sábado, 21 de setembro de 2024

PUTIN PODE ESTAR BLEFANDO SOBRE O SEU ARSENAL NUCLEAR?

 

História de Realidade Militar

Arsenal nuclear russo pode estar comprometido, apontam especialistas.

A guerra na Ucrânia trouxe à tona uma das questões mais sensíveis para a segurança global: o poderio nuclear da Rússia. Em meio às sanções e ao embate com o Ocidente, as ameaças do Kremlin em relação ao uso de armas nucleares têm sido uma constante. Contudo, especialistas começam a questionar se essas ameaças são realmente fundamentadas ou se a Rússia estaria, na verdade, blefando. 

Com um arsenal de aproximadamente 5.600 armas nucleares, das quais cerca de 1.700 prontas para uso imediato, a Rússia possui o maior estoque de ogivas nucleares do mundo, herdado da antiga União Soviética. Porém, de acordo com análises recentes, manter essas armas em pleno funcionamento pode ser mais difícil do que parece.

Manutenção complexa e cara

Armas nucleares não são dispositivos que permanecem letais por tempo indefinido. Ao contrário, elas exigem uma manutenção constante e especializada. Um dos principais desafios é a preservação de seus componentes críticos, como o trítio, um isótopo de hidrogênio utilizado para aumentar a potência da explosão nuclear. O trítio tem uma meia-vida de apenas 12 anos e meio, o que significa que precisa ser substituído regularmente para garantir a eficácia das bombas.

Além disso, o plutônio, utilizado no núcleo dessas armas, precisa ser comprimido a uma densidade crítica para que a explosão ocorra. Esse processo envolve o uso de explosivos convencionais, que devem detonar com precisão absoluta. Caso contrário, a bomba pode falhar.

“Seja por falha nos explosivos ou por deterioração de componentes, uma bomba nuclear pode se tornar inoperante”, explica um especialista em armamento nuclear consultado pelo G1.

Declínio técnico e corrupção

Desde o colapso da União Soviética em 1991, a Rússia enfrentou dificuldades econômicas e administrativas que afetaram diretamente seu programa nuclear. Parte dos engenheiros e cientistas que trabalhavam no desenvolvimento e manutenção das armas nucleares já se aposentaram, e há dúvidas sobre se as novas gerações estão preparadas para assumir essas responsabilidades críticas.

Outro fator que contribui para o ceticismo em relação ao arsenal nuclear russo é o alto nível de corrupção nas Forças Armadas do país. A invasão da Ucrânia expôs a deterioração da infraestrutura militar russa, com relatos de tanques sem combustível e soldados mal equipados. Há quem questione se os fundos destinados à manutenção das armas nucleares não foram desviados, comprometendo a segurança do programa.

Prontidão questionada

A última vez que a Rússia realizou um teste nuclear foi em 1990, antes do fim da União Soviética. Desde então, o país tem se distanciado de testes nucleares, o que levanta suspeitas sobre a real capacidade de suas ogivas.

“Sem testes regulares, é difícil garantir que o arsenal esteja em pleno funcionamento. A falta de testes por mais de três décadas pode significar que muitas armas estão obsoletas”, avalia um especialista em segurança internacional.

Enquanto os Estados Unidos, por exemplo, investem bilhões de dólares na manutenção e modernização de seu arsenal nuclear, a Rússia tem priorizado outras áreas, como operações militares convencionais e intervenções no exterior. Isso pode ter deixado seu programa nuclear em segundo plano.

Impacto global

Mesmo com as dúvidas sobre a capacidade operacional das armas nucleares russas, o perigo não pode ser subestimado. Mesmo que apenas uma fração das bombas esteja em funcionamento, isso seria suficiente para causar um desastre global.

“A incerteza sobre o estado do arsenal nuclear russo é, por si só, uma arma poderosa. A dúvida mantém o mundo em suspense, e essa incerteza é o que torna a situação tão perigosa”, ressalta o especialista.

Conclusão

Enquanto as tensões entre a Rússia e o Ocidente continuam a escalar, o debate sobre a real capacidade do arsenal nuclear russo permanece aberto. Resta saber se o Kremlin está blefando, confiando na intimidação, ou se ainda possui um poderio nuclear funcional capaz de alterar o equilíbrio global.

PROTESTO EM BRASÍLIA CONTRA AS QUEIMADAS

 

História de Guilherme Cavalcanti – Agência Pública

Na tarde desta sexta-feira (20), manifestantes se reuniram em frente ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em Brasília, para exigir respostas imediatas do governo às queimadas que assolam o país. Segundo Ana Terra, uma das organizadoras do Jovens pelo Clima Brasília (JPC), ligado ao Fridays for Future, a escolha do MAPA como local de protesto “foi estratégica”. O motivo, segundo ela, é que grande parte das queimadas ocorre em propriedades privadas ligadas ao agronegócio, setor regulado e incentivado por políticas do próprio ministério.

Durante o protesto que reuniu aproximadamente 150 pessoas, foi realizada a leitura de um manifesto no qual se destacou que o Ministério do Meio Ambiente não deve ser o único responsável pela preservação ambiental no país. Segundo o documento, a proteção dos biomas e o combate às mudanças climáticas exigem uma ação coordenada e intersetorial, envolvendo outras pastas governamentais, como o Ministério da Agricultura, além de esforços conjuntos com estados, municípios e a sociedade civil. O manifesto enfatiza que, sem essa ampla articulação, as medidas adotadas serão insuficientes para enfrentar os desafios ambientais atuais.

  • Manifestantes do movimento Jovens pelo Clima Brasília e Fridays for Future durante ato em frente ao Ministério da Agricultura para exigir respostas do governo às queimadasManifestantes do movimento Jovens pelo Clima Brasília e Fridays for Future durante ato em frente ao Ministério da Agricultura para exigir respostas do governo às queimadas
  • Manifestantes do movimento Jovens pelo Clima Brasília e Fridays for Future durante ato em frente ao Ministério da Agricultura para exigir respostas do governo às queimadasManifestantes do movimento Jovens pelo Clima Brasília e Fridays for Future durante ato em frente ao Ministério da Agricultura para exigir respostas do governo às queimadas
  • Manifestantes do movimento Jovens pelo Clima Brasília e Fridays for Future durante ato em frente ao Ministério da Agricultura para exigir respostas do governo às queimadasManifestantes do movimento Jovens pelo Clima Brasília e Fridays for Future durante ato em frente ao Ministério da Agricultura para exigir respostas do governo às queimadas
  • Manifestantes do movimento Jovens pelo Clima Brasília e Fridays for Future durante ato em frente ao Ministério da Agricultura para exigir respostas do governo às queimadasManifestantes do movimento Jovens pelo Clima Brasília e Fridays for Future durante ato em frente ao Ministério da Agricultura para exigir respostas do governo às queimadas

“Precisamos agir agora, o futuro não demora, e nós não podemos demorar. Se as consequências são sentidas agora, também temos de atuar agora para mudar a nossa situação. Se o problema é um agronegócio sistematizado, que prejudica o meio ambiente em favor da exportação de commodities, então lancemos mão da agricultura familiar, fortaleçamos práticas agrícolas sustentáveis e não-exploratórias”, disse o JPC em manifesto.

Na leitura, os manifestantes destacaram a simbologia do ipê, uma árvore típica do cerrado, que mesmo com toda sua capacidade de florescer em tempos de seca, está ameaçado pelas mudanças climáticas. Através da metáfora, eles protestaram que a crise climática se intensifica por práticas como o desmatamento e queimadas, “muitas vezes promovidas pelo próprio agronegócio, setor que deveria ser regulado com maior rigor pelo Ministério da Agricultura”.

