Relações exteriores Apoio à Rússia faz Lula perder protagonismo internacional na área de meio ambiente
Por Luis Kawaguti – Gazeta do Povo e Por Carinne Souza – Gazeta do Povo
Presidente Lula durante a cerimônia de encerramento de cúpula que
visa destinar recursos para países pobres cuidarem do meio ambiente.|
Foto: EFE
O apoio que deu à Rússia em meio à invasão da Ucrânia
está fazendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perder
protagonismo diplomático com o Ocidente. Mesmo no debate sobre o meio
ambiente, no qual o presidente investe para tentar tornar o Brasil mais
relevante no cenário internacional, Lula já vem sendo substituído por
outras vozes, como a premiê de Barbados (no Caribe), Mia Mottley.
Lula teve uma participação ordinária na cúpula do Novo Pacto
Financeiro Global na França nesta semana. O evento reuniu cerca de 100
líderes mundiais e tinha como foco uma das principais bandeiras
internacionais de Lula: incentivar países ricos a repassar recursos
financeiros para países pobres com o objetivo de enfrentar os desafios
das mudanças climáticas.
O Partido dos Trabalhadores, por sua vez, diz que Lula continua sendo
um exponente internacional da defesa do meio ambiente. Sem se
identificar, integrantes do partido argumentam que o Brasil vai sediar a
COP 30 (Conferência do Clima das Nações Unidas) em 2025.
Nestes últimos dias, Lula voltou a se agarrar à Conferência a ser
realizada no Brasil e fez convites para que todos “vejam de perto a
Amazônia”. Na concepção do cientista político Marcelo Suano, diretor de
Projetos do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações
Internacionais, o petista tem utilizado a COP como fôlego diante da sua
perda de protagonismo no discurso ambientalista.
“Independentemente dele se apresentar como um garoto propaganda, isso
[o Brasil sediar a COP 30] já iria acontecer, não precisava dele. Lula
está utilizando mais um elemento para fazer a construção de uma
narrativa. Ele está perdendo o protagonismo ambiental e por isso está
enrijecendo”, avalia Suano.
O especialista credita essa perda de protagonismo de Lula à sua falta
de ações concretas para resolver o desmatamento no Brasil. “Ele tem
sido incapaz de demonstrar para o mundo os resultados concretos das
propostas para enfrentar os problemas ambientais. O protagonismo está
sendo jogado fora por ele próprio, que deveria estar mais preocupado em
organizar o seu governo e não indo para o mundo fazer propaganda de si
próprio para ganhar um Nobel da paz”, analisa o doutor em Ciências
Políticas.
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Financial Times diz que Tarcísio, Lira e Mourão levaram recado dos EUA a Bolsonaro sobre eleições
Agenda de Lula na França tem reunião com ditador, show de rock e pacto financeiro sobre o clima Lula volta a dizer que Ucrânia também é responsável por conflito com Rússia Lula não participou de mesas de discussão em cúpula de meio ambiente na França
Na França, o presidente brasileiro não participou de nenhuma das seis
mesas de discussão, que envolveram autoridades de países em
desenvolvimento que estão substituindo Lula na discussão global. Entre
elas a premiê Mia Mottley, que vem cobrando dos países desenvolvidos
mais apoio para nações pobres que enfrentam catástrofes climáticas.
O Brasil também não participou de nenhum dos 50 eventos temáticos
ocorridos na cúpula. Lula discursou no evento de abertura da cúpula e em
um show de rock, onde os demais presidentes também falaram.
O Ministério das Relações Exteriores disse que ele preferiu dar
ênfase a encontros bilaterais. Em um deles, Lula se reuniu com o ditador
cubano Miguel Días-Canel e prometeu revisar a dívida que Cuba tem com o
Brasil.
Até o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, teve espaço
destacado nos debates da cúpula. Ele vinha sendo inicialmente criticado
por nações europeias por não reprovar a invasão russa na Ucrânia, mas
depois confrontou o presidente Vladimir Putin sobre o sequestro de
crianças ucranianas para adoção em famílias russas.
“A falta de inteligência diplomática certamente prejudica a imagem de
Lula, que não sabe lidar com a complexidade do momento. A esquerda
sempre usou a pauta ambiental como balcão ideológico para interesses
difusos”, disse o analista Cezar Roedel, mestre em Relações
Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Em reunião do meio ambiente, Lula é classificado como o “falso amigo do Ocidente” Lula
afirmou equivocadamente em diversas declarações neste ano que a Ucrânia
seria tão culpada quanto a Rússia pela guerra. Também criticou
repetidas vezes países do Ocidente por enviarem armas para a Ucrânia
defender seu território.
Em sua passagem pela cúpula, Lula foi criticado até por antigos
aliados da esquerda francesa. O motivo principal foi o mesmo: o apoio a
Vladimir Putin e, em menor escala, ao ditador venezuelano Nicolás
Maduro. O presidente brasileiro chegou a ser chamado de “falso amigo do
Ocidente” em um artigo do jornal Libération, apreciado pela esquerda
francesa, que levava o título: “Lula, a decepção”.
Segundo Roedel, Lula se aproximou de Putin por inclinação ideológica e
interesses subjetivos. “Tentar levar o seu interesse pessoal para
política externa gera uma grande confusão”, afirmou.
“Lula acaba sendo muito desacreditado devido a essa posição que tem
sobre a guerra da Ucrânia. Os países europeus e as potências ocidentais
não levam a sério o que o Lula esta dizendo”, disse.
O fato de o presidente brasileiro ter defendido o acordo de comércio
entre o Mercosul e a União Europeia também desagradou seus aliados na
esquerda francesa. Isso porque o acordo é visto como positivo para o
agronegócio brasileiro e prejudicial aos agricultores franceses.
Arnaud Le Gall, parlamentar membro do Comitê de Assuntos Externos da
Assembleia Nacional francesa, disse estar decepcionado com o petista.
Ele classificava Lula como “uma das primeiras alternativas ao
neoliberalismo na América Latina”.
Para Suano, Lula também perdeu o tom democrático ao “apontar o dedo”
para Macron enquanto estava “em sua casa”. “Ele criticou a carta feita
pela União Europeia e apontou o dedo para Macron dizendo que eles
estavam fazendo ameaças. Ele não deveria ter feito isso lá, poderia ter
feito aqui, mas isso mostra um péssimo posicionamento diplomático de
Lula”, avalia.
Lula também afirmou, dessa vez de forma acertada, que os países ricos
são os maiores responsáveis pela poluição do planeta. “Não foi o povo
africano que poluiu o mundo. Não foi o povo latino-americano que poluiu o
mundo. Na verdade, quem poluiu o planeta nos últimos 200 anos foram
aqueles que fizeram a Revolução Industrial e, por isso, têm que pagar a
dívida histórica com o planeta Terra”, disse durante um concerto musical
que fez parte da agenda de eventos.
EUA ficaram ressentidos com aproximação do Brasil com China e Rússia Em
reportagem nesta semana, o jornal britânico Financial Times afirmou que
autoridades do governo dos Estados Unidos ficaram ressentidas com a
aproximação de Lula com a Rússia e a China.
Segundo o periódico, a diplomacia americana agiu de forma velada para
tentar influenciar autoridades brasileiras a respeitar o resultado das
urnas na eleição presidencial de 2022. Lula teria não só deixado de
reconhecer essa iniciativa como feito esforços para se aproximar de
inimigos dos Estados Unidos.
Quando visitou a China em abril deste ano, Lula atacou a hegemonia
financeira global dos Estados Unidos, exercida por meio do dólar, e
visitou a empresa chinesa Huawei, que é alvo de sanções americanas.
O ex-embaixador americano no Brasil Thomas Shannon foi o primeiro a
criticar Lula. Ele afirmou que o brasileiro estava repetindo a narrativa
da China “sem obter algo importante para os interesses do Brasil”.
Também afirmou que Lula deveria “ter cuidado com o que diz” em relação à
guerra na Ucrânia.
Mesmo assim, o presidente brasileiro continuou relativizando a
invasão russa à Ucrânia e chegou a receber o chanceler russo Sergei
Lavrov no Brasil.
Ao participar da cúpula do G7 no Japão, em maio, Lula voltou a
irritar o Ocidente quando nem mesmo conversou com o presidente ucraniano
Volodymyr Zelensky durante uma reunião em que ambos estavam na mesma
sala, junto com outros líderes mundiais.
“Essas últimas viagens do Lula são um acúmulo de manifestações
completamente obtusas e equivocadas, não contribuem para a política
externa brasileira e não contribuem para o interesse nacional. Elas
contribuem apenas para o seu interesse pessoal”, afirmou Roedel.
Nesse sentido, disse ele, ao fazer declarações contraditórias, o
presidente brasileiro dá espaço para que outras autoridades compram o
papel de protagonista que ele busca ocupar.
