domingo, 21 de maio de 2023

O CONGRESSO REAGE OU SE SUBMETE À CASSAÇÃO DE DELTAN DALLAGNOL

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Decisão do TSE que cassou mandato do deputado federal Deltan Dallagnol foi criticada por parlamentares e membros da sociedade.| Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A decisão teratológica do Tribunal Superior Eleitoral que retirou o mandato de Deltan Dallagnol (Podemos-PR) com base em uma interpretação bastante extensiva e completamente inaceitável da Lei da Ficha Limpa, na contramão de toda a doutrina sobre a proteção dos direitos políticos dos cidadãos, provocou indignação no parlamento federal. Com exceção do petismo – que jamais perdoará qualquer ex-integrante da Lava Jato por ter revelado as falcatruas operadas pelo partido –, de seus aliados de esquerda e de figuras como o senador Renan Calheiros, as manifestações na Câmara, no Senado e em Legislativos estaduais foram majoritariamente de uma revolta justa. Afinal, não havia a menor base jurídica para que Dallagnol tivesse sua candidatura impugnada, pois ele não se encaixava em nenhuma das hipóteses de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa, como já demonstramos aqui.

A indignação, que não é apenas dos parlamentares, mas de boa parte da sociedade civil, se insere em um contexto mais amplo. Qualquer pessoa de bom senso percebe a inversão de valores completa que existe quando aqueles que se empenharam de forma abnegada e heroica no combate à corrupção, aplicando a lei com dureza, mas não ao ponto de transgredi-la, são agora punidos de forma arbitrária, enquanto os protagonistas dos escândalos de corrupção – o mensalão, o petrolão e tantos outros – estão livres, leves e soltos, ocupando posições de mando. Tudo isso graças ao Poder Judiciário, que, em nome do “garantismo” e afirmando estar combatendo supostas irregularidades processuais, tomou decisões cujo efeito prático foi a soltura de corruptos, cujos crimes estavam fartamente documentados, e a punição dos que combateram a ladroagem. Como se não bastasse, os tribunais superiores ainda se lançaram em uma campanha de demolição sistemática de direitos e garantias fundamentais, especialmente a liberdade de expressão e o devido processo legal. Como fazer o gênio voltar para a garrafa?

Se a lei é distorcida ou ignorada por uma corte para perseguir um deputado cujos únicos “crimes” foram trabalhar para colocar ladrões na cadeia e criticar os desmandos de um Judiciário que prejudica o combate à corrupção, os freios e contrapesos precisam entrar em cena

Se o Judiciário hoje se julga capaz de fazer o que bem entender, isso ocorre em parte graças à omissão do Poder Legislativo. Quando Alexandre de Moraes resolveu abolir a imunidade parlamentar “por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos” para mandar prender o então deputado Daniel Silveira, em fevereiro de 2021, a Câmara não apenas se omitiu: ela endossou o arbítrio ao votar para manter a prisão – só posteriormente a casa adotou o trâmite correto, abrindo um processo por quebra de decoro. Quando inúmeros parlamentares foram vítimas de censura prévia, perdendo o direito de publicar em mídias sociais, também por ordem de Moraes, a mobilização foi quase inexistente. Mesmo que o ministro do STF tenha considerado e ainda considere estar defendendo a democracia, suas decisões, na prática, têm violado sistematicamente o direito constitucional à liberdade de expressão e uma série de garantias dos réus, nos inquéritos abusivos iniciados em 2019 – e, ainda assim, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nada fez, por mais que a casa por ele presidida seja o principal contrapeso constitucional ao STF. As invencionices jurídicas e ataques à liberdade de expressão cometidos pelo TSE, chamados eufemisticamente de “arco de experimentação regulatória” por Edson Fachin, e que desequilibraram o pleito de 2022 só foram denunciados pelos que eram diretamente atingidos, enquanto o restante do Congresso se omitia ou aplaudia.

O poder não admite o vácuo, diz o adágio: se o Legislativo abriu mão de exercer o papel de contrapeso ao Judiciário, este ocupou os espaços até se considerar absoluto. Cada omissão, das pequenas às maiores, tornou cada vez mais difícil restaurar o devido equilíbrio entre poderes e manter os tribunais superiores dentro do seu papel constitucional. O “ponto de não retorno” está cada vez mais próximo – mas ainda não foi atingido. O Congresso ainda pode reagir, mas para isso os parlamentares terão de fazer muito mais que simplesmente manifestar indignação na tribuna ou nas mídias sociais.

VEJA TAMBÉM:
TSE atropela a lei e os fatos para cassar Deltan Dallagnol (editorial de 17 de maio de 2023)
Polzonoff: Congresso Nacional se apequena diante do Judiciário
Deltan Dallagnol: Eu fui caçado
Guzzo: Dallagnol é mais ficha limpa que o próprio Lula e por isso foi cassado pelo TSE


Há instrumentos valiosos que podem ser usados para que, ao menos, a sociedade finalmente se dê conta do tamanho da ameaça à democracia representada pela hipertrofia do Judiciário. Um deles é a CPI do Abuso de Autoridade, iniciativa do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) que já havia conseguido assinaturas suficientes no ano passado, mas não chegou a ser aberta porque o fim da legislatura já estava muito próximo. O deputado está repetindo o esforço para angariar apoio de colegas a um novo requerimento, e lançou um abaixo-assinado para que a sociedade também se faça ouvir. “[A decisão do TSE] é um pedaço de papel lido por um presidente de corte eleitoral que está cometendo abuso de autoridade, dentre tantos outros e que vai precisar ser corrigido pelo parlamento”, disse Van Hattem na quarta-feira.

Este é o momento da verdade, a hora dos parlamentares que sabem honrar o cargo para o qual foram escolhidos pelo povo. Se a lei é distorcida ou ignorada por uma corte para perseguir um deputado cujos únicos “crimes” foram trabalhar para colocar ladrões na cadeia e criticar os desmandos de um Judiciário que prejudica o combate à corrupção com suas decisões, os freios e contrapesos precisam entrar em cena. Não se trata apenas de fazer o que for possível para restabelecer o mandato de Dallagnol, mas também de impedir que outros “inimigos do partido” sejam injustiçados como ele foi e se tornem vítimas do que o ministro Luís Roberto Barroso descreveu profeticamente em abril de 2021: “Na Itália, a corrupção conquistou a impunidade. Aqui, entre nós, ela quer vingança”. Os parlamentares que se omitirem neste momento ajudarão a construir um Legislativo covarde, totalmente subserviente ao Judiciário. Comportam-se como o narrador do célebre poema E não sobrou ninguém, de Martin Niemöller: escondendo-se em um conveniente “não sou bolsonarista” ou “não sou lavajatista”, ignoram que um dia poderá chegar também a sua vez.


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BARATA RIBEIRO FOI O PRIMEIRO MINISTRO AFASTADO DO STF

 

História do Brasil

Por
Tiago Cordeiro – Gazeta do Povo


Cândido Barata Ribeiro foi empossado como ministro do STF antes de passar pelo escrutínio do Senado. Atuou por dez meses. Depois, foi afastado.| Foto: Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) é uma criação da República. Entre 1808 e 1829, existia a Casa da Suplicação do Brasil, então substituída pelo Supremo Tribunal de Justiça, com nomes indicados pelo imperador. Foi em 28 de fevereiro de 1891, já durante a República, que começou a operar o STF no formato atual. Desde então, a corte máxima do Judiciário do país já teve 167 ministros.

São indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado. Apenas três presidentes não permaneceram tempo suficiente para indicar algum nome: Café Filho (1954–1955), Carlos Luz (1955) e Ranieri Mazzilli (1961 e 1964). Recordista absoluto, Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954) indicou 21 membros. João Figueiredo (1979-1985) apontou nove. Humberto Castelo Branco (1964-1967) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) escolheram oito ministros.

Logo no início das atividades do STF, o marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891) indicou 15 nomes. Seu sucessor, o marechal Floriano (1891-1894), sugeriu outras 15 pessoas para o posto. Destas, cinco foram recusadas pelo Senado. São, até hoje, os únicos casos de ministros que foram rejeitados. Desde então, 129 anos depois, nunca mais aconteceu.

Conduzidos ao cargo, mas barrados, foram Cândido Barata Ribeiro, Innocêncio Galvão de Queiroz, Ewerton Quadros, Antônio Sève Navarro e Demosthenes da Silveira Lobo. O caso de Cândido Barata Ribeiro é o mais curioso. Isso porque ele foi empossado antes de se ver submetido ao escrutínio do Legislativo. Atuou como ministro do Supremo, que despachava em um casarão da Rua do Passeio, por exatos dez meses e quatro dias. Depois, foi afastado. Foi um caso único na história do Supremo.

