Foto inserida no relatório de viagem do deputado Aliel Machado a Tel Aviv| Foto: Reprodução/relatório de viagem
Deputados
federais levaram esposas na viagem para Barcelona e Tel Aviv, onde
participaram de eventos na área de tecnologia e inovação. Os gabinetes
dos deputados Aliel Machado (PV-PR) e Domingos Neto (PSD-CE) confirmaram
a presença das esposas na viagem, mas afirmaram que elas pagaram as
suas despesas. Os gastos com 98 viagens de 76 deputados neste ano já
somam R$ 1,3 milhão.
Machado recebeu cinco diárias no valor de R$ 11,4 mil. A sua
assessoria afirmou ao blog que as despesas referentes a hospedagem,
alimentação e passagens da esposa do deputado foram pagas com recursos
próprios. O blog solicitou o envio do recibo da hospedagem da esposa. O
deputado respondeu que, “por não se tratar de pessoa pública, não há
interesse público nos documentos solicitados”.
Neto teve direito a 9,5 diárias no valor de R$ 21,7 mil. A assessoria
do deputado afirmou ao blog que “a Câmara não paga hospedagem para
deputados nem acompanhantes em missão”. O blog argumentou que a Câmara
paga diárias que cobrem as despesas de viagem, incluindo hospedagem. A
assessoria respondeu que “ele pagou a passagem, as diárias dela e
chegaram até a devolver uma diária”.
Outros deputados que fizeram parte da comitiva – Vitor Lippi
(PSDB-SP), Paulão (PT-AL), André Figueiredo (PDT-CE) e Danilo Forte
(União-CE) – afirmaram ao blog que não foram acompanhados da esposa.
Davi Soares (União-SP) e Augusto Coutinho (Republicanos-PE) não
responderam aos questionamentos do blog.
VEJA TAMBÉM: Voos sigilosos de ministros e servidores do STF custaram R$ 3,6 milhões
Comitiva presidencial A participação de 26 deputados nas
comitivas presidenciais a Pequim e Lisboa custou R$ 216 mil aos cofres
públicos, considerando só as 98 diárias. Os 17 deputados que foram à
China receberam um total de 60 diárias no valor de R$ 131 mil. Na viagem
a Portugal, nove deputados receberam R$ 85 mil por 38 diárias.
Não houve despesa com passagens aéreas porque os deputados viajaram
em aeronaves oficiais. A Presidência da República não informa o custo
operacional desses jatos por questões de segurança. Mas não explica por
que a divulgação desse valor colocaria em risco o presidente e sua
comitiva.
A viagem dos oito deputados que estiveram nas feiras de tecnologia da
informação em Barcelona e Tel Aviv custou R$ 184 mil. Somando com as
despesas dos senadores que reforçaram a comitiva – Weverton (PDT-MA) e
Efraim Filho (União-PB) – a despesa chegou a R$ 260 mil. Reportagem do
blog mostrou que 35 senadores torraram com viagens internacionais neste
ano a mesma quantia gasta pelos pelos deputados – R$ 1,3 milhão
Na “missão oficial” mais cara, dez deputados torraram R$ 218 mil em
viagem a Paris para a reunião da Organização da Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), no início de maio. Só as passagens
custaram R$ 118 mil. Em voos na classe executiva, a passagem de Sidney
Leite (PSD-AM) custou R$ 32,8 mil, enquanto a de Saullo Vianna
(União-AM) chegou a R$ 33,2 mil. Para o mesmo evento, a passagem de
Célio Studart (PSD-CE) custou R$ 10,4 mil. A de Eduardo Bismarck
(PDT-CE) ficou em R$ 7,9 mil.
Secretaria de Comunicação Pimenta vira alvo de “fogo amigo” por causa de crises na comunicação do governo Lula Por Wesley Oliveira – Gazeta do Povo Brasília
O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, e o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva| Foto: Marcelo Camargo/Agência
Brasil
A comunicação no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) tem levado lideranças do governo a criticar nos bastidores
a estratégia adotada pelo ministro da Secretaria Especial de
Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, Paulo Pimenta. O
“fogo amigo” contra Pimenta ganhou força nas últimas semanas, depois
que ele chegou a anunciar que haveria o corte do patrocínio do Banco do
Brasil à Agrishow, maior feira agrícola da América Latina, o que não
ocorreu.
A crise ganhou repercussão depois que o ministro da Agricultura,
Carlos Fávaro, desistiu de participar do evento por causa do convite
feito ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com integrantes do
Planalto, Pimenta anunciou o corte do patrocínio da instituição sem um
alinhamento prévio com os demais setores do Executivo.
“Descortesia e mudança de caráter de um evento institucional de
promoção do agronegócio para um evento de características políticas e
ideológicas. Ou é uma feira de negócios plural e apartidária ou não pode
ter patrocínio público”, defendeu o ministro da Secretaria de
Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta.
A avaliação de lideranças do PT é de que o movimento de Pimenta
acabou ampliando a crise e as dificuldades de aproximação de Lula com o
agronegócio. Após a repercussão negativa, Fávaro tentou contornar o
episódio, disse que não haveria corte e defendeu a ampliação de recursos
para o setor . “Não há, em hipótese alguma, nenhuma retirada de
investimento”, minimizou Fávaro durante encontro com a Frente
Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Mas, nesta sexta-feira (12), o próprio Lula agravou a crise, que
parecia ter passado, ao chamar empresários do agro de São Paulo de
fascistas.
Além desse episódio, os governistas acreditam que a comunicação do
Planalto tem provocado ruídos “injustificáveis” até com a imprensa. Em
março, por exemplo, Pimenta foi criticado depois que tentou
desqualificar a apresentadora da CNN Brasil Raquel Landim durante uma
entrevista para a emissora.
Na ocasião, o ministro da Secom questionou as qualificações de Landim
após ser questionado por ela sobre a fala do presidente Lula, que
sugeriu, sem provas, ser uma “armação” do senador Sergio Moro (União
Brasil-PR) o plano da facção criminosa PCC contra autoridades. “Você é
jornalista?”, perguntou o ministro. A apresentadora rebateu e respondeu
que sim, “formada pela Universidade de São Paulo”.
“Sou jornalista, sim. Meu papel é fazer as perguntas; o da autoridade
pública deveria ser trazer os esclarecimentos”, escreveu Landim em uma
rede social. Também pelas mídias sociais, Pimenta negou a intenção de
ofender ou desqualificar a jornalista.
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Comissão da Câmara aprova mais duas convocações para Flávio Dino
Comissão da Câmara convoca ministro do GSI para falar sobre os atos de 8 de janeiro
Bate-boca entre Dino e senadores em comissão de Segurança dá prévia de clima para CPMI do 8/1 Oposição aponta suposto “gabinete do ódio” liderado pela Secom de Lula
Paralelamente, integrantes da oposição na Câmara dos Deputados
apontam a existência de um suposto “gabinete do ódio” de Lula e que
funcionários da Secom estariam por trás de uma série de ataques contra
big techs e parlamentares contrários ao PL das Fake News. A informação
foi divulgada pelo portal Metrópoles. O governo foi procurado pelo
veículo, mas não deu retorno sobre a questão.
O material apresentado pelos oposicionistas – que teria sido
disparado pelo “gabinete do ódio” petista – contém imagens que tentam
associar as empresas donas de grandes redes sociais e deputados da
oposição aos ataques terroristas que ocorreram em escolas pelo Brasil
recentemente. Há ainda peças atacando o deputado Nikolas Ferreira
(PL-MG), apontando que ele seria contra o projeto que pode “impedir
criminosos de usarem redes para planejar ataques”.
A pasta compartilhada pelo Google Drive estaria associada a um
suposto e-mail de um integrante da pasta comandada por Paulo Pimenta.
Haveria, ainda, arquivos modificados por usuários que também seriam
funcionários da Secom. Para a oposição, a Secom estaria utilizando as
mesmas táticas que tentaria impedir com o PL das Fake News.