Para o cientista político Marcelo Suano, Lula tem vendido algo para o
mundo que ele também não vai ser capaz de cumprir. “O Lula se apresenta
como protagonista ambiental e está fazendo um discurso que vai acabar
com as queimadas na Amazônia, mas esses elementos estão sendo
apresentados apenas como peça de retórica”, explica. O especialista
detalha que há aspectos sobre as queimadas que não podem ser controlados
e que merecem atenção para além do respaldo ambiental.
Entre esses pontos, Suana explica que, “ainda que muito pequenas”, há
queimadas na região que acontecem de forma natural, principalmente no
período de seca e aquelas que são realizadas pelos próprios indígenas,
durante um ritual ou no processo da própria plantação. Para o
especialista, no entanto, o grande problema é causado pelo desmatamento
realizado pelo crime organizado.
“O problema é a ocupação criminosa desses grupos que trazem problema
para a ordem interna brasileira. O que devemos questionar é como ele vai
combater esses grupos. Ele não está apresentando soluções para isso até
porque ele está muito perdido no que diz respeito à segurança pública
no Brasil”, explica.
Colheita de soja da safra 2018/19 em propriedade de Pato Branco,
no Paraná: Lula deve turbinar Plano Safra em esforço para “superar”
Bolsonaro.| Foto: Michel Willian/Arquivo/Gazeta do Povo
Às vésperas do anúncio do Plano Safra 2023/24, marcado para 27 de
junho, a única “certeza” dos agropecuaristas é que o presidente Lula
(PT) vai anunciar um número grande, maior do que os recursos
disponibilizados no último ano do mandato de Jair Bolsonaro (PL), para
em seguida dizer que “nunca antes na história deste país um governo
apoiou tanto o agro”.
O provável aumento de recursos para equalizar os juros dos
empréstimos aos produtores não envolve apenas um gesto político do
governo em busca de simpatia do setor e dos 300 votos da bancada do agro
na Câmara. É o próprio cenário econômico de curto-médio prazo que cria
condições para aumentar a aposta no agronegócio, que foi a principal
alavanca do PIB do primeiro trimestre ao crescer 21,4% sobre os três
últimos meses de 2022.
Na prática, tudo gira em torno da taxa de juros. E ainda que o Banco
Central não tenha sinalizado claramente uma desaceleração, o mercado vê
tendência de uma curva descendente dos atuais 13,75% ao ano. Além disso,
com dólar mais baixo, inflação contida e Bolsa em viés de alta, a
leitura é de que o governo poderá equalizar os juros para mais gente
usando o mesmo volume de dinheiro. A equalização é a diferença que o
Tesouro paga entre a taxa do crédito rural e a taxa de mercado.
Plano Safra poderá render mais conforme cenário de juros “O
cálculo é simples. O governo chega para os bancos e diz para captarem
dinheiro da poupança, daquele mix de crédito. E do que você emprestar
aos produtores, eu pago tanto [dos juros]. Se a taxa de juros da
economia cair, como está sinalizado, na hora que o banco for captar esse
dinheiro, vai pagar menos. Então, com a mesma quantidade de equalização
o governo alcança mais pessoas. Ou ele pode aumentar a equalização e
diminuir a taxa de juros aos produtores ainda mais. Tem que ver quanto o
governo quer realmente, do ponto de vista político, incentivar mais o
agro ou não”, afirma Luiz Cláudio Caffagni, consultor financeiro no
agronegócio.
Em 2021, a União gastou R$ 22 bilhões em subsídios financeiros, ou
seja, juros mais baratos para empréstimos, em diversos setores da
economia. Desses, apenas R$ 6 bilhões foram para equalizar juros dos
agricultores. No ciclo 2022/23, a média dos juros do Plano Safra foi de
8,8%. “Se você baixar para 7,5%, que é uma queda expressiva, vai
precisar algo em torno de R$ 6,5 bilhões para fazer a equalização. Ou
seja, não precisa alocar muito dinheiro para baixar a taxa”, destaca
Caffagni.
“O governo vive hoje uma situação em que pode ser mais ousado sim,
aumentar a quantidade de subsídios e até diminuir um pouco a taxa de
juros. A gente vê o DI Futuro (contrato na Bolsa) caindo, a Bolsa
subindo, o mercado inteiro está acreditando na economia. O vento está a
favor. Então, é matemático. Se vou captar um pouco mais barato, posso
emprestar mais barato”, afirma.
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Lula diz que problema com o agronegócio é “ideológico” e não de dinheiro ou Plano Safra
Produção recorde no campo ajuda a frear inflação dos alimentos
Equalizar juros seria política de Estado, e não favor Se aumentar
significativamente os juros equalizados para os agricultores, Lula não
estará fazendo “um favor” ao agronegócio, ainda que naturalmente deva
tentar capitalizar em cima disso.
“Isso é obrigação do governo, é política de Estado, que ajuda o
Brasil a ter competitividade e protagonismo na produção de alimentos e
na produção agroindustrial. Não existe produção agrícola no Brasil sem
Plano Safra. Nossa produção está entre as menos subsidiadas do mundo,
precisamos ter essa condição de competitividade”, diz o deputado federal
Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária
(FPA).
Lupion enfatiza que em certos assuntos “cabeludos”, como MST e uso de
defensivos, há muitas discordâncias ideológicas de difícil entendimento
com o governo petista. Em relação ao financiamento da safra, contudo,
os governos do PT no passado teriam feito planos positivos. “Vamos
torcer para que continuem fazendo”, sublinha.
Neste próximo ciclo, a intenção do Ministério da Agricultura é criar
juros diferenciados para premiar produtores que adotam práticas
sustentáveis. A equipe do ministro Carlos Fávaro propõe um desconto de
até três pontos porcentuais na taxa padrão, enquanto o Ministério da
Fazenda concorda em oferecer metade disso.
“Essa ideia ambiental, de sustentabilidade, para nós é música aos
ouvidos, porque já cumprimos tudo isso. Já temos plantio direto, boas
práticas, Áreas de Preservação Permanente, Cadastro Ambiental Rural,
Reserva Legal. Se o governo conseguir buscar recursos para equalizar
ainda mais os juros para os produtores que adotam boas práticas, será
extremamente positivo”, sustenta Lupion.
Dos recursos necessários para financiar a safra brasileira de grãos,
estimados em R$ 700 bilhões, cerca de um terço vem do sistema bancário
e, dentro dessa fração, um terço é contemplado com taxas de juros
equalizadas pelo Plano Safra. O comparativo com principais concorrentes
do país afasta qualquer discurso de favorecimento indevido aos
agricultores brasileiros.
VEJA TAMBÉM: Sem medo de sustentabilidade: comparativo global mostra vanguarda do agro brasileiro Europa enrola Mercosul com ambientalismo e disputa com China e EUA o que interessa
Estrutura de armazenagem de grãos na região do Matopiba, entre o
Centro-Oeste e o Nordeste do país| Rogerio Machado / Arquivo Gazeta do
Povo
União Europeia subsidia agricultura 15 vezes mais Levantamento do
Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP),
mostra que a participação do Suporte Direto ao Produtor Rural (PSE) do
governo correspondeu a 1,35% da receita bruta agropecuária (RBA) no
período entre 2015 e 2020. Em comparação, na União Europeia essa relação
foi de 19,33% no mesmo período; na China, de 12,17%; nos Estados
Unidos; 11,03%; e, na Rússia, 6,68%.
“Em geral, o orçamento dessas economias para criar subsídios é maior
do que o nosso porque eles têm mais renda, são mais ricos. Chama atenção
que, mesmo com uma cobertura menor e operando em condições menos
favoráveis, o produtor aprendeu a tocar o barco nessas condições
adversas”, diz Felippe Serigati, professor da Escola de Economia de São
Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP).
A maior parte dos produtores brasileiros não é beneficiada
diretamente pelos juros do Plano Safra. Muitos financiam as atividades
com recursos próprios ou fazendo operações de barter [troca] com
fornecedores de insumos e tradings, ou, ainda, recorrendo a empréstimos
bancários convencionais.
Uma pesquisa da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA)
de dois anos atrás mostrou que 38% dos produtores nunca acessaram
qualquer tipo de crédito rural. Dentre as dificuldades estão o excesso
de burocracia, a exigência de diversas garantias, a demora de liberação
do crédito e a falta de informação.
Teoricamente, o Plano Safra seria necessário para aquilo que os
economistas chamam de “falha de mercado”. Basicamente, para pequenos e
médios produtores. “Para eles, se for praticar preços de mercado que
reflitam o custo e o risco associados à operação agropecuária, que é uma
fábrica a céu aberto, o preço do crédito simplesmente inviabiliza a
produção”, argumenta Serigati, da FGV. Com juros disfuncionais, no
entanto, mais gente além dos pequenos precisa do cobertor do governo.
