sexta-feira, 9 de junho de 2023

CPI DO 8 DE JANEIRO PODE SERVIR PARA ESVASIAR A ACUSAÇÃO DE TENTATIVA DE GOLPE

 

CPMI
Renan Ramalho – Gazeta do Povo
e
Por
Sílvio Ribas – Gazeta do Povo
Brasília


Policiais conduzem à prisão invasores do Palácio do Planalto, em 8 de janeiro| Foto: André Borges/EFE

Mais do que imputar ao governo uma suposta omissão na segurança da Praça dos Três Poderes, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro poderá servir para esvaziar a acusação de que os manifestantes tentavam efetivamente dar um golpe de Estado. Esse é o plano de boa parte dos representantes da oposição que integram o colegiado. Se tiverem sucesso em influenciar o julgamento final, a ser feito no Supremo Tribunal Federal (STF), poderão reduzir significativamente a pena dos réus em caso de condenação.

Para isso, deputados e senadores da direita querem dar voz a testemunhos de detidos, seja diretamente ou por meio de seus advogados, visitar as prisões e colher elementos que possam individualizar de forma mais minuciosa a conduta de parte dos manifestantes, de modo que sejam enquadrados de maneira mais exata nos crimes apontados ou mesmo inocentados.

VEJA TAMBÉM:
Oposição no Senado se prepara para ocupar novas comissões permanentes
Inação do Congresso no caso Dallagnol consagra resistências à Lava Jato nos Três Poderes
Marcel van Hattem: Caso Deltan: aos amigos, tudo; aos inimigos, nem mesmo a Constituição


Um dos grandes problemas observados na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) é a falta de uma descrição pormenorizada do que fez cada um dos investigados. A peça acusatória é basicamente a mesma para as centenas de acusados: o órgão narra o que aconteceu em 8 de janeiro e caracteriza a manifestação que ocorria em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, como uma tentativa de incitar as Forças Armadas a destituir do poder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Uma investigação mais detalhada e aberta pela CPMI poderá subsidiar a defesa dos réus, inclusive para identificar os reais agentes que praticaram ou induziram atos extremos de depredação. O objetivo final é sensibilizar a opinião pública para eventuais injustiças nos processos que tramitam contra eles sob a condução do ministro Alexandre de Moraes.

Defensores ouvidos pela reportagem consideram que o trabalho da comissão poderá ser útil no curso da ação penal no STF. É dentro dela que as partes poderão agora juntar novas provas, aprofundar o entendimento do que ocorreu até o julgamento final, que será feito pelos 11 ministros da Corte, para condenar, definir penas e absolver eventuais inocentes.

“Separar o joio do trigo”
Utilizando a frase “a busca da verdade” como tema central de suas intervenções, os congressistas da oposição estão combinando os seus discursos e as suas ações no colegiado para alcançar objetivos, cientes da resistência que estão enfrentando da maioria dos 32 integrantes, que é alinhada ao governo. Neste sentido, já apresentaram dezenas de requerimentos com foco na chamada “separação do joio (vândalos) do trigo (manifestantes)”.

Os parlamentares deixarão claro que os defensores legais dos acusados estarão na linha de frente da argumentação para individualizar as diferentes culpas imputadas. Dos 1.176 denunciados até agora, 227 respondem por associação criminosa, abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado e dano qualificado contra o patrimônio público.

Se forem condenados por todos esses crimes, essas pessoas podem pegar penas que somam até 26 anos de reclusão. Se forem retirados os crimes contra o Estado Democrático de Direito, as punições poderiam ser reduzidas em 20 anos. A pena restante, que poderia variar de 3 a 6 anos, dependendo do enquadramento, poderia com isso ser cumprida no regime aberto ou semiaberto (no qual o preso pode trabalhar fora durante o dia e só dormir na penitenciária).

Segundo coordenadores de equipes de assessores ouvidos pela Gazeta do Povo, os gabinetes dos parlamentares da oposição têm prestado assistência integral a detentos desde janeiro. Esse apoio inclui visitas, encaminhamento de queixas às autoridades judiciais, solicitação de audiências, tentativas de contato com advogados, apoio espiritual e até mesmo auxílio no transporte para outros locais após a soltura.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) tem concentrado seus esforços na CPMI em prestar assistência aos detentos, especialmente mulheres, crianças e suas famílias. Ela apela para a sensibilidade das demais parlamentares mulheres da comissão, em especial a relatora Eliziane Gama (PSD-MA), para realizar visitas à carceragem feminina Colmeia em Brasília, ouvir relatos e permitir que seus advogados atuem. “Por respeito aos direitos humanos e solidariedade às pessoas que tiveram suas prerrogativas violadas, buscarei na CPMI os meios para esclarecer todos os fatos e evitar injustiças”, disse.

O senador Magno Malta (PL-ES), segundo vice-presidente da CPMI, também tem focado seus discursos na denúncia de arbitrariedades judiciais e no abandono de milhares de manifestantes, incluindo idosos e pessoas com comorbidades. Ele rejeita a ideia de rotular essas pessoas como golpistas ou terroristas.

“Estamos em busca da verdade. Vamos retirar dezenas de pessoas do ‘SPC do crime’. Há pessoas usando tornozeleira eletrônica que sequer estavam na Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro. Que as investigações sejam iniciadas e que os verdadeiros culpados sejam punidos”, ressalta.

O senador Jorge Seif (PL-SC) acredita que a busca pela verdade defendida pela oposição não impede que os criminosos sejam responsabilizados por seus atos no dia 8 de janeiro. Porém, ele vê os esforços da minoria parlamentar em superar as resistências dos governistas como uma forma de ajudar a pacificar o país após os episódios e permitir que a defesa desempenhe seu papel dentro de uma democracia. Seif aposta na elaboração de um relatório paralelo caso se confirme a tendência de que a relatora Eliziane Gama não aborde os aspectos que a oposição deseja esclarecer.

CPMI poderá esclarecer as condutas dos investigados

Apesar desses esforços, os parlamentares encontraram dificuldades em influenciar o inquérito, que foi extremamente incomum e rigoroso. A sua estratégia tem se resumido a fazer apelos diretos ao ministro Alexandre de Moraes e a denunciar publicamente os abusos encontrados.

Para o defensor público Gustavo de Almeida Ribeiro, que defende boa parte dos denunciados, a CPMI poderá alterar o entendimento dos ministros do STF no julgamento final se detalhar melhor a conduta de cada denunciado. “Se não a todas as pessoas, pelo menos de parte delas. Houve pessoas que chegaram à Praça dos Três Poderes após a confusão. Tudo que for produzido pela CPMI, e for favorável à defesa, vamos tentar utilizar, sem dúvida. Espero que isso seja considerado sim pelos ministros”, disse.

Para o advogado Bruno Jordano, que integra um grupo de colegas que atende 50 denunciados, o principal interesse na CPMI é esclarecer melhor as condutas. “A gente espera separar o joio do trigo, saber quem se omitiu, quem participou ou não da depredação, para que saiam da generalidade e tenham condutas individualizadas. As pessoas que respondem a esses processos são as maiores interessadas, buscam luz e publicidade sobre essas ações. Os inquéritos foram instruídos de modo sigiloso, e acreditamos que a CPMI possa dar publicidade aos fatos”, disse.