“Essas informações demonstram a necessidade de uma investigação
rigorosa sobre a conduta desses funcionários e da Secretaria de
Comunicação Social da Presidência. Vale notar que a ferramenta para
atacar aqueles que se opõem ao PL das Fake News são, mais Fake News,
vindas justamente daqueles que dizem querer combater a desinformação”,
defendeu o deputado Kim Kataguiri (União-SP).
Pimenta vira alvo da oposição dentro da Câmara dos Deputados
A atuação do ministro Paulo Pimenta também tem gerado desgastes para o
Palácio do Planalto dentro do Congresso Nacional. Na última semana, por
exemplo, parlamentares do PT tiveram que negociar para que o chefe da
Secom não fosse convocado pela comissão de Comunicação da Câmara.
O deputado Filipe Barros (PL-PR) apresentou o requerimento de
convocação, depois que Pimenta recusou os convites do colegiado. O
ministro chegou a sugerir que teria agenda para participar da audiência
apenas no final deste mês, o que provocou reações da oposição. Diferente
do convite, a convocação, se aprovada, obriga o ministro a comparecer
ao colegiado.
“É de bom tom que os ministros, por livre e espontânea vontade,
compareçam em cada comissão que afeta o seu ministério. Mas o ministro
da Secom dorme em berço esplêndido e não vem nesta Casa. Outros convites
foram feitos e esses convites foram solenemente ignorados pelo ministro
Paulo Pimenta”, criticou Barros.
De acordo com o parlamentar, o ministro precisa prestar
esclarecimentos sobre a ameaça de corte do patrocínio à Agrishow, além
da atuação do governo sobre o PL das Fake News, e sobre o site de
checagem de informações lançado pelo governo.
A plataforma, denominada “Brasil contra Fake”, tem como objetivo
selecionar notícias com potencial desinformativo que possam prejudicar
membros do governo, ou que estejam relacionados a temas de interesse do
Executivo, e contrapor com a versão “oficial” do governo.
Já deputado Bibo Nunes (PL-RS) acusou o ministro da Secom de se
comportar como “mais realista que o rei”. “Foi feito o convite, mas essa
não é a primeira vez que o ministro Paulo Pimenta tenta dar uma de mais
realista que o rei. É o que ele gosta de fazer conheço bem. Isso é
um desprezo por esta comissão e nós temos que exigir no mínimo um pouco
mais de respeito”, disparou Nunes.
Diante da mobilização da oposição, integrantes da base governista
costuraram um acordo para que Pimenta compareça ao colegiado no próximo
dia 24. “Não existe uma real necessidade de transformar o convite em
convocação, haja visto que o ministro demonstrou a disponibilidade de ir
à comissão. Então, não seria de bom tom convocar, já que ele
disponibilizou datas”, minimizou a deputada Carol Dartora (PT-PR).
Celso Amorim, assessor de Lula para política exterior, se reuniu
na Ucrânia com o presidente Volodymyr Zelensky e outras autoridades do
país.| Foto: Divulgação/Governo da Ucrânia
Uma das características mais marcantes da nova-velha diplomacia
brasileira nesses primeiros meses de terceiro governo Lula é a
incapacidade completa de fazer análises precisas sobre os conflitos que
afligem o mundo, seja os novos, seja os antigos. Em apenas dois dias, o
Itamaraty e o assessor especial da Presidência da República para
assuntos internacionais, o ex-chanceler Celso Amorim, deram
demonstrações dessa incapacidade ao comentar a guerra na Ucrânia e o
conflito palestino-israelense.
Às vésperas de uma reunião do G7 para a qual Lula foi convidado, e na
qual certamente ouviria cobranças sobre suas absurdas declarações que,
na menos pior das hipóteses, igualavam moralmente os agressores russos e
as vítimas ucranianas, o petista enviou Amorim à Ucrânia em uma missão
de contenção de danos. Lula havia dado todas as razões possíveis para
que o mundo visse o brasileiro como alguém que escolhera o lado errado.
Mais recentemente, nos Emirados Árabes, Lula chegou a dizer que “a
decisão da guerra foi tomada pelos dois países”; que o presidente
ucraniano, Volodymyr Zelensky, “não toma a iniciativa de parar”; e que
“a Europa e os Estados Unidos terminam dando a contribuição para a
continuidade desta guerra”. No início de abril, Amorim já tinha se
encontrado com Vladimir Putin, e poucos dias depois foi a vez de o
chanceler russo, Sergei Lavrov, retribuir a visita, vindo a Brasília.
Escolher o lado errado, ou optar pela neutralidade em ocasiões em que
a defesa da paz, da democracia, dos direitos humanos e da ordem
internacional exige uma tomada de posição, é praxe petista desde a
primeira vez que Lula recebeu a faixa presidencial
A julgar pela fala de Amorim após seu encontro com Zelensky e o
vice-chanceler ucraniano, Andrii Melnyk, o assessor brasileiro continua
sem compreender bem o perigo à ordem internacional representado pela
agressão russa. “Não será fácil chegar a uma confluência. Será
necessário que os dois lados cheguem à conclusão de que o custo da
guerra é maior do que o custo de certas concessões”, disse Amorim em
entrevista. Que “concessões” deveria fazer a Ucrânia, um país que, sem
ter realizado nenhum tipo de agressão, foi invadido por uma potência
vizinha? Amorim não disse. A Ucrânia – que já fez uma concessão
importante nos anos 90, abrindo mão de seu arsenal nuclear – deveria
ceder à Rússia parte dos territórios invadidos em 2014 e 2022? Deveria
abrir mão de pedir sua adesão à Otan ou à União Europeia, desistindo do
direito de decidir seu próprio destino? Qualquer “concessão” agora seria
uma validação dos métodos russos, aquilo que a já nos referimos como “a
paz dos valentões”. Não há negociação justa sem ter como ponto de
partida o respeito à integridade territorial ucraniana, como aliás
afirmou Zelensky após seu encontro com Amorim, e é por ela que os
ucranianos lutam sem a “iniciativa de parar”
O vice-chanceler ucraniano afirmou, depois do encontro com Amorim,
que “o Brasil pode desempenhar um papel importante para deter a agressão
russa e alcançar uma paz duradoura e justa”. De fato pode, mas apenas
se o país abandonar a postura dúbia. A detestável equivalência moral
entre russos e ucranianos não é requisito para que uma nação se coloque
na posição de mediadora, mas a firmeza de princípios sim. Até o momento,
Lula não tem a menor ideia do que fazer, e ele mesmo o admitiu à tevê
chinesa; seu único “plano” é reunir países para que possam, enfim,
elaborar um plano. É muito pouco, quase nada para quem gosta de
bravatear sobre um suposto “retorno” do Brasil à arena internacional.
Semelhante miopia seletiva ocorreu também na nota do Itamaraty a
respeito do recente ataque israelense à Faixa de Gaza, mirando alvos do
grupo terrorista Jihad Islâmica e matando três de seus líderes, em
resposta ao contínuo lançamento de foguetes contra território de Israel.
A solidariedade brasileira é dirigida apenas “ao povo e ao governo do
Estado da Palestina”; até existe menção a israelenses mortos neste ano,
mas o recurso aos números esconde um truque retórico. Com a referência a
15 vítimas israelenses e 100 palestinas em 2023, tenta-se dar a
impressão de um conflito desequilibrado e superficial, com ações
desproporcionais de Israel, ignorando que o número de mortos israelenses
é baixo porque o país conta com avançados sistemas de defesa, enquanto o
terrorismo palestino deliberadamente mistura suas instalações com
prédios civis em uma das áreas mais densamente povoadas do mundo,
aumentando a probabilidade de mortes entre inocentes, usadas por grupos
como a Jihad Islâmica e o Hamas para estimular o ódio a Israel.
