A reforma no Judiciário impulsionada pelo presidente de esquerda
Andrés Manuel López Obrador, foi aprovada nesta quarta-feira(11), e o
México será o primeiro país a eleger todos os seus juízes por voto
popular.
A iniciativa foi promovida em um contexto de confronto entre López
Obrador e o Supremo Tribunal, que bloqueou leis que ampliavam a
participação do Estado no setor energético e deixavam a segurança dos
cidadãos nas mãos dos militares.
Seguem os principais pontos desta reforma constitucional, aprovada
graças às amplas maiorias conquistadas pelo partido no poder nas
eleições de 2 de junho, nas quais a esquerdista Claudia Sheinbaum foi
eleita presidente.
1. Eleição popular
A parte central e mais polêmica é a eleição popular de juízes e ministros, incluindo os do Supremo Tribunal.
Serão eleitos em votações extraordinárias, em 2025 e 2027, entre
candidatos apresentados pelos poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário.
Até agora, os membros do Supremo Tribunal eram nomeados pelo
presidente e aprovados pelo Senado, enquanto o Conselho Federal da
Magistratura nomeava juízes e desembargadores após exames e concursos de
mérito.
López Obrador garante que as eleições buscam livrar o Judiciário da
corrupção, mas a oposição, ONGs e os Estados Unidos alegam que a medida
mina a independência judicial e deixa os juízes vulneráveis ao tráfico
de drogas, que já afeta a política.
2. Caso único
A eleição popular de cerca de 1.600 juízes e magistrados federais, além de membros do Supremo Tribunal, é um caso único.
“Não existe em outros países”, afirma Margaret Satterthwaite,
relatora especial das Nações Unidas para a independência de juízes e
advogados e crítica do projeto.
Embora nos Estados Unidos alguns estados elejam juízes locais, o caso
mais semelhante ao do México é o da Bolívia, onde os ministros dos
tribunais superiores são eleitos pelo voto popular. Juízes de primeira
instância, no entanto, são nomeados por um conselho da Magistratura.
Porém, a independência dos magistrados eleitos foi questionada
durante a disputa entre o presidente Luis Arce e seu mentor e
ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019).
3. Corte no Supremo Tribunal
A reforma reduz o número de ministros do Supremo Tribunal de onze para nove e seus mandatos de 15 para 12 anos.
Também elimina a pensão vitalícia dos ministros e proíbe que seus
salários sejam superiores ao do presidente, medida já existente mas não
aplicada.
4. Novo órgão de supervisão
A reforma elimina o Conselho Federal da Magistratura, que administra e
fiscaliza a conduta dos funcionários judiciais, e determina a criação
de um órgão administrativo e de um Tribunal Judicial Disciplinar.
Este tribunal avaliará e investigará o desempenho dos juízes,
encaminhará possíveis casos criminais ao Ministério Público e solicitará
julgamentos políticos dos magistrados à Câmara dos Deputados.
No México, onde há cerca de 80 homicídios por dia, a impunidade
ultrapassa os 90%, segundo o Supremo Tribunal, que chama a atenção para a
necessidade de melhorar as capacidades dos órgãos de investigação antes
de promover uma “demolição” do Poder Judiciário.
5. Juízes sem rosto
A reforma incorpora juízes sem rosto ou anônimos para preservar a sua
segurança e identidade nos processos contra o crime organizado.
Esta figura é criticada pelo Escritório do Alto Comissariado das
Nações Unidas para os Direitos Humanos no México, por considerar que
impede o reconhecimento da idoneidade e competência dos juízes.
A medida foi aplicada em outros países da região. Na Colômbia, foi
adotada no final da década de 1980 para enfrentar uma escalada
terrorista do tráfico de drogas, mas sua eficácia na proteção dos juízes
e na garantia da justiça foi questionada.
Em El Salvador, como parte do estado de exceção promovido pelo
presidente Nayib Bukele, as autoridades foram autorizadas a prender
milhares de supostos membros de gangues sem mandado, que em seguida são
apresentados a juízes sem rosto que podem prorrogar a prisão
preventiva.
Ativistas dos direitos humanos denunciam que muitos inocentes morreram.
História de RICARDO DELLA COLETTA, JOÃO GABRIEL E RENATO MACHADO – Folha de S. Paulo
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) tem sido aconselhado a antecipar o anúncio do seu escolhido para
presidir a reunião global do clima da ONU de Belém.
A COP30 ocorrerá em novembro de 2025 na capital paraense. O plano
inicial do governo era realizar o anúncio do presidente da COP na
reunião deste ano, a COP29, em Baku (Azerbaijão).
Agora, a ideia em discussão no Planalto é que Lula revele o nome
durante suas agendas em Nova York, no final de setembro, quando ele
participa da abertura da Assembleia-Geral da ONU.
De acordo com interlocutores, Lula gostou da ideia e tem sinalizado
que planeja usar Nova York para fazer o anúncio, possivelmente em alguma
reunião paralela sobre meio ambiente.
Realizar a divulgação dois meses antes do previsto atende a diferentes objetivos, segundo membros do governo.
Uma das expectativas é criar um fato positivo e sinalizar para a
comunidade internacional que o Brasil está compromissado com a agenda
climática, num momento em que o país enfrenta a pior seca registrada
desde 1950 e uma onda de queimadas cujos efeitos são vistos e sentidos
no ar de várias regiões.
A avaliação é que a crise das queimadas tem ofuscado avanços do
governo na área, como a diminuição do desmatamento na amazônia e a
estagnação dos índices no cerrado.
Em outra sinalização para tentar responder à crise ambiental, Lula
voltou a prometer, na terça (10), a criação de uma autoridade climática
no país.
O presidente, porém, não indicou metas ou prazos para a criação do
órgão, que foi uma de suas promessas de campanha nas eleições de 2022 e
determinante no apoio de Marina Silva à sua candidatura.
A organização da COP funciona num sistema de troika: a presidência do
ano se articula com a anterior (no caso deste ano, Emirados Árabes) e
com a seguinte (Brasil).
Reuniões do trio ocorrem desde o início do ano, e o governo Lula já
escalou diferentes representantes para participar: a ministra Marina
Silva (Meio Ambiente), a secretária de Mudança do Clima da pasta, Ana
Toni, e o embaixador André Corrêa do Lago, secretário de Clima, Energia e
Meio Ambiente do Itamaraty.
O presidente da COP é o responsável por costurar as negociações climáticas e construir a agenda da conferência.
Em Belém, o principal ponto das negociações deve ser a revisão do
Acordo de Paris –que completará dez anos em 2025– e das chamadas NDCs,
as metas de redução de emissão assumidas pelos países.
Pessoas que acompanham o assunto dizem que Lula já definiu seu
escolhido, embora ainda não se saiba quem é. Na bolsa de apostas, o nome
considerado favorito é o do diplomata André Corrêa do Lago, secretário
de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty.
Nos últimos meses, diferentes auxiliares de Lula foram considerados
para exercer o cargo, entre eles os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e
Marina Silva (Meio Ambiente). Um nome que também foi avaliado foi o do
vice-presidente Geraldo Alckmin, que já acumula o ministério do
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Fora do circulo de ministros, outra candidata que sempre figurou na
bolsa de apostas é Ana Toni. A secretária no ministério do Meio
Ambiente, no entanto, sofre resistências no Palácio do Planalto e por
setores do agronegócio por ter a maior parte da sua carreira ligada ao
terceiro setor.