Prefeito cassado
Médico-cirurgião, defensor do fim da escravidão e da instauração da república, Cândido Barata Ribeiro nasceu em 11 de março de 1843, em Salvador (BA). Com dez anos de idade, mudou-se para o Rio de Janeiro. No final da década de 1860, já formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, mudou-se para Campinas (SP), onde atuou como diretor do Serviço Médico e Cirúrgico do Hospital de Caridade.

Em 1880, já de volta ao Rio, foi ferido durante um ataque da polícia imperial a uma conferência republicana realizada na Sociedade Francesa de Ginástica. No ano seguinte, publicou o drama em quatro atos ‘Segredo do lar’. A partir de 1883, começou a lecionar na instituição de medicina onde havia se formado.

Com a Proclamação da República, em 1889, assumiu a gestão da capital federal, primeiro como presidente do Conselho Municipal de Intendentes e, a partir de 17 de dezembro de 1892, como prefeito. Mas, em 26 de maio de 1893, o Senado vetou seu nome e ele foi afastado. Foi um gestor polêmico, que realizou uma série de ações para demolir cortiços no centro — muitos buscaram moradia nos morros, enquanto o prefeito liderava um esforço de alargamento de ruas e construção de uma infraestrutura de saneamento nas áreas derrubadas.

Machado de Assis escreveu sobre a derrubada de um dos maiores destes cortiços, conhecido como Cabeça de Porco, no jornal d’A Semana de 29 de janeiro de 1893: “Gosto deste homem pequeno e magro chamado Barata Ribeiro, prefeito municipal, todo vontade, todo ação, que não perde o tempo a ver correr as águas do Eufrates. Como Josué, acaba de pôr abaixo as muralhas de Jericó, vulgo Cabeça de Porco. Chamou as tropas segundo as ordens de Javé durante os seis dias da escritura, deu volta à cidade e depois mandou tocar as trombetas. Tudo ruiu, e, para mais justeza bíblica, até carneiros saíram de dentro da Cabeça de Porco tal qual da outra Jericó saíram bois e jumentos. A diferença é que estes foram passados a fio de espada. Os carneiros, não só conservaram a vida mas receberam ontem algumas ações de sociedades anônimas”.

Foi uma gestão marcada por conflitos. “Mantendo estreita ligação com o governo federal, teve uma atuação marcada por incidentes que o incompatibilizaram com os intendentes e por atos que, contrariando interesses econômicos de comerciantes e empresários da cidade, geraram críticas desses setores”, aponta o verbete sobre ele disponível no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV).

Ministro cassado
Poucos meses depois, em 23 de outubro de 1893, foi nomeado ministro do STF para a vaga criada em decorrência da aposentadoria do ministro Joaquim da Costa Barradas. Mais uma vez, o Senado barrou sua escolha, depois que ele já havia assumido o posto. Argumentou que ele não tinha “notório saber”, já que era médico, sem nenhuma formação em Direito.

O marechal Floriano chegou a alegar que a expressão “notório saber” não especificava qual seria a área de conhecimento exigida. Durante a sessão em que barraram a indicação de Ribeiro, os senadores registraram: “Mentiria a instituição [STF] a seus fins se entendesse que o sentido daquela expressão ‘notável saber’, referindo-se a outros ramos de conhecimentos humanos, independesse dos que dizem respeito à ciência jurídica, pois que isso daria cabimento ao absurdo de compor-se um tribunal judiciário de astrônomos, químicos, arquitetos”.

O parecer dos senadores ainda afirmava: “Considerando que o nomeado, no exercício de importante cargo administrativo em que anteriormente se achou [prefeito do Distrito Federal], revelou não só ignorância do direito, mas até uma grande falta de senso jurídico, como é notório e evidencia-se da discussão havida no Senado de diversos atos seus praticados na qualidade de prefeito desta cidade e pelo Senado rejeitados”.

Curiosamente, em 1899, Barata Ribeiro seria eleito senador. Permaneceria no cargo entre 1900 e 1909, circulando entre os políticos que o haviam derrubado duas vezes. “À frente do Partido Republicano do Distrito Federal (PRDF), e ao lado do senador carioca Augusto de Vasconcelos, comandou a política no Distrito Federal até o início da primeira década do século XX. Essa ascendência sobre a política municipal foi garantida com a conquista de uma cadeira no Senado em eleição realizada em 30 de dezembro de 1899”, aponta o CPDOC-FGV.

Como senador, “empenhou-se na defesa de bandeiras como a autonomia do Distrito Federal, a garantia de direitos civis e políticos dos cidadãos, e o incentivo ao desenvolvimento de políticas públicas de proteção à indústria nacional e à infância desvalida”, informa o departamento da FGV. Ainda em Campinas, ele já tinha liderado a criação de um centro de atendimento em saúde para crianças carentes.

Quanto aos demais quatro ministros apontados por Peixoto e barrados pelos senadores, sabe-se muito pouco a respeito das motivações das decisões — as sessões eram secretas, os indicados não participavam delas e, diferentemente do que aconteceu com Ribeiro, as atas se perderam. Ewerton Quadros era general e Demosthenes da Silveira Lobo, diretor-geral dos Correios, ambos sem formação em direito. Os demais, o general Innocêncio Galvão de Queiroz e o subprocurador da República Antônio Sève Navarro, não eram conhecidos no mundo jurídico, mas haviam feito faculdade na área e ainda assim foram barrados.

“Saber jurídico”
Atualmente, nomes indicados para o STF seguem alguns critérios, estabelecidos pelo artigo 101 da Constituição: precisam ter notável saber jurídico (o “jurídico” foi incluído ainda no início do século 20), reputação ilibada, mais de 35 anos e menos de 65. Em décadas recentes, Dias Toffoli é o ministro mais jovem a ser indicado até hoje – tinha 41 anos e posteriormente, aos 50, se tornaria também o mais jovem presidente da corte. Mas, em 1901, o ministro Alberto Torres foi indicado quando tinha 35 anos.

O número de juízes, aliás, é mantido em 11 desde 1931, com exceção do período entre 1965 e 1969, quando foram 16. Entre 1891 e 1931, haviam sido 15. Nunca mais, desde o fim do governo de Floriano Peixoto em 1894, um nome indicado para o Supremo foi barrado. Quanto a Barata Ribeiro, faleceu em 1910, aos 66 anos. Foi homenageado com seu nome em uma rua de Copacabana e em 1932 nasceria seu sobrinho neto, o comediante Agildo Ribeiro.


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O PECADO DA LAVA JATO FOI PENSAR SÓ EM CORRUPÇÃO

 

Operação

Por
Leonardo Coutinho – Gazeta do Povo

BRA50. BRASÍLIA (BRASIL), 17/05/2023. – El diputado federal Deltan Dallagnol, habla durante una rueda de prensa hoy, tras perder su mandato en el Congreso Nacional, en Brasilia (Brasil). El Tribunal Superior Electoral (TSE) de Brasil despojó del mandato como diputado federal a Deltan Dallagnol, quien fuera el jefe del equipo de fiscales que ayudó a llevar a la cárcel dos años atrás al hoy presidente brasileño, Luiz Inácio Lula da Silva. Por unanimidad, los miembros del máximo tribunal electoral declararon inválida la candidatura de Dallagnol a la Cámara de Diputados, con lo que automáticamente el exfiscal perdió el mandato. EFE/Andre Borges


O ex-coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, faz pronunciamento em Brasília na quarta-feira (17), depois de ter seu mandato de deputado federal cassado pelo TSE| Foto: EFE/André Borges

A corrupção é… A corrupção foi… A corrupção deve… A corrupção será… A corrupção precisa… A corrupção está… A corrupção move… A corrupção isso… A corrupção aquilo… Nove em cada dez frases proferidas pelos agentes da Lava Jato resumiam a operação ao combate à corrupção. Mesmo depois que seus personagens mais ilustres, Sergio Moro e Deltan Dallagnol, estrearam novas carreiras, a corrupção (sempre ela) era um mantra interminável que explica tudo e está na origem de tudo. Este foi o pecado capital da operação.

Corrupção não é o fim, mas apenas um dos meios. Por mais monumentais que tenham sido, os escândalos revelados pela Lava Jato não resumem o que acontecia. Diante de um dragão, a Lava Jato se concentrou em descrever a anatomia das patas do monstro. A corrupção… corrupção… corrupção… corrupção… é apenas um recurso que foi empregado em um sistema de lavagem de dinheiro cuja dimensão e amplitude não foram descritos e alcançados.

A Lava Jato retirou algumas engrenagens, levando à interrupção do funcionamento de um mecanismo de escala global que permitia um fluxo financeiro das mais variadas origens (e acredite, a roubalheira brasileira talvez seja a menos indecente delas). A Pedra Roseta se chama Departamento de Operações Estruturadas.

