Manipulação de resultados é só uma amostra dos males que a jogatina é capaz de produzir
Por Notas & Informações – Jornal Estadão
Um surto de manipulação de resultados de jogos de futebol se espalha
no País, aparentemente no mesmo ritmo em que proliferam, ao arrepio da
lei, as casas de apostas online. O esquema até aqui descortinado pelo
Ministério Público de Goiás (MP-GO) já mostrou que nem a elite do
esporte nacional − vitrine para o mundo − está a salvo da ação criminosa
de apostadores que tentam ditar o que se passa nos gramados,
interferindo até mesmo no número de escanteios ou de cartões amarelos e
vermelhos.
Como noticiou o Estadão, a Justiça goiana
recentemente acatou denúncia do MP-GO com base na Operação Penalidade
Máxima 2, que apontou fraudes inclusive em partidas da Série A do
Campeonato Brasileiro de 2022. Um time com a tradição do Santos − e isso
não é trivial − afastou um de seus zagueiros, transformado em réu na
ação. As investigações prosseguem e sabe-se lá o que haverão de revelar.
Por ora, a única certeza é que as casas de apostas online, antes mesmo
de serem legalizadas, já provocaram um tremendo estrago.
Vale notar que os jogos de azar são proibidos no País. Como já
registramos outras vezes neste espaço, a Lei de Contravenções Penais
(Decreto-Lei 3.688/1941) continua em vigor e prevê pena de detenção de
três meses a um ano para quem estabelece ou explora esse tipo de
atividade. Punição, aliás, reforçada pelo Congresso em 2015, com a
fixação de multa para quem participa da jogatina, mesmo que pela
internet. A propósito, é falacioso o argumento de que tal realidade
teria sido alterada pela Lei 13.756/2018, considerando que as chamadas
“apostas de quota fixa” não foram ainda regulamentadas − algo que o
governo, equivocadamente, pretende fazer em breve, por medida provisória
em fase final de elaboração. Em resumo, as empresas que exploram a
jogatina online vêm operando ilegalmente no Brasil.
É espantoso, então, que as casas de apostas online não apenas sigam
funcionando, como também patrocinem quase todos os clubes da Série A do
Brasileiro. O poderio econômico desse setor de faturamento bilionário,
por sinal, costuma ser invocado por quem defende a liberação dos jogos
de azar. Os arautos da jogatina fingem não ver, claro, que os recursos
que surgem de um lado desaparecem do outro, no rastro da desagregação do
tecido social e dos demais danos provocados pelos jogos de azar. Sem
falar na porta que se abre para a lavagem de dinheiro e outros crimes.
Ora, as tramoias reveladas até aqui não deixam dúvida quanto aos
riscos representados pelos sites de apostas: mal esse tipo de empresa se
instalou no País e já produziu um cenário de crise que atinge em cheio
uma paixão nacional e o poderoso mercado da bola. Fraudes de que não se
tinha notícia em tamanha extensão e profundidade − e que agora passam a
exigir a atenção e a mobilização do aparato estatal, consumindo tempo e
recursos do governo, com a Polícia Federal já convocada a entrar na
investigação. Eis o triste retrato do que as casas de apostas online são
capazes de produzir. Um problema que só se agravará se essa modalidade
de jogo vier a ser legalizada no Brasil.
Manipulação de resultados é só uma amostra dos males que a jogatina é capaz de produzir
Por Notas & Informações – Jornal Estadão
Um surto de manipulação de resultados de jogos de futebol se espalha
no País, aparentemente no mesmo ritmo em que proliferam, ao arrepio da
lei, as casas de apostas online. O esquema até aqui descortinado pelo
Ministério Público de Goiás (MP-GO) já mostrou que nem a elite do
esporte nacional − vitrine para o mundo − está a salvo da ação criminosa
de apostadores que tentam ditar o que se passa nos gramados,
interferindo até mesmo no número de escanteios ou de cartões amarelos e
vermelhos.
Como noticiou o Estadão, a Justiça goiana
recentemente acatou denúncia do MP-GO com base na Operação Penalidade
Máxima 2, que apontou fraudes inclusive em partidas da Série A do
Campeonato Brasileiro de 2022. Um time com a tradição do Santos − e isso
não é trivial − afastou um de seus zagueiros, transformado em réu na
ação. As investigações prosseguem e sabe-se lá o que haverão de revelar.
Por ora, a única certeza é que as casas de apostas online, antes mesmo
de serem legalizadas, já provocaram um tremendo estrago.
Vale notar que os jogos de azar são proibidos no País. Como já
registramos outras vezes neste espaço, a Lei de Contravenções Penais
(Decreto-Lei 3.688/1941) continua em vigor e prevê pena de detenção de
três meses a um ano para quem estabelece ou explora esse tipo de
atividade. Punição, aliás, reforçada pelo Congresso em 2015, com a
fixação de multa para quem participa da jogatina, mesmo que pela
internet. A propósito, é falacioso o argumento de que tal realidade
teria sido alterada pela Lei 13.756/2018, considerando que as chamadas
“apostas de quota fixa” não foram ainda regulamentadas − algo que o
governo, equivocadamente, pretende fazer em breve, por medida provisória
em fase final de elaboração. Em resumo, as empresas que exploram a
jogatina online vêm operando ilegalmente no Brasil.
É espantoso, então, que as casas de apostas online não apenas sigam
funcionando, como também patrocinem quase todos os clubes da Série A do
Brasileiro. O poderio econômico desse setor de faturamento bilionário,
por sinal, costuma ser invocado por quem defende a liberação dos jogos
de azar. Os arautos da jogatina fingem não ver, claro, que os recursos
que surgem de um lado desaparecem do outro, no rastro da desagregação do
tecido social e dos demais danos provocados pelos jogos de azar. Sem
falar na porta que se abre para a lavagem de dinheiro e outros crimes.
Ora, as tramoias reveladas até aqui não deixam dúvida quanto aos
riscos representados pelos sites de apostas: mal esse tipo de empresa se
instalou no País e já produziu um cenário de crise que atinge em cheio
uma paixão nacional e o poderoso mercado da bola. Fraudes de que não se
tinha notícia em tamanha extensão e profundidade − e que agora passam a
exigir a atenção e a mobilização do aparato estatal, consumindo tempo e
recursos do governo, com a Polícia Federal já convocada a entrar na
investigação. Eis o triste retrato do que as casas de apostas online são
capazes de produzir. Um problema que só se agravará se essa modalidade
de jogo vier a ser legalizada no Brasil.
Conheça soluções automatizadas, capazes de alavancar a captação de talentos no mercado
Atrair um candidato ideal não é tão simples quanto parece. Na
verdade, por muitas vezes, trata-se de um desafio a ser superado. Com
inúmeros players no mercado, disputar pelo profissional certo requer
investimento por parte das companhias. Logo, quem atenta-se, desde o
princípio, a fatores como transparência, praticidade e humanização,
larga na frente dos demais. Para seguir a tendência, deve-se buscar
recursos capazes de incentivar processos eficazes e convidativos. A
tecnologia é, portanto, uma das chaves para a resolução desse problema.
