, a atual cúpula do G20 é especialmente importante para as negociações climáticas, levando-se em conta que o presidente eleito americano, Donald Trump, declarou que vai retirar os EUA do Acordo de Paris quando assumir.

Com isso, o G20 será o único foro restante para discutir clima com a presença dos principais países ricos e dos emergentes -mesmo considerando que, em 3 dos 4 anos em que Trump participou da reunião do grupo em seu primeiro mandato, os Estados Unidos foram inflexíveis, e a cúpula terminou sem consenso por causa da questão climática.

Os líderes tiveram de fazer uma declaração no modelo 19 +1. Todos os países se comprometeram a apoiar as metas do Acordo do Clima de Paris, mas os EUA exigiram um parágrafo à parte, de dissenso, que começava dizendo que os EUA reiteravam sua decisão de se retirar do Acordo de Paris porque ele “prejudicava os trabalhadores e contribuintes americanos”.

Desta vez, a saída dos EUA do Acordo de Paris será mais rápida.

Quando foi criado, o Acordo de Paris tinha um prazo de três anos para que um país pudesse deixar o tratado, o que atrasou a saída determinada por Trump. Os EUA acabaram concretizando a saída do acordo em novembro de 2020 –ação que foi, depois, revertida pelo presidente Joe Biden ao assumir.

Agora, não há mais essa limitação, os EUA podem deixar o acordo em um prazo de um ano. Portanto, se Trump anunciar logo após sua posse, em 20 de janeiro de 2025, a saída será concretizada em janeiro de 2026. Depois, portanto, da COP30, em Belém.

LULA SERÁ CANDIDATO DE SI MESMO NAS PROXIMAS ELEIÇÕES

 

História de Notas & Informações – Jornal Estadão

Em recente entrevista à CNN internacional, na qual foi convidado a falar sobre 2026, o presidente Lula da Silva se disse pronto para tentar a reeleição e “enfrentar uma pessoa de extrema direita negacionista”, caso não haja outro nome da esquerda apto à tarefa.

Com a habitual característica de reunir, numa mesma declaração, disparates aparentemente contraditórios, o demiurgo afirmou que espera não ser necessário levar adiante sua candidatura e pregou a possibilidade de promover uma “grande renovação política no País e no mundo”, malgrado não ter hesitado em deixar evidente que só ele, hoje, é capaz de evitar o que considera o mal inconcebível – o triunfo da extrema direita.

O petista ainda incorporou um novo ingrediente à sua fala pendular entre a falsa modéstia e a real imodéstia: um candidato mais jovem não vai “resolver os problemas”, disse ele, que terá 81 anos em 2026 e encerrará um eventual quarto mandato com nada modestos 85 anos. Se problemas existem, eles estão escancarados na entrevista de Lula. Não se lhe questiona a liberdade de decidir o que deseja fazer daqui a dois anos para enfrentar o que quer que seja. Mas, com sua declaração, ele afronta a inteligência alheia.

Em primeiro lugar, na cosmologia da política, afirmar que não pensa em se reeleger é o maior sinal de que já opera em modo reeleição. Segundo, até os mais inexperientes auxiliares que dão expediente no Palácio do Planalto sabem que Lula não pensa em outra coisa senão no próprio poder – dele e do PT, necessariamente nesta ordem – e que nunca fez um real esforço para promover a “grande renovação política” que anuncia.

Sem vida partidária pregressa, Dilma Rousseff nunca passou de uma criação sua, sacada em 2010 sob conveniência para que Lula retornasse ao Palácio do Planalto quatro anos depois. Não conseguiu, porque Dilma não quis deixar a cadeira ao fim do primeiro mandato. Em 2018, preso pela Lava Jato, Lula recorreu a outro herdeiro, o hoje ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Atualmente, ninguém no PT é capaz de apostar uma viagem a Cuba para cravar um sucessor natural do presidente. Para Lula, renovação só é digna do nome quando surge umbilicalmente ligada ao líder supremo.

Fato é que Lula não somente já pensa na reeleição, como trabalha diariamente mirando a próxima disputa presidencial. Não são poucos os analistas que avaliam que ele só sairá do páreo se seu governo estiver nas cordas. Como escreveu a repórter Vera Rosa, neste jornal, o “modo disputa 2026? incluirá campanha publicitária, viagens de ministros para entregar obras e ações de enfrentamento à oposição nas redes sociais.

E é na oposição que está o terceiro problema exposto na entrevista. Lula “admite” o esforço de reeleger-se, ora vejam, para salvar o Brasil e os brasileiros da “extrema direita negacionista”. É como se o extremismo, que no Brasil atende pelo reacionarismo do bolsonarismo dito “raiz”, representasse a única força eleitoralmente viável da oposição.

Não mais representa, como se viu no equilíbrio político e partidário deixado pelas últimas eleições municipais. Embora sejam disputas de natureza distinta, ficou evidente uma inclinação do eleitorado por partidos e lideranças de centro-direita em detrimento de radicais, que correm o risco de ser substituídos ou ver reduzida sua musculatura eleitoral.

O espólio de Jair Bolsonaro, sublinhe-se, já é disputado a tapa, e é por isso que o ex-presidente tem tentado dar prova de vida quase diariamente. Mas Lula deixa evidente que é o bolsonarismo o alimento que lhe garantirá sobrevida eleitoral em 2026, razão pela qual recorre ao suposto mal eterno, representado pelo extremismo de direita, para justificar sua reeleição.

Eis a contradição explícita: Lula diz que não pensa em se reeleger e que só o fará se não houver outro nome capaz de enfrentar a extrema direita e, como pouco se move para encontrar tal nome, fica definido desde já que será ele o provável candidato de si mesmo. Uma alquimia retórica que revela Lula em estado bruto.

TRUMP VAI TERMINAR A GUERRA NA UCRÂNIA AINDA EM 2025

rasil e Mundo Guerra na Ucrânia

Zelensky afirma que guerra vai ‘terminar mais cedo’ com Trump como presidente

Byvaleon

Nov 17, 2024

História de George Wright – BBC News – BBC News Brasil

Zelensky afirma que guerra vai 'terminar mais cedo' com Trump como presidente

Zelensky afirma que guerra vai ‘terminar mais cedo’ com Trump como presidente© Getty Images

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou estar certo de que a guerra com a Rússia “terminará mais cedo” do que terminaria de outra forma assim que Donald Trump assumir a presidência dos Estados Unidos.

