segunda-feira, 24 de abril de 2023

VITRINES INTELIGENTES SÃO SOLUÇÕES DE IMPACTO PARA OS CLIENTES

 

Rodrigo Schiavini – Diretor de negócios da SmartHint

Diante da concorrência acirrada, os lojistas precisam usar ferramentas que auxiliem os consumidores no processo de compras. Segundo um levantamento da Gartner, 50% dos entrevistados possuíam grandes chances de migrar para concorrentes se expostos a experiências desconfortáveis.

As vitrines inteligentes tem sido uma das soluções de impacto positivo na jornada dos usuários. Elas são como vendedores virtuais recomendando produtos de forma inteligente dentro da loja online.

Só dando uma olhadinha? Vitrines inteligentes analisam comportamento do cliente para personalizar sugestões

Tecnologia de recomendações inteligentes no e-commerce pode ser solução assertiva para fidelizar clientes e enaltecer a experiência

Você sabia que uma experiência ruim pode ser um fator determinante para afastar potenciais consumidores e comprometer os resultados do seu negócio no e-commerce? Isso é o que revelou um estudo da consultoria Gartner. Segundo o levantamento, 50% dos entrevistados possuíam grandes chances de migrar para concorrentes se expostos a experiências desconfortáveis. Pensando em oferecer uma boa jornada aos usuários, os lojistas têm buscado estratégias para atrair e fidelizar os consumidores, algumas delas usando a inteligência artificial a seu favor. Um bom exemplo são as vitrines inteligentes.

Elas são como vendedores virtuais recomendando produtos de forma inteligente dentro da loja online. Fazem parte de um sistema de recomendação que utiliza algoritmos, análise de dados e inteligência artificial para sugerir itens relevantes para os consumidores.

“No e-commerce, essas vitrines servem para atrair potenciais clientes ao seu negócio. Como são intuitivas, elas devem apresentar os produtos para atrair a atenção e trazer destaque em meio a concorrência”, detalha Rodrigo Schiavini, diretor de negócios da SmartHint, maior e mais utilizado sistema de busca inteligente e recomendação para e-commerce da América Latina.

Para quem ainda tem dúvidas sobre os benefícios das vitrines inteligentes para o e-commerce, Schiavini destaca que a ferramenta aumenta a experiência de compra dos usuários, fideliza clientes, melhora o giro de estoque, além de aumentar a taxa de conversão e o ticket médio. A seguir, o executivo explica os três principais tipos de vitrine inteligente. Confira:

Vitrines personalizadas – Funcionam como os vendedores das lojas físicas, sugerindo produtos e indicando similares. O sistema de recomendação analisa quais são os produtos que o cliente está procurando no campo de busca, em quais está clicando para ver mais detalhes, se algum produto foi adicionado ao carrinho de compras, entre outros comportamentos. Com esses dados, faz recomendações de acordo com as preferências do usuário.

Vitrines não personalizadas – Aqui, a loja virtual também vai fazer sugestões para os consumidores, mas sem se basear nos dados de navegação de cada um. Você terá acesso aos produtos dispostos na vitrine padrão do site e a plataforma também vai fazer recomendações, mas provavelmente serão itens em lançamento, produtos mais vendidos, mais vistos, últimas unidades ou ofertas – o que ele mostraria a qualquer cliente.

Vitrines autônomas – Essa é uma versão mais eficiente das vitrines de recomendação. Graças a um sistema de recomendação com inteligência artificial, que faz análises em tempo real, as vitrines mais interessantes para cada usuário se posicionam sozinhas, nos lugares mais estratégicos e sem a necessidade de configuração. Até mesmo as seções mais genéricas, como a de lançamentos e de ofertas, podem ser ajustadas automaticamente, com base nas preferências do consumidor.

Preferências de Publicidade e Propaganda

Moysés Peruhype Carlech – Fábio Maciel – Mercado Pago

Você empresário, quando pensa e necessita de fazer algum anúncio para divulgar a sua empresa, um produto ou fazer uma promoção, qual ou quais veículos de propaganda você tem preferência?

Na minha região do Vale do Aço, percebo que a grande preferência das empresas para as suas propagandas é preferencialmente o rádio e outros meios como outdoors, jornais e revistas de pouca procura.

Vantagens da Propaganda no Rádio Offline

Em tempos de internet é normal se perguntar se propaganda em rádio funciona, mas por mais curioso que isso possa parecer para você, essa ainda é uma ferramenta de publicidade eficaz para alguns públicos.

É claro que não se escuta rádio como há alguns anos atrás, mas ainda existe sim um grande público fiel a esse setor. Se o seu serviço ou produto tiver como alvo essas pessoas, fazer uma propaganda em rádio funciona bem demais!

De nada adianta fazer um comercial e esperar que no dia seguinte suas vendas tripliquem. Você precisa ter um objetivo bem definido e entender que este é um processo de médio e longo prazo. Ou seja, você precisará entrar na mente das pessoas de forma positiva para, depois sim, concretizar suas vendas.

Desvantagens da Propaganda no Rádio Offline

Ao contrário da televisão, não há elementos visuais no rádio, o que costuma ser considerado uma das maiores desvantagens da propaganda no rádio. Frequentemente, os rádios também são usados ​​como ruído de fundo, e os ouvintes nem sempre prestam atenção aos anúncios. Eles também podem mudar de estação quando houver anúncios. Além disso, o ouvinte geralmente não consegue voltar a um anúncio de rádio e ouvi-lo quando quiser. Certos intervalos de tempo também são mais eficazes ao usar publicidade de rádio, mas normalmente há um número limitado,

A propaganda na rádio pode variar muito de rádio para rádio e cidade para cidade. Na minha cidade de Ipatinga por exemplo uma campanha de marketing que dure o mês todo pode custar em média 3-4 mil reais por mês.

Vantagens da Propaganda Online

Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia digital.

Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda mais barato.

Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança, voltando para o original quando for conveniente.

Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e de comentários que a ela recebeu.

A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.

Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a empresa.

Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.

Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não estão.

Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.

A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.

Vantagens do Marketplace Valeon

Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.

Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes.

Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

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TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

domingo, 23 de abril de 2023

TAXACÃO DE EXPORTAÇÃO DE PETRÓLEO AMEAÇAM INVESTIMENTOS

 

Insegurança jurídica

Por
Célio Yano – Gazeta do Povo


Insegurança jurídica gerada por uso de imposto temporário para fins arrecadatórios pode frear investimentos no setor.| Foto: Antonio Lacerda/EFE

O governo implantou no início de março uma alíquota de 9,2% sobre a exportação de petróleo bruto, com validade até 30 de junho. Criada por medida provisória (MP), a nova taxação foi a forma encontrada para aumentar arrecadação sem elevar tanto – naquele momento – a tributação federal sobre a gasolina, que começou a ser retomada após um período de isenção.

Ainda que definido como “temporário” pelo governo, o novo imposto pode gerar consequências de longo prazo para o setor, que, enquanto tenta suspender a cobrança do imposto na Justiça, considera o risco de vê-lo ser prorrogado e até tornar-se permanente.

Analistas veem risco de postergação ou mesmo cancelamento de investimentos. E não só na área de petróleo e gás, mas em outros setores exportadores, que passam a temer a implantação de tributos semelhantes caso o governo sinta a necessidade de ampliar a arrecadação rapidamente.

Motivos de desconfiança não faltam: a área econômica do Executivo declarou aberta, e por tempo indeterminado, a “temporada de caça” de receitas. Tendo apresentado uma nova regra fiscal que não prevê corte ou racionalização de despesas e sim aumentos reais de gastos todos os anos, os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e Planejamento, Simone Tebet, não disfarçam a intenção de buscar dinheiro para cumprir as metas fiscais. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, disse dias atrás, com todas as letras, que medidas de arrecadação “serão praticamente constantes”.