Em relação à perspectiva de os governistas atribuírem ao ex-presidente Jair Bolsonaro o papel de mentor intelectual dos eventos de 8 de janeiro, a oposição já decidiu apresentar como contraponto o fato de que ele estava no exterior na ocasião e não ocupava mais o cargo de presidente.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/direita-monta-plano-para-derrubar-versao-de-tentativa-de-golpe-na-invasao-de-8-de-janeiro/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

O BRASIL PRECISA DE INVESTIMENTOS PRIVADOS E O AGRONEGÓCIO FAZ ISSO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Governo Lula tem se colocado contra medidas que ampliam investimentos privados.| Foto: André Coelho/EFE


Para um país que precisa crescer, gerar empregos e aumentar a renda média pessoal, uma das condições é o aumento da taxa de investimento. O Brasil tem possibilidades de crescimento, a começar com o grande setor do agronegócio, que é uma das esperanças do mundo para alimentar a população global que já passou dos 8 bilhões de habitantes. Nesse sentido, joga contra a nação e contra os interesses dos mais pobres o próprio presidente da República, quando chama os empreendedores do agronegócio de fascistas, quando grita contra a privatização de empresas estatais e ameaça reestatizar empresas já privatizadas, e quando diz que o governo vai cancelar todo o programa de privatizações, incluindo aquelas já em andamento, como é o caso dos Correios e da Eletrobras.

Toda vez que um político diz em campanha que vai aumentar programas sociais, elevar salários dos servidores da máquina estatal, aumentar investimentos e aumentar o nível de emprego, ou ele não cumprirá o que prometeu, ou aumentará os impostos, ou fará mais dívida. Como os candidatos não gostam de anunciar medidas impopulares, torna-se inevitável que as campanhas eleitorais apresentem mentiras e demagogia – e nas última eleição presidencial vimos muitos exemplos disso. Mas não precisaria ser esse o caminho se os governos tivessem um pouco menos de apego a ideologias e modelos ultrapassados de gestão pública e incentivassem – de fato – os investimentos da iniciativa privada.

É preciso que o governo se desapegue da visão distorcida de que o setor produtivo é um “inimigo”. E isso parece cada vez mais difícil.

A capacidade produtiva do país hoje é limitada. Temos uma população economicamente ativa (aquela em condições de trabalhar) composta por 108 milhões de pessoas, e um PIB que gira em torno de R$ 10 trilhões, divididos em duas fatias: 20% (R$ 2 trilhões) de bens de capital, que inclui fábricas, máquinas, equipamentos e infraestrutura; e outra, representada por 80% (R$ 8 trilhões) de bens e serviços de consumo. Quando os bens de capital – capital físico – são incorporados ao sistema produtivo nacional e aumenta o tamanho deste, a isso se chama de “investimento”.

Nessa lógica, a estrutura nacional de capital físico é resultado de anos e anos de produção de bens de capital, logo, se a infraestrutura física, empresarial e social atual apresenta deficiências – por exemplo, sendo pequena e insuficiente para o tamanho do país e da população – é porque o investimento anual do passado não acompanhou o crescimento população e a evolução da economia nacional. Uma das saídas é o próprio governo usar parte da arrecadação – hoje em torno de 34% do PIB – para fazer investimentos. Mas ao gastar mais no aumento do capital físico nacional, menos recursos sobram para os serviços públicos e os programas sociais. Então, o melhor programa social é a privatização do que for possível dos investimentos, isto é, conseguir que o setor privado faça o máximo investimento possível.

VEJA TAMBÉM:
O asco de Lula com o setor produtivo
As razões da privatização
Correios, privatizações e “oferta de cidadania”


Dizendo de outro modo, quanto maior for o nível de investimento feito por empresas privadas, em infraestrutura, por exemplo, mais recursos sobrarão para o governo priorizar os programas sociais. Um governo que se recusa a transferir o máximo de investimentos ao setor privado, ou eleva gastos com obras de investimento e, portanto, gastará menos com serviços e programas sociais, ou reduz os investimentos ao mínimo – para poder gastar com o social – e com isso compromete o futuro, reduz o PIB potencial dos anos seguintes e se torna fator de atraso.

O caminho para incentivar o setor privado a executar investimentos inclui aprovar legislação de investimentos privados nacionais e estrangeiros na infraestrutura física, atualizar o marco regulatório das parcerias público-privadas e ampliar as concessões de estruturas estatais, especialmente nas rodovias, ferrovias, portos, aeroportos etc. Além dos efeitos em termos de aumento do PIB, cuja contrapartida é aumento da renda nacional na mesma proporção, o aumento do investimento nacional é condição necessária à melhoria da renda por habitante. Por exemplo, com alguma variação, sabe-se que o investimento tem de ser algo como 25% do PIB anual para que o crescimento do produto nacional cresça 5%. Não é uma receita tão complicada, mas para aplicá-la, é preciso que o governo se desapegue da visão distorcida de que o setor produtivo é um “inimigo”. E isso parece cada vez mais difícil.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/o-erro-de-tratar-o-setor-produtivo-como-inimigo/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

SENADORES TORRAM DINHEIRO COM RESTAURANTES SOFISTICADOS, CARRÕES E COMBUSTÍVEL PARA AVIÃO

Por
Lúcio Vaz – Gazeta do Povo


| Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Novos e antigos senadores estão torrando dinheiro público com restaurantes sofisticados, carrões de luxo e combustível para avião. Ciro Nogueira (PP-PI) gastou R$ 175 mil com essas mordomias. Pagou R$ 891 por um banquete para 22 pessoas e registrou que era um “compromisso de natureza política”. O Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) pagou R$ 930 por um buffet para 10 pessoas mais R$ 1,4 mil por outro buffet para 15 pessoas no Steack Bull Gourmet. Os gastos com os banquetes do astronauta equivalem a quatro benefícios do Bolsa Família.

De volta ao Senado, o ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira gastou R$ 43 mil com combustível para avião. Para os seus deslocamentos no estado, alugou uma caminhonete Toyota Hilux por R$ 20 mensais até março. Em abril, alugou um SUV Toyota Diamond por R$ 15 mil. Consumiu mais R$ 44 mil com combustível para automóveis. Neste ano, abandonou os banquetes no bairro nobre Cerqueira César, em São Paulo.

O valor de uma Hilux varia muito país afora. Laércio Oliveira (PP-SE) fretou uma por R$ 12,7 mil. Renan Calheiros (MDB-AL) pagou R$ 10 mil. Ângelo Coronel (PSD-BA) conseguiu uma Hilux por 9 mil. O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), alugou logo uma frota: uma camionete Toro, um Compass e um Corolla, tudo por R$ 13 mil.

Weverton (PDT-MA) pagou R$ 10,8 mil por uma Frontier em janeiro e fevereiro. Em abril, alugou um Jeep Compass por R$ 4,9 mil. Mecias de Jesus (Republicanos-RR) fretou uma Trailblazer por R$ 10,5 mil de janeiro a março. Eliziane Gama (PSD-MA), relatora da CPMI do 8/1, alugou uma Pajero por 10 mil em janeiro. Depois, trocou por um Toytota Yares por R$ 4,5 mil e acabou com um Onix por R$ 3 mil.