No âmbito do Distrito Federal, os protestos focaram em questões específicas, como a implementação e revisão do Plano de Adaptação Climática e a construção do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) com a participação popular, priorizando o combate ao racismo ambiental. Além disso, pedem punição para os responsáveis pelas queimadas na Floresta Nacional de Brasília.

Um aluno de 13 anos, presente no ato, expressou sua frustração pelas recentes queimadas que atingiram Brasília na última semana. “Eu não vejo ninguém da minha idade por aqui. “Essa é uma pauta atual que precisamos trazer. Na escola, enfrentamos isso. Por exemplo, havia muita fumaça na minha escola, as aulas não foram suspensas e não havia máscaras para ninguém.”

O movimento Jovens pelo Clima Brasília, ligado ao Fridays for Future, lidera a mobilização na capital federal. O grupo busca chamar atenção para a urgência das ações climáticas, alertando que o descaso com o meio ambiente compromete não apenas o futuro, mas também o presente das gerações atuais.

TOFFOLI ANULA PRISÃO E MULTA DE CORRUPTO IMPOSTA PELA LAVA JATO

 

História de admin3 – IstoÉ

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta sexta-feira, 20, todos os processos e provas envolvendo o empresário Raul Schmidt Felippe Júnior na Operação Lava Jato. Ele foi apontado pela força-tarefa como operador de propinas a servidores do alto escalão da Petrobras.

A defesa pediu a extensão de decisões que beneficiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o empresário Marcelo Odebrecht e o ex-governador paranaense Beto Richa (PSDB).

Toffoli concluiu que o empresário foi vítima de “conluio” entre o ex-juiz Sérgio Moro, a juíza Gabriela Hardt e procuradores da força-tarefa de Curitiba e que seus direitos foram violados nas investigações e ações penais. Eles foram procurados pela reportagem do Estadão para comentar a decisão. A magistrada informou que não vai se manifestar.

“Os constantes ajustes e combinações realizados entre os referidos magistrados e o Parquet apontados acima representam verdadeiro conluio a inviabilizar o exercício do contraditório e da ampla defesa pelo requerente”, aponta o ministro.

“Fica clara a mistura da função de acusação com a de julgar, corroendo-se as bases do processo penal democrático”, segue Toffoli.

A decisão toma como base diálogos hackeados de membros da Lava Jato, obtidos na Operação Spoofing, que prendeu o grupo responsável pelo ataque cibernético.

O ministro menciona, por exemplo, o desmembramento de processos e a suposta manipulação do ritmo de tramitação de ações penais para permitir a extradição e prisão do empresário, que tem nacionalidade portuguesa.

Toffoli afirma ainda que provas foram obtidas fora dos canais oficiais junto a autoridades da Noruega e de Mônaco. A decisão também põe sob suspeita as medidas cautelares decretadas contra a filha do empresário, o que na avaliação do ministro foi uma estratégia para pressioná-lo na investigação.

Foi decretada a “nulidade absoluta de todos os atos praticados” contra o empresário na âmbito da Lava Jato, inclusive na fase pré-processual.

O empresário foi absolvido pelo juiz Eduardo Fernando Appio, em sua primeira sentença ao assumir os processos remanescentes da Lava Jato. O magistrado foi substituído após uma curta e turbulenta passagem pela 13.ª Vara Federal Criminal de Curitiba.

Raul Schmidt foi denunciado pela força-tarefa como operador de propinas a funcionários da Petrobrás. Ele foi acusado de intermediar pagamentos em troca da contratação da empresa Vantage Drilling, em 2009, para fretamento de um navio-sonda. Os beneficiários dos pagamentos teriam sido Jorge Luiz Zelada (ex-diretor internacional da Petrobras) e Eduardo Vaz da Costa Musa (gerente-geral da área internacional).

A decisão se insere em um contexto maior de revisão de decisões e processos da Operação Lava Jato no STF. Foi Dias Toffoli quem anulou as provas do acordo de leniência da Odebrecht (atual Novonor), em setembro de 2023, o que vem gerando um efeito cascata que atingiu condenações e até mesmo um acordo de delação.

Com base na decisão do ministro, processos têm sido arquivados nas instâncias inferiores. Isso porque inúmeras ações derivadas da Lava Jato usaram provas compartilhadas pela construtora. Uma ação envolvendo executivos da Braskem por supostas fraudes de R$ 1,1 bilhão foi trancada no mês passado. Os acordos de colaboração premiada e de não persecução penal de Jorge Luiz Brusa também foi anulado, o que vai gerar a devolução de R$ 25 milhões.

PROPOSTA DE ORÇAMENTO DO GOVERNO FEDERAL PARA O ANO DE 2025

 

História de EDUARDO CUCOLO – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou em agosto ao Congresso o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) 2025 e, junto com ele, a publicação Orçamento Cidadão, que é elaborado desde 2010 com o objetivo de apresentar os documentos do processo orçamentário de maneira descomplicada.

Com base nesse documento, é possível elaborar um resumo da proposta de gastos para o próximo ano.

IMPOSTO DE RENDA É DESTAQUE NA ARRECADAÇÃO

O projeto, que ainda precisa ser aprovado pelo Congresso e sancionado pela Presidência da República para se tornar lei, prevê uma arrecadação de R$ 2,91 trilhões com as chamadas receitas primárias. O Imposto de Renda e as receitas previdenciárias são as maiores desse grupo.

A arrecadação total conta ainda com R$ 2,79 trilhões de receitas financeiras, o que inclui os valores que entram no caixa do Tesouro com as operações de emissão de títulos públicos e refinanciamento da dívida.

Orçamento de 2025 prevê R$ 5,7 tri em receitas (em R$ bilhões)

Imposto de Renda – 835

Receitas da Previdência Social – 714

Cofins (contribuição para seguridade) – 389

Demais impostos e contribuições – 970

Refinanciamento da dívida – 1.660

Emissão de Títulos – 848

Outras receitas financeiras – 289

Fonte: Orçamento Cidadão – Projeto de Lei Orçamentária Anual 2025/Ministério do Planejamento e Orçamento

PREVIDÊNCIA É A PRINCIPAL DESPESA

As despesas também são divididas entre primárias e financeiras, cada uma com cerca de 50% de participação no total, com destaque novamente para a Previdência Social.

O governo só tem controle efetivo sobre 8% das despesas primárias. Os outros 92% são de execução obrigatória, ou seja, são determinados pela Constituição Federal, pelas leis ou pelos contratos firmados.

Distribuição da despesa primária e financeira de 2025 (em R$ bilhões)

Previdência – 1.080

Assistência Social – 286

Saúde – 209

Educação – 162

Trabalho – 90

Demais Despesas Primárias – 1.100

Serviço da Dívida Interna – 1.560

Refinanciamento da Dívida Interna – 721

Demais Despesas Financeiras – 487

Fonte: Orçamento Cidadão – Projeto de Lei Orçamentária Anual 2025/Ministério do Planejamento e Orçamento

Despesa primária obrigatória representa 92% do total (em R$ bilhões)

Categoria – Valor

Obrigatória – Previdência – 1.080

Obrigatória – outras – 720

Obrigatória – transferência a estados e municípios – 559

Obrigatória – pessoal – 413

Discricionária (não obrigatória) – 230

Fonte: Orçamento Cidadão – Projeto de Lei Orçamentária Anual 2025/Ministério do Planejamento e Orçamento

GOVERNO ESPERA CRESCIMENTO MENOR EM 2025

A proposta também traz as principais projeções econômicas do governo para 2025, com destaque para os dados sobre o crescimento da economia, inflação, juros e salário mínimo. Esses números são previsões e ainda podem mudar ao longo deste ano, até a votação do projeto.