Sem equalização de juros, investimentos ficam inviáveis “A gente
falou de falha de mercado. Mas imagine o produtor que quer comprar uma
máquina, um equipamento ou fazer reforma do pasto, e vai pagar em dez
anos. Daqui a dez anos, se tudo der certo, ou se as coisas não derem tão
errado, os juros não vão estar operando neste patamar de 13,75%.
Contratar o crédito agora e travar nesse patamar é muito ruim. Isso
simplesmente inviabiliza o investimento. E aí o governo precisa atuar.
Tem que tomar decisão e decidir quem vai receber quais moedinhas”,
exemplifica Serigati.
O ideal, segundo o analista, seria que o mercado de crédito privado
conseguisse atender as demandas de financiamento rural. Houve um
vislumbre disso em 2020, quando a taxa básica de juros chegou a 2% ao
ano, e a economia real atraiu os investidores.
Diversos instrumentos privados de financiamento, como Certificados de
Recebíveis do Agronegócio (CRAs), Letras de Crédito do Agronegócio
(LCAs), Cédulas de Produto Rural (CPRs) e Fundos de Investimentos em
Cadeias Agroindustriais (Fiagros) se mostraram economicamente viáveis e
competitivos. A elevação dos juros, no entanto, fez os investidores
recuarem, tornando mais produtores dependente das políticas públicas, e
não somente os pequenos.
“Nós não somos uma jaboticaba nesse ponto. Quem tem que oferecer
crédito é o mercado bancário, é o setor financeiro. Eles têm uma
carteira mais diversificada. Não conseguem fazer isso porque as
operações do universo agro são mais arriscadas e porque o custo de
capital da economia brasileira, nossa taxa de juros de referência, a
Selic, opera em patamares estruturalmente muito altos”, conclui.
Agro ainda carece de apoio técnico-científico estratégico Desde
meados dos anos 1990 o governo brasileiro mantém iniciativas para
atender os agricultores de pequeno porte e de gestão familiar, como o
Pronaf. Contudo, à parte o debate sobre financiamentos, o país estaria
ainda muito aquém, comparativamente com os concorrentes, quanto às
políticas de desenvolvimento dos serviços gerais à agricultura.
Para Rodrigo Peixoto da Silva, pesquisador de macroeconomia do Cepea,
a questão não se limita a transferências diretas aos agricultores, mas
envolve formação profissional, infraestrutura logística, difusão de
conhecimento, assistência técnica e extensão rural, pesquisa e
desenvolvimento científico e tecnológico para um leque mais amplo de
produtos.
“A lógica a ser seguida tende a ser a de estimular a concorrência
reconhecendo as diferenças. Mas esse caminho é longo”, pondera o
pesquisador.
Imagem do filme chinês “Born to Fly”, que retrata de forma
heroica a força aérea do país| Foto: Reprodução/YouTube/Well Go USA
Entertainment
“O senhor entrou na zona de identificação de defesa
aérea da China”, diz um militar chinês a partir de uma unidade de
controle do espaço aéreo da China. Antes de responder ao contato, o
piloto – que vinha voando baixo sobre o que se entende ser o Mar do Sul
da China – responde, em bom inglês americano: “Podemos entrar e sair
quando quisermos”. Depois de fazer um rasante sobre uma plataforma de
petróleo em alto mar, o estrondo sônico estilhaça as janelas de um navio
da Guarda Costeira da China. Assim começa “Born to Fly” (2023), o
recém-lançado filme-propaganda chinês que chega aos cinemas para
apresentar os superpoderes do país no que se refere à sua força aérea.
A cena de abertura descrita acima continua com uma perseguição e, ao
estilo “Top Gun”, uma batalha aérea. Um caça Shenyang J-11 decola de um
porta-aviões nas proximidades e tenta interceptar o invasor, nada menos
que um F-35 Lightning II, o caça mais moderno da Força Aérea dos Estados
Unidos.
O resultado não poderia ser diferente. Os chineses tomam um banho.
Fracassam na abordagem e ainda têm seu caça abatido e o piloto morto em
ação.
Depois da ação e tragédia, vem o que parece ser a parte central do
sentimento chinês em relação aos seus rivais. O amargor da humilhação.
Um oficial expressa a sua tristeza em ver seus homens e seu país serem
humilhados por forças estrangeiras, bem-sucedidas em seu território por
possuírem melhor tecnologia militar.
A história se desenvolve com a formação de uma geração de novos
pilotos de elite e o desenvolvimento de um caça capaz de fazer frente
aos inimigos. No caso, o Chengdu J-20, que dentro e fora das telas, é o
equipamento que faz frente ao F-35. Um caça que em 2017 foi incorporado
na Força Aérea do Exército de Libertação Popular, como é chamada a Força
Aérea na China.
Chega a ser bizarra a forma como o filme comete erros sobre aviação
militar de caça. É inexplicável, por exemplo, eles se referirem ao F-35
americano como se fosse um caça de quarta geração. Qualquer pessoa
minimamente familiarizada com o tema sabe que o modelo é a fina-flor dos
caças de quinta geração. Mais esquisito ainda é o downgrade que eles
dão aos seus J-11. O caça de quarta geração é citado no filme como sendo
de terceira.
Sem a capacidade de filmar com o F-35 real, eles usaram e abusaram da
computação gráfica para simular manobras que deixaram os militares
chineses raivosos. Há relatos de que o filme teve o lançamento adiado em
mais de seis meses, para que a irritação com os erros fosse aplacada
entre os militares.
Talvez eles tenham se convencido de que a precisão é um detalhe
frente ao que eles querem falar para o público interno e para os
vizinhos. A desvantagem foi superada e nós somos capazes de enfrentar
quem quer que seja para defender o que julgamos ser necessário ser
defendido. Invadir o que queremos invadir e lutar contra qualquer força
que seja.
Propaganda é propaganda. Mas, diferentemente das duas versões de
“Wolf Warrior”, que, na linha “Rambo”, tentam emplacar a imagem de um
super soldado movido pelo treinamento impecável e compromisso com a
China, “Born to Fly” constrói uma narrativa sobre uma realidade
inegável. Por meio de muito investimento e roubo de tecnologia dos
adversários, as Forças Armadas Chinesas deram um salto tecnológico que
reduziu sobremaneira a principal vantagem competitiva que os Estados
Unidos, por exemplo, tinham em relação aos seus oponentes.
Questões envolvendo Taiwan e a soberania no Mar do Sul da China são
pontos nevrálgicos na relação entre Washington e Pequim. Os chineses têm
corrido e ganhando cada vez mais confiança de que podem tentar dar
aquele passo além.
“Born to Fly” parece ser uma mensagem de otimismo para quem ainda
acha que não está pronto para mostrar as garras. Mostrado no filme como
inimigo, os Estados Unidos (cuja indústria cinematográfica faz de tudo
para não melindrar o Partido Comunista Chinês) são acusados de ter
atrasado o desenvolvimento da China, bloqueando seu acesso à tecnologia.
Um delírio vitimista, pois a China só chegou aonde chegou porque os
americanos, achando que estavam fazendo um grande negócio, criaram as
condições para que a China se transformasse no parque industrial do
mundo.
Além disso, formou gerações de cientistas chineses e permitiu que boa
parte deles simplesmente atuasse como espiões dentro de suas
universidades e instituições estatais de pesquisa e desenvolvimento,
sugando informações e tecnologia que foram o atalho para a China
produzir “seus próprios” produtos.
Como filme, “Born to Fly” é uma cópia mambembe de “Top Gun:
Maverick”. Como propaganda, “Born to Fly” pode ser encarado como uma
tentativa de dizer para o Ocidente quão capazes eles se tornaram de
lutar e, descontando a autoconfiança e exageros, uma mensagem do que
pode vir a ser real em um cenário de guerra convencional.
Acordo Kremlin informa que Prigozhin, líder do Grupo Wagner, irá para Belarus Agência EFE
Yevgeny Prigozhin, líder do grupo de mercenários Wagner, será
deportado para Belarus, em vez de preso na Rússia, após acordo com
Putin.| Foto: Reprodução/Telegram/Yevgeny Prigozhin
O chefe do
Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, “irá para Belarus”, anunciou neste
sábado (24) o Kremlin, comentando os detalhes do acordo com o homem que
liderou uma rebelião armada de mercenários contra a liderança militar
russa nas últimas 24 horas.
“O processo penal contra ele será encerrado e ele (Prigozhin) irá
para Belarus”, disse o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov.
Peskov, citado pela agência de notícias “TASS”, acrescentou que os
outros mercenários que participaram no motim também não serão
processados devido aos seus “méritos na frente” de batalha.