Zequinha Marinho (Podemos-PA) alugou um avião por R$ 19,5 mil no trajeto entre Belém e Altamira, ida e volta. Levou junto a senadora Damares (Republicanos-DF). Jayme Campos (União-MT) torrou R$ 19,8 mil com combustível para avião em janeiro. Em abril, pagou R$ 3 mil pela hospedagem do assessor sênior Carlos Alberto Soares no hotel Winsor Brasília, com diárias a R$ 1 mil e R$ 1,7 mil.

VEJA TAMBÉM:
Adido militar recebe indenizações acima de R$ 300 mil, com despesas sob sigilo
“Fuego Alma e Vino”
Astronauta esteve ainda no Rancho Português Leitão à Bairrada, na Vila Olímpia, em São Paulo, onde saboreou uma porção de babalhau de R$ 370. A conta fechou em R$ 547. No Le Birosque, pagou R$ 657 por um almoço, em janeiro, com três porchetas a R$ 375. Carlos Portinho (PL-RJ) bancou, com dinheiro público, em janeiro, ”jantar com imprensa” no Mari Cuisine por R$ 592. Quase um Bolsa Família. Teve Ravioli Farcis au Chevre e Coc au vin Bouguignonne. Naquele mês, custeou mais três almoços com jornalistas.

A senadora Ana Paula Lobato (PSD-MA) frequentou vários restaurantes. Em março, pagou R$ 710 por um almoço no Rossini Steak House, no Calhau, em São Luís. Em Brasília, no Fuego Alma e Vino, consumiu peixe do dia, vacio 350 gr e chorizzo parrilero, tudo por R$ 444. No final do mês, retornou ao restaurante e consumiu mais R$ 433. O prato principal foi Costela del Fuego. Em abril, consumiu um Espeto Adulto por R$ 597 Churrascaria Fogo de Chão. A conta foi de R$ 630.

Mas o deputado Giordano (MDB-SP) continua liderando os gastos com restaurantes. Foram 71 refeições no valor total de R$ 19 mil neste ano. As 10 mais caras tiveram o valor médio de R$ 600 – o equivalente a um benefício do Bolsa Família, que visa assegurar alimentos para uma família por um mês. Em janeiro, também esteve no Fuego Alma e Vino. Comeu um bife ancho e pagou conta de R$ 325. Na Churrascaria Rodeio, comeu um salmão grelhado, acompanhamentos, e pagou R$ 530. No Vanide Hahal Restaurante, a conta chegou a R$ 850. A casquina de camarão custou R$ 210; o Cambuco de Estrelas, R$ 274. Em fevereiro, retornou à Rodeio e consumiu mais R$ 760. O prato principal foi uma picanha fatiada por R$ 370.

VEJA TAMBÉM:
Lula gasta R$ 6 milhões com viagens a nove países e perde o controle do Congresso
Dentro das “normas legais”

Zequinha Marinho afirmou ao blog que “as dificuldades logísticas e o tamanho territorial do estado impõem desafios ao mandato”. Disse que Altamira sediou naquele dia (23 de março) uma reunião com lideranças locais para tratar do Território Ribeirinho. “Na impossibilidade de se deslocar em voo comercial, foi necessário fretar a aeronave que, além do senador, transportou também a senadora Damares Alves. Ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a senadora tem atuado em temas relacionados à pauta dos povos tradicionais, buscando dirimir conflitos”, diz nota de Marinho.

O senador Giordano afirmou que, nos ressarcimentos de alimentação, “todos os pedidos são feitos em respeito às normas legais, estando restritos a compromissos de natureza política, funcional ou de representação parlamentar, nos moldes do regramento estabelecido pelo Senado Federal, razão pela qual os referidos ressarcimentos são deferidos pela casa legislativa.

A assessoria de Giordano afirmou que “os jantares aconteceram com a imprensa para acompanhamento da atividade parlamentar do senador, como exposto no portal da transparência”.

Astronauta afirmou que “todos os procedimentos legais, regimentais e de transparência foram estritamente cumpridos, todas as despesas objeto do questionamento estão previstas de ressarcimento com base no inciso IX, do artigo 3º do Ato do Primeiro-Secretário nº 5 de 2014, in verbis:

“IX – alimentação, ressalvadas bebidas alcoólicas do parlamentar ou de terceiros, quando em compromisso de natureza política, funcional ou de representação parlamentar, ressalvados os de caráter eleitoral, observado o § 6º do art. 6º.”

“Portanto, as despesas ora questionadas estão todas dentro da legalidade e dos limites estabelecidos pelo Senado Federal à todos os Senadores”, afirmou Marcos Pontes.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lucio-vaz/senadores-esbanjam-dinheiro-com-banquetes-carroes-e-combustivel-para-seus-avioes/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

 

ZANIN ADVOGADO QUE GANHA MILHÕES QUER SER MINISTRO DO STF PARA GANHAR R$ 37 MIL

 

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


Cristiano Zanin foi indicado pelo presidente Lula para uma vaga no STF| Foto: Paulo Pinto/Agência PT

Eu queria entender porque um advogado que ganha milhões em cada causa, como Cristiano Zanin, de repente, faz um esforço enorme para ganhar R$ 37 mil por mês. Eu não entendo.

Tampouco entendo, como é que alguém que é advogado a vida toda de repente vira juiz supremo. Pessoa que tem na cabeça a natureza do advogado, que é defender uma causa, defender uma pessoa e de repente se torna juiz, onde só tem que defender a lei, a justiça, o equilíbrio, a Constituição, ouvir a defesa, ouvir a acusação e dar uma sentença ou interpretar um veredito de um júri.

Eu não entendo principalmente por causa do lado financeiro. Advogado bom ganha milhões. Ministro de Supremo ganha R$ 37 mil por mês. Claro que tem lá as mordomias. Mas não sei exatamente o que move a pessoa que tem esse sonho.

Zanin agora está percorrendo a bancada evangélica. Ele vai ser sabatinado no Senado e vai precisar do voto da maioria simples dos 81 senadores. É por maioria simples. Então tem alguma coisa. Ele está dizendo lá que ele é cristão, terrivelmente cristão talvez até. Defende os valores da família, é contra o aborto, é contra a liberação da droga. É uma vontade imensa de ser ministro do Supremo.

Tomara que um dia passe essa proposta de emenda constitucional do deputado Luiz Felipe de Orleans e Bragança, que exige 20 anos de experiência como juiz e parece que dez anos de mandato. Depois sai, vai outro. Não tem essa história de advogado. Eu me lembro quando fizeram a Constituição, o lobby que fez a OAB para botar advogado em tribunais superiores. Não entendo. Mas, enfim, estão aí os resultados.

Lula não vai à Marcha para Jesus e representante é vaiado
O presidente Lula não foi à Marcha para Jesus, embora tenha sido convidado. Enviou um representante, o ministro da Advocacia Geral da União (AGU), Jorge Messias. Aquele Messias que estava levando a nomeação de Lula para ministro do Gabinete Civil e que foi impedido pelo Supremo. Tal como o Supremo impediu a nomeação do diretor da Polícia Federal no governo Bolsonaro.

Ele começou a discursar, trazendo o recado do presidente, foi interrompido por vaias. Apóstolo Hernandes, pediu à multidão que não vaiasse, mas não adiantou. A multidão vaiou, muita gente. Lula estava na praia, na Bahia. Sabia que ia ter vaia, né?