VEJA TAMBÉM: A “paz” que Lula imagina é a Ucrânia subjugada (editorial de 18 de abril de 2023) O apoio necessário aos ucranianos e a insensatez de Lula (editorial de 3 de fevereiro de 2023) Os foguetes do terror, a resposta de Israel a e paz distante (editorial de 13 de maio de 2021)
O Brasil tem todo o direito de defender a solução de dois países, mas
também tem o dever de reconhecer o direito de Israel à autodefesa,
levar em conta que Gaza é governada por grupos que nem sequer admitem a
existência de Israel, e repudiar os métodos dos terroristas – o
lançamento de foguetes contra civis israelenses é mencionado em apenas
uma das seis notas do Itamaraty sobre o conflito palestino-israelense
publicadas desde a posse de Lula. O presidente da República, aliás, já
sofreu críticas por declarações historicamente equivocadas sobre a
questão palestina em sua recente viagem à Espanha.
O epíteto de “anão diplomático” dado ao Brasil em 2014 veio
justamente de um integrante da chancelaria israelense, após uma nota do
governo Dilma Rousseff que padecia do mesmo erro do recente comunicado
do Itamaraty. Escolher o lado errado, ou optar pela neutralidade em
ocasiões em que a defesa da paz, da democracia, dos direitos humanos e
da ordem internacional exige uma tomada de posição, é praxe petista
desde a primeira vez que Lula recebeu a faixa presidencial, num distante
2003. O hábito, ao que tudo indica, não foi abandonado.
Fake news Além de defender a liberdade de expressão, a direita precisa combater a desinformação
Por Guilherme de Carvalho – Gazeta do Povo
Áreas de desmatamento na Amazônia.| Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real Tenho um reclame contra o comportamento direitista nas mídias sociais: ele fornece munição aos censores.
Vou ilustrar meu ponto com uma polêmica recente. Já se vão mais de 20
dias desde que foi divulgado o relatório do Imazon, segundo o qual o
desmatamento na Amazônia triplicou no mês de março, tornando o primeiro
trimestre do governo Lula o segundo pior trimestre de desmatamento desde
2008, com perda de 867 km2. O recorde aconteceu em 2021, sob o governo
Bolsonaro, quando perdemos 1.185 km2 de floresta nativa.
Previsivelmente, o assunto foi muito explorado em círculos da
direita, como se fosse prova de hipocrisia da esquerda. Os jornais
conservadores mantiveram a linha, ou quase – alguns apenas noticiaram o
fato, mas a revista Oeste fez questão de observar: “Sob Lula”. Não
mentiu nos fatos, mas sugeriu um fracasso do governo Lula. Nas mídias
sociais, no entanto, a acusação correu solta, desavergonhada. Para dar
um exemplo: o perfil do influenciador Fernando Conrado no Instagram, com
quase 860 mil seguidores, mantém um vídeo comentando a reportagem do g1
com a chamada “acuse-os do que você faz, chame-os do que você é”. O
influenciador afirma que os progressistas usam de “dois pesos e duas
medidas”, que permaneceram em silêncio agora, mas durante o governo
anterior foram “quatro anos de um chorinho interminável”. É a
“hipocrisia dos progressistas”. O vídeo tem quase 66 mil curtidas.
Não posso discordar quanto à hipocrisia de muitos (não todos) os
progressistas. No campo dos Direitos Humanos, em particular, essa
hipocrisia gritava dos telhados de Brasília. Pude constatá-la em
primeira mão: em nome da narrativa e da guerra cultural, acusações e
exigências desonestas eram levantadas regularmente contra a equipe do
finado Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Dada a
práxis do progressismo nacional, parece-me seguro extrapolar esse
comportamento para outros setores.
O sistema nacional de proteção contra o desmatamento entrou em
processo de franca degradação, até alcançarmos os números revoltantes de
2021. Exigir que o governo Lula conserte esse estrago em poucos meses é
ignorância ou coisa pior
A verdade, no entanto, é que a sugestão de fracasso ambiental do
governo Lula no começo do ano é uma bobagem sem tamanho, uma consumada
idiotice. Todo conservador sabe que coisas boas custam muito tempo,
esforço e amor para serem construídas, mas podem ser destruídas de um
dia para o outro. Um sistema nacional de proteção ambiental é como uma
tradição ou como a saúde física: ela é construída com anos de
investimento e boas práticas, mas pode ser perdida de um dia para o
outro.
É evidente, e tão evidente quanto o sol é amarelo, o céu é azul e a
grama é verde, que durante os quatro anos do governo Bolsonaro houve um
desmonte sistemático da fiscalização ambiental no país. Isso nem mesmo é
matéria conspiratória; pelo contrário, foi feito à luz do dia sob a
justificativa de que era necessário para promover desenvolvimento e para
proteger a soberania nacional contra a ameaça de ONGs estrangeiras.
Mas podemos ser específicos: o Plano de Prevenção e Controle do
Desmatamento na Amazônia Legal, ou PPCDAm, foi criado no primeiro
mandato do presidente Lula, e foi o principal responsável pela redução
de 83% da taxa de desmatamento na Amazônia de 2004 a 2012. Esse plano
precisava de melhoramentos, sem dúvida nenhuma, mas foi simplesmente
extinto pelo governo Bolsonaro em 2019, como parte de suas ações para
demolir a herança lulopetista. Ocorre, no entanto, que o bebê foi jogado
fora com a água do banho, e nenhuma alternativa funcional foi
estabelecida. Outras decisões ruins foram tomadas, como a transferência
do Serviço Florestal e do Cadastro Rural para o setor agrícola do
ministério, enfraquecendo o braço ambiental. O sistema nacional de
proteção contra o desmatamento entrou em processo de franca degradação,
até alcançarmos os números revoltantes de 2021. Exigir que o governo
Lula conserte esse estrago em poucos meses é ignorância ou coisa pior.
VEJA TAMBÉM: Estamos no Tempo Litúrgico da Criação; mas onde estão os cristãos conservadores? Podem os evangélicos ser irmãos dos pássaros? O cinzel negacionista e o martelo conservador
A verdade é que muitas providências vêm sendo tomadas pelo atual
governo. Nesse momento está sendo finalizado o Programa de Prevenção e
Controle do Desmatamento e Queimadas no Brasil, uma quinta e atualizada
versão do PPCDAm, posto em consulta pública entre 10 e 26 de abril. Além
disso, a fiscalização foi retomada, com aumento de 219% na aplicação de
multas por desmatamento em relação ao ano passado. Negociações
internacionais vêm sendo feitas para trazer investimentos na conservação
da Amazônia. Enfim, a equipe do Ministério do Meio Ambiente não ficou
parada; está dando duro para desfazer o estrago dos quatro anos de
desgoverno ambiental bolsonarista.
Os dados sobre o aumento do desmatamento na Amazônia no primeiro
trimestre de 2023 são verdadeiros, mas seu uso como prova contra o
governo Lula é pura desinformação. É uma forma branda de mentir.
Informação sem contexto, empacotada em comparações absurdas e
emocionalmente carregada, não passa de desinformação, baseada em
ignorância, desonestidade, ou as duas coisas.
A incoerência da crítica bolsonarista pode ficar mais clara se
considerarmos a evolução do governo Bolsonaro no campo econômico. Por
exemplo: foi amplamente noticiado o superávit nas contas do governo em
janeiro, após oito anos no vermelho. Foi também amplamente destacado,
nesta quinta-feira, que a desigualdade econômica caiu para o menor nível
dos últimos dez anos, segundo dados do IBGE. A melhora se deu em parte
por uma política intencional de transferência de renda pelo governo, mas
também pela redução do desemprego.
Os dados sobre o aumento do desmatamento na Amazônia no primeiro
trimestre de 2023 são verdadeiros, mas seu uso como prova contra o
governo Lula é pura desinformação. É uma forma branda de mentir
Esses dados sinalizam melhoria na saúde econômica; não poderiam ser
produzidos de um dia para o outro. No entanto, até 2021, Bolsonaro e
Paulo Guedes foram fustigados pela imprensa esquerdista, primeiro pela
desaceleração econômica no ano de 2019, e depois pela estagnação de
2020, o ano da pandemia. Em maio de 2022 a Carta Capital, por exemplo,
ainda desancava o governo Bolsonaro por causa da economia – uma
cara-de-pau enorme, considerando a herança maldita da era Dilma.