Para quem não se lembra, este é o setor da Odebrecht criado para pagar propinas, mas não só. Era uma espécie de universo paralelo por onde passava muito dinheiro. Muito mesmo. As planilhas encontradas em uma das buscas realizadas pela PF e explicadas pelo chefe do setor da propina, Hilberto Mascarenhas, em sua delação mostram que o fluxo financeiro dentro da organização não se explica por corrupção ou propina.

Em alguns anos, o volume de dinheiro movimentado pelo Departamento de Operações Estruturadas foi maior que o lucro líquido declarado pela companhia inteira. Como é possível pensar que uma empresa pagou mais por baixo da mesa para “corruptos” do que foi capaz de auferir como lucro?

Esta coluna já tratou sobre isso no passado. O tema volta a ser relevante com a cassação do mandato de deputado federal de Dallagnol e a série de ameaças públicas de advogados e autoridades que dão conta de que Moro será o próximo a ser degolado. Mas não só por isso. Depois que Luiz Inácio Lula da Silva reverteu suas condenações e abriu uma avenida para a impunidade, pessoas que confessaram crimes com sorriso no rosto agora se dizem vítimas de tortura.

Companhias, cujos donos e executivos assumiram crimes, agora querem de volta os valores pagos em multas alegando terem sido vítimas de abusos judiciais.

Qual é a origem desse revés? Foram as patinadas processuais de Moro, Dallagnol e dos demais membros da força-tarefa? Não. Foi o apequenamento da percepção do que eles estavam enfrentando.

A tal corrupção que eles identificaram e atacaram era parte de um conjunto de engrenagens cujo mecanismo a Lava Jato de fato emperrou por um tempo. Mas não suficientemente para impedir que ele fosse reparado e modernizado.

A invasão dos telefones dos membros da força-tarefa, gerando o escândalo que ficou conhecido como Vaza Jato, foi um revés sofrido pela Lava Jato que nada tem a ver com corruptos ou corrupção. Inventaram a tese de hackers de Araraquara para limpar uma ação, cuja complexidade e alcance não fazem sentido algum serem atribuídas aos esforços de jovens estelionatários do interior de São Paulo, para muito seguramente desviar a atenção sobre os autores cujas competências e capacidades são compatíveis com a de agentes de Estado.

O conteúdo das conversas roubadas mostra ainda a despreocupação de quem acreditava na criptografia do Telegram como um escudo intransponível para corruptos. Sem saber que eles não estavam afetando apenas corruptos, mas organizações e regimes corruptos que usavam os mesmos canais para fazer fluir rios de dinheiro.

A reação em cadeia contra a Lava Jato, provocada depois dos vazamentos, não tem nada a ver com corruptos ou corrupção. Essa ralé da estrutura é a face mais visível e supostamente a única beneficiada, como Moro e Dallagnol ainda teimam em dizer.

Os esforços para pinçar falhas processuais e transformar Moro e Dallagnol em “chefes de quadrilha” vão além de anistiar corruptos. Está evidente que são para reescrever a história. Punir de maneira exemplar funcionários que se meteram no caminho. Moro e Dallagnol (aqui representando todos da Lava Jato) fizeram algo inédito para o Brasil e a América Latina. Cometeram erros. Mas nenhum de seus erros é maior que os benefícios da operação. Nenhum de seus erros foi menor do que ter pensado que tudo se resumia em roubalheira de dinheiro público.

Os grandes jogadores estão preocupados com conquista, manutenção e expansão de poder em contextos que vão da política à geopolítica – o que não exclui a atuação do crime transnacional organizado e de estados mafiosos. Para eles, os corruptos são instrumentos. As reações à Lava Jato têm sua origem nas trevas onde interesses e personagens se tornaram invisíveis em meio à conveniente névoa da corrupção… corrupção… corrupção… corrupção…


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NÃO OUVE INTERESSE DE LULA DE ENCONTRAR COM ZELENSKY

 

Lula e Zelenski não chegam a acordo e não vão se encontrar em reunião no G-7

Por Eduardo Gayer – Jornal Estadão

Delegação brasileira chegou a negociar o encontro com a contraparte ucraniana, mas as tratativas não prosperaram por ‘incompatibilidade de horários’

ENVIADO ESPECIAL A HIROSHIMA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da UcrâniaVolodmir Zelenski, não vão se reunir no G-7. Após pressão da comunidade internacional, a delegação brasileira chegou a negociar o encontro com a contraparte ucraniana, mas as tratativas não prosperaram.

O motivo dado pelos dois governos foi uma “incompatibilidade de agendas”. Lula ofereceu horários em aberto na sua programação deste domingo, mas a equipe de Zelenski não conseguiu encaixar nos horários vagos.

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O presidente ucraniano deu uma coletiva de imprensa em Hiroshima em que ironizou o desencontro. Perguntado se ficou decepcionado por não ter conseguido se reunir com Lula, Zelenski riu e respondeu: “acho que ele [Lula] que ficou decepcionado”. Zelenski voltou para Kiev logo depóis da coletiva. Lula volta para o Brasil na manhã de segunda-feira no Japão, depois de uma coletiva de imprensa.

Para além da agenda, uma hipótese é que o encontro não tenha acontecido por questões de segurança. Zelenski está em uma restrita e com segurança reforçada na cidade japonesa, enquanto o presidente Lula passou o dia em reuniões no hotel em que está hospedado em Hiroshima considerado mais vulnerável. Não há informações se o presidente brasileiro se dispôs a voltar à área em que estava Zelenski, onde foi mais cedo para participar de um painel do G-7.

Bandeira do Brasil e  da Ucrânia sobrepostas em área reservada à imprensa.
Bandeira do Brasil e da Ucrânia sobrepostas em área reservada à imprensa.  Foto: Eduardo Gayer/ Estadão

O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, reagiu com ironia ao ser questionado se ficou decepcionado por não ter conseguido se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Hiroshima, onde aconteceu neste final de semana a cúpula do G-7. “Acho que ele [Lula] quem ficou decepcionado”, respondeu, rindo em seguida.

Zelenski corroborou a versão do governo brasileiro e afirmou que ele e Lula não se encontraram entre ontem e hoje por problemas de agenda. “Encontrei todos os líderes. Quase todos. Todos têm suas agendas próprias. Acho que é por isso que não pudemos encontrar o presidente do Brasil”, declarou o presidente ucraniano.

Em coletiva de imprensa na cidade-sede do G-7 antes de retornar a Kiev, Zelenski afirmou que não há provas de que Índia e China supostamente enviam armas para a Rússia travar a guerra, como sugeriu uma repórter estrangeira. Ele também instou todos os países a se envolverem na “na fórmula da paz”, mas defendeu que não promoveu os encontros no G-7 em troca de qualquer “passo” em defesa da Ucrânia.

Zelenski conseguiu uma reunião até mesmo com o premiê da Índia, Narendra Modi, que é mais próximo de Moscou do que o Brasil. Na coletiva de imprensa, o presidente da Ucrânia quis passar a imagem de apoio internacional para resistir à ofensiva russa. “A quem quer guerra, veja como estamos unidos”, disparou, em um claro recado ao presidente Vladimir Putin.

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Até o horário do almoço no Japão, a probabilidade de um encontro entre Lula e Zelenski era considerada alta entre diplomatas que estão em Hiroshima, cidade-sede do G-7. Isso apesar da resistência de Lula em se reunir com Zelenski desde ontem, quando o pedido de encontro foi feito pela parte ucraniana.

No hotel em que Lula está instalado na cidade-sede do evento, e onde travou parte dos encontros de hoje, jornalistas chegaram a ser convocados para acompanhar o início das bilaterais e se instalaram no mesmo andar do presidente. No espaço reservado à imprensa, havia duas bandeiras, uma do Brasil e outra da Ucrânia, uma sobre a outra.

A principal hipótese é que elas teriam sido postas sobre a mesa para desamassar antes de serem hasteadas na sala de reuniões de Lula. Sem explicações, os jornalistas foram dispensados após acompanharem as reuniões bilaterais com os líderes de Ilhas Comores e Vietnã.

Mais cedo, Lula participou em Hiroshima de um painel do G-7 em que estava Zelenski. Diferentes líderes internacionais cumprimentaram o ucraniano, mas o presidente brasileiro permaneceu sentado.

Lula resistia ao encontro desde o início. Zelenski veio ao G7 para tentar ampliar sua aliança na guerra contra a Rússia. De acordo com relatos, o presidente brasileiro ficou desconfortável com a pressão da comunidade internacional pela reunião bilateral diante da postura brasileira de manter neutralidade no conflito.