Entretanto, os combatentes que se revoltaram serão autorizados a
assinar contratos com o Ministério da Defesa, disse. Prigozhin anunciou
há algumas horas o retorno dos seus combatentes às bases permanentes
para “evitar derramamento de sangue” na Rússia.
“Chegou o momento em que o sangue pode ser derramado. É por isso que,
conscientes de toda a responsabilidade pelo derramamento de sangue
russo por uma das partes, as nossas colunas estão dando meia volta e
retornando às nossas bases de acordo com o plano”, disse em mensagem de
áudio no seu canal do Telegram.
Prigozhin afirmou que as elites militares russas, contra as quais se
revoltou, “queriam desintegrar o Wagner” e explicou que foi por isso que
anunciou a “marcha pela justiça”, durante a qual, em 24 horas, avançou
até 200 quilômetros de Moscou, depois de ter tomado a cidade de
Rostov-on-Don.
O chefe do Grupo Wagner fez este anúncio após o serviço de imprensa
do presidente bielorrusso, Alexandr Lukashenko, ter afirmado que ele
tinha feito a mediação entre Moscou e Prigozhin com a aprovação do chefe
de Estado russo, Vladimir Putin. Segundo o Kremlin, tratou-se de uma
“iniciativa pessoal” de Lukashenko, que conhece Prigozhin há 20 anos.
De acordo com a imprensa bielorrussa, Putin e Lukashenko voltaram a
conversar ao telefone na noite de sábado e o chefe do Kremlin agradeceu
ao presidente bielorrusso por ter negociado com o líder dos mercenários.
“O presidente bielorrusso informou ao presidente russo em detalhes
sobre o resultado das negociações com os dirigentes do Wagner” e Putin o
agradeceu pelo “trabalho realizado”, noticiou o canal “Pul Pervogo”,
ligado à presidência bielorrussa. Ao mesmo tempo, as forças do Grupo
Wagner começaram a se retirar de Rostov-on-Don.
Rebelião de mercenários e reação do Kremlin: veja fotos do levante armado na Rússia
Grupo paramilitar anunciou tomada de cidade
em que está quartel-general da ofensiva contra Ucrânia; Moscou nega
denúncia de que teria bombardeado bases de insurgentes e promete punição
Por O Globo e Agências Internacionais — Rostov
Paramilitares anunciaram controle de Rostov, onde fica quartel-general da ofensiva russa contra a UcrâniaSTRINGER / AFP
A Rússia instaurou, neste sábado, um “regime de operação
antiterrorista” na região de Moscou, depois que o grupo paramilitar
Wagner afirmou ter controlado os territórios militares da cidade de
Rostov, no Sul do país, informaram agências de imprensa russas. Em
pronunciamento pela televisão, o presidente russo, Vladimir Putin,
qualificou a rebelião como uma “punhalada pelas costas” e acusou o líder dos mercenários, Yevgeny Prigojin, de ter “traído” a Rússia por sua “ambição desmedida”.
Na véspera, a rixa entre o governo da Rússia e o líder do grupo de mercenários ganhou grandes proporções. Yevgeny Prigojin acusou o Exército russo de bombardear suas bases
próximas à linha de frente com a Ucrânia e convocou uma “rebelião
armada” contra o comando militar nacional em resposta, levando
autoridades no país a investigá-lo, por consequência.
O Kremlin negou neste sábado que o presidente Vladimir Putin tenha
fugido de Moscou em plena rebelião do grupo paramilitar. Putin assegurou
que os rebeldes serão “inevitavelmente punidos”. Em meio ao avanço dos
mercenários pelo Sul do país, Moscou fechou a Praça Vermelha, reforçou a
segurança da capital e bloqueou redes dos rebeldes para atrapalhar as
comunicações do grupo.
Na primeira vez em que ataca diretamente o Kremlin, Yevgeny Prigojin
afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, está “muito equivocado”
ao acusar os combatentes do Wagner de “traição”. O líder dos mercenários
destacam se tratar de uma “marcha por justiça” e dizem que não vão se
rendem.
Veja fotos de levante paramilitar do grupo Wagner na Rússia
14 fotos
Veja fotos de levante paramilitar do grupo Wagner na Rússia
O processo para tornar
inelegível o ex-presidente Jair Bolsonaro e, mais precisamente, proibir
os eleitores brasileiros de votaram nele em qualquer eleição que apareça
pela frente, é uma imensa impostura. Nunca houve nada, em todo este
episódio, que tivesse qualquer relação com o que deve ser um processo
judicial num regime democrático. Do começo ao fim, foi um ato político
dos que estão mandando hoje no Brasil – a execução pela força de alguém
que foi declarado inimigo e que poderia, talvez, causar problemas se
deixarem o eleitorado continuar com a opção de votar nele. Bolsonaro
está condenado desde o primeiro minuto do processo, ou desde que o
consórcio Lula-STF, através de sua polícia eleitoral, resolveu
expulsá-lo da vida política brasileira. Tanto faz o que os seus
advogados argumentam, ou a flagrante inexistência de provas materiais
das acusações, ou as exigências das leis em vigor no país. Tanto faz o
“Estado de Direito” que o consórcio alega existir no Brasil. A única
coisa que vale é a vontade dos que controlam a máquina estatal – e que
substituíram o sistema de justiça brasileiro por um comitê central de
militantes onde se faz política, e só política.
Nunca houve nada, em todo este episódio, que tivesse qualquer relação
com o que deve ser um processo judicial num regime democrático
Não existe nada de certo, ou de legal, ou sequer de coerente no
processo contra Bolsonaro – mas o seu maior despropósito, talvez, esteja
no coração da própria denúncia feita pelos acusadores. O ex-presidente,
para resumir a ópera toda, é acusado de usar o cargo para interferir a
seu próprio favor no resultado das eleições de 2022. É uma das coisas
mais sem pé e sem cabeça que jamais se ouviu na história da justiça
deste país. Se Bolsonaro abusou ilegalmente do poder para ganhar a
eleição, então por que raios ele perdeu? Não existe, na experiência
humana, nenhum caso de governante que tenha usado a máquina do governo
para perder – e ir embora para casa no fim do seu mandato. No julgamento
aberto na quinta-feira, dia 22 de junho, e a ser retomado na terça dia
27, o procurador a serviço da milícia de vigilantes do TSE reconhece que
não houve interferência no resultado; nem eles mesmos são capazes de
dizer que houve. Mas, segundo o procurador, Bolsonaro criou
“desconfiança” em relação ao sistema eleitoral ao atacar o sistema de
urnas eletrônicas numa reunião com embaixadores estrangeiros no Brasil.
Só isso – “desconfiança”? Mais nada? Proibir os eleitores de votar numa
pessoa que teve quase 50% dos votos na última eleição deveria exigir a
prática de delitos graves e indiscutíveis; não é uma miudeza qualquer.
Mas é assim que resolveram. O ex-presidente está sendo eliminado da
política nacional por praticar o crime de desconfiança.
Não faz nexo. Milhões de eleitores não confiam nas urnas do
consórcio, que nenhuma democracia séria do mundo utiliza. O sistema, na
verdade, foi atacado aos gritos, durante semanas a fio, no próprio
plenário do Congresso Nacional. Chegou-se, até, muito perto de uma lei
para mudar o sistema – foi preciso que um ministro do STF fosse
pessoalmente à Câmara para pressionar os deputados a mudarem de ideia – e
num ambiente no qual meio mundo está enrolado com a justiça penal, esse
tipo de conversa sempre funciona. Se isso não é criar desconfiança
pública em relação às urnas do TSE, o que seria? Mas, no caso de
Bolsonaro, é infração gravíssima. É um novo crime: “intenção de dar
golpe”, ou criar “a impressão de golpe”, ou coisa parecida. Ficamos
assim, portanto: ocupa a presidência da República, no momento, um
cidadão que foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro,
em três instâncias da justiça e por nove magistrados diferentes. Seu
maior rival político, que não foi condenado por nada e por ninguém, a
não ser pelos vigilantes do TSE, não poderá ser votado por nenhum
eleitor brasileiro.
Passei esta última semana aqui nos
Estados Unidos a convite do Acton Institute. Participo do Acton
University 2023, evento anual que reuniu mais de mil lideranças de pelo
menos 80 países do mundo em torno da defesa da liberdade econômica. O
lema do Acton Institute é: “conectando boas intenções com princípios
econômicos sólidos”. Aqui falamos de tudo o que constrói nosso arcabouço
moral de boas intenções, seja a religião, cultura ou filosofia.