Principais projeções do governo para 2025

Indicador – Valor

Salário mínimo – R$ 1.509,00

Taxa média de câmbio – R$ 5,19

Inflação (IPCA) – 3,3%

Juros (Selic média) – 9,61% ao ano

PIB – 2,6%

Fonte: Orçamento Cidadão – Projeto de Lei Orçamentária Anual 2025/Ministério do Planejamento e Orçamento

OS MAIORES ORÇAMENTOS ENTRE OS MINISTÉRIOS

O documento elaborado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento também traz a distribuição dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social por Órgão da Administração Pública Federal.

O Ministério da Previdência, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, responsável pelos R$ 167 bilhões para o funcionamento do Bolsa Família, e o Ministério da Saúde têm os três maiores gastos.

Muitas pastas foram divididas por questões políticas nos últimos governos, o que faz com que alguns órgãos tenham status de ministério, mas orçamentos mais limitados. É o caso do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (que já fez parte da Agricultura), de Portos e Aeroportos (que já integrou os Transportes) e da Cultura (que já esteve ligada à Educação).

Isso também explica a existência de pastas que foram criadas ou desmembradas por sua importância e representatividade política, mas que possuem orçamentos mais enxutos, como os ministérios de Povos Indígenas, Esporte, Direitos Humanos, Mulheres e Igualdade Racial.

Ministérios com os maiores orçamentos (em R$ bilhões)

Ministério – Orçamento

Previdência – 1.030

Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome – 291

Saúde – 241

Educação – 200

Defesa – 133

Trabalho e Emprego – 121

Transportes – 30

Fazenda – 27

Justiça e Segurança Pública – 22

Cidades – 19

Ciência, Tecnologia e Inovação – 17

Agricultura e Pecuária – 11

Minas e Energia – 10

Fonte: Orçamento Cidadão – Projeto de Lei Orçamentária Anual 2025/Ministério do Planejamento e Orçamento

Ministérios e órgãos com orçamento intermediário (em R$ bilhões)

Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar – 5,9

Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional – 5,6

Ministério das Relações Exteriores – 5,1

Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – 4,7

Advocacia-Geral da União – 4,6

Presidência da República – 4,5

Ministério de Portos e Aeroportos – 4,2

Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima – 4,1

Ministério da Cultura – 4,0

Ministério do Planejamento e Orçamento – 3,7

Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – 3,1

Ministério das Comunicações – 2,0

Fonte: Orçamento Cidadão – Projeto de Lei Orçamentária Anual 2025/Ministério do Planejamento e Orçamento

Menores orçamentos (em R$ milhões)

Controladoria-Geral da União – 1.430

Ministério dos Povos Indígenas – 1.300

Ministério do Turismo – 1.080

Ministério do Esporte – 864

Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania – 475

Ministério da Pesca e Aquicultura – 257

Ministério das Mulheres – 240

Ministério da Igualdade Racial – 202

Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte – 132

Gabinete da Vice-Presidência da República – 16

Fonte: Orçamento Cidadão – Projeto de Lei Orçamentária Anual 2025/Ministério do Planejamento e Orçamento

ARCABOUÇO FISCAL

O documento também explica como funciona o arcabouço fiscal, tecnicamente chamado de Regime Fiscal Sustentável, substituto do Teto de Gastos.

Segundo o governo, o arcabouço deve garantir uma trajetória consistente para o resultado primário, diferença entre receitas e despesas primárias, ou seja, sem contar as receitas financeiras e os gastos com a dívida pública.

A meta para 2025 é um resultado zero (receita igual a despesa), com uma margem de erro de 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto) para mais ou para menos durante a execução do orçamento. As despesas podem crescer de 0,6% a 2,5% acima da inflação.

Há ainda um gasto mínimo com investimentos públicos, que não pode ser inferior a 0,6% do PIB. Esse valor pode aumentar se o superávit primário for maior que 0,25% da meta. Para o PLOA 2025, o piso de investimentos é de R$ 74,3 bilhões, sendo 73,1% destinados ao novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O QUE É ORÇAMENTO PÚBLICO?

Instrumento pelo qual o governo estima as receitas que serão arrecadadas ao longo do ano seguinte e, com base nelas, autoriza um montante de recursos a ser gasto na oferta de bens e serviços à sociedade. Ao apresentar receitas e despesas de forma organizada, o orçamento público torna-se um importante instrumento de controle social das ações governamentais.

COMO FUNCIONA O PROCESSO ORÇAMENTÁRIO NO GOVERNO FEDERAL?

– O Poder Executivo elabora o PLOA para o ano seguinte, levando em consideração as orientações dadas pelo PPA (Plano Plurianual) e pela LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

– O PLOA é enviado pelo presidente da República ao Congresso Nacional até 31 de agosto de cada ano.

– O PLOA é analisado pela Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização e vai ao plenário para apreciação de todos os parlamentares, que podem propor emendas ao projeto. A emenda pode modificar a previsão de receita, a destinação ou valor do gasto.

– Depois de aprovado, o projeto é sancionado pelo presidente da República.

O ORÇAMENTO PODE SOFRER AJUSTES?

– Após a publicação da Lei Orçamentária Anual, os órgãos federais estão aptos a utilizar os recursos para executar as despesas previstas no Orçamento

– Ao longo da execução, receitas e despesas são revistas a cada dois meses pelo Executivo. Caso haja arrecadação menor que a esperada, as despesas devem ser ajustadas por meio do chamado contingenciamento (bloqueio de gastos)

– Caso sejam necessários mais recursos, respeitando a meta fiscal, a LOA pode ser alterada por meio da aprovação de créditos adicionais

O QUE É RECEITA PRIMÁRIA?

É aquela decorrente da atividade de arrecadação fiscal ou gerada a partir do patrimônio do governo federal

O QUE É RECEITA FINANCEIRA?

É aquela decorrente da realização de empréstimos ou de aplicações financeiras pelo governo

O QUE É DESPESA PRIMÁRIA?

São as despesas destinadas à oferta de bens e serviços públicos para a população, como o pagamento das aposentadorias e outros benefícios

O QUE É DESPESA FINANCEIRA?

São os gastos destinados ao pagamento de dívidas contraídas pelo governo e à concessão de empréstimos a pessoas físicas e jurídicas

Fonte: Orçamento Cidadão – Projeto de Lei Orçamentária Anual 2025/Ministério do Planejamento e Orçamento

SAMBASPY O PERIGOSO VÍRUS BRASILEIRO

 

História de Felipe Payão – TecMundo

Usuários de internet da Europa, especificamente Itália e Espanha, são alvos de um novo malware chamado SambaSpy. O nome é referência ao seu país de origem: o Brasil.

O modus operandi do SambaSpy segue o padrão do “melhor” que o cibercriminoso brasileiro costuma produzir, que é o phishing. Phishing são aquelas mensagens falsas com textos incríveis que forçam a vítima a realizar um click ou toque para baixar um vírus ou entregar dados pessoais.

Em um relatório chamado “Exótico, SambaSpy agora está dançando com usuários italianos”, a empresa de cibersegurança Kaspersky detalha como o malware age e o que ele captura.

“Detectamos em maio uma campanha dirigida exclusivamente à vítimas na Itália”, afirma a Kaspersky. “Ficamos surpresos porque os cibercriminosos normalmente selecionam um alvo mais amplo para maximizar os seus lucros. Por exemplo, um determinado tipo de malware pode ter como alvo utilizadores na França e Espanha, com os emails de phishing escritos em ambos os idiomas. No entanto, para tal campanha, o código do malware não inclui verificações específicas para garantir que só funciona nos dois países. O que diferencia esta campanha é que, em várias fases da cadeia de infecção, são feitas verificações para garantir que apenas os utilizadores italianos acabem infectados. Isso nos levou a investigar mais a fundo e descobrir que os invasores estavam entregando um novo RAT como carga final, que apelidamos de SambaSpy”.