As exportações de petróleo são o terceiro item mais importante da balança comercial brasileira, sendo responsáveis por um superávit de US$ 65 bilhões nos últimos quatro anos, segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).

“Desse modo, a tributação das vendas externas, mesmo de forma temporária, pode impactar a competitividade do país a médio e longo prazos, além de afetar a credibilidade nacional no que tange à estabilidade das regras”, declara a entidade em nota.

“A criação desse novo imposto também afeta as perspectivas de aumento da produção de petróleo, uma vez que o produto será onerado e sofrerá uma maior concorrência de países que não tributam a commodity”, prossegue o IBP.

A insegurança jurídica gerada pela decisão do governo, que foi anunciada na véspera da entrada em vigor da taxação, deve ainda frear investimentos do setor no país. “Aquele projeto que iria ser realizado, aquela máquina que seria encomendada, aquele serviço que iria ser prestado, não vai mais por conta dessa do investidor não se sentir mais confortável de investir no Brasil”, afirmou o presidente do IBP, Rodrigo Ardenghy, em entrevista ao Poder360, no fim de março.

Para a equipe da XP Investimentos, em um primeiro momento a tributação deve desencadear uma corrida para armazenagem. “As empresas tentarão adiar ao máximo as exportações, esperando que esses impostos não se tornem permanentes (o que pode frustrar as expectativas do governo em relação às receitas)”, dizem os analistas Andre Vidal, Guilherme Nippes e Helena Kelm, em relatório para investidores.

Os economistas ressaltam, no entanto, que “impostos temporários” no Brasil raramente são temporários: “Se o Brasil acabar com impostos permanentes de exportação de petróleo bruto, ao longo do tempo, acreditamos que o preço interno também será afetado: como o Brasil é um exportador líquido de petróleo bruto (exportações líquidas/produção é de aproximadamente 40%), os preços internos tendem a seguem a paridade de preços de exportação”.

Ainda em março, o IBP entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a constitucionalidade do tributo. O PL e o Novo, partidos que fazem oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também ingressaram com ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) contra a MP.

As ações, que são apoiadas ainda pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), estão sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que ainda não se manifestou sobre o mérito das petições.

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Tributação preocupa empresas exportadoras, diz tributarista
O advogado tributarista Dylliard Alessi, da Peccinin Advocacia, lembra que o imposto de exportação tem função predominantemente extrafiscal, ou seja, deveria servir para regulação do mercado. “As justificativas da proposição e do próprio ministro da Fazenda, no entanto, falam na questão arrecadatória tão somente”, diz.

No anúncio da medida, no dia 28 de fevereiro, o Ministério da Fazenda estimou em R$ 6,6 bilhões o potencial de arrecadação com a cobrança no período de quatro meses.

“Isso gera insegurança jurídica, mas não só para o setor de óleo e gás. Se está sendo usado o imposto de exportação para fins arrecadatórios, é óbvio que as empresas, quem opera com exportação, também ficarão preocupadas com a possibilidade de a qualquer momento vir um novo tributo, ainda mais por medida provisória, sem passar pelo processo legislativo”, avalia.

A corretora Rico lembra que a Petrobras não é uma grande exportadora de petróleo bruto, já que a maior parte é consumida internamente em suas refinarias. “Assim, outras empresas brasileiras e internacionais de óleo e gás pagarão, proporcionalmente, uma fatia maior dessa conta”, diz relatório assinado pelas analistas Rachel Sá e Júlia Aquino ainda em março.

O banco Citi avaliou que as empresas mais afetadas devem ser a PetroRio e a Enauta, que podem ver impacto direto na rentabilidade, o que traria incertezas sobre novos investimentos em projetos de produção.

“O mecanismo é efetivamente destruidor de valor para as empresas de produção e exploração – uma indústria que representa cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país”, escreveram os analistas Regis Cardoso e Marcelo Gumiero, do Credit Suisse.

A Galp informou em um comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de Portugal que a taxação temporária sobre a exportação de petróleo cru deve ter um “impacto potencial” de cerca de 50 milhões de euros (aproximadamente R$ 275 milhões) para a Petrogal Brasil, informou o portal epbr.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/imposto-sobre-exportacao-e-caca-de-receitas-do-governo-ameacam-investimentos-no-pais/
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CONSEQUÊNCIAS DO ABANDONO DO DÓLAR

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Presidente Lula se encontrou com o ditador da China, Xi Jinping, e sugeriu que relações comerciais entre os dois países prescindam do uso do dólar.| Foto: Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto

Em sua passagem pela China neste mês, o presidente Lula fez uma provocação e defendeu uma medida de comércio exterior. A provocação foi feita em forma de duas perguntas: “Por que não podemos fazer nosso comércio lastreado em nossa moeda? Quem é que decidiu que era o dólar?” A medida proposta por Lula foi que Brasil e China pudessem realizar seu comércio bilateral na moeda dos dois países, sem envolvimento da moeda-padrão internacional, o dólar.

Se Lula fosse dado a ler e estudar, ou se tivesse o hábito de pedir lições a seus assessores especializados – atitudes essas que se esperam de toda pessoa que chega à Presidência da República –, ele saberia que o sistema monetário internacional foi reformado em 1944, na conferência de Bretton Woods, nos Estados Unidos, com a aprovação de três medidas de alto impacto. A primeira foi a substituição do padrão-ouro pelo padrão-dólar no comércio internacional, colocando a moeda norte-americana no centro do comércio exterior mundial após o fim da guerra. A segunda medida foi a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI), instituição com atuação global, que recebe aportes financeiros das nações filiadas para financiar déficits do balanço de pagamentos dos países-membros em suas relações comerciais com o resto do mundo. A terceira medida foi a criação do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), cuja holding é denominada Banco Mundial, para efetuar empréstimos de longo prazo aos países filiados destinados a investimentos em infraestrutura.

A escolha da moeda para servir como moeda-padrão internacional foi definida com base em pelo menos três condições: a) a moeda-padrão deveria ter curso livre e legal no país que a emitisse, que deveria ter um produto nacional grande o suficiente para garantir suprimento de bens e serviços aos detentores dessa moeda que quisessem gastá-la em aquisição de produtos; b) tal país deveria ter histórico de estabilidade econômica e inflação baixa e c) deveria ser reconhecido como um lugar de instituições livres e estáveis. A escolha feita naquela conferência de 1944 recaiu sobre o dólar norte-americano para o papel de moeda-padrão internacional, por serem os Estados Unidos o país que mais se aproximava de atender àquelas três condições referidas, com a exigência adicional de que o total de dólares emitidos pelos Estados Unidos estivesse lastreado em ouro estocado no United States Bullion Depository (Depósito de Ouro dos Estados Unidos), na pequena cidade de Fort Knox. Lula não precisaria ler mais que poucas páginas para conhecer essas informações, suas causas e consequências para a vida das nações e o destino do comércio mundial.

A China pratica duas ações condenadas: a taxa de câmbio sempre foi tabelada pelo governo, logo não é um preço formado pelo mercado; e, em longos períodos, a China manipulou a taxa de câmbio de forma a prejudicar a concorrência do mercado externo

Respondida a primeira pergunta de Lula sobre quem decidiu que era o dólar a moeda-padrão internacional, resta a segunda pergunta: por que não podemos fazer nosso comércio lastreado em nossa moeda? A rigor, não há proibição legal de que dois países negociem em outra moeda que não o dólar. A questão deve ser resolvida em outra esfera. Resumidamente, é possível levantar alguns pontos essenciais do comércio entre dois países, a começar pelo fato de que os agentes primários do comércio são duas entidades econômicas – um comprador e um vendedor, pessoa física ou pessoa jurídica – que não residem no mesmo país. Uma operação comercial é definida como exportação (feita pelo vendedor) e importação (feita pelo comprador).