A organização decidiu fazer um painel sobre liberdade de expressão no
Brasil, do qual tive a honra de participar. Ele foi mediado pelo
presidente do Instituto Brasileiro de Direito Religioso, Thiago Vieira e
contou com o advogado constitucionalista Rodrigo Marinho (da LVM
Editora, que publicou meu livro Cancelando o Cancelamento), o deputado
Marcel Van Hattem e Deltan Dallagnol, nosso fugitivo nacional. Cada um
de nós deu sua visão específica sobre o tema e você pode conferir a
íntegra neste link. Faço um resumo sobre nossas principais reflexões
para que você possa elaborar não apenas sua opinião, mas seu plano de
ação.
Somente por meio do diálogo aberto e da valorização da diversidade de
opiniões seremos capazes de avançar e construir um futuro mais
inclusivo e justo.
No mundo contemporâneo, a liberdade de expressão é vivenciada de
forma ampla pelo cidadão comum, principalmente por meio das redes
sociais. Nunca antes na história tivemos tantas plataformas disponíveis
para compartilhar nossas opiniões, ideias e perspectivas. No entanto,
essa ampliação do espaço de expressão também trouxe consigo desafios e
dilemas complexos que precisamos enfrentar como sociedade.
Uma das questões centrais que permeiam a discussão atual é o limite
da liberdade de expressão e a polarização moral que se instaurou. Alguns
argumentam que ofender alguém é o ponto máximo de ultrapassar essa
fronteira, mas quem, de fato, determina o que é ofensivo é o próprio
indivíduo ofendido, não a intenção daquele que proferiu as palavras.
Essa subjetividade abre espaço para interpretações divergentes e coloca
em xeque o equilíbrio entre o direito à liberdade de expressão e a
proteção de indivíduos contra ataques verbais.
Hoje em dia, a medida da liberdade de expressão pode ser percebida pelo medo que as pessoas têm de se manifestar.
Infelizmente, o debate tem se restringido a duas visões superficiais e
antagônicas. De um lado, há aqueles que defendem a contenção de
qualquer forma de ofensa, buscando um ambiente mais ameno e seguro para
todos. Por outro lado, existem aqueles que acreditam que qualquer um
pode proferir barbaridades impunemente, desconsiderando as consequências
de suas palavras. Esse embate acalorado entre as extremidades acaba por
calar as vozes mais moderadas e empobrece a profundidade das
discussões, que são essenciais para o avanço de uma sociedade plural e
democrática.
Hoje em dia, a medida da liberdade de expressão pode ser percebida
pelo medo que as pessoas têm de se manifestar. O receio de serem alvos
de ataques virtuais, do ostracismo social ou mesmo de represálias
profissionais faz com que muitos optem pelo silêncio, sufocando suas
próprias opiniões e contribuições valiosas para o debate público. Essa
autossupressão é um reflexo preocupante do clima atual e coloca em risco
a essência da democracia, que se sustenta na diversidade de vozes e na
capacidade de expressão livre de seus cidadãos.
Diante das decisões arbitrárias e das vozes silenciadas, é tentador
ceder ao pessimismo e acreditar que nada está sendo feito para reverter
essa situação.
No Brasil, já presenciamos diversas decisões de censura prévia, o que
é assustador. Ainda mais alarmante é constatar que até mesmo
jornalistas têm aceitado justificativas para tais práticas. Muitos
acreditam erroneamente que o mundo inteiro consente com uma cultura de
cancelamento, uma espécie de linguagem de lacração que busca calar todos
aqueles que não se submetem a ela. No entanto, é importante ressaltar
que esse debate está longe de estar encerrado e é fervoroso em diversos
países ao redor do globo.
O medo gerado pelas decisões arbitrárias e pelas contas suspensas tem
levado muitas pessoas a desistirem de lutar pela liberdade de
expressão. Essa mentalidade fatalista pode nos levar a crer que ninguém
está tomando medidas efetivas para preservar nossas liberdades, mas essa
percepção está longe da realidade. Há inúmeras pessoas e organizações
engajadas em ações importantes para garantir que nossos direitos sejam
preservados.
VEJA TAMBÉM: Confiança na imprensa está em queda no Brasil Os algoritmos de redes sociais serão o fim da verdade? A chantagem para regular as redes sociais a toque de caixa
Uma ideia equivocada que permeia parte da sociedade é a crença de que
conter a liberdade de expressão protege minorias. No entanto, a
realidade é exatamente o oposto. As minorias só conseguem se fazer ouvir
e se posicionar no debate público porque possuímos essa liberdade
fundamental. Ao cercear a expressão, corremos o risco de silenciar vozes
importantes e perpetuar desigualdades e injustiças.
Diante das decisões arbitrárias e das vozes silenciadas, é tentador
ceder ao pessimismo e acreditar que nada está sendo feito para reverter
essa situação. No entanto, devemos nos manter vigilantes e reconhecer
que existem indivíduos e grupos engajados na defesa das liberdades
individuais. Precisamos direcionar nosso olhar para aqueles que atuam
incansavelmente nessa causa e apoiar suas iniciativas, unindo-nos em
prol de um ambiente que estimule o diálogo construtivo e o respeito
mútuo.
Encontrar uma solução democrática para pacificar a praça pública após
a disrupção causada pelas redes sociais é um desafio que requer tempo e
urgência. Precisamos nos empenhar em entender melhor essa nova
realidade digital e buscar caminhos que conciliem o direito à liberdade
de expressão com o respeito aos valores fundamentais de nossa sociedade.
Somente por meio do diálogo aberto e da valorização da diversidade de
opiniões seremos capazes de avançar e construir um futuro mais inclusivo
e justo.
Crise na Rússia é maior janela de oportunidade para contraofensiva da Ucrânia
Dono do grupo mercenário Wagner, Ievgeni
Prigozhin, desconstruiu toda a narrativa de Putin para justificar a
guerra; resposta de Putin a motim é atestado da falta de competência e
talvez até da falta de lealdade das forças regulares
Por Lourival Sant’Anna – Jornal Estadão
Depois de avançar cerca de 900 km sem enfrentar resistência das
Forças Armadas regulares, o dono do grupo mercenário Wagner, IevgenI
Prigozhin, deteve a coluna que se dirigia a Moscou. As forças rebeldes
chegaram a cerca de 200 km da capital. A decisão foi tomada em seguida a
uma conversa com o ditador da Belarus, Alexander Lukashenko.
O conteúdo dessa conversa é uma peça crucial no quebra-cabeça das
ambições de Prigozhin e do controle que ainda resta ao ditador Vladimir
Putin sobre as forças de segurança russas. Afinal, a coluna avançou ao
longo desse sábado por uma das rodovias mais importantes da Rússia, a
M4, que liga Rostov a Moscou, com 1.100 km.
A CNN informou que as acusações formais contra Prigozhin na Justiça
foram retiradas, que ele se exilaria na Belarus e que os mercenários sob
seu comando que participaram da intentona poderiam se incorporar às
Forças Armadas regulares, enquanto os que não participaram nada
sofreriam. Em seguida, o grupo se retirou do comando do Distrito Militar
do Sul em Rostov, quartel-general das operações russas na Ucrânia, que
havia ocupado na quinta-feira.
O desafio declarado de Prigozhin é contra o ministro da Defesa,
Serguei Shoigu, não a Putin, do qual era pessoalmente muito próximo. Mas
em pronunciamento à nação, Putin classificou a rebelião armada de
“traição” e disse que ela seria punida com rigor. Além disso, o FSB,
serviço secreto russo, e a Procuradoria-Geral, duas instituições
estreitamente alinhadas com o Kremlin, haviam dado ordem de prisão e até
antecipado a pena por motim: de 12 a 20 anos.
Combatentes
do grupo mercenário Wagner deixam o quartel-general do Distrito Militar
do Sul, na cidade de Rostov-on-Don, na Rússia, 24 de junho de 2023.
REUTERS/Stringer Foto: STRINGER
Putin não deveria ter tido dificuldade de ordenar que a aviação russa
bombardeasse a coluna do Wagner que se dirigia à capital, em flagrante
desafio ao seu poder. Uma operação como essa não causaria baixas ao
exército russo. Por que ele poupou os mercenários e aceitou seu
humilhante avanço pelo território russo? Pela lógica, porque considerou
que o golpe na percepção de poder em torno dele teria consequências
ainda menos negativas do que um confronto armado com o Wagner.
Mas o custo político para Putin é imenso. O fato de Putin ter enviado
a milícia chechena para tentar debelar a rebelião em Rostov é um
atestado da falta de competência e talvez até da falta de lealdade das
forças regulares.
Além disso, Prigozhin, cujas credenciais são inquestionáveis nas
correntes do nacionalismo russo, desconstruiu toda a narrativa de Putin
para justificar a guerra, afirmando que ela é desnecessária, que a
Ucrânia e a Otan não representavam uma ameaça à Rússia, e que os
militares russos estão matando russos étnicos na Ucrânia.