Além disso, um dos pontos vistos como barreiras tanto para Corrêa do
Lago quanto para Toni é o fato de que tradicionalmente a presidência da
COP seja exercida por um representante com status ministerial.
Assessores de Lula, porém, não veem esse ponto como um impeditivo
caso o escolhido seja empoderado pelo presidente para tocar as
negociações.
A COP em Belém é a grande aposta do terceiro governo Lula na área de
clima. A cidade receberá dezenas de milhares de visitantes, numa
conferência que carrega o peso simbólico de ser na amazônia e a primeira
num país democrático desde 2021 (no Reino Unido).
Organizações ambientalistas expressaram nesta quarta-feira (11)
preocupação com a falta de compromisso dos países do G20 em avançar em
direção a uma transição que elimine o uso de combustíveis fósseis.
Um rascunho da declaração do G20 consultado pela AFP “saúda e apoia
plenamente o resultado ambicioso e equilibrado” da COP28, que ocorreu em
Dubai no ano passado.
O texto, no entanto, não menciona explicitamente o apelo da COP para
que se realize “uma transição justa, ordenada e equitativa em direção à
eliminação dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos”, que foi a
principal conquista da conferência sobre o clima.
O documento de trabalho, com as cores da presidência brasileira do
G20 e datado de 24 de outubro próximo, dia previsto para uma reunião dos
ministros das Finanças do grupo em Washington, representa um retrocesso
em comparação com um rascunho anterior, também consultado pela AFP.
Esse texto incluía explicitamente o apelo para abandonar gradualmente
os combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás) como fontes de energia.
“Uma declaração do G20 que nem mesmo mencione a transição fora das
energias fósseis… por parte das 20 economias mais poderosas do planeta,
criaria um precedente preocupante”, destacou Maria Victoria Emanuelli,
da 350.org.
O Brasil, que preside o G20 e sediará a COP30 no próximo ano, tem “uma enorme responsabilidade”, enfatizou em um comunicado.
Os países do G20 reconhecem que representam “cerca de 4/5 do PIB mundial e das emissões de gases de efeito estufa”.
“A resistência dos países em mencionar explicitamente os combustíveis
fósseis e a necessidade de abandoná-los é evidente”, lamentou Stela
Herschmann, da ONG brasileira Observatório do Clima. Mas é impossível
limitar o aquecimento global a 1,5°C “sem enfrentar a raiz do problema”,
destacou.
“É muito preocupante que os países do G20 não tenham a vontade de
assumir sua responsabilidade de abandonar rapidamente as energias
fósseis prejudiciais e liderar os esforços para mudar nosso sistema
econômico atual”, acrescentou Shreeshan Venkatesh, da Rede de Ação
Climática (CAN-RAC) internacional, o principal coletivo de ONGs
observadoras das negociações internacionais.
“A Amazônia é esfolada viva”, diz nesta quinta-feira (12) a manchete de capa do jornal francês Libération.
Os incêndios na maior floresta tropical do mundo preocupam cientistas
em todo o planeta. Desde o início do ano, foram registrados 82.000 focos
de incêndio na região, agravados pelo aumento das temperaturas e uma
seca histórica.
Além da Amazônia, o Pantanal,
a maior zona úmida da Terra, e áreas de biodiversidade únicas, como o
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, também são consumidos pelo
fogo, descreve o Libération.
No Brasil, garimpeiros em busca de ouro e agricultores sempre tiveram
o costume de queimar a vegetação para preparar o solo antes do plantio.
Mas desde o governo do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro,
que incentivou essas práticas, as autoridades enfrentam novos inimigos
na preservação dos biomas: facções criminosas pró-desmatamento, assinala
o diário. Em São Paulo, mais de 90% dos incêndios ocorridos nas últimas semanas foram causados pela ação humana, o que surpreendeu as autoridades.
A especialista em clima Luciana Gatti, do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe), declara ao jornal francês que “a estupidez
humana e a corrida pelo dinheiro estão arrastando o mundo para um
suicídio coletivo”. “O mundo está comendo a Amazônia”, diz ela
revoltada, referindo-se ao desmatamento decorrente do plantio da soja
exportada para alimentação animal e o comércio do couro.
O francês Boris Patentreger, diretor da ONG Mighty Earth, endossa o
grito de revolta da brasileira, e diz que a França deve atualizar sua
estratégia nacional de 2019 contra o desmatamento importado. A
legislação europeia que entra em vigor em janeiro de 2025, proibindo a venda de produtos de áreas desmatadas, dá uma certa esperança à ONG Greenpeace.
Emergência climática
Mas o editorial do Libération enfatiza que o mundo está diante de uma emergência climática. O ponto de não retorno no papel regulador da Amazônia para
o equilíbrio climático global, tantas vezes evocado pelos cientistas,
está chegando mais rápido do que se pensava. “Os brasileiros e vizinhos
de oito países da região estão sendo asfixiados pela fumaça que já cobre
60% do território brasileiro”, aponta o jornal.
“Será que ainda é preciso lembrar o impacto desses incêndios sobre a
saúde humana”, questiona o editorial, diante do aumento de casos de
conjuntivite, rinite, asma, pneumonia e outras doenças agravadas pela
inalação da fumaça tóxica proveniente das queimadas.
O jornal de linha editorial progressista reconhece que o desmatamento
caiu pela metade no ano passado em relação a 2022. “Seria mentiroso
dizer que nada foi feito, mas é indiscutível que é preciso fazer mais,
muito mais, para preservar o que resta da Amazônia”, conclui o Libération.
Há quem diga que a inovação tecnológica seja prescindível para a
presença de uma empresa no mercado. Mas qual será o risco de permanecer
na zona de conforto enquanto a rotina de toda a sociedade se torna
digital?
De fato, é verdade que, para a realidade atual de muitas empresas,
implementar novas ferramentas ainda não é questão de vida ou morte. Mas o
empreendedor atento há de notar que quem está esperando o “momento
certo” pode descobrir ser tarde demais.
Afinal, ferramentas que já nasceram poderosas para qualquer negócio
têm sido refinadas cada vez mais depressa. Todos os dias, nasce uma
startup com uma solução revolucionária.
Embora estatisticamente a maioria delas venha a fracassar, são tantas
ofertas que muitas vingarão e transformarão a economia mais rápido do
que será possível acompanhar.
Então, pensando bem, talvez seja, sim, questão de vida ou morte para
as empresas que ainda “têm outras prioridades”. Mesmo porque, embora
seja verdade que muitas
empresas ainda sobrevivam sem inovações tecnológicas, permanecerem competitivas é outra história.
A economia evoluiu muito na última década
e é possível que alguns empreendedores não tenham tido a sensibilidade
para perceber como e por quê. Assim, o fato de que a tecnologia é
protagonista dessa nova era é o que vamos ver a seguir.
Neste artigo, você vai entender o que é inovação tecnológica, por que
ela é importante e quais são as tendências para os próximos anos.
Acompanhe e confira!
O que é inovação tecnológica?
história de stephen hawking
Se nos permitirmos à intuição, a compreensão popular nos dará uma
resposta aproximada para essa pergunta. Nesse caso, inovação seria
propor algo distinto e conveniente ao mercado. Inovação tecnológica é,
portanto, a mesma coisa relacionada à tecnologia.