Imaginando uma operação comercial simples – por exemplo, exportação de soja feita por uma empresa brasileira para um cliente estabelecido na China –, trata-se de um evento que passa pelo menos por quatro fases: a) a contratação da operação de compra e venda; b) o embarque e o faturamento; c) a liquidação (pagamento pelo importador, recebimento pelo exportador); e d) a compensação (conversão da moeda usada na operação para a moeda do país do exportador). Assim, inicialmente, uma operação comercial tal qual essa descrita pode ser contratada fora do dólar; logo, seria feita na moeda chinesa, o yuan (cujo nome oficial é renmimbi), ou na moeda brasileira, o real. O problema começa quando a contratação da operação exige duas decisões iniciais: em qual moeda – se em yuan ou real – a operação comercial será feita e, uma vez decidida a moeda do negócio, qual será o preço de exportação.

Nesse primeiro momento, o da contratação, seja em yuan ou em real, o preço da operação terá de usar alguma referência, que não pode ser uma invenção do exportador (no Brasil) nem do importador (na China). Em se tratando de commodities, não se escapará de as partes terem de adotar o preço internacional em dólar (no caso da soja, dado pela cotação na Bolsa de Chicago), e no mínimo por uma razão simples: o exportador brasileiro somente fechará o negócio se, ao fim de todo o processo, o preço final que ele vier a receber for igual ou melhor que o preço que poderia obter se exportasse para outro país com base no preço cotado na Bolsa de Chicago, ajustado pelos custos internos de transporte, portos, taxas e impostos brasileiros. Assim, não se passa da primeira fase (a contratação) esquecendo completamente o dólar. Isso acabará ocorrendo para a maior parte em valores do comércio Brasil-China.

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Resolvida a primeira fase da operação, a segunda fase se refere ao embarque e faturamento e, na sequência, vem a terceira fase: a liquidação, que é o pagamento feito pelo importador, na moeda prevista no contrato (yuan ou real). Se, no exemplo dado, o importador chinês liquidar o pagamento em yuan (caso o contrato seja feito nessa moeda), o exportador brasileiro terá de ir para a quarta fase, a conversão do yuan em reais, o que deve acontecer numa câmara de compensação gerida pelo Banco Central (BC), pois o exportador tem sua vida financeira em reais (custos de produção e demais operações, inclusive pagamento de impostos) no território brasileiro. E aí surge um novo problema: qual será a taxa de câmbio na operação de conversão de yuan para reais? Esta já seria uma questão suficientemente complexa se o Brasil estivesse tratando com uma economia livre, mas que se torna ainda mais grave quando se tem em mente que a China sempre praticou duas ações condenadas pelo mercado mundial: a taxa de câmbio (ou seja, o preço do dólar na moeda nacional) sempre foi tabelada pelo governo, logo não é um preço formado pelo mercado; e, em longos períodos, a China manipulou a taxa de câmbio de forma a prejudicar a concorrência do mercado externo.

Vale lembrar que, se o Brasil estabelecer um comércio bilateral com a China usando diretamente as moedas dos dois países, o Banco Central terá de criar uma câmara de compensação e conversão dessas moedas, e aí surge o problema de como o BC aplicará o saldo monetário em caso de superávit, e como cobrirá eventual déficit brasileiro na balança comercial entre os dois países (falta da moeda chinesa). Seguramente, há especialistas que imaginam respostas para todos esses problemas, como podem ter outros questionamentos além dos aspectos abordados neste texto.

A questão é que, ainda que não seja impossível estabelecer comércio bilateral usando diretamente as moedas dos dois países envolvidos nas operações de importação e exportação, é preciso lembrar que uma coisa é fazer algumas operações restritas e experimentais – como a China já fez com Rússia e Austrália –, outra coisa é eliminar totalmente o dólar em todas as operações entre os dois países. Em resumo: o assunto é muito mais complexo do que pode parecer à primeira vista tanto para o próprio presidente da República como para aqueles que aplaudem a ideia sem tem a menor noção dos meandros técnicos, monetários e operacionais que o problema comporta.


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IMAGENS DE 8 DE JANEIRO ENTREGUES À JUSTIÇA

 

Invasão ao Planalto
Cappelli diz que íntegra de imagens vai livrar suspeitas de ex-ministro do GSI
Por
Gazeta do Povo


Ministro interino do GSI diz que imagens que mostram invasão ao Palácio do Planalto foram editadas para “atingir governo e general”.| Foto: CNN Brasil/reprodução

O ministro interino do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Ricardo Cappelli, diz que a divulgação na íntegra das imagens que mostram a invasão ao Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro vão livrar as suspeitas de envolvimento do antecessor da pasta, Marco Edson Gonçalves Dias, com os manifestantes. As gravações, que vazaram para a imprensa na quarta (19), estavam sob sigilo e foram entregues neste sábado (22) ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Cappelli diz que a reportagem divulgada pela CNN Brasil, que mostra o ex-ministro circulando entre os manifestantes, teve uma edição nas imagens com o “claro intuito de atingir o governo e o general”. Para ele, a liberação do sigilo das imagens vai demonstrar que “não há qualquer possibilidade de ilação” à conduta do general.

“O general Gonçalves Dias é um servidor com décadas de serviços prestados ao Estado brasileiro. Agora é muito importante que as pessoas vejam as imagens sem os cortes, sem a edição, porque foram feitos cortes com claro intuito de atingir o governo e o general. Com a liberação das imagens vai ficar demonstrado que não há qualquer possibilidade de ilação com relação à conduta do general, que, inclusive, de forma muito honrosa, fez questão de se afastar das suas funções para que não houvesse dúvida sobre a lisura da conduta dele”, disse em entrevista ao jornal O Globo na sexta (21).

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O ex-ministro chegou a dar declarações semelhantes na quarta (19), após pedir demissão do cargo, o que levou a CNN Brasil a publicar uma nota de repúdio e a disponibilizar no site do canal a íntegra das imagens de três câmeras do Palácio do Planalto que mostram Gonçalves Dias entre os manifestantes junto de outros agentes do GSI.

“Diante das declarações do general, a CNN informa que a íntegra das imagens que envolvem o ex-ministro e os criminosos que invadiram o Palácio do Planalto está disponível em todas as suas plataformas”, disse o canal em nota.

As imagens estavam sob sigilo de Justiça, segundo Cappelli, por conta das investigações conduzidas pelo STF sobre os atos de 8 de janeiro.

Investigação
GSI entrega imagens de invasão ao Palácio do Planalto e relatório de sindicância ao STF

Por
Guilherme Grandi – Gazeta do Povo


Determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, foi cumprida antes do fim do prazo dado ao GSI.| Foto: CNN Brasil/reprodução


O ministro interino Ricardo Cappelli, do Gabinete de Segurança Institucional (STF), entregou na tarde deste sábado (22) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a íntegra das imagens que mostram a invasão ao Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro.

O ato ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes feita na tarde de sexta (21) para investigar o vazamento das gravações que mostram agentes e o ex-ministro da pasta, Marco Edson Gonçalves Dias, circulando entre os invasores.

Cappelli entregou, também, o relatório da sindicância interna aberta no GSI para apurar a conduta dos agentes no dia da invasão.

“Já entregamos ao STF a íntegra das imagens do Palácio do Planalto do dia 8 de janeiro e uma cópia da sindicância aberta no GSI”, disse em uma postagem no Twitter no começo da noite. As imagens estavam sob sigilo, que também foi suspenso pelo STF.

Moraes tinha dado um prazo de 48 horas para que Cappelli entregasse “todo o material existente” das gravações do circuito interno de segurança do Palácio “observada a preservação integral das imagens”. As imagens somaram mais de 160 horas de 22 câmeras, segundo informou a CNN Brasil, que divulgou o material editado na quarta (19).