A crise representa potencialmente a maior janela de oportunidade no
quadro da contraofensiva ucraniana. O Grupo Wagner era a única força
russa relativamente efetiva no terreno. “Relativamente”, no contexto da
enorme incompetência e moral baixo dos militares russos. Os mercenários
levaram sete meses para tomar a pequena Bakhmut, no leste da Ucrânia.
Depois de sua retirada, no início deste mês, as forças ucranianas vinham
fazendo progressos em torno da cidade novamente.
Prigozhin afirmou que as tropas russas haviam sido derrotadas e
estavam se retirando das posições defensivas na Ucrânia. Na noite deste
sábado, hora local, as tropas ucranianas estão testando as linhas de
defesa russa, para verificar onde essa informação pode ser verdadeira.
Segundo estudo, startups brasileiras são majoritariamente B2B, sem
investimentos externos, fundadas por homens e sediadas no Sudeste.
Entenda!
Qual é o novo perfil das startups brasileiras?
4-razoes-para-investir-em-startups
As startups estão mais focadas em operar no modelo B2B. Foi o que
mostrou uma nova pesquisa feita pela ACE. Em outras palavras, vendem
produtos e serviços para outras empresas ― e não para o consumidor
final.
Embora os unicórnios brasileiros possam dar a impressão de que o
mercado do país é B2C, mais de 76% das startups brasileiras estão
focadas em atender outras empresas.
A pesquisa teve como objetivo mapear o perfil dos empreendedores de
base tecnológica no Brasil, para entender melhor as estruturas das
startups, os estágios de maturidade dos negócios e em que área atuam.
195 pessoas participaram do levantamento.
Perfil das startups brasileiras
Dos empreendedores entrevistados, 44,6% criaram seus negócios com
capital próprio, no formato bootstrap, sem ajuda externa. Como resultado
da falta de investimento, o crescimento das startups é mais lento,
sendo que para a maioria delas (35%), a taxa girou abaixo de 20% nos
últimos seis meses.
Embora a pesquisa tenha trazido novidades sobre o ecossistema de
startups no Brasil, ela também reforçou alguns pontos conhecidos, como a
falta de diversidade no setor.
Apenas 23,6% das startups são fundadas por mulheres, e a maioria
(66,7%) está localizada na região Sudeste do país. A região Sul vem em
segundo lugar, com 16,4%, seguida pelo Nordeste (10,8%), Centro-Oeste
(4,6%) e Norte (1,5%).
Empreendedores de segunda viagem
Segundo o estudo, uma tendência crescente entre os empreendedores é a
de criar uma segunda startup. Mais da metade dos entrevistados (51%)
estava nessa situação, sendo que 39% ainda não tinha vendido a primeira
empresa.
Essa tendência de “second time founders” é comum no Vale do Silício,
onde é mais frequente montar outro negócio do que não fazer mais nada.
Como o ecossistema brasileiro é relativamente jovem, há alguns anos era
difícil ver tantos empreendedores criando uma segunda empresa.
De acordo com os criadores do estudo, a presença de empreendedores de
segunda viagem ajuda a evoluir o ecossistema e potencializa o trabalho
realizado no setor.
Por que o modelo B2B é tão popular?
Apesar do modelo de negócios favorito das startups brasileiras ser o
B2B, esse cenário não se repete entre os unicórnios do país. Segundo a
plataforma CB Insights, 65% das startups que ultrapassaram o valuation
de US$ 1 bilhão atuam principalmente na venda para consumidores finais.
A maioria das startups (44,4%) prefere o modelo SaaS (software as a
service), que oferece maior agilidade, flexibilidade e previsibilidade
de receitas por meio de assinaturas. A ACE aponta que essa preferência
pelo modelo B2B SaaS é uma consequência direta da necessidade de
autofinanciar a operação.
Como as maiores cifras ainda são direcionadas às Séries B e C, muitos
fundadores acabam buscando um modelo que não exige muito dinheiro para
crescer. O B2B é mais barato para vender e manter o negócio,
principalmente em relação aos custos de marketing e vendas.
“Com mais capital, acesso e empreendedores de segunda viagem que
conseguem ter um fôlego financeiro maior, mais modelos de negócios
poderão ser testados”, concluiu Pedro Waengertner, cofundador e CEO da
ACE, em entrevista ao PEGN.
Qual a maturidade das startups?
Quase metade dos empreendedores entrevistados (44,6%) iniciaram suas
startups sem investimentos externos, sendo que mais da metade (53,5%)
nunca sequer tentou levantar capital com investidores. De acordo com a
pesquisa da ACE, os fundos de venture capital foram a opção preferida
para 25% dos entrevistados em busca de financiamento, seguidos por
investimento-anjo (15,5%) e corporate venture capital (14%).
Para 36% dos entrevistados, porém, não há uma preferência
definida pela origem do capital, o que, segundo a ACE, indica um nível
mais baixo de maturidade das startups. Isso sugere que a pergunta ainda
não é “qual é o melhor investidor para minha startup?”, mas sim “existe
investidor para mim?”.
Ao mesmo tempo, a maioria dos empreendedores (52%) está mais
interessada em networking e conexões, enquanto 13% estão focados em
mentoria com investidores, quando pensam em investimentos.
Por que importa?
Os resultados da pesquisa indicam que 48% dos empreendedores
ainda não vê como prioritária a criação de networking e conexões. Uma
alta porcentagem para um fator decisivo no sucesso de uma startup:
acessar networking para receber investimentos e para divulgar o produto.
Nesse sentido, para resolver o problema de networking, exposição e
ainda receber orientação sobre os melhores investidores para cada
startup, a Captable faz a introdução das startups para os players mais
adequados para cada perfil de negócio. Avançando nas negociações, é
possível realizar uma rodada pública e contar com alto nível de
exposição – combinado com os investidores profissionais que irão
acrescentar valor à startup.
CONSIDERAÇÕES SOBRE O QUE REPRESENTA A STARTUP VALEON NO VALE DO AÇO
Moysés Peruhype Carlech
Existem várias empresas especializadas no mercado para
desenvolver, gerenciar e impulsionar o seu e-commerce. A Startup Valeon é
uma consultoria que conta com a expertise dos melhores profissionais do
mercado para auxiliar a sua empresa na geração de
resultados satisfatórios para o seu negócio. Porém, antes de pensar em
contratar uma empresa para cuidar da loja online é necessário fazer
algumas considerações.
Existem diversos benefícios em se contratar uma empresa
especializada para cuidar dos seus negócios como a Startup Valeon que
possui profissionais capacitados e com experiência de mercado que podem
potencializar consideravelmente os resultados do seu e-commerce e
isto resulta em mais vendas.
A decisão de nos contratar pode ser tomada em qualquer
estágio do seu projeto de vendas, mas, aproveitamos para tecermos
algumas considerações importantes:
Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis
nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas
por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em
mídia digital. Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda
online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com
pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno
é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia
ainda mais barato. Diferentemente da mídia tradicional, no online, é
possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser
trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma
e realizar a mudança, voltando para o original quando for
conveniente. Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em
tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que
a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de
visualizações e de comentários que a ela recebeu. A mídia online
possibilita que o seu consumidor se engaje com o material
postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível
acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua
mensagem está agradando ou não a sua audiência. Outra possibilidade é a
comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal,
por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação
entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o
consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real,
criando uma proximidade com a empresa. Com as vantagens da propaganda
online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar
para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater
apenas à sua cidade. Uma das principais vantagens da
publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios
às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou
serviços, e excluir aquelas que não estão. Além de
tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus
anúncios, e quais as respostas aos mesmos. A publicidade online
oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes
à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores,
portáteis, tablets e smartphones.
Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas
exporem seus produtos e receberem acessos. Justamente por reunir uma
vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon
atrai uma grande diversidade e volume de público.
Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos
consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro
contato por meio dessa vitrine virtual. Tem grande variedade de ofertas
também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e,
inclusive, voltem com frequência pela grande
diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de
contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só
plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes. Inserir seus
anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo
“ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas
frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no
principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair
um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao
lojista o crescimento do negócio como um todo. Quando o assunto é
e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais
importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual,
atraindo os consumidores para comprar produtos dos
mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também
possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a
uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com
diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do
faturamento no e-commerce brasileiro em 2020.
Por que as grandes empresas querem se aproximar de startups?
Se pensarmos bem, é muito estranho pensar que um conglomerado
multibilionário poderia ganhar algo ao se associar de alguma forma a
pequenos empresários que ganham basicamente nada e tem um produto recém
lançado no mercado. Existe algo a ser aprendido ali? Algum valor a ser
capturado? Os executivos destas empresas definitivamente acreditam
que sim. Os ciclos de desenvolvimento de produto são longos, com taxas
de sucesso bastante questionáveis e ações de marketing que geram cada
vez menos retorno. Ao mesmo tempo vemos diariamente na mídia casos de
jovens empresas inovando, quebrando paradigmas e criando novos mercados.