Porém, os empreendedores que desejam se valer desse conceito para
agregarem valor às suas ofertas devem ir um pouco mais além. A inovação
tem um custo, e compreender o que ela custa é fundamental para garantir
os melhores resultados.
A seguir, vamos conferir quais são os paradigmas mais importantes da
inovação e como a tecnologia pode estar envolvida em todos eles.
Conceitos de inovação
Segundo Clayton Christensen, professor da Harvard Business School,
inovação é um conceito amplo, com causas e efeitos diversos. Sendo
assim, é essencial para as startups estar a par desses contextos para
aproveitar o melhor que a inovação pode oferecer.
No entanto, não devemos confundir inovação com invenção. Embora haja
uma aproximação desses conceitos, as invenções são produtos de
engenheiros e cientistas. As inovações, por outro lado, são propostas
por empreendedores, muitas vezes veiculando invenções com fins
comerciais.
Inovação incremental
O modelo mais comum de inovação visa à manutenção de uma empresa
diante de seu público consumidor. Perceba, por exemplo, como as grandes
líderes no mercado de smartphones frequentemente lançam novos aparelhos
com pequenas modificações.
Ainda que não sejam nada revolucionários, já que continuam a cumprir o
mesmos propósitos, 10 megapixels a mais na resolução de uma câmera é
suficiente para garantir as margens de lucro.
A isso, damos o nome de inovação incremental. Trata-se de pequenos
aperfeiçoamentos de um produto ou serviço que asseguram a continuidade
das ofertas. Por isso, a inovação incremental é uma necessidade para que
as empresas se mantenham competitivas.
Inovação de eficiência
Também muito frequente, mas menos visível aos consumidores, as
inovações de eficiência buscam otimizar a dinâmica da empresa. Seja para
aperfeiçoar os processos de produção, relação com parceiros ou a
experiência do cliente, esse tipo de inovação é tão importante para a
competitividade quanto as inovações incrementais.
Inovação radical
As inovações radicais são resultado de intensa pesquisa e estudo,
muitas vezes acidentais. Isso porque, antes de um produto ou serviço
radical ser proposto, é preciso antes haver uma invenção que o
justifique.
Nesse caso, é mais fácil para os empreendedores promoverem esse tipo
de inovação quando a invenção já foi lançada. Afinal, desenvolver um
produto inovador custa muitos recursos e não há garantias de que o
mercado receba a oferta de acordo com as expectativas.
Inovação disruptiva
Cada vez mais popular na era digital, a inovação disruptiva ainda é
muito mal interpretada. Muitos confundem disrupção com inovação radical.
A razão é compreensível: inovações disruptivas causam profundas
transformações no mercado.
Entretanto, segundo Christensen, a disrupção não é resultado de uma
proposta revolucionária. Do contrário, se trata de uma oferta de
simplificação e acessibilidade a um produto ou serviço geralmente caro e
complexo. Essa oferta invariavelmente tem bases em um modelo de negócio
otimizável a partir da tecnologia.
O efeito dessa conveniência pouco a pouco altera o contexto do
mercado e leva uma startup a dominar todo um mercado. Foi isso que
aconteceu com a Apple e seus computadores pessoais. Em alguns anos, não
mais se ouvia falar naqueles computadores gigantes e complicados.
Transformação digital
Considere agora os elementos de todos esses modelos de inovação. Com
exceção da inovação disruptiva, que é necessariamente tecnológica, todos
os outros poderiam ser resultado de um novo modelo de trabalho, certo?
Uma dinâmica diferente entre os trabalhadores pode criar um produto
diferente, ou acelerar os processos, ou criar um serviço completamente
transformador. O mesmo resultado, porém, pode ser alcançado com novos
programas, robôs ou um banco de dados inteligente.
Portanto, inovação tecnológica está em implementar recursos, a partir
da tecnologia, que produzam resultados positivos para o propósito da
organização.
Assim, o paradigma da nova economia faz da inovação tecnológica uma
necessidade. A razão disso está no fato de que o mercado está passando
por uma revolução: a transformação digital.
Mas não se engane em pensar que transformação digital seja apenas
manter um blog corporativo e utilizar chatbots na relação com os
consumidores. Muito mais que isso, a transformação digital é um processo
desafiador e necessário para todas as empresas que desejam se manter
atuantes no novo mercado.
Qual a importância da inovação tecnológica?
sabonetes mais vendidos no brasil
Otimiza processos
Uma das grandes vantagens da inovação tecnológica, especialmente em
função da transformação digital, é a otimização dos processos
corporativos. É importante se lembrar de que a transformação digital se
trata de uma cultura.
Uma vez que essa cultura está estabelecida, toda a atmosfera da
empresa passa a ser digital, e isso reflete na presença de recursos que
facilitam a rotina de trabalho em todos os aspectos. O resultado é uma
organização mais fácil e criativa.
Fortalece a cultura organizacional da empresa
Como consequência de uma relação mais dinâmica, em que os setores
podem se conhecer em níveis quantitativos profundos, passa a haver uma
comunicação mais clara entre todos. Evidentemente, porém, isso só é
possível se a liderança for capaz de implementar inovações tecnológicas
com esse propósito.
Mais uma vez, o conceito de transformação digital é de suma
importância, porque seus efeitos necessariamente afetam a estrutura
organizacional empresa. Embora esse seja um processo desafiador, o
resultado é uma colaboração virtuosa entre os profissionais,
caracterizada por uma cultura estável e efetiva.
Agrega valor à experiência do cliente
Lucro é o objetivo de qualquer empresa no mercado, certo? Portanto,
qualquer inovação que vise a aumentar as margens de lucro em raras
exceções passa despercebida pelos consumidores.
Seja uma inovação que acelera processos, aperfeiçoa produtos ou
otimiza a relação com o cliente, inovações sempre agregam valor à
experiência do consumidor final.
Assim, é seguro afirmar que qualquer implementação tecnológica bem
pensada não apenas garante seus resultados diretos, mas também afetam
positivamente a relação entre a empresa e seus clientes.
Aumenta a produtividade
O mesmo pode ser dito sobre os níveis de produtividade da
organização. Afinal, por menores que sejam os efeitos positivos de uma
inovação tecnológica, inevitavelmente a produção terá mais qualidade.
Isso pode ser entendido tanto como um efeito direto ou indireto da
inovação. No caso das causas diretas do aumento de produtividade, temos,
por exemplo, as:
automações;
simplificação de plataformas de trabalho;
integração de canais de comunicação.
Já as causas indiretas podem ser interpretadas a partir dos efeitos
positivos que a inovação provoca em outros setores, o que garante mais
domínio do mercado, proporcionando mais recursos. É o caso de:
chatbots;
marketing digital;
estratégia omnichannel.
Estimula a competição
Com vista em lucros, nenhum empreendedor deve se descuidar de seu
mercado competidor. É fundamental saber o que e como seus concorrentes
planejam oferecer mais valor aos seus consumidores.
Na medida em que uma empresa cresce, passa a ter potencial para
satisfazer uma demanda cada vez maior. Sendo assim, a inovação
tecnológica é tanto um meio de contribuir com essa escalabilidade quanto
de garantir que as ofertas tenham mais qualidade.