Cabe às corporações adotarem a novidade e alterarem seus rumos.
Fragilidades para se encontrar candidatos no mercado de trabalho
Quando tratá-se do desenvolvimento de ferramentas cotidianas,
atrela-se, automaticamente, à imagem da área de Tecnologia da Informação
(TI). Esse ramo, tão alinhado com os preceitos do mundo digital, tem
aumentado cada vez mais dentro do país. Seu mercado aquece quem busca
empreender e valoriza os passos em direção à prosperidade. Na última
década, o meio de atuação apresentou uma taxa de crescimento de 43%.
Segundo o relatório Insights Report, divulgado pela Associação das
Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Paraná
(Assespro-PR), até maio do último ano, havia mais de 275 mil entidades
ativas no setor. “Isso demonstra a relevância de organizações pautadas
no progresso, como é o caso da Total IP”, pontua o gerente comercial da
Total IP, Tiago Sanches.
Por outro lado, captar talentos para essa esfera tem se mostrado uma
adversidade latente à maioria dos empreendimentos. Quando analisá-se a
situação no Brasil, o cenário enxergado é, no mínimo, preocupante. De
acordo com o levantamento realizado pela Associação das Empresas de
Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), estima-se a carência
de 400 mil profissionais para cargos dessa instância. Até 2025, as
previsões tendem a piorar, pois não indicam uma melhora na formação
desses indivíduos. Assim, devido à ampliação exponencial do mercado de
TI, espera-se contar com uma insuficiência de 797 mil trabalhadores até a
data sugerida.
Para complementar os dados e elucidar o contexto vivido, a pesquisa
também indicou a taxa de rotatividade desses colaboradores. Conforme a
associação, 48% dos funcionários entrevistados abandonam ou trocam seus
cargos dentro do período de um ano. Ou seja, além de enfrentar o
obstáculo de encontrar um raro especialista, é preciso estar alerta à
área de recursos humanos (RH) a fim de retê-los. “O revés pode parecer
complexo, principalmente após a pandemia, quando os servidores passaram a
avaliar mais criteriosamente seus parâmetros de atuação. Um bom salário
ou benefício exclusivo já não será o responsável por segurar alguém.
Por isso, invista em novidades e ganhe espaço no meio”, acrescenta
Sanches.
Como a tecnologia consegue auxiliar na retenção de candidatos
Dada a conjuntura presente, fica nítido a necessidade de apostar no
RH. Cada vez mais, jovens aprendizes, estagiários e efetivos se
preocupam com suas condições laborais. A máxima de “viver para o
trabalho” foi estritamente perpassada. Hoje, encontra-se algo próximo do
“apesar de existir, também opero”. Em outras palavras, as relações têm
assumido um palco de maior prestígio. Valorizar as preferências e
minuciosidades de um subordinado é extremamente notável. Para isso,
muitas vezes a mão humana não dá conta sozinha. Ela precisa de aliados
capazes de automatizar procedimentos repetitivos e mitigar a fadiga.
Quando o futuro de uma firma depende dos pequenos detalhes cotidianos, a
atenção urge ser redobrada.
A partir dessas dores, a Total IP desenvolveu mecanismos com o poder
de facilitar o contato entre gestores e equipe. “Com o PABX-IP
Corporativo, por exemplo, nos esforçamos para construir um aparato capaz
de unificar toda uma organização por meio de uma única linha
telefônica. Ele é composto por um servidor, local ou em nuvem, e os
chamados softphones – aplicativos para computador e celular, os quais
permitem a realização de chamadas. Com base neles, conseguimos andar
alinhados com o home office e manter o grupo conectado de onde estiver”,
ressalta o diretor de tecnologia da Total IP, Giovane Oliveira.
O diferencial das corporações é romper com o modelo tradicional de
feedbacks – por muitas vezes rarefeito – e incentivar uma mecânica de
respostas constante. Pequenos gestos como esse já são suficientes para
demonstrar reconhecimento e conquistar o colaborador. Outro dispositivo
imprescindível para promover um ambiente mais horizontal nas relações
ocupacionais é o Robô Dinâmico para Chat, WhatsApp e Telegram. Com esse
amigo andróide, os estabelecimentos abrem um leque maior de canais para
comunicação e contam com um auxílio em mensagens de texto.
Outras funcionalidades da tecnologia
Nem sempre o coordenador poderá parar os seus afazeres e responder um
membro do time. Para combater o infortúnio, um robô dinâmico se adianta
e já introduz o assunto com o remetente. “Por ser integrado à API
Business do WhatsApp, ele atua diretamente no app sem complicações. Com
templates (HSM) pré-cadastrados e homologados, ele consegue disparar
notas ativamente. Isso poupa inúmeras etapas de uma devolutiva, algo
central na vida de um diretor, por exemplo. Além disso, está 100% em
português e veicula por meio de uma conta verificada pela Meta”, aponta
Oliveira.
Pode parecer curioso, porém o segredo para atingir uma abordagem
humanizada reside – na verdade – em instrumentos robotizados. Essa é a
magia por trás da tecnologia. Ela não nasceu para desvincular o homem
das suas relações com os outros. Pelo contrário, o propósito dela,
quando tomado seriamente por entidades como a Total IP, é potencializar
os laços. Portanto, a recomendação ao empresariado é acreditar em novas
rotas, desprender-se do passado, valorizar as profissões do futuro e
seguir em frente!
FANS TOKENS DA VALEON
Os Clubes de Futebol no Brasil e no Mundo estão alinhados fora de
campo e estão investindo em inovação e no mercado de criptoativos, mais
especificamente as Fans Tokens que são moedas digitais chamadas de CHILIZ(CHZ).
A novidade é atribuir um valor de ativo financeiro a um produto com o
qual o fã cria relacionamentos e experiências com o Clube de Futebol e
que antes era apenas um serviço sem valor de revenda ou de valorização
desse ativo. As Fans Tokens ajudam os clubes a melhorar a parte financeira.
Assim como nenhum elemento do marketing faz nada sozinho, não só em clubes, mas em qualquer empresa, as Fans Tokens
também precisam ter a imagem trabalhada para chegar ao consumidor de
forma clara, oferecendo algo que seja palatável e legível ao torcedor,
ou seja, as pessoas precisam entender do que se trata este ativo digital
para poder consumi-lo.
Como toda inovação, as Fans tokens ainda estão numa
fase inicial e todos nós estamos aprendendo com elas. Não podemos perder
de foco é que a tecnologia não pode ser o fim, a tecnologia é
simplesmente o meio e é a chave para o engajamento e temos que
compreender que a tecnologia pode gerar lucro, construir operações
sustentáveis, proteger a integridade da concorrência, desenvolver
multiplataformas e muito mais.