1

1Código (Kaspersky) O samba

O ataque do SambaSpy começa com emails phishing disparados para as vítimas. Neles, um anexo HTML ou link embedado é o responsável para iniciar a infecção: ele oferece um arquivo ZIP que baixa o malware e sua ativação é feita.

A indicação de autoria brasileira acontece porque, em alguns cenários, o link embedado no email redireciona a vítima para um servidor web com código JavaScript. Nesse código, existem comentários escritos em português.

No geral, o SambaSpy foi desenvolvido para roubar credenciais de navegadores como Chrome, Edge, Opera, Brave, Iridium e Vivaldi.

A Kasperksy ainda detalhou mais sobre suas capacidades: gerenciamento de arquivos de sistema e processos, baixar e subir arquivos, controle de webcam, controle do clipboard, realizar capturas de tela, gerenciamento remoto, roubo de senhas, adicionar plugins, iniciar shell remota e até interação com a vítima.

“Existem várias conexões com o Brasil, como artefatos de linguagem no código e domínios direcionados a usuários brasileiros”, relata a empresa. “Isto está de acordo com o fato de que os atacantes da América Latina muitas vezes têm como alvo países europeus com línguas estreitamente relacionadas, como Itália, Espanha e Portugal”.

No relatório, a empresa também finaliza comentando que os cibercriminosos por trás do SambaSpy alteram de modo contínuo seus métodos de ofuscação, endpoints C2 e textos phishing. Por isso, para se proteger de golpes do tipo, siga os seguintes passos:

  • Não acredite em mensagens incríveis que possam chegar aos seus emails, SMS e apps de mensagens (e não clique em link ou realize downloads)
  • Utilize um antivírus no seu dispositivo
  • Utilize segundo fator de autenticação em app terceiro em todas as suas contas.

X NOMEIA REPRESENTANTE LEGAL NO BRASIL

 

História de Por Ricardo Brito e Luciana Magalhaes – REUTERS

Logo da rede social X exibida em celular com reflexo do prédio do STF em Brasília, em imagem ilustrativa 30/08/2024 REUTERS/Ueslei Marcelino

Logo da rede social X exibida em celular com reflexo do prédio do STF em Brasília, em imagem ilustrativa 30/08/2024 REUTERS/Ueslei Marcelino© Thomson Reuters

Por Ricardo Brito e Luciana Magalhaes

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) – A plataforma de rede social X nomeou na noite desta sexta-feira a advogada Rachel de Oliveira Villa Nova Conceição como representante legal da empresa no país, em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), depois que a primeira pessoa escolhida pela rede social para ocupar o cargo desistiu do posto.

Os advogados do X no país encaminharam o nome de Conceição em petição enviada ao STF dentro do prazo de 24 horas estipulado na véspera pelo ministro da corte Alexandre de Moraes para que um representante legal da plataforma fosse nomeado.

A falta de um representante legal no país foi um dos motivos para Moraes determinar, no mês passado, o bloqueio da plataforma de propriedade do bilionário Elon Musk no país.

Antes de nomear Conceição, a plataforma chegou a contratar em meados deste mês a também advogada brasileira Vanessa Souza, atualmente residente na Inglaterra, mas a negociação entre ela e Musk acabou sendo desfeita antes mesmo do anúncio, de acordo com documentos vistos pela Reuters e pessoas com conhecimento do tema.

Conforme procuração vista pela Reuters, assinada no dia 13 de setembro, a advogada teria poderes para representar o X perante a jurisdição brasileira. A assessoria de imprensa de Vanessa Souza confirmou nesta sexta-feira a contratação e disse que ela desistiu da posição por questões “estritamente pessoais”.

Segundo pessoas próximas à situação, a desistência teria também sido motivada por notícias de que a plataforma teria deliberadamente descumprido decisão do STF, em meados desta semana, ao mudar os provedores de rede da empresa, burlando assim o bloqueio determinado no fim de agosto por Moraes.

Após a divulgação de uma atualização de rede do X, que restaurou o acesso por parte de usuários brasileiros, a empresa divulgou nota dizendo que a mudança não teve como objetivo trazer de volta a plataforma de mídia social ao Brasil, em descumprimento da lei, mas sim garantir a qualidade dos serviços em outros países da região.

O X correu contra o tempo para indicar um representante legal no Brasil. A empresa chegou a nomear os advogados André Zonaro Giacchetta e Sérgio Rosenthal para defendê-la perante o STF, mas, diante da falta de um representante legal, Moraes determinou na quinta-feira que a empresa apresentasse um nome em até 24 horas.

PARA REALIZAR UM BOM TRABALHO É PRECISO AMAR O QUE SE FAZ É O FLOW DE CADA UM DE NÓS

 

Giuliana Tranquilini – Professora e colunista da StartSe

Descubra o segredo do ‘Flow’ para encontrar paixão no trabalho e sucesso na carreira. Explore estratégias eficazes para revitalizar seu entusiasmo profissional e ative seu potencial com o ‘Leadership-in-Flow’, um novo método para liderança inspiradora.

Foto de ConvertKit na Unsplash

Para realizar um bom trabalho é preciso amar o que se faz? A jornada em busca da
paixão pelo trabalho é complexa, repleta de altos e baixos. 

Independentemente da profissão ou carreira escolhida, você certamente enfrentará períodos de desânimo ou incertezas sobre o seu cargo ou mesmo as suas escolhas, é uma experiência comum a todos.

Contudo, há estratégias eficazes para revitalizar o entusiasmo pelo trabalho. A chave pode estar no conceito de Flow, criado por Mihaly Csikszentmihalyi, que descreve um estado de absorção total numa atividade, quando você é capaz de se deixar levar e perder a noção do tempo.

De acordo com a biografia de Csikszentmihalyi, sua família foi duramente afetada
pela Segunda Guerra Mundial onde chegou a ser mantida em um campo de
concentração italiano. E foi justamente neste ambiente insalubre que ele teria
descoberto ainda criança sua primeira “atividade em flow”: o xadrez.

Na faculdade, chegou a assistir à palestra de Carl Jung, onde se interessou pelo
tema “felicidade” após conhecer húngaros presos na União Soviética. 

O que fazia com que alguns prisioneiros se mantivessem sãos enquanto outros foram
psicologicamente destruídos?

Observando pintores durante sua pesquisa de doutorado em criatividade notou as
características daquilo que, mais tarde, viria a chamar de estado de Flow. 

O pesquisador ficou impressionado como os artistas ficavam concentrados,
envolvidos e absorvidos durante o processo de pintura de um quadro. Perdiam a
noção do tempo, ignoravam necessidades biológicas, o cansaço e as obrigações
sociais. Você já se sentiu assim?

Ele observou que essa imersão durava enquanto a pintura estivesse incompleta. Assim
que o quadro era concluído, seus autores perdiam o interesse por aquela obra e
voltavam para a próxima tela. 

Mihaly entendeu que a motivação para a pintura estava no próprio processo de pintar, e não na antecipação frente a um belo quadro pronto. A jornada de trabalho era a recompensa.

Vocês devem estar se perguntando, por que eu, especialista em Personal Branding estou falando de Flow… Porque o Flow pode ser seu grande aliado em sua jornada de
Marca Pessoal.

Quando você identificar o que o mantém em estado de flow, maior sua chance
de sucesso e realização. Uma dica é lembrar que a atividade – o que você
estiver fazendo – não pode ser nem tão desafiador (ou seja, distante dos seus
talentos) que gere ansiedade, nem tão fácil para suas habilidades, a ponto de
instalar o tédio. 

Quando você se coloca no meio desses dois extremos, pode desenvolver um grande prazer em se desafiar, se superar e ir cada vez um pouco mais longe nesse processo.