Dessa forma, todos ganhamos, já que todos participamos da mesma
sociedade de mercado. Pelo desejo de crescer, as empresas provocam uma
aceleração da melhoria das ofertas por meio das inovações tecnológicas,
permitindo o progresso ilimitado.
Quais são as tendências da inovação tecnológica?
Contudo, tratar de inovação tecnológica sem dar exemplos é muito
vago. Afinal, do que exatamente estamos falando quando usamos esse
termo? O que há de novo que as empresas podem utilizar como recurso que
otimize sua presença na economia?
A seguir, vamos conhecer brevemente as tendências mais importantes da
tecnologia e descobrir o que esperar para os próximos anos. Confira!
Big Data
As tecnologias associadas a conceitos como big data e data-driven
representam uma das mais importantes transformações da era digital. O
ponto central dessas inovações está em entender dados como verdadeiros
ativos de uma empresa.
A partir do rigor que só a tecnologia pode oferecer, o acúmulo de
informações sobre clientes e processos é capaz de proporcionar insights
poderosos, o que pode mudar o domínio de mercado de uma empresa.
Assim, com uma estrutura inteligente de coleta, enriquecimento,
categorização e manipulação de dados, é possível gerar resultados
analíticos:
descritivos;
preditivos;
prescritivos;
diagnósticos.
Inteligência Artificial e Machine Learning
Para quem gosta de ficção científica, a inteligência artificial é a
maior evidência de que estamos no futuro. Hoje, os robôs não apenas são
verdadeiramente interativos, respondendo todas as nossas perguntas, como
também aprendem cada vez mais rápido.
É possível que, em breve, a capacidade da inteligência artificial em
termos de processamento e aprendizado se equipare ao próprio potencial
humano. Há quem tema até uma evolução que dê início a uma supremacia das
máquinas.
Em todo caso, não se pode negar que os robôs têm sido um dos recursos
mais importantes das empresas. Afinal, eles não precisam de motivação,
descanso, alimentação e são facilmente programáveis para cumprir
qualquer função.
Blockchain
Com a crise econômica de 2009, uma alternativa para o dinheiro deu
origem a um dos sistemas mais inteligentes de descentralização de
ativos. A blockchain, engenharia computacional desenvolvida para a
criptomoeda Bitcoin, abriu precedentes impensáveis.
Basicamente, o sistema une a segurança da criptografia a uma rede de
centros de comunicação que validam, juntos, todas as informações
adicionadas ao sistema. Isso torna a manipulação incondicionada das
informações praticamente impossível.
Em suma, a blockchain é maior revolução de todos os tempos no que diz
respeito à proteção de dados de um sistema dinâmico (como a economia ou
uma rede de contratos inteligentes).
Computação na Nuvem
Parte da transformação digital tem a ver com essa poderosa inovação
tecnológica. A computação na nuvem permitiu que empresas pudessem
armazenar dados digitais em um servidor independente.
A redução de custos com espaços físicos e estruturas de tratamento de
informação é enorme. Dessa forma, o mercado passou a ser um terreno
fértil para uma multiplicidade de empreendedores que, antes, não podiam
estruturar suas próprias plataformas de negócio.
Realidades Aumentadas, Virtuais e Mistas
Na era digital, especialmente para o varejo, um grande desafio é
estabelecer confiança diante dos consumidores. Afinal, garantir que o
cliente tenha uma boa experiência de compra depende de que ele esteja
seguro ao tomar a decisão de engajar com a empresa.
Mas como assegurar que o cliente tenha uma boa impressão de um
produto ou serviço que ele só vai experimentar depois de adquirir? Para
isso, os recursos de realidade virtual, aumentada e mista podem ser os
catalisadores de grandes negócios.
A partir dessas tecnologias, os consumidores podem estabelecer uma
conexão mais profunda em sua experiência. Assim, as empresas
proporcionam uma amostra virtual de seus produtos ou serviços, ou até
promovem uma interação única, garantindo a fidelização.
Internet das Coisas
Já não é nada extraordinário usar o smartphone para acessar a
internet. Mas houve um dia em que isso era revolucionário. Hoje, o
impressionante é descobrir outros objetos com acesso à internet.
Contudo, podemos esperar pelo momento em que vai ser tão comum
encontrar uma geladeira com acesso à internet quanto um computador. A
internet das coisas é uma constante, e cada vez mais esse conceito é
explorado.
Por meio dessa inovação tecnológica, é possível otimizar os sistemas
de comunicação com pouca ou nenhuma necessidade de observação humana.
Um hotel, por exemplo, poderá computar quantas garrafas de água
existem em cada frigobar, de cada quarto, ao mesmo tempo em que calcula o
valor a ser cobrado de um hóspede no check-out com base no seu consumo
particular.
Existem ainda outras inovações importantíssimas que com certeza farão
parte do nosso cotidiano nas próximas décadas. É de se esperar,
portanto, uma transformação radical na sociedade e na maneira de
convivermos.
Nesse caso, os empreendedores devem estar preparados para aproveitar
toda oportunidade de implementar suas próprias estratégias de negócio.
O futuro é agora e se movimenta depressa, e, como pudemos ver neste
artigo, não faltam recursos para explorar o potencial do mercado dessa
nova era.
STARTUP VALEON UMA HOMENAGEM AO VALE DO AÇO
Moysés Peruhype Carlech
Por que as grandes empresas querem se aproximar de startups?
Se pensarmos bem, é muito estranho pensar que um conglomerado
multibilionário poderia ganhar algo ao se associar de alguma forma a
pequenos empresários que ganham basicamente nada e tem um produto recém
lançado no mercado. Existe algo a ser aprendido ali? Algum valor a ser
capturado? Os executivos destas empresas definitivamente acreditam que
sim.
Os ciclos de desenvolvimento de produto são longos, com taxas
de sucesso bastante questionáveis e ações de marketing que geram cada
vez menos retorno. Ao mesmo tempo vemos diariamente na mídia casos de
jovens empresas inovando, quebrando paradigmas e criando novos mercados.
Empresas que há poucos anos não existiam e hoje criam verdadeiras
revoluções nos mercados onde entram. Casos como o Uber, Facebook, AirBnb
e tantos outros não param de surgir.
E as grandes empresas começam a questionar.
O que estamos fazendo de errado?
Por que não conseguimos inovar no mesmo ritmo que uma startup?
Qual a solução para resolver este problema?
A partir deste terceiro questionamento, surgem as primeiras
ideias de aproximação com o mundo empreendedor. “Precisamos entender
melhor como funciona este mundo e como nos inserimos!” E daí surgem os
onipresentes e envio de funcionários para fazer tour no Vale e a rodada
de reuniões com os agentes do ecossistema. Durante esta fase, geralmente
é feito um relatório para os executivos, ou pelas equipes de inovação
ou por uma empresa (cara) de consultoria, que entrega as seguintes
conclusões:
* O mundo está mudando. O ritmo da inovação é acelerado.
* Estes caras (startups) trabalham de um jeito diferente, portanto colhem resultados diferentes.
* Precisamos entender estas novas metodologias, para aplicar dentro de casa;
* É fundamental nos aproximarmos das startups, ou vamos morrer na praia.
* Somos lentos e burocráticos, e isso impede que a inovação aconteça da forma que queremos.