Ora, os conservadores certamente se ressentiram ao ouvir
progressistas apostando no pior e atacando o governo com a máxima
má-vontade possível, assim como se ressentem agora quando os
progressistas minimizam essas realizações como mera maquiagem. Sim: foi
hipocrisia, desonestidade e desinformação.
Nesse caso, por que alguns conservadores adotam “dois pesos e duas
medidas” no campo ambiental? Por que tentam minimizar o resultado
vergonhoso do governo anterior distorcendo o desempenho do governo
atual?
VEJA TAMBÉM: Evangélicos, o fim dos tempos e o meio ambiente Se há Esperança, precisamos plantar árvores A ciência brasileira vai à COP-26
É uma tristeza que o governo Bolsonaro tenha jogado fora a
oportunidade de ouro de combinar bons resultados econômicos com a
conservação ambiental – isso teria sido uma pá de cal em boa parte do
discurso da esquerda. Mas é uma grande picaretagem tentar jogar areia
nos olhos da oposição usando como recurso a desinformação. Pode ser que o
governo Lula se mostre um desastre no campo ambiental. Mas por enquanto
esse desastre está na conta da direita.
Como a Gazeta do Povo vem insistindo há tempos, vivemos um apagão da
liberdade de imprensa e de expressão no Brasil. É dever dos
conservadores e dos liberais lutar contra esse apagão. Mas é impossível
negar o fato de que o cultivo da erva da desinformação se disseminou
entre influenciadores de direita, tanto quanto entre os progressistas.
Fake news e desinformação circulam com pouca ou nenhuma reprovação. A
coisa me faz lembrar a figura do pai pusilânime, que tolera a maresia
dentro de casa, e não deixa ninguém mexer com seus garotões. Até que a
polícia aparece.
O uso da desinformação por conservadores nunca justificará a violação
do direito fundamental à liberdade de expressão; a culpa da tirania é
dos nossos tiranetes. Mas certamente esse comportamento transviado dá
munição aos censores, e ajuda a explicar a sua surpreendente
popularidade.
Recentemente, o Ministro da Justiça do governo
Lula, Flávio Dino, fez uma declaração comparando-se aos Vingadores. De
fato, como parte da equipe de Lula, Dino faz parte de um time de
vingadores, mas há uma diferença crucial entre os Vingadores da Marvel e
os de Lula.
Na saga dos quadrinhos e do cinema, os Vingadores buscam justiça,
protegem os mais fracos e combatem o mal. Como o Brasil é hoje o
multiverso da inversão de valores, os vingadores de Lula fazem jus ao
apelido por uma razão totalmente diversa: buscam e promovem vingança.
Veja-se o caso de Waldih Damous, secretário do Ministério de Dino.
Damous, que já foi advogado de Lula, quando seu cliente foi condenado e
preso, afirmou publicamente que o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria
ser fechado – por vingança. É a lógica da retaliação pautada em
interesses e avessa à justiça.
Como o Brasil é hoje o multiverso da inversão de valores, os
vingadores de Lula fazem jus ao apelido por uma razão totalmente
diversa: buscam e promovem vingança
Lula, por sua vez, como líder do governo de vingadores, declarou
abertamente que só ficaria satisfeito quando “ferrasse” Sergio Moro, um
dos juízes responsáveis por sua condenação. Em vez de se engajar num
debate construtivo contra a corrupção, algo de que entende muito, o que
quer é vingança pessoal.
Por vingança, tudo que lembra a Lava Jato deve ser extirpado. O
governo desativou, por exemplo, o setor anticorrupção da Controladoria
da União, quer desfazer os acordos de leniência que recuperaram bilhões e
o presidente da Petrobras desse time de vingadores quer se livrar do
setor anticorrupção da estatal como se fosse um “entulho da Lava Jato”.
Nesse governo da vingança, quem apoiou a operação Lava Jato, aliás,
não tem vez na ocupação de cargos de liderança, enquanto muitos
envolvidos em escândalos, ou então investigados, processados ou até
condenados ocupam altas posições em ministérios ou estatais.
A vingança de Lula mina também as instituições. Ataca reiteradamente
os profissionais da Lava Jato e a credibilidade do sistema de justiça.
Após ter criticado Bolsonaro por não seguir a lista tríplice para
Procurador-Geral da República, paradoxalmente afirma que seguirá o mesmo
caminho, repetindo o erro.
Lula demonstrou ainda insensibilidade diante de ameaças à vida de
agentes da lei. Sua reação foi debochada e indiferente diante do
sofrimento dos pais de duas famílias que descobriram que seus filhos
estavam nas listas de alvos do Primeiro Comando da Capital (PCC), Isso
contradiz os princípios dos verdadeiros heróis, aos quais Flávio Dino
almejava se comparar.
Outro exemplo é a tentativa de cassar os mandatos dos agentes
políticos eleitos, oriundos da Lava Jato, com base em argumentos
absurdos e na influência política. Até quando vai seguir a perseguição
contra a Lava Jato e aos seus agentes? Em vez de cuidar do futuro dos
brasileiros, o governo tem uma obsessão por reescrever o passado.
Após ter criticado Bolsonaro por não seguir a lista tríplice para
Procurador-Geral da República, paradoxalmente afirma que seguirá o mesmo
caminho, repetindo o erro
É alarmante ainda a forma como o governo dos vingadores quer censurar
a liberdade de expressão. O governo da vingança prometeu unir o país,
mas busca isso pelo caminho errado: de supressão do dissenso, em vez de
promover a tolerância com a pluralidade política e de pensamento.
O governo quer de todo modo controlar a narrativa, seja por meio do
ministério da verdade anunciado no início do seu governo, da mudança da
lei das estatais para investir bilhões em publicidade na grande
imprensa, ou então de um órgão com superpoderes para monitorar as redes
sociais. E ai de quem se ousar se opor: os defensores da liberdade de
expressão são tachados de assassinos de crianças.
Lula ataca ainda o setor agropecuário simplesmente porque em boa
medida apoiou seu adversário político. Em entrevista ao Jornal Nacional,
em agosto de 2022, Lula classificou parte do setor como “fascista” e
“direitista”. Culpou o “agronegócio maldoso” pelo 8 de janeiro de modo
leviano. Atribuiu ao agro a responsabilidade pelo desmatamento. O que é
esse ataque generalizador se não for um ato baixo de vingança política?
E Lula fez isso justamente contra um setor que merece grande
reconhecimento pela sua contribuição para a economia e a segurança
alimentar do país. O Brasil precisa do agro. Se há desmatamento, que os
culpados sejam responsabilizados, mas o ataque a toda uma categoria,
grande parte da qual nem possui terras nas regiões amazônicas, é
deplorável. Ao fazer isso, ele legitima medidas protecionistas de países
como a França. Assim, ele prejudica o próprio Brasil.
Um governo vingativo polariza ainda mais a sociedade. Ao buscar
vingança contra seus oponentes políticos, Lula estimula um ambiente de
hostilidade e divisão, de nós contra eles, de empregados contra patrões,
de ricos contra pobres, de desarmamentistas contra armamentistas, de
ambientalistas e sem-terra contra o agro.
É um país que não cabe no “todos”. Tem que ser dividido em todos,
todas, todes, todus, todis e, com o tempo, faltarão letras no alfabeto.
Os cidadãos são incentivados a tomar lados como inimigos, alimentando
conflitos, prejudicando a coesão social e minando a confiança de uns nos
outros e nas instituições democráticas.
A liderança de um país exige uma série de habilidades e qualidades,
sendo uma delas a capacidade de unir as pessoas em torno de um projeto
para o bem comum. Contudo, falta um discurso de união em torno de um
projeto. E aí reside um problema gravíssimo: passados mais de 120 dias
de governo, não há projeto para o desenvolvimento do país. Não há
projeto para vencermos nossos problemas e desafios.