Atividade diária

Os benefícios do Flow não se esgotam nesta descoberta, pois é possível atingir o
estágio de “Peak Flow”, termo elaborado pelo autor norte-americano Adam Grant, que propõe três breves passos para que você aplique o Flow em atividades do cotidiano, mesmo aquelas não tão satisfatórias. Isso requer um profundo autoconhecimento.

Adam Grant propõe o uso de “3 M” como fundamentais para atingir o pico do Flow: 

  • Mastery (domínio) 
  • Mindfulness (atenção plena) 
  • Mattering (significância ou propósito)

O domínio engloba a excelência e habilidade em determinada atividade. Quanto mais
dominamos uma tarefa, maior a chance de nos “perdemos” ao realizá-la.

A atenção plena, ou Mindfulness, se torna decisiva em tempos de notificações
constantes e o alto estímulo que recebemos dos nossos smartphones. Estar
completamente presente e engajado com o que estamos fazendo, sem distrações, é
um desafio. Uma breve meditação pode ajudar a retomar a concentração.

Por último, ter um propósito (significância) bem definido para o que fazemos
aumenta nossa motivação e a sensação de que nosso trabalho tem importância,
contribuindo para algo maior e a satisfação pessoal. Imagine-se fazendo um
curso que considera “chato” ou “complicado”. 

Investir tempo e dinheiro na matrícula teve um objetivo. Lembre-se dele e acione os dois primeiros “M” quando o desânimo chegar.

Agindo dessa maneira, você notará que suas ações se tornam autênticas e intimamente
ligadas com o que você é, a sua Marca Pessoal.

Recentemente, o Flow ganhou um upgrade, voltado para pessoas que ocupam ou pretendem ocupar um cargo de liderança, chamado de “Leadership-in-Flow”, foi
desenvolvido pelo autor e professor da Universidade de Columbia, Hitendra
Wadhwa.

Ao escrever “Inner Mastery, Outer Impact: How Your Five Core Energies Hold
the Key to Success”, ainda sem tradução no Brasil, ele define que podemos
ativar nosso potencial através do nosso “núcleo interno”, ativando Cinco Energias Centrais: Propósito, Sabedoria, Crescimento, Amor e Auto-Realização.

Ao utilizar a obra em seu disputado curso de Liderança na Columbia Business
School, Wadhwa determinou os caminhos para liderar dentro do Flow. Em seu
modelo de “Liderança em Flow”, você pode ativar seu núcleo interno
acessando as cinco energias acima no momento exato que uma situação tortuosa
acontece. 

Como? Por meio de uma ou 25 ações que levam apenas segundos para serem executadas, entre elas, apelar para propósitos e valores, criar o enquadramento correto e despertar alegria.

O sucesso do método tem sido tão grande que a revista de negócios da universidade concorrente à Columbia, a Harvard Business Review, trouxe um artigo extenso escrito pelo próprio autor, que explica detalhadamente cada uma dessas ações, distribuídas dentro das cinco energias centrais.

Não entrarei em cada uma delas agora, mas o segredo? Tenha uma meta de marca pessoal que seja autêntica. 

Com isso, o Flow poderá ser ativado em todas as suas potencialidades. Na hora que você desejar.

STARTUP VALEON UMA HOMENAGEM AO VALE DO AÇO

Moysés Peruhype Carlech

Por que as grandes empresas querem se aproximar de startups? Se pensarmos bem, é muito estranho pensar que um conglomerado multibilionário poderia ganhar algo ao se associar de alguma forma a pequenos empresários que ganham basicamente nada e tem um produto recém lançado no mercado. Existe algo a ser aprendido ali? Algum valor a ser capturado? Os executivos destas empresas definitivamente acreditam que sim.

Os ciclos de desenvolvimento de produto são longos, com taxas de sucesso bastante questionáveis e ações de marketing que geram cada vez menos retorno. Ao mesmo tempo vemos diariamente na mídia casos de jovens empresas inovando, quebrando paradigmas e criando novos mercados. Empresas que há poucos anos não existiam e hoje criam verdadeiras revoluções nos mercados onde entram. Casos como o Uber, Facebook, AirBnb e tantos outros não param de surgir.

E as grandes empresas começam a questionar.

O que estamos fazendo de errado?

Por que não conseguimos inovar no mesmo ritmo que uma startup?

Qual a solução para resolver este problema?

A partir deste terceiro questionamento, surgem as primeiras ideias de aproximação com o mundo empreendedor. “Precisamos entender melhor como funciona este mundo e como nos inserimos!” E daí surgem os onipresentes e envio de funcionários para fazer tour no Vale e a rodada de reuniões com os agentes do ecossistema. Durante esta fase, geralmente é feito um relatório para os executivos, ou pelas equipes de inovação ou por uma empresa (cara) de consultoria, que entrega as seguintes conclusões:

* O mundo está mudando. O ritmo da inovação é acelerado.

* Estes caras (startups) trabalham de um jeito diferente, portanto colhem resultados diferentes.

* Precisamos entender estas novas metodologias, para aplicar dentro de casa;

* É fundamental nos aproximarmos das startups, ou vamos morrer na praia.

* Somos lentos e burocráticos, e isso impede que a inovação aconteça da forma que queremos.

O plano de ação desenhado geralmente passa por alguma ação conduzida pela área de marketing ou de inovação, envolvendo projetos de aproximação com o mundo das startups.

Olhando sob a ótica da startup, uma grande empresa pode ser aquela bala de prata que estávamos esperando para conseguir ganhar tração. Com milhares de clientes e uma máquina de distribuição, se atingirmos apenas um percentual pequeno já conseguimos chegar a outro patamar. Mas o projeto não acontece desta forma. Ele demora. São milhares de reuniões, sem conseguirmos fechar contrato ou sequer começar um piloto.

Embora as grandes empresas tenham a ilusão que serão mais inovadoras se conviverem mais com startups, o que acaba acontecendo é o oposto. Existe uma expectativa de que o pozinho “pirlimpimpim” da startup vá respingar na empresa e ela se tornará mais ágil, enxuta, tomará mais riscos.

Muitas vezes não se sabe o que fazer com as startups, uma vez se aproximando delas. Devemos colocar dinheiro? Assinar um contrato de exclusividade? Contratar a empresa? A maioria dos acordos acaba virando uma “parceria”, que demora para sair e tem resultados frustrantes. Esta falta de uma “estratégia de casamento” é uma coisa muito comum.

As empresas querem controle. Não estão acostumadas a deixar a startup ter liberdade para determinar o seu próprio rumo. E é um paradoxo, pois se as empresas soubessem o que deveria ser feito elas estariam fazendo e não gastando tempo tentando encontrar startups.

As empresas acham que sabem o que precisam. Para mim, o maior teste é quando uma empresa olha para uma startup e pensa: “nossa, é exatamente o que precisamos para o projeto X ou Y”.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

  • Publicidade e Propaganda de várias Categorias de Empresas e Serviços;
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  • Publicidade e Propaganda das Empresas das 27 cidades do Vale do Aço, destacando: Ipatinga, Cel. Fabriciano, Timóteo, Caratinga e Santana do Paraíso;
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  • Ofertas de Revendedores de Veículos Usados de Ipatinga;
  • Notícias da região e do mundo;
  • Play LIst Valeon com músicas de primeira qualidade e Emissoras de Rádio do Brasil e da região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas e dos seus produtos em cada cidade da região do Vale do Aço;
  • Fazemos métricas diárias e mensais de cada consulta às empresas e seus produtos.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

OS PRÓS E CONTRAS AO HORÁRIO DE VERÃO QUE O GOVERNO QUER ADOTAR

BBC News Brasil

Horário de verão foi extinto pelo governo de Jair Bolsonaro em 2019, mas poderá voltar sob Lula, em meio à seca histórica

Horário de verão foi extinto pelo governo de Jair Bolsonaro em 2019, mas poderá voltar sob Lula, em meio à seca histórica© Getty Images

horário de verão voltou ao debate, diante das notícias de que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda a volta da prática, em meio à seca recorde que assola o país e à proximidade dos meses mais quentes do ano.