O plano de ação desenhado geralmente passa por alguma ação
conduzida pela área de marketing ou de inovação, envolvendo projetos de
aproximação com o mundo das startups.
Olhando sob a ótica da startup, uma grande empresa pode ser
aquela bala de prata que estávamos esperando para conseguir ganhar
tração. Com milhares de clientes e uma máquina de distribuição, se
atingirmos apenas um percentual pequeno já conseguimos chegar a outro
patamar. Mas o projeto não acontece desta forma. Ele demora. São
milhares de reuniões, sem conseguirmos fechar contrato ou sequer começar
um piloto.
Embora as grandes empresas tenham a ilusão que serão mais
inovadoras se conviverem mais com startups, o que acaba acontecendo é o
oposto. Existe uma expectativa de que o pozinho “pirlimpimpim” da
startup vá respingar na empresa e ela se tornará mais ágil, enxuta,
tomará mais riscos.
Muitas vezes não se sabe o que fazer com as startups, uma vez
se aproximando delas. Devemos colocar dinheiro? Assinar um contrato de
exclusividade? Contratar a empresa? A maioria dos acordos acaba virando
uma “parceria”, que demora para sair e tem resultados frustrantes. Esta
falta de uma “estratégia de casamento” é uma coisa muito comum.
As empresas querem controle. Não estão acostumadas a deixar a
startup ter liberdade para determinar o seu próprio rumo. E é um
paradoxo, pois se as empresas soubessem o que deveria ser feito elas
estariam fazendo e não gastando tempo tentando encontrar startups.
As empresas acham que sabem o que precisam. Para mim, o maior
teste é quando uma empresa olha para uma startup e pensa: “nossa, é
exatamente o que precisamos para o projeto X ou Y”.
VOCÊ CONHECE A ValeOn?
A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO
TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode
moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é
colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn
possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o
seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
O “The Washington Post” fez uma pesquisa qualitativa para ouvir a
opinião de eleitores indecisos de estados decisivos. De modo geral,
segundo o jornal, a maioria disse que Kamala foi melhor do que Trump no
debate.
Os entrevistados concordaram mais com Kamala quando a democrata falou sobre saúde, aborto e Ucrânia. Por outro lado, segundo o jornal, Trump foi mais bem avaliado ao falar sobre economia.
Além disso, a maior parte dos eleitores disse que não fazia sentido
as afirmações de Trump sobre imigração. Em determinado momento, ele
chegou a dizer que imigrantes estavam roubando e comendo pets de
moradores de uma cidade de Ohio, o que é falso.
O canal de notícias MSNBC também indicou vitória de Kamala Harris,
afirmando que ela foi mais qualificada e presidencial. A reportagem
também destacou a mentira de Trump sobre animais de estimação.
Já o site “Politico” disse que Kamala desequilibrou Trump e conseguiu aparecer mais do que o republicano.
O que dizem especialistas
Veja a seguir comentários de personalidades e especialistas em política consultados pela agência Reuters.
Marc Short, ex-chefe de gabinete do vice-presidente Mike Pence
“Trump perdeu a oportunidade de se concentrar contra Biden-Harris na
economia e na fronteira. Em vez disso, caiu na armadilha dela, indo
atrás de buracos de coelho sobre a negação das eleições e imigrantes
comendo animais de estimação. Harris passou no teste de parecer
presidencial, e Trump não expôs suas posições historicamente radicais. O
impacto provavelmente se estenderá às disputas competitivas na Câmara.”
Ron Bonjean, estrategista republicano
“Embora Harris tenha conseguido irritar Trump com seus ataques
bem-preparados, ainda não está claro se ela realmente convenceu esses
eleitores a finalmente tomar uma decisão com base nesse debate. A
questão agora é o quanto ela realmente mexeu no ponteiro. No entanto,
Trump não se ajudou ao aceitar participar desse debate.”
Karen Finney, estrategista democrata
“Este será lembrado como um dos desempenhos mais impressionantes em
debates da política moderna. A vice-presidente está fazendo exatamente o
que precisava: falar sobre sua visão e ideias políticas, ilustrar o
contraste entre ela e Trump, e ficar de fora enquanto ele se desmancha.
Ele está divagando, inventando coisas e espalhando mentiras e bobagens
mais rápido do que os verificadores de fatos conseguem acompanhar.”
Matthew Klink, estrategista republicano
“Não aprendemos nada novo sobre Kamala Harris esta noite. Os dois
apresentadores da ABC não a pressionaram em nenhum ponto para que
explicasse em mais detalhes ou para questioná-la sobre por que mudou de
posição. Mas esse não é o trabalho deles. Esse é o trabalho de Donald Trump,
e ele simplesmente não estava focado. Então, ela se saiu melhor do que
ele. Isso não vai fazer muita diferença no grande esquema das coisas.
Mas, certamente, podemos dizer que Kamala Harris se destacou sob os
holofotes, correspondeu ao momento, parecia e se comportava como uma
presidente.”
Amy Koch, estrategista republicana
“Está claro que Trump se preparou para este debate. Foi o mais
alinhado à mensagem — exceto pela parte dos cachorros — que ele já
esteve. Ele perdeu uma oportunidade de falar sobre imigração por causa
dessa história de cachorros e deveria tentar voltar ao assunto em algum
momento.”
Erick Erickson, comentarista conservador
“Trump perdeu o debate, e reclamar dos moderadores não muda isso. Ele
não perdeu por causa do comportamento deles. Ele perdeu por causa de
sua própria performance enquanto falava, e não por causa deles.”
Dan Eberhart, doador republicano
“Eu só vi um comandante no palco. Trump parecia focado, forte e no controle dos assuntos.”
Jeremi Suri, professor na Universidade do Texas
“Harris foi quase perfeita. Ela enfatizou questões centrais — aborto,
pequenas empresas, a liderança americana no mundo. Ela atacou Trump,
deixando-o na defensiva, sem parecer agressiva. Trump ficou defensivo,
irritado e em tom de discurso, e isso ficou claro.”
O debate
Esta foi a primeira vez que Kamala Harris e Donald Trump se
encontraram. O debate entre os dois provavelmente será o único até as
eleições, que estão marcadas para o dia 5 de novembro.
Kamala tem 59 anos e é a atual vice-presidente dos Estados Unidos. Se vencer o pleito, será a primeira mulher eleita presidente do país.
Já Donald Trump tem 78 anos e foi presidente entre 2017 e 2021. Ele tentou a reeleição em 2020, mas foi derrotado por Joe Biden.
Especialistas previam que o debate fosse focado na forma como cada um
atuou enquanto esteve no governo. Questões que envolvem economia,
inflação e segurança na fronteira são pontos importantes destas
eleições.
Além disso, havia uma expectativa para quem ambos trocassem ataques e
acusações. Durante a campanha, Kamala tem se referido ao republicano
como uma ameaça à democracia. Já Trump tenta pintar a democrata como uma
radical de esquerda.
Biden x Trump
Donald Trump e Joe Biden em debate presidencial, em 27 de junho de 2024 — Foto: Gerald Herbert/AP
O primeiro debate presidencial foi feito em 27 de junho, quando Joe
Biden ainda estava na disputa. O atual presidente dos Estados Unidos
desistiu de concorrer no mês seguinte.