Engajar os fãs não é algo exclusivo do esporte. Pelo contrário, todas
as marcas querem encantar seus consumidores e engajá-los das mais
variadas formas. Descobrir essas formas é uma das muitas atividades de
quem trabalha com comportamento do consumidor.
Em marketing, podemos definir o engajamento do cliente como os
comportamentos espontâneos, interativos e cocriativos do consumidor,
principalmente em trocas não transacionais entre consumidor e empresa
para atingir seus objetivos individuais e sociais.
Em outro contexto, porém, podemos pensar no engajamento como um
estado de espírito motivacional relacionado à marca e dependente do
contexto de um cliente, caracterizado por níveis específicos de
atividade cognitiva, emocional e comportamental nas interações da marca.
E, nesse aspecto, surge um fator importante: como os consumidores
engajados fornecem referências e recomendações para produtos
específicos, o engajamento do cliente é um elemento-chave nas
estratégias das empresas para o desenvolvimento de soluções, de novos
produtos e retenção de clientes. É aqui que surge a ideia da
monetização.
A Startup Valeon cria as FANS TOKENS VALEON para premiar
uma enorme comunidade de consumidores que utilizam as redes sociais,
que são o nosso público-alvo, que são as pessoas que achamos que podem
realmente se beneficiar do nosso produto que é a Plataforma Comercial
Marketplace Valeon e muitas vezes não possuem o conhecimento básico de
como o nosso produto funciona.
As Fans Tokens são para aqueles que não querem
apenas ser espectadores, mas para aqueles que desejam ter um papel mais
ativo na comunidade das redes sociais.
A tokenização fornece novas maneiras inspiradoras de
classificar valor, criando novos ativos ou reinventado os tradicionais,
abrindo portas para melhoria de processos totalmente novos, fluxos de
receitas e envolvimento dos clientes com novas oportunidades.
Pensando nisso, a Startup Valeon através do seu Site, aposta na
possibilidade de trazer o consumidor que pode estar longe ou não conhece
a Valeon para perto da gente e ainda ser nosso colaborador participando
ativamente do nosso desenvolvimento, gerando transformações e tendo o
direito de fornecer conhecimentos específicos para o desenvolvimento do
Site.
Valor do Fan Token Valeon = R$ 1,00
Solicitamos a colaboração dos consumidores do Vale do Aço
para as oportunidades de influenciarem em algumas decisões do nosso
dia-a-dia e quanto maior o peso de suas opiniões, mais Fan Tokens irá
ganhar.
1 – Você pode auxiliar no desenvolvimento do nosso Site Valeon verificando alguma possibilidade de melhoria nele.
Prêmio: 50 Fan Token Valeon
2 – As Empresas, Serviços e Profissionais que desejarem
participar aderindo suas Publicidades e Propagandas ao Site Valeon terão
descontos.
Prêmio: 30% na mensalidade
3 – Sugestões de Internautas que queiram incluir ÁLBUNS DE MÚSICAS de até 150 MB NA COLEÇÃO DE MÚSICAS do Site Valeon.
Câmara dos Deputados CPI do MST pode investigar invasões do MTST de Boulos e influenciar na eleição de São Paulo em 2024 Por Aline Rechmann – Gazeta do Povo
O deputado federal Guilherme Boulos deve ser membro da CPI do MST
e quer concorrer à prefeitura de São Paulo mais uma vez| Foto: Pablo
Valadares/Câmara dos Deputados.
A Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST),
que aguarda instalação na Câmara dos Deputados, pode influenciar nas
eleições municipais de São Paulo se investigar também o Movimento dos
Trabalhadores Sem-Teto. O chamado MTST é coordenado e historicamente
ligado ao deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), que deve ser o
candidato apoiado pelo PT no pleito.
Um dos maiores defensores da ideia de expandir as investigações sobre
o MST e chegar também ao MTST e à Frente Nacional de Luta Campo e
Cidade (FNL) é o deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo
Salles (PL-SP). Ele é o nome mais cotado para assumir a relatoria da
CPI e também busca indicação para concorrer à prefeitura de São Paulo.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ainda aguarda instalação na Câmara
dos Deputados. Enquanto isso, oposição e governo buscam fortalecer suas
narrativas e estratégias para os trabalhos. O PT buscará proteger o MST e
deve reforçar a tese de que não há fato determinado para as
investigações. Já a oposição pretende focar não só nas invasões de
terras no meio rural, mas também em movimentos que coordenam invasões em
áreas urbanas.
O deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles
(PL-SP) é o mais cotado para assumir a relatoria da CPI. Ele vem
afirmando que pretende incluir outros movimentos nas investigações. Caso
isso ocorra, a CPI do MST passaria a se chamar CPI das Invasões.
Salles é autor de um dos requerimentos que deu origem à CPI do MST.
No documento, ele apontou preocupação com os crimes de invasão cometidos
também nas cidades. “Não bastasse o cometimento desses crimes no campo,
o que assistimos e muito nos preocupa é a defesa dessas práticas
criminosas pelos atuais gestores, que virá a fomentar as invasões à
propriedade privada não só no campo, mas também nas cidades”, enfatiza o
deputado paulista.
Outros dois requerimentos foram apresentados pelos deputados federais
– Tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS), Kim Kataguiri (União
Brasil-SP) e Ricardo Salles (PL-SP). Por fim, eles se uniram para
atingir as 171 assinaturas necessárias. O requerimento do deputado Zucco
acabou sendo protocolado ao alcançar 172 assinaturas e por isso ele é
cotado para presidir o colegiado.
VEJA TAMBÉM:
Bancada do agro quer aprovar lei sobre marco temporal para “esvaziar” julgamento do STF
PT e Grupo Prerrogativas saem em defesa do MST enquanto oposição busca controlar CPI
Bancada do Agro quer usar CPI para investigar Stédile e lideranças do MST Inclusão do MTST na CPI mira Boulos e a prefeitura de São Paulo
Em entrevistas recentes, Salles disse que “a versão urbana do MST é o
MTST, de onde o Boulos cresceu”. A afirmação antecipa os embates da
CPI, caso se confirme também a indicação do deputado federal Guilherme
Boulos (PSOL-SP) na composição do colegiado. Boulos é coordenador
nacional do MTST.
Além do embate na CPI, Salles e Boulos podem protagonizar a disputa
pela prefeitura de São Paulo nas próximas eleições. Boulos já concorreu
ao cargo em 2020 e Salles busca a indicação para concorrer pelo Partido
Liberal (PL). O ex-ministro de Bolsonaro, no entanto, terá que convencer
a cúpula do partido a retirar o apoio ao atual prefeito, Ricardo Nunes
(MDB). O PL tem cargos na gestão de Nunes e algumas lideranças têm
indicado preferência em apoiar o emedebista.