A medida, que adianta os relógios em uma hora, era adotada anualmente em partes do Brasil para diminuir o consumo de energia pelo melhor aproveitamento da luz natural, mas foi extinta em 2019, durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL).

À época, o governo argumentou que a economia de energia produzida era pouco significativa e não justificava a mudança.

Em declarações recentes, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem defendido a volta do horário de verão, argumentando que a medida cumpre dois objetivos importantes na gestão do sistema elétrico: garantir a segurança energética e a modicidade tarifária – isto é, que a conta de luz tenha preço justo.

“Todos os dados de pesquisas anteriores são positivos, fomenta a economia em diversos setores do Brasil, como turismo, bares, restaurantes e muitos outros segmentos. Ele também é importante para diminuir o despacho de termelétricas no horário de ponta”, disse Silveira em entrevista coletiva.

Segundo o ministro, a medida precisa ser estudada, porque impacta a vida das pessoas. E também depende de uma decisão política do governo.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Operador Nacional do Sistema (ONS) devem apresentar nos próximos dias um estudo sobre o horário de verão nas atuais circunstâncias. A decisão final caberá a Lula.

História do horário de verão no Brasil

O horário de verão foi instituído pela primeira vez no Brasil em 1931, durante o governo de Getúlio Vargas.

“A prática dessa medida, já universal, traz grandes benefícios ao público, em consequência da natural economia de luz artificial”, dizia o texto do decreto assinado por Vargas, datado de 1º de outubro daquele ano.

Horário de verão foi instituído no Brasil em 1931 no governo Getúlio Vargas

Horário de verão foi instituído no Brasil em 1931 no governo Getúlio Vargas© Getty Images

A medida foi repetida em anos seguintes, sem regularidade. A partir de 1985 — ano que foi marcado por uma seca histórica, que resultou em blecautes e racionamento de água —, o horário diferenciado passou a ser adotado anualmente, com duração e abrangência territorial definidas por decretos presidenciais.

Em 2008, um decreto tornou o horário de verão permanente, vigorando do terceiro domingo de outubro até o terceiro domingo de fevereiro do ano seguinte.

Até que, em abril de 2019, o então presidente Jair Bolsonaro também por decreto extinguiu a prática.

“O horário de pico hoje é às 15 horas e [o horário de verão] não economizava mais energia. Na saúde, mesmo sendo só uma hora, mexia com o relógio biológico das pessoas”, argumentou Bolsonaro, à época.

Mas quais são as vantagens e as desvantagens da mudança de horário? Listamos alguns dos argumentos citados pelos lados contra e a favor da medida.

Argumentos a favor

Economia de energia

Com o adiantamento dos relógios em uma hora, as regiões que adotam o horário de verão ganham uma hora a mais de luminosidade no fim da tarde, adiando o acionamento de lâmpadas e eletrodomésticos na volta do trabalho para casa.

Historicamente, a economia com a medida era de cerca de 4% a 5% da demanda no horário de pico.

Ao extinguir o horário de verão em 2019, porém, o governo Bolsonaro argumentava, com base em dados do ONS, que o pico de demanda no verão mudou ao longo dos anos, do fim da tarde, para o meio dela, devido ao acionamento dos aparelhos de ar condicionado nas empresas.

Nesse cenário, a economia esperada com o horário de verão seria da ordem de 0,5% a 0,7%, mas especialistas do setor elétrico argumentam que qualquer economia é bem-vinda diante da grave seca atual e da perspectiva de rápida redução do nível dos reservatórios hidrelétricos.

“A economia de energia é sempre pouca, mas como há pouca água, qualquer economia é importante”, diz Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel.

Fontes eólica e solar cresceram em participação na matriz elétrica brasileira, representando 15% e 7% da capacidade de geração instalada em junho de 2024, segundo dados da Aneel

Fontes eólica e solar cresceram em participação na matriz elétrica brasileira, representando 15% e 7% da capacidade de geração instalada em junho de 2024, segundo dados da Aneel© Getty Images

Nivalde de Castro, professor do Instituto de Economia e coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), observa ainda que o setor elétrico brasileiro mudou desde 2019, com maior participação das fontes eólica e solar na matriz energética.

Essas fontes, que geram mais durante o dia, podem ser melhor aproveitadas com a adoção do horário de verão, diz o especialista, reduzindo a necessidade de acionamento das térmicas, que produzem energia mais cara e poluente.

“Essas duas fontes [eólica e solar] operam de maneira muito característica: venta muito de manhã e faz muito sol à tarde. Por conta disso, o sentido do horário de verão mudou radicalmente, porque hoje ele se faz necessário para que se aproveite ao máximo essas fontes”, diz Castro.

“Se antes a mudança de horário era para diminuir o consumo no pico do fim da tarde, hoje ele serviria para usar ao máximo a energia eólica e solar, preservando a água dos reservatórios. A explicação técnica é essa.”

Edvaldo Santana observa ainda que o atual nível dos reservatórios hidrelétricos – acima de 50% em todas as regiões do país – ainda é confortável.

O problema, diz o ex-diretor da Aneel, é que eles estão esvaziando cerca de 8 pontos percentuais ao mês. Assim, até o início da temporada de chuvas na região Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, onde está a maior parte dos reservatórios de hidrelétricas do país (cerca de 70% do total), esses reservatórios podem chegar a 30% ou abaixo disso, um nível já considerado perigoso.

“É por isso que todo esforço está sendo feito para não deixar os reservatórios, que estão numa situação ainda boa, se esvaziarem”, diz Santana.

Além da possível volta do horário de verão, a Aneel acionou em setembro, pela primeira vez desde 2021, a bandeira vermelha nas contas de energia, uma forma de indicar aos consumidores através do preço que o consumo deve ser reduzido.

O ONS também poderá fazer, já neste ano, leilões para contratar reduções temporárias de consumo de energia por parte de grandes indústrias. Neste modelo, o governo busca incentivar grandes consumidores industriais a reduzir temporariamente seu consumo nos horários de pico, em troca de uma remuneração.

Mais vendas no varejo e nos bares

Uma segunda vantagem do horário de verão é o estímulo às vendas do comércio e dos bares, resultado da hora a mais de luminosidade.

“O tempo de luz natural a mais no começo da noite faz com que as ruas fiquem mais atrativas, trazendo vigor para o comércio. O movimento nos bares e restaurantes também cresce”, diz Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

“Por isso, estimamos um aumento de até 15% no faturamento com a mudança dos relógios, de forma que temos mais recursos circulando na economia, mais geração de empregos e a sociedade como um todo sai ganhando”, argumenta.

'Estimamos um aumento de até 15% no faturamento com a mudança dos relógios", diz representante do setor de bares e restaurantes

‘Estimamos um aumento de até 15% no faturamento com a mudança dos relógios”, diz representante do setor de bares e restaurantes© Getty Images

A Abrasel enviou na segunda-feira (16/9) uma carta ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com argumentos favoráveis à volta do horário de verão.

Entre os argumentos, a Abrasel citou pesquisa realizada pela associação em parceria com o site Reclame Aqui, que apontou que 54,9% das pessoas que responderam são favoráveis ao retorno do horário de verão no Brasil em 2024.

Para 16,9% a mudança é indiferente. Outros 28% se disseram contrários.