Um dos fatores que pesou na desistência foi o fraco desempenho no
debate contra Trump. Naquele dia, Biden foi visto com a voz fraca e
perdeu a linha de raciocínio em vários momentos.
Uma pesquisa feita pela CNN apontou que 67% dos eleitores avaliaram que Trump foi melhor no debate, enquanto 33% apoiaram Biden.
A pesquisa também comparou os resultados com um levantamento feito
dias antes do debate. Os dados apontaram uma redução no número de
pessoas que tinham uma opinião favorável a Biden, passando de 37% para
31%.
Já a opinião favorável a Trump passou de 40% para 43%.
Uma outra pesquisa feita pelo instituto Ipsos apontou que Biden
perdeu o debate. De acordo com os dados, 60% disseram que Trump teve uma
melhor performance, enquanto Biden foi citado por 21% dos eleitores.
Além disso, 8% avaliaram a performance de Biden como excelente ou
boa, enquanto 73% disseram que o desempenho dele foi fraco ou péssimo.
Já o desempenho de Trump foi visto como bom ou ótimo para 40% dos
espectadores, enquanto 33% classificaram as falas dele como ruins ou
péssimas.
Além do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a oposição no Congresso Nacional fala
na apreensão e na quebra de sigilo de telefones, computadores, tablets e
outros aparelhos eletrônicos pessoais e funcionais do magistrado.
A ideia consta no pedido de impeachment contra Moraes. O documento
ainda não está no sistema oficial do Senado, mas foi compartilhado nesta
terça-feira (10) pela assessoria do senador Rogério Marinho (PL-RN) com
a assinatura da assessoria técnica da Secretaria-Geral da Mesa do
Senado.
O texto cita a criação de uma comissão especial de senadores para
então eventualmente determinar a busca e apreensão de aparelhos não só
de Moraes, mas também dos auxiliares Airton Vieira e Marco Antônio
Vargas e do perito Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial
de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Afirma que, “quebrados seus sigilos, sejam periciados pelo órgão
técnico próprio a fim de angariar provas para subsidiarem o presente
procedimento”.
Reportagem do jornal Folha de S.Paulo apontou suposto uso informal da
estrutura do TSE sob a presidência de Moraes para subsidiar
investigações contra bolsonaristas no STF.
O documento dos parlamentares de oposição diz pedir a expedição de
ofícios a vários órgãos, entidades e pessoas físicas “diante da
impossibilidade de os denunciantes apresentarem provas documentais, em
especial de outras decisões que comprovam o cometimento de crime de
responsabilidade por parte do denunciado – tendo em vista a atribuição
de sigilo dos autos do inquérito nº 4781/DF em trâmite no Supremo
Tribunal Federal”.
A divulgação do documento ocorre cerca de 24 horas após a oposição
apresentar o texto ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG),
que não demonstra intenção de dar andamento ao caso.
O pedido de impeachment é
assinado pelos deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Bia Kicis (PL-DF)
e Caroline de Toni (PL-SC), entre outras pessoas e parlamentares.
A oposição ainda faz outras solicitações nesse pedido de impeachment.
Não há perspectiva de que terão andamento, até o momento. Por exemplo:
Que o TSE apresente todos os documentos produzidos por Eduardo Tagliaferro a pedido dos juízes auxiliares de Moraes, “bem como as determinações que originaram tais documentos e relatórios”;
Uma minuta da Procuradoria Geral da República (PGR) pela liberdade
provisória de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, preso
pelos atos de 8 de janeiro de 2023 que morreu na prisão, em Brasília, e o
prontuário médico dele;
Documentos do Exército e do Ministério das Comunicações que
comprovem possíveis impactos de eventual interrupção de serviço da
Starlink;
Diálogos entre Airton Vieira e Eduardo Tagliaferro em posse do jornal Folha de S.Paulo.
Em uma visita ao Polo de Educação e Tecnologia Porto Maravalley, localizado na Região Portuária do Rio, o atual prefeito e candidato à reeleição pelo PSD, Eduardo Paes,
revelou seus planos ambiciosos para a cidade. Durante o evento nesta
última terça-feira (10/09), Paes destacou a importância de transformar o
Rio em um hub de inovação tecnológica.
Inaugurado em abril, o Porto Maravalley já abriga cerca de 100 alunos do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa),
oferecendo cursos de graduação. Além disso, mais 150 empresas estão em
processo de instalação no local, consolidando-o como um centro vital
para a educação e tecnologia.
Paes anunciou que, caso seja reeleito, pretende criar mais três polos
tecnológicos na cidade. A proposta é desenvolver espaços que atraiam
startups e fintechs, aproximando-as do mercado de trabalho e gerando
novas oportunidades de emprego. “Queremos consolidar o Rio como uma capital da inovação, ciência e matemática“, afirmou Paes. “É preparar a cidade e os cariocas para uma atividade econômica superimportante. O Rio é uma capital da formação de quadros.”
Com essa iniciativa, o prefeito almeja transformar o Rio de Janeiro em um “vale do silício” brasileiro,
em referência à famosa região nos Estados Unidos conhecida por suas
empresas de tecnologia. A criação desses polos visa não só atrair
investimentos e empresas de tecnologia, mas também formar profissionais
qualificados, impulsionando o desenvolvimento econômico da cidade.
A visita ao Porto Maravalley e o anúncio dos novos projetos
tecnológicos fazem parte da agenda de campanha de Eduardo Paes, que
busca sua reeleição prometendo avanços significativos na área de
tecnologia e inovação.
BRASÍLIA – O relator do projeto de lei que anistia condenados pelos
atos do 8 de Janeiro, deputado Rodrigo Valadares (União Brasil-SE),
apresentou nesta terça-feira, 10, um novo texto que contém brechas que
podem beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O relatório também
prevê que as investigações sobre os ataques golpistas deixem o gabinete
de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF).
Valadares propõe anistiar todos os participantes das manifestações em
defesa do golpe, inclusive aqueles que “as apoiaram, por quaisquer
meios, inclusive contribuições, doações, apoio logístico ou prestação de
serviços e publicações em mídias sociais e plataformas”.
Se for aprovada, a lei tornará imune de punição os financiadores da
invasão aos prédios dos Três Poderes e os agitadores que insuflaram a
multidão golpista por meio das redes sociais. Aliados de Bolsonaro e o
próprio ex-presidente são investigados pelo STF por apoiarem as
manifestações que terminaram em vandalismo e destruição do patrimônio
público.
Para ser aprovada, a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro precisa
ser aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara,
onde está atualmente. Se isso ocorrer, o texto será levado para o
plenário da Casa, onde é preciso ter a maioria mínima de votos.
Caso isso seja concretizado, o tema vai para o Senado, onde será
necessário o aval da maioria dos 81 senadores. Passado pelo Congresso,
ainda é preciso que o texto seja sancionado pelo presidente da
República.
O texto iria ser votado nesta terça-feira pela CCJ, porém, a base do
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou uma obstrução e
impediu a deliberação. A sessão foi suspensa e será retomada nesta
quarta-feira, 11. Amplitude do texto pode beneficiar Bolsonaro
De acordo com juristas ouvidos pelo Estadão, a anistia prevista pelo
novo texto de Valadares é ampla demais e pode beneficiar Bolsonaro. Isso
acontece porque o relator diz que serão perdoados os crimes cometidos
por ações que “mantenham correlação” com os atos golpistas de 8 de
Janeiro.