Na campanha, Lula assegurou que sabia o caminho com frases que diziam
“confiem em mim, eu sei o que fazer”, “vai chover picanha e cerveja”.
Contudo, o único projeto que se viu, para além de slogans vazios, é um
projeto de reabilitação política impregnado de vingança.
Flávio Dino está certo: um time de vingadores governa o país. O
slogan “Brasil da Esperança” deveria ser mudado para o “Brasil da
Vingança”. Dizem que o exemplo arrasta. Nesse caso, arrasta para o
abismo vazio da divisão e da polarização, ou então para a instabilidade
de um novo impeachment, que pode se tornar cada vez mais necessário.
Manipulação de resultados é só uma amostra dos males que a jogatina é capaz de produzir
Por Notas & Informações – Jornal Estadão
Um surto de manipulação de resultados de jogos de futebol se espalha
no País, aparentemente no mesmo ritmo em que proliferam, ao arrepio da
lei, as casas de apostas online. O esquema até aqui descortinado pelo
Ministério Público de Goiás (MP-GO) já mostrou que nem a elite do
esporte nacional − vitrine para o mundo − está a salvo da ação criminosa
de apostadores que tentam ditar o que se passa nos gramados,
interferindo até mesmo no número de escanteios ou de cartões amarelos e
vermelhos.
Como noticiou o Estadão, a Justiça goiana
recentemente acatou denúncia do MP-GO com base na Operação Penalidade
Máxima 2, que apontou fraudes inclusive em partidas da Série A do
Campeonato Brasileiro de 2022. Um time com a tradição do Santos − e isso
não é trivial − afastou um de seus zagueiros, transformado em réu na
ação. As investigações prosseguem e sabe-se lá o que haverão de revelar.
Por ora, a única certeza é que as casas de apostas online, antes mesmo
de serem legalizadas, já provocaram um tremendo estrago.
Vale notar que os jogos de azar são proibidos no País. Como já
registramos outras vezes neste espaço, a Lei de Contravenções Penais
(Decreto-Lei 3.688/1941) continua em vigor e prevê pena de detenção de
três meses a um ano para quem estabelece ou explora esse tipo de
atividade. Punição, aliás, reforçada pelo Congresso em 2015, com a
fixação de multa para quem participa da jogatina, mesmo que pela
internet. A propósito, é falacioso o argumento de que tal realidade
teria sido alterada pela Lei 13.756/2018, considerando que as chamadas
“apostas de quota fixa” não foram ainda regulamentadas − algo que o
governo, equivocadamente, pretende fazer em breve, por medida provisória
em fase final de elaboração. Em resumo, as empresas que exploram a
jogatina online vêm operando ilegalmente no Brasil.
É espantoso, então, que as casas de apostas online não apenas sigam
funcionando, como também patrocinem quase todos os clubes da Série A do
Brasileiro. O poderio econômico desse setor de faturamento bilionário,
por sinal, costuma ser invocado por quem defende a liberação dos jogos
de azar. Os arautos da jogatina fingem não ver, claro, que os recursos
que surgem de um lado desaparecem do outro, no rastro da desagregação do
tecido social e dos demais danos provocados pelos jogos de azar. Sem
falar na porta que se abre para a lavagem de dinheiro e outros crimes.
Ora, as tramoias reveladas até aqui não deixam dúvida quanto aos
riscos representados pelos sites de apostas: mal esse tipo de empresa se
instalou no País e já produziu um cenário de crise que atinge em cheio
uma paixão nacional e o poderoso mercado da bola. Fraudes de que não se
tinha notícia em tamanha extensão e profundidade − e que agora passam a
exigir a atenção e a mobilização do aparato estatal, consumindo tempo e
recursos do governo, com a Polícia Federal já convocada a entrar na
investigação. Eis o triste retrato do que as casas de apostas online são
capazes de produzir. Um problema que só se agravará se essa modalidade
de jogo vier a ser legalizada no Brasil.
Manipulação de resultados é só uma amostra dos males que a jogatina é capaz de produzir
Por Notas & Informações – Jornal Estadão
Um surto de manipulação de resultados de jogos de futebol se espalha
no País, aparentemente no mesmo ritmo em que proliferam, ao arrepio da
lei, as casas de apostas online. O esquema até aqui descortinado pelo
Ministério Público de Goiás (MP-GO) já mostrou que nem a elite do
esporte nacional − vitrine para o mundo − está a salvo da ação criminosa
de apostadores que tentam ditar o que se passa nos gramados,
interferindo até mesmo no número de escanteios ou de cartões amarelos e
vermelhos.
Como noticiou o Estadão, a Justiça goiana
recentemente acatou denúncia do MP-GO com base na Operação Penalidade
Máxima 2, que apontou fraudes inclusive em partidas da Série A do
Campeonato Brasileiro de 2022. Um time com a tradição do Santos − e isso
não é trivial − afastou um de seus zagueiros, transformado em réu na
ação. As investigações prosseguem e sabe-se lá o que haverão de revelar.
Por ora, a única certeza é que as casas de apostas online, antes mesmo
de serem legalizadas, já provocaram um tremendo estrago.
Vale notar que os jogos de azar são proibidos no País. Como já
registramos outras vezes neste espaço, a Lei de Contravenções Penais
(Decreto-Lei 3.688/1941) continua em vigor e prevê pena de detenção de
três meses a um ano para quem estabelece ou explora esse tipo de
atividade. Punição, aliás, reforçada pelo Congresso em 2015, com a
fixação de multa para quem participa da jogatina, mesmo que pela
internet. A propósito, é falacioso o argumento de que tal realidade
teria sido alterada pela Lei 13.756/2018, considerando que as chamadas
“apostas de quota fixa” não foram ainda regulamentadas − algo que o
governo, equivocadamente, pretende fazer em breve, por medida provisória
em fase final de elaboração. Em resumo, as empresas que exploram a
jogatina online vêm operando ilegalmente no Brasil.
É espantoso, então, que as casas de apostas online não apenas sigam
funcionando, como também patrocinem quase todos os clubes da Série A do
Brasileiro. O poderio econômico desse setor de faturamento bilionário,
por sinal, costuma ser invocado por quem defende a liberação dos jogos
de azar. Os arautos da jogatina fingem não ver, claro, que os recursos
que surgem de um lado desaparecem do outro, no rastro da desagregação do
tecido social e dos demais danos provocados pelos jogos de azar. Sem
falar na porta que se abre para a lavagem de dinheiro e outros crimes.
Ora, as tramoias reveladas até aqui não deixam dúvida quanto aos
riscos representados pelos sites de apostas: mal esse tipo de empresa se
instalou no País e já produziu um cenário de crise que atinge em cheio
uma paixão nacional e o poderoso mercado da bola. Fraudes de que não se
tinha notícia em tamanha extensão e profundidade − e que agora passam a
exigir a atenção e a mobilização do aparato estatal, consumindo tempo e
recursos do governo, com a Polícia Federal já convocada a entrar na
investigação. Eis o triste retrato do que as casas de apostas online são
capazes de produzir. Um problema que só se agravará se essa modalidade
de jogo vier a ser legalizada no Brasil.
Conheça soluções automatizadas, capazes de alavancar a captação de talentos no mercado
Atrair um candidato ideal não é tão simples quanto parece. Na
verdade, por muitas vezes, trata-se de um desafio a ser superado. Com
inúmeros players no mercado, disputar pelo profissional certo requer
investimento por parte das companhias. Logo, quem atenta-se, desde o
princípio, a fatores como transparência, praticidade e humanização,
larga na frente dos demais. Para seguir a tendência, deve-se buscar
recursos capazes de incentivar processos eficazes e convidativos. A
tecnologia é, portanto, uma das chaves para a resolução desse problema.
Cabe às corporações adotarem a novidade e alterarem seus rumos.
Fragilidades para se encontrar candidatos no mercado de trabalho
Quando tratá-se do desenvolvimento de ferramentas cotidianas,
atrela-se, automaticamente, à imagem da área de Tecnologia da Informação
(TI). Esse ramo, tão alinhado com os preceitos do mundo digital, tem
aumentado cada vez mais dentro do país. Seu mercado aquece quem busca
empreender e valoriza os passos em direção à prosperidade. Na última
década, o meio de atuação apresentou uma taxa de crescimento de 43%.