As imagens mostram o então ministro Gonçalves Dias junto de agentes civis e militares do GSI circulando entre os manifestantes que invadiram o Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro, conversando e dando orientações pelos corredores do prédio. Um deles chega a oferecer água aos invasores.

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Gonçalves Dias pediu demissão na tarde de quarta (19) após uma reunião reservada com Lula, que nomeou Cappelli como interino da pasta e determinou um raio-x da estrutura do GSI. O novo ministro disse que mudanças podem ser feitas nas atribuições do gabinete, mas sem adiantar quais devem ser elas – um relatório será apresentado ao presidente quando voltar da viagem à Europa.

Na sexta (21), Gonçalves Dias prestou depoimento à Polícia Federal e disse que não deu ordem de prisão aos manifestantes que invadiram o Palácio por falta de condições frente à quantidade de pessoas, e que também não deu nenhuma ordem para que saíssem do local. Disse, ainda, que solicitou reforço da Polícia Militar e do Exército e que houve um “apagão geral do sistema” por conta da falta de informações sobre a proporção do protesto.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/gsi-entrega-imagens-invasao-sindicancia-planalto-stf/
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GOVERNO QUER ESVAZIAR CADEIAS SUPERRLOTADAS

 

Desencarceramento
Por
Leonardo Desideri – Gazeta do Povo
Brasília


O presidente Lula e o ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, são favoráveis à liberação de criminosos como política de governo.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Membros do governo federal estão empenhados em promover a liberação de criminosos como política pública para resolver o problema da superlotação das prisões no Brasil. Declarações nesse sentido têm partido de ministros, secretários, aliados e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas últimas semanas.

Em um discurso no lançamento do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) II, no mês passado, Lula defendeu ideias caras ao movimento antipunitivista. Afirmou, por exemplo, que “um jovem com 18 anos” que comete crimes “entrou um inocente” na cadeia e é “uma vítima de um delito que muitas vezes não tinha clareza do porquê estava cometendo aquilo” (sic).

As falas de Lula estão em sintonia com o que secretários, ministros e outros membros do governo têm repetido desde fevereiro.

Na primeira semana de abril, uma comitiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) foi ao Rio Grande do Norte para conversar com autoridades locais sobre formas de se evitar novas ondas de atentados de facções criminosas como a que ocorreu em março. A ideia de desencarceramento foi a tônica das falas.

“Há necessidade de discutir uma política de desencarceramento na qual a gente consiga garantir que os espaços de privação de liberdade sejam cada vez mais dignos e com garantia de direitos”, disse o ouvidor nacional de Direitos Humanos, Bruno Renato Teixeira. A coordenadora-geral de Combate à Tortura do MDHC, Fernanda Vieira, mostrou-se satisfeita ao saber que gestores locais se dispuseram a planejar ações “em uma perspectiva de desencarceramento”.

No Ministério da Justiça e Segurança Pública, o discurso é semelhante. Rafael Velasco, secretário Nacional de Políticas Penais da pasta, é um defensor do que chama de “desencarceramento consciente”. “Devemos colocar as alternativas penais no mesmo patamar da prisão”, disse em seu discurso de posse, em fevereiro.

O especialista em segurança pública Davidson Abreu, oficial da Polícia Militar de São Paulo e autor do livro “Tolerância Zero”, diz que a aposta petista no desencarceramento é “uma solução ideológica e fácil”, que só serve de subterfúgio para evadir-se da necessidade de criar mais penitenciárias no Brasil e de melhorar suas condições. “É mais fácil desencarcerar do que o governo ter o trabalho de construir presídios, de manter os presos sob sua custódia e de retomar o controle dos presídios”, afirma.

Da mesma forma como algumas favelas e bairros sofrem com a atuação de organizações criminosas, destaca Abreu, muitos presídios também estão sob domínio do crime organizado. “Retomar esse domínio custa muito caro politicamente, porque vai haver guerra, conflito, rebeliões. Então, o governo pode escolher a solução mais fácil e econômica para ele. Segurança pública gera um custo financeiro e político, e poucos estão interessados em enfrentar isso, principalmente quando a ideologia entra”, comenta.

Eduardo Matos de Alencar, doutor em sociologia e autor do livro “De quem é o Comando? O desafio de governar uma prisão no Brasil”, afirma que liberar presos para melhorar as condições das penitenciárias seria análogo a reduzir a quantidade de internados para resolver o problema das filas nos hospitais. “A única maneira de reduzir a quantidade de internados no hospital é prevenir doenças ou tratá-las antes de que as pessoas precisem ir ao hospital”, diz. “Se tem muita gente doente, tem que ter muita gente internada. O mesmo vale para a prisão.”

Para Alencar, enquanto não houver políticas eficazes de prevenção ao crime, “é preciso prender mais gente, mais rápido e por mais tempo”, o que passa necessariamente por construir mais prisões. “Não há políticas de prevenção adequadas neste governo – nem em qualquer outro que o Brasil costuma ter –, que tratem de problemas relacionados ao que de fato gera a violência, como famílias desestruturadas, consumo excessivo e abuso de álcool e outras drogas, consumo excessivo e abuso de crack, desorganização das comunidades, desorganização das vizinhanças, escolas sem controle e violentas, mercado ilegal de droga estabelecido, mercado ilegal de armas estabelecido… Há diversas instituições e mecanismos que contribuem para desaguar no cenário de violência. Se você não trata isso, você tem que tratar o efeito disso, com polícia e prisão.”

Além disso, na visão do especialista, qualquer política de prevenção, por mais eficaz que seja, tem efeito de médio a longo prazo, e “não funciona se o Estado não estiver resolvendo o problema dos marginais que assolam a sociedade agora”.

É “uma barbaridade”, para ele, a ideia de que reduzir a quantidade de presos contribuiria para diminuir a força dos grupos criminosos nas cadeias. “A quantidade de presos é grande, de fato, mas o desencarceramento, por maior que fosse, não chegaria nem a 20% do total, e isso não seria suficiente para enfraquecer o PCC. Dizer que o PCC vai perder força porque há menos presos não faz o menor sentido.”

Liberar os presos com atraso na progressão devida de regime, por exemplo, teria um efeito pouco significativo, de acordo com Alencar, já que esses casos são proporcionalmente poucos. “E mesmo essa progressão deveria ser extinta para crimes graves como o homicídio. Você, então, vai fazer o quê? Parar de prender assassino, ladrão, traficante? Soltá-los mais cedo ainda?”, questiona.

Brasil já adota política de desencarceramento, e ela é desastrosa, diz especialista
O promotor de Justiça Bruno Carpes, autor do livro “O Mito do Encarceramento em Massa” e membro do Núcleo de Pesquisa e Análise da Criminalidade da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais, diz que “nós já temos, no Brasil, uma política de desencarceramento” e que exacerbar essa tendência seria “uma grave violação aos direitos humanos”.

Prova disso, aponta ele, é que a legislação penal brasileira tem cerca de 1050 tipos penais, mas somente 2,7% desses crimes resultam, atualmente, em prisão em regime inicialmente fechado.

Para Carpes, não se pode culpar a legislação ou o Poder Judiciário pela superlotação dos presídios. A União é omissa “há no mínimo três décadas” no uso do Fundo Nacional Penitenciário, e essa omissão é determinante para a superlotação dos presídios, ressalta o especialista. “Por mais de uma década, houve contingenciamento de valores, ou seja, os valores não foram totalmente utilizados. Esse é um dos motivos da superlotação”, diz. “Em vez de se assumir a culpa pelo passado e reconhecer essa omissão que resultou em presídios superlotados, não: apostam no que está dando errado, que é uma legislação muito leniente.”

A suposta atuação rigorosa do Judiciário tampouco pode ser apontada como motivo da superlotação das cadeias, afirma Carpes. Juízes brasileiros são cada vez mais adeptos do garantismo penal, como mostrou reportagem da Gazeta do Povo.