Pesquisa mostra popularidade de Lula: melhor no Nordeste, pior em Curitiba
Mas ele em São Paulo está bem, saiu uma pesquisa do Paraná Pesquisas. Em São Paulo, está com 55% aprovação e 38% de reprovação. Onde está mal é em Curitiba, terra do Deltan Dallagnol. Lá em Curitiba, ele está com 53% de reprovação e 43% de aprovação.

Onde ele está melhor, com 69% de aprovação é em Fortaleza. Salvador também, Recife acima de 60%. Porto Alegre, por exemplo, está praticamente empatado. Em Manaus, 49% de reprovação, 44% de aprovação. E no Rio de Janeiro, 49% de aprovação e 44% de reprovação.

São, pelo que a gente ouve aí na rua, os resultados até que tão bons para o presidente da república. Parece que o pessoal não está acompanhando o noticiário que está mostrando exatamente o que está acontecendo nesse país.

Eu vejo, por exemplo, essa história aí do carro popular talvez tenha ajudado, só que dificilmente vai funcionar. Vamos esperar. Mas acho que não vai acontecer muita coisa em consequência, porque é para beneficiar a montadora, para montadora desovar os estoques e as concessionárias, idem. Vamos ver o que vai acontecer.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/zanin-quer-passar-de-advogado-que-ganha-milhoes-a-ministro-do-stf-que-ganha-r-37-mil/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

CASSAÇÃO DO DEPUTADO DELTAN DALLAGNOL FOI UMA VINGAÇA PESSOAL DE LULA

 

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo


Ong vê que cassação de Dallagnol afeta a segurança jurídica eleitoral e abre precedente para decisões futuras.| Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, com a concordância expressa do que eles chamam de “Mesa”, tornou-se cúmplice de uma vingança indecente. A cassação do mandato do deputado Deltan Dallagnol é isso, e unicamente isso: a vingança pessoal do presidente da República contra o promotor que o acusou no processo em que foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e por conta do qual passou vinte meses num xadrez da Polícia Federal. No Brasil de hoje, é assim que as coisas funcionam.

Quem resolve eleição, aqui, não é o eleitorado – é uma aberração chamada TSE, algo que não existe em nenhuma democracia séria do mundo, e esse TSE trabalha como uma facção política a serviço do governo Lula. Aplicam leis que eles mesmos inventam – eles ou o Supremo Tribunal Federal, de onde recebem as suas ordens. Decidem o que os candidatos podem falar durante a campanha, e o que não podem. Fazem censura. Aplicam punições. Contam os votos – e dizem quem foi eleito. Deram-se o direito, também, de cassar mandatos.

Lula não se contentou em ficar livre da condenação por roubalheira. Além de ficar impune, também quis ir à forra. Exigiu a cabeça do deputado e foi atendido.

O TSE não cassou apenas o mandato do deputado Dallagnol. Declarou nula, para todos os efeitos práticos, a vontade do povo do Paraná; os 344.000 cidadãos que votaram nele nas últimas eleições acabam de ser informados que os seus votos não valem nada. Dallagnol foi o deputado federal mais votado do Paraná, mas e daí? Em seu lugar, por decisão do Supremo, ficou um candidato que teve 12.000 votos – é essa a atual democracia brasileira. O TSE, como disse um dos seus integrantes na festa de diplomação de Lula como presidente, está aí para receber e cumprir missões – acaba de executar mais uma.

Lula não se contentou em ficar livre da condenação por roubalheira, a maior jamais ocorrida na história do Brasil. Além de ficar impune, também quis ir à forra. Exigiu a cabeça do deputado e foi atendido; inventaram lá uma história de “anulação do registro”, a primeira que lhes passou pela cabeça, mandaram a lei para o espaço e mostraram, mais uma vez, o quanto vale o voto popular no Brasil do consórcio Lula-STF e da corrupção legalizada nos tribunais de justiça.

VEJA TAMBÉM:
Lula está convencido de que foi eleito para o cargo de Deus
Cúpula do G7: Lula continua viajando porque não sabe como governar o Brasil
A casa caiu: foi o próprio governo Lula que armou a baderna do 8 de janeiro


A Constituição estabelece que os mandatos dos deputados só podem ser cassados pela Câmara; não há nenhuma outra maneira de entender a questão, ou qualquer dúvida racional a respeito disso. Mas a Constituição só vale quando o Supremo acha que ela vale, e nesse caso eles decidiram que não vale. Já tinham feito a mesma coisa, ou pior. A Constituição também diz que nenhum deputado pode ser preso a menos em flagrante delito, e por crime inafiançável; o STF manteve preso por nove meses o deputado federal Daniel Silveira, sem respeitar nenhuma das duas condições, e o mesmo presidente da Câmara aceitou sem dar um pio. Quem fez uma vez pode fazer duas, ou três, ou quantas quiser. Podem fazer de novo; o presidente da Câmara e a sua “Mesa” vão engolir do mesmo jeito.

Qual Parlamento do mundo aceitaria um insulto desses? Qual Ministério Público ficaria em silêncio diante da represália flagrante contra um promotor que cumpriu o seu dever de fazer a acusação num processo penal? Eis aí o Brasil que acaba de ser salvo para a democracia.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jr-guzzo/camara-e-cumplice-de-lula-na-vinganca-contra-dallagnol/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

PESSOAS COMETEM SUAS MALDADES NO COTIDIANO POR SE ACHAR GENTE BOA

Tem mesmo

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo


O bom samaritano na visão de John Adams Houston.| Foto: Wikipedia

Acordei com aquele bom humor irritante de sempre. Mas antes mesmo de o sol romper a neblina típica do outono curitibano, me tornei amargo ao ver que, por exemplo, o STF pretendia instalar telões para transmitir o julgamento do Marco Temporal. A decisão acabou adiada, mas àquela hora eu ainda não sabia disso. Logo em seguida, dei de cara com outra notícia: o governo anunciou o lançamento de um edital para pesquisar o racismo algorítmico. Racismo. Algorítmico. E as notícias ruins foram se sucedendo, até que assim, do nada, parei para pensar: ainda tem muita gente boa no mundo.

Tem. Elas não ganham as manchetes nem viralizam. Mas existem. E aos montes. Talvez até você que me lê neste momento seja uma dessas pessoas boas. Ou será que não? Ah, claro que você é uma pessoa boa. Até porque não conheço ninguém que, diante do espelho, estufe o peito para se dizer mau. A maldade nos envergonha. Mesmo Alexandre de Moraes só comete suas maldadezinhas cotidianas porque se considera uma pessoa boa. Mas não é dessas pessoas iludidas pelo amor-próprio que quero falar. É de gente boa. Boa de verdade.

Antes de continuar, porém, preciso enfatizar a agonia daqueles primeiros minutos da manhã, quando deixei a esperança de lado, entrei nas redes sociais e fui absorvendo o fel mais amargo do mundo. Alguém xingava alguém e eu: ainda tem muita gente boa no mundo. Alguém acusava alguém e eu: ainda tem muita gente boa no mundo. Alguém humilhava alguém e eu: ainda tem muita gente boa no mundo. Como se precisasse me convencer de uma realidade que intuitivamente reconheço, mas que o mundo de aparências insiste em negar: tem muita gente boa neste mundo.