Zelensky disse ter tido uma “troca construtiva” com Trump durante uma conversa telefônica após a vitória de Trump nas eleições presidenciais dos EUA.

Ele não revelou se Trump fez exigências relacionadas a possíveis negociações com a Rússia, mas afirmou que não ouviu nada dele que fosse contrário à posição da Ucrânia.

Trump tem declarado consistentemente que sua prioridade é encerrar a guerra e parar o que ele chama de “desperdício de recursos” dos EUA, referindo-se à ajuda militar à Ucrânia.

“É certo que a guerra terminará mais cedo com as políticas da equipe que agora liderará a Casa Branca. Essa é a abordagem deles, a promessa deles aos cidadãos”, disse Zelensky em entrevista ao veículo de imprensa ucraniano Suspilne.

Ele acrescentou que a Ucrânia “deve fazer tudo para que esta guerra termine no próximo ano, termine por meios diplomáticos”.

Zelensky também reconheceu a dificuldade da situação no campo de batalha, com as forças russas avançando.

O presidente ucraniano destacou que a legislação dos EUA permite que ele se encontre com Trump apenas após a posse do líder americano em janeiro.

Trump e Zelensky têm uma relação tumultuada. Trump foi impeachment em 2019 devido a acusações de ter pressionado Zelensky para buscar informações comprometedoras sobre a família Biden.

Apesar das diferenças, Trump insiste que tem um “relacionamento muito bom” com Zelensky. Quando se encontraram em Nova York, em setembro, Trump declarou ter “aprendido muito” com o encontro e afirmou que resolveria a guerra “muito rapidamente”.

No entanto, Trump ainda não revelou como pretende encerrar o conflito.

Seus opositores democratas o acusam de se aproximar do presidente russo Vladimir Putin e afirmam que sua abordagem à guerra significaria a rendição da Ucrânia, colocando em risco toda a Europa.

Por outro lado, o chanceler alemão Olaf Scholz, que também falou com Trump após sua vitória, disse à imprensa alemã que o futuro líder dos EUA tinha uma posição “mais nuançada” sobre a guerra do que se imaginava.

Scholz disse ao jornal Süddeutsche Zeitung que sua ligação com Trump foi “talvez surpreendentemente, uma conversa muito detalhada e boa”.

No início deste ano, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou um pacote de US$ 61 bilhões (R$ 353,8 bilhões) em ajuda militar à Ucrânia para combater a invasão russa.

Os Estados Unidos têm sido o maior fornecedor de armas para a Ucrânia — entre fevereiro de 2022 e o final de junho de 2024, entregaram ou comprometeram armas e equipamentos avaliados em US$ 55,5 bilhões (R$ 321,9 bilhões), de acordo com o Instituto Kiel para a Economia Mundial, uma organização de pesquisa alemã.

 

MILEI DA ARGENTINA É UMA PEDRA NAS PRETENSÕES POLÍTICAS E CLIMÁTICAS DE LULA

 

História de Leandro Prazeres – Da BBC News Brasil no Rio de Janeiro

Javier Milei, presidente da Argentina

Javier Milei, presidente da Argentina© Getty Images

Trancados em uma enorme sala de reunião de um hotel à beira da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, diplomatas dos países que formam o G20 aos poucos foram percebendo o que, de alguma forma, já se temia havia alguns dias.

Ao longo das reuniões para negociar o texto do comunicado final, a chancelaria da Argentina indicou que não apoiava uma menção à taxação de super-ricos, uma das principais bandeiras da presidência brasileira do G20.

O G20 é o grupo das 19 maiores economias do mundo, além da União Europeia e União Africana. Neste ano, o grupo vem sendo presidido pelo Brasil e a cúpula acontecerá no Rio de Janeiro na segunda (18/11) e terça-feira (19/11).

Em diplomacia, discordâncias durante negociações envolvendo tantos países são vistas como normais.

Não à toa, os “sherpas”, termo usado para designar os negociadores de cada país, estão se reunindo há nada menos que cinco dias em um hotel no Rio de Janeiro, para tentar finalizar uma versão preliminar do comunicado final do G20.

Mas a oposição argentina à taxação de super-ricos foi apenas o episódio mais recente de uma série de discordâncias do país vizinho em relação a temas considerados importantes pela diplomacia brasileira.

A postura da Argentina vem sendo cada vez mais interpretada por diplomatas brasileiros e especialistas ouvidos pela BBC News Brasil como um aprofundamento de uma política externa mais radical que pode se tornar uma espécie de “pedra no sapato” para o Brasil não apenas no G20, mas para além dele.

Discordâncias em série

Antes de a Argentina anunciar sua oposição à taxação de super-ricos, o governo argentino já havia dado outras demonstrações que inspiravam desconfiança entre os diplomatas brasileiros.

A primeira teria sido o envio de diplomatas com pouca experiência ou ascendência sobre o governo Milei para as negociações ocorridas durante a presidência brasileira do G20. Apesar de a cúpula de líderes ocorrer apenas na semana que vem, o grupo teve dezenas de reuniões ao longo de todo o ano.

O envio de delegações pouco experientes foi interpretado como uma demonstração de pouca deferência dos argentinos pelo G20.

A segunda aconteceu em outubro, quando o país foi o único a não assinar uma declaração ministerial em favor da igualdade de gênero e empoderamento da mulher.

A medida chamou atenção de diplomatas porque os termos usados no texto foram aceitos inclusive por países que, tradicionalmente, se oporiam ao tema como a Arábia Saudita e China.

A decisão argentina foi criticada até pela primeira-dama do Brasil, Rosângela da Silva, durante um evento nesta semana no Rio de Janeiro.

“A voz das mulheres precisa ser ouvida, e o GT [Grupo de Trabalho] de Empoderamento saiu com uma resolução muito forte, muito potente. Infelizmente tivemos um país, que foi a Argentina, que por questões, enfim… não assinou a resolução porque tinha lá, no começo da resolução, igualdade de gênero” afirmou.

A terceira aconteceu na semana passada, quando o governo argentino anunciou que o país se retiraria das negociações em curso na Convenção da Organização das Nações Unidas para o Clima no Azerbaijão, a COP29.

O movimento, que não tinha precedente na história recente da diplomacia argentina, apontou para um maior isolamento do país em uma área vista como prioritária para a política externa brasileira: mudanças climáticas.

Em comum, tanto a mudança climática quanto a agenda de empoderamento feminino são vistos por lideranças de direita como agendas de uma suposta esquerda global à qual políticos como Milei e o ex-presidente Bolsonaro se colocam contra.