“Fica também concedida anistia a todos que participaram de eventos
subsequentes ou eventos anteriores aos fatos acontecidos em 08 de
janeiro de 2023, desde que mantenham correlação com os eventos acima
citados”, diz um artigo do projeto de lei.
Ou seja, caso seja aprovada a anistia, será garantido o perdão para
todos os condenados por investigações relacionadas à tentativa de golpe
de Estado. Bolsonaro é investigado no STF por ser o mentor dos atos
antidemocráticos em um inquérito que Moraes é relator.
Valadares negou ter a intenção de beneficiar Bolsonaro com a nova
versão do texto. “Para entrar na anistia, tem que existir a correlação
fática (com os eventos do 8 de Janeiro). O presidente Bolsonaro, a
pedido dele, pediu para que ele não fosse incluído (na anistia)”, disse. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão Fim de investigações relatadas por Moraes e inquéritos em primeira instância
O texto de Valadares também visa tirar Moraes da relatoria dos
processos que tenham alguma relação com os atos de 8 de Janeiro. Segundo
o texto, o julgamento dos processos serão deslocados para a primeira
instância. No caso dos atos antidemocráticos, os inquéritos sairiam do
STF e seriam transferidos para o Tribunal de Justiça do Distrito Federal
e Territórios (TJ-DFT).
“Uma vez cessado o exercício da função, o julgamento de todos os
processos atraídos por conexão ou continência será imediatamente
deslocado para as instâncias adequadas, independentemente da fase
processual que esteja em curso, observado os critérios e as regras de
fixação de competência dos órgãos com poder jurisdicional previsto no
ordenamento jurídico, ressalvado os casos em que houver sentença
definitiva”, diz um trecho do projeto. Fim dos crimes ‘multitudinais’
Se aprovada, a lei da anistia também acabará com o argumento dos
“crimes multitudinários”, utilizado por Moraes para condenar os
golpistas pelos mesmos crimes: associação criminosa, tentativa de golpe
de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano ao
patrimônio público.
“A condenação pelos crimes previstos neste título não admite a
incidência da figura do crime multitudinário, tampouco de qualquer
teoria similar fundada na desindividualização ou na generalidade das
condutas, exigindo-se, como pressuposto para a condenação, a
individualização concreta dos atos praticados por cada coautor ou
partícipe”, escreveu Valadares no relatório.
O crime de execução multitudinária se dá quando diferentes réus são
condenados conjuntamente por um mesmo crime. Isso ocorre quando o juiz
entende que o delito foi consumado por conta da ação conjunta de
diferentes criminosos. O STF define o termo jurídico da seguinte forma:
“Aquele que resulta do fato de ter sido o agente levado à prática do
crime por instigação de um grupo de pessoas amotinadas ou de multidão em
estado de tumulto, o que constitui circunstância atenuante na aplicação
da pena cabível. É o praticado por multidão em estado de agitado,
impulsionada pelo desespero ou ódio levado por líderes, ou
investigadores”, descreve o vocabulário jurídico do STF. Anulação de multas eleitorais e proibição de inelegibilidades
Além do perdão aos crimes praticados, o projeto de lei também
pretende anular as multas aplicadas pela Justiça Eleitoral aos
beneficiados. Se entrar em vigor, a medida pode beneficiar parlamentares
bolsonaristas punidos desta forma por atos relacionados ao 8 de
Janeiro.
“Ficam anuladas as multas aplicadas pela Justiça Eleitoral ou Comum
às pessoas físicas e jurídicas em decorrência dos atos descritos”,
colocou o relator.
Em outro trecho, o projeto propõe assegurar “os direitos políticos,
e, ainda, a extinção de todos os efeitos decorrentes das condutas a si
imputadas, sejam cíveis ou penais, para as pessoas que se beneficiem da
presente lei”. Na leitura de especialistas consultados pelo Estadão, o
trecho impede que Bolsonaro fique inelegível em outras situações, mas
não altera a atual situação do ex-presidente, que não pode participar de
eleições até 2030.
Legenda
da foto, Queimadas avançam pelo Parque Nacional da Chapada dos
Guimarães, em Mato Grosso. Região é próxima de resort onde ministros da
agricultura do G20 estão reunidos
Uma reunião promovida pelo G20 em Mato Grosso que tinha como um dos seus objetivos servir como vitrine do agronegócio sustentável do Brasil está tendo como pano de fundo uma tragédia climática de dimensões históricas.
O Brasil realiza, desde ontem (10/9), um encontro de ministros da
agricultura de países do G20, grupo das 19 maiores economias do mundo
mais a União Europeia e a União Africana. O encontro foi levado para o
um resort às margens do Lago de Manso, no município de Chapada dos
Guimarães, um conhecido destino turístico de Mato Grosso.
O Estado é dono da maior produção de grãos e do maior rebanho bovino
do país. O ministro da agricultura, Carlos Fávaro, deixou claro o que
esperava da reunião.
“Vamos mostrar nosso potencial em produzir alimentos de forma sustentável”, disse na segunda-feira (9/9).
Mas a área onde a reunião acontece é uma das muitas do país que está encoberta por fumaça devido às queimadas recordes que atingem o país neste ano.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
Mato Grosso é o campeão no ranking de focos de incêndio neste ano e
imagens de satélite vêm mostrando nos últimos dias que enormes partes do
Estado, inclusive a região de Chapada dos Guimarães, estão sofrendo com
os efeitos das queimadas.
Segundo oficiais do governo, parte considerável desses incêndios está
relacionada com o aumento da área de pastagens ou abertura de novas
fronteiras agrícolas em biomas como o Pantanal, Cerrado e Amazônia.
De acordo com especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a
ocorrência de tantas queimadas na região escolhida para ser a vitrine do
agronegócio brasileiro compromete a imagem do Brasil no exterior e
serve de alerta. Moradores da cidade onde o evento está sendo realizado
dizem esperar medidas para evitar a repetição do cenário atual.
Legenda
da foto, Bombeiros de Mato Grosso atuando em queimadas. Estado é o
campeão de queimadas em todo o Brasil. Inpe indica aumento de 215% no
número de queimadas neste ano em relação ao ano passado
“Vimos à fumaça cobrir a cidade inteira”
De acordo com o governo brasileiro, os principais tópicos da reunião
de ministros da agricultura do G20 em Mato Grosso serão:
sustentabilidade nos sistemas agroalimentares; ampliação do comércio
internacional para a segurança alimentar e nutricional; reconhecimento
da agricultura familiar e o papel de camponeses e povos originários para
sistemas alimentares; e promoção da integração da pesca e aquicultura
nas cadeias globais.
Mato Grosso foi cuidadosamente escolhido pelo governo brasileiro para
sediar a reunião de ministros da agricultura do G20, segundo Carlos
Fávaro.
Fávaro, que é deputado federal eleito pelo Estado, disse que Mato
Grosso seria uma espécie de “símbolo” do modelo de agricultura do país.
“Estamos no Estado com a maior produção agropecuária do Brasil, o
maior rebanho bovino do Brasil […] mas que é o símbolo da preservação
ambiental”, disse Fávaro durante a abertura da reunião na terça-feira
(10/9).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o
Estado tem o maior rebanho bovino do país, com 34 milhões de cabeças de
gado. Além disso, é o maior produtor de soja, milho e algodão.