Segundo o relatório Insights Report, divulgado pela Associação das
Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Paraná
(Assespro-PR), até maio do último ano, havia mais de 275 mil entidades
ativas no setor. “Isso demonstra a relevância de organizações pautadas
no progresso, como é o caso da Total IP”, pontua o gerente comercial da
Total IP, Tiago Sanches.
Por outro lado, captar talentos para essa esfera tem se mostrado uma
adversidade latente à maioria dos empreendimentos. Quando analisá-se a
situação no Brasil, o cenário enxergado é, no mínimo, preocupante. De
acordo com o levantamento realizado pela Associação das Empresas de
Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), estima-se a carência
de 400 mil profissionais para cargos dessa instância. Até 2025, as
previsões tendem a piorar, pois não indicam uma melhora na formação
desses indivíduos. Assim, devido à ampliação exponencial do mercado de
TI, espera-se contar com uma insuficiência de 797 mil trabalhadores até a
data sugerida.
Para complementar os dados e elucidar o contexto vivido, a pesquisa
também indicou a taxa de rotatividade desses colaboradores. Conforme a
associação, 48% dos funcionários entrevistados abandonam ou trocam seus
cargos dentro do período de um ano. Ou seja, além de enfrentar o
obstáculo de encontrar um raro especialista, é preciso estar alerta à
área de recursos humanos (RH) a fim de retê-los. “O revés pode parecer
complexo, principalmente após a pandemia, quando os servidores passaram a
avaliar mais criteriosamente seus parâmetros de atuação. Um bom salário
ou benefício exclusivo já não será o responsável por segurar alguém.
Por isso, invista em novidades e ganhe espaço no meio”, acrescenta
Sanches.
Como a tecnologia consegue auxiliar na retenção de candidatos
Dada a conjuntura presente, fica nítido a necessidade de apostar no
RH. Cada vez mais, jovens aprendizes, estagiários e efetivos se
preocupam com suas condições laborais. A máxima de “viver para o
trabalho” foi estritamente perpassada. Hoje, encontra-se algo próximo do
“apesar de existir, também opero”. Em outras palavras, as relações têm
assumido um palco de maior prestígio. Valorizar as preferências e
minuciosidades de um subordinado é extremamente notável. Para isso,
muitas vezes a mão humana não dá conta sozinha. Ela precisa de aliados
capazes de automatizar procedimentos repetitivos e mitigar a fadiga.
Quando o futuro de uma firma depende dos pequenos detalhes cotidianos, a
atenção urge ser redobrada.
A partir dessas dores, a Total IP desenvolveu mecanismos com o poder
de facilitar o contato entre gestores e equipe. “Com o PABX-IP
Corporativo, por exemplo, nos esforçamos para construir um aparato capaz
de unificar toda uma organização por meio de uma única linha
telefônica. Ele é composto por um servidor, local ou em nuvem, e os
chamados softphones – aplicativos para computador e celular, os quais
permitem a realização de chamadas. Com base neles, conseguimos andar
alinhados com o home office e manter o grupo conectado de onde estiver”,
ressalta o diretor de tecnologia da Total IP, Giovane Oliveira.
O diferencial das corporações é romper com o modelo tradicional de
feedbacks – por muitas vezes rarefeito – e incentivar uma mecânica de
respostas constante. Pequenos gestos como esse já são suficientes para
demonstrar reconhecimento e conquistar o colaborador. Outro dispositivo
imprescindível para promover um ambiente mais horizontal nas relações
ocupacionais é o Robô Dinâmico para Chat, WhatsApp e Telegram. Com esse
amigo andróide, os estabelecimentos abrem um leque maior de canais para
comunicação e contam com um auxílio em mensagens de texto.
Outras funcionalidades da tecnologia
Nem sempre o coordenador poderá parar os seus afazeres e responder um
membro do time. Para combater o infortúnio, um robô dinâmico se adianta
e já introduz o assunto com o remetente. “Por ser integrado à API
Business do WhatsApp, ele atua diretamente no app sem complicações. Com
templates (HSM) pré-cadastrados e homologados, ele consegue disparar
notas ativamente. Isso poupa inúmeras etapas de uma devolutiva, algo
central na vida de um diretor, por exemplo. Além disso, está 100% em
português e veicula por meio de uma conta verificada pela Meta”, aponta
Oliveira.
Pode parecer curioso, porém o segredo para atingir uma abordagem
humanizada reside – na verdade – em instrumentos robotizados. Essa é a
magia por trás da tecnologia. Ela não nasceu para desvincular o homem
das suas relações com os outros. Pelo contrário, o propósito dela,
quando tomado seriamente por entidades como a Total IP, é potencializar
os laços. Portanto, a recomendação ao empresariado é acreditar em novas
rotas, desprender-se do passado, valorizar as profissões do futuro e
seguir em frente!
FANS TOKENS DA VALEON
Os Clubes de Futebol no Brasil e no Mundo estão alinhados fora de
campo e estão investindo em inovação e no mercado de criptoativos, mais
especificamente as Fans Tokens que são moedas digitais chamadas de CHILIZ(CHZ).
A novidade é atribuir um valor de ativo financeiro a um produto com o
qual o fã cria relacionamentos e experiências com o Clube de Futebol e
que antes era apenas um serviço sem valor de revenda ou de valorização
desse ativo. As Fans Tokens ajudam os clubes a melhorar a parte financeira.
Assim como nenhum elemento do marketing faz nada sozinho, não só em clubes, mas em qualquer empresa, as Fans Tokens
também precisam ter a imagem trabalhada para chegar ao consumidor de
forma clara, oferecendo algo que seja palatável e legível ao torcedor,
ou seja, as pessoas precisam entender do que se trata este ativo digital
para poder consumi-lo.
Como toda inovação, as Fans tokens ainda estão numa
fase inicial e todos nós estamos aprendendo com elas. Não podemos perder
de foco é que a tecnologia não pode ser o fim, a tecnologia é
simplesmente o meio e é a chave para o engajamento e temos que
compreender que a tecnologia pode gerar lucro, construir operações
sustentáveis, proteger a integridade da concorrência, desenvolver
multiplataformas e muito mais.
Engajar os fãs não é algo exclusivo do esporte. Pelo contrário, todas
as marcas querem encantar seus consumidores e engajá-los das mais
variadas formas. Descobrir essas formas é uma das muitas atividades de
quem trabalha com comportamento do consumidor.
Em marketing, podemos definir o engajamento do cliente como os
comportamentos espontâneos, interativos e cocriativos do consumidor,
principalmente em trocas não transacionais entre consumidor e empresa
para atingir seus objetivos individuais e sociais.
Em outro contexto, porém, podemos pensar no engajamento como um
estado de espírito motivacional relacionado à marca e dependente do
contexto de um cliente, caracterizado por níveis específicos de
atividade cognitiva, emocional e comportamental nas interações da marca.
E, nesse aspecto, surge um fator importante: como os consumidores
engajados fornecem referências e recomendações para produtos
específicos, o engajamento do cliente é um elemento-chave nas
estratégias das empresas para o desenvolvimento de soluções, de novos
produtos e retenção de clientes. É aqui que surge a ideia da
monetização.
A Startup Valeon cria as FANS TOKENS VALEON para premiar
uma enorme comunidade de consumidores que utilizam as redes sociais,
que são o nosso público-alvo, que são as pessoas que achamos que podem
realmente se beneficiar do nosso produto que é a Plataforma Comercial
Marketplace Valeon e muitas vezes não possuem o conhecimento básico de
como o nosso produto funciona.
As Fans Tokens são para aqueles que não querem
apenas ser espectadores, mas para aqueles que desejam ter um papel mais
ativo na comunidade das redes sociais.