Na avaliação da analista política da FGV Carol Curimbaba, a relatoria
de Salles na CPI pode influenciar na decisão do partido. “Se Salles
conseguir conduzir bem, de forma justa e incisiva, vai ser uma passagem
livre para ele começar a despontar [a candidato] para a prefeitura de
São Paulo, que será uma disputa de extremos, entre ele e Boulos”, disse a
especialista.
Em sua busca pelo espaço, Salles tem feito afirmações que buscam
atingir Boulos. “O povo paulistano jamais permitirá ser comandado por
alguém que em nada representa o espírito da nossa cidade. Invasor de
propriedade, aqui não”, comentou o deputado ao reproduzir o trecho de
uma entrevista em que menciona Boulos em suas redes sociais.
Boulos sinaliza possibilidade de questionar CPI do MST no STF Já
Boulos, assim como outros deputados governistas vem questionando a
criação da CPI do MST. Para eles, a CPI não tem fato determinado, um dos
pré-requisitos previstos no regimento da Câmara dos Deputados para
criação deste tipo de comissão.
Na visão do parlamentar do PSOL, não existiriam motivos concretos
para a instalação da CPI. “Essa CPI é um casuísmo, que inclusive vai ser
questionada no Supremo Tribunal Federal porque não tem objeto. Pela
legislação, uma CPI precisa ter um fato definido para poder ser
instaurada. Uma CPI do MST é uma coisa totalmente descabida”, afirmou
Boulos em entrevista à Jovem Pan News.
A Gazeta do Povo tentou contato com a assessoria do deputado federal
Guilherme Boulos, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
MST já foi investigado em outras CPIs no Congresso Nacional Esta
será a quinta CPI que busca investigar o MST e as invasões de terra no
Brasil. Desde 2003, o movimento já foi investigado em quatro comissões
de inquérito no Congresso Nacional, sendo a primeira a Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra, que funcionou entre 2003
e 2005. Também foi alvo da CPMI “do MST” (2009-2011), da CPI Funai
Incra (2015 –2016) e da Funai Incra 2 (2016 – 2017).
De acordo com membros da direção do MST, essa é uma forma de atacar o
movimento social e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT). “A gente está indo para a quinta CPI ao longo dessa caminhada do
MST. Todas elas tiveram esse mesmo caráter, instrumento para tentar nos
colocar em uma posição de encantonamento e evidenciar as posições
políticas da extrema direita, dos ruralistas em relação a nós”,
ressaltou Ceres Hadich, que faz parte da direção nacional do MST, em
entrevista à Agência Brasil.
Apesar disso, a analista Carol Curimbaba avalia que agora
as condições desta CPI são diferentes. “Desde os últimos governos de
Lula e Dilma, passamos pelos governos de Temer e Bolsonaro, quando
tivemos uma redução enorme nas invasões e aumento da titularização. Esse
espaço de tempo nos forneceu muita prova de que o movimento parece que
não quer titularizar. Querem muito mais essa briga política e, no fim,
manter essas famílias mais dependentes do movimento, do que de fato
resolver o problema de moradia rural ou urbana”, afirmou a especialista.
Para o cientista político e professor da Universidade do Distrito
Federal (UDF), André Rosa, a CPI do MST, que mira também outros
movimentos, é uma tentativa do Parlamento de inibir esses grupos. “Essa
inibição é tão latente porque agora nós temos um governo com um
presidente que vem do meio sindical, que vem dos movimentos de base, dos
partidos de massa. Então, o MST e o MTST teriam uma maior maleabilidade
para defender as suas pautas e, inclusive fazendo as suas ocupações. É
visto que existe um risco político muito maior dessas agremiações terem
mais força no governo Lula. Assim, deputados e senadores já se articulam
para que isso [a criação das CPIs] seja como um fator inibidor desses
grupos políticos”, opinou Rosa.
MTST também conquistou espaço no governo Lula A exemplo do MST, o
MTST também conquistou espaço em cargos no governo Lula. Em janeiro, o
governo nomeou o militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
(MTST) Guilherme Simões Pereira para comandar a Secretaria Nacional de
Políticas para Territórios Periféricos, do Ministério das Cidades.
Com recriação da pasta, extinta durante o governo do ex-presidente
Jair Messias Bolsonaro (PL), a Secretaria das Periferias foi criada por
sugestão de Boulos. Ele também foi responsável pela indicação de Simões
para assumir o cargo de secretário Nacional. Em seu perfil no Twitter, o
deputado comemorou a nomeação.
Composição, presidência e relatoria da CPI do MST ficam para a segunda metade de maio A
composição deverá ser definida nas próximas semanas, com o retorno do
presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de viagem aos
Estados Unidos. Mas os deputados já buscam garantir suas indicações
junto aos líderes de seus partidos. Até o momento, os deputados federais
Tenente-Coronel Zucco (Republicanos-RS) e Ricardo Salles (PL-SP) são os
cotados para assumir a presidência e a relatoria da CPI,
respectivamente.
Membros do Partido dos Trabalhadores (PT) afirmam que só vão discutir
a possibilidade de indicação de nomes para a presidência ou relatoria
após indicação dos demais partidos.
Gabriel Galípolo, atual “número 2” do Ministério da Fazenda, foi
indicado para o cargo de diretor de Política Monetária do Banco Central;
nomeação ainda passa pelo Senado.| Foto: Washington Costa/Ministério da
Fazenda
Lula vem travando uma batalha incessante contra o Banco Central;
contra seu presidente, Roberto Campos Neto; e contra a taxa Selic, que o
presidente da República considera alta demais. Mas esbarra em um
obstáculo formidável: a autonomia da autoridade monetária, aprovada pelo
Congresso Nacional e que PT e PSol até tentaram derrubar no Supremo,
sem sucesso. Como não se trata de algo que possa ser simplesmente
revogado com um decreto, como Lula está tentando fazer com o Marco do
Saneamento, resta-lhe apenas usar a ferramenta que a lei lhe permite: as
nomeações para a diretoria do BC, na tentativa de torná-lo mais
amigável, leia-se subserviente.
Na segunda-feira, dia 8, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
anunciou que seu secretário-executivo, Gabriel Galípolo, seria indicado
pelo governo para a diretoria de Política Monetária do Banco Central,
que vinha sendo ocupada interinamente desde o fim do mandato de Bruno
Serra, em fevereiro. Para outra diretoria vacante, a de Fiscalização, o
nome escolhido foi de Aílton Aquino, respeitado funcionário de carreira
do BC. Ao comentar as duas indicações, Haddad, disse que ambos “vão
observar rigorosamente a mesma lei. E com o seguinte comando: é buscar
harmonizar a política fiscal e a política monetária. Então não tem
nenhuma outra intenção que não seja buscar a integração, buscar a
coordenação com o mesmo propósito. Qual? Crescer com baixa inflação e
com justiça social”.