Gente boa, não perfeita. Por sinal, essa talvez seja a maior falácia de um tempo, o nosso, viciado em falácias: o homem bom (às vezes também chamado de “cidadão de bem”) tem que ser perfeito. Nada menos do que perfeito. Imaculado. Como se qualquer gesto de caridade ou misericórdia perdesse o sentido e o valor por causa de um defeitinho ou de um erro num passado remoto. Como se não fosse admirável o homem que hoje se deixa humilhar só porque um dia ele falou um palavrão ou cedeu à tentação de humilhar também.

Desculpas convenientes
Insisto: ainda tem muita gente boa no mundo. Tem gente que estende a mão. Tem gente que diz “bom dia”. Tem gente que sorri. Tem gente que ouve. Tem gente que, diante da tentação de falar, se cala. Tem gente que ensina. Tem gente que perdoa. Tem gente que reza. Tem gente que se esforça para ser melhor a cada dia. Tem gente que se sacrifica sem alarde. Tem gente que brinda à amizade. Tem gente que se sabe pequeno, ridículo e limitado. Tem gente que se reconhece humano e não almeja ser nada além disso.

O que não quer dizer, em absoluto, que só haja gente boa no mundo. Em nenhum momento eu disse isso e, se você interpretou assim, talvez esteja na hora de rever os advérbios que você inclui na leitura à revelia do autor. Tampouco estou dizendo que as pessoas boas sejam em maior número do que as más. Pelo contrário, a experiência me diz que, até pelo estrago que causam e o ruído que fazem, as pessoas más são mesmo mais numerosas do que as boas.

Mas isso não vem ao caso. A vida não é uma questão de aritmética nem a salvação é uma contabilidade simples dos bons e dos maus feitos. No mais, o objetivo desse texto é fazer com que você, ao menos por alguns minutos, pare para se dar conta de um fato inexorável: ainda tem muita gente boa no mundo. Tem. E neste exato momento, agorinha mesmo antes do fim do parágrafo, é bem possível que aí bem perto de você alguém esteja fazendo uma bondadezinha à toa. Duvida? Pode olhar em volta. Eu espero.

Ainda tem muita gente boa no mundo. E, para aqueles que não são, mas desejam se tornar, fica aqui um conselho do velho sábio que ainda não sou, mas quem sabe um dia: ao menos por hoje, pare de usar as más notícias ou a indignação política como uma desculpa conveniente para essa maldadezinha que cometemos em nome da “verdade” ou da “liberdade” ou de noções subjetivíssimas de justiça. Porque nenhum governante, em nenhum regime do mundo, foi, é ou será capaz de proibi-lo (sim, você mesmo!) de fazer o bem. Em todo caso, se não disse isso antes (ou se não ficou claro), faço questão de dizer: ainda tem muita gente boa no mundo. E como tem!


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/ainda-tem-muita-gente-boa-no-mundo/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

 

GOVERNO, CÂMARA, SENADO E STF ADOTAM SIGILO ÀS IMAGENS DO 8 DE JANEIRO

Câmara, Senado e STF, ao negarem acesso às imagens do 8 de Janeiro, depreciam o direito constitucional à informação. Cada autoridade acha que, no seu caso, vale a exceção do sigilo

Por Notas & Informações – Jornal Estadão

No dia 21 de abril, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a quebra do sigilo das imagens do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) relativas à invasão do Palácio do Planalto no 8 de Janeiro. Segundo a decisão, “inexiste sigilo das imagens, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI, Lei 12.527/2011), sobretudo por serem absolutamente necessárias à tutela jurisdicional dos direitos fundamentais e ao regime democrático e republicano”.

Após essa decisão, no dia 24 de abril, o Estadão solicitou, por meio da LAI, acesso à íntegra das gravações de todas as câmeras internas e externas do STF, do Senado e da Câmara. No entanto, os três órgãos rejeitaram o pedido do jornal.

Citando resoluções internas e o art. 23 da LAI, que trata das informações imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado, a Câmara e o Senado alegaram que a publicação das imagens poderia comprometer as investigações em andamento sobre o 8 de Janeiro, bem como a segurança das Casas Legislativas. Após descumprir o prazo de resposta de 30 dias disposto na LAI, o STF respondeu, por meio da assessoria de imprensa, negando acesso às imagens. Segundo a nota do tribunal, seria informação protegida, disciplinada pela Resolução n.º 657/2020, sobre a segurança da Corte.

Os argumentos utilizados pelo STF, pelo Senado e pela Câmara para indeferir o pedido do jornal são semelhantes aos que haviam sido alegados pelo GSI – e que já foram rebatidos na decisão de Alexandre de Moraes de 21 de abril. Segundo o ministro, não se caracteriza a hipótese excepcional de sigilo, “não sendo possível, com base na LAI, a manutenção da vedação de divulgação de todas – absolutamente todas – as imagens verificadas na ocasião do nefasto e criminoso atentado à democracia e ao Estado de Direito, ocorrido em 08/1/23″.

O acesso à informação dos órgãos estatais é um direito constitucional. “Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado”, diz a Constituição, no art. 5.º, XXXIII.

No entanto, como se observa nas negativas do STF, da Câmara e do Senado, trata-se de um direito que ainda não é muito respeitado. Utiliza-se a exceção do sigilo para negar o acesso à informação, mesmo quando um ministro do Supremo já afirmou que o caso não se enquadra nas hipóteses excepcionais de acesso restrito.

A Constituição veio assegurar um princípio fundamental do Estado Democrático de Direito, a transparência. Os dados obtidos pelo aparato estatal, seja qual for sua esfera, não são do Estado. Regra geral, eles são de acesso público, devendo ser disponibilizados quando solicitados. Trata-se de consequência necessária do regime democrático. A informação não pertence ao Estado, como se ele pudesse decidir de forma discricionária o que mostra e o que esconde, mas à sociedade. A plena transparência do funcionamento estatal é condição para o exercício da cidadania.

No entanto, mesmo com o direito ao acesso à informação previsto na Constituição e devidamente regulamentado pelo Congresso em 2011 com a LAI, o fato é que a cultura do sigilo continua dominante. O próprio Alexandre de Moraes, que determinou a quebra do sigilo das imagens do GSI, é reticente em liberar o acesso a diversos inquéritos sob sua relatoria sobre fake news contra o STF, ameaças antidemocráticas e os atos do 8 de Janeiro. Parece que cada autoridade considera que, no seu caso específico, deve valer a exceção do sigilo, e não a regra geral da transparência.

Para quem ocupa cargo público, é sempre mais incômodo, não há dúvida, o exercício do poder à luz do dia, permitindo o controle pela sociedade. Por isso, exatamente porque haveria resistência à transparência, a Constituição estabeleceu o direito à informação. E é parte essencial da proteção da democracia defender esse direito, em todas as esferas.

 

NOVA ECONOMIA DE SENSO DE DONO VALORIZA O TRABALHO DE QUEM SE DEDICA À EMPRESA

Ana Julia Guimarães – StartSe

Veja como engajar e reter os melhores talentos da sua empresa – sem mexer no salário

Tipos de remuneração: qual o melhor modelo para sua empresa?