A tokenização fornece novas maneiras inspiradoras de
classificar valor, criando novos ativos ou reinventado os tradicionais,
abrindo portas para melhoria de processos totalmente novos, fluxos de
receitas e envolvimento dos clientes com novas oportunidades.
Pensando nisso, a Startup Valeon através do seu Site, aposta na
possibilidade de trazer o consumidor que pode estar longe ou não conhece
a Valeon para perto da gente e ainda ser nosso colaborador participando
ativamente do nosso desenvolvimento, gerando transformações e tendo o
direito de fornecer conhecimentos específicos para o desenvolvimento do
Site.
Valor do Fan Token Valeon = R$ 1,00
Solicitamos a colaboração dos consumidores do Vale do Aço
para as oportunidades de influenciarem em algumas decisões do nosso
dia-a-dia e quanto maior o peso de suas opiniões, mais Fan Tokens irá
ganhar.
1 – Você pode auxiliar no desenvolvimento do nosso Site Valeon verificando alguma possibilidade de melhoria nele.
Prêmio: 50 Fan Token Valeon
2 – As Empresas, Serviços e Profissionais que desejarem
participar aderindo suas Publicidades e Propagandas ao Site Valeon terão
descontos.
Prêmio: 30% na mensalidade
3 – Sugestões de Internautas que queiram incluir ÁLBUNS DE MÚSICAS de até 150 MB NA COLEÇÃO DE MÚSICAS do Site Valeon.
Câmara dos Deputados CPI do MST pode investigar invasões do MTST de Boulos e influenciar na eleição de São Paulo em 2024 Por Aline Rechmann – Gazeta do Povo
O deputado federal Guilherme Boulos deve ser membro da CPI do MST
e quer concorrer à prefeitura de São Paulo mais uma vez| Foto: Pablo
Valadares/Câmara dos Deputados.
A Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST),
que aguarda instalação na Câmara dos Deputados, pode influenciar nas
eleições municipais de São Paulo se investigar também o Movimento dos
Trabalhadores Sem-Teto. O chamado MTST é coordenado e historicamente
ligado ao deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), que deve ser o
candidato apoiado pelo PT no pleito.
Um dos maiores defensores da ideia de expandir as investigações sobre
o MST e chegar também ao MTST e à Frente Nacional de Luta Campo e
Cidade (FNL) é o deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo
Salles (PL-SP). Ele é o nome mais cotado para assumir a relatoria da
CPI e também busca indicação para concorrer à prefeitura de São Paulo.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ainda aguarda instalação na Câmara
dos Deputados. Enquanto isso, oposição e governo buscam fortalecer suas
narrativas e estratégias para os trabalhos. O PT buscará proteger o MST e
deve reforçar a tese de que não há fato determinado para as
investigações. Já a oposição pretende focar não só nas invasões de
terras no meio rural, mas também em movimentos que coordenam invasões em
áreas urbanas.
O deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles
(PL-SP) é o mais cotado para assumir a relatoria da CPI. Ele vem
afirmando que pretende incluir outros movimentos nas investigações. Caso
isso ocorra, a CPI do MST passaria a se chamar CPI das Invasões.
Salles é autor de um dos requerimentos que deu origem à CPI do MST.
No documento, ele apontou preocupação com os crimes de invasão cometidos
também nas cidades. “Não bastasse o cometimento desses crimes no campo,
o que assistimos e muito nos preocupa é a defesa dessas práticas
criminosas pelos atuais gestores, que virá a fomentar as invasões à
propriedade privada não só no campo, mas também nas cidades”, enfatiza o
deputado paulista.
Outros dois requerimentos foram apresentados pelos deputados federais
– Tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS), Kim Kataguiri (União
Brasil-SP) e Ricardo Salles (PL-SP). Por fim, eles se uniram para
atingir as 171 assinaturas necessárias. O requerimento do deputado Zucco
acabou sendo protocolado ao alcançar 172 assinaturas e por isso ele é
cotado para presidir o colegiado.
VEJA TAMBÉM:
Bancada do agro quer aprovar lei sobre marco temporal para “esvaziar” julgamento do STF
PT e Grupo Prerrogativas saem em defesa do MST enquanto oposição busca controlar CPI
Bancada do Agro quer usar CPI para investigar Stédile e lideranças do MST Inclusão do MTST na CPI mira Boulos e a prefeitura de São Paulo
Em entrevistas recentes, Salles disse que “a versão urbana do MST é o
MTST, de onde o Boulos cresceu”. A afirmação antecipa os embates da
CPI, caso se confirme também a indicação do deputado federal Guilherme
Boulos (PSOL-SP) na composição do colegiado. Boulos é coordenador
nacional do MTST.
Além do embate na CPI, Salles e Boulos podem protagonizar a disputa
pela prefeitura de São Paulo nas próximas eleições. Boulos já concorreu
ao cargo em 2020 e Salles busca a indicação para concorrer pelo Partido
Liberal (PL). O ex-ministro de Bolsonaro, no entanto, terá que convencer
a cúpula do partido a retirar o apoio ao atual prefeito, Ricardo Nunes
(MDB). O PL tem cargos na gestão de Nunes e algumas lideranças têm
indicado preferência em apoiar o emedebista.
Na avaliação da analista política da FGV Carol Curimbaba, a relatoria
de Salles na CPI pode influenciar na decisão do partido. “Se Salles
conseguir conduzir bem, de forma justa e incisiva, vai ser uma passagem
livre para ele começar a despontar [a candidato] para a prefeitura de
São Paulo, que será uma disputa de extremos, entre ele e Boulos”, disse a
especialista.
Em sua busca pelo espaço, Salles tem feito afirmações que buscam
atingir Boulos. “O povo paulistano jamais permitirá ser comandado por
alguém que em nada representa o espírito da nossa cidade. Invasor de
propriedade, aqui não”, comentou o deputado ao reproduzir o trecho de
uma entrevista em que menciona Boulos em suas redes sociais.
Boulos sinaliza possibilidade de questionar CPI do MST no STF Já
Boulos, assim como outros deputados governistas vem questionando a
criação da CPI do MST. Para eles, a CPI não tem fato determinado, um dos
pré-requisitos previstos no regimento da Câmara dos Deputados para
criação deste tipo de comissão.
Na visão do parlamentar do PSOL, não existiriam motivos concretos
para a instalação da CPI. “Essa CPI é um casuísmo, que inclusive vai ser
questionada no Supremo Tribunal Federal porque não tem objeto. Pela
legislação, uma CPI precisa ter um fato definido para poder ser
instaurada. Uma CPI do MST é uma coisa totalmente descabida”, afirmou
Boulos em entrevista à Jovem Pan News.
A Gazeta do Povo tentou contato com a assessoria do deputado federal
Guilherme Boulos, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
MST já foi investigado em outras CPIs no Congresso Nacional Esta
será a quinta CPI que busca investigar o MST e as invasões de terra no
Brasil. Desde 2003, o movimento já foi investigado em quatro comissões
de inquérito no Congresso Nacional, sendo a primeira a Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra, que funcionou entre 2003
e 2005. Também foi alvo da CPMI “do MST” (2009-2011), da CPI Funai
Incra (2015 –2016) e da Funai Incra 2 (2016 – 2017).
De acordo com membros da direção do MST, essa é uma forma de atacar o
movimento social e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT). “A gente está indo para a quinta CPI ao longo dessa caminhada do
MST. Todas elas tiveram esse mesmo caráter, instrumento para tentar nos
colocar em uma posição de encantonamento e evidenciar as posições
políticas da extrema direita, dos ruralistas em relação a nós”,
ressaltou Ceres Hadich, que faz parte da direção nacional do MST, em
entrevista à Agência Brasil.
Apesar disso, a analista Carol Curimbaba avalia que agora
as condições desta CPI são diferentes. “Desde os últimos governos de
Lula e Dilma, passamos pelos governos de Temer e Bolsonaro, quando
tivemos uma redução enorme nas invasões e aumento da titularização. Esse
espaço de tempo nos forneceu muita prova de que o movimento parece que
não quer titularizar. Querem muito mais essa briga política e, no fim,
manter essas famílias mais dependentes do movimento, do que de fato
resolver o problema de moradia rural ou urbana”, afirmou a especialista.