Apesar de não haver encontro, Lula fez a a primeira crítica explícita à Rússia ao longo da cúpula do G-7 em uma reunião durante a sessão “Rumo a um mundo pacífico, estável e próspero” e ocorreu na presença do presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski. Em uma declaração feita de improviso – não consta do discurso oficial – Lula afirmou que o presidente Vladimir Putin deveria se explicar à Organização das Nações Unidas (ONU) pela invasão da Ucrânia, e condenou a violação da integridade territorial da Ucrânia.

“Em linha com a Carta das Nações Unidas, repudiamos veementemente o uso da força como meio de resolver disputas. Condenamos a violação da integridade territorial da Ucrânia. Ao mesmo tempo, a cada dia em que os combates prosseguem, aumentam o sofrimento humano, a perda de vidas e a destruição de lares.Tenho repetido quase à exaustão que é preciso falar da paz”, disse Lula.

Lula (centro), ao lado do presidente americano, Joe Biden (segundo à esquerda) o líder de Comoros, Azali Assoumani (esquerda), e o premiê do Canadá, Justin Trudeau (direita), em um painel no G-7, em Hiroshima, no Japão
Lula (centro), ao lado do presidente americano, Joe Biden (segundo à esquerda) o líder de Comoros, Azali Assoumani (esquerda), e o premiê do Canadá, Justin Trudeau (direita), em um painel no G-7, em Hiroshima, no Japão  Foto: Susan Walsh / AFP

Lula também defendeu que a guerra na Ucrânia seja discutida pelas Nações Unidas. De acordo com o Itamaraty, Lula falou de improviso sobre o tema durante a reunião — que foi fechada para a imprensa. O presidente Lula afirmou que os envolvidos no conflito — incluindo o presidente russo, Vladimir Putin — deveriam se explicar no âmbito da ONU. No discurso, o presidente brasileiro também voltou a defender a reforma no Conselho de Segurança da ONU:

“A falta de reforma do Conselho de Segurança é o componente incontornável do problema. O Conselho encontra-se mais paralisado do que nunca. Membros permanentes continuam a longa tradição de travar guerras não autorizadas pelo órgão, seja em busca de expansão territorial, seja em busca de mudança de regime”, disse o presidente durante o discurso na sessão de trabalho “Rumo a um mundo pacífico, estável e próspero”, que começou ao meio-dia de domingo no Japão (meia-noite de domingo pelo horário de Brasília).

Para o brasileiro, “os mecanismos multilaterais de prevenção e resolução de conflitos já não funcionam” e é preciso lembrar que as guerras hoje “vão muito além da Europa”, destacando o Oriente Médio e o Haiti.

O GOVERNO QUER A VOLTA DOS CARROS POPULARES

 

Carro popular caiu de 31% para 9% no mercado e SUV foi de 8% para 46% em dez anos; entenda o porquê

Por Cleide Silva – Gazeta do Povo

Utilitários-esportivos são mais sofisticados, mais caros e lideram vendas entre os automóveis; governo deve anunciar na quinta-feira medidas para reduzir preço de ‘carro popular’ a até R$ 60 mil

No momento em que se discute a volta dos chamados “carros populares” na tentativa de aumentar o acesso de parte da população ao automóvel novo e ajudar a indústria automobilística a recuperar o mercado que tinha antes da pandemia, o País tem como campeões de venda os utilitários-esportivos. A categoria de SUVs, como são conhecidos, caiu no gosto dos brasileiros com maior poder de compra e hoje representa quase metade dos negócios de veículos novos. Todos os modelos à venda custam mais de R$ 100 mil.

Por longos anos, os líderes de mercado eram os “populares”, depois rebatizados de “carros de entrada” por serem os mais baratos de cada marca. O segmento detinha 31,3% das vendas em 2012, ano em que as vendas de automóveis somaram 3,1 milhões de unidades. Neste ano, a fatia é de 9,3% até abril.

Por outro lado, a participação dos SUVs saltaram de 8,8% para 46,4% de 2012 para cá. Atualmente há mais de 100 modelos desse tipo de veículo disponíveis no País entre nacionais e importados, conforme dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

A produção local de SUVs também vem crescendo. Em 2012, havia12 modelos nacionais e hoje há 31, com preços que partem de R$ 101 mil (Fiat Pulse) a R$ 610 mil (BMW X4). Só os 13 utilitários mais vendidos, todos fabricados no País, respondem por quase 80% das vendas do segmento. Já a maior parte dos importados são das categorias premium e luxo, com preços que vão além de R$ 1 milhão.

Paralelamente, só há dois carros “de entrada” em oferta, o Fiat Mobi e o Renault Kwid, ambos por R$ 69 mil. Há dez anos eram oito opções, todas nacionais: Volkswagen Gol, Fiat Uno e Palio, Chevrolet Celta, Ford Ka, Peugeot 207, Renault Clio e Toyota Etios, com preços, na época, entre R$ 21,4 mil e R$ 31,4 mil.

mudança do perfil do mercado ocorre por várias razões. Uma delas, usada frequentemente pelas fabricantes, são as novas leis de segurança e emissões, que passaram a exigir itens como airbag, freios ABS em todos os novos carros, além de tecnologias para reduzir o consumo de combustível.

“Com a obrigação de novos equipamentos, o custo de produção e venda dos carros aumentou bastante”, afirma Igor Machado Torres, economista e analista da Tendências Consultoria. Somado aos juros altos, desemprego e queda da renda de muitos brasileiros, uma camada significativa da população está excluída do mercado de carros novos.

A falta de componentes (em especial de chips) acirrada pela pandemia, também ajudou na alta dos custos, assim como problemas de logística (preço de frete, de contêineres etc).

Laís Magnoler, de 32 anos, tem um Sandero 2014, adquirido zero e que já rodou 125 mil km. Ele tem apresentado algumas falhas, embora ela mantenha os serviços de manutenção em dia. “Recentemente tive de trocar as velas e no ano passado teve um problema no ar-condicionado; fiquei sem usá-lo por três meses até levar ao conserto”, diz ela, que trabalha na área de marketing.

O desejo de Laís é trocar o carro por um SUV Creta, da Hyundai. No início de 2022 ela pesquisou os preços do modelo, na época na faixa de R$ 80 mil, mas concluiu que não daria para comprar porque ajuda o companheiro a pagar prestações de um apartamento ainda em construção.

Hoje, a versão mais barata do Creta, de geração anterior a atual, custa R$ 116,6 mil. Como o Sandero vale cerca de R$ 25 mil a R$ 30 mil, Laís teria de parcelar a diferença, mas, com os juros atuais, “o preço ficaria mais que o dobro, então vou esperar mais e tentar cobrar à vista”, afirma.

Laís Magnoler gostaria de trocar seu compacto Sandero por um SUV Creta, mas preço e juros são impeditivos
Laís Magnoler gostaria de trocar seu compacto Sandero por um SUV Creta, mas preço e juros são impeditivos Foto: Felipe Rau/Estadão

De acordo com o Banco Central, o juro médio para a compra de veículos está em 28,6% ao ano (dado de março), o maior em mais de dez anos. Com a inadimplência acima de 5%, os bancos também estão restritivos na liberação de crédito. “Essa taxa de juro é incompatível com o crescimento da indústria e com a geração de empregos”, diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Márcio de Lima Leite.

Demanda reprimida

Segundo Torres, há uma demanda reprimida de consumidores que poderiam comprar um carro popular se o preço for reduzido. O governo promete um pacote de medidas para ajudar na reativação do setor industrial a ser anunciado na próxima quinta-feira, 25. No caso da indústria automobilística são esperadas medidas para baixar o preço dos carros “de entrada” para entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. Também pode ter alguma medida para modelos de até R$ 100 mil, o que atingiria outros segmentos de veículos.

Para chegar a essa faixa no “popular” são necessários incentivos como corte de alíquotas de impostos federais e estaduais, redução de margens de lucro de montadoras e concessionárias e retirada de alguns itens como multimídia, além de uso de materiais menos nobres em estofamentos e forros, por exemplo. Também são esperados juros menores e prazos mais longos para os financiamentos.

Quem tem um carro seminovo para vender tem maior facilidade na troca por um zero, pois a diferença a pagar é menor. Essa é parte da explicação para a mudança no perfil da forma de compra. Há três anos, 51% das vendas eram a prazo e 49% à vista. Hoje, são 33% a prazo e 67% à vista. ‘É uma proporção completamente na contramão da dinâmica do mercado de automóveis, que sempre dependeu muito de crédito”, avalia Torres.