A oposição do governo Milei à taxação dos super-ricos durante a negociação os “sherpas” no Rio de Janeiro chamou ainda mais atenção porque os ministros das áreas de finanças dos países do grupo já haviam aprovado, em julho deste ano, uma declaração mencionando a taxação dos chamados “ultrarricos”.

Tudo isso se soma ao fato de que, segundo uma fonte do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Milei não pediu uma visita bilateral com Lula por ocasião de sua vinda ao Brasil para o G20. Será a segunda vez que o argentino virá ao Brasil e não se encontrará de forma bilateral com o petista.

No Brasil, a Cúpula de Líderes do G20 está agendada para os dias 18 e 19 de novembro de 2024, no Rio de Janeiro, com a presença das lideranças dos 19 países membros, mais a União Africana e a União Europeia

No Brasil, a Cúpula de Líderes do G20 está agendada para os dias 18 e 19 de novembro de 2024, no Rio de Janeiro, com a presença das lideranças dos 19 países membros, mais a União Africana e a União Europeia© Getty Images

Efeito Trump?

Mas o que estaria por trás da postura do governo Milei?

Um diplomata brasileiro ouvido em caráter reservado disse à BBC News Brasil que o comportamento do governo argentino não chegou a surpreender o governo brasileiro e que é visto como uma espécie de “modus operandi” de Milei para tentar atrair para si as atenções durante o evento.

Ele disse, no entanto, que ainda seria cedo para decretar um bloqueio completo da Argentina sobre os dois temas (empoderamento feminino e taxação de super-ricos) uma vez que o texto final da cúpula só será divulgado na semana que vem, após as primeiras reuniões entre os chefes de Estado.

Isso significa que ainda há margem para novas negociações e mudanças e posicionamento entre os países.

Na avaliação de Leandro Morgenfeld, historiador e professor da Universidade de Buenos Aires, o possível boicote ao documento de consenso no G20 está relacionado com a postura de Milei de atacar as instituições multilaterais.

“Ele alinha-se de forma exagerada ao [futuro] governo Trump, que tem essa mesma posição de boicote a qualquer espaço multilateral. Em primeiro lugar, isso está em linha com as votações recentes do governo Milei na ONU, rompendo com a tradição argentina”.

Para o pesquisador e professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo, Matheus Pereira, o comportamento do governo argentino tem duas intenções.

A primeira, segundo ele, é “enquadrar” o corpo diplomático do país para pressioná-lo a adotar, sem contestações, a nova orientação da política externa do país.

No final de outubro, Milei trocou o comando do Ministério das Relações Exteriores e Culto do país, responsável pelas relações internacionais do país. Saiu Diana Mondino, vista como um nome moderado no governo, e entrou o empresário Gerardo Werthein, que atuava como embaixador do país nos Estados Unidos.

A medida foi tomada após o país votar a favor de uma resolução defendendo o fim do embargo econômico imposto a Cuba.

Milei, que se autoproclama um anarcocapitalista, faz pesadas críticas a regimes de esquerda como o cubano. Em entrevista no início de novembro, Milei disse que seu governo está investigando o caso e que pretende demitir os diplomatas envolvidos no episódio.

O professor diz ainda que o outro objetivo de Milei é ampliar a visibilidade sobre si mesmo.

“Isso faz parte de uma estratégia dupla: enquadrar a burocracia diplomática argentina, que o presidente e seus colaboradores consideram resistente à linha adotada pelo governo, e ganhar capital político”, afirma Pereira.

“Milei tem se esforçado para se afirmar como uma liderança internacional da extrema-direita, e adotar essas posições de grande repercussão, mas de custos políticos relativamente baixos, acaba sendo vantajoso”, completa.

Para o professor, a recente eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos também pode ter influenciado o comportamento do governo argentino.

Isto porque tanto Trump quanto Milei se apresentam como lideranças da direita internacional e que lutariam contra uma suposta aliança da esquerda global.

Morgenfeld, da Universidade de Buenos Aires, concorda que Milei tenta se projetar como um líder global “contra as agendas progressistas, que ele rotula como ‘comunismo internacional'”.

“Ao mesmo tempo, ele parece estar alinhando sua política externa ao possível futuro governo de Donald Trump, antecipando e reforçando as iniciativas de extrema-direita que visam enfraquecer as instituições multilaterais “, complementa Morgenfeld.

O professor argentino avalia que, após a vitória de Trump, Milei se sentiu fortalecido e tem adotado posturas ultraconservadoras, isolando a Argentina no cenário internacional.

Milei diz agora querer formar uma coalizão de países de extrema-direita enquanto desfaz consensos diplomáticos históricos do país, incluindo a defesa de direitos humanos e a autodeterminação.

Morgenfeld ainda aponta que sua estratégia envolve dinamitar a integração regional, atacando líderes como Lula e Gustavo Petro, presidente da Colômbia, além de propor acordos bilaterais com os Estados Unidos que podem romper o Mercosul.

“Se Milei conseguir consolidar essas políticas, será uma tragédia não apenas para a Argentina, mas para toda a América Latina. Por isso, as organizações sociais e políticas que resistem aos ataques de seu governo têm clareza de que é essencial impedir o avanço desse processo de destruição.”Javier Milei no evento 'America First Policy Institute Gala+' realizado em Mar-a-Lago, Flórida, EUA em 14 de novembro

Javier Milei no evento ‘America First Policy Institute Gala+’ realizado em Mar-a-Lago, Flórida, EUA em 14 de novembro© REUTERS/Carlos Barria

O professor Matheus Pereira, da FAAP, ressalta ainda que a postura de Milei “cria um problema ou distração em um dos últimos compromissos internacionais importantes de Biden“.

Nesta semana, Milei se encontrou pessoalmente com Donald Trump nos Estados Unidos, durante um evento na quinta-feira (14/11). O argentino foi o primeiro líder internacional a se encontrar com presidente eleito dos Estados Unidos após a eleição.

Consequências limitadas

Dois diplomatas brasileiros ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que os impactos que a postura argentina pode ter sobre o G20 é limitado.

Um deles apontou o fato de que a Argentina não teria o mesmo peso político que gigantes como os Estados Unidos, China e União Europeia, que também participarão da cúpula.

Nos bastidores, a diplomacia brasileira procura soluções para contornar um eventual veto da Argentina às menções como igualdade de gênero e a tributação de super-ricos no texto da declaração final que está sendo negociado pelos países.