Empresas que há poucos anos não existiam e hoje criam verdadeiras
revoluções nos mercados onde entram. Casos como o Uber, Facebook, AirBnb
e tantos outros não param de surgir.
A partir deste terceiro questionamento, surgem as primeiras
ideias de aproximação com o mundo empreendedor. “Precisamos entender
melhor como funciona este mundo e como nos inserimos!” E daí surgem os
onipresentes e envio de funcionários para fazer tour no Vale e a rodada
de reuniões com os agentes do ecossistema. Durante esta fase, geralmente
é feito um relatório para os executivos, ou pelas equipes de inovação
ou por uma empresa (cara) de consultoria, que entrega as seguintes
conclusões:
O plano de ação desenhado geralmente passa por alguma ação
conduzida pela área de marketing ou de inovação, envolvendo projetos de
aproximação com o mundo das startups. Olhando sob a ótica da startup,
uma grande empresa pode ser aquela bala de prata que estávamos esperando
para conseguir ganhar tração. Com milhares de clientes e uma máquina de
distribuição, se atingirmos apenas um percentual pequeno já conseguimos
chegar a outro patamar. Mas o projeto não acontece desta forma.
Ele demora. São milhares de reuniões, sem conseguirmos fechar contrato
ou sequer começar um piloto. Embora as grandes
empresas tenham a ilusão que serão mais inovadoras se conviverem mais
com startups, o que acaba acontecendo é o oposto. Existe uma expectativa
de que o pozinho “pirlimpimpim” da startup vá respingar na empresa e
ela se tornará mais ágil, enxuta, tomará mais riscos. Muitas vezes não
se sabe o que fazer com as startups, uma vez se aproximando
delas. Devemos colocar dinheiro? Assinar um contrato de exclusividade?
Contratar a empresa? A maioria dos acordos acaba virando uma “parceria”,
que demora para sair e tem resultados frustrantes.
Esta falta de uma “estratégia de casamento” é uma coisa muito comum. As
empresas querem controle. Não estão acostumadas a deixar a startup ter
liberdade para determinar o seu próprio rumo. E é um
paradoxo, pois se as empresas soubessem o que deveria ser feito elas
estariam fazendo e não gastando tempo tentando encontrar startups. As
empresas acham que sabem o que precisam. Para mim, o maior teste é
quando uma empresa olha para uma startup e pensa: “nossa, é exatamente o
que precisamos para o projeto X ou Y”.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar
ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais
operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além
de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também
resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os
lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a
ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a
responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade
de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso
crescimento.
A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a
oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de
divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma
Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum
tempo, por nossa livre e espontânea vontade, e desejamos que essa
parceria com a sua empresa seja oficializada. A exemplo de outras
empresas pelo país, elas estão levando para o ambiente virtual as suas
lojas em operações que reúnem as melhores marcas do varejo e um mix de
opções. O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o
cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de
compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia. Um dos
pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que pode tirar o máximo
de possibilidade de venda por meio da nossa plataforma. A começar pela
nossa taxa de remuneração da operação que é muito abaixo do valor
praticado pelo mercado. Vamos agora, enumerar uma série de vantagens
competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:
Nós somos a mudança, não somos ainda uma empresa
tradicional. Crescemos tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos
contar. Nossa história ainda é curta, mas sabemos que ela está
apenas começando. Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma
triplicar seu crescimento, não é?Colocamos todo esse potencial criativo
para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.
A Startup Valeon, um site marketplace de Ipatinga-MG, que faz
divulgação de todas as empresas da região do Vale do Aço, chama a
atenção para as seguintes questões:
• O comércio eletrônico vendeu mais de 260 bilhões em 2021 e superou pela primeira vez os shopping centers, que faturou mais de 175 bilhões. • Estima-se que mais de 35 bilhões de vendas dos shoppings foram migradas para o online, um sintoma da inadequação do canal ao crescimento digital. • Ou seja, não existe mais a possibilidade de se trabalhar apenas no offline. • É hora de migrar para o digital de maneira inteligente, estratégica e intensiva. •
Investir em sistemas inovadores permitirá que o seu negócio se expanda,
seja através de mobilidade, geolocalização, comunicação, vendas, etc. • Temas importantes para discussão dos Shoppings Centers e do Comércio em Geral:
a) Digitalização dos Lojistas; b) Apoio aos lojistas; c) Captura e gestão de dados; d) Arquitetura de experiências; e) Contribuição maior da área Mall e mídia; f) Evolução do tenant mix; g) Propósito, sustentabilidade, diversidade e inclusão; h) O impacto do universo digital e das novas tecnologias no setor varejista; i) Convergência do varejo físico e online; j) Criação de ambientes flexíveis para atrair clientes mais jovens; k) Aceleração de colaboração entre +varejistas e shoppings; l) Incorporação da ideia de pontos de distribuição; m) Surgimento de um cenário mais favorável ao investimento.
• Toda Startup quando entra no mercado possui o sonho de se tornar rapidamente reconhecida
e desenvolvida no seu ramo de atuação e a Startup Valeon não foge
disso, fazem dois anos que estamos batalhando para conquistarmos esse
mercado aqui do Vale do Aço. • Essa ascensão fica
mais fácil de ser alcançada quando podemos contar com apoio de parceiros
já consolidados no mercado e que estejam dispostos a investir na
execução de nossas ideias e a escolha desses parceiros para nós está na
preferência dos empresários aqui do Vale do Aço para os nossos serviços. •
Parcerias nesse sentido têm se tornado cada vez mais comuns, pois são
capazes de proporcionar vantagens recíprocas aos envolvidos. • A Startup Valeon é inovadora e focada em produzir soluções em tecnologia e estamos diariamente à procura do inédito. •
O Site desenvolvido pela Startup Valeon, focou nas necessidades do
mercado e na falta de um Marketplace para resolver alguns problemas
desse mercado e em especial viemos para ser mais um
complemento na divulgação de suas Empresas e durante esses dois anos de
nosso funcionamento procuramos preencher as lacunas do mercado com
tecnologia, inovação com soluções tecnológicas que facilitam a rotina
dessa grande empresa. Temos a missão de surpreender
constantemente, antecipar tendências, inovar. Precisamos estar em
constante evolução para nos manter alinhados com os desejos do
consumidor. Por isso, pensamos em como fazer a diferença buscando estar sempre um passo à frente. •
Temos a plena certeza que estamos solucionando vários problemas de
divulgação de suas empresas e bem como contribuindo com o seu
faturamento através da nossa grande audiência e de muitos acessos ao
site (https://valedoacoonline.com.br/) que completou ter mais de 100.000
acessos.
• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing; • Atraímos visualmente mais clientes; • Somos mais dinâmicos; • Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções; • O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes; • Proporcionamos aumento do tráfego orgânico. •
Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em buscadores,
redes sociais e em várias publicidades online para impulsionar o
potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as suas vendas.
Nós da Startup Valeon, oferecemos para continuar a divulgação
de suas Empresas na nossa máquina de vendas, continuando as atividades
de divulgação e propaganda com preços bem competitivos, bem menores do
que os valores propostos pelos nossos concorrentes offlines. Pretendemos
ainda, fazer uma página no site da Valeon para cada empresa contendo:
fotos, endereços, produtos, promoções, endereços, telefone, WhatsApp,
etc. O site da Valeon é uma HOMENAGEM AO VALE DO AÇO e esperamos que
seja também uma SURPRESA para os lojistas dessa nossa região do Vale do
Aço.
Indústria Disputa por gigante petroquímica envolve Lula e pode ampliar tentáculos do Estado Por Raphaela Ribas, especial para a Gazeta do Povo
Data: 30.01.2014
Local: Mauá, São Paulo
Cliente: Braskem
Química
Unidade: Plantas Industriais
Localidade: Mauá
Assunto: Fotos aéreas da planta Unib Cracker de Mauá.
1.1.3.
Assistente: Leonardo Reis
Foto: Bitenka
Polo petroquímico da Braskem em Santo André, no ABC Paulista: com
Novonor (ex-Odebrecht) de saída, Unipar e Petrobras estão entre as
candidatas ao controle da empresa.| Foto: Reprodução/Braskem
O
controle da Braskem, maior petroquímica do país, está em jogo. O
desfecho ainda é imprevisível, mas envolve duas hipóteses principais: de
um lado, a iniciativa privada continua no comando; de outro, o governo
pode voltar a dar as cartas no setor, revertendo um processo de
desestatização realizado em etapas desde os anos 1990.
O fim dessa história depende, em grande parte, da decisão de uma
pessoa: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), histórico defensor
da atuação direta do Estado na economia.