O que o governo quer não é “harmonia”, mas sujeição: uma política monetária que valide a irresponsabilidade fiscal lulista
Um palavrório que engana apenas os mais incautos. “Harmonização”,
“integração” e “coordenação” entre políticas monetária e fiscal não são
um fim em si mesmo. Afinal, se um governo praticar uma política fiscal
completamente irresponsável e inflacionária, cabe ao BC impor uma
política monetária em sentido oposto, que atenue o estrago; a
convergência só é desejável quando ela ocorre em nome da saúde fiscal
que fortalece a moeda, eleva a confiança, atrai investimento e gera
emprego e renda. Mas a essa altura já está bem claro que o “propósito”
do governo está longe de ser “crescer com baixa inflação e com justiça
social”, e sim gastar o que for preciso, inclusive tolerando-se uma
inflação mais alta, já que Lula se mostra incomodado não apenas com
atual Selic, mas também com a atual meta estabelecida pelo Conselho
Monetário Nacional. No fim, o que o governo quer não é “harmonia”, mas
sujeição: uma política monetária que valide a irresponsabilidade fiscal
lulista, como fizera Alexandre Tombini, que presidiu o BC na era Dilma e
comandou um ciclo de redução artificial de juros entre 2011 e 2012, tão
insustentável que foi revertido logo depois.
A indicação de Galípolo marcaria, então, o início da construção de
uma “base aliada” do governo dentro do BC e do Copom, para atingir
lentamente esse objetivo? Haddad destacou o currículo do indicado como
ex-presidente do Banco Fator, disse que ele tem bom trânsito no
Congresso e mencionou que o primeiro a falar de Galípolo como possível
diretor do BC foi o próprio Campos Neto, em almoço durante reunião do
G20 na Índia. Tudo para dar a impressão de que o novo diretor, caso seja
aprovado pelo Senado (que tem o papel de sabatinar indicados a
diretorias do BC), seria um nome bem visto pela classe política e também
pelo mercado.
VEJA TAMBÉM: A obsessão de Lula vai além dos juros (editorial de 9 de maio de 2023) Copom mantém os juros, mas suaviza o tom (editorial de 3 de maio de 2023) O técnico e os políticos (editorial de 28 de abril de 2023)
No entanto, há bons motivos para preocupação, pois Galípolo
também é apontado como defensor da Teoria Monetária Moderna (MMT, na
sigla em inglês), uma linha bastante heterodoxa que pode ser resumida na
ideia segundo a qual políticas expansionistas podem ser livremente
bancadas pela emissão de moeda como forma de autofinanciamento do
governo. Este ciclo sem fim em que aumento de gastos e emissão de moeda
se retroalimentam costuma trazer resultados positivos imediatos, mas que
logo são soterrados por inflação e recessão duradouras. Mesmo sendo
repudiada por economistas de inclinações mais à esquerda, como Paul
Krugman, e apesar de já ter sido tentada no passado em vários países
latino-americanos (incluindo a Argentina kirchnerista e a Venezuela
bolivariana), com resultados catastróficos, a MMT ainda tem seus
entusiastas, inclusive no Brasil, alguns dos quais são ligados ao PT. No
ano passado, Galípolo apareceu como um dos responsáveis por um
documento do Núcleo de Economia Política do Centro Brasileiro de
Relações Internacionais (Cebri) que defendia políticas inspiradas na MMT
– o núcleo é coordenado por André Lara Resende, um desses entusiastas
da Teoria Monetária Moderna.
É obrigação do Senado, durante a sabatina de Galípolo, confrontá-lo
com suas declarações passadas para entender que tipo de perspectiva o
indicado pretende levar ao BC e ao Copom. Hoje, ele seria apenas um voto
entre nove, mas Lula ainda nomeia mais dois diretores este ano e, em
2024, escolherá o sucessor de Campos Neto – um dos nomes cotados é
justamente o de Galípolo. Se o presidente da República quer aparelhar o
BC para impor uma política monetária subserviente, cabe ao Senado frear
esse movimento; do contrário, em pouco tempo Lula finalmente terá um
Tombini para chamar de seu.
Liberação massiva de recursos não garante a Lula base fiel de apoio no Congresso Por Sílvio Ribas – Gazeta do Povo Brasília
Ministro Alexandre Padilha, responsável pela articulação do
governo, recebeu ordem de Lula para cumprir acordo com parlamentares até
junho| Foto: André Borges/EFE
Após as recentes derrotas em
votações, o governo se defrontou com o fato de não ter apoio consistente
no Congresso e precisou reagir. Chamou líderes partidários para
conversar, fez alguns acenos e acelerou o desbloqueio de recursos do
orçamento federal a congressistas. Essa reação, contudo, pode ter sido
tardia e insuficiente, além de não garantir a ampliação da base
governista, sobretudo na Câmara, nem o êxito em futuras votações de
interesse do Planalto.
Para analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, o principal sinal de
alerta que levou à mobilização do governo, incluindo o próprio
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi a apreciação pela Câmara,
na semana passada, do pedido de urgência para se votar o projeto que
derrubou decretos do saneamento. Os votos contrários à matéria foram 136
de 513 deputados. Antes disso, o governo amargou a retirada de pauta do
chamado “PL das das Fake News” por falta de apoio.
O Siga Brasil, canal do Senado na internet que dá publicidade à
liberação de recursos de emendas parlamentares, apontou uma reserva
feita pelo governo, na terça-feira (9), de R$ 712 milhões para deputados
e senadores, montante bem superior aos R$ 486 milhões registrados desde
janeiro. A liberação foi logo percebida como parte do esforço do
governo para reorganizar sua base e assegurar a aprovação do marco
fiscal. No dia seguinte (10) foram liberados mais R$ 434 milhões,
somando em dois dias mais de R$ 1,1 bilhão – mais do que o dobro do
verificado nos 138 dias anteriores.
Segundo Eduardo Galvão, coordenador do MBA em Políticas Públicas e
Relações Institucionais do Ibmec-DF, os dois episódios no Congresso
representaram testes para a base de Lula. “Análises mostram que houve
alinhamento de 65% com o governo em 16 votações na Câmara. Mas a
derrubada de trechos dos decretos relativos ao Marco do Saneamento
provou a necessidade de o presidente avaliar pragmaticamente o seu real
apoio e negociar a distribuição de recursos do orçamento”, sublinhou.
Galvão acrescenta que a realidade impôs negociação mais efetiva na
busca dos votos necessários em outras matérias. “Veja o impressionante
montante liberado apenas na terça-feira: 58% de tudo o que já foi
repassado no ano e o maior valor já destinado num só dia. Trata-se de
algo proporcional às medidas na agenda de discussão e votação, como o
marco fiscal e a reforma tributária. Ao se aproximar do meio do ano,
Lula negocia as suas prioridades em forma de lotes”, disse.