Para o cientista político e professor da Universidade do Distrito
Federal (UDF), André Rosa, a CPI do MST, que mira também outros
movimentos, é uma tentativa do Parlamento de inibir esses grupos. “Essa
inibição é tão latente porque agora nós temos um governo com um
presidente que vem do meio sindical, que vem dos movimentos de base, dos
partidos de massa. Então, o MST e o MTST teriam uma maior maleabilidade
para defender as suas pautas e, inclusive fazendo as suas ocupações. É
visto que existe um risco político muito maior dessas agremiações terem
mais força no governo Lula. Assim, deputados e senadores já se articulam
para que isso [a criação das CPIs] seja como um fator inibidor desses
grupos políticos”, opinou Rosa.
MTST também conquistou espaço no governo Lula A exemplo do MST, o
MTST também conquistou espaço em cargos no governo Lula. Em janeiro, o
governo nomeou o militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
(MTST) Guilherme Simões Pereira para comandar a Secretaria Nacional de
Políticas para Territórios Periféricos, do Ministério das Cidades.
Com recriação da pasta, extinta durante o governo do ex-presidente
Jair Messias Bolsonaro (PL), a Secretaria das Periferias foi criada por
sugestão de Boulos. Ele também foi responsável pela indicação de Simões
para assumir o cargo de secretário Nacional. Em seu perfil no Twitter, o
deputado comemorou a nomeação.
Composição, presidência e relatoria da CPI do MST ficam para a segunda metade de maio A
composição deverá ser definida nas próximas semanas, com o retorno do
presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de viagem aos
Estados Unidos. Mas os deputados já buscam garantir suas indicações
junto aos líderes de seus partidos. Até o momento, os deputados federais
Tenente-Coronel Zucco (Republicanos-RS) e Ricardo Salles (PL-SP) são os
cotados para assumir a presidência e a relatoria da CPI,
respectivamente.
Membros do Partido dos Trabalhadores (PT) afirmam que só vão discutir
a possibilidade de indicação de nomes para a presidência ou relatoria
após indicação dos demais partidos.
Gabriel Galípolo, atual “número 2” do Ministério da Fazenda, foi
indicado para o cargo de diretor de Política Monetária do Banco Central;
nomeação ainda passa pelo Senado.| Foto: Washington Costa/Ministério da
Fazenda
Lula vem travando uma batalha incessante contra o Banco Central;
contra seu presidente, Roberto Campos Neto; e contra a taxa Selic, que o
presidente da República considera alta demais. Mas esbarra em um
obstáculo formidável: a autonomia da autoridade monetária, aprovada pelo
Congresso Nacional e que PT e PSol até tentaram derrubar no Supremo,
sem sucesso. Como não se trata de algo que possa ser simplesmente
revogado com um decreto, como Lula está tentando fazer com o Marco do
Saneamento, resta-lhe apenas usar a ferramenta que a lei lhe permite: as
nomeações para a diretoria do BC, na tentativa de torná-lo mais
amigável, leia-se subserviente.
Na segunda-feira, dia 8, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
anunciou que seu secretário-executivo, Gabriel Galípolo, seria indicado
pelo governo para a diretoria de Política Monetária do Banco Central,
que vinha sendo ocupada interinamente desde o fim do mandato de Bruno
Serra, em fevereiro. Para outra diretoria vacante, a de Fiscalização, o
nome escolhido foi de Aílton Aquino, respeitado funcionário de carreira
do BC. Ao comentar as duas indicações, Haddad, disse que ambos “vão
observar rigorosamente a mesma lei. E com o seguinte comando: é buscar
harmonizar a política fiscal e a política monetária. Então não tem
nenhuma outra intenção que não seja buscar a integração, buscar a
coordenação com o mesmo propósito. Qual? Crescer com baixa inflação e
com justiça social”.
O que o governo quer não é “harmonia”, mas sujeição: uma política monetária que valide a irresponsabilidade fiscal lulista
Um palavrório que engana apenas os mais incautos. “Harmonização”,
“integração” e “coordenação” entre políticas monetária e fiscal não são
um fim em si mesmo. Afinal, se um governo praticar uma política fiscal
completamente irresponsável e inflacionária, cabe ao BC impor uma
política monetária em sentido oposto, que atenue o estrago; a
convergência só é desejável quando ela ocorre em nome da saúde fiscal
que fortalece a moeda, eleva a confiança, atrai investimento e gera
emprego e renda. Mas a essa altura já está bem claro que o “propósito”
do governo está longe de ser “crescer com baixa inflação e com justiça
social”, e sim gastar o que for preciso, inclusive tolerando-se uma
inflação mais alta, já que Lula se mostra incomodado não apenas com
atual Selic, mas também com a atual meta estabelecida pelo Conselho
Monetário Nacional. No fim, o que o governo quer não é “harmonia”, mas
sujeição: uma política monetária que valide a irresponsabilidade fiscal
lulista, como fizera Alexandre Tombini, que presidiu o BC na era Dilma e
comandou um ciclo de redução artificial de juros entre 2011 e 2012, tão
insustentável que foi revertido logo depois.
A indicação de Galípolo marcaria, então, o início da construção de
uma “base aliada” do governo dentro do BC e do Copom, para atingir
lentamente esse objetivo? Haddad destacou o currículo do indicado como
ex-presidente do Banco Fator, disse que ele tem bom trânsito no
Congresso e mencionou que o primeiro a falar de Galípolo como possível
diretor do BC foi o próprio Campos Neto, em almoço durante reunião do
G20 na Índia. Tudo para dar a impressão de que o novo diretor, caso seja
aprovado pelo Senado (que tem o papel de sabatinar indicados a
diretorias do BC), seria um nome bem visto pela classe política e também
pelo mercado.
VEJA TAMBÉM: A obsessão de Lula vai além dos juros (editorial de 9 de maio de 2023) Copom mantém os juros, mas suaviza o tom (editorial de 3 de maio de 2023) O técnico e os políticos (editorial de 28 de abril de 2023)
No entanto, há bons motivos para preocupação, pois Galípolo
também é apontado como defensor da Teoria Monetária Moderna (MMT, na
sigla em inglês), uma linha bastante heterodoxa que pode ser resumida na
ideia segundo a qual políticas expansionistas podem ser livremente
bancadas pela emissão de moeda como forma de autofinanciamento do
governo. Este ciclo sem fim em que aumento de gastos e emissão de moeda
se retroalimentam costuma trazer resultados positivos imediatos, mas que
logo são soterrados por inflação e recessão duradouras. Mesmo sendo
repudiada por economistas de inclinações mais à esquerda, como Paul
Krugman, e apesar de já ter sido tentada no passado em vários países
latino-americanos (incluindo a Argentina kirchnerista e a Venezuela
bolivariana), com resultados catastróficos, a MMT ainda tem seus
entusiastas, inclusive no Brasil, alguns dos quais são ligados ao PT. No
ano passado, Galípolo apareceu como um dos responsáveis por um
documento do Núcleo de Economia Política do Centro Brasileiro de
Relações Internacionais (Cebri) que defendia políticas inspiradas na MMT
– o núcleo é coordenado por André Lara Resende, um desses entusiastas
da Teoria Monetária Moderna.
É obrigação do Senado, durante a sabatina de Galípolo, confrontá-lo
com suas declarações passadas para entender que tipo de perspectiva o
indicado pretende levar ao BC e ao Copom. Hoje, ele seria apenas um voto
entre nove, mas Lula ainda nomeia mais dois diretores este ano e, em
2024, escolherá o sucessor de Campos Neto – um dos nomes cotados é
justamente o de Galípolo. Se o presidente da República quer aparelhar o
BC para impor uma política monetária subserviente, cabe ao Senado frear
esse movimento; do contrário, em pouco tempo Lula finalmente terá um
Tombini para chamar de seu.