Uma alternativa é incluir uma espécie de “nota” apontando a discordância explícita da Argentina aos temas sobre os quais ela se opuser.

A posição é semelhante à do professor Matheus Pereira.

“Eu acho que a postura do país cria um inconveniente, mas isso não vai parar os trabalhos. No final das contas, os argentinos é que vão arcar com o ônus do isolamento”, afirma.

Relações tensas

O clima das relações entre os atuais governos de Argentina e Brasil não é considerado amistoso.

Nas eleições de 2023, na Argentina, Lula indicou apoio à candidatura do então ministro da Fazenda, Sergio Massa, aliado do ex-presidente Alberto Fernández.

Ainda durante a campanha, Milei se aproximou do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) e proferiu ataques contra Lula chamando-o de “comunista” e fazendo alusões ao fato de o petista ter sido preso pela Operação Lava Jato.

Logo após sua vitória, os dois governos tentaram manter as relações protocolares, mas o evidente descompasso entre Lula, de centro-esquerda, e Milei, de direita, criou um cenário de relacionamento considerado por diplomatas como “frio”.

Em junho deste ano, durante entrevista, Lula disse que o argentino deve um pedido de “desculpas” ao Brasil e que ele falaria “muita besteira”.

Em julho, Milei veio ao Brasil, mas não se encontrou com Lula. Ele participou de um evento político de direita ao lado de Jair Bolsonaro, em Balneário Camboriú (SC).

Pouco depois, o Brasil atendeu a um pedido da Argentina para assumir a gestão da sua embaixada em Caracas, depois que o governo da Venezuela expulsou diplomatas argentinos do país.

Apesar disso, as relações entre os dois países parecem longe do período em que ambos conseguiram avanços que levaram à criação do Mercosul, no início dos anos 1990, ou mesmo da parceria política que havia entre Lula e Fernández e entre o petista e o ex-presidente Néstor Kirchner.

BIDEN ENCONTRARÁ AMAZÔNIA EM EMERGÊNCIA CLIMÁTICA POR SECA EXTREMA

 

História de VINICIUS SASSINE – Folha de S. Paulo

MANAUS, AM (FOLHAPRESS) – A amazônia com a qual Joe Biden se deparará no próximo domingo (17) —uma visita descrita pela Casa Branca como a primeira a ser feita por um presidente dos Estados Unidos em exercício— vive ainda os efeitos de uma emergência sem precedentes, associada, entre outros fatores, às mudanças climáticas.

Biden vai sobrevoar a região de Manaus, visitar o Musa (Museu da Amazônia) —um espaço verde na capital do Amazonas— e se encontrar com pesquisadores e lideranças indígenas, para em seguida voar ao Rio de Janeiro, onde ocorrerá a cúpula do G20, da qual o Brasil é anfitrião.

No curto período em que estará nessa parte da Amazônia ocidental, e nos limitados espaços a serem percorridos, o presidente dos Estados Unidos pode não ter a real dimensão da emergência climática enfrentada pelo bioma e pela população amazônida. Uma descrição da dimensão do problema deve ser feita por indígenas e cientistas escolhidos para o encontro com Biden.

O rio Negro, que margeia Manaus, segue em níveis críticos, numa lenta recuperação da seca mais severa já registrada. Novembro ainda registra ocorrência de queimadas no Amazonas. As chuvas estão abaixo da média para o período. A temperatura, acima da média.

Todos os 62 municípios do estado estão em alerta quanto aos níveis dos rios e em situação de emergência, segundo dados públicos da Defesa Civil do Amazonas atualizados na última quarta-feira (13).

A estiagem ainda impacta a população, com isolamento de comunidades e dificuldades de navegação pelos rios. Ao todo, 212,7 mil famílias –850,9 mil pessoas– já sofreram impactos da seca extrema no estado, conforme a Defesa Civil.

Na Amazônia brasileira, especialmente na parte ocidental, onde está o Amazonas, houve dois períodos de seca extrema seguidos, em 2023 e em 2024.

Os ciclos de cheia e estiagem são naturais, ocorrem de forma alternada todos os anos, mas a seca ganhou contornos extremos nos últimos dois anos, como nunca havia sido registrado.

Entre os fatores, estão o prolongamento do El Niño (aquecimento acima da média no oceano Pacífico, perto da linha do Equador), o aquecimento do Atlântico Tropical Norte, o desmatamento e a degradação da floresta —associada especialmente ao fogo— e as mudanças climáticas.

Os Estados Unidos são o segundo maior emissor mundial de gases de efeito estufa, principal causa das mudanças climáticas. Ficam apenas atrás da China.

O pior já passou na seca de 2024, com o início da elevação do nível dos rios e o aumento das chuvas. Mas o ritmo da transição de uma estação à outra é lento, o que prolonga os efeitos da estiagem, num período de seca que começou antes do esperado.

Em 122 anos de medições do nível do rio Negro no porto de Manaus, nunca houve tão pouca água quanto na seca de 2024. A cota do rio atingiu 12,11 m, em 9 de outubro deste ano. O pior ano até então havia sido 2023, com 12,7 m em 26 de outubro.

O rio começou a encher, mas ainda houve um repiquete —quando as águas voltaram a vazar— por dez dias. Nesta quinta (14), o nível do rio Negro em Manaus era de 13,09 m.

“O rio Negro tem registrado comportamento de recuperação, voltando a apresentar subidas, contudo os níveis ainda são considerados muito baixos para a época”, afirma boletim de monitoramento do SGB (Serviço Geológico do Brasil) da última terça (12). As chuvas na região estão abaixo da média esperada, segundo o relatório.

Conforme a Defesa Civil do Amazonas, o rio Negro em Manaus pode ficar abaixo de 16 m até a segunda quinzena de dezembro.

“Ao longo dos últimos dez anos, os níveis do rio iniciaram o mês de novembro, em média, com os valores de 18,28 m. Em anos sem eventos extremos, espera-se que o nível esteja próximo aos valores de 19,11 m em 1º de dezembro. Vistos os valores agora, somados aos fatores climáticos, espera-se valor próximo dos 13,73 m no início de dezembro”, afirma o órgão.

Uma vazante tão severa, a segunda seguida, pode ser o prenúncio de um terceiro ano acumulado de crise climática, em razão da incapacidade de recuperação dos rios.

Há, assim, um maior tempo para retorno dos níveis de navegabilidade dos rios, “mantendo o impacto do desastre de estiagem junto à população que utiliza o rio nas atividades do dia a dia”, diz a Defesa Civil. Na maior parte da Amazônia ocidental, os rios são a principal forma de deslocamento —a vida cotidiana gira em torno desses cursos d’água.