Apesar de estarmos em um momento em que as pessoas estão preferindo qualidade de vida, bem estar e modelo de trabalho adequado, ainda assim, um bom salário pode ser um fator decisivo para atrair e reter talentos. Tudo isso junto, então, cria-se um ambiente corporativo ideal.

A cultura de meritocracia é um belo exemplo disso, já que a valorização dos funcionários ocorre conforme o seu nível de desempenho. Então, além de bonificar, a ideia é promover e valorizar o trabalho de quem está realmente dedicado e tem o que chamamos na nova economia de “senso de dono”. O resultado disso? Pessoas mais interessadas, engajadas com o seu trabalho e sendo devidamente pagas.

Na prática, como posso valorizar o meu funcionário com bom desempenho? Existem inúmeras possibilidades: desde “dar um aumento”, incluir na participação de lucros na empresa, promover, e, até mesmo, garantir a sua participação acionária.

Basicamente, a remuneração é um conjunto de valores que os colaboradores podem receber – e cá entre nós, um dos maiores potenciais competitivos da sua empresa no mercado.

Meritocracia: o que é e quais os cuidados para adotar na sua empresa

Aprenda a montar um plano de carreira de sucesso

Funcionários devem saber o salário de colegas de trabalho?

EXISTE DIFERENÇA ENTRE REMUNERAÇÃO E SALÁRIO?

Sim! O salário está firmado em um contrato entre empregado e empregador e é o valor recebido pelos colaboradores conforme o trabalho que ele executa ao longo de um período específico. Já a remuneração, é a soma do salário com todos os benefícios que a organização pode oferecer.

Podemos entender o termo remuneração no artigo 457 da CLT:

    “Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.”

Dito isso, conheça 6 tipos de remuneração que podem te ajudar a valorizar o seu funcionário – além do salário.

1- REMUNERAÇÃO FUNCIONAL 

Também chamada de Remuneração por Cargos e Salários, esse tipo de pagamento é um dos mais burocráticos e está longe de ser um diferencial competitivo da Nova Economia. Funciona assim: os colaboradores recebem conforme o seu cargo, nível hierárquico e pesquisa de mercado.

A ideia por trás é que os funcionários tenham o entendimento de que o empregador é justo com todos. Algo que, na prática, não funciona. Já pensou ter que receber o mesmo que o seu colega de trabalho que está tendo mal desempenho – mas tem o mesmo cargo?

2- REMUNERAÇÃO POR HABILIDADES OU COMPETÊNCIAS

Esse tipo de remuneração é interessante e tem tudo a ver com o plano de carreira que a empresa constrói ao colaborador. Isto porque, a remuneração ocorre a partir das habilidades e competências que os profissionais vão conquistando ao longo do tempo.

Por exemplo, se o empregador estabeleceu a seguinte meta ao colaborador: “aprender um segundo idioma em um ano”, e ele conseguiu, a ideia é providenciar uma remuneração complementar.

Unindo o útil ao agradável, os colaboradores se sentem estimulados para buscarem aperfeiçoamento profissional, e a sua empresa fica com os melhores talentos do mercado

3- COMISSÕES

É um método variável de remuneração e tem a ver com as metas e objetivos pré-definidos pela empresa. Bastante comum na área de vendas, quando um vendedor consegue bater a sua meta e é recompensado com um percentual do valor recebido.

Basicamente: as comissões são acréscimos garantidos a cada nova conquista relacionada ao negócio da organização, seja uma nova venda, um fechamento de contrato, um novo patrocínio, entre outros.

Elas podem ser pagas de diversas formas, desde benefícios financeiros, até cupons de desconto à viagens. Dá para usar a imaginação e deixar os colaboradores bem felizes!

4- PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA

A famosa partnership, iniciativa que permite que todos tenham o “senso de dono” não apenas na teoria, como na prática. Este modelo viabiliza que os funcionários se tornem sócios das startups e empresas (que são de capital fechado).

A ideia é que a remuneração do profissional esteja atrelada aos resultados da empresa – um grande incentivo para o crescimento dos negócios! Uma ótima estratégia e tendência da Nova Economia.

5- PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS

Já pensou em receber de acordo com o seu desempenho? É exatamente isso que este modelo propõe. A Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) é um dos tipos de remuneração que tem como fundamento o alcance de alguma meta ou objetivo – que também pode ser traçado no plano de carreira do colaborador.

A estratégia faz com que os colaboradores busquem alcançar as suas metas e se sintam estimulados para conseguirem bons resultados – afinal: quanto mais eles contribuem, mais recebem financeiramente.

6- SALÁRIO INDIRETO

Plano de saúde, plano odontológico, vale refeição, vale alimentação, auxílio creche, auxílio moradia…  Também chamado de plano de benefícios, o salário indireto diz respeito ao conjunto de vantagens oferecidas pelas empresas e concedidas aos trabalhadores. Algo essencial para suprir as necessidades básicas do colaborador e ainda oferecer vantagens competitivas.

AFINAL, QUAL DELES É O MELHOR?

Isso é você quem dirá! E fique de olho: empresas que não oferecem nada além do salário podem ficar para trás.

A importância do bom site da Valeon para o seu negócio

Moysés Peruhype Carlech

Antigamente, quando um cliente precisava de um serviço, buscava contatos de empresas na Lista Telefônica, um catálogo que era entregue anualmente ou comprado em bancas de jornais que listava os negócios por áreas de atuação, ordem alfabética e região de atuação.

De certa forma, todos os concorrentes tinham as mesmas chances de serem encontrados pelos clientes, mas existiam algumas estratégias para que os nomes viessem listados primeiro, como criar nomes fantasia com as primeiras letras do alfabeto.

As listas telefônicas ficaram no passado, e, na atualidade, quando um cliente deseja procurar uma solução para sua demanda, dentre outros recursos, ele pesquisa por informações na internet.

O site da Valeon é essencial para que sua empresa seja encontrada pelos seus clientes e ter informações sobre a empresa e seus produtos 24 horas por dia.  Criamos uma marca forte, persuasiva e, principalmente, com identidade para ser reconhecida na internet. 

Investimos nas redes sociais procurando interagir com o nosso público através do Facebook, Google, Mozilla e Instagram. Dessa forma, os motivos pelos quais as redes sociais ajudam a sua empresa são inúmeros devido a possibilidade de interação constante e facilitado como o público-alvo e também a garantia de posicionamento no segmento de marketplaces do mercado, o que faz com que o nosso cliente sempre acha o produto ou a empresa procurada.

A Plataforma Comercial site Marketplace da Startup Valeon está apta a resolver os problemas e as dificuldades das empresas e dos consumidores que andavam de há muito tempo tentando resolver, sem sucesso, e o surgimento da Valeon possibilitou a solução desse problema de na região do Vale do Aço não ter um Marketplace que Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos e o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

CONTRATE A STARTUP VALEON PARA FAZER A DIVULGAÇÃO DA SUA EMPRESA NA INTERNET

Moysés Peruhype Carlech

Existem várias empresas especializadas no mercado para desenvolver, gerenciar e impulsionar o seu e-commerce. A Startup Valeon é uma consultoria que conta com a expertise dos melhores profissionais do mercado para auxiliar a sua empresa na geração de resultados satisfatórios para o seu negócio.