“No cenário forense, nós temos pesquisas que mostram o que acontece dentro das varas judiciais. Por exemplo, no Rio de Janeiro, já se apurou que só 5% dos processos criminais de todo o Estado – que é um dos mais violentos do país – detêm os réus presos. Ora, como é que se vai acusar o Poder Judiciário de prender mais do que deveria, se apenas 5% dos processos criminais detêm réus presos? Nós temos que olhar um pouco os fatos e esquecer um pouco o discurso ideológico”, critica Carpes.

Reduzir tolerância a atos criminosos tende a esvaziar cadeias a longo prazo

A ideia de que o combate intransigente ao crime tende a deixar as prisões mais vazias pode parecer um contrassenso. Mas, a longo prazo, é justamente isso o que acontece, segundo Carpes.

“O grande exemplo disso, conhecido internacionalmente, é a política de tolerância zero do Rudolph Giuliani em Nova York, inspirada na teoria das janelas quebradas do George Kelling e do James Q. Wilson. Os gráficos sobre Nova York mostraram o seguinte: no início, como havia muitos criminosos na rua, houve um aumento significativo de prisões. Mas chegou uma hora em que isso entrou num platô. Como o tamanho das penas aumentou e as investigações melhoraram, e como esse criminoso não saía tão cedo da prisão e parava de frequentar a rua, o crime começou a cair. Quando o crime começa a cair, menos prisões são efetuadas.”

No Brasil, embora não seja possível estabelecer uma relação clara de causa e efeito, a diminuição do número de homicídios e dos dados de crimes violentos tem acontecido ao mesmo passo de uma queda no número de pessoas presas. Entre o final de 2018 e meados de 2022, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a população carcerária do Brasil caiu 11,1%. Foi a primeira vez que o número de detentos caiu no Brasil durante um governo.

Curiosamente, em 2018, o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PL) afirmou em campanha que ia “entupir a cadeia de bandidos”. Mesmo fazendo o exato oposto do que havia prometido, o ex-presidente entregou o país a Lula com quase 20 mil homicídios a menos por ano em comparação com o ano final do governo de Dilma Rousseff (PT).

“Pequenos traficantes” de drogas podem ser maiores beneficiados entre os criminosos
No esforço do governo por fazer avançar uma política de desencarceramento, um dos principais grupos beneficiados tende a ser o de “pequenos traficantes” de drogas, isto é, aqueles que vendem quantidades menores das substâncias e não praticam violência física direta contra pessoas. Declarações de membros do governo já sugerem isso.

O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, afirmou em uma entrevista à BBC Brasil em março que é favorável à descriminalização das drogas como forma de reduzir o encarceramento no Brasil. Para ele, as drogas têm que ser tratadas como “uma questão de saúde pública, como uma questão que não se resolve por meio do encarceramento, com prisão e com punição”. Ele reiterou essa ideia na última quarta-feira (12), em audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados.

A relativização do pequeno tráfico como crime é uma bandeira comum da esquerda. Já foi defendida publicamente pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ficou implícita, recentemente, em uma recomendação do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim) enviada ao governo Lula. Em um documento do começo de abril com propostas emergenciais contra a crise no Rio Grande do Norte, a entidade sugeriu que Lula concedesse perdão a todos os presos acusados por crimes sem violência ou grave ameaça – como costumam ser classificados os delitos dos pequenos traficantes.

Para Fabricio Rebelo, coordenador do Centro de Pesquisa em Direito e Segurança (Cepedes), o tráfico de drogas praticado sem violência física direta não pode ser considerado inofensivo. “Embora, em si mesma, essa atividade possa não estar atrelada à prática de violência, ela tem, sim, em seu entorno uma série de outras atividades periféricas que são extremamente violentas. Basta ponderar que a esmagadora maioria dos homicídios que hoje são registrados no Brasil tem vinculação direta com a atividade do tráfico. A política do desencarceramento traz uma desculpa palatável à sociedade com essa ideia de que o tráfico não é um crime efetivamente violento, mas o tráfico traz um risco social extremamente alto de aumento desenfreado da criminalidade”, observa.

Promover o desencarceramento sem gerar um aumento significativo do risco à sociedade, para Rebelo, é “absolutamente utópico”. “Há poucos criminosos de ocasião no Brasil, e temos um problema crônico de reincidência criminosa, de indivíduos que se dedicam habitualmente à prática de crimes. Então, a possibilidade de colocar esses indivíduos habitualmente dedicados ao crime em liberdade não pode vir desassociada ou separada de um aumento substancial no risco social”, explica Rebelo.

O incentivo que um Estado leniente com o crime pode significar para a reincidência criminal, aliás, ganhou evidência após a recente tragédia na creche em Blumenau (SC), que deixou quatro crianças mortas. O assassino já tinha sido autuado por posse de cocaína, por ter esfaqueado o padrasto e por uma briga em uma casa noturna, mas nunca havia sido preso.


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GOVERNO QUER ALTERAR A LEI DE DROGAS PARA EVITAR PUNIÇÃO E ENCARCERAMENTO

 

Risco da descriminalização
O que esperar da política de drogas no governo Lula: menos punição e “redução” de danos
Por
Ana Carolina Curvello – Gazeta do Povo


Governo pretende tratar a política contra drogas “como questão de saúde pública e não policial”| Foto: Reprodução/ Internet

Alguns ministros do governo federal e o próprio presidente da República já deram alguns sinais de como será a política contra drogas nos próximos quatro anos. A ideia do atual governo é alterar a lei de drogas para reduzir punições e o encarceramento.

Na última semana, o ministro dos Direitos Humanos Sílvio Almeida defendeu a descriminalização das drogas como a melhor forma para combater o tráfico, durante uma audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados. “Descriminalização de drogas não significa que não possa haver um controle sobre isso. A gente não pode confundir controle e regulação com a questão criminal”, disse.

De acordo com Almeida, o atual governo pretende tratar o uso das drogas como uma questão de saúde pública e não policial. “Temos que tratar isso como uma questão de saúde pública, como uma questão que não se resolve por meio do encarceramento, com prisão e com punição”, disse.

Já o ministro da justiça e segurança pública, Flávio Dino, negou no ano passado, após a vitória de Lula, qualquer tentativa do governo de descriminalizar as drogas e que isso não seria prioridade. “Não vai haver, nesse instante, nenhum debate sobre descriminalização. A não ser quando e se o Supremo decidir essa temática porque, realmente, isso não consta das nossas prioridades”, disse Dino, em entrevista à BBC News.

“No Brasil, vai haver descriminalização nos próximos anos? Não, não vai haver. O que pode haver é exatamente esse ajuste que faz alusão sobre dosimetria, ampliar medidas alternativas e a compressão, aí sim, justa de que um dependente químico ou um usuário não deve ir para o cárcere”, complementou Dino.

Na campanha eleitoral do ano passado, ao ser questionado no Flow Podcast se ajudaria a liberar a maconha caso fosse eleito, Lula se esquivou. “Essa não é uma questão que o governo tem que tratar. Essa é uma questão que ou o Congresso Nacional trata, ou a Suprema Corte cuida disso”, declarou o petista.

Um documento publicado pelo PT no ano passado, no entanto, apontou algumas orientações do partido para a política de drogas no Brasil, como a de redução de danos, que na prática tem sido usada para estimular o uso de drogas.

Para os policiais, o partido recomenda a “substituição do atual modelo de guerra de combate ao tráfico por estratégias de enfrentamento e desmantelamento de organizações criminosas, baseadas no conhecimento e na informação”.

O assunto da liberação da maconha está em discussão no Congresso, mas tem ganhado grande repercussão com as recentes decisões de juízes e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Também existe um julgamento sobre a descriminalização das drogas para uso pessoal no Supremo Tribunal Federal (STF).