Os impactos da seca extrema prosseguem até o fim do ano e se estendem por janeiro, segundo previsão feita pelo órgão. Haverá menos chuva e dias mais quentes, aponta o relatório de novembro da Defesa Civil.

Nas duas primeiras semanas de novembro, houve 399 focos de calor no Amazonas, conforme registros de satélite do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Em todo o ano, foram mais de 25 mil queimadas, 31,5% a mais dos que os registros em 2023 (até 14 de novembro).

Manaus e outras cidades do estado, especialmente na parte sul, viveram ondas sucessivas de fumaça, que inundaram ainda comunidades ribeirinhas e tradicionais. Até a semana passada, havia fumaça no ar da capital, em dias sucessivos, embora em escala menor do que o verificado em agosto e setembro.

A escolha da equipe de Biden foi por uma visita a um museu com floresta na cidade, um espaço de grande procura por turistas, mas distante dos problemas enfrentados pelas comunidades que dependem do funcionamento regular dos ciclos da amazônia.

O Musa é uma parte verde em Manaus. A cidade é pouco arborizada e se configura numa mancha urbana encravada na floresta amazônica.

O museu ocupa 100 hectares da reserva florestal Adolpho Ducke, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). É um dos poucos lugares em Manaus onde turistas podem ter contato com a floresta. Há, no Musa, uma torre de 42 metros para observação das copas das árvores. Diversos grupos de pesquisa atuam no local.

GOVERNO FAZ PROPAGANDA DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E AUMENTA IMPOSTOS DIFICULTANDO ESSA TRANSIÇÃO

Para a ABSOLAR, a medida evidencia grande contradição entre discurso e prática e pode trazer queda de emprego, fuga de capital e elevação do preço da tecnologia aos consumidores

Novembro de 2024 – Enquanto a delegação do governo brasileiro faz propaganda sobre transição energética na COP 29 no Azerbaijão, um novo aumento de imposto foi publicado essa semana no País e coloca em sério risco os compromissos internacionais de combate às mudanças climáticas assumidos pelo Brasil. Trata-se da elevação do imposto de importação de módulos fotovoltaicos (painéis solares) de 9,6% para 25%, incluindo o cancelamento das quotas estabelecidas anteriormente, conforme publicação da Resolução GECEX nº 666, de 12 de novembro de 2024.

Na avaliação da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a medida, definida de maneira uniliteral, sem ouvir a sociedade e o mercado, evidencia uma grande contradição entre o discurso e a prática por parte do governo, já que pode comprometer os acordos internacionais assumidos de combate às mudanças climáticas, bem como impõe um risco real de aumento no preço da energia solar aos brasileiros, queda de investimento, fuga de capital, crescimento da inflação, perda de emprego e fechamento de empresas.

Nota técnica elaborada pela ABSOLAR traz um mapeamento sobre os projetos em potencial risco, que mostra que há, pelo menos, 281 empreendimentos fotovoltaicos em situação crítica, incluindo um montante de mais de 25 gigawatts (GW) e R$ 97 bilhões em investimentos até 2026. Estes projetos podem contribuir para a geração de mais de 750 mil empregos novos empregos e a redução de 39,1 milhões de toneladas de CO2.

Pela análise da entidade, a medida do governo pode inviabilizar os projetos por completo, por conta da perda automática do financiamento vinculado ao empreendimento, trazendo alto risco na modelagem financeira das usinas de grande porte. O financiamento desses empreendimentos exige um padrão de certificação e qualidade que as indústrias nacionais ainda não possuem, o que obriga a compra dos equipamentos importados, agora sobretaxado.

É importante destacar que a indústria nacional não consegue suprir nem 5% da demanda nacional de painéis fotovoltaicos, com uma capacidade de produção de 1 GW por ano, ao passo que a importação brasileira em 2023 foi de mais de 17 GW.

Também, a indústria nacional não concorre com as companhias de equipamentos importados, principalmente nas grandes usinas de geração fotovoltaica, uma vez que as companhias nacionais são meras montadoras de módulos, a partir de insumos totalmente importados.

“Essa elevação do imposto acarreta retração de postos de trabalho exatamente na cadeia mais pujante, que agrega os setores de distribuição e comercialização de equipamentos e os serviços de instalação e manutenção de sistemas fotovoltaicos. Dos 30 empregos gerados no setor solar fotovoltaico, somente dois estão na fabricação de equipamentos”, pontua Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR.

Linha do tempo: a escala do imposto de importação de módulos fotovoltaicos no Brasil

•             O imposto de importação para módulos sempre foi de 12% no Brasil, desde antes de 2014. Foi a partir daí que começaram a entrar os ex-tarifários, que ajudavam a baixar a alíquota da importação para produtos específicos;

•             De 2014 para cá, começaram a entrar vários ex-tarifários, que garantiram zerar a alíquota para importação dos módulos usados no mercado brasileiro;

•             ⁠Foi só em 2023, com a revogação de alguns ex-tarifários, que a alíquota do imposto passou a sair do zero para uma escalada;

•             De janeiro de 2023 para janeiro de 2024, a alíquota estava em 6%, incluindo a utilização dos ex-tarifários vigentes;

•             Neste janeiro de 2024, com a queda de mais ex-tarifários, a alíquota subiu para 9,6%;

•             E agora em novembro de 2024, com a revogação de muitos ex-tarifários, a alíquota chega em 25% e ainda cancela as quotas estabelecidas anteriormente.

Portanto, essa medida do governo é uma afronta dupla à transição energética: aumentou o imposto de importação e, ao mesmo tempo, derrubou mais ex-tarifários, o que torna ainda mais onerosa a energia solar para as empresas e a sociedade.

Sobre a ABSOLAR

Fundada em 2013, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) é a entidade do Brasil que reúne todos os elos da cadeia de valor da fonte solar fotovoltaica e demais tecnologias limpas, incluindo armazenamento de energia elétrica e hidrogênio verde. Com associados nacionais e internacionais, de todos os portes, a entidade é fonte de informação e articulação em prol da transição energética sustentável do Brasil.

 

FENÔMENO DE PRECONCEITO DE COMUNICAÇÃO POR PROXIMIDADE QUANTO MAIS CONHECEMOS ALGUÉM MAIS COMPARTILHAMOS OS MESMOS SENTIMENTOS

Sabrina Bezerra – Jornalista StartSe

De acordo com outro estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology, tendemos a presumir que outras pessoas compartilham nossos sentimentos sobre experiências parecidas, especialmente quando as conhecemos relativamente bem. E isso é um problema. Entenda!