VEJA TAMBÉM: Com Lula fraco no Congresso, para onde vai o governo? Lula entra na articulação política para tentar evitar novas derrotas no Congresso Alckmin se reúne com relator para articular texto e votação da nova regra fiscal
Distribuição de verbas é reação pragmática à falta de votos As
duas derrotas da semana passada forçaram Lula a mandar os ministros
iniciarem a liberação de dinheiro em suas pastas. No caso dos decretos
do saneamento, apenas o PT entregou os votos esperados. O PSD, o MDB e o
União Brasil, os outros importantes partidos da base, contribuíram só
com oito votos a favor. A liberação das verbas nesta semana faz parte da
estratégia do Planalto para manter a base, mas a nova postura ainda
enfrenta desafios.
O governo tem 109 deputados efetivamente da base, com as federações
de PT, PCdoB e PV e de Rede-Psol, além do PSB, do vice-presidente
Geraldo Alckmin. O restante do apoio é condicionado e localizado nos
dois grandes blocos partidários encabeçados, cada um, por PP e
Republicanos. Eles abrigam outras legendas da base, como MDB, PSD, PDT e
União Brasil, que têm cargos de primeiro escalão. Além disso, o
Planalto busca negociar acordos pontuais com parlamentares do PP e do
Republicanos.
Para viabilizar esse plano de reorganização da base, Lula solicitou a
liberação mais rápida de R$ 19 bilhões a deputados e senadores, sendo
R$ 10 bilhões referentes ao Orçamento de 2023, e os R$ 9 bilhões
restantes relacionados a acordos firmados na gestão de Jair Bolsonaro
(PL) dentro do chamado “orçamento secreto”. Na segunda-feira (8), o
presidente se reuniu com os ministros e os líderes no Congresso – José
Guimarães (PT-CE), da Câmara; Jaques Wagner (PT-BA), do Senado; e
Randolfe Rodrigues (Rede-AP), do Congresso – para cobrar os acordos com
parlamentares até 6 de junho.
Na quarta-feira (10), o ministro Alexandre Padilha (Relações
Institucionais) iniciou uma série de reuniões com os partidos da base
PSB e PSD. Os líderes dos partidos prometeram fidelidade no futuro. Eles
expressaram incômodo com o descumprimento de acordos durante a
aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que abriu espaço
fiscal no teto de gastos para o governo tocar programas e ainda pagar
emendas.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), já havia reclamado de
falhas na articulação comandada por Padilha e de uma excessiva
centralização na figura do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que
estaria emperrando a tomada de decisões. À Globo News, Costa admitiu a
ausência de diálogo, disse que o governo não atuou com a rapidez
requerida no pagamento de emendas e afirmou que “falhas estão sendo
corrigidas”, e a relação com o Legislativo, melhorada. Também na
quarta-feira (10), ele e Padilha foram ao Senado para tratar dos
decretos do saneamento.
Apoio em votações futuras no Congresso vai exigir esforços e recursos adicionais do Planalto De
acordo com o cientista político Ismael Almeida, a reação do governo foi
tardia e não terá efeito positivo desejado em todas as votações. No
caso do Marco do Saneamento, por exemplo, ele entende que a liberação de
verbas em nada muda a perspectiva de derrota. “A derrota não deve
servir como parâmetro, pois o governo errou ao insistir em legislar por
decreto, talvez sabendo que não venceria numa votação desse tema. A
liberação de verbas pode, contudo, ter efeito prático na aprovação do
marco fiscal, uma vez que há consenso sobre a sua importância. Mas isso
não impede alterações do texto já anunciadas pelo relator, deputado
Cláudio Cajado (PP-BA)”, disse.
Para Almeida, o marco fiscal se tornará teste crucial para o governo e
para Lira, que dita o ritmo da matéria. Isso porque a liberação de
recursos com pagamento de dívidas pendentes não garante fidelidade no
futuro. “Esse é apenas o começo de um processo para formar uma base
aliada e ajustar a articulação política, com o próprio Lula assumindo um
papel de destaque”, resume.
Lula e ministros têm feito repetidos ataques à privatização da Eletrobras.| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O presidente da Câmara, Arthur Lira, está lembrando o óbvio: que essa
conversa de voltar atrás na privatização da Eletrobras é dar um péssimo
recado para os investidores de todo o mundo. É dizer a eles que não
podem confiar no Brasil, porque é um país onde existe insegurança
jurídica, onde se decide uma coisa num dia e o contrário no outro, que
deixa todo mundo na mão, que surpreende os investidores. É muito errado
isso, e já deu problema para o governo. O ministro-chefe da Casa Civil,
Rui Costa, andou dizendo que tem “cheiro ruim” na privatização. E o
União Brasil já perguntou que história é essa, porque a privatização foi
aprovada na Câmara e no Senado; onde é que cheirou mal? O deputado
Mendonça Filho agora quer convocar o ministro para explicar suas
palavras.
Julgamento do marco temporal no STF traz insegurança ao campo Não
dá para ficar jogando assim, nós já estamos com má fama. Aqui em
Portugal me perguntam: o que é isso que o Supremo está fazendo? Onde
fica o devido processo legal? Ficam todos estranhando. Por exemplo, o
agronegócio está preocupado com o julgamento do marco temporal, que vai
recomeçar em 5 de junho e está empatado em 1 a 1. Está escrito na
Constituição, de forma muito clara, com um verbo no presente do
indicativo, que são indígenas as terras que eles “tradicionalmente
ocupam”, o que remete ao dia em que a Constituição foi promulgada, 5 de
outubro de 1988. O Supremo já decidiu isso, já confirmou a Constituição
em 2009, quando julgou o caso da reserva Raposa Serra do Sol, o ministro
relator Ayres Britto tirou os arrozeiros de lá, porque eles haviam
entrado dois anos depois de 5 de outubro de 1988. O ministro André
Mendonça disse que vale a Constituição, claro, e o ministro Edson Fachin
diz que não é bem assim – ele tem uma tradição de defender o MST, em
questões de terra.
VEJA TAMBÉM: Autopromoção do governo causa caos na terra yanomami Eles não plantam nem colhem, mas comem. E falam mal do agro
Insegurança agrária O agro está reagindo com um projeto de lei
que vai deixar a Constituição já consolidada. Se o assunto está sendo
discutido no Congresso, o Supremo teria de esperar que o legislador
decidisse, porque quem faz as leis é a Câmara e o Senado, não o Supremo.
Poder Judiciário julga; quem faz as leis são os deputados e os
senadores, que nomeamos com o nosso voto para fazer isso. Não demos um
voto sequer para ministro do Supremo fazer lei, muito menos mudar a
Constituição. E essa questão do território indígena é muito importante,
porque pode levar insegurança jurídica – na verdade, já está levando
inquietação ao campo. O Cimi diz que querem o marco temporal para
construir ferrovias, rodovias, hidrelétricas, para mineração, para
produzir mais. Isso é ruim para o Cimi. Mas a lei também diz que não se
pode tirar nenhuma terra indígena que esteja garantida pela
Constituição, que já estivesse ocupada no dia 5 de outubro de 1988.