Especialistas em agronegócio colocam o Estado como o “celeiro” do Brasil.
Por outro lado, o Estado aparece como o segundo maior desmatador da
Amazônia (atrás apenas do Pará) no período entre 2022 e 2023.
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
neste intervalo, o Estado perdeu 2 mil quilômetros quadrados de
florestas, uma área maior do que a da cidade de São Paulo.
A situação em 2024 aponta a permanência de um cenário ambiental e climático dramático.
O Estado é o campeão nacional em número de focos de incêndio com 36,4
mil registros entre o início do ano e segunda-feira (9/9), de acordo
com o Inpe.
É o maior número para o mesmo período desde 2007. Em relação ao ano
passado, o crescimento foi de 215%, praticamente o dobro do crescimento
médio registrado no país, que foi de 107%.
O município de Chapada dos Guimarães, onde a reunião do grupo de
trabalho está sendo realizada, vem sendo pesadamente atingido pelas
queimadas.
Nos últimos dias, brigadistas e bombeiros se mobilizam para controlar
duas frentes de incêndio no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães,
um dos maiores do Brasil.
Na semana passada, as duas frentes estavam prestes a se juntar,
desafiando o trabalho das equipes lideradas pelo Instituto Chico Mendes
de Meio de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Em nota enviada à BBC News Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente
(MMA), o órgão disse que o ICMBio vem combatendo os incêndios no parque
com 54 pessoas, entre brigadistas, funcionários do parque, voluntários e
um avião.
O parque fica a cerca de 40 km da sede do município de Chapada dos Guimarães.
Mesmo defendendo a escolha do local para a reunião, Fávaro reconheceu
que as delegações internacionais teriam sido impactadas pelas queimadas
em seus trajetos entre Cuiabá e o resort onde o encontro está sendo
realizado.
“Apesar das dificuldades momentâneas que o Brasil vive, com as
queimadas, com a mudança do clima, vocês puderam perceber isso no
transcorrer, na estrada. Mas é uma região em que o turismo é muito
importante”, disse. Algumas das queimadas que atingem o Estado vêm
afetando o tráfego em rodovias como a que conecta Cuiabá ao local da
reunião.
“Beleza virou carvão”
Moradores de Chapada dos Guimarães ouvidos pela BBC News Brasil
afirmam que não foram apenas os membros das delegações internacionais
que foram afetados pelas queimadas.
“Aqui nós vimos a fumaça cobrir a cidade inteira. Isso afeta a vida
dos moradores e também a economia local, já que alguns atrativos
turísticos foram fechados devido aos incêndios”, disse a bióloga Juliana
Bonanomi, que vive na cidade.
A antropóloga Suzana Hiroka disse ter visto impactos em diferentes áreas da cidade por conta das queimadas.
“Na saúde, as queimadas acentuaram as doenças respiratórias. Quem tem
asma ou bronquite está muito mal. As pessoas têm muita dor de cabeça,
rouquidão ou nariz escorrendo. As mulheres e crianças são muito
afetadas”, disse.
Hiroka destacou ainda os efeitos das queimadas na economia da cidade.
“Chapada vive do turismo. As queimadas fizeram o parque fechar vários
pontos. A cidade vivia da sua beleza cênica, mas agora, essa beleza
virou carvão”, disse.
Legenda
da foto, Cachoeira do Véu de Noiva, no Parque Nacional da Chapada dos
Guimarães fora da época de seca e queimadas. Queda d’água é um dos
principais atrativos do parque
Contradição e oportunidade
O climatologista Carlos Nobre foi um dos autores do Quarto Relatório
do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU),
que recebeu o Nobel da Paz em 2007, disse à BBC News Brasil que a
realização da reunião dos ministros da agricultura do G20 é um momento
de definição.
“Precisamos saber se o agronegócio vai continuar dizendo que não tem
responsabilidade nenhuma no que está acontecendo no Brasil e no mundo ou
se vamos ver alguma mudança nas políticas e uma indução de novas
práticas que visem uma agricultura de baixo carbono”, disse à BBC News
Brasil.
Segundo ele, historicamente, o agronegócio no Brasil tenta se eximir
das responsabilidades pelas mudanças climáticas apesar de ser, na
avaliação de Nobre, um dos principais responsáveis pelas emissões de
gases do efeito estufa do Brasil.
Nobre afirmou que, em sua opinião, a realização desta reunião no
atual contexto de queimadas fora de controle mancha a imagem do país.
“A imagem do país já está manchada porque todos os dados do Inpe
apontam que essas queimadas foram causadas pela ação humana. Não estamos
falando de descargas elétricas. Estamos falando de atividades
criminosas”, disse o climatologista.
A diretora-executiva do Instituto Centro de Vida (ICV), Alice
Thuault, disse à BBC News Brasil esperar que as condições nas quais a
reunião acontece possa sensibilizar os participantes. O ICV é uma
organização não-governamental que atua na defesa do meio ambiente em
Mato Grosso há mais de 20 anos.
“É uma tragédia o que está acontecendo aqui, mas acho que é
importante que essa reunião seja realizada nesse contexto, nessa espécie
de ‘pé do vulcão’. É importante que os participantes vejam claramente
os impactos das mudanças climáticas em um local que é sempre apontado
como um exemplo do agronegócio”, disse à BBC News Brasil.
Para a moradora de Chapada dos Guimarães Suzana Hiroka, o suposto
foco em sustentabilidade da reunião de ministros da agricultura é uma
contradição.
“É uma contradição porque Chapada dos Guimarães é um município de
monocultura. Temos aqui grandes plantações de soja, algodão e o pequeno
agricultor que faz a agricultura mais sustentável praticamente não
aparece”, disse.
Alice Thault resume suas expectativas em relação à reunião em meio à fumaça.
“Estou torcendo para que as questões sobre o clima estejam, de fato,
na pauta do encontro e que essa experiencia, por assim dizer, imersiva,
valha alguma coisa”, disse.
A BBC News Brasil enviou questionamentos aos ministérios das Relações
Exteriores (MRE), da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA).
Também foram enviadas questões à Secretaria de Meio Ambiente do Estado
de Mato Grosso (Sema-MT).
Apenas o MMA respondeu informando sobre as condições do combate ao
incêndio no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Nenhum dos outros
órgãos enviou respostas.
O que é o G20
O G20 é um fórum internacional que reúne as principais economias do
mundo, incluindo 19 países, a União Europeia e a União Africana.
Oficialmente, o objetivo do grupo é promover a cooperação econômica
global, comércio internacional e estabilidade financeira.
O grupo foi criado em 1999 e, mais recentemente, passou a abordar,
também, temas relacionados às mudanças climáticas e segurança alimentar,
duas das principais plataformas do discurso do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT).
Em 2023, o Brasil assumiu a presidência do G20 pela primeira vez e
vem realizando uma série de reuniões preparatórias para a grande cúpula
de chefes-de-Estado do grupo que será realizada entre os dias 18 e 19 de
novembro, no Rio de Janeiro.
O Grupo de Trabalho do G20 sobre Agricultura é uma subdivisão do G20 e
a reunião realizada em Chapada dos Guimarães é uma das que antecedem a
cúpula principal de novembro.