Pessoas conversando no escritório (Foto: via Canva)

Antes de explicar o porquê, é importante que você saiba que, quando o time sente que sua liderança é empática, torna-se mais engajado, mais incluído e menos propenso a pensar em sair da empresa. Foi o que mostrou um estudo feito pela Catalyst, organização sem fins lucrativos global apoiada por CEOs.

“De acordo com outro estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology, tendemos a presumir que outras pessoas compartilham nossos sentimentos sobre experiências parecidas, especialmente quando as conhecemos relativamente bem”, conta a Inc.

“Família, amigos, funcionários – quanto melhor conhecemos alguém, mais tendemos a presumir que compartilhamos os mesmos sentimentos”, completa.

E isso é um problema. Como escrevem os pesquisadores:

“Propomos, no entanto, que a proximidade pode levar as pessoas a subestimar a forma como comunicam, um fenômeno que chamamos de preconceito de comunicação por proximidade.”


O resultado? Você não escuta atentamente. Você faz menos perguntas. Você presume que sabe como a outra pessoa se sente. 

“Dar um passo atrás para refletir sobre o que a outra pessoa pensa e sente pode diminuir ainda mais a precisão de suas suposições, porque ainda significa que você está fazendo suposições”, destaca a Inc


Por que pessoas emocionalmente inteligentes nunca dizem essa frase?

Em outras palavras, tentar demonstrar empatia faz com que a outra pessoa sinta que você está sendo menos empático, principalmente quando diz “eu sei como você se sente.”

Por que? “Por um lado, não importa quão bem você conheça alguém, é impossível saber como essa pessoa se sente”, destaca a revista.

Ao dizer “eu sei como você se sente” e depois tentar provar que entende, compartilhando sua própria história, você desvia a atenção da outra pessoa para você.

O que fazer? “Em vez disso, diga: ‘como você se sentiu?’ Ou: ‘O que você achou disso?’ Apenas ouça e faça perguntas simples. Pergunte como eles reagiram. Pergunte como as coisas aconteceram. Pergunte o que você pode fazer para ajudar a melhorar a situação”, sugere a Inc.

Por que importa?
Ao criar um ambiente seguro e acolhedor para que seus colaboradores expressem suas emoções, líderes podem fortalecer a confiança, o engajamento e a produtividade da equipe.

Lembre-se: A empatia verdadeira se manifesta através da escuta ativa, perguntas abertas e demonstração de apoio.

A STARTUP VALEON OFERECE SEUS SERVIÇOS AOS EMPRESÁRIOS DO VALE DO AÇO

Moysés Peruhype Carlech

A Startup Valeon, um site marketplace de Ipatinga-MG, que faz divulgação de todas

as empresas da região do Vale do Aço, chama a atenção para as seguintes questões:

• O comércio eletrônico vendeu mais de 260 bilhões em 2021 e superou pela

primeira vez os shopping centers, que faturou mais de 175 bilhões.

• Estima-se que mais de 35 bilhões de vendas dos shoppings foram migradas

para o online, um sintoma da inadequação do canal ao crescimento digital.

• Ou seja, não existe mais a possibilidade de se trabalhar apenas no offline.

• É hora de migrar para o digital de maneira inteligente, estratégica e intensiva.

• Investir em sistemas inovadores permitirá que o seu negócio se expanda, seja através

de mobilidade, geolocalização, comunicação, vendas, etc.

• Temas importantes para discussão dos Shoppings Centers e do Comércio em Geral:

a) Digitalização dos Lojistas;

b) Apoio aos lojistas;

c) Captura e gestão de dados;

d) Arquitetura de experiências;

e) Contribuição maior da área Mall e mídia;

f) Evolução do tenant mix;

g) Propósito, sustentabilidade, diversidade e inclusão;

h) O impacto do universo digital e das novas tecnologias no setor varejista;

i) Convergência do varejo físico e online;

j) Criação de ambientes flexíveis para atrair clientes mais jovens;

k) Aceleração de colaboração entre +varejistas e shoppings;

l) Incorporação da ideia de pontos de distribuição;

m) Surgimento de um cenário mais favorável ao investimento.

Vantagens competitivas da Startup Valeon:

• Toda Startup quando entra no mercado possui o sonho de se tornar rapidamente

reconhecida e desenvolvida no seu ramo de atuação e a Startup Valeon não foge disso,

fazem dois anos que estamos batalhando para conquistarmos esse mercado aqui do

Vale do Aço.

• Essa ascensão fica mais fácil de ser alcançada quando podemos contar com apoio de

parceiros já consolidados no mercado e que estejam dispostos a investir na execução de

nossas ideias e a escolha desses parceiros para nós está na preferência dos empresários aqui

do Vale do Aço para os nossos serviços.

• Parcerias nesse sentido têm se tornado cada vez mais comuns, pois são capazes de

proporcionar vantagens recíprocas aos envolvidos.

• A Startup Valeon é inovadora e focada em produzir soluções em tecnologia e estamos

diariamente à procura do inédito.

• O Site desenvolvido pela Startup Valeon, focou nas necessidades do mercado e na falta de

um Marketplace para resolver alguns problemas desse mercado e em especial viemos para ser

mais um complemento na divulgação de suas Empresas e durante esses dois anos de nosso

funcionamento procuramos preencher as lacunas do mercado com tecnologia, inovação com

soluções tecnológicas que facilitam a rotina dessa grande empresa. Temos a missão de

surpreender constantemente, antecipar tendências, inovar. Precisamos estar em constante

evolução para nos manter alinhados com os desejos do consumidor. Por isso, pensamos em

como fazer a diferença buscando estar sempre um passo à frente.

• Temos a plena certeza que estamos solucionando vários problemas de divulgação de suas

empresas e bem como contribuindo com o seu faturamento através da nossa grande

audiência e de muitos acessos ao site (https://valedoacoonline.com.br/) que completou ter

mais de 100.000 acessos.

Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:

• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas

de marketing;

• Atraímos visualmente mais clientes;

• Somos mais dinâmicos;

• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;

• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;

• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.

• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em buscadores, redes

sociais e em várias publicidades online para impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso

site e aumentar as suas vendas.

Proposta:

Nós da Startup Valeon, oferecemos para continuar a divulgação de suas Empresas na nossa

máquina de vendas, continuando as atividades de divulgação e propaganda com preços bem

competitivos, bem menores do que os valores propostos pelos nossos concorrentes offlines.