Tendência global

O economista da Tendências acredita que eventuais medidas de incentivo ao mercado serão pontuais. Ainda que se consiga chegar aos preços sugeridos pelo governo, o consumidor seguirá esbarrando na falta de opções de modelos “de entrada”. Na faixa acima, a de hatches, há mais variedade como Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Volkswagen Polo e Citroën C3, a maioria com preços acima de R$ 80 mil.

A maioria das montadoras está focando seus lançamentos em SUVs ou modelos mais equipados, justamente porque o lucro na venda é maior. Torres acredita que, dependendo das medidas a serem anunciadas, as fabricantes podem lançar versões mais baratas de SUVs, movimento que, diz ele, já vem ocorrendo nos últimos anos com o aumento da produção local.

Para Torres, “o crescimento do mercado de SUVs é uma tendência mundial, vem ocorrendo também no Brasil há cerca de dez anos e deverá continuar, pois os próprios consumidores estão migrando para esse tipo de veículo, visto como mais espaçoso, mais versátil, com design moderno e percebidos por muitos como mais seguros por serem mais robustos e a posição do motorista ser mais elevada”.

COMO SE TORNAR UM EMPREENDEDOR DE SUCESSO

 

Pluga

Coloque-os em prática!

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Empreender não é simples, mas quando se visualiza o processo em outras pessoas a experiência se torna mais palpável e mais perto da realidade. Inclua nisso o saber dos 10 segredos do sucesso dos empreendedores.

Afinal, o que ajudou uma pessoa pode servir para você dar o primeiro passo. E se é isso que procura, então chegou ao lugar certo!

Neste artigo vamos te mostrar, além dos 10 segredos das pessoas empreendedoras, como se tornar essa figura empreendedora, os tipos de empreendedores e mais algumas ferramentas que podem te ajudar nessa empreitada.

Vamos lá!

Como se tornar um empreendedor?

É certo dizer que a construção de um negócio possui suas características próprias mas existem alguns fatores que se encontram no aprendizado de como ser uma pessoa empreendedora de sucesso. O que é preciso deixar bem evidente aqui é que: todos podem empreender.

Dentre as principais dicas para começar essa jornada, podemos citar:

Capacitação profissional e do mercado;

Formalizar sua empresa;

Ter controle financeiro;

Atenção às inovações do mercado;

Possuir processos organizados e bem definidos.

Nesta última dica, por exemplo, automatizar processos e tarefas pode ser um grande auxílio nessa organização e produtividade. No vídeo abaixo é possível conferir algumas ferramentas que têm esse objetivo.

Agora que já sabe algumas dicas básicas sobre como se tornar uma pessoa empresária, vamos aos 10 segredos do sucesso dos empreendedores? É válido citar que essa lista não é uma fórmula mágica ou receita de bolo, que é só seguir que tudo dará certo.

Esses segredos para se tornar uma pessoa empresária de sucesso, podem funcionar como pilares do empreendedorismo para que você tenha sempre um lugar para onde olhar. Ou seja, habilidades ou características que se mostram necessárias quando se quer empreender.

Dito isto, os 10 segredos do sucesso dos empreendedores são:

Pesquise sobre o mercado que quer atuar

Crie um plano de negócios

Planeje-se financeiramente

Saiba identificar oportunidades

Erros fazem parte

Negócios adaptáveis não ficam fora de linha

Invista em inovação

Crie uma forte presença online

Tenha inteligência emocional

Escolha as pessoas certas para a sua empresa

Confira a seguir os detalhes de cada um deles.

1. Pesquise sobre o mercado que quer atuar

O primeir dos 10 segredos do sucesso dos empreendedores acontece ainda na parte embrionária de um negócio. É preciso entender bem sobre o mercado que quer atuar, isso significa:

Nível de necessidade do seu produto ou seu serviço;

Estudo de público;

Análise da concorrência;

Entre outros fatores.

Compreendendo bem esses aspectos você já entrará no mercado com um maior respaldo para os riscos que podem surgir no caminho. E estar preparado para os riscos é um grande desafio para empreendedores, portanto quanto antes tiver noção deles melhor.

2. Crie um plano de negócios

Preparo e organização são extremamente importantes quando se quer criar uma empresa. E é por esse motivo que elaborar um plano de negócios é algo que grandes empreendedores de sucesso fazem.

Em um plano de negócios será possível documentar todos os detalhes da pesquisa de mercado, concorrência e viabilidade do negócio. Além disso, nele também é possível identificar estratégias a serem adotadas em um primeiro momento.

3. Planeje-se financeiramente

Ninguém que ter que lidar com problemas de finanças nos primeiros passos de um negócio, né? Eles podem até surgir, mas é importante fazer com que não virem uma “bola de neve”.

Pensando nisso um dos 10 segredos do sucesso dos empreendedores é saber planejar-se financeiramente.

4. Saiba identificar oportunidades

Para um negócio dar certo é preciso, para além das etapas de organização e planejamento, prestar atenção às oportunidades que aparecem no caminho. A partir delas será possível pensar em soluções que se destaquem no meio.

5º segredo dos empreendedores: Erros fazem parte

Chegamos na metade da nossa lista dos 10 segredos do sucesso dos empreendedores. E para compor esse lugar temos uma das mais importantes dicas: erros fazem parte da constução de um negócio.

É essencial ter isso em mente para que elabore maneiras para quando eles acontecerem já ter uma estratégia para saná-los. Ou seja, a ideia aqui é compreender que erros vão existir, mas não fazer deles algo rotineiro.

6. Negócios adaptáveis não ficam fora de linha

Se você quer que o seu negócio dure longos anos é preciso ter em mente que ele precisará se adaptar conforme a passagem de tempo. Mas isso não significa que que deva mudar objetivos ou cultura do seu negócio e sim não deixá-los tão presos a um período no tempo.

O que nos leva diretamente ao sétimo dos 10 segredos do sucesso dos empreendedores.

7. Invista em inovação

Tendo um negócio adaptável é quase que uma regra que haja um investimento em inovação. Isso pode significar uma mudança na cultura da empresa ou apenas uma adaptação.

8. Crie uma forte presença online

Já ouviu falar que “quem não é visto não é lembrado”? Quando falamos de ter uma empresa em tempos digitais e tecnológicos essa frase se encaixa perfeitamente.

Afinal, se seu negócio não estiver online dificilmente será reconhecido por pessoas que estão fora do convívio da empresa. Portanto, ao ter sua empresa não esqueça de fomentar a presença online dela, isso será importante para ampliar o número de clientes e seu potencial competitivo.

9. Tenha inteligência emocional

Quando está se criando uma empresa há muita carga mental envolvida, então é importante que se tenha inteligência emocional para que os desafios sejam enfrentados da melhor maneira possível. Agir com consciência sobre seus atos é um grande poder neste meio.

Quando falamos de inteligência emocional é importante frizar que há diversos componentes envolvidos nela. Alguns deles são:

Autoconsciência;

Autogestão;

Motivação;

Empatia;

Habilidade social.

Desenvolvê-la será algo proveitoso não somente para o lado do empreendedorismo, mas também para o lado pessoal.

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10. Escolha as pessoas certas para a sua empresa

O último dos 10 segredos do sucesso dos empreendedores está em perceber que uma empresa não cresce sozinha. Para que ela evolua de maneira saudável é preciso escolher as pessoas certas para fazer parte dela.

E para além da escolha certa, é importante também oferecer artifícios para que essas pessoas evoluam juntamente com o seu negócio. Além, claro, de ter um ambiente confortável onde cada um se sinta parte do crescimento.

Quais são os tipos de empreendedores?

Agora que já sabe quais os 10 segredos do sucesso dos empreendedores, sabia que existem diversas tipificações de empreendedores? Para além das características mais pessoais de cada pessoa que empreende, é possível elencar pelo menos 9 tipos de empreendedores.

São eles:

Social;

Individual;

Informal;

Cooperativo;

Franqueado;

Corporativo;

Público;

Digital;

Serial.

A STARTUP VALEON OFERECE SEUS SERVIÇOS AOS EMPRESÁRIOS DO VALE DO AÇO

Moysés Peruhype Carlech

A Startup Valeon, um site marketplace de Ipatinga-MG, que faz divulgação de todas as empresas da região do Vale do Aço, chama a atenção para as seguintes questões:

• O comércio eletrônico vendeu mais de 260 bilhões em 2021 e superou pela primeira vez os shopping centers, que faturou mais de 175 bilhões.

• Estima-se que mais de 35 bilhões de vendas dos shoppings foram migradas

para o online, um sintoma da inadequação do canal ao crescimento digital.

• Ou seja, não existe mais a possibilidade de se trabalhar apenas no offline.

• É hora de migrar para o digital de maneira inteligente, estratégica e intensiva.