A pesquisa ouviu 3 mil pessoas e tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Segurança nas ruas

Um terceiro argumento em favor do horário de verão é a segurança.

“A evidência empírica sugere que uma hora a mais de luminosidade reduz homicídios, roubos e acidentes de trânsito”, disse Claudio Frischtak, sócio da consultoria Inter.B e especialista em infraestrutura, que publicou em 2019 um artigo sobre o tema em coautoria com Miguel Foguel e Renata Canini.

Estudo de 2016, realizado por pesquisadores da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), por exemplo, analisou dados de ocorrência de acidentes rodoviários entre 2007 e 2013. Segundo o estudo, nos Estados em que o horário de verão era adotado, houve redução de 10% dos acidentes em rodovias federais.

“Os testes revelaram que a realocação do horário de atuação da luminosidade durante o dia contribui consideravelmente na redução de acidentes em rodovias federais”, concluíram os pesquisadores.

“O impacto de transição para o horário de verão afeta o comportamento de direção dos motoristas em rodovias federais, principalmente ao entardecer.”

Exercícios físicos e uso do espaço público

Por fim, um último argumento daqueles que defendem o horário de verão é a possibilidade de fazer exercícios físicos ao fim da tarde e melhor aproveitar o espaço público.

O argumento foi usado até por Luciano Hang, dono das lojas Havan e apoiador de Bolsonaro, mas defensor da volta do horário de verão.

“Com o dia mais longo, as pessoas vivem melhor, vão às praias, praticam exercícios e têm mais qualidade de vida”, disse Hang em 2021, quando aderiu a um movimento de empresários pela volta do horário de verão.

Quem defende o horário de verão diz que ele permite aproveitar mais os espaços públicos

Quem defende o horário de verão diz que ele permite aproveitar mais os espaços públicos© Getty Images

Argumentos contrários

Dificuldade de adaptação

O principal argumento dos contrários à volta do horário de verão é que a adaptação é difícil e a mudança mexe com o relógio biológico.

Um estudo de pesquisadores brasileiros publicado em 2017 na revista Annals of Human Biology, com mais de 12 mil participantes, mostrou que menos da metade (45,43%) diziam não sentir nenhum desconforto com a mudança de horário.

E cerca de 25% diziam permanecer desconfortáveis durante todo o período de mudança de horário.

A dificuldade de adaptação tem razões biológicas: a alteração do horário mexe com a produção de hormônios como a melatonina e o cortisol, responsáveis respectivamente por dar sono e despertar o corpo.

A mudança também é mais penosa para adolescentes, que têm dificuldade de acordar cedo para aulas matinais, e para crianças pequenas, que têm necessidade de longas horas de sono e costumam ser sensíveis a mudanças de luminosidade.

Mudanças no ciclo agropecuário

Uma segunda desvantagem do horário de verão, segundo os contrários à medida, é que ele afeta o setor agropecuário.

O gado bovino, por exemplo, é sensível à mudança de horário das fazendas, que pode inclusive afetar a produtividade leiteira.

Críticos da medida dizem que ela prejudica o setor agropecuário

Críticos da medida dizem que ela prejudica o setor agropecuário© AFP

“Os bovinos são animais de hábito, todos os dias eles se alimentam num mesmo horário, são animais de rotina. Se os horários mudam repentinamente, isso causa um estresse no animal. No caso da vaca de lactação, pode inclusive diminuir o leite”, disse José Carlos Ribeiro, da Boi Saúde, consultoria especializada em saúde bovina, em entrevista à BBC News Brasil em 2021.

Mas há quem trabalhe no campo e não se importe com a mudança.

“As empresas trocam o horário, em vez de pegar às 7h, pega às 8h para a colheita da soja, então não prejudica em nada, eu acho que é bom”, disse Antônio Rodrigues da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Sapezal (MT), também em entrevista naquele ano.

Horários diferentes Brasil afora

Uma terceira desvantagem é a maior dessincronia entre os horários Brasil afora.

O Brasil é um país tão grande que tem quatro fusos horários: o de Brasília, que abrange a totalidade das regiões Nordeste, Sudeste e Sul, além dos Estados do Pará, Amapá, Tocantins, Goiás e o Distrito Federal; o de Fernando de Noronha (uma hora à frente de Brasília); o do Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (uma hora atrás de Brasília); e o do Acre e oeste do Amazonas (duas horas atrás de Brasília).

No horário de verão, Norte e Nordeste não adotam a mudança, que não faz diferença nessas regiões devido à proximidade delas com o Equador.

Assim, no horário especial, Roraima, Rondônia e Amazonas passam a ter duas horas de diferença em relação a Brasília e o Acre, três horas.

Isso dificulta, por exemplo, a realização de eventos nacionais, a tal ponto que, em 2018, o horário de verão foi mais curto, devido às eleições.

A pedido do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, o horário de verão naquele ano começou somente em novembro, para evitar atrasos na apuração dos votos e na divulgação dos resultados.

 

O GOVERNO PODERIA TER UTILIZADO MILITARES PARA UMA OCUPAÇÃO PACÍFICA DAS REGIÕES INCENDIADAS

 

História de Rui Martins – Correio do Brasil

No começo da semana, o Itamaraty convocou a imprensa para um “briefing”, em Brasília, sobre a participação do presidente Lula na abertura da 79. Assembléia Geral da ONU em Nova Iorque. Lula fará seu discurso na próxima terça-feira, dia 24.  Espera-se que ele explique a continuação dos desmatamentos e os atuais incêndios florestais em todo Brasil.

Por Rui Martins

O Brasil com desmatamentos e incêndios florestais apressa a mudança climática

Na ONU, deverão ser abordados uma série de temas atuais e urgentes como inclusão social, combate à fome, transição energética e reforma da governança global, o pacto global digital, prevenção de conflitos, desenvolvimento sustentável e multilateralismo. Alguns desses temas serão incluídos no discurso de Lula, logo depois da abertura da Assembléia Geral pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

Imagem meramente ilustrativa

Imagem meramente ilustrativa

No “briefing” dois jornalistas se referiram a um tema considerado obrigatório, uma dizendo “o país está pegando fogo” e seu colega, mais adiante, citando “a fumaça ali perto da capital federal”, provavelmente para saber se Lula daria um destaque, no seu discurso, aos incêndios de florestas que ocorrem em todo país. O porta-voz do Itamaraty, embaixador Cozendey, foi sucinto e comentou estar havendo “uma seca excepcional”, mas não disse se Lula dará um enfoque especial à questão.

Espera-se que sim, mesmo por uma questão de credibilidade, diante da importância dos incêndios não apenas no norte, na região amazônica, avançando pelo centro oeste no Estado de Goiás e chegando ao sudeste, no Estado de São Paulo, tornando o céu escuro e chegando a fumaça a países vizinhos.

Mesmo porque o Brasil acolherá, dentro de um ano, a COP30, a Conferência sobre mudanças climáticas, organizada pela ONU, na cidade de Belém,  capital do Pará, na região amazônica. Sem esquecer que, no ano passado, na abertura da Assembléia da ONU, Lula havia falado da emergência climática e prometido agir contra os crimes ambientais na Amazônia, como o desflorestamento pela serra ou pelo fogo. Mesmo se houve uma redução da ordem de 42% em certas regiões, os controles feitos por satélite mostram novos focos de queimadas em outras regiões destruindo o bioma natural original.

Os surgimentos recentes de novos incêndios florestais, favorecidos com a seca, foram trágicos por destruírem milhares de quilômetros quadrados de árvores e matarem animais, aves e pássaros vivendo em estado selvagem.  Algumas espécies vegetais podem ter sido destruídas definitivamente. Embora alguns incêndios tenham sido provocados involuntariamente pelos próprios agricultores com a chamada “queimada”,  costume utilizado tradicionalmente, embora condenado, para “limpar” com o fogo o que restou das colheitas nas terras cultivadas, a maioria dos focos de incêndio foi criminosa. No seu canal youtube, Bob Fernandes fala na suspeita de terem sido utilizados drones para o lançamento de produtos inflamáveis.