Pretendemos ainda, fazer uma página no site da Valeon para cada empresa contendo: fotos,

endereços, produtos, promoções, endereços, telefone, WhatsApp, etc.

O site da Valeon é uma HOMENAGEM AO VALE DO AÇO e esperamos que seja também uma

SURPRESA para os lojistas dessa nossa região do Vale do Aço.

CONTATOS:

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Fone Wpp: (31) 98428-0590

Site: valedoacoonline.com.br

 

sábado, 16 de novembro de 2024

MICHAEL STOTT EDITOR DO FINANCIAL TIMES ANALISA A SITUAÇÃO ECONÔMICA E POLÍTICA BRASILEIRA DO GOVERNO LULA

 

História de Marien Ramos, Américo Martins – CNN Brasil

Área econômica é o ponto mais fraco do governo Lula, diz editor do Financial Times ao CNN Money

Área econômica é o ponto mais fraco do governo Lula, diz editor do Financial Times ao CNN Money

Em entrevista exclusiva ao CNN Money, o editor de temas latino-americanos do Financial Times – um dos principais jornais de negócios e economia do mundo -, Michael Stott, analisou a situação econômica e política brasileira sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O jornalista também abordou questões como o pacote de corte de gastos prometido pelo governo, as expectativas em torno do G20 e o impacto das eleições dos Estados Unidos no cenário internacional e no Brasil. “Na parte econômica foi mais difícil, porque o governo Lula voltou atrás a uma estratégia do primeiro mandato de aumento forte de gastos e uma ideia de que o Estado é a solução para todos os problemas econômicos, e não é necessariamente o correto para hoje em dia. Então acredito que a parte econômica tenha sido o mais fraco do governo Lula”, afirmou Stott em entrevista ao analista sênior de assuntos internacionais da CNN, Américo Martins. Apesar da crítica, o jornalista vê com bons olhos a economia brasileira para os próximos anos. “Estou relativamente otimista, porque tem fundamentos fortes”, disse. Na exclusiva, Stott diz que o presidente Lula conseguiu acalmar o país depois de um momento difícil no começo do mandato. Ele também destacou a independência do Banco Central como ponto positivo e a disciplina fiscal na ponta negativa. Ainda na sua análise, o jornalista do Financial Times chega a dizer que o mercado continua cauteloso sobre a responsabilidade fiscal no Brasil, mas que a situação pode ser revertida caso o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anuncie em breve um pacote fiscal forte de redução de gastos. A entrevista foi realizada na véspera das eleições nos Estados Unidos, em 5 de novembro, com a vitória do republicano Donald Trump. Confira a entrevista exclusiva com o editor de temas latino-americanos do Financial Times, Michael Stott: Qual é sua avaliação do governo Lula até aqui? Quase dois anos, o que ele tem feito de correto, quais são os desafios e onde ele erra? Na verdade, o governo Lula teve um começo difícil com aquela história dos bolsonaristas em janeiro. Talvez o começo mais difícil que se poderia ter imaginado para um governo. Acho que o governo Lula enfrentou bem esse desafio, logrou acalmar o Brasil e manter a força institucional. Logo depois pôde começar a sua agenda, então houve o combate ao desmatamento, muito importante para o cenário internacional, um tema importante na mudança climática. Na parte econômica foi mais difícil, porque o governo Lula voltou atrás a uma estratégia do primeiro mandato de aumento forte de gastos e uma ideia de que o Estado é a solução para todos os problemas econômicos, e não é necessariamente o correto para hoje em dia. Então acredito que a parte econômica tenha sido o mais fraco do governo Lula. Na economia, o que tem funcionado e o que não tem funcionado? O que funcionou é o respeito até agora com a independência do Banco Central e o respeito às reformas feitas o governo Bolsonaro, como a reforma das previsões, que foi muito importante para o orçamento federal. A parte de menos sucesso tem sido a disciplina fiscal. O arcabouço fiscal, que foi a grande proposta, não foi bem recebido pelo mercado porque não achou que realmente representou uma disciplina fiscal necessária para o Brasil neste momento. As previsões do mercado agora são para deficit bastante elevado para os próximos três anos, um problema para o Brasil e por isso houve a queda do real. A grande discussão este momento é de como o Brasil pode cortar gastos para equilibrar as contas. Mas o governo não apresentou nenhuma proposta formal até este momento. Você espera que as propostas sejam apresentadas rapidamente? Acredito que vão ser apresentadas rapidamente, mas duvido que sejam suficientemente fortes para satisfazer o mercado financeiro. E a razão diso é que o governo está quase na metade, pensando nas próximas eleições, com vontade grande de gastar para ganhar votos. E você tem um Congresso que favorece o gasto, então a parte importante aqui também é o Congresso Federal e ele não tem mostrado muita disciplina fiscal nas suas propostas, ele gosta de gastar e não de forma muito eficiente. O governo Bolsonaro também teve problemas fortes com o Congresso e sua vontade de gastar. E isso é um problema estrutural do sistema político brasileiro. Isso não se resolve com poucas medidas, é preciso realizar um corte mais estrutural, mais profundo? Sim. É preciso achar um reequilíbrio dos Três Poderes. Se fala muito que no Brasil aumentou o poder no Congresso, mas não houve aumento na responsabilidade. A responsabilidade ficou para o presidente e para o governo, mas o poder ficou com o Congresso. E a isso é perigoso para qualquer sistema democrático. Como isso poderia ser feito? Acho que tem duas opções: uma é fortalecer a presidência e a outra é colocar um sistema parlamentarista. Esse sistema não é uma tradição latino-americana, não só do Brasil. Até agora não houve um país na América Latina que tenha adotado o parlamentarismo. Mas o Brasil nos 15 anos tem ido nesse sentido, informalmente, na prática. Voltamos ao ajuste de contas, aonde, na sua avaliação, deveriam ser feitos esses cortes mais profundo? Se fala que o Brasil gasta muito, mas gasta mal. O problema é a eficiência do gasto. O Brasil tem um nível de gasto muito elevado, entre os mais altos da América Latina, assim como de impostos. Mas tem muito dinheiro mal gasto e uma burocracia custosa e que não dá bons resultados. Na educação, se fala que o Brasil gasta como a França, olhando a representação do PIB, mas os resultados são bem inferiores. Uma questão sobre muito gasto e pouca eficiência. No governo passado houve uma reforma administrativa, que foi uma reforma bem pensada, muitos especialistas acharam que foi a coisa certa. Mas neste governo não foi