Descriminalização das drogas
O Ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, é um dos integrantes do governo petista que defende abertamente a descriminalização das drogas, sem levar em conta as experiências negativas de outros países. O modelo citado por ele do Uruguai, por exemplo, que liberou o comércio e a produção da maconha, não trouxe os benefícios apontados por defensores da liberação das drogas como Teixeira. No ano em que o comércio da maconha teve início, os homicídios tiveram uma alta de 5,6%. De 2017 para 2018, o salto foi de impressionantes 45,8%. Segundo o governo do Uruguai, metade desses assassinatos tem a ver com o tráfico de drogas.

Teixeira é o autor do PL 10.549/18 que disciplina o controle, a fiscalização e a regulamentação do uso da cannabis no Brasil para uso medicinal (ainda sem evidências científicas) e também para uso pessoal. Além disso, dispõe sobre o cultivo doméstico, o cultivo por meio de cooperativas e a produção para fins medicinais. O texto também propõe a distinção objetiva entre usuários e traficantes, com intuito de descriminalizar o usuário.

O ex-deputado também foi presidente da comissão especial da Câmara dos Deputados que aprovou o PL 399/2015, que libera o plantio de maconha para fins medicinais, comerciais e industriais. Ele votou a favor do projeto que aguarda a análise no plenário da casa legislativa, antes de seguir ao Senado. “‘Temos que romper esse obscurantismo, esse retrocesso. Por que o doente americano e o europeu têm direito a se tratar com remédios à base de cannabis e no Brasil não pode?”, disse Teixeira em uma audiência da comissão.

Em um artigo no site do PT, o ex-deputado fez menção a um julgamento do STF que pode descriminalizar o uso pessoal da maconha. O julgamento sobre o assunto foi interrompido em setembro de 2015, quando o então ministro Teori Zavascki pediu mais tempo para analisar o caso. Depois da morte em acidente aéreo de Teori, em janeiro de 2017, o ministro Alexandre de Moraes “herdou” a vista.

O relator, ministro Gilmar Mendes, votou pela descriminalização do porte de quaisquer drogas; Edson Fachin e Roberto Barroso votaram apenas pela descriminalização do porte de maconha, mantendo o crime no caso de outros entorpecentes. Alexandre de Moraes liberou o processo no fim de 2018. Desde então, o STF ainda não julgou o processo.

“O País e a sociedade só têm a ganhar se o STF confirmar a inconstitucionalidade das punições a quem usa drogas”, escreveu Paulo Teixeira.

Quando o STF começou a julgar a descriminalização, as principais entidades médicas brasileiras – o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) – assinaram nota conjunta pedindo a manutenção da redação atual da Lei de Drogas. Naquela ocasião, os médicos apontaram o que qualquer pessoa de bom senso consegue perceber: a droga causa um dano enorme ao ser humano.

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Decisões judiciais recentes devolvem criminosos às ruas e comprometem segurança pública
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Secretaria de Políticas sobre drogas
O órgão responsável pela articulação da política de drogas no país é a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Porém, a “fiscalização, apreensão de drogas e repressão, são atribuições das forças policiais no campo da segurança pública”, conforme explicou o ministério à Gazeta do Povo.

Entre as ações da Senad, compete a aplicação da lei, incluindo a descapitalização das organizações criminosas do narcotráfico e qualificação da atuação repressiva com base em inteligência e estratégia; o apoio técnico às polícias e às perícias, especialmente no que diz respeito à descoberta de novas drogas; e a produção de pesquisas que embasem as políticas públicas sobre drogas.

O ministério ainda informou que todas as atividades, projetos e programas da Senad “estão alinhados às grandes diretrizes do governo federal, tais como: participação social, combate ao racismo, promoção da equidade de gênero, garantia de direitos e proteção a grupos vulnerabilizados”.

A secretaria de políticas sobre drogas é comandada pela professora Marta Machado, mestre e doutora em Filosofia e Teoria de Direito, pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre o Crime e a Pena, fundadora e co-coordenadora do Núcleo de Justiça Racial e Direito na FGV Direito.

Na última semana, a secretária Marta emitiu um parecer favorável à atuação do STJ que assumiu a decisão sobre aprovar ou não o plantio da maconha no Brasil, algo que não é função do Judiciário, mas do Legislativo. Ela considerou “imperiosa” uma regulação que autorize o uso medicinal da cannabis.

“Trata-se de medida imperiosa para sanar as obscuridades do atual marco regulatório. Esta secretaria considera altamente conveniente uma ampla e adequada regulação da importação e cultivo de variedades de cannabis com baixa concentração de THC [efeito psicoativo], para fins industriais, farmacêuticos e medicinais”, escreveu a secretária Marta Machado.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/o-que-esperar-da-politica-de-drogas-no-governo-lula-menos-punicao-e-reducao-de-danos/
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AS LEIS DO BRASIL NO MOMENTO ESTÃO PENDENDO SÓ PARA UM LADO

 

General G. Dias tinha de estar preso enquanto Torres e mais 200 acusados estiverem detidos

Por J.R. Guzzo – Jornal Estadão

Não existe mais um sistema de Justiça no Brasil. Em seu lugar há uma espécie de Comitê Central que tem poderes absolutos, extinguiu as leis em vigor e governa o País em favor de uma facção política – a do presidente Lula e do consórcio de interesses que opera à sua volta. A comprovação mais recente disso é o assombroso episódio das imagens, publicadas num furo da CNN Brasil, que mostram o general Gonçalves Dias, chefe supremo da “segurança institucional” de Lula, em atitude de convívio pacífico com os invasores do Palácio do Planalto em 8 de janeiro. Seus subordinados fazem a cortesia de oferecer garrafas de água a eles; eram, de qualquer forma, em número inexplicavelmente reduzido para proteger seja lá o que fosse, embora o general e o governo já soubessem desde a véspera que o ataque iria acontecer. Suspeitou-se desde o começo que havia colaboração do Sistema Lula nos “atentados terroristas” – uma farsa para ele se fazer de vítima e para o STF radicalizar ainda mais a sua caçada ilegal à “extrema direita”.

A verdade começou enfim a aparecer – e fica explicado por que Lula e o PT vinham lutando tão histericamente contra a CPMI que quer apurar os fatos, e que agora tornou-se inevitável.

STF, diante desse desastre, age mais uma vez em benefício do governo. O ministro Alexandre de Moraes acaba de decidir que o ex-secretário de Segurança de Brasília, que estava nos Estados Unidos no dia dos ataques, tem de continuar na cadeia, onde está há mais de três meses. O general, que estava dentro do palácio, está solto – demitido, mas solto. Ele não deveria estar “depondo na PF”, com tratamento de “Xá da Pérsia”. Tinha de estar preso enquanto estiverem presos o secretário e mais 200 acusados, ou com tornozeleira eletrônica, e sem passaporte.

O ex-ministro do GSI, general Gonçalves Dias, após prestar depoimento na sede da PF, em Brasília, na sexta-feira, 21
O ex-ministro do GSI, general Gonçalves Dias, após prestar depoimento na sede da PF, em Brasília, na sexta-feira, 21 Foto: Wilton Junior/Estadão

Por conta do 8 de janeiro cerca de 1.500 pessoas foram presas, mais de mil indiciadas, centenas submetidas à tortura da tornozeleira, após meses de prisão ilegal. Muitos nem sequer estavam no local do crime, mas apenas na frente dos quartéis; foram enganados por oficiais do Exército, enfiados em ônibus e entregues à polícia. O STF faz, agora, julgamentos por “lotes” de cem ou 200 pessoas – aberração que não existe em nenhuma lei deste País.

Pior, talvez, do que tudo: mais de mil pessoas estão indiciadas por incitação ao crime – e unicamente por isso, segundo o próprio STF. A pena máxima que o artigo 286 do Código Penal fixa para esse delito são seis meses de detenção. Todos já cumpriram mais da metade disso, antes de serem julgados e muito menos condenados – e são réus primários, com direito à liberdade após cumprirem um sexto da pena. Justiça?

TENSÃO ENTRE MINISTROS DE LULA NO DIA 8 DE JANEIRO DIA DA INVASÃO

 

Foto: Reprodução/Estadão

Por Julia Affonso, Weslley Galzo, Tácio Lorran e André Borges – Jornal Estadão

Flávio Dino e Rui Costa parecem discutir com ministro da Defesa, José Múcio, à noite após depredação do palácio presidencial

BRASÍLIA – A noite do 8 de janeiro colocou ministros do governo Lula em aparente confronto. Reunidos na ante-sala do gabinete presidencial no Palácio do Planalto, um grupo de integrantes do primeiro escalão do governo protagonizou cenas de tensão. Imagens captadas pelo circuito interno do prédio, divulgadas neste sábado, 22, pelo Gabinete de Segurança Instituição (GSI), mostram os ministros em discussão.

O vídeo faz parte do arquivo de mais de 160 horas de gravações que foram enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga os atos golpistas de 8 de janeiro. O Estadão teve acesso às filmagens.

Golpistas acolhidos por militar no Planalto e tentativa de roubo a caixa eletrônico; veja vídeos

Às 21h47, aparecem nas imagens o ministro da Justiça, Flávio Dino, o ministro da Defesa, José Múcio, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Àquela altura o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já estava no Planalto. Ele aparece em algumas gravações visitando o prédio invadido, mas não estava no momento da discussão entre os ministros.

A câmara captou momento em que Dino se dirige a José Múcio gesticulando. O ministro da Defesa estava ao telefone. Próximo aos dois estavam outros aliados do presidente, os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Dino sai do quadro da imagem e é a vez de Costa também gesticular falando com Múcio, que permanecia no telefone.

A atuação das força militares no dia da ocupação foi questionada. Integrantes do governo cobraram de José Múcio sobre atuação dos miliares no episódio. Naquela noite, o presidente Lula tinha dado ordem para retirada imediata do acampamento no Quartel General do Exército. Mas a desocupação e prisão do acampados só ocorreu no dia seguinte.

Momentos de tensão entre ministros do Lula no dia da invasão ao Planalto; veja vídeo – Estadão (estadao.com.br)

A câmara captou momento em que Dino se dirige a José Múcio gesticulando. O ministro da Defesa estava ao telefone. Próximo aos dois estavam outros aliados do presidente, os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Dino sai do quadro da imagem e é a vez de Costa também gesticular falando com Múcio, que permanecia no telefone. A cena aparece no fundo à direita do vídeo.

POWER SKILLS SÃO AS HABILIDADES MAIS REQUERIDAS PELAS EMPRESAS

 

Sabrina Bezerra – StartSe – Jornalista

Saiba o que é power skill, quais são as habilidades mais requeridas pelas empresas e como desenvolvê-las!

Estima-se que cerca de 800 milhões de empregos vão sumir até 2030 por causa dos robôs e dos programas de inteligência artificial, segundo um estudo da consultoria McKinsey.

O dado, apesar de assustar, traz a importância em investir nas habilidades técnicas para estar um passo à frente nas tecnologias do futuro (confira as áreas que mais vão crescer).

Mas não apenas. É preciso também desenvolver habilidades comportamentais, afinal, à medida que as máquinas ganham espaço, ter uma visão estratégica de resolução de problemas se torna importantíssima.

Assim, uma nova tendência do mercado de trabalho surge: as power skills ou habilidade de poder.

O QUE SÃO POWER SKILLS?

Ainda pouco conhecida, de forma resumida, a Power Skill é a junção de hard skill (habilidade técnica) e soft skill (habilidade comportamental) e está ganhando cada vez mais forma no mundo corporativo.

Na prática, pessoas com Power Skills conseguem colocar em prática todo o seu conhecimento técnico, experiências únicas e habilidades comportamentais de forma estratégica no negócio.

Um dos seus maiores diferenciais está na capacidade de analisar e construir cenários futuros — dois pilares importantes no Mundo BANI do qual vivemos hoje.

“Isso porque, as Power Skills compõem um conjunto de habilidades interpessoais, muitas vezes de difícil mensuração de forma isolada, com habilidades técnicas de cada profissional”, diz em entrevista à StartSe Patricia Suzuki, diretora de recursos humanos da Catho.

“Quando pensamos em um colaborador com power skill elevada, identificamos um profissional potente no que faz — como solucionar problemas e como inovar — engajando o time, colaborando, trabalhando em equipe”, completa a especialista.

POWER SKILL: QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS ENTRE HARD SKILL E SOFT SKILL?

Enquanto a Power Skill é um conjunto completo de habilidades do profissional, “as hard skills são habilidades técnicas que podem ser adquiridas ao longo da vida e que podem ser  facilmente comprovadas”, conta Patrícia.

Já as soft skills são habilidades pessoais, “ligadas diretamente a personalidade de cada indivíduo, como comportamento, autoconhecimento, habilidades emocionais e sociais”, completa.

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS SOFT SKILLS PARA 2022?

Segundo a pesquisa de Tendências de RH para 2022, feita pela consultoria Catho, as cinco principais soft skills que as empresas estão de olho neste ano, são:

• Proatividade

• Trabalho em equipe

• Resolução de problemas

• Relacionamento interpessoal

• Criatividade

Hard skills: o que são e por que são tão importantes na carreira

Soft skills: o que são e por que são tão importantes na carreira

Conheça as 10 habilidades comportamentais mais requeridas pelos RHs

POR QUE AS POWER SKILLS SÃO IMPORTANTES PARA A CARREIRA?

Elas são essenciais para se destacar no trabalho. Se você não tiver essas habilidades, mesmo com um currículo técnico promissor, você não estará um passo à frente.

“São as Power Skills que tornam o profissional único, pois cada pessoa tem suas vivências de aprendizados diferentes uma das outras. As que conseguem unir habilidades técnicas e emocionais, consequentemente, terão ainda mais sucesso dentro das organizações”, afirma Patrícia.

“Não basta apenas o conhecimento técnico e não ter o comportamental adequado. O contrário também funciona da mesma forma, não basta ser uma excelente habilidade de comunicação, por exemplo, e não ter o conhecimento técnico para executar as tarefas”, completa.

QUAIS SÃO AS POWER SKILLS MAIS REQUISITADAS?

Segundo a Forbes, são:

1- Saber se comunicar de forma eficaz e trabalhar em equipe

Seja no trabalho presencial, híbrido ou remoto, é necessário se comunicar com diversas equipes, transmitir ideias com clareza e precisão, por exemplo.

2- Flexibilidade e capacidade de se adaptar rápido

O Mundo BANI exige dos profissionais a capacidade de agir rápido e seguir em frente apesar da incerteza. Ou seja, não ser resistente à mudanças, pois elas são necessárias.

3- Autogestão e liderança

A capacidade de se autoliderar e controlar as responsabilidades diárias se torna cada vez mais importante.

4- Resolver problemas de forma rápida                                                                                                           Novos desafios aparecem constantemente, por isso, trabalhadores que conseguirem manter o controle e resolvê-los de forma rápida e eficaz saem na frente. Não à toa essa habilidade foi destaque do Fórum Econômico Mundial.

COMO DESENVOLVER AS POWER SKILLS?

As Power Skills estão relacionadas às vivências e ao conhecimento adquiridos ao longo da vida e da carreira, “no entanto, é possível aprimorar e acelerar essas habilidades por meio de treinamentos”, diz a especialista.