• Investir em sistemas inovadores permitirá que o seu negócio se expanda, seja através de mobilidade, geolocalização, comunicação, vendas, etc.

• Temas importantes para discussão dos Shoppings Centers e do Comércio em Geral:

a) Digitalização dos Lojistas;

b) Apoio aos lojistas;

c) Captura e gestão de dados;

d) Arquitetura de experiências;

e) Contribuição maior da área Mall e mídia;

f) Evolução do tenant mix;

g) Propósito, sustentabilidade, diversidade e inclusão;

h) O impacto do universo digital e das novas tecnologias no setor varejista;

i) Convergência do varejo físico e online;

j) Criação de ambientes flexíveis para atrair clientes mais jovens;

k) Aceleração de colaboração entre +varejistas e shoppings;

l) Incorporação da ideia de pontos de distribuição;

m) Surgimento de um cenário mais favorável ao investimento.

Vantagens competitivas da Startup Valeon:

• Toda Startup quando entra no mercado possui o sonho de se tornar rapidamente reconhecida e desenvolvida no seu ramo de atuação e a Startup Valeon não foge disso, fazem dois anos que estamos batalhando para conquistarmos esse mercado aqui do Vale do Aço.

• Essa ascensão fica mais fácil de ser alcançada quando podemos contar com apoio dos parceiros já consolidados no mercado e que estejam dispostos a investir na execução de nossas ideias e a escolha desses parceiros para nós está na preferência dos empresários aqui do Vale do Aço para os nossos serviços.

• Parcerias nesse sentido têm se tornado cada vez mais comuns, pois são capazes de proporcionar vantagens recíprocas aos envolvidos.

• A Startup Valeon é inovadora e focada em produzir soluções em tecnologia e estamos diariamente à procura do inédito.

• O Site desenvolvido pela Startup Valeon, focou nas necessidades do mercado e na falta de um Marketplace para resolver alguns problemas desse mercado e em especial viemos para ser mais um complemento na divulgação de suas Empresas e durante esses dois anos de nosso funcionamento procuramos preencher as lacunas do mercado com tecnologia, inovação com soluções tecnológicas que facilitam a rotina dessa grande empresa. Temos a missão de surpreender constantemente, antecipar tendências, inovar. Precisamos estar em constante evolução para nos manter alinhados com os desejos do consumidor. Por isso, pensamos em como fazer a diferença buscando estar sempre um passo à frente.

• Temos a plena certeza que estamos solucionando vários problemas de divulgação de suas empresas e bem como contribuindo com o seu faturamento através da nossa grande audiência e de muitos acessos ao site (https://valedoacoonline.com.br/) que completou ter mais de 100.000 acessos.

Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:

• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing;

• Atraímos visualmente mais clientes;

• Somos mais dinâmicos;

• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;

• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;

• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.

• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em buscadores, redes sociais e em várias publicidades online para impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as suas vendas.

Proposta:

Nós da Startup Valeon, oferecemos para continuar a divulgação de suas Empresas na nossa máquina de vendas, continuando as atividades de divulgação e propaganda com preços bem competitivos, bem menores do que os valores propostos pelos nossos concorrentes offlines.

Pretendemos ainda, fazer uma página no site da Valeon para cada empresa contendo: fotos, endereços, produtos, promoções, endereços, telefone, WhatsApp, etc.

O site da Valeon é uma HOMENAGEM AO VALE DO AÇO e esperamos que seja também uma SURPRESA para os lojistas dessa nossa região do Vale do Aço.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua empresa seja oficializada.

A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as melhores marcas do varejo e um mix de opções.

O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.

Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é muito abaixo do valor praticado pelo mercado.

Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:

  • O Site Valeon é bem elaborado, com layout diferenciado e único, tem bom market fit que agrada ao mercado e aos clientes.
  • A Plataforma Valeon tem imagens diferenciadas com separação das lojas por categorias, com a descrição dos produtos e acesso ao site de cada loja, tudo isso numa vitrine virtual que possibilita a comunicação dos clientes com as lojas.
  • Não se trata da digitalização da compra nas lojas e sim trata-se da integração dos ambientes online e offline na jornada da compra.
  • No país, as lojas online, que também contam com lojas físicas, cresceram três vezes mais que as puramente virtuais e com relação às retiradas, estudos demonstram que 67% dos consumidores que compram online preferem retirar o produto em lojas físicas.
  • O número de visitantes do Site da Valeon (https://valedoacoonline.com.br/)  tem crescido exponencialmente, até o momento, temos mais de 220.000 visitantes e o site (https://valeonnoticias.com.br/) também nosso tem mais de 5.500.000 de visitantes.
  • O site Valeon oferece ao consumidor a oportunidade de comprar da sua loja favorita pelo smartphone ou computador, em casa, e ainda poder retirar ou receber o pedido com rapidez.
  • A Plataforma Comercial da Valeon difere dos outros marketplaces por oferecer além da exposição das empresas, seus produtos e promoções, tem outras formas de atrair a atenção dos internautas como: empresas, serviços, turismo, cinemas e diversão no Shopping, ofertas de produtos dos supermercados, revenda de veículos usados, notícias locais do Brasil e do Mundo, diversão de músicas, rádios e Gossip.

                                                                                                                                                                   Nós somos a mudança, não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história ainda é curta, mas sabemos que ela está apenas começando.

Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?

Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

sábado, 20 de maio de 2023

A JUSTIÇA FOI CRUCIFICADA COM A PERDA DO MANDATO DE DALLAGNOL

Artigo
Por
Paulo Figueiredo – Gazeta do Povo


Após voto de Benedito Gonçalves contra Deltan Dallagnol, ministros levaram um minuto para votar junto com ele| Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE

A cassação do mandato do deputado Deltan Dallagnol reverbera com um impacto devastador no imaginário popular pouco visto até agora no conturbado momento que vive o Brasil. Minhas opiniões pessoais sobre Dallagnol – nada elogiosas – são irrelevantes para a análise. Dallagnol agora é um símbolo. E o que é crucial é como a população interpreta essa sequência de eventos, de forma análoga a uma crucificação do justo pelos perversos, uma vitória do mal sobre o bem.

Dallagnol, aos olhos do público, personifica o homem honesto que desafiou o status quo, colocando figuras poderosas e corruptas como Lula atrás das grades, e que foi subsequentemente recompensado com o voto popular. No entanto, por meio de manobras políticas, os poderosos conseguem libertar Lula e restaurá-lo ao poder. O carrasco tem direito até a sua frase de efeito: “missão dada é missão cumprida”. E, no ato final desta peça política, é o honesto quem acaba crucificado, enquanto os corruptos celebram sua vitória.

O brasileiro médio ainda não chegou à conclusão de que todos os limites foram ultrapassados.

A história evoca um arquétipo universal, que remonta ao início dos tempos, com a representação mais perfeita em Cristo: o justo perfeito que morre nas mãos do establishment corrompido. Em outras formas, é um arco tão universal que é repetido ao infinito no cinema e na literatura.

No clássico de 1962 To Kill a Mockingbird (no Brasil, “O Sol é Para Todos” – baseado no romance de Harper Lee), Atticus Finch, um advogado respeitado e moralmente íntegro, é designado para defender Tom Robinson, um homem negro acusado falsamente de estuprar uma mulher branca. No decorrer do julgamento, fica claro que Tom é inocente, mas apesar da defesa impassível de Atticus e da evidente inocência de Tom, o júri branco condena Tom, que tenta fugir e acaba morto pelos guardas. O resultado da trama, e a injustiça flagrante que representa, funciona como uma perda da inocência para sua filha Scout, narradora da história. O título do filme em inglês, To Kill a Mockingbird (“Matar um Sabiá”, em tradução livre), é uma metáfora para a destruição da inocência. Na história, é considerado um pecado matar um sabiá, pois a ave é benigna e só existe para cantar e trazer alegria.

O caso Dallagnol ilumina essa realidade para parcelas da população que até então estavam alienadas.

O Império Contra-Ataca, segundo filme da trilogia original de Star Wars (cujo título é mais do que adequado para o momento em que vivemos), também tem um final sombrio. Após um início promissor no primeiro filme, o herói Luke Skywalker termina o filme perdendo a mão, questionando a sua identidade e se atirando em um abismo. Han Solo está preso. E a rebelião foi praticamente esmagada.

Há um motivo para a repetição dessas histórias nas artes. Elas repetem as injustiças que todos sentimos na pele, em maior ou menor grau. E justamente pela empatia automática que tais tramas proporcionam, seu impacto na opinião pública é demolidor e muito mais poderoso do que qualquer série de reportagens da imprensa poderia ser. Diante dessa situação, duas respostas imediatas se fazem presentes: o desânimo e a revolta. Ambas são necessárias.