Mesmo se o agronegócio fale em milhões de perdas com a propagação dos incêndios incontroláveis, a destruição das árvores e vegetações nativas pelo fogo é a maneira mais simples e econômica de se preparar as terras para o plantio de cereais como a soja ou a criação de pastos para a criação extensiva de gado. Tanto os cereais como a carne bovina se destinam à exportação em grande escala para países asiáticos, numa reconversão regressiva do Brasil em país agrícola exportador de matérias primas.

Não se sabe como o presidente Lula irá explicar seu atraso contra o desmatamento das florestas brasileiras, frente à pressão do agronegócio, mesmo porque certos setores da esquerda também defendiam, no passado, a ocupação econômica da Amazônia, antes que fosse tomada por países ou empresas estrangeiras. É o caso de Aldo Rabelo, antigo presidente da UNE e durante anos membro do PCB, cuja visão da Amazônia não é a mesma da ecologista Marina Silva.

Em todo caso, os temores de Rabelo já se concretizaram com a implantação de missões evangélicas norte-americanas na Amazônia, destinadas a civilizar os indígenas, que deixam o xamanismo pelas doutrinas bíblicas. E com o avanço das empresas agropecuárias nas áreas desmatadas, sem se esquecer dos garimpeiros.

União Europeia vai punir o desmatamento

Como Lula poderia ter impedido totalmente ou reduzido a um mínimo a destruição das florestas brasileiras? Sem maioria no Parlamento é quase uma missão impossível. Mas poderia ter utilizado o patriotismo dos militares para uma ocupação pacífica da região, sem molestarem os indígenas, pelo Exército, com o objetivo de prenderem, expulsarem ou impedirem o acesso à região pelos grileiros,  missionários religiosos, garimpeiros, desmatadores e invasores do agro.

Como isso não foi feito e diante da destruição gradativa da Amazônia, a União Europeia deve começar a aplicar, a partir do fim deste ano, uma lei contra a importação e a comercialização de produtos provindos ou produzidos nas áreas desflorestadas desde 2020. Isso inclui uma enorme gama de produtos brasileiros atualmente exportados para a União Européia, como cacau, café, soja, óleo de palma, madeira, carne bovina, borracha, couro, móveis, papel e etc.

Diante disso, o governo brasileiro, depois de um encontro com produtores em áreas desmatadas ou desflorestadas, está pedindo à União Européia para adiar sine die, sem data fixa, a nova regulamentação anti-desflorestamento, por considerar tal exigência “um instrumento unilateral, punitivo e uma ameaça para suas exportações”, além de atentatória ao “princípio de soberania”!

Esse pedido formulado pelo Brasil à União Européia “é triste, lamentável e surpreendente (eu acrescentaria vergonhoso) porque contradiz o discurso do próprio presidente (na ONU em 2023)” declarou à Agence France Presse o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini. A entidade reúne uma centena de ONGs de proteção e defesa  do meio-ambiente.

Astrini lembra os discursos de Lula se comprometendo a acabar com o desflorestamento no Brasil até 2030. “De nada adianta fazer discursos em favor de uma produção agrícola durável se não se quer aplicar o mecanismo que torna isso possível”, diz Astrini.…

A agenda de Lula na ONU – Ver Itamaraty com jornalistas:

“Briefing” sobre a participação do Presidente Lula na 79 sessão da Assembléia Geralda ONU.

Discurso de Lula na abertura da Assembléia Geral da ONU em 2023 - https://youtu.be/WEvvAB81Rkg

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

BRASIL PEDIU AJUDA INTERNACIONAL PARA AJUDAR A COMBATER OS INCÊNDIOS

 

História de RICARDO DELLA COLETTA – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Pedidos feitos pelo Brasil por ajuda internacional para o combate à onda de incêndios no país esbarraram até o momento na oferta de aeronaves sem sistema de lançamento de água, e portanto consideradas inadequadas pelo Ministério do Meio Ambiente. A pasta diz precisar de aviões com esse equipamento e de helicópteros para o transporte de brigadistas.

Por outro lado, o governo brasileiro recebeu recentemente um pedido de auxílio do Paraguai, mas respondeu que enfrenta sua própria crise e que todos os recursos disponíveis do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) estão sendo empregados no país.

Por solicitação do ministério comandado por Marina Silva, o Itamaraty consultou Uruguai, México, Chile, Peru, Colômbia, Estados Unidos, Canadá e Paraguai sobre a possibilidade de envio de apoio no combate ao fogo na Amazônia.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, “foi solicitado, especificamente, apoio de aeronaves para o lançamento de água e/ou transporte de brigadistas e equipamentos nas operações de combate a focos de incêndios.”

“As ofertas de cooperação recebidas estão sendo objeto de análise técnica dos órgãos competentes”, afirmou o Itamaraty.

Ao menos Uruguai, México, Canadá e Chile sinalizaram que poderiam disponibilizar aviões e outros equipamentos.

Em 10 de setembro, o governo uruguaio colocou à disposição do Brasil uma aeronave modelo CASA C-212 Aviocar e 40 mil litros de líquido extintor de incêndio. O avião poderia ser empregado para ações de evacuação médica e transporte de carga e passageiros.

Para efetuar a cessão dos equipamentos, Montevidéu pediu que o Brasil informasse em qual localidade a aeronave ficaria baseada e onde a carga dos extintores poderia ser entregue.

A oferta foi reforçada pelo ministro da Defesa do Uruguai, Armando Castaingdebat, no dia 12, de acordo com registro oficial feito pelo Itamaraty visto pela Folha.

No caso do México, um representante da AMEXCID (Agência Mexicana de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento) informou a embaixada brasileira no país que, antes de considerar se seria possível ceder uma aeronave tipo C-105A, algumas informações eram necessárias: o local de atuação do avião no Brasil e o tempo estimado da operação.

Os mexicanos também perguntaram se Brasília assumiria os custos de combustível da aeronave nos deslocamentos internos no Brasil –as despesas da viagem de ida e volta do México seriam arcadas pelos donos do equipamento.

Questionado sobre as negociações tanto com o Uruguai quanto com o México, o Ministério do Meio Ambiente respondeu que o governo brasileiro perguntou a esses países se “haveria disponibilidade de aeronaves para lançamento de água, além de helicópteros para transporte de brigadistas em áreas de difícil acesso”.

“Os modelos mencionados, C-212 e C-105, são aviões (e não helicópteros) que não dispõem de sistema para lançamento de água, necessário para combater incêndios”, respondeu a pasta.

O ministério também informou que o Chile comunicou que poderia enviar um helicóptero. “As condições de operação estão em análise”.

O Canadá, por sua vez, disse ao Brasil que poderia emprestar dois aviões Cessana Caravan para apoiar no combate aos incêndios. Também sem tecnologia de dispersão de água, essas aeronaves poderiam ser empregadas para o transporte de brigadistas e de equipamentos.

Um dos países aos quais o Brasil recorreu por ajuda, o Paraguai enfrenta sua própria onda de queimadas.

Só na primeira semana de setembro, o país vizinho registrou mais de 6,8 mil focos de incêndio.

O país vizinho chegou a consultar a embaixada brasileira em Assunção sobre a possibilidade de envio de um avião com capacidade de despejar água para o Paraguai.

Autoridades do governo Lula (PT) responderam que o Brasil enfrenta situação semelhante com as queimadas –e que todos os meios disponíveis estão sendo empregados no combate a focos de incêndio no país.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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