Hoje a Braskem é controlada pela Novonor (antiga Odebrecht), dona de
38,3% do capital total, que está afundada em dívidas e planeja deixar o
negócio. A estatal Petrobras é a segunda maior acionista, com 36,1%.
Sócios minoritários detêm os 25,6% restantes.
Em maio, o consórcio formado pela Empresa Nacional de Petróleo de Abu
Dhabi (Adnoc) e a gestora norte-americana Apollo ofereceu à Novonor R$
47 por ação, dos quais R$ 20 em dinheiro e o restante em instrumentos
como “debêntures perpétuas” e warrants (títulos de garantia).
Em junho, a Unipar, segunda maior petroquímica brasileira, ofereceu
aproximadamente R$ 10 bilhões, ou R$ 36,50 por ação, totalmente em
dinheiro, numa proposta que pode ser estendida aos demais sócios.
Enquanto isso, os irmãos Batista, donos da JBS, que já tiveram
proposta recusada anteriormente, continuam interessados e articulam uma
nova oferta.
Um relatório do BTG Pactual avaliou a proposta da Unipar como mais
atraente que a da Adnoc/Apollo, pois o “valor presente líquido” desta
última seria menor – menos de R$ 30 por ação. A opção pela Unipar também
seria mais favorável aos credores e levaria a um grande corte no
endividamento da companhia, de mais de R$ 14 bilhões.
A questão é que, pelo acordo de acionistas da Braskem, a Petrobras
tem direito de preferência na compra da participação de sua sócia
Novonor. Se a estatal tiver interesse, portanto, o negócio é dela.
Uma eventual aquisição elevaria a participação da Petrobras na
Braskem para quase 75% do capital total. No caso do capital votante, a
fatia chegaria a 97,1% – hoje a Novonor detém 50,1% das ações ordinárias
(com direito a voto) e a Petrobras, 47%.
A Braskem tem 40 unidades industriais e emprega 8 mil pessoas em 11
países. No ano passado, registrou receita líquida de US$ 18,7 bilhões
(4% menos que em 2021) e prejuízo líquido de US$ 70 milhões (ante lucro
de US$ 2,6 bilhões no ano anterior).
Investigada pela Operação Lava Jato na década passada, a empresa
admitiu pagamento de propinas a políticos e partidos para fechar
contratos com a Petrobras. Em 2019, assinou acordo de leniência no valor
de quase R$ 2,9 bilhões com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a
Advocacia Geral da União (AGU). Em 2021, seu ex-presidente José Carlos
Grubisich foi condenado a 20 meses de prisão nos Estados Unidos por
participação em esquema para subornar funcionários da Petrobras.
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Lula é quem vai decidir participação da Petrobras na Braskem Por
ora, não se sabe o que a Petrobras fará. Nesta quinta-feira (22), o
presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), Aloizio Mercadante, disse que a decisão está nas mãos de Lula. O
BNDES é um dos bancos credores da Braskem, ao lado de instituições como
Bradesco, Itaú e Santander.
“Petrobras e BNDES vão aguardar juntos decisão do presidente Lula
sobre a Braskem”, afirmou Mercadante em entrevista coletiva concedida
junto com o presidente da estatal, Jean Paul Prates. “Estamos
trabalhando, fazendo análise, mas a gente pode se mover tanto para um
lado quanto para o outro”, disse Prates.
Fontes ligadas ao setor veem com preocupação a possibilidade de a
Petrobras fazer uso de seu direito de preferência e se tornar
controladora da Braskem. Há quem mencione o risco de monopólio na
cadeia. Outros observam que o comando estatal deixaria a Braskem
suscetível a ingerência política e outros interesses, em prejuízo da
empresa, dos acionistas privados e do setor.
“A empresa hoje tem capital aberto e gestores cuja visão é privada. O
peso para o lucro dos acionistas e a parte social é o mesmo. À medida
que muda o controle da empresa e aumenta a participação da Petrobras,
pode-se ter uma gestão típica da Petrobras, com visão mais social, e
isso acaba tendo peso na atividade econômica da empresa. Interfere na
margem e lucro dos acionistas”, diz Marcus Delia, sócio-diretor da
Leggio Consultoria.
Segundo ele, a Braskem é a principal fornecedora de resinas
termoplásticas da indústria petroquímica no Brasil. Ela produz químicos
básicos que são usados na produção de plástico.
Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, compartilha algumas
interrogações sobre as diretrizes do governo. Para ele, a atual gestão
busca sinergia com o mercado petroquímico, o que pode levar a Petrobras a
buscar o controle da Braskem.
Por outro lado, observa Arbetman, a aquisição pode ser questionada no
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) se houver
interpretação de monopólio em algum momento do processo de venda. O
mesmo vale, aliás, no caso de compra pela Unipar.
Outro ponto levantado por Arbetman é que, se o martelo bater a favor
de uma empresa privada, os sócios minoritários têm direito à chamada tag
along – isto é, poderão vender suas fatias pelos mesmos valores
oferecidos à Novonor.
“Se a Petrobras comprar, pagará somente o que acordar com a Novonor,
potencialmente menos, porque não tem que estender a proposta para
outros. A priori, ficaria mais barato”, diz o analista da Ativa.
O relatório do BTG Pactual corrobora essa observação: “Se a Petrobras
decidir comprar a Novonor, acreditamos que os acionistas minoritários
não capturarão vantagens dos direitos de tag along uma vez que não
envolve uma mudança de controle”.
Negociações pela Braskem podem demorar As conversas sobre a venda
da parte da Novonor na Braskem vêm se desenrolando e podem demorar. Para
fontes próximas das negociações, a Petrobras como controladora afasta
investidores. De todo modo, a aquisição por uma compradora privada
exigiria negociação com a Petrobras, dada a sua posição relevante no
quadro de acionistas. Outra possibilidade à mesa é uma divisão de ativos
entre a eventual nova controladora privada e a Petrobras.
Delia, da Leggio Consultoria, acredita que a Unipar se destaca nessa
disputa por ser um player relevante do mercado petroquímico. Enquanto
isso, um fundo – no caso, a gestora norte-americana Apollo – é
interessante porque atrai investimentos.
A proposta da Unipar contempla o pagamento parcial dos bancos
credores e novas condições para o saldo da dívida remanescente. A
Petrobras provavelmente continuaria como sócia.
Segundo a Unipar, a negociação com a Petrobras e sua participação nos
termos da operação ocorrerá “no momento adequado”, equilibrando os
interesses dos envolvidos. “O desenho final da estrutura do negócio
ainda não está definido. A estrutura final da transação ainda será
definida com o sócio”, diz a companhia.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, havia afirmado que
a Petrobras continuará como sócia da petroquímica Braskem, se depender
da vontade do governo. Nesta semana rumores chegaram a sugerir que a
petroleira teria desistido de comprar a fatia da Novonor, mas a estatal
negou qualquer decisão.
“A companhia reafirma que não há qualquer decisão da diretoria
executiva ou do conselho de administração em relação ao processo de
desinvestimento ou de aumento de participação na Braskem ou de qualquer
outra empresa. A companhia segue observando e analisando a situação e
aguardará o momento certo de tomar decisões”, informou a estatal, em
nota.
Procuradas, Braskem e Novonor não quiseram comentar o assunto.
Braskem é cobrada por dano ambiental em Maceió As conversas sobre a
venda da participação da Novonor trouxeram novamente à tona acusações
de desastre ambiental provocado pela Braskem em Maceió (AL). A extração
de sal-gema pela empresa ao longo de quatro décadas teria provocado o
afundamento do solo em cinco bairros da capital alagoana em 2018,
afetando aproximadamente 50 mil pessoas.
A Braskem lançou um programa de compensação para as famílias
afetadas, e Alagoas também pede indenização. Em maio, a Justiça do
estado bloqueou R$ 1,1 bilhão da petroquímica para garantir o pagamento
de danos patrimoniais. Segundo a revista “Veja”, a Braskem disse já ter
desembolsado R$ 7,5 bilhões pelo estrago e ter mais R$ 6,1 bilhões em
provisões para reparar os danos.
Em maio, quando Adnoc e Apollo fizeram sua proposta de compra da
parte da Novonor, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que o
Senado e o governo de Alagoas não vão permitir um acordo que não resolva
os problemas ambientais em Maceió. Disse também que falaria com Lula e
Jean Paul Prates para garantir que as vítimas tenham direito ao mesmo
tratamento dispensado aos bancos credores da empresa.
Nesta quinta-feira (22), houve um incidente grave nas instalações da
companhia em Santo André, no polo petroquímico do ABC paulista. A
explosão de um tanque, seguida de incêndio, matou um operário de uma
empresa terceirizada e feriu ao menos seis pessoas.