Médico zombar de paciente é antiético, mas vacina não era pra prevenir contágio? O
CRM do Acre, estado onde nasceu Marina Silva, está investigando três
médicos que postaram ironias sobre a doença da ministra, porque médico
brincar com doença de paciente não é ético. Mas a grande questão nem é
essa. A ministra tomou quatro doses da vacina e ainda assim teve Covid?
Isso é que precisa ser investigado.
Alexandre de Moraes, ministro do STF e presidente do TSE.| Foto: Flickr/TSE
Como
pode haver democracia num país onde alguém é obrigado a dizer, e dizer
em público, o contrário do que pensa? Não pode, é claro, e é por isso
que existe no Brasil de hoje um regime de força, comandado pelo STF e
operado pela polícia que está sob o seu comando.
Existe, ainda, liberdade para certas coisas. Mas não existe para
outras, como exercer o direito constitucional da livre expressão do
pensamento – e liberdade não é algo que possa ser distribuído em fatias e
a critério de quem manda. Quando é uma autoridade suprema, que concedeu
a si própria poderes ilegais e acima de todos os outros, quem decide
quais são e quais não são as liberdades permitidas para o cidadão há uma
situação de tirania. O resto é pura enganação mal-intencionada.
Desde quando é proibido criticar um projeto de lei que está em discussão pública no Congresso?
O ataque conjunto do STF e das alas extremistas do governo Lula
contra o aplicativo de mensagens Telegram é o escândalo mais recente
nessa guerra aberta à Constituição e aos direitos dos cidadãos. O
ministro Alexandre de Moraes, sem que nenhuma lei brasileira o
autorizasse a fazer o que fez, obrigou o Telegram a retirar de
circulação um texto de opinião, com críticas ao projeto de controle das
redes sociais que o governo e o STF querem impor ao Brasil.
Qual é o problema? Desde quando é proibido criticar um projeto de lei
que está em discussão pública no Congresso? E se não há, absolutamente,
nenhuma restrição à publicação de opiniões a favor do mesmíssimo
projeto, qual é a lógica legal para a proibição? Pior: o Telegram não só
foi proibido pelo ministro de expressar a sua opinião, como foi
obrigado a publicar uma opinião oposta ao que pensa, sob pena de
suspensão e outras ameaças; teve de dizer o que o STF e o governo Lula
querem que se diga sobre o assunto. Isso é coisa nazista, ou típica do
antigo regime soviético.
VEJA TAMBÉM: STF deu poderes absolutos a si próprio e hoje governa ilegalmente o Brasil STF quer tomar o lugar do Congresso para impor a censura no Brasil A censura está a ponto de ser institucionalizada – para a alegria de Lula, a esquerda e o STF
O despacho do ministro no caso do Telegram não é um trabalho
jurídico, ou uma decisão fundamentada na lei – é um manifesto político,
com os seus pontos de vista pessoais e uma salada de incoerências,
palavras de ordem da esquerda radical e frases destinadas a exibir
força. Na ausência completa de razão, Moraes tenta provar que está certo
com pontos de exclamação, letras maiúsculas e outros recursos gráficos;
em vez de ficar mais convincente, consegue, apenas, tornar seu texto
mais primitivo do que já é.
O governo Lula foi, naturalmente, na mesma direção. O ministro da
Justiça, para se ter uma ideia do nível geral, disse que o Telegram quer
provocar um “outro 8 de janeiro”. Nada disso disfarça o atentado à
democracia que está na essência da decisão de Moraes – sua declaração de
que cabe ao Poder Judiciário, acima de qualquer lei que possa ter sido
aprovada pelo Congresso Nacional, decidir o que é certo e o que é errado
para os 200 milhões de habitantes do Brasil. É a pretensão básica de
todas as ditaduras.
E pensar que o sonho do menino Brasil era ganhar apenas uma bicicleta…| Foto: Reprodução/ Facebook
“Vem
pra cá! Vem pra cá!”. Silvio Santos chama o Brasil ao palco. O menino
desengonçado, de shortinho da seleção de 70 e camiseta da campanha do
Maluf de 1989, abre um sorriso com déficit de incisivos inferiores.
“Qual é o seu nome?”, pergunta o apresentador. E ao longo de toda a
crônica você vai ter que ler as falas de Silvio Santos com a prosódia
característica dele. Senão perde a graça, pô.
Brasil responde: “República Federativa do Brasil. Mas pode me chamar
só de Brasil mesmo”. “Hahae-hihiii!”, ri Silvio Santos, que viu graça
não sei onde. “E me diga. E me diga. Quantos anos você tem?”, pergunta
SS. “Quinhentos e vinte e três”, responde o moleque ranhento. “E você
vem de onde, Brasil? Veio com alguma caravana?”, pergunta o
apresentador. “Eu vim com a caravana de Osasco, Silvio!”, responde o
menino. A plateia irrompe em gritos e aplausos.
“Má-oe. Você já conhece o quadro da Cabine dos Desejos, Brasil?”,
pergunta Silvio Santos. Brasil faz que sim, mas Silvio Santos ignora e
se põe a explicar para o auditório e os telespectadores como funciona a
brincadeira. Por todo o palco estão espalhadas riquezas e misérias,
representadas em eventos históricos, oportunidades econômicas,
tendências culturais e nomes de políticos e instituições. Umas coisas
boas e outras nem tanto. Umas péssimas e outras piores ainda. Ele vai
oferecer os “prêmios” e, enquanto isso, Brasil ficará numa cabine a
prova de som. Toda vez que uma lâmpada acender dentro da cabine, o
menino terá de dizer “sim” ou “não”. Sem saber o que está escolhendo.
Silvio Santos pergunta se o Brasil entendeu o jogo. O menino de
inteligência limitada diz que sim, mas está mentindo. Enquanto Brasil
entra na cabine e a produção põe no menino um fone de ouvido gigantesco,
Silvio Santos faz propaganda de remédio anticólicas menstruais. “Ai,
ai, ai, ai, como sofri/ Com uma cólica, quase morri/ Sorte que logo
Atroveram tomei/ A dor se foi. Eu melhorei”. Etc. Terminado o reclame, o
apresentador pergunta: “Tudo certo aí, Brasil?”. A luz na cabine se
acende. “NÃÃÃO!”, berra o menino. Vai começar a brincadeira.
Má-oe. Isso é um intertítulo, Lombardi? “Vamos começar. Deixa eu
ver aqui. Já sei. Já sei. Hahae-hihiii. Brasil, você tá me ouvindo?”,
pergunta SS. Como a luz na cabine não se acende, o menino não diz nada.
“Ótimo”, diz o apresentador. “Vamos começar com… Deixa eu ver. Este não.
Este também não. Aqui. Hahae-hihiii”, diz ele, pegando uma coroa.