O sentimento, muitas vezes expresso como “o Brasil acabou”, é um reflexo do desespero popular. O brasileiro médio ainda não chegou à conclusão de que todos os limites foram ultrapassados. Eles ainda não perceberam que não vivem mais em uma república democrática, onde tudo é permitido, desde que os interesses dos poderosos sejam atendidos. Portanto, eles ainda se surpreendem com casos como o de Dallagnol – ou quando descobrem que os meus bens e contas bancárias continuam congelados, minhas redes sociais bloqueadas, meu passaporte cancelado, e assim por diante.


Editorial: TSE atropela a lei e os fatos para cassar Deltan Dallagnol
Não há base legal para a cassação de Deltan Dallagnol
Misérias do Brasil: é cada vez mais difícil combater a corrupção política


Porém, não há solução que não passe pelo entendimento da gravidade da situação. O caso Dallagnol ilumina essa realidade para parcelas da população que até então estavam alienadas, inclusive para aqueles que acreditavam que tais medidas só seriam tomadas “para se livrar do Bolsonaro”, uma ação que alguns tolos consideraram justificável. Como a personagem supracitada Scout, é hora desses brasileiros perderem a inocência.

É crucial, no entanto, que o desânimo seja transformado em resiliência. Precisamos aprender a viver sob essas novas regras, pelo menos por enquanto, e parar de procurar soluções onde elas não existem. A revolta deve se transformar em resistência, com toda a prudência necessária. Cada um deve resistir como puder, onde puder com a prudência bíblica da serpente. É preciso se preparar e se transformar para estar pronto quando a maré virar e a oportunidade surgir. E eu estarei aqui com vocês quando isso acontecer.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/dallagnol-e-o-simbolo-da-justica-crucificada-e-a-perda-da-inocencia-do-brasileiro/
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EMPRESAS DE INFLUENCIADORES CONTRATADOS POR LULA SÃO AS QUE FAZEM MAIS FAKE NEWS NA INTERNET

 

Máquina de desinformação
Perfis pró-Lula atingem milhões com fake news sobre economia no atual governo
Por
Gabriel Sestrem – Gazeta do Povo


Canais de membros do grupo “Influenciadores pela Democracia”, que se reuniram com Lula em fevereiro, têm apostado em fake news para beneficiar o atual governo| Foto: Ricardo Stuckert/PR

Resumo desta reportagem:

Quatro perfis de fofoca que, juntos, somam aproximadamente 50 milhões de seguidores nas redes sociais divulgaram fake news sobre redução da desigualdade social no governo Lula.
As contas (Choquei, Alfinetei, PopTime e UpdateCharts) omitiram que os dados do IBGE que apontaram melhora econômica no país se tratavam de 2022, quando Lula ainda não tinha assumido o governo.
A Gazeta do Povo encontrou mais notícias falsas, além de publicações com forte teor partidário nos quatro perfis.
Todas as contas mantêm ou mantinham até pouco tempo contrato com agência comandada por partidários do atual presidente.
O governo tem apostado em estreitar relações com influenciadores para melhorar popularidade e avançar em pautas de interesse.
Em 11 de maio, quatro perfis nas redes sociais que, juntos, somam mais de 50 milhões de seguidores, divulgaram fake news sobre a redução da desigualdade social no país com o objetivo de aumentar a popularidade do presidente Lula (PT).

Em comum entre as contas (Choquei, Alfinetei, PopTime e UpdateCharts), todas mantêm tom pró-governo e contrário a adversários políticos de Lula em meio a dezenas de postagens diárias sobre fofoca e entretenimento. Em várias das publicações com teor partidário, até mesmo as fotos e textos usados se repetem entre os perfis.

“HISTÓRICO: Pela 1ª vez em 10 anos, a desigualdade no Brasil CAIU para o MENOR NÍVEL, com as mudanças aplicadas pelo governo Lula”, diz publicação do PopTime. De forma semelhante, o perfil do Choquei postou: “AGORA: Pela primeira vez em uma década, a desigualdade no Brasil caiu para o menor nível, com o auxílio de R$600 do governo Lula e a melhora do mercado de trabalho”.

Os outros perfis repetiram o modelo, colocando em evidência a foto oficial de Lula que constou na urna eletrônica nas eleições do ano passado ao lado de imagens de famílias pobres ou da bandeira do Brasil. O Choquei chegou até mesmo a divulgar o link de uma matéria jornalística que seria sua fonte para a postagem.

A redução da desigualdade nos últimos anos é verdadeira e foi divulgada pelo IBGE na semana passada. Os dados, entretanto, tem a ver com o ano de 2022, ou seja, antes de o governo Lula iniciar. Os perfis omitiram o ano em todas as postagens, criando uma narrativa falsa de que o atual governo teria méritos em uma redução tão significativa da desigualdade econômica.

Mesmo com denúncias de milhares de usuários às plataformas apontando a inveracidade do conteúdo, as postagens foram mantidas por várias horas até serem apagadas pelos próprios administradores das páginas. O perfil do Choquei chegou a receber uma checagem da comunidade de usuários do Twitter – recurso denominado “Notas da Comunidade”.

A correção de informações se dá quando um grande número de usuários da plataforma aponta que determinado conteúdo de uma postagem é falso ou traz informações enganosas. Desde então, abaixo da publicação da Choquei passou a ser exibida a seguinte nota:

“Segundo o IBGE, o menor nível de desigualdade desde o início da série histórica ocorreu em 2022. Na época, Lula não era o presidente. Especialistas apontam que a causa para a queda na desigualdade foi a criação do Auxílio Brasil [programa de renda instituído durante o governo de Jair Bolsonaro]. Esse benefício não foi criado pelo governo Lula”.

Uma das fontes mencionadas pelos usuários para corrigir a desinformação foi justamente a matéria mencionada pelo Choquei como sendo a fonte da fake news divulgada. A reportagem trazia dados corretos, que foram manipulados pelo perfil de fofoca.

Fake news do perfil Choquei foi corrigido pela comunidade do Twitter. Medida ocorre quando um grande número de usuários aponta conteúdo desinformativo.

Perfis gerenciados e agenciados por apoiadores de Lula apostam em desinformação e tom partidário para aumentar popularidade do governo
Outro ponto em comum entre as contas disseminadoras de fake news é que três das quatro são agenciadas pela Mynd8, empresa que tem a cantora Preta Gil, apoiadora de Lula, como sócia-proprietária. O Choquei é o único perfil que não consta no rol de contas da agência, mas fez parte do grupo até dezembro de 2021.

Já a Banca Digital, núcleo da agência focado em perfis de entretenimento (como Alfinetei, Fofoquei, Tricotei e Gina Indelicada) é comandado por Murilo Henare, outro apoiador do petista, que no ano passado se encontrou pessoalmente com Lula e Rosângela Silva, a Janja, para cumprimentá-los pela eleição. Na campanha eleitoral, contas nas redes sociais que compõem o Banca Digital deram início a uma aberta linha pró-Lula em suas publicações, o que foi mantido após o início do governo petista.

O Alfinetei, por exemplo, publicou na segunda-feira (15) um vídeo em que um motorista aparece comemorando o preço da gasolina e vinculando a Lula a suposta queda de preços. A descrição: “Caminhoneiro comemora o preço baixo da gasolina, pede para frentista esborrar o tanque e agradece a Lula”. Em números reais, entretanto, o preço da gasolina comum acumula alta de 12,2% no Brasil entre janeiro e abril deste ano na comparação com mesmo período do ano passado, segundo dados da edição de maio do Panorama Veloe de Indicadores de Mobilidade Urbana, realizado em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O governo anunciou, recentemente, redução no preço dos combustíveis. Os novos valores, no entanto, passaram a valer no dia 17 de maio, dois dias após a publicação do Alfinetei.

Já o PopTime foi um dos primeiros a veicular a fake news de que Bolsonaro seria satanista durante o período eleitoral do ano passado. Recentemente, o perfil foi acusado de homofobia por referir-se ao maquiador Agustin Fernandez, amigo pessoal da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, como “pet gay”. O perfil, que é conduzido por pessoas homossexuais, chegou a publicar uma nota de retratação dando a entender que a ofensa se deu apenas pelo fato de o maquiador ter visão política divergente do grupo.

O Choquei, por sua vez, postou neste domingo (14) um vídeo em que um jovem aborda o senador Sergio Moro (União-PR) com ofensas. A publicação traz a seguinte legenda: “Jovem aborda o ex-juiz parcial Sergio Moro e pergunta como é ser um juiz ladrão e recebe tapinha do senador”.