Porém, antes de pensar em contratar uma empresa para cuidar da loja online é necessário fazer algumas considerações.

Por que você deve contratar uma empresa para cuidar da sua Publicidade?

Existem diversos benefícios em se contratar uma empresa especializada para cuidar dos seus negócios como a Startup Valeon que possui profissionais capacitados e com experiência de mercado que podem potencializar consideravelmente os resultados do seu e-commerce e isto resulta em mais vendas.

Quando você deve contratar a Startup Valeon para cuidar da sua Publicidade online?

A decisão de nos contratar pode ser tomada em qualquer estágio do seu projeto de vendas, mas, aproveitamos para tecermos algumas considerações importantes:

Vantagens da Propaganda Online

Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia digital.

Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda mais barato.

Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança, voltando para o original quando for conveniente.

Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e de comentários que a ela recebeu.

A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.

Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a empresa.

Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.

Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não estão.

Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.

A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.

Vantagens do Marketplace Valeon

Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.

Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes.

Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

    valeonbrasil@gmail.com

 

quinta-feira, 8 de junho de 2023

AGRONEGÓCIO CRESCE E O CONSUMO E INVESTIMENTOS DIMINUEM

 

Marcha lenta
Os dois lados da economia brasileira

Por
Vandré Kramer – Gazeta do Povo


Brasileiro está mais comedido na hora de ir às compras: consumo das famílias cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre.| Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O forte desempenho da agropecuária nos primeiros meses do ano pode estar passando uma imagem distorcida sobre a situação do conjunto da economia brasileira. Enquanto os produtores rurais colhem uma supersafra que infla resultados e projeções do Produto Interno Bruto (PIB), setores como a indústria seguem estagnados. Consumo e investimento produtivo também decepcionaram.

Graças ao impulso do agro, o PIB avançou 1,9% no primeiro trimestre, acima das expectativas. O dado levou a uma onda de revisões nas projeções de economistas para o ano todo. De uma semana para outra, a mediana das expectativas saltou de 1,26% para 1,68%, e as apostas mais otimistas passaram de 2,3% para 3%, segundo o boletim Focus, do Banco Central.

A questão é que, enquanto a produção no campo aumentou quase 22% na comparação com o último trimestre de 2022, outros setores estão em marcha bem distinta. O PIB industrial recuou 0,1%, a segunda retração seguida. Os serviços, por sua vez, cresceram 0,6%.

Os resultados sob a ótica do consumo não foram melhores. A chamada absorção interna – a soma de consumo das famílias, investimento produtivo e gastos do governo – veio mais fraca que o esperado. O consumo das famílias cresceu somente 0,2%, os gastos do governo avançaram 0,3% e o investimento produtivo encolheu 3,4%.

VEJA TAMBÉM:
Juros e insegurança inibem empresários e jogam contra o investimento privado em 2023
Investir na “economia real” do Brasil ficou mais caro. E o retorno, menor

Consumo das famílias cresce pouco, mesmo com impulso fiscal
O consumo das famílias desapontou no primeiro trimestre. “Dada a recuperação do emprego, os impulsos fiscais via o programa Bolsa Família e o reaquecimento da massa real de salários, o crescimento trimestral do consumo foi decepcionante”, destaca o economista-chefe do banco Fibra, Marco Maciel.

Um fator que pressiona negativamente é a inadimplência, que sobe sem tréguas desde o início do ano, conforme os cálculos da Serasa Experian. Em abril, 71,4 milhões de pessoas tinham restrições ao crédito, ou 43,8% da população adulta brasileira. É o maior número da série histórica iniciada em março de 2016.

As dívidas com bancos e financeiras estão em alta. Segundo a Serasa, elas correspondiam a 46,7% do total em abril, ante 40,5% um ano antes.

As famílias também estão com mais compromissos financeiros. Pesquisa feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que, em abril, 78,3% das famílias tinham dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal e/ou prestação de carro e de casa).

A expectativa da entidade é de que a situação piore nos próximos meses. “O risco de inadimplência se acirrou na classe média”, diz a economista Izis Ferreira. Ela aponta que quem tem dívidas atrasadas há mais tempo segue enfrentando dificuldade de sair da inadimplência em razão dos juros altos, que elevam as despesas financeiras.

Investimento se retrai e dificulta crescimento futuro do PIB
O investimento teve uma queda de 3,4% no primeiro trimestre, o pior começo de ano desde 2009 para o indicador. Segundo a economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, a retração, assim como a do consumo das famílias, foi influenciada pelas taxas de juros mais restritivas.

Maciel, do Fibra, faz uma relação entre as fortes quedas do investimento e das importações, que recuaram 7,1%: a utilização de componentes estrangeiros nas máquinas e equipamentos produzidos no Brasil é muito elevada, o que faz com que parte da forte queda das importações esteja associada ao encolhimento no investimento produtivo.

Outro fator que pesa na retração do investimento é a situação financeira das empresas. Segundo os economistas da XP, Alexandre Maluf e Rodolfo Margato, elas estão mais endividadas. A situação financeira delas também piorou no último ano.

Um estudo feito pela TC Economática a partir da performance de 312 empresas brasileiras aponta que a receita operacional líquida nominal (não incluída a inflação) teve um crescimento de 4,51% no comparativo entre os primeiros trimestres de 2022 e 2023. Enquanto isso, o resultado operacional ou geração de caixa, medido pelo Ebitda, caiu 4,19%.

O lucro líquido caiu ainda mais: 37%. E 31% das empresas fecharam o primeiro trimestre no vermelho, com prejuízo.

A retração no investimento desperta preocupações entre os economistas, já que é um elemento essencial para impulsionar o crescimento econômico sustentável.

A taxa de investimento caiu do equivalente a 18,9% do PIB no último trimestre de 2022 para 17,7% nos três primeiros meses deste ano. É o menor índice dos últimos nove trimestres.

Essa retração, de acordo com a economista-chefe do Inter, reflete o arrefecimento dos setores ligados a commodities, bem como o impacto dos juros sobre a construção.

Primeiros números do segundo trimestre mostram piora no quadro

Os primeiros números do segundo trimestre mostram que esse comportamento continua. A produção física de bens de capital caiu 8,3% no primeiro quadrimestre de 2023, em relação ao ano anterior.

“Esses números refletem o aperto da política monetária, a menor lucratividade das empresas e a queda pronunciada na produção de caminhões”, diz Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos.

Mas não são só os bens de capital que estão sendo afetados pelo cenário adverso. A situação também se repete entre os bens de consumo durável. Apesar de ainda registrarem um crescimento de 5,8% no comparativo entre os primeiros quadrimestres de 2022 e 2023, a trajetória é de queda.

Em abril, a produção física encolheu 6,9% em comparação a março e de 2,6% na base trimestral. “Crédito mais caro e elevado grau de endividamento vem impactando tal atividade”, afirma Margato.

Projeções do PIB para os próximos trimestres
As projeções são de desaceleração do crescimento do PIB nos próximos trimestres. Os economistas Natália Cotarelli e Matheus Fuck, do Itaú, veem uma perda de fôlego nos próximos trimestres, com crescimento ligeiramente positivo na economia.

