quinta-feira, 4 de maio de 2023

STF ESTÁ REGULANDO AS REDES SOCIAIS AOS POUCOS

 

Via judicial

Por
Renan Ramalho – Gazeta do Povo
Brasília

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e o ministro do STF Alexandre de Moraes durante abertura do Seminario Politicas Judiciarias e Seguranca Publica. (O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e o mini


Dias Toffoli (à esq.) é relator de uma das ações que pode rever Marco Civil da Internet; Alexandre de Moraes (à dir.) defende regras mais amplas de moderação das redes sociais| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A decisão da Câmara de adiar a votação do projeto de lei das “fake news” deverá apressar no Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento de duas ações que, pela via judicial, vai impor algumas das regras de regulamentação das redes sociais previstas na proposta. Segundo apurou a Gazeta do Povo, o ministro Dias Toffoli, relator de uma dessas ações, poderá pautar o caso em junho para julgamento, caso o Congresso não avance com a matéria neste mês de maio.

Essa possibilidade foi comunicada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defensor da regulamentação, junto a líderes partidários, na tentativa de convencê-los a aprovar o projeto. Quando percebeu que não havia votos suficientes, ele resolveu adiar a votação.

Para ocorrer de forma rápida, a regulamentação das redes pelo STF poderá ocorrer em julgamento realizado no plenário virtual, no qual os integrantes da Corte proferem votos de forma remota, sem discussão presencial, ao longo de uma semana. Em julgamentos assim, o próprio relator da ação pode marcar a data, sem necessidade de que isso seja feito pela presidente do STF, a ministra Rosa Weber, que pauta as ações julgadas no plenário físico.

Toffoli considera que já existe maioria de ao menos 6 votos, entre os 11 ministros da Corte, favoráveis a uma revisão de uma regra do Marco Civil da Internet que, fora algumas exceções, retira das plataformas digitais a responsabilidade pelo conteúdo postado por seus usuários.

Trata-se do artigo 19 da lei, segundo o qual as empresas de tecnologia só podem ser punidas por uma postagem ofensiva – pagando indenização à vítima da ofensa –, caso descumpram uma ordem judicial de remoção daquele conteúdo. Significa que caberá ao juiz, após ser acionado pela vítima, averiguar se de fato determinada postagem viola a honra ou a imagem da pessoa ofendida. O objetivo da norma é proteger a liberdade de expressão e a reservar ao Judiciário o papel de avaliar se publicações feitas pelos usuários das redes são ou não ilícitas.

O STF, no entanto, tem sido provocado a determinar que, em algumas situações específicas, a plataforma também poderá responder – e portanto, ser punida – independentemente de ordem judicial caso mantenha no ar conteúdos que incentivem “atos antidemocráticos”, que representem ofensas ou supostas ameaças a autoridades e instituições; que divulguem “fatos sabidamente inverídicos” ou “gravemente descontextualizados” sobre o processo eleitoral; que contenham “discursos de ódio”, que promovam racismo, homofobia, preconceito de origem, raça, sexo, cor e idade; bem como divulguem ideologias “odiosas”, como nazismo e fascismo.

Esses termos, apesar de vagos, já vêm sendo usados pelo ministro Alexandre de Moraes como base para remover, mediante provocação ou mesmo por sua própria iniciativa, postagens que ele considera ilícitas, ou “contrárias ao Estado Democrático de Direito”, no âmbito dos inquéritos das fake news e das milícias digitais, focados sobretudo em investigar políticos, influenciadores e jornalistas de direita e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As mesmas expressões foram usadas, por exemplo, na decisão desta terça-feira (2) na qual Moraes determinou que o Google, a Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp), o Spotify (tocador de música e podcasts) e a produtora de vídeos Brasil Paralelo apagassem todos os anúncios, textos e informações publicadas num blog institucional do Google críticos ao projeto de lei das fake news. Ele ainda mandou a Polícia Federal interrogar os executivos das empresas, dizendo que elas teriam ampliado o alcance das críticas à proposta em discussão no Congresso.

Dentro do STF, Moraes é um dos maiores defensores da regulamentação das redes sociais. Na própria decisão, ele escreveu que “é urgente, razoável e necessária a definição – LEGISLATIVA e/ou JUDICIAL –, dos termos e limites da responsabilidade solidária civil e administrativa das empresas; bem como de eventual responsabilidade penal dos responsáveis por sua administração” (as letras maiúsculas e grifadas são da própria decisão). Era o recado claro de que, caso o Congresso não legisle, o próprio Supremo poderá regulamentar as redes.

Além de fiscalizar o conteúdo de postagens, Moraes também tem imposto multas pesadas e prazos apertados para cumprimento de suas decisões por parte das empresas. Esses procedimentos foram criados por ele no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e na semana passada, foram propostos, também por ele, para serem incorporadas ao PL das Fake News. Outro interesse do ministro e que também é objeto da proposta do Congresso, é desvendar como as plataformas distribuem o conteúdo, promovendo certas postagens e reduzindo o alcance de outras, a depender do perfil do usuário. Na decisão contra Google e Facebook, ele requisitou explicações sobre como elas usaram seus algoritmos para impulsionar conteúdos críticos ao projeto de lei.

Do que tratam as ações em andamento no STF
As ações que podem revisar a regra do Marco Civil da Internet estão prontas para julgamento. Além do caso relatado por Dias Toffoli, há outra ação sob relatoria de Luiz Fux – a diferença é que esta foi proposta antes da lei, editada em 2014. Mas o tema é o mesmo: a possibilidade de punir as plataformas pelo fato de deixarem no ar conteúdos considerados ofensivos.

As ações em discussão no STF foram ajuizadas pelo Google e pelo Facebook. Elas basicamente recorreram de outras decisões judiciais que impuseram a elas multas, de R$ 10 mil cada, por causa de postagens ofensivas a pessoas inseridas nas plataformas por terceiros.

No primeiro caso, uma professora de Belo Horizonte acionou a Justiça em 2010, após se deparar com um grupo, criado no antigo Orkut, cheio de comentários de alunos contra ela. No segundo caso, uma dona de casa do interior de São Paulo notou que, em 2014, alguém criou um perfil falso com seu nome e foto no Facebook que disparava xingamentos contra seus familiares.

Nos dois processos, as empresas concordaram em remover essas postagens após uma ordem judicial, mas não a pagar pelo tempo em que elas permaneceram no ar antes de sua avaliação pelo Judiciário, daí o recurso ao STF.

Nos últimos anos, porém, a discussão se ampliou e agora se cogita responsabilizar diretamente as plataformas não apenas por conteúdos ofensivos à honra de uma pessoa, mas também aqueles considerados nocivos ou danosos a autoridades, instituições, minorias sociais, ou mesmo políticas públicas.

O que há de comum entre as ações no STF e o PL das Fake News
A hipótese de responsabilização das empresas por manter no ar conteúdos desse tipo está prevista no PL das Fake News. Ele diz que elas seriam obrigadas a adotar um “dever de cuidado”, de modo que atuem de “diligentemente para prevenir ou mitigar práticas ilícitas no âmbito de seus serviços”.

Pelo texto da proposta, para não serem punidas com multas ou até suspensão de suas atividades, as plataformas deverão provar ao poder público, com relatórios e dados internos, que se esforçam para combater a disseminação de conteúdos de terceiros que possam configurar crimes contra o Estado Democrático de Direito, terrorismo, racismo, violência contra a mulher, infração sanitária, instigação ao suicídio e violência contra crianças e adolescentes.

Algo semelhante poderia ser feito no âmbito das ações no STF. O Marco Civil da Internet já prevê que as empresas podem ser punidas, independentemente de ordem judicial, caso mantenham no ar conteúdo que viole direitos autorais ou divulguem imagens íntimas não consentidas (os conhecidos “nudes” ou cenas de sexo não autorizadas). Há bastante interesse da maior parte dos ministros em abrir novas exceções, de modo que as próprias plataformas sejam punidas caso não removam, por iniciativa própria, aqueles outros conteúdos. Bastaria que fossem notificadas extrajudicialmente por usuários ou terceiros sobre eles.

É o que defenderam recentemente, numa manifestação enviada à Corte, professores e pesquisadores da FGV Direito Rio, instituição bastante influente em discussões sobre direito digital. Como o Supremo não pode reescrever a lei, a ampliação das hipóteses de responsabilização direta das redes seria feita por meio de uma técnica decisória conhecida como “interpretação conforme a Constituição”. Na prática, sem mexer no texto legal, o STF decide como determinada regra – no caso, o artigo 19 do Marco Civil da Internet – deve ser aplicada.

“A ampliação do poder político-econômico das grandes empresas de plataformas digitais e o aprimoramento de suas técnicas de moderação de conteúdo justificam a necessidade de imposição de maiores deveres de diligência”, diz a manifestação da FGV Direito Rio. Assim como o texto do PL das Fake News, os autores dizem que elas devem prevenir “riscos sistêmicos” consistentes na violação de liberdades e direitos fundamentais que possam conflitar com a liberdade de expressão dos usuários.

O que dizem as plataformas no STF
Nos recursos junto ao STF, Google e Facebook alegam que já removem, por iniciativa própria, uma série de outros conteúdos que, além de ilegais, também ferem seus termos e condições de uso, sobretudo de incitação à violência e, recentemente, também aquelas que lançam suspeitas sobre as urnas eletrônicas – política adotada após pressão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano passado. Mas consideram que o ideal é que o Judiciário avalie e aponte o que deve ser removido, de forma específica, caso a caso.

Se essa tarefa for imposta a elas, o risco é que, diante da obrigação de retirar do ar conteúdos proibidos com termos vagos, subjetivos e mutáveis, a depender do contexto –  tais como “antidemocráticos”, “extremistas”, “odiosos”, etc. – a tendência é que, para eliminar qualquer risco de serem punidas com multas pesadas, elas passem a apagar uma enorme quantidade de conteúdos que possam ser interpretados assim, mesmo que sejam perfeitamente lícitos – como uma crítica a alguma autoridade ou política pública por exemplo –; daí vem o risco de censura numa eventual revisão do Marco Civil da Internet.

“Trocar a segurança do artigo 19 por um regime de responsabilização baseado em critérios abertos ou pouco precisos levaria a um cenário extremamente problemático, com uma série de consequências negativas. Incentivaria as plataformas a presumir a ilegalidade de todo conteúdo controverso, porque essa é a forma mais racional de evitar o risco de responsabilidade civil. Desestimularia o comportamento responsável das pessoas, na medida em que a conta de sua irresponsabilidade seria transferida para as empresas. E incentivaria uma enxurrada de novas ações judiciais de indenização contra as plataformas, muitas vezes motivadas pela facilidade de litigar sem custos”, disse, em recente audiência pública sobre o tema no STF o advogado e representante do Google Guilherme Sanchez.

Na mesma audiência, em nome do Facebook, o advogado Rodrigo Ruf Martins alertou que eventual revisão do artigo 19 do Marco Civil da Internet levaria as plataformas a um aumento expressivo de remoção de “conteúdos críticos tão importantes para o debate público e para a democracia”. “Eles acabariam removidos, mesmo sem violar a lei ou as políticas, mas como forma de mitigação de riscos jurídicos. O efeito inibidor já é conhecido e poderia levar ao comprometimento do exercício da liberdade de expressão e tornaria a internet no Brasil menos dinâmica e inovadora”, afirmou.


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VITÓRIA DA MOBILIZAÇÃO POPULAR CONTRA O PL DA CENSURA

 

Por
Marcel van Hattem – Gazeta do Povo

Bras’lia (DF) 18/04/2023 – O presidente Luiz Ina‡cio Lula da Silva (e) conversa com ministro da Justiça, Fl‡avio Dino (c) e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes (d), durante reuni‹ão com chefes dos Três Poderes, governadores e ministros, para debater formas de reforçar a segurança no ambiente escolar ap—ós os epis—ódios de violência em Blumenau (SC) e em Sã‹o Paulo (SP) nos úœltimos dias. Foto: JoŽdson Alves/ Agência Brasil


O presidente Lula, O ministro da Justiça Flávio Dino e o ministro do STF Alexandre de Moraes: PL das Fake News tem apoio de Lula e do STF.| Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O país se mobilizou, nos últimos dias, para barrar o PL da Censura (2630/2020) e obteve uma vitória provisória: a iniciativa autoritária foi retirada de pauta na noite de terça-feira, 2 de maio. O apelido mais conhecido do projeto nesse curto período de tempo chegou a mudar, tamanha a repercussão do tema: de PL das Fake News, supostamente para combater desinformação e mau uso das redes sociais, passou a ser chamado pela população por aquilo que tenta tornar lei no Brasil: PL da Censura, uma restrição severa à liberdade de expressão. Refletindo mais a respeito e observando tudo o que ocorreu em torno da discussão do PL 2630/2020, porém, percebe-se que a proposta é muito mais do que uma autorização legislativa para a volta da censura no país. A proposta define, na verdade, se a Câmara vai se curvar à ditadura em curso do Poder Judiciário e do Poder Executivo ou se vai se manter firme na defesa da liberdade de expressão e ao lado da Constituição.

O Congresso Nacional é o último bastião de defesa das liberdades em uma democracia quando as demais instituições sucumbem. É no Parlamento, em particular na Câmara dos Deputados, que se encontra a pluralidade eleita para representar a população brasileira, da esquerda à direita, passando por um amplo centro. Não obstante essa importância capital, a própria Casa Legislativa tem hesitado em se impor e colocar-se no lugar de importância e relevância junto ao povo brasileiro. Muitas vezes, vergonhosamente, tem feito o oposto e se curvado aos demais poderes.

O recado claro do povo brasileiro é o de que não aceitará viver sob uma ditadura no Brasil.

As decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde o inquérito das fake news em abril de 2019, passando pela resolução inconstitucional do TSE durante o segundo turno das eleições de 2022 até as prisões ilegais de manifestantes em frente ao QG em Brasília, no dia 9 de janeiro, sem qualquer prova individualizada de participação nas depredações ocorridas no dia anterior, são todas sem base legal – ou seja, ilegais. Completamente inerte, as presidências de ambas as Casas do Parlamento brasileiro assistem às ações abusivas sem se pronunciar.

Milhares de pessoas e empresas brasileiras estão neste momento enfrentando severas restrições às suas liberdades por caprichos ilegais do Tribunal Supremo. Redes sociais suspensas, contas bancárias bloqueadas, passaportes de cidadãos brasileiros cancelados, tornozeleiras eletrônicas e prisões preventivas sem as condicionantes são exemplos dos abusos em curso no país. Já o Poder Executivo sob a presidência de Lula da Silva – que pela lei e decisão de todas as instâncias do Judiciário brasileiro deveria estar preso por seus crimes, mas foi solto por decisão de ministros do STF indicados por ele e Dilma no passado – tem tomado decisões ilegais e abusivas todos os dias: nomeações irregulares no governo e em estatais, decretos suspendendo leis, sem falar na descarada liberação de emendas parlamentares em troca de votos a favor do PL.

O Parlamento tem de resistir às iniciativas autoritárias se não quiser perder a condição de último recurso institucional de combate ao arbítrio e à opressão.

Na discussão do PL da Censura percebeu-se nitidamente como os interesses ilegais e práticas autoritárias de ambos os poderes podem andar em conjunto. O exemplo do que ocorreu com a empresa Google basta. Ao informar seus usuários em sua página inicial sobre alguns dos efeitos negativos do PL 2630/2020 sobre seus serviços e pedir, legitimamente, por mais debate, foi alvo do governo Lula e do Poder Judiciário ao mesmo tempo, com ações abusivas, arbitrárias e ameaçadoras. Um verdadeiro cala-boca, com tintas de exemplaridade, para quem ousar fazer o mesmo.

O Ministério da Justiça constrangeu a empresa, por meio de sua Secretaria Nacional do Consumidor, com uma medida cautelar para obrigar que o Google tratasse como publicidade o material informativo sobre o PL da Censura, sob pena de multa de um R$ 1 milhão por hora; o STF, em decisão do ministro Alexandre de Moraes, determinou a presença do presidente da Google diante da Polícia Federal em até cinco dias. Enquanto a Rede Globo e outros poderosos meios de comunicação fazem livremente campanha a favor do PL da Censura, quem atreveu-se a manifestar contra a proposta está sendo perseguido. A censura a quem manifesta opinião divergente do governo Lula e do que defende o Poder Judiciário (que, aliás, em matéria de processo legislativo não deveria fazer nada mais do que se calar por determinação legal) já está em curso, o que me faz defender que o PL 2630/2020 seja mais adequadamente renomeado de PL da Censura para PL da Ditadura.

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Na verdade, o projeto parece ter como intenção principal dar aos poderes Executivo e Judiciário, com o vergonhoso apoio de parte expressiva da mídia brasileira, a maioria em apuro financeiro, a oportunidade de passar o recado à sociedade de que também o Legislativo, última trincheira da luta pela liberdade em qualquer democracia representativa, embarcou na sanha autoritária em vigor e está convalidando, assim, todos os atos ilegais já executados. Como se isso fosse possível, em primeiro lugar, pois a lei não retroage. Felizmente, graças à articulação da oposição na Câmara dos Deputados e da massiva pressão social, o PL da Censura foi retirado de pauta nesta terça-feira. Em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e outras partes do Brasil, o povo venceu o medo de se manifestar em público e chegou a ir às ruas, aos milhares.

O recado da população vai muito além de uma manifestação contra a censura, que já é explicitamente vedada pela Constituição e jamais poderia estar sendo discutida no Parlamento, muito menos por projeto de lei. O recado claro do povo brasileiro é o de que não aceitará viver sob uma ditadura no Brasil. O Parlamento tem de resistir às iniciativas autoritárias se não quiser perder a condição de último recurso institucional de combate ao arbítrio e à opressão. E o povo brasileiro, quanto mais se manifestar nas redes e voltar a sair às ruas para protestar agora, menos chance terá de perder completamente seu direito à liberdade de expressão para sempre. Não ao PL da Ditadura!

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INGERÊNCIA E ATUAÇÃO DO GOVERNO PARA AUTOPROMOÇÃO CAUSA CAOS NA TERRA YANOMAMI

Amazônia

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


Ações de segurança na terra indígena yanomami, com desmonte de acampamentos de garimpeiros.| Foto: Leo Otero/MPI

Os corpos de oito garimpeiros foram encontrados na região yanomami. Foi morto um agente de saúde de etnia indígena, num confronto com garimpeiros; há dois feridos que, segundo a informação oficial, estavam perseguindo uma canoa de garimpeiros que estavam em fuga e revidaram com tiros de espingarda. Agora aparecem garimpeiros mortos, jogados na água, inclusive a flechadas. Houve também mais quatro garimpeiros mortos em confronto com a Polícia Federal. Quem fez isso, o que está acontecendo por lá?

Vou usar a informação oficial: destruíram os acampamentos dos garimpeiros, uma destruição muito grande, de 327 acampamentos. Depois, impediram que os garimpeiros saíssem de lá: destruíram 18 aviões, dois helicópteros, centenas de motores, bombas, barcos, escavadeiras. Seriam 20 mil garimpeiros sem chance de sair. Os garimpeiros alegam que os indígenas também estão passando fome e atacam os garimpeiros por causa de comida, já amarraram garimpeiros.

Está havendo um confronto lá dentro. Quem é o responsável por isso? Muitas vezes há uma espécie de união: índio se torna garimpeiro, índio é sócio de garimpeiro, explorando na própria reserva, isso acontece em toda a Amazônia. Mas parece que o governo quis se promover, fazer publicidade, e estão aí as consequências: mortes. Não houve uma logística de retirada dos garimpeiros, e temos de pensar a respeito.

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Censura está no DNA da esquerda
Censores preveem derrota no Congresso e querem apelar ao STF
Depois que os governistas que queriam censurar as redes sociais perceberam que não teriam voto para isso e adiaram a votação, estão falando agora em resolver o impasse recorrendo ao Supremo. Mas não existe impasse; existiria se fosse algo que tivesse de ser solucionado imediatamente. Mas não foi o povo que inventou esse projeto; ele é obviamente apoiado pelo tradicional monopólio da informação, que não quer que o povo tenha voz, quer continuar dominando o povo; e apoiado pela ideologia que quer que o Estado domine a opinião pública, e que a opinião pública não seja dominada pelo público. Só para eles há impasse; para o povo brasileiro, não.

Além disso, Supremo não é órgão legislativo, não tem a procuração para fazer leis dada pelo voto popular a deputados e senadores, muito menos para mexer em assuntos que a Constituição (da qual o Supremo é o guardião) já baniu em 1988. Está lá escrito, no artigo 220, parágrafo 2.º: “É vedado todo e qualquer tipo de censura”. Então, esse é assunto que nem sequer se possa discutir, porque está banido pela Constituição.

Supremo agora adota o julgamento no atacado
Falando em Supremo, temos agora julgamentos por lote, julgamentos coletivos. Foram 100, depois 200 de uma vez só, agora está julgando 250. Julgamento por atacado, coisa que já vimos na parte mais triste da história da humanidade. Só os ministros André Mendonça e Nunes Marques têm divergido; todos os outros estão confirmando as denúncias, uma parte como “executores” e outra parte como “incitadores” de uma tomada violenta do poder que não aconteceu, e nem aconteceria. Ficaram todos lá se olhando, coisa que a CPI mista vai esclarecer, ouvindo todos os personagens desse 8 de janeiro. O interessante é que este nem sequer é um julgamento presencial, é via digital, é pelo voto eletrônico, que converte em réus um grupo de 250 pessoas de uma vez só, sem aquela personalização do réu, como aconteceu, por exemplo, no julgamento de Nuremberg.

ESPECIAL
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FURACÃO DO PL DA CENSURA QUASE NOS LEVOU À DITADURA

Por
Luiz Philippe Orleans e Bragança – Gazeta do Povo


O PL das Fake News, que está sendo chamado de “PL da censura” pela oposição, prevê uma maior responsabilização das redes sociais em relação a conteúdos publicados por terceiros| Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Passado o furacão do PL da Censura que quase nos levou à ditadura, ficam os alertas e os aprendizados. Para atualizar como foi o processo até agora, vamos ao contexto. Semana passada foi pautada a urgência do Projeto de Lei 2630 na Câmara para driblar o debate nas comissões. Antes da votação, os deputados da oposição se mobilizaram para tentar convencer o máximo de colegas a votarem contra e estavam confiantes na composição da “maioria conservadora”, eleita na Câmara em 2022. Pasmem, a urgência passou.

Nesta semana foi a vez de votar o mérito do projeto. Exaurido os recursos dos deputados da oposição para convencer seus pares, vários apelaram para a sociedade, que respondeu em grande estilo. Foram mobilizadas as redes sociais e as ruas, e invertido o quadro de deputados que antes apoiavam a urgência. O governo, percebendo que não teria votos, resolveu retirar o projeto de pauta para que não fosse rejeitado e contabilizasse uma perda política importante. É uma vitória da ação da sociedade, que desde os atos de 8 de janeiro estava dormente e retraída. Mas é também um alerta para o plano totalitário da esquerda que tem tudo para avançar se a direita não incorporar aprendizados importantes.

Ditadura nenhuma se sustenta sem censura, portanto eles não deixarão esse revés ficar assim.

Aprender o quê? Que a força bruta, a propaganda e a censura formam as bases de toda ditadura. O atual governo já contava com o poder de coerção do Judiciário, e para fazer propaganda, elencou bilhões na “compra” de veículos de mídia, tornando-os braços da agenda política do governo. Entretanto, o fato de as mídias tradicionais serem pagas e descaradamente pró-governo tem gerado perdas para elas mesmas em audiência e relevância junto à opinião pública.

A divulgação de informação qualificada “pessoa para pessoa”, representada pelas redes sociais, já atropelou jornalistas e jornais há alguns anos e nesse processo defenestrou “especialistas” e editoriais que tanto influenciavam a sociedade. A partir dessa nova realidade, as ditaduras de esquerda têm tomado medidas mais enérgicas para censurar as redes sociais.

Com a retirada de pauta do projeto o governo ganha tempo para comprar mais votos para seu projeto totalitário.

E a oposição, não sabia? O que chocou tanto parlamentares como a sociedade que elegeu “uma maioria conservadora” é que o projeto de censura do governo teve sua urgência aprovada com apoio de congressistas que deveriam estar compondo votos com a oposição, mas não estavam.

Desavisados? Alguns, certamente sim, pois é óbvio que nenhum projeto que viole a constituição e direitos fundamentais será apresentado como tal, senão com uma espessa camuflagem para garantir apoio e alimentar propaganda enganosa sobre o tema. Infelizmente, não foram só desavisados que votaram pela censura; há uma realidade mais sinistra que explica esse contrassenso: os parlamentares que compõem a direita não são coesos.

O PL das Fake News, como governo, mídia lulista e esquerda o chamam, é tudo, menos um projeto para garantir a liberdade de expressão e combater fake news.

Para entender o cenário, os deputados na Câmara se dividem entre partidos e entre bancadas temáticas. Por exemplo, os partidos que se colocaram inicialmente como sendo de oposição (PL, PP, Republicanos), não obtiveram 100% de coesão no voto da urgência. As bancadas que compõem as bases temáticas da direita (bancadas da Segurança Pública, do Agronegócio e da Bíblia), também.  Isso quer dizer que os temas fake news e censura são menos ideológicos? Não. Significa que outros fatores obscuros ao público prevalecem na Câmara:

  1. Violação do debate: O projeto de urgência foi votado antes que o texto final ficasse pronto.  Ou seja, os parlamentares foram orientados, cooptados ou mesmo “comprados” para votar por uma urgência sem saber dos detalhes finais do texto. Grave.
  2. Lideranças partidárias cooptadas: Normalmente, os líderes de partido preferem fazer acordos a rejeitar projetos do governo. Troca-se um projeto por outro sem que os temas estejam interligados. Não raro aparecem orientações favoráveis a projetos absurdos para que se obtenha apoio a outro projeto totalmente distinto. É o “toma lá, dá cá” que ainda prevalece, graças ao arco-íris de partidos mantidos vivos pelo voto proporcional.
  3. Bancadas da Bala, da Bíblia e do Agro: As bancadas temáticas “da direita” não andam unidas. É fácil atender as demandas de cada uma delas para se obter apoio individual. Mais financiamento para o agro, melhor remuneração para as polícias e mais concessões de TV e rádio para as igrejas é o bastante para colocá-los no colo do governo.
  4. Parlamentares oportunistas: Muitos deputados se elegeram com as pautas do agro, da segurança e dos valores religiosos, mas nem todos representam os três segmentos, e nem votam por outros temas da direita. Muitos desses oportunistas mal saberiam definir o que é “a direita”, o que configura um vácuo ideológico maior.
  5. Falta um manifesto pela liberdade: A visão, os objetivos e a agenda política da direita não existem. Hoje, a macro visão da direita consiste em defender valores, os objetivos se resumem a vencer eleições e a agenda política é simplesmente rejeitar a agenda da esquerda. Ou seja, a direita só reage e não comanda a agenda porque não tem uma. A falta de uma visão comum e aceita entre todos os partidos e bancadas que compõem a direita criou uma cegueira coletiva e por essa razão não há agenda para atingir objetivos políticos.

O PL das Fake News, como governo, mídia lulista e partidos de esquerda o chamam, é tudo, menos um projeto para garantir a liberdade de expressão e combater fake news. O projeto visa à criação de uma burocracia central que irá institucionalizar as arbitrariedades, gerar interpretações mutáveis e interferência constante, que governo e Judiciário já exercem. Ou seja, vai legalizar a censura e as violações constitucionais, como vem ocorrendo, tornando-as legítimas. Isso é para melhorar a vida das pessoas e dos diversos segmentos da economia? Não. Como diria Saul Alinsky “a causa nunca é a causa” e tornar o país melhor para o cidadão nunca foi o objetivo deles, mas controlá-lo sempre foi.

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A transição para ditadura
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A Outra Ordem Mundial e o Brasil


E agora? Com a retirada de pauta do projeto o governo ganha tempo para comprar mais votos para seu projeto totalitário. Ditadura nenhuma se sustenta sem censura, portanto eles não deixarão esse revés ficar assim. Como dizia Hugo Chávez quando não conseguia avançar: “por ahora…”.

A sociedade que não quer viver numa ditadura e se mobilizou contra o PL da Censura certamente tem uma lição de casa. Quem sabe os ativistas frustrados com a falta de coesão da direita convençam os partidos e as bancadas temáticas da direita a adotarem um manifesto comum? Até agora, a falta de coesão entre nossos quadros deve se repetir e a sociedade deve voltar a ficar em alerta máximo para agir.


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PERSEGUIÇÃO AO BOLSONARO POR CAUSA DE CARTÃO DE VACINA PARA DESVIAR FOCO DO PL DA CENSURA

 

Cortina de fumaça: PF na casa de Bolsonaro quer desviar foco da PL da Censura
Por
Rodrigo Constantino – Gazeta do Povo


A PF realizou uma operação na manhã desta quarta (3) para investigar a inserção de dados falsos sobre vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi um dos alvos. A PF cumpriu um mandado de busca na casa dele e apreendeu o celular do ex-presidente. Na mesma operação, batizada de “Venire”, o ex-assessor de Bolsonaro Mauro Cid foi preso.

Bolsonaro já disse que não se vacinou, e não precisava de cartão de vacina para entrar nos Estados Unidos como chefe de Estado. Tudo isso é muito estranho, claro, mas ninguém à esta altura deveria analisar o Brasil dentro de uma lente de normalidade institucional. O Brasil é um país que solta traficantes e devolve seus bens, incluindo helicóptero, inocenta Lula e Sergio Cabral de seus crimes de corrupção, mas prende o ex-assessor direto de Bolsonaro por uma suposta falsificação no cartão de vacina.

E nas redes sociais e na velha imprensa, muitos “jornalistas” comemoram. Alguns mencionam que Mauro Cid tem cara de quem, sob pressão, revelaria “tudo”, ou seja, aplaudem o arbítrio para ver se encontram qualquer coisa concreta contra o ex-presidente, o que falhou até aqui. São esses os instrumentos de uma ditadura.

Nenhuma tirania foi implantada sem a conivência dos “moderados” que desejavam algum interesse imediato. Achar normal uma operação dessas num país que não tem mais qualquer preso da operação Lava Jato e tem Lula presidente após malabarismos é uma piada de mau gosto. Os bandidos venceram, eis o fato. Perdeu, mané.

E eis que, num passe de mágica do Xande, cujo inquérito é elástico ao infinito para caber absolutamente tudo, o assunto no país passou a ser o cartão de vacinação do Bolsonaro, e não o adiamento por medo da derrota do PL da Censura pela esquerda comunista global. Cortina de fumaça encomendada? Tem toda pinta.

E “fishing”, claro. Com o telefone de Bolsonaro em mãos, a Gestapo do Supremo pode tentar encontrar alguma coisa qualquer. A esquerda já bate bumbo nas redes sociais, pois precisava só de narrativas e pretextos, e já pularam a fase do “inocente até prova em contrário” e “devido processo legal”.

Terminei ontem de assistir “O Irlandês”, de Scorcese, sobre a máfia italiana nas décadas de 60-70 e a figura marcante de Jimmy Hoffa, o líder sindical. É bom lembrar como máfias, sindicais ou italianas, agem. São marginais da pior espécie. O quanto antes nos dermos conta de que não estamos lidando com uma situação normal no Brasil, mas sim com máfias poderosas, melhor será para a adaptação necessária. Nada pior do que a falsa esperança, a ilusão sem embasamento na realidade.

O sistema podre e carcomido se uniu aos comunistas para eliminar a direita verdadeira do mapa, e não vai sossegar até realizar seu objetivo. Nada disso foi sem aviso, sem alerta de quem acompanhou com atenção cada etapa. No dia em que um ex-governador mafioso do Rio tem suas condenações apagadas por “suspeição” do juiz, Bolsonaro recebe a PF em sua casa, tem celular apreendido e seu ex-braço direito preso. Por um cartão de vacina! E a imprensa finge que está tudo normal no país. A velha imprensa estaria no bolso da máfia?


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STEVE JOBS MUDOU O MUNDO COM AS SUAS IDEIAS E PROPÓSITO

 

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Steve Jobs mudou o mundo com suas ideias e propósito, entretanto, lidava com problemas na hora de trabalhar em equipe

Stay hungy, stay foolish — Steve Jobs

A frase acima é um lembrete de Steve Jobs à necessidade de estarmos sempre buscando mais, sempre com fome por uma próxima conquista (stay hungry) e ao mesmo tempo, sempre buscando aprender, sempre admitindo que não sabemos tudo e que podemos melhorar (stay foolish).

Quando Steve Wozniak foi a primeira pessoa na história a apertar uma tecla em um teclado e ver aquilo aparecer na tela, de certa forma, dando início ao que conhecemos hoje como computadores.

No momento em que aquilo aconteceu, ele não foi capaz de acreditar no que estava vendo, ele não acreditava que aquilo realmente estava funcionando, e correu para mostrar os resultados ao seu melhor amigo, Steve Jobs.

Jobs ficou admirado com o que estava vendo, e imediatamente começou a pensar em todas as possibilidades, e a fazer perguntas a respeito do que poderia ser feito com aquilo.

Wozniak’s tinha um objetivo simples, ele queria dar aquele computador e planos sobre como fazer outros para os seus amigos no Homebrew Computer Club, mas Jobs sabia que aquela era uma invenção muito importante para ser simplesmente dada.

Ele viu uma oportunidade naquele momento.

Jobs foi capaz de perceber a revolução tecnologia que estava acontecendo ao seu redor, e que com aquele computador ele poderia criar uma empresa que tomaria a dianteira desse movimento. Assim, ele convenceu Wozniak a se tornar seu parceiro de negócios e juntos fundaram a Apple Computers.

COMEÇANDO UMA REVOLUÇÃO

Steve Jobs (foto: Tim Mosenfelder / Correspondente via Getty Images)

Woz e Jobs começaram a trabalhar no desenvolvimento do Apple I, seu primeiro modelo construído sob a nova marca, Woz desenvolveu o produto e Steve era responsável por conseguir pessoas interessadas em comprar.

Após uma apresentação ao vivo do novo produto, Steve conseguiu fechar um acordo de venda de 50 unidades do Apple I para uma pequena loja em Palo Alto. Uma excelente notícia, se não fosse o fato de que eles não tinham nem os componentes, recursos ou pessoas para suprir aquela demanda. Mas isso não importava para Jobs                                                                                             Ele então começou a atrair as pessoas para se juntar ao seu novo time. Convenceu seus amigos e Woz a trabalharem horas e horas após seus trabalhos do dia a dia para conseguir cumprir o contrato, e eles conseguiram.

Após isso Jobs teve a certeza de que havia encontrado algo especial, e era hora para levantar algum capital.

Ele passava horas e horas usando o telefone na casa dos seus pais conversando com investidores. Ele foi rejeitado dezenas de vezes. Jobs estava pedindo muito dinheiro, por pouquíssimo equity em um negócio extremamente arriscado.

Mas isso não o desencorajou. Ele sabia que era possível.

Então, após diversas rejeições ele finalmente conseguiu um investidor. Mike Markkula, um investidor que havia feito bastante dinheiro após investir na Intel, comprou 33% da Apple por $250.000 dólares.

Com o dinheiro de Markkula, a Apple Computer estava pronta para construir o produto que a colocaria definitivamente no mapa, o Apple II

O CAMPO DE DISTORÇÃO DA REALIDADE

À medida que a empresa crescia, cada vez mais rápido, o estilo inconvencional de Jobs era colocado cada vez mais a mostra. Ele queria que todos os detalhes de todos os produtos fossem sempre perfeitos. Ele era obcecado pela qualidade e destratava os membros do seu time por entregarem o que ele considerava “shit work” (ou trabalho de merda).

O board administrativo da Apple então decidiu que ele não estava pronto para estar a frente da empresa como um todo, e o colocou para chefiar somente um produto; o Macintosh.

Ao se unir ao time do Macintosh, Jobs mostrou aquilo que era tanto seu melhor talento, quanto sua maior fraqueza — o seu campo de distorção da realidade. Para Jobs, tudo em sua mente não era somente possível, mas também, uma realidade.

Ele fazia com que os engenheiros entregassem algo que levaria mais de um ano para ser concluído em 6 meses. Pedia para que o time trabalhasse em suas visões quase insanas do futuro. E uma vez que eles começassem a trabalhar nas ideias malucas de Steve, eles viam que aquilo realmente poderia funcionar.

“Vocês fizeram o impossível, pois não sabiam que era impossível.”

A frase foi dita por Debby Coleman, uma das engenheiras no time do Macintosh. Ela foi uma das muitas pessoas inspiradas a questionar as regras do que conheciam sobre o mundo e sobre a computação.

Um exemplo clássico de como o campo de distorção de Jobs funcionava, foi quando ele passou a se sentir frustrado com o tempo que o Macintosh levava para ligar. Um dos engenheiros disse que era simplesmente impossível tornar aquilo mais rápido, Jobs então perguntou:

“Se o fato do Macintosh ligar 10 segundos mais rápido, pudesse salvar uma vida, você conseguiria fazer?”

O engenheiro em questão então reduziu o tempo para ligar em 27 segundos.

Durante anos, Jobs e seu time mudaram as regras conhecidas enquanto desenvolviam o Mac. Então, em 1984 eles lançaram o Macintosh para o público. Era um computador pessoal poderoso, amigável, e com um preço acessível para a população. Seu maior feito na época.

Porém, o campo de distorção possuía um lado negativo. Jobs não obedecia regras, tomava o crédito pelo trabalho de outras pessoas, e frequentemente se negava a assumir o que era real, até mesmo se negando a aceitar um teste de paternidade que provava que era ele o pai.

Sua arrogância e gênio incontrolável acabaram irritando mais do que o limite do conselho da Apple poderia suportar, fazendo com que em 1985 ele fosse expulso da própria empresa.

A MENTE DIMENSIONAL

Steve Jobs possuía diversas falhas. Ele era arrogante, insensível e bastante frio mesmo com pessoas próximas em sua vida.

Porém, os motivos que faziam ele agir dessa forma, era os mesmos que permitiam que ele revolucionasse o mundo, o tornando um lugar melhor. Ele acreditava que as regras normais não se aplicavam a ele.

As regras sobre computadores serem somente ferramentas de trabalho, não se aplicavam. As regras sobre o que um engenheiro poderia fazer não se aplicavam. E quando ele voltou ao comando da Apple, 12 anos após ser expulso, as regras sobre como reerguer uma empresa que parecia fadada a terminar, também não se aplicavam.

Mas você precisa se tornar uma pessoa fria, arrogante e megalomaníaca para desenvolver a sua criatividade?

A resposta é não! O núcleo da criatividade de Steve Jobs vinha da “Mente Dimensional.”

A Mente Dimensional é aquela que está aberta, sempre buscando aprender e que não se prende as noções pré-concebidas do que é possível ou não.

Esse era o Mindset que permitia que Jobs visse o mundo de uma forma diferente. E assim como os times que trabalhavam com ele na Apple, você também o pode desenvolver.

COMO DESENVOLVER A CRIATIVIDADE DE STEVE JOBS

A Mente Dimensional é uma reflexão de como víamos o mundo quando éramos crianças. voltar a ver o mundo dessa forma abre um mundo de possibilidades.

Abaixo você pode ver algumas formas comprovadas de desenvolver a criatividade que Jobs possuIa com sua mente dimensional, sem a sua arrogância.

1 PRATIQUE A CURIOSIDADE

Você provavelmente acredita que muitas coisas ao seu redor sejam garantidas e fixas. Enxerga um carro como somente um carro, um computador como um computador e um celular como um celular. Mas da onde essas coisas vieram? Como elas funcionam?

Quando você era uma criança você costumava fazer perguntas assim: de onde algo veio? Como funciona? Por quê é assim? Não pode ser de outra forma?

Você era curioso sobre tudo a sua volta, e isso treinava o seu cérebro a ser mais aberto e a absorver mais conhecimento.

Mas a medida que você envelheceu, você perdeu parte dessa capacidade, na verdade, você foi condicionado a questionar menos e aceitar mais.

Reserve de 10 a 15 minutos todos os dias para observar o mundo a sua volta e ser mais curioso.

Veja tudo o que te cerca e simplesmente se pergunte “Por quê?”, da mesma forma que uma criança faria, questione, somente por questionar. Você só precisa abrir sua mente a questionar os padrões existentes.

2 MEDITE

Existem poucas formas melhores de treinar o seu cérebro do que a meditação. Uma das melhores coisas sobre meditar é como isso afeta seu cérebro positivamente, ajudando a ter maior clareza de pensamentos e reduzir o stress.

Jobs viajou pela Índia durante sua juventude onde aprendeu muito sobre Zen e espiritualidade, porém ele não foi muito feliz na aplicação dos conceitos no lado humano.

A meditação vai te ajudar não só a entender melhor as questões criadas pela sua curiosidade, como a se relacionar melhor com as pessoas a sua volta, ajudando a reduzir os efeitos negativos da distorção da realidade de Jobs.

3 SUPRIMA SEU EGO NA HORA DE TOMAR DECISÕES

Você não é suas ideias. Temos uma tendência natural de nos apegarmos a nossas ideias, isso é ainda mais forte entre empreendedores iniciantes, ou pessoas que pela primeira vez estão criando algo.

Mas a verdade é que isso pode ser um problema. Suas ideias serão confrontadas com a realidade e por outras pessoas, e ao se apegar muito a elas, você pode sentir como se aquele confronto fosse a você e não suas ideias, tornando o processo de aprendizado e melhora muito mais difícil.

Por isso, aprenda a controlar o seu ego e separar a sua imagem da suas ideias.

4 JULGUE MENOS

Existe uma grande chance de que se alguém te apresentasse o conceito do Uber 10 anos atrás, você achasse isso algo ridículo, porém hoje a empresa é uma das maiores do mundo.

A medida que perdemos nossa curiosidade natural e nossa capacidade criativa, passamos a julgar o que é diferente, e isso limita o quão inovadores podemos ser.

Muitas ideias são aparentemente idiotas no seu começo, e com isso acabamos também julgando as pessoas que surgem com essas ideias.

É preciso que você identifique quando estiver fazendo isso e não faça mais. Pare de julgar as ideias e pessoas a sua volta, ao invés disso, procure entender a situação como um todo, pergunte-se como aquilo poderia ser melhorado e adaptado, isso definitivamente terá consequências positivas.

5 SEJA CONSCIENTE DAS SUAS DECISÕES

Gostamos de nos ver como animais racionais, porém 45% das nossas decisões são tomadas de forma automática e subconsciente.

O que você decide comer? Ou qual roupa usar? Essas questões são respondidas em uma espécie de piloto automático, e tudo bem ser assim, afinal, você não precisa tomar cada decisão de forma reflexiva.

Porém, no trabalho é importante que você comece a questionar mais as suas próprias decisões e reflita sobre elas. Não assuma que por algo ter funcionado antes ele vai funcionar novamente, pense e reflita se não existe uma forma melhor.

Ao tomar decisões de forma automática você está essencialmente se fechando a criatividade e inovação. Por isso é importante que você comece a praticar e se torne mais consciente das decisões que está tomando.

CONCLUSÕES

Jobs sem sombra de dúvidas era uma pessoa fora da curva. Sua criatividade e capacidade de inspirar os outros eram incríveis, porém isso tinha um preço.

As dificuldades em manter relacionamentos, e mesmo a apropriação indevida do trabalho de outros são pontos muito problemáticos para pessoas que querem se desenvolver tanto pessoal, quanto profissionalmente.

Não serei aqui um mentiroso e falar que esse texto vai te ensinar a ter o mesmo poder criativo que Steve Jobs possuía, porém as dicas que dei aqui, vão te ajudar e muito a ampliar a sua criatividade.

Ao colocar esses conceitos em prática, você terá um boom na sua capacidade de entender o mundo a sua volta e de criar em cima disso. Agora, mãos à obra.

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quarta-feira, 3 de maio de 2023

VOTAÇÃO DO PL DAS FAKE NEWS FOI ADIADA NA CÂMARA

Redes sociais
Oposição vence primeira batalha

Por
Gazeta do Povo


Após forte onda de críticas por parte de políticos, entidades privadas e Big Techs ao PL das Fake News, expectativa de aprovação na Câmara foi reduzida| Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), decidiu adiar a votação do Projeto de Lei 2630/2020, chamado de PL das Fake News, que estava prevista para esta terça-feira (2). Ainda não há nova data para que a votação ocorra.

Lira seguiu a opinião da maioria das lideranças da Câmara, que foi favorável ao pedido de retirada de pauta feito pelo deputado governista Orlando Silva (PCdoB-SP), relator do projeto. Líderes de partidos de oposição foram contrários à retirada de pauta, por acreditarem que a votação nesta terça resultaria em derrota do governo.

A oposição fez pressão para que Lira marcasse uma nova data para a votação, sem sucesso. O governo e o presidente da Câmara querem margem de manobra para negociar com parlamentares e garantir uma votação favorável e, por isso, preferiram não fixar uma nova data.

Favorável ao PL das Fake News, o presidente da Câmara tentava, junto com a base governista, costurar acordos para que o projeto fosse votado nesta terça. As reuniões de última hora não surtiram efeito suficiente para dar confiança ao governo de que o projeto seria aprovado.

Antes da definição de retirada de pauta, Orlando Silva justificou o pedido de adiamento afirmando falta de “tempo útil para examinar todas as sugestões”. “Gostaria de fazer um apelo para que, consultados os líderes, pudéssemos retirar da pauta de hoje a proposta e pudéssemos consolidar a incorporação de todas as sugestões que foram feitas para ter uma posição que unifique o Plenário da Câmara dos Deputados num movimento de combater a desinformação e garantir a liberdade de expressão”, disse.

Lideranças de PP, Republicanos, PT, PDT, Psol, PCdoB e Patriota foram favoráveis ao adiamento; PL e Novo foram contra. “É de conhecimento de todos que fica inviável a votação dessa matéria. O relator recebeu mais de 90 emendas para um projeto que muitos não conhecem o texto (sic)”, afirmou o deputado André Fufuca (MA), líder do PP e representante do maior bloco da Câmara.

Lira afirmou que o pedido de Orlando Silva foi determinante para a decisão de retirada de pauta. “Ouvindo atentamente o pedido do relator – que para mim já é suficiente –, e os líderes, que na sua maioria encaminham por uma saída da manutenção do diálogo, o projeto não será votado na noite de hoje”, disse. O presidente da Câmara também deixou claro expressamente que não marcaria uma nova data, depois de ser instado pela oposição.

A proposta, focada no tema da responsabilidade das redes sociais em relação a conteúdos publicados por terceiros, entrou em regime de urgência na semana passada com votos favoráveis de 238 parlamentares. Na nova redação da proposta, o relator havia retirado dispositivos controversos, como a criação de uma “entidade autônoma de supervisão” que, segundo a penúltima versão do projeto de lei, deveria ser estabelecida pelo Poder Executivo.

Mesmo com as mudanças no texto, juristas consultados pela Gazeta do Povo apontaram aspectos preocupantes da proposta para a liberdade de expressão nas redes sociais.

Em discurso no Plenário na tarde desta terça, a deputada Bia Kicis (PL-DF) disse que o projeto, “além de censura, traz algo muito grave, que é o rompimento com o sistema jurídico pátrio”. “A Constituição não permite a censura. Ela rejeita, rechaça expressamente todo tipo de censura. Além disso, esse projeto vai permitir perseguição política – o que já vem acontecendo sem esse projeto, sem a lei. Nós temos sofrido perseguição por parte do Judiciário, que está aparelhado. O que esse Congresso vai fazer hoje se aprovar esse projeto vai ser legitimar a perseguição, a censura e o rompimento com o devido processo legal. E nós não podemos fazer isso. Isso seria o verdadeiro crime”.

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Lira defende responsabilização das Big Techs por ofensiva contra PL das Fake News

Criticado pela oposição por defender o adiamento da votação, Lira disse que seu posicionamento a favor da regulamentação das redes era em defesa da própria Câmara.

“Nós demos uma semana para que as Big Techs fizessem o horror que fizeram com a Câmara Federal e eu não vi ninguém aqui defender a Câmara Federal. Num país com o mínimo de seriedade, Google, Instagram, TikTok, todos os meios tinham que ser responsabilizados. Como você tem num site de pesquisa um tratamento desonroso com essa Casa?”, disse Lira.

Após a aprovação da votação em regime de urgência, empresas que controlam as maiores redes sociais se manifestaram publicamente contra o projeto de lei apoiado pelo governo Lula. Em nota divulgada no sábado (29), a Meta – dona de Facebook, Instagram e WhatsApp – argumentou que o projeto cria sistema “similar ao de regimes antidemocráticos” e traz conflitos com leis brasileiras relacionadas à internet, como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A empresa também apontou o risco de criar um “sistema permanente de vigilância, similar ao de países de regimes antidemocráticos”.

Dois dias antes, o Google publicou um comunicado com o título “Como o PL 2630 pode piorar a sua internet” criticando o projeto de lei. Para a empresa, a aprovação do projeto poderá prejudicar a liberdade de expressão, favorecer produtores de notícias falsas e colocar em risco a distribuição de conteúdo gratuito pela internet. O link para o manifesto da empresa foi incluído na página inicial do sistema de busca para todos os usuários brasileiros.

O Youtube foi outro a se posicionar. A plataforma de vídeos disse temer “enormes implicações para toda a internet, inclusive para os criadores de conteúdo do YouTube”.

Quais são os principais problemas do PL das Fake News
Em reportagem publicada pela Gazeta do Povo nesta segunda-feira (1º), juristas demonstraram preocupação com diversos pontos do projeto de lei.

Em primeiro lugar, o projeto obriga as plataformas a serem mais proativas em derrubar certos conteúdos considerados ilícitos. Diante da imposição de maior responsabilização às redes sociais – principal novidade da proposta –, as empresas donas dessas plataformas ficariam obrigadas a se estruturar para agilizar a remoção de conteúdos publicados por terceiros, o que acrescentaria uma camada de censura àquela que já vem sendo imposta pelo Judiciário brasileiro nas redes sociais.

Os juristas também criticam a falta de abertura ao debate e o açodamento na tramitação do projeto, que ainda não foi devidamente discutido por todos os setores da sociedade.

Outro problema apontado é a entrega do monopólio da verdade ao Estado, que teria maior poder sobre as redes sociais.

Um dos dispositivos do projeto fala na instauração de “protocolos de segurança” quando houver “risco iminente” – categoria com definição subjetiva. Isso pode gerar situações em que, por exemplo, uma rede social sofra censura ao não coibir a convocação para um protesto contra uma instituição do Estado, a depender da interpretação que o Judiciário ou o órgão regulador da lei faça de “risco iminente”.

O projeto também concede privilégios aos grandes meios jornalísticos em detrimento das redes sociais. Com isso, um dos grandes benefícios trazidos pela internet – a democratização no consumo e na produção da informação – poderia ser diminuído com a sua aprovação. Além de exigir que as redes intensifiquem seu papel de vigilância, aumentando o potencial de censura a conteúdos que fujam do politicamente correto, o projeto demanda a remuneração a meios jornalísticos pelas plataformas quando seus conteúdos forem veiculados nas redes.

Outra controvérsia do PL das Fake News é o uso excessivo de expressões abertas e imprecisas, que podem dar vazão a decisões autoritárias, e a falta de definição clara de que órgãos seriam responsáveis por garantir o cumprimento de cada dispositivo. Essa nebulosidade é preocupante por abrir espaço, por exemplo, a interpretações posteriores que permitam a criação de órgãos reguladores com poder de censura, ou decretos de viés autoritário com o alegado propósito de regulamentar a lei.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/oposicao-vence-primeira-batalha-e-lira-adia-sem-data-votacao-do-pl-das-fake-news/
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GOVERNO FAZ CENSURA E MULTA AS REDES SOCIAIS POR UM PROJETO QUE NÃO FOI APROVADO

Opinião
Editorial
Por
Gazeta do Povo


Ministro da Justiça e Senacon apresentam medida cautelar ao Google por “publicidade abusiva” contra o PL das Fake News.| Foto: Tom Costa/MJSP

O Projeto de Lei 2.630/20, também conhecido como “PL das Fake News”, teve sua votação adiada. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o havia incluído na pauta da sessão desta terça-feira após se encontrar com líderes partidários ao longo do dia, em um sinal de que, apesar de a oposição ao projeto ter aumentado consideravelmente nos últimos dias, havia grandes chances de ele passar pelo plenário – pautar textos de interesse do governo apenas quando há certeza de aprovação é uma das maneiras de agradecer ao presidente Lula pelo apoio da esquerda à avassaladora reeleição conquistada por Lira em fevereiro deste ano. No entanto, algo mudou em poucas horas, a ponto de o relator Orlando Silva (PCdoB-SP) ter tomado a iniciativa de pedir o adiamento; ele foi seguido por partidos da base governista, enquanto legendas de oposição insistiam em realizar a votação ainda na terça-feira, indicando que a probabilidade de derrota do PL era significativa. Lira, então, optou por retirar o tema da pauta.

Independentemente do desfecho da sessão, alguns dos últimos desdobramentos do debate sobre o PL 2.630 deveriam preocupar todos os brasileiros, tanto favoráveis quanto contrários ao projeto de lei ora em análise. Menos relevantes – embora dignas de menção – são as denúncias de que algumas big techs estariam apagando ou “escondendo” publicações favoráveis ao projeto; a reclamação evidenciou a hipocrisia dos denunciantes, entre os quais estão influenciadores e milícias digitais que figuram entre os maiores entusiastas da moderação pesada de conteúdos quando feita contra aqueles de quem discordam. Muito mais grave foi o uso do braço estatal contra quem tem apresentado seus argumentos contrários ao projeto de lei, caso de empresas como Google e Meta (proprietária do Facebook e do Instagram).

Em uma sociedade democrática, todos, absolutamente todos, têm o direito de emitir suas opiniões e oferecer seus argumentos favoráveis ou contrários a uma proposição em curso no parlamento

O Google, por exemplo, publicou em seu blog um texto intitulado “Como o PL 2.630 pode piorar sua internet”. Em resposta, ministros de Estado como Flávio Dino (Justiça) e senadores como Randolfe Rodrigues (Rede-AP) defenderam que o governo adotasse medidas contra as big techs, argumentando que estava em curso uma “tentativa imoral de inverter os termos do debate”. O secretário nacional do Consumidor, Wadih Damous, criticou o que chamou de “um verdadeiro arsenal de guerra contra o PL”, afirmando que as plataformas “se transformaram em verdadeiras trincheiras da extrema-direita no Brasil”. No fim, a pasta de Dino e a secretaria de Damous anunciaram medida cautelar e multa por “publicidade enganosa e abusiva” contra o Google, que retirou o texto do ar. Além disso, o Ministério Público Federal de São Paulo também notificou Google e Meta questionando se as empresas haviam alterado seus algoritmos para privilegiar conteúdos contrários ao PL 2.630 e reduzir o alcance das publicações ou anúncios favoráveis, prática que ambas as empresas negam. E, em uma terceira frente, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal ouça os presidentes de Google, Meta, Spotify e da produtora de conteúdo Brasil Paralelo; ao justificar sua decisão, alegou que as empresas poderiam “impactar de forma ilegal e imoral a opinião pública e o voto dos parlamentares”.

Ora, é bastante evidente que, em uma sociedade democrática, todos, absolutamente todos, têm o direito de emitir suas opiniões e oferecer seus argumentos favoráveis ou contrários a uma proposição em curso no parlamento – e o objetivo desse esforço é exatamente convencer os parlamentares que votarão tais proposições. Neste processo, os interessados são livres para usar os instrumentos que têm à disposição para fazer a defesa ou a crítica de um projeto de lei, e seria absurdo pensar em cercear o debate negando carta de cidadania a um dos lados. Para citarmos outros temas que causam enorme discussão na sociedade, aqueles que gostariam de ver o aborto legalizado, os defensores de pautas identitárias ligadas à defesa de minorias, os promotores da descriminalização do porte e uso de drogas, ou os apoiadores do desarmamento civil deveriam ter (como, aliás, têm) todo o direito a promover sua posição na imprensa, na academia ou nas ruas; negar-lhes essa possibilidade seria uma grave violação da liberdade de expressão, uma negação da democracia.

VEJA TAMBÉM:
A pressão rende frutos, mas a vigilância ainda é fundamental (editorial de 30 de abril de 2023)
Francisco Razzo: Como piorar ainda mais a internet
Sergio Moro: Lula quer controlar as redes sociais


Da mesma forma, é inconcebível pretender que empresas diretamente afetadas pelo que venha a ser aprovado não tenham o direito de dar sua opinião contrária ao PL 2.630, ou só possam fazê-lo de forma bastante limitada, sob o argumento de que estariam cometendo “imoralidade” ou “abuso” caso se manifestassem livremente. Assim como não faria o menor sentido considerar “imoralidade” ou “abuso” o fato de diversos veículos de imprensa, cujo alcance nacional é inegável, estarem apoiando o PL 2.630 em editoriais – que refletem a posição institucional de cada veículo, assim como o Google havia feito – e reportagens; também não há “abuso” nem “imoralidade” quando influenciadores usam sua celebridade para convencer seus milhões de seguidores a respeito dos méritos que enxergam no projeto. Os argumentos, seja favoráveis, seja contrários, se depuram justamente por meio do debate, do embate de ideias, do exame de sua razoabilidade e de sua plausibilidade; jamais podem ser coibidos nem desqualificados como fake news, expressão que deveria designar apenas afirmações factuais comprovadamente falsas, e não opiniões, conjecturas ou prognósticos a respeito do que pode ocorrer no futuro.

Que tudo isso ainda ocorra exatamente no contexto de um debate sobre a regulamentação das mídias sociais e seu impacto sobre a liberdade de expressão é algo que deveria preocupar ainda mais os brasileiros – repetimos, independentemente da posição que tenham sobre o PL 2.630. Aqui, já estamos muito além de um suposto combate à “desinformação” ou ao “discurso de ódio”, para citar alguns dos termos mais alegados para restringir a liberdade de expressão no Brasil: o que ocorreu ao longo desta segunda-feira com as big techs e outras empresas contrárias ao PL das Fake News foi a desqualificação e até a supressão de um dos lados envolvidos em um debate lícito. A oposição ao PL 2.630 se tornou uma crimideia, e isso é incompatível com uma nação que se pretende democrática.


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GOVERNO ENTROU EM CRISE COM O AGRONEGÓCIO POR CAUSA DO BOLSONARO

Agronegócio
Governo Lula quer contornar crise com o agro após cogitar a retirada de patrocínio do BB a evento
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo
Brasília


Lula tenta conter crise com o agro depois de ausência do governo na Agrishow| Foto: Agrishow/Divulgação

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, deu início a uma operação para tentar contornar a crise do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o agronegócio. A gestão petista já vinha enfrentando resistências por parte do setor, mas o desgaste ficou acentuado nos últimos dias, depois que ministros ameaçaram cortar o patrocínio do Banco do Brasil à Agrishow, maior feira agrícola da América Latina.

A Agrishow teve início nesta segunda-feira (1º) e segue até a próxima sexta-feira (5), na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Tradicionalmente, o ministro da Agricultura sempre participa da abertura do evento, mas Fávaro cancelou sua ida depois que os organizadores convidaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Com a ausência do governo Lula na abertura do evento, a participação e o discurso do ex-presidente acenderam um alerta em integrantes do Palácio do Planalto. Cercado de apoiadores e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Bolsonaro defendeu que o “agro precisa de políticos que não atrapalhem”.

Após a repercussão da participação de Bolsonaro, Fávaro se movimentou no intuito de reduzir os desgastes de Lula com o setor. Nesta terça-feira (2), o ministro da Agricultura se reuniu com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para estabelecer uma ponte com os representantes do agronegócio. O encontro, que durou cerca de quatro horas, foi o primeiro de Fávaro com essa bancada desde o início do governo Lula.

Ao final do encontro, Fávaro negou que o governo federal tenha promovido cortes ao setor e defendeu a ampliação de recursos. O ministro citou, por exemplo, a liberação da linha de crédito em dólar com taxa fixa feita pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Não há, em hipótese alguma, nenhuma retirada de investimento. Ao contrário, os R$ 2 bilhões [da linha de crédito em dólar] já foram tomados e agora vamos providenciar mais recursos. Já estamos providenciando mais recursos, para que possamos incentivar o crescimento da agropecuária”, defendeu Fávaro.

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), afirmou que a visita de Fávaro mostrou a “boa vontade” do ministro em estabelecer uma ponte com o setor do agronegócio. “Nós deixamos as fofocas e intrigas pro lado de lá. O que nós queríamos era poder discutir temas importantes para o agro e nessa reunião falamos de diversos setores, desde a borracha ao leite. Ou seja, temas específicos de diversos setores”, afirmou Lupion.

Ainda de acordo com o deputado paranaense, o ministro se comprometeu em ser o “bunker” do setor junto ao governo Lula. “Eu ouvi do ministro com todas as letras, publicamente pelo microfone, que as pautas da FPA serão apoiadas e defendidas pelo seu ministério. Isso é efetivamente o que nós precisamos, de ter o ministério da Agricultura como nosso “bunker” dentro do governo”, completou Lupion.

Apesar dos acenos do ministro, o presidente da FPA ressaltou que, até aqui, a gestão petista não demonstrou apreço pelo agronegócio. “Nosso objetivo é fortalecer o ministério da Agricultura. Durante todos os governos do PT tivemos ministros alinhados com a FPA. Mas esse governo tem demonstrado desde o começo um sentimento muito ruim em relação à agropecuária”, disse Lupion.

“É óbvio que a gente fica extremamente preocupado. Estamos no mês de maio, mas foram cinco meses intensos de defesa do nosso setor contra os ataques constantes. A gente tem que justamente trabalhar nessa construção de pontes para estancar essa sangria contra a agropecuária brasileira, que infelizmente o governo não tem demonstrado qualquer apreço ao nosso setor”, completou o presidente da FPA.

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Patrocínio mantido à Agrishow e possíveis anúncios ao setor

Após a desistência de Fávaro de ir à Agrishow, ministros do governo Lula chegaram a defender publicamente que o Banco do Brasil cortasse o patrocínio ao evento. Além da ausência do ministro, a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, também cancelou sua participação em uma palestra da programação.

“Descortesia e mudança de caráter de um evento institucional de promoção do agronegócio para um evento de características políticas e ideológicas. Ou é uma feira de negócios plural e apartidária ou não pode ter patrocínio público”, defendeu o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta.

Apesar disso, o Banco do Brasil informou que manteve sua estrutura na Agrishow por meio de sua atuação comercial para realização de negócios e atendimento aos seus clientes. Há um stand do banco e várias bandeiras e anúncios espalhados pelo local da feira. E dezenas de funcionários da instituição federal seguem trabalhando junto aos produtores. O BB afirmou que a expectativa é de gerar R$ 1,5 bilhão em negócios ao longo de todo o evento.

O Banco do Brasil é uma das principais fomentadores do agronegócio no país e na última safra 2022/2023 liberou R$ 154 bilhões em crédito para o setor.

Para tentar mitigar os efeitos da crise com o agro, uma das opções ventiladas pelo governo petista é o de apoiar, por exemplo, a volta da Companhia Nacional de Abastecimento para a pasta de Fávaro. (Leia mais abaixo.)

Além disso, Lula pretende anunciar nas próximas semanas o valor de crédito para financiamento do Plano Safra. O montante ainda não foi anunciado, mas o petista pretende turbinar a linha de crédito como forma de aceno ao agronegócio.

“O presidente Lula vive me falando: ‘Fávaro, me traz o agro aqui para uma reunião, eu quero saber o que preciso fazer para estar mais próximo dele’. Não me faltará respaldo político do presidente Lula, ele respeita muito o agro”, disse Fávaro durante o encontro de ex-ministros da Agricultura promovido na semana passada, em Brasília.

Ministro compara invasões do MST ao atos de 8 de janeiro; movimento terá vaga no “Conselhão”
Em uma nova tentativa de aceno ao setor, Fávaro usou o encontro da FPA para criticar as invasões de terras feitas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). De acordo com o ministro da Agricultura, as ações do movimento podem ser comparadas aos atos de vandalismo do 08 de janeiro em Brasília.

“O direito por um pedaço de terra é legítimo, um plano nacional de reforma agrária é legítimo dentro do rigor da lei. Tudo o que transpassa o rigor, não te meu apoio. Considero invasão de terra produtiva tão danosa quanto à invasão do Congresso Nacional”, declarou Fávaro.

Apesar disso, o MST segue ganhando mais espaço na gestão petista e fará parte do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, o chamado “Conselhão”, a convite de Lula. A informação foi divulgada pelo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, em suas redes sociais, na tarde deste sábado (29). O conselho assessora o presidente da República na formulação de políticas públicas. O convite foi aceito pelas lideranças dos sem-terra.

O governo federal é alvo de críticas por sua proximidade com o MST. As críticas partem especialmente de representantes do agronegócio, que condenam as recentes invasões de propriedades rurais promovidas pelo movimento por todo o país. Essas ações podem ser alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do MST.

Conab é alvo de disputa entre ministérios do governo Lula
Fávaro tem defendido que “não existe Ministério da Agricultura sem Conab [Companhia Nacional de Abastecimento]”. Atualmente, a Conab está vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e é alvo de uma intensa disputa interna no governo Lula.

O assunto deverá ser resolvido pelo Parlamento durante a votação da Medida Provisória 1.154/2023, que reestruturou a Esplanada dos Ministérios. Fávaro pediu apoio da bancada do agro no Congresso, para que a estatal retorne ao Ministério da Agricultura.

“O que é fundamental e falo com muita transparência é que não existe Mapa [Ministério da Agricultura] sem Conab, sem apoio à política pública de comercialização”, afirmou aos parlamentares e representantes de entidades do agronegócio.

Fávaro disse que não está “conspirando contra o governo” e que a sua posição é muito clara sobre a importância de a companhia de abastecimento estar vinculada ao seu ministério.

Além da Agrishow, governo Lula esteve ausente em outras feiras do agro

Após o encontro de Fávaro com a FPA, o ministro da Agricultura se reuniu com o presidente Lula no Palácio do Planalto para apresentar um balanço sobre a crise com o agro. O petista ampliou nas últimas semanas as cobranças sobre o chefe da pasta por uma maior aproximação com o setor.

Além da ausência na Agrishow, nenhum representante do governo federal esteve presente no principal evento do agro no Centro-Oeste, em Rio Verde (GO), em março, quando foram vendidos mais de R$ 11 bilhões em máquinas e implementos agrícolas.

O governo petista também esteve ausente na abertura da Expozebu, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, neste sábado (29), na maior feira de gado zebu do mundo, que prevê movimentar R$ 350 milhões em negócios até o dia 7.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/governo-lula-quer-contornar-crise-com-o-agro-apos-cogitar-a-retirada-de-patrocinio-do-bb-a-evento/
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PLANALTO PRETENDE INVERTER A FINALIDADE DA CPI DO 8 DE JANEIRO

 

Estratégia do Planalto
Governo quer usar CPMI do 8 de janeiro para investigar parlamentares da oposição
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo
Brasília


Governistas querem investigar parlamentares que incentivaram atos de vandalismo do 08 de janeiro| Foto: Joedson Alves/Agencia Brasil

Integrantes da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e líderes da base governista têm defendido nos bastidores que o Palácio do Planalto vai usar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 08 de janeiro para desgastar a oposição. A avaliação inicial é de que a CPMI pode abrir caminho para, por exemplo, investigar parlamentares que supostamente tenham incentivado os atos de vandalismo contra os prédios dos Três Poderes.

Nessa estratégia, os governistas se mobilizam no intuito de garantir a maioria das cadeiras da CPMI, além de postos como a presidência e a relatoria do colegiado. Em 26 de abril, por exemplo, o líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), fez uma manobra dentro do Senado no intuito de garantir mais uma vaga para os aliados da base no colegiado.

Único senador da Rede, Randolfe integrava, até o começo da semana passada, o bloco formado por MDB, PSD e União Brasil. Pouco antes da leitura do requerimento de instalação da comissão, o parlamentar mudou para o grupo liderado pelo PT. A troca representou uma baixa na quantidade de cadeiras que a oposição teria na CPMI.

Nessa estratégia, o governo estima que terá ao menos 11 das 16 vagas destinadas para os senadores na CPMI. Os blocos Vanguarda (Novo e PL) e o Aliança (PP e Republicanos) terão duas vagas cada. A minoria deve indicar ainda um quinto senador, que pelo acordo inicial será do PP. A manobra é vista como determinante para que os governistas consigam ditar os rumos das investigações.

“A ideia é separar alguns quadros para ficarem exclusivamente nessa função da CPMI. Foi um tiro no pé para a narrativa deles [da oposição] nas redes sociais. O Anderson Torres é a ligação com o ex-presidente Jair Bolsonaro”, destacou o vice-líder do governo no Congresso, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).

O parlamentar avalia que o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF será um dos nomes convocados para depor no colegiado.

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Parlamentares da oposição podem virar alvos de investigação da CPMI

Com a maioria dos nomes na composição da comissão, integrantes da base defendem que as investigações mirem os parlamentares que tenham incentivado os atos de vandalismo do 08 de janeiro. Lideranças do PT admitem que a palavra de ordem é não poupar nenhum opositor que, de alguma forma, apoiou o ataque aos Poderes.

“Estamos ansiosos pela CPMI. Vamos provar que Anderson Torres era o elo de golpistas com Bolsonaro. A CPMI vai deixar isso claro e comprometer ainda outros parlamentares próximos a Bolsonaro”, avaliou Farias.

Nessa estratégia, a base do governo Lula cogita, por exemplo, ir à Justiça para que o deputado André Fernandes (PL-CE) não seja integrante da CPMI. Fernandes é autor do requerimento para criação da comissão é deve integrar a bancada da oposição nas investigações.

O imbróglio está relacionado ao fato de o deputado pelo Ceará ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de envolvimento nos atos golpistas. Em 26 de abril, depois de uma reunião com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o senador Randolfe Rodrigues disse que o governo não irá aceitar “criminosos” como investigadores na CPMI.

“Não vamos tolerar agentes que são objeto de investigações, seja de onde forem, como membros de CPI. Até porque é paradoxal. […] Como é que pode colocar o criminoso para ser o investigador? Não é uma oposição do governo, é uma oposição do bom senso. Não se coloca para investigar, para ter acesso às investigações, aqueles que são suspeitos do crime”, disse.

Além de Fernandes, os aliados do governo pretendem mirar em outros deputados investigados pelo STF, como Clarissa Tércio (PP-PE) e Silvia Waiãpi (PL-AP). Outros deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Carla Zambelli (PL-SP) e o senador Marcos do Val (Podemos-ES) são outros nomes citados pelos governistas.

Segundo Randolfe, uma das primeiras ações do colegiado será pedir o compartilhamento de informações das investigações já em curso na Suprema Corte. “Uma das primeiras agendas será com Alexandre de Moraes para pedir o compartilhamento das investigações, saber até onde estão indo”, disse o senador no Palácio do Planalto.

Ainda de acordo com o líder do governo, a estratégia principal será tentar chegar aos financiadores e mentores dos atos do 8 de janeiro e identificar agentes políticos que tenham participado de alguma forma.

“Compreendendo o 8 de janeiro não como um ato isolado, um raio de sol, mas como um processo que começou com a eleição do presidente Lula em outubro de 2022, que teve estágios preparatórios. O 8 de janeiro foi a conclusão de uma intentona golpista. É este o tom que daremos na CPI”, completou.

Para subsidiar os aliados, o governo Lula pretende criar um grupo técnico, com a participação de funcionários de ministérios, para dar suporte aos congressistas que integrarão o colegiado.

Mudança de estratégia ampliou interesse do governo pela instalação da CPMI

Até então resistente à instalação da CMPI, os governistas mudaram o tom depois que o general Gonçalves Dias pediu demissão após a divulgação das imagens do dia 8 de janeiro. Os vídeos mostram que o ex-ministro-chefe e outros integrantes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) estavam dentro do Palácio do Planalto e não atuaram para conter os vândalos que invadiram e depredaram a sede do Executivo.

Para os aliados do Planalto, “a narrativa de que o governo foi leniente ou mesmo que teria planejado atos para vitimizar o presidente Lula não para em pé e há fartas evidências e provas factuais do que houve”. Além disso, a avaliação inicial é de que as investigações podem resultar em uma “faxina” institucional no Congresso.

“Ninguém brinca com a democracia. Se o Congresso quer instalar a CPMI, estamos prontos para ajudar, inclusive para investigar. Já que querem. Nós sempre dissemos: CPMI é instrumento da oposição. É legítimo a oposição pedir CPMI. Quem governa não pode perder”, afirmou o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE).

Estratégias da oposição
Do outro lado, os parlamentares oposicionistas também definem as estratégias para a CPMI. Matéria da Gazeta do Povo mostrou que, inicialmente, a principal preocupação é evitar a perda de uma cadeira para a base governista e e depois é fechar os nomes que comporão a comissão parlamentar de inquérito.

Além disso, ainda de forma isolada, nomes da direita afirmam que querem tentar emplacar o nome do ex-diretor da Abin e hoje deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) para o cargo de presidente ou relator da comissão.

Os alvos iniciais da oposição na CPMI são o ministro da Justiça, Flávio Dino; e o ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Gonçalves Dias. A pressão sobre os dois se dá em razão das suspeitas de que eles foram avisados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre a possibilidade de ações violentas nos atos de 8 de janeiro dois dias antes do protesto que culminou com a invasão e a depredação das sedes dos Três Poderes. Os alertas estão em documentos sigilosos obtidos pelo jornal Folha de São Paulo e que tiveram alguns trechos publicados em 28 de março.

Ainda assim, a dificuldade será a aprovação de requerimentos, já que será necessário obter maioria de votos nas sessões.

Os parlamentares também estudam chamar um grupo de advogados e técnicos para subsidiar requerimentos de quebra de sigilo, elaboração de perícias e análise de documentos e dados que forem coletados na investigação.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/governo-quer-usar-cpmi-do-8-de-janeiro-para-investigar-parlamentares-da-oposicao/
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