Nesta sexta-feira (19), Lula retuitou uma postagem do perfil que tratava de uma suposta queda nos preços dos combustíveis, sem falar lugar, data ou apontar a fonte da informação. Até a publicação desta matéria, também não havia sido publicada nenhuma pesquisa atualizada de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

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Twitter coloca poder de checagem na mão dos usuários e até jornalistas são corrigidos

Dono do principal perfil de entretenimento recebia informações privilegiadas de Janja durante campanha eleitoral
O Choquei, perfil de entretenimento que conta com o maior número de seguidores nas redes sociais atualmente (quase 27 milhões somando Twitter, Instagram e Tiktok), pertence a Raphael Sousa, influenciador que é próximo à primeira-dama Rosângela Silva, a Janja. Após o resultado das eleições no ano passado, ele recebeu convite dela para subir no carro de som oficial da equipe de Lula e acompanhar o discurso da vitória do petista. A esposa do presidente, que desde o período eleitoral costuma manter um trabalho de aproximação com influenciadores para viabilizar apoio ao governo, chegou a enviar conteúdos exclusivos para o perfil durante a disputa eleitoral.

Com a divulgação, nas redes sociais, de notícias com um claro viés editorial pró-Lula, o dono da Choquei contribuiu muito para a campanha petista. No período eleitoral, a conta sempre esteve entre aquelas com maior repercussão em temas eleitorais.

Em entrevista ao Flow Podcast no ano passado, Sousa reconheceu que a atuação do perfil ajudou a eleger o atual presidente e afirmou que todos os colaboradores do Choquei eram pró-Lula, mas que o trabalho de apoio ao petista tinha a ver com o fato de o influenciador ser contrário a Bolsonaro. Apesar disso, o proprietário do perfil se aproximou mais do presidente após o início do novo mandato e mantém na internet a cruzada de defesa do governo a qualquer custo.

Janja promete estreitamento com influenciadores pró-Lula, que aceleram a produção de fake news
Sob a organização da primeira-dama, no início de fevereiro houve um encontro no Palácio do Planalto entre Lula e influenciadores digitais que fizeram campanha para o petista em seus canais nas eleições de 2022. Na reunião, o presidente disse que a propaganda política dos perfis foi determinante para sua eleição. “Não ganharíamos as eleições se não fosse também o trabalho voluntário de influenciadores nas redes. E vocês têm um trabalho muito grande para seguirmos combatendo a fábrica de mentiras”, disse.

O evento atraiu críticas de outros influenciadores da esquerda, que reclamaram que fizeram campanha aberta para Lula, especialmente no segundo turno das eleições, e mesmo assim ficaram de fora do evento. Ao responder às críticas, a primeira-dama sugeriu que a aproximação do governo com influenciadores seria permanente durante o mandato. “É a primeira de muitas”, disse.

Como mostrou reportagem da Folha de S. Paulo publicada no último dia 10, parte do grupo que se encontrou com Lula tem se dedicado à disseminação de notícias falsas especialmente em momentos de maior desgaste do atual governo para desviar o foco das críticas. Segundo a matéria, os alvos majoritários das fake news são familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro, com destaque para Michelle Bolsonaro.

Ao jornal, um dos influenciadores que recentemente disseminou fake news pró-governo reconheceu que informações veiculadas por ele eram falsas, mas alegou que não se tratava de desinformação, mas de “uma brincadeira, uma sátira”. Detalhe: o tema central do evento com influenciadores organizado por Janja foi justamente o “combate às fake news”.

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GOVERNO LULA ADOTA PROCESSO POPULISTA NA PETROBRAS

 

Editorial

Por
Gazeta do Povo


Nova política de preços da Petrobras não necessariamente seguirá o preço internacional do petróleo.| Foto: Andre Coelho/EFE

Quatro meses e meio após Lula subir a rampa, está realizado o sonho de todo governante populista brasileiro: a Petrobras oficialmente abandonou sua política de preços alinhada com o mercado internacional, e que fora responsável pelo início de sua recuperação após a depredação realizada na primeira passagem do petismo pelo Planalto. Cumprindo uma promessa de campanha de Lula – e, mais uma vez, o que seria elogiável em qualquer outro governante se torna maldição para o país –, o preço dos combustíveis será “abrasileirado” e as consequências são imprevisíveis, tanto para a própria Petrobras quanto para o incipiente setor privado, que compete com a estatal no fornecimento de combustíveis.

Nunca é demais recordar as razões que fizeram do Preço de Paridade de Importação (PPI) a escolha da diretoria que assumiu a Petrobras quando Dilma Rousseff foi cassada e substituída por Michel Temer. O Brasil depende do mercado externo, pois sua autossuficiência em petróleo é ilusória: como o parque de refinarias nacional é insuficiente e obsoleto, o país precisa importar óleo e derivados. Além disso, ao praticar preços de mercado, a Petrobras permite que haja competição justa com os demais fornecedores privados, já que a estatal, sozinha, não dá conta de toda a demanda nacional por combustíveis. Nada, portanto, de “crime contra o povo”, como o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, classificou a PPI, mas de prática exigida por boas regras de governança.

O preço dos combustíveis será “abrasileirado” e as consequências são imprevisíveis, tanto para a própria Petrobras quanto para o incipiente setor privado, que compete com a estatal no fornecimento de combustíveis

Crime, na verdade, era o que o petismo havia realizado com a Petrobras, a ponto de fazer dela a petrolífera mais endividada do mundo, segundo dados de 2017 da Organização Mundial do Comércio. As perdas com a corrupção propriamente dita, quando o PT saqueou a Petrobras em conluio com empreiteiras e partidos aliados, foram bilionárias, mas o prejuízo com o represamento artificial de preços fora muito maior. A dobradinha Dilma Rousseff-Graça Foster fez com que a estatal vendesse derivados abaixo do preço de custo durante um longo período, para tentar controlar a inflação e não prejudicar as perspectivas de reeleição em 2014. Se o preço das ações da Petrobras subiu na terça-feira, aliás, foi em parte por um certo alívio do mercado, uma sensação de que a nova política de preços, embora pior que a PPI, poderia ter sido bem mais desastrosa, com um retorno declarado a essa época de devastação.

A nova política não estará completamente desvinculada do mercado internacional. “Não vamos nos desgarrar do preço internacional como uma Venezuela e vender o diesel ao preço que quiser. Quando subir lá fora, terá que subir aqui dentro. Quando descer lá fora, vai ter que descer aqui”, prometeu o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, na semana passada. Mas as novas regras incluem outros critérios, definidos de forma um tanto vaga, com expressões como “melhor alternativa acessível aos clientes” e “custo de oportunidade dadas as diversas alternativas para a companhia”. Ao afirmar no comunicado que continuará “seguindo as referências de mercado”, mas “sem abdicar das vantagens competitivas de ser uma empresa com grande capacidade de produção e estrutura de escoamento e transporte em todo o país”, a estatal deixa subentendido que terá uma grande margem discricionária para, no fim das contas, praticar o preço que quiser.

VEJA TAMBÉM:
O preço dos combustíveis e a gestão da Petrobras (editorial de 20 de junho de 2022)
A Petrobras e o intervencionismo petista no Congresso (editorial de 1.º de junho de 2022)
A Petrobras estrangulada (editorial de 28 de abril de 2015)


E, com isso, não é apenas o risco de novos prejuízos que volta à tona. Nos últimos anos, a Petrobras se voltou prioritariamente para a extração, atividade bem mais lucrativa que o refino e a distribuição, e iniciou um programa de desinvestimento que incluía, por exemplo, a venda de refinarias. Isso permitiu a entrada de players privados nessa área, embora ainda minúsculos em comparação com a gigante estatal. Mas, quando Prates fala em deixar a Petrobras “mais eficiente e competitiva, atuando com mais flexibilidade para disputar mercados com seus concorrentes”, indica que a empresa deve jogar todo o seu peso para tentar retomar fatias de mercado perdidas nos últimos anos. Ocorre que a Petrobras tem como suportar eventuais perdas se praticar preços artificialmente baixos, mas seus concorrentes não. Se a nova política tornar a atividade inviável para o setor privado, teremos a repetição do caso argentino, em que a estatal YPF represou seus preços e quebrou a concorrência, causando escassez de diesel.

Além disso, não se pode descartar que o governo Lula esteja interessado em usar a Petrobras como a mais nova arma em sua guerra contra o Banco Central. Os combustíveis têm enorme peso no cálculo da inflação, e uma redução de preços neste momento cairia como uma luva, quem sabe mantendo o IPCA acumulado dentro do limite de tolerância da meta por mais tempo, freando a elevação prevista para o segundo semestre e aumentando a pressão para que o Copom reduza a taxa Selic. No fim, tudo se resume à velha prática petista: usar toda a estrutura do Estado para atender aos próprios interesses, pouco se importando com as consequências desse sequestro.


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