retomada a iniciativa, e faz falta. Existe uma resistência muito grande de uma boa parte dos “cabeças do estado”. Como resolver essa questão? Isso também fica no Congresso. É uma instituição com orçamento muito generoso. O orçamento do congressista brasileiro é uma coisa inacreditável, não só o salário, mas outras despesas. Coisa que na Europa seria impensável. Mas é muito difícil pedir um legislador para votar por uma redução de gastos. É preciso uma conscientização do público para pedir esse tipo de reformas para ter um Estado que serve melhor o público brasileiro. No final das contas o que se quer é um orçamento gastado para o benefício do brasileiro, não para o funcionário do Estado. Você disse que muito dificilmente o mercado vai receber bem os cortes que provavelmente vão ser anunciado. Eles esperam mais cortes, melhor qualidade dos cortes ou por que eles não acreditam na gestão do presidente Lula e do ministro Haddad? Acredito que os mercados tenham dúvida sobre o compromisso do governo para lograr uma redução de deficit. Existe uma possibilidade disso ser revertido? Se o ministro Haddad saísse nesta semana ou na próxima com um pacote forte de gastos crível, com possibilidade de realizar, e o Congresso aceita, o mercado muda sua opinião. Não parece provável neste momento, mas que é possível é possível. Qual é sua avaliação sobre o ministro Fernando Haddad? O ministro Haddad é uma pessoa séria e com muita experiência politica. Uma pessoa que está se vendo em um governo com cabeças mais à esquerda do que ele. Uma pessoa que esta defendendo a disciplina e o gasto, pois outras vozes no PT estão argumentando por um gasto maior. E o Haddad fica em uma posição pouco confortável de limitar o gasto. E sempre fica a questão de até que ponto o presidente apoia ele ou não. Este ano tivemos um avanço importante, que foi a aprovação da primeira fase da reforma tributária. Qual é sua expectativa real da implementação disso? Simplificação fiscal é muito bem-vinda no Brasil, é uma coisa pedida há muitos anos por parte das empresas se setor privado. O Brasil tem um sistema tributário dos mais complicados e custosos de administrar. É um começo, é preciso regulamentá-lo e veremos na regulamentação se o Congresso quer seguir na linha da simplificação ou se começamos a ver um monte de isenções e interesses especiais — o que está começando a acontecer. Uma questão importante e geralmente uma crítica que vem sendo feita é a dos juros. Neste momento a inflação deve fechar acima da meta e mesmo assim os juros reais já são muito altos, com uma expectativa que aumentem. O que o governo deveria fazer de forma estrutural para os juros caírem? O governo está pagando nos juros um preço muito alto pela falta de disciplina fiscal. O que esta acontecendo com o nível alto dos juros — muito alto comparado com outros mercados emergentes — é pela desconfiança do mercado em reduzir os gastos. Então se o governo quer reduzir os juros é sair com um pacote de recortes fiscais importantes e criveis para o mercado que reestabelecesse a disciplina fiscal. Uma mudança que temos no início do ano que vem é o presidente do Banco Central. O economista Gabriel Galípolo, hoje diretor do Banco Central, ira assumir a presidência no lugar de Campos Neto. Você teme que o Galípolo seja mais leniente no combate à inflação? É uma preocupação do mercado. Conheci o Galípolo e é uma pessoa bem preparada, severa e que não tem intenção nenhuma de comprometer a independência do Banco Central, ele entende a importância da instituição. Ele vai defender a autonomia do Banco Central nas suas decisões. Falta ver na prática o que vai acontecer na sua presidência. Se o mercado chega a pensar que o Banco Central está perdendo independência, a tendência é castigar isso no mercado cambial. Voce está otimista? Acho que é cedo para avaliar. Uma outra crítica que existe é que o mercado joga contra o país, não só do governo da vez. Existe sempre a crítica de que o mercado nunca parece satisfeito. É uma crítica muito da esquerda e é resultado de uma falta de compreensão de como funciona o mercado financeiro. O mercado é livre e coloca preços sobre os riscos. O mercado reflete uma expectativa quanto à política econômica. Mas não tem um ponto de vista a favor ou contra do país. Qual é sua expectativa para e economia brasileira em 2025, 2026 e no futuro proximo? Estou relativamente otimista, porque tem fundamentos fortes. Um é a agorexportação, muito forte no Brasil e sucesso no setor privado nos últimos anos, sendo uma das industrias agroexportadores mais competitivas. E também tem o aumento da produção de petroleo, menos comentada, mas igualmente importante. O Brasil tem esses dois pilares que dão uma base muito forte, fora a inovação e o setor privado competitivo. A qustão é que poderia crescer mais com politicas corretas. Então é o setor publico que precisa fazer o dever de casa, fazer reformas e ajudar a alavancar a economia? Sim, porque acredito que o Brasil poderia estar crescendo a 5% ou 6% ao ano, como a Índia. O Brasil fez isso no passado, nos anos 50, 60 e 70. Foi o país que mais cresceu, estava crescendo quase 10% anual. Ele poderia voltar a crescer mais rápido, só precisa de políticas governamentais que vão favorecer o setor privado e deixar que esse crescimento aconteça, chamando o investimento estrangeiro. O que podemos esperar do encontro do G20 e o que isso pode ajudar na inserção global do Brasil? O G20 é um fórum que tem tudo muitas dificuldades nos ultimos 2 ou 3 anos pela invasão da Ucrânia, que dividiu os dois mundos. O Ocidente sempre quis punir muito a Rússia, o Putim, e isso cria uma divisão dentro do G20 e dificultou o diálogo. O Brasil tem um desafio muito grande. Se poderia lograr um consenso neste ano com a guerra ainda continuando. Qual é o impacto do resultado da eleição americana, dependendo de quem for o vencedor, para o Brasil? Para o Brasil, essa eleição é menos importante do que para outros paises do mundo.Os europeus estão preocupados com a guerra da Ucrânia, os mexicanos estão preocupados com o acordo de livre comercio. Para o Brasil, o impacto é menor, seria mais ao nível politico e diplomático. O presidente Lula se sentiria mais confortável com uma vitória de Harris, e os bolsonaristas vão estar felizes se ganhasse Trump de novo. Também o sucesso da COP no ano que vem, para o Brasil, será muito afetado. Trump não acredita no sucesso da COP e não virá provavelmente à COP, então isso seria muito complicado para o Brasil. Mas, no geral, o impacto é menor.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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