“A retração da absorção doméstica no primeiro trimestre reforça essa visão. Afinal o forte crescimento do PIB no primeiro trimestre foi, em grande parte, impulsionado por setores menos sensíveis ao ciclo econômico”, complementam os economistas da XP, em referência à agropecuária e a indústria extrativa, que cresceu 2,3% no início do ano.

Para Maciel, do banco Fibra, a expectativa é de que os bons resultados da safra tenham reflexos até julho, contribuindo para manter o PIB robusto no segundo trimestre e para a desaceleração da inflação de alimentos no domicílio.

Os investimentos deverão continuar tendo um ritmo fraco, devido à manutenção dos juros em níveis elevados. Para o consumo, as expectativas são de crescimento frágil. “As despesas pessoais com bens e serviços devem continuar em arrefecimento nos próximos meses”, dizem os economistas da XP Investimentos.

Por um lado, há o mercado de trabalho mais resiliente e a renda real sendo beneficiada pela queda na inflação. Por outro, há a pressão causada pelos juros e pelas condições deterioradas dos orçamentos domésticos.

Vitória aponta que a queda da inflação e o esperado início do ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) no segundo semestre podem resultar em uma recuperação do crescimento a partir do fim do ano.

“Mas ainda devemos ver baixo crescimento até 2024”, diz a economista. Em sentido oposto às perspectivas para 2023, a mediana das projeções para o PIB de 2024 recuou de 1,4%, um mês atrás, para 1,28% no boletim Focus mais recente.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/pib-brilho-da-agropecuaria-com-consumo-e-investimento-empacando/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

MENTALIDADE POLÍTICA NÃO DEIXXA COMBATER A POBREZA E A IGNORÂNCIA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Preparativos para o 8º Fórum Mundial da Água. Brasília será palco do maior evento sobre recursos hídricos: o 8º Fórum Mundial da Água. Com o apoio da Agência Nacional de Águas (ANA) e de outros parceiros, o evento chegará pela primeira vez no hemisfério sul, trazendo a temática ‘Compartilhando Água’. O Fórum oportuniza um diálogo mundial, aberto e democrático, para estabelecer compromissos políticos relacionados à água. Também incentiva o uso racional, conservação, proteção, planejamento e gestão deste recurso em todos os setores da sociedade. Foto: Pillar Pedreira/Agência Senado


Esplanada dos Ministérios, em Brasília.| Foto: Pillar Pedreira/Agência Senado

As razões para a existência da política, do Estado, do governo, das leis e das instituições públicas podem ser resumidas em poucos pontos: promover o bem-estar material de todos os membros da sociedade, propiciar a convivência pacífica e solidária e criar o ambiente jurídico e social para a vida em liberdade e em paz. Não há uma só corrente ideológica, um só partido político ou regime de governo – inclusive os mais cruéis e violentos – que neguem esses propósitos. As ditaduras mais sangrentas cometeram atrocidades e crimes monstruosos contra seu próprio povo sempre declarando que buscavam o crescimento econômico, o desenvolvimento social, a democracia e a liberdade.

Na retórica da política mundial atual, as duas palavras mais presentes na boca dos ditadores são “democracia e liberdade”, seguidas da promessa de combater a pobreza e promover o bem-estar social. É a hipocrisia levada ao extremo, porquanto a ação dos regimes ditatoriais é o oposto daqueles objetivos nobres e contrária aos discursos de seus agentes. Na América Latina, em razão do histórico de atraso e pobreza, as eleições são disputadas por políticos que, embora divergindo quanto às políticas e programas, prometem estimular a economia, combater a pobreza, criar empregos e melhorar as condições do bem-estar social. No Brasil, não tem sido diferente.

As ações necessárias à superação da pobreza e à conquista de melhor qualidade de vida para a população são predominantemente ações de longo prazo.

A pobreza é um estado de condição material, social e psicológica que pode ser identificada por mera observação. Na história humana, a pobreza sempre foi o estado inicial natural do indivíduo e das sociedades. A saída da pobreza ocorre com o desenvolvimento obtido pelo esforço bem-sucedido de alcançar padrões mais elevados de bem-estar pessoal e coletivo. De forma simplificada, alguém ou um grupo de pessoas é pobre quando não dispõe das condições necessárias à obtenção de certo padrão que inclua: a) alimentação suficiente e de boa qualidade; b) moradia confortável; c) serviços de energia, água e esgoto; d) abrigo e vestuário suficientes; e) assistência médica visando a manter a boa saúde; f) educação de bom nível; g) lazer; e) trabalho e remuneração adequada; f) proteção na velhice e na doença.

O desafio que se impõe ao indivíduo, isoladamente, e à sociedade, coletivamente, é como criar os bens e serviços públicos e privados para que as “condições” necessárias à eliminação da pobreza sejam atingidas. A limitação maior está em que são os próprios indivíduos que devem “produzir” esses tais bens e serviços. Portanto, a pobreza pode ser entendida, inicialmente, como resultado da incapacidade de uma nação em produzir os meios requeridos para eliminar os efeitos negativos da própria pobreza. Avançando na análise do tema, dá para inferir que a pobreza é um estado natural dos indivíduos e da sociedade, e que a incapacidade do homem de sair dela deriva da sua própria ignorância; e esta pode ser definida como a “ausência de conhecimentos e falta de domínio da tecnologia de criação de riqueza”.

Nesse tipo de contexto, o nível de ignorância é um elemento chave na compreensão do estado de pobreza, pois que a própria ignorância é, também, um estado natural do homem, e o primeiro passo para sair da pobreza é eliminar a ignorância, objetivo que muitos países não conseguem alcançar justamente porque são pobres. Aqui entra um problema de círculo vicioso: se ignorância e pobreza coexistem e uma acaba sendo causa da outra, em processo de retroalimentação contínua, uma das tarefas a que os governantes devem se entregar é a liderança firme e eficiente de um grande processo nacional de rompimento com esse círculo vicioso. O drama é que são justamente os países mais pobres que não têm conseguido romper o círculo vicioso para, ainda que lentamente, construir um círculo virtuoso de crescimento e evolução.

VEJA TAMBÉM:
Ineficiência, corrupção e concentração de renda
A necessidade de definir prioridades
O desafio de superar a pobreza


Por óbvio, a maior falha está no longo histórico de maus governos, ineficientes e corruptos, como também muitos políticos e estruturas públicas não se dedicam de corpo e alma à missão de eliminar a pobreza porque devem a ela sua existência. Uma faceta negativa dessa realidade, sobretudo nesta triste América Latina, é que as ações necessárias à superação da pobreza e à conquista de melhor qualidade de vida para a população são predominantemente ações de longo prazo, que comecem e sigam numa direção sem sobressaltos e cheguem até o fim com bons resultados. Isso exigiria que a cada mudança de governo, as políticas e medidas estruturais seguissem sua execução, a despeito das diferenças partidárias.

Infelizmente, conforme demonstrou o Tribunal de Contas das União, o hábito é paralisar obras e medidas, as boas e as ruins, como provam as mais de 14 mil obras paralisadas, com bilhões de dólares de tributação jogados no lixo, sem que a população extraia desse dinheiro qualquer benefício. A pobreza e o atraso se devem, também, à miséria da mentalidade política vigente no país.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/necessidade-de-acoes-de-longo-prazo-governo-gestao-pobreza/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...