“Brasil, você quer ganhar essa Monarquia?”. De dentro da cabine, o
menino enche os pulmões para gritar: “SIIIIIIIM!”. Silvio Santos circula
pelo palco, pega uma espada e pergunta: “Brasil, você troca a Monarquia
por essa República aqui?”. A luz se acende. O menino pensa. E
finalmente grita: “SIIIIIM!”. A plateia dá que dá risada.
O jogo continua. Silvio Santos não parece ter pena nenhuma do menino.
“Brasil, você troca essa República velha por… Deixa eu ver aqui. Ah,
sim. Por essa ditadura?”. O ritual se repete. Luz acesa e a resposta:
“SIIIIIM!”. E dá-lhe hahaes e hihiiis e alvoroço na plateia. “Má-oe. Não
é possível!”, diz o apresentador. “Vamos mudar um pouco. Deixa eu ver.
Ah, sim. Brasil, você troca essa ditadura por uma democracia liberal
novinha em folha?”. “NÃÃÃO!”, grita o menino, que de dentro da cabine
sonha apenas em terminar o jogo com uma bicicleta.
“Não tá fácil. Ele quer mesmo a ditadura. Hahae-hihiii”, diz Silvio
Santos. A plateia não parece entender o trocadilho impróprio para
menores. Ele continua: “Brasil, você troca a ditadura… por uma
Constituição Cidadã?”. Ao que o menino responde “SIIIIM”, sem saber que
está caindo numa arapuca. “E agora, você troca a Constituição Cidadã
por… Hahae-hihiii. Essa eu quero ver só”, diz Silvio Santos, fazendo
suspense. “Troca a Constituição Cidadã por um STF com Gilmar Mendes e
Alexandre de Moraes?”. Vocês já devem imaginar a resposta.
E por aí vão as trocas, algumas delas absurdas. E todas aleatórias.
Brasil não tem a menor ideia do que está fazendo. Troca a bossa-nova
pelo funk numa hora, a hiperinflação pelo Plano Real na outra. Troca
Dilma por Bolsonaro, mas logo em seguida troca Bolsonaro por Lula. Até
que chega o momento decisivo. A última troca. Aquela que poderá render
ao Brasil a sua tão sonhada bicicleta.
“Hahae-hihiii. O Brasil deve estar cansado, coitado. Então vamos para
a última chance. Vamos lá. Atenção. Hahae-hihiii. Brasil, você troca
tudo isso o que eu tenho desse lado esquerdo do palco – Lula, STF, MST,
Felipe Neto, André Janones, Lei Rouanet, censura, inflação, corrupção e
violência… Má-oe. Presta atenção, hein? Você troca tudo isso por… por…
por… por essa linda bicicleta?”, pergunta Silvio Santos. A plateia
emudece. O sonoplasta põe uma música de tensão. Os segundos passam como
se fossem décadas perdidas. Na cabine, a luz finalmente se acende. E o
menino Brasil não hesita:
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e o
ministro do STF Alexandre de Moraes.| Foto: Marcelo Camargo/Agência
Brasil
Todo mundo de que eles não gostam, que tem opinião
diferente da deles é “nazista”. Contra as pessoas e as empresas que
ainda se atrevem a pensar, a acreditar em liberdade, em liberdade de
expressão, em debate, contra elas vale tudo, todo tipo de segregação,
represália, perseguição. Os criminosos forjados são obrigados a
confessar os crimes que não cometeram, tipificados ou não. Mais do que
isso, precisam elogiar seus executores, pensar como aqueles que os
chamam de “nazistas”… E quem vai interromper as barbaridades, os abusos?
Que reação é possível contra o poder canastrão? Ministros do Supremo,
ministros de Estado, eles procuram um tipo de “solução final”, nessa
falta de caráter, nessa maldade descabida, jurando que fazem tudo pelo
nosso bem, para construir uma sociedade ideal, sem margem para falhas e
imperfeições.
Eles têm a fórmula para alcançar o inalcansável, e não há tempo a
perder. São vingadores contra bodes expiatórios. São o cataclismo mal
disfarçado de cura, de salvação. São fingimento escancarado,
contradição, hipocrisia. Acham mesmo que a enganação construirá uma nova
era, com seres humanos perfeitos, perfeitos como eles. Sua reengenharia
social, política, econômica é absolutamente, é comprovadamente
inviável… Vão impor o consenso, o discurso único, na força bruta, na
marra. Sobrevivem no abuso de autoridade, no assassinato de reputação,
no assédio judicial, na censura, na truculência estatal, na ditadura. Os
“antinazistas” de hoje são os novos nazistas, os comunistas de sempre.
Querem ser antinazistas, antifascistas, sem deixar de ser
totalitários. Não admitem adversários com chances de tirar deles o
poder. Acham que são heróis, semideuses, deuses. São brutais e selvagens
contra a brutalidade e a selvageria que criam
Defendem os campos de concentração nazistas, a crueldade, a tortura
contra todo e qualquer opositor, contra todos os conhecidos, os amigos e
os parentes de suas vítimas. A ameaça é ampla. Eles são assim. Não
falam dos campos de concentração soviéticos, os de Lenin e Trotsky, os
de Stalin, mas os defendem também. E os de Fidel Castro, Che Guevara…
São a favor das atrocidades cometidas pelo Partido Comunista Chinês. São
fascistas… Mussolini na veia: “Tudo no Estado. Nada contra o Estado.
Nada fora do Estado”. Eles são a porcariada toda, numa guerra contra as
democracias liberais, contra as heranças do judaísmo e do cristianismo.
Querem ser antinazistas, antifascistas, sem deixar de ser
totalitários. Não admitem adversários com chances de tirar deles o
poder. Gostam, mesmo que não admitam, de Hitler e Stalin, que se
admiravam, aliás… Adoram Marx e Engels, defensores de genocídio… E a
violência revolucionária que Lenin pregava contra “os elementos
vacilantes e rebeldes”. Eles têm o sentimentalismo dos tiranos. Acham
que são heróis, semideuses, deuses. São brutais e selvagens contra a
brutalidade e a selvageria que criam. São raivosos, e alimentam sua
raiva sem parar. São descontrolados querendo controlar todo mundo,
querendo controlar tudo.
VEJA TAMBÉM: Quem precisa de liberdade? As camadas de censura que vão nos proteger Há loucos no poder
Adotam princípios nazistas, fascistas e comunistas, mas querem
ser chamados de progressistas, de humanistas. Falam em “valores comuns a
toda a humanidade”, falam em paz, desenvolvimento, justiça, liberdade,
democracia. E o que fazem é mostrar e ranger os dentes, atacar e
destruir tudo isso. Trabalham para espalhar o terror… Debocham, ameaçam,
oprimem. Ninguém pode aceitar, nenhum de nós, a comunidade jurídica, a
Câmara dos Deputados, o Senado Federal… Ninguém pode aceitar, ou os
destruidores da esperança terão vencido.