“A dica aqui é olhar além do que é esperado, se propor a desenvolver atividades que possam ampliar o conhecimento”, completa.

Também é importante perguntar para a liderança e área de recursos humanos da empresa como podem ajudar você a desenvolver as Power Skills — já que estamos na era da transparência entre funcionário e empresa.

Para você ter uma noção, as companhias estão, cada vez mais, apoiando o desenvolvimento de seus times. “No relatório feito pela Catho, 67,3% dos recrutadores entrevistados disseram que vão aumentar os investimentos em treinamentos e capacitações de profissionais”, conta Patrícia.

“Mas é importante lembrar que a gestão da carreira é de responsabilidade de cada profissional, pois só ela sabe onde quer chegar e quais passos entende que são importantes a dar”, afirma.

Diante da declaração, é possível afirmar que a carreira que você quer trilhar depende das habilidades que você irá construir ao longo da vida.

E nunca tivemos tantas transformações — e necessidade de aprendizado — do que agora.

Desde novas tecnologias como NFT, metaverso e inteligência artificial, até novas skills humanas e modelos de negócios; quem entende e começa a aplicar esses conceitos primeiro são aqueles que vão abraçar as melhores oportunidades do mercado no futuro.

Vantagens Competitivas da Startup Valeon

pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para enfrentar a crise.

Com o fechamento do comércio durante as medidas de isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos hábitos para poder continuar efetuando suas compras.

Em vez de andar pelos comércios, durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa barreira.

Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.

Contudo, para esses novos consumidores digitais ainda não é tão fácil comprar online. Por esse motivo, eles preferem comprar nos chamados Marketplaces de marcas conhecidas como a Valeon com as quais já possuem uma relação de confiança.

Inovação digital é a palavra de ordem para todos os segmentos. Nesse caso, não apenas para aumentar as possibilidades de comercialização, mas também para a segurança de todos — dos varejistas e dos consumidores. Não há dúvida de que esse é o caminho mais seguro no atual momento. Por isso, empresas e lojas, em geral, têm apostado nos marketplaces. Neste caso, um shopping center virtual que reúne as lojas físicas das empresas em uma única plataforma digital — ou seja, em um grande marketplace como o da Startup Valeon.

Vantagens competitivas que oferece a Startup Valeon para sua empresa:

1 – Reconhecimento do mercado

O mercado do Vale do Aço reconhece a Startup Valeon como uma empresa de alto valor, capaz de criar impactos perante o mercado como a dor que o nosso projeto/serviços resolve pelo poder de execução do nosso time de técnicos e pelo grande número de audiências de visitantes recebidas.

2 – Plataforma adequada e pronta para divulgar suas empresas

O nosso Marketplace online apresenta características similares ao desse shopping center. Na visão dos clientes consumidores, alguns atributos, como variedade de produtos e serviços, segurança e praticidade, são fatores decisivos na escolha da nossa plataforma para efetuar as compras nas lojas desse shopping center do vale do aço.

3 – Baixo investimento mensal

A nossa estrutura comercial da Startup Valeon comporta um baixo investimento para fazer a divulgação desse shopping e suas empresas com valores bem inferiores ao que é investido nas propagandas e divulgações offline.

4 – Atrativos que oferecemos aos visitantes do site e das abas do shopping

 Conforme mencionado, o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores tem como objetivos:

  • Fazer Publicidade e Propaganda de várias Categorias de Empresas e Serviços;
  • Fornecer Informações detalhadas do Shopping Vale do Aço;
  • Elaboração e formação de coletâneas de informações sobre o Turismo da nossa região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas das 27 cidades do Vale do Aço, destacando: Ipatinga, Cel. Fabriciano, Timóteo, Caratinga e Santana do Paraíso;
  • Ofertas dos Supermercados de Ipatinga;
  • Ofertas de Revendedores de Veículos Usados de Ipatinga;
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sábado, 22 de abril de 2023

UCRANIANOS EM PORTUGAL ENTREGAM CARTA DE PROTESTO A LULA PELAS SUAS DECLARAÇÕES NA GUERRA DA UCRÂNIA

 

Viagem à Europa
Por
EFE – Gazeta do Povo


Presidente Lula recebeu carta da comunidade de ucranianos em Portugal sob protesto em frente à Embaixada.| Foto: Miguel A. Lopes/EFE

A Associação de Ucranianos em Portugal entregou, nesta sexta-feira (21), uma carta à Embaixada do Brasil em Lisboa convidando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ir à capital da Ucrânia, Kiev, e também para rejeitar as declarações feitas pelo mandatário no último fim de semana na Ásia sobre a guerra na Ucrânia.

O presidente da associação, Pavlo Sadokha, disse à imprensa que eles tentarão “explicar a posição da comunidade ucraniana em Portugal e em toda a Europa, diante da invasão da Rússia” e que “a posição de Lula está errada”. Um protesto de ucranianos foi realizado em frente à Embaixada no momento da entrega da carta.

Sadhoka estava se referindo às declarações feitas por Lula no último fim de semana, quando disse que os presidentes de Rússia e Ucrânia, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, respectivamente, “não tomam a iniciativa” de chegar à paz, enquanto “Europa e Estados Unidos acabam contribuindo para a continuação desta guerra através do envio de armas”.

“Esta guerra pode ser parada quando Putin for condenado, quando as tropas russas deixarem a Ucrânia. Só então nós poderemos sentar e conversar”, disse Sadokha, afirmando que “não há países neutros” neste conflito.

A carta também “reforçará o convite de Zelensky” para que Lula visite Kiev. Um pouco mais cedo, Lula pediu a Celso Amorim, assessor especial da Presidência para política externa, que visite a Ucrânia em uma data ainda a ser negociada.

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“A visita do presidente Lula à Ucrânia significaria que ele compartilha os valores do mundo democrático e está do lado dos ucranianos”, acrescentou Sadokha.

“Somos nós que pagamos com vidas, com a destruição de nosso país, pelos interesses políticos globais negociam com o ditador Putin à custa do sofrimento dos países que a Rússia invade. Não queremos ver o Brasil como um aliado do regime criminoso de Putin, mas suas declarações nos preocupam”, lê-se em um dos parágrafos da carta, à qual a Agência EFE teve acesso.

Lula chegou a Lisboa pela manhã em visita oficial que durará até a próxima terça-feira (25).

Em sua agenda estão previstas reuniões com o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, António Costa, e uma cúpula bilateral que pretende avançar questões comuns.

Política externa
Após críticas do Ocidente, Lula manda Celso Amorim visitar Zelensky em Kiev
Por
Gazeta do Povo


Depois de visitar a Rússia, assessor especial de Lula Celso Amorim também irá à Ucrânia| Foto: Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto

Após a repercussão negativa das falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a guerra no Leste Europeu, Celso Amorim, assessor especial da Presidência para política externa, visitará a Ucrânia. O principal conselheiro de Lula no tema, Amorim se reuniu recentemente com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou, gesto que irritou aliados do Ocidente.

A viagem de Amorim à Ucrânia foi informada nesta sexta-feira (21) pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, após reunir na Embaixada do Brasil em Lisboa com representantes da comunidade ucraniana em Portugal. Durante o encontro, Macêdo recebeu uma carta endereçada a Lula sobre a posição da comunidade ucraniana em relação à invasão da Rússia.

O ministro expressou solidariedade às vítimas ucranianas e encaminhou a carta para o presidente, reforçando a posição do governo brasileiro de promover esforços internacionais para uma paz mediada entre os dois países em conflito. Segundo ele, Celso Amorim, irá a Kiev para um encontro com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, por determinação de Lula.

Portugal abriga uma grande comunidade ucraniana, que se organizou para rejeitar as declarações de Lula de que a Ucrânia também é responsável pela guerra. As falas fizeram o governo em Kiev convidar Lula pela segunda vez para visitar o país.


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