Gonçalves Dias falou por mais de quatro horas à PF sobre imagens
da invasão ao Palácio do Planalto no 8/1, e GSI pode ter mudanças.|
Foto: André Coelho/EFE
O ex-ministro do Gabinete de Segurança
Institucional (GSI), Marco Edson Gonçalves Dias, prestou depoimento à
Polícia Federal nesta sexta (21), em Brasília, sobre as imagens da
invasão ao Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro em que aparece
circulando entre os manifestantes.
O depoimento durou pouco mais de quatro horas e o ex-ministro não deu
declarações à imprensa. O depoimento de Gonçalves Dias foi pedido nesta
quinta (20) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF), após o vazamento das imagens, que estavam sob sigilo nas
investigações que apuram as responsabilidades pelos atos de 8 de
janeiro, que culminaram com a invasão e a depredação das sedes dos Três
Poderes.
Segundo declarações do ex-ministro dadas em depoimento, divulgadas
pela GloboNews e pela Folha de São Paulo no começo da noite, Gonçalves
Dias afirmou que não tinha conhecimento da classificação de risco dada
pelas autoridades para o dia dos ataques, que houve um “apagão geral do
sistema pela falta de informações para a tomada de decisões” e que não
tinha como deter sozinho o grupo de invasores.
Gonçalves Dias diz que chegou ao Palácio do Planalto por volta das
14h50 e viu a multidão “conseguir superar o bloqueio da PMDF [Polícia
Militar do Distrito Federal] e partir em direção” à sede do Poder
Executivo, pela frente do prédio e pela lateral, superando outra
barreira formada pelo pelotão do Exército. Ele segue no depoimento
relatando o avanço dos manifestantes sobre os policiais e que pediu
reforço para o General Dutra, mas que não viu se o pedido foi atendido –
disse que, ao final da operação, o contingente era de 487 militares e
de 520 policiais militares.
“Ao entrar no prédio do Palácio do Planalto, se dirigiu ao 4º andar e
verificou que havia invasores e estavam sendo retirados por agentes do
GSI e, após descer para o 3º andar, fez uma varredura e encontrou outros
invasores na sala contígua e conduziu essas pessoas à saída, após a
porta de vidro”, relata um trecho do depoimento.
O ex-ministro disse à PF que solicitou ao coronel Vandeli a presença
da tropa de Choque da PM para prender os envolvidos. Indagado pelo
motivo de não ter feito prisões nos 3º e 4º andares do Palácio,
Gonçalves Dias disse que “estava fazendo um gerenciamento de crise e
essas pessoas seriam presas pelos agendes de segurança no 2º piso tão
logo descessem, pois esse era o protocolo”.
“O declarante não tinha condições materiais de sozinho efetuar prisão
das três pessoas ou mais que encontrou, sendo que um dos invasores
encontrava-se altamente exaltado”, relata outro trecho do depoimento.
O ex-ministro disse, ainda, que não deu ordem para “evacuar os
invasores do prédio, mas se por ventura algum de seus subordinados deu
essa ordem, não foi de seu conhecimento”. Ele afirmou, ainda, que deu
ordem de prisão e que “foram efetuadas mais de 200”.
A Polícia Federal indagou Gonçalves Dias sobre a imagem que mostra o
major José Eduardo Natale de Paula Pereira entregando uma garrafa de
água a um dos manifestantes, e ele respondeu que o ato “deve ser
analisado pelas circunstâncias do momento os motivos do major, mas que
se tivesse presenciado, o teria prendido”.
Ele relatou, ainda, que as imagens divulgadas têm um “corte e edição
na gravação de aproximadamente 30 minutos, ficando claro que não estava
no mesmo tempo em que ele entregou a garrafa de água”, disse. Gonçalves
Dias afirmou, ainda, que entregou todas as imagens do circuito de
segurança às autoridades e que todas as pessoas que aparecem nos vídeos
do 3º piso do Palácio do Planalto já foram identificadas e os nomes
entregues ao STF.
Em declaração reservada à TV Globo após o depoimento, Gonçalves Dias
disse que “o comparecimento na sede da Polícia Federal é, para mim, uma
grande oportunidade de esclarecer os fatos que têm sido explorados na
imprensa. Confio na investigação e na Justiça, que apontarão que eu não
tenho qualquer responsabilidade seja omissiva ou comissiva nos fatos do
dia 8 de janeiro”.
Em declaração reservada à TV Globo após o depoimento, Gonçalves Dias
disse que “o comparecimento na sede da Polícia Federal é, para mim, uma
grande oportunidade de esclarecer os fatos que têm sido explorados na
imprensa. Confio na investigação e na Justiça, que apontarão que eu não
tenho qualquer responsabilidade seja omissiva ou comissiva nos fatos do
dia 8 de janeiro”.
Na decisão que pediu o depoimento de Gonçalves Dias, Moraes
considerou como “gravíssimas” as imagens, e que “indicam a atuação
incompetente das autoridades responsáveis pela segurança interna do
Palácio do Planalto, inclusive com a ilícita e conivente omissão de
diversos agentes do GSI”.
Além do interrogatório, Moraes cobrou da PF todas as imagens de
câmeras, inclusive as do Palácio do Planalto, bem como as perícias e
providências tomadas sobre elas – essa determinação foi feita no próprio
dia 8 de janeiro. Moraes ainda pediu informações sobre depoimentos de
militares do Batalhão da Guarda Presidencial, que fazem a segurança da
Presidência – essa ordem foi dada no dia 27 de fevereiro.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (em primeiro plano), e o
presidente da Câmara, Arthur Lira (ao fundo), durante entrevista sobre o
projeto do novo arcabouço fiscal.| Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Quase
três semanas depois da entrevista coletiva em que os ministros da
Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, anunciaram as
principais linhas da nova regra fiscal que substituirá o teto de
gastos, o presidente Lula e Haddad chamaram o presidente da Câmara,
Arthur Lira (PP-AL), e o vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do
Rêgo (MDB-PB), ao Palácio do Planalto para entregar o projeto de lei do
novo arcabouço. O texto mostra que, apesar de todas as críticas que
foram feitas ao longo deste período, o governo insistirá até onde for
possível em sua ideia original, extremamente dependente de elevação da
receita e que deixa pouco incentivo para um ajuste fiscal responsável,
com redução de gastos e otimização do Estado brasileiro.
As principais diretrizes estão mantidas, incluindo o novo “piso de
gastos” que permite aumento real das despesas governamentais (ou seja,
acima da inflação) independentemente do desempenho da economia. Como já
havia sido divulgado no fim de março, a elevação das despesas em termos
reais corresponderá a 70% do aumento das receitas líquidas do acumulado
em 12 meses, até um limite de 2,5%. No entanto, mesmo que a receita não
cresça, mesmo que as metas de resultado primário fiquem longe do
previsto, mesmo que o PIB caia, o governo ainda poderá promover aumento
real de gastos de 0,6%. E, como o projeto estabelece 13 tipos de
despesas que não estarão limitadas pela nova regra, já se pode dar como
certo que o verdadeiro ritmo da elevação de despesas será maior que as
porcentagens estabelecidas no novo arcabouço.
O arcabouço é excessivamente dependente do aumento das receitas,
garante a um governo gastador a possibilidade de aumentar despesas mesmo
quando tudo for mal, e não tem nenhum tipo de estímulo à racionalização
dos gastos governamentais
Houve uma única concessão mais significativa feita pelo Ministério da
Fazenda nessas três semanas: uma trava para investimentos. Em março,
havia sido divulgado que, no caso (por enquanto altamente improvável) de
o resultado primário ficar acima da banda superior das metas – zero em
2024 e superávits de 0,5% do PIB em 2025 e 1% do PIB em 2026, com banda
de 0,25 ponto para cima e para baixo –, toda a sobra poderia ser
revertida para investimentos como obras públicas e aquisição de
equipamentos. Na regra enviada ao Congresso, este uso extraordinário
fica limitado a R$ 25 bilhões, e o que passar disso deve ser destinado
ao abatimento da dívida pública. Aqui há um eco, ainda que distante, do
espírito do teto de gastos, que tinha entre suas virtudes facilitar a
redução da dívida pública em anos de vacas gordas e receitas elevadas.
Em resumo, o arcabouço formalmente enviado ao Congresso confirma o
que já tinha sido dito quando da apresentação de suas linhas gerais: é
um plano excessivamente dependente do aumento das receitas – leia-se
especialmente arrecadação –, garante a um governo gastador a
possibilidade de aumentar despesas mesmo quando tudo for mal, e não tem
nenhum tipo de estímulo à racionalização dos gastos governamentais (não
há nem mesmo punição para o caso de a meta de superávit não ser
cumprida). Nestas condições, o objetivo de trazer a dívida pública a
patamares mais compatíveis com o de nações emergentes fica seriamente
prejudicado – especialmente se o sucesso do arcabouço depender
diretamente de outras reformas como a tributária e de circunstâncias
como juros baixos, assim como o teto de gastos, para ser plenamente
eficaz, dependia de medidas como as reformas da Previdência e
administrativa.
VEJA TAMBÉM: Por que o teto desabou (editorial de 14 de abril de 2023) Os recordes de fevereiro e o novo arcabouço fiscal (editorial de 3 de abril de 2023) Arcabouço fiscal ainda deixa muitas incertezas (editorial de 30 de março de 2023)
Ao contrário do teto de gastos, instituído por emenda à
Constituição que dependia de maioria qualificada, o novo arcabouço
requer maioria simples de deputados e senadores com uma votação em cada
casa legislativa. Lira já disse não acreditar em grandes dificuldades
para a aprovação, que ele espera ocorrer até 10 de maio; o presidente do
Senado, Rodrigo Pacheco, também disse que a casa deve aprovar o
arcabouço no próximo mês. No entanto, parlamentares de direita e centro
prometem pressão para atacar os pontos fracos do texto. Uma depuração
criteriosa e bem feita no texto do arcabouço fará muito bem ao Brasil,
um país com tradição de gasto público excessivo e pouco eficiente.
Vou comentar brevemente, como é
próprio destes artigos, um assunto que me tocou bastante. Eu participei
de um encontro empresarial e presenciei o depoimento comovido de um
empresário sobre a situação dele e seu negócio. O tema que ele abordou é
importante não apenas para empresários, mas também para empregados,
profissionais autônomos e investidores.
O empresário relatou sua luta nos últimos 30 anos para iniciar um
pequeno negócio, crescer um pouco, chegar a algum sucesso, mas a crise
da pandemia trouxe suas agruras: queda nas vendas, altos tributos
seguindo sendo cobrados e a decisão de não demitir os empregados, mas
mantê-los retidos em casa pelo isolamento social, com alguma redução
salarial.
Após sofrer durante os dois anos de pandemia, ele voltou à ativa no
ano passado e está tentando se levantar. Porém, segundo seu relato, a
pressão governamental em todos os níveis – municipal, estadual e federal
–, o alto custo do dinheiro, a burocracia estatal, os altos custos
tributários e o vai-e-vem da legislação são fatores de cansaço e
estresse. Ele disse que está pessoalmente esgotado, enfraquecido
financeiramente e quase desistindo.
Quando nós decidimos por qualquer atividade, como assalariado,
trabalhador autônomo, dono de um negócio próprio ou investidor, o
primeiro passo é saber que nós estamos dentro de uma realidade chamada
Brasil, com suas virtudes e imperfeições
Afora a pandemia, que foi uma tragédia mundial, ele reclamou muito do
Brasil e do governo nas três esferas da federação, e disse que luta
para fazer tudo certo e dentro da lei, mas não sabe até quando
conseguirá. E foi aí que ele chorou. Trata-se de um empreendedor
honesto, preocupado com seus funcionários e que, após três décadas, está
diante da ameaça de quebrar.
Nos debates, eu fui chamado a dar alguma opinião. Lembrei que quem
está de fora não tem a mesma autoridade daquele que está dentro da
tempestade e sofrendo os efeitos da crise. De qualquer forma, comecei
dizendo que, quando nós decidimos por qualquer atividade, como
assalariado, trabalhador autônomo, dono de um negócio próprio ou
investidor, o primeiro passo é saber que nós estamos dentro de uma
realidade chamada Brasil, com suas virtudes e imperfeições.
VEJA TAMBÉM: Práticas radicais e a redução de empregos A empresa da era industrial está obsoleta Uma fábula corporativa e as inovações
Nessa realidade, que começa com nosso país, penso em três
atitudes. Então, minha sugestão número 1 é: procure conhecer e avaliar a
realidade. Sugestão número 2: Entenda e aceite a realidade. Sugestão
número 3: Aprenda a lidar com a realidade. Claro que é muito mais cômodo
dar palpites do que estar na posição de quem tem de executá-los.
Raymond Dalio, grande investidor de Nova York, afirma que “não há
nada mais importante do que entender como a realidade funciona e
aprender a lidar com ela”, e sugeriu que, toda vez em que você tirar uma
conclusão ou tiver uma ideia, em vez de dizer “eu estou certo”,
pergunte-se: “como sei que estou certo?” Para responder, é útil ouvir
outras pessoas e contraditórios de sua própria opinião.
O Brasil é um país imenso, tem uma natureza maravilhosa, é rico de
recursos naturais, mas também é pobre em termos de produto nacional por
habitante, é uma nação atrasada, com baixa produtividade, o governo é
grande e custa caro para a população, e além disso há muita ineficiência
e corrupção. Como agravante, a sociedade brasileira vive sob uma
multidão de leis ruins, confusas e conflituosas entre si, cuja
consequência está no fato de que há mais de 100 milhões de processos em
andamento no Poder Judiciário.
O Brasil é um país imenso e rico de recursos naturais, mas é pobre em
termos de produto nacional por habitante, é atrasado e tem baixa
produtividade, o governo é grande e custa caro para a população, e além
disso há muita ineficiência e corrupção
A realidade brasileira começa com esses aspectos referidos, a serem
considerados no trabalho de conhecer e aceitar a realidade para, em
seguida, aprender a lidar com ela. Não fazer isso é submeter-se às
consequências da realidade e, talvez, mudar de atividade ou de negócio.
Se mudar de atividade ou negócio e continuar dentro do Brasil, o
empreendedor volta a atuar dentro da mesma realidade que o motivou para a
mudança. De certa forma, o problema continua o mesmo.
A via sacra daquele empresário é a mesma que acomete milhões de
empreendedores brasileiros e acaba afetando, de um jeito ou de outro, os
trabalhadores assalariados, os autônomos e os investidores. Há crises
que nos são impostas pela natureza, como uma pandemia ou uma seca, mas
há crises que se originam em tragédias fabricadas por nós mesmos e nos
remetem ao alerta de Shakespeare em Hamlet: “Estão em nós mesmos, meu
caro Brutus, e não nas estrelas, as causas de nossas desgraças”.
Movimento aliado de Lula MST se sente à vontade no governo Lula com agenda internacional, invasões e pressão política Por Aline Rechmann – Gazeta do Povo
Lula com MST| Foto: Divulgação / MST
As invasões de terra
praticadas pelo Movimento dos Sem Terra (MST) têm aumentado durante o
governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além disso, subiu também o
número de nomes indicados ou relacionados ao movimento que foram
nomeados para cargos na gestão petista. Outro ponto que tem chamado a
atenção e gerado reações da bancada do agronegócio diz respeito às
viagens internacionais de líderes do MST.
Ao emplacar nomes na administração federal, de acordo com líderes do
MST, eles “garantem o espaço para ampliação de um programa mais voltado
para pautas progressistas”.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), retirada do Ministério
da Agricultura e agora subordinada ao Ministério do Desenvolvimento
Agrário e Agricultura Familiar (MDA), hoje é presidida pelo ex-deputado
estadual Edegar Pretto (PT-RS). O MDA, por sua vez, é comandado pelo
ministro Paulo Teixeira, que assim como Pretto, tem forte ligação com o
MST.
Milton José Fornazieri engrossa a lista de nomeações do MST em cargos
no governo Lula. Também subordinado ao comando do ministro Paulo
Teixeira, Fornazieri foi coordenador de Produção do MST. Outro nome é o
da ex-coordenadora nacional do MST Kelli Mafort, que agora ocupa o cargo
de secretária Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas
Públicas na Secretaria-Geral da Presidência.
A participação do MST no governo Lula ainda pode crescer diante da
pressão por mais cargos e espaço na administração federal. Desse modo, o
movimento social tem colocado em prática uma série de ações coordenadas
em que reivindica especialmente a exoneração e a nomeação de
superintendentes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra) nos estados.
As sedes do Incra de pelo menos cinco estados foram invadidas pelo
MST. Uma das ocupações foi feita no estado de Alagoas. Em nota conjunta
dos movimentos e organizações que coordenaram a ação, a exigência de
cargos fica evidente. No documento, ao mesmo tempo em que pedem a
exoneração “imediata e necessária do ‘bolsonarista raiz’” César Lira da
superintendência do órgão, indicam um funcionário de carreira para
assumir a vaga.
Ainda de acordo com a nota divulgada, os movimentos classificam como
“inaceitável a continuidade de uma gestão bolsonarista” e questionam o
motivo de o governo Lula manter no cargo, por mais de cem dias, “um
superintendente inimigo da reforma agrária e com um histórico de
violência junto a lideranças e comunidades”.
A pressão do MST sob o governo tem surtido efeito. Pelo menos sete
estados já tiveram trocas na superintendência do Incra entre a semana
passada e esta terça (18).
De acordo com publicações do Diário Oficial da União, entre os dias
13 e 18 de abril, foram nomeados Nelson José Grasselli para o Incra no
Rio Grande do Sul, Francisco Erivando Santos de Sousa para o do Ceará,
Paulo Roberto da Silva para Mato Grosso do Sul, Elias D’Angelo Borges
para Goiás, Nilton Bezerra Guedes para o Paraná, Maria Lúcia de Pontes
para o Rio de Janeiro e Edvânio Santos de Oliveira para Mato Grosso.
Também na terça (18), integrantes do governo criticaram as invasões
promovidas pelo movimento, principalmente à área da Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Pernambuco. As manifestações
vieram dos ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Paulo
Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Carlos Fávaro (Agricultura).
Apesar das críticas, as nomeações de superintendentes do Incra
alinhados às pautas do MST seguem ocorrendo. Em Santa Catarina, o
ex-deputado estadual Dirceu Dresch (PT-SC), historicamente ligado ao
movimento, foi nomeado superintendente. Dresch substituiu o servidor de
carreira Nilton Tadeu Garcia, nomeado no governo Temer e que contou com
apoio de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a permanência
no cargo no governo passado.
Na Bahia, Carlos José Barbosa Borges também foi recentemente nomeado
como superintendente do Incra. A indicação foi feita pelo deputado
federal Valmir Assunção (PT-BA), com apoio do MST.
Os quadros políticos do MST também conquistaram espaço na disputa
eleitoral de 2022, quando o movimento conseguiu eleger quatro deputados
estaduais e três deputados federais.
Questionado sobre como o movimento avalia o espaço dado pelo atual
governo, Wesley Lima, um dos responsáveis pela comunicação do MST,
afirmou: “Não queremos ocupar as cadeiras dos ministérios por
bandeirinhas de partidos ou por tendências, mas por orientação de uma
linha política que seja voltada para a execução do programa”.
Lima destacou ainda que estar no governo não resolve a questão da
Reforma Agrária. “O MST entende que é necessário construir lutas
populares, ocupar terras, denunciar o agronegócio e pressionar o Estado
para que terras sejam desapropriadas e que famílias possam produzir
alimentos saudáveis para toda a sociedade”, concluiu.
VEJA TAMBÉM:
Integrantes do MST realizam protestos e invasões em PE, SP, MG e CE
Governo troca superintendentes do Incra em 7 estados após invasões do MST
Ministros criticam invasões do MST e pedem desocupação de terreno da Embrapa
A internacionalização das lutas Entre o final de março e o início
de abril, a viagem internacional do integrante da direção nacional do
MST, João Paulo Rodrigues, com agendas em pelo menos cinco países,
ganhou repercussão. Rodrigues teve sua viagem custeada pelo evento do
qual participou: um seminário promovido pela Global Justice Now
(organização com sede no Reino Unido).
Apesar de Rodrigues mencionar as questões climáticas e de
alternativas energéticas em sua postagem, a página do evento tem como
título “Resisting Monopoly Capitalism” (Resistindo ao Capitalismo
Monopolista, em tradução literal) e dá destaque para o crescimento do
movimento contra os monopólios.
Em sua conta no Instagram, o integrante do MST fez questão de
registrar a passagem pelo túmulo do teórico comunista Karl Marx e sua
participação em manifestações nas ruas de Paris contra a reforma da
previdência proposta por Emmanuel Macron, presidente da França.
Já João Pedro Stédile, coordenador nacional do Movimento dos Sem
Terra, também fez uma viagem internacional neste ano. Ele integrou a
comitiva oficial do presidente Lula em missão na China. Durante a
viagem, Stédile afirmou que as ações do MST seguiriam acontecendo – e
não só em abril. Ele destacou que “a mobilização popular, marchas,
vigílias, manifestações e ocupações de terras públicas e latifúndios
improdutivos fazem parte da existência do MST e que isso não é nenhuma
novidade”.
Para o deputado federal Ricardo Salles (PL-SP), “Stédile ter ido à
China com Lula é um absurdo” e comprova a tese de que “o governo mente
quando diz que não está apoiando as invasões”.
Diante das declarações de Stédile sobre a possibilidade de novas
invasões, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) protocolaram ações contra o
coordenador e contra o MST.
A CNA entrou com um pedido de liminar junto ao Supremo Tribunal
Federal (STF) para impedir invasões de propriedades rurais em todo o
país. Já a FPA recorreu ao Ministério Público do Distrito Federal,
Procuradoria Geral da República (PGR), Ministério Público do Estado de
São Paulo, Advocacia-Geral da União e Tribunal de Contas da União para
pedir a investigação e a prisão de Stédile.
Invasões em abril As declarações feitas por líderes do Movimento
dos Sem Terra (MST) sobre a “Jornada de Lutas no Abril Vermelho”,
intensa em ações do grupo, estão se cumprindo. Em praticamente todos os
estados do Brasil, estão sendo registradas manifestações nas ruas,
invasões de terras e de órgãos públicos, além de atos e eventos como
palestras em universidades.
No fim de semana, integrantes do MST invadiram nove áreas em
Pernambuco. Uma delas foi uma fazenda da Embrapa no estado. O local
serve como instalação de experimentos diversos e multiplicação de
material genético básico de cultivares.
Além disso, de acordo com a Empresa, trata-se de áreas de preservação
da Caatinga e a invasão compromete “a vida de animais ameaçados de
extinção, além de pesquisas para conservação ambiental e de uso
sustentável do Bioma”.
Em uma postagem nas redes sociais, o ministro da Agricultura do
governo Lula, Carlos Fávaro, condenou a ação do grupo e chamou a invasão
de “crime”.
Houve também invasões em São Paulo, Minas Gerais e Ceará nos últimos dias.
Investigação em CPI ainda não tem data para começar No Congresso,
a CPI do MST aguarda pela deliberação do presidente da Câmara, Arthur
Lira. O deputado Ricardo Salles diz que a promessa é de que a CPI possa
dar início aos trabalhos logo após a instalação da CPMI do 8 de janeiro.
Marcada inicialmente para acontecer nesta terça-feira (18/4), a Sessão
Conjunta do Congresso Nacional, que poderia dar o pontapé inicial na
CPMI do 8 de janeiro, foi adiada, com nova data provável para o dia 26
de abril.
Salles aposta no poder investigativo da CPI, que permite a quebra do
sigilo fiscal e telefônico, para avançar na punição aos envolvidos com
as ações do MST. “Queremos chamar também as autoridades estaduais que
estão se omitindo, com exceção de São Paulo, sobre as invasões”, pontuou
o parlamentar. Ele é um dos autores do requerimento de criação da CPI
do MST.
De acordo com o parlamentar, o prejuízo que se pode ter com a invasão
à fazenda da Embrapa não tem valor estimável. “Os valores do tipo de
pesquisa encontrados naquela instalação são intangíveis. É impossível
calcular as perdas, caso algo seja destruído”, afirmou. “É um absurdo
principalmente em se tratando de grupos que atacaram o governo Bolsonaro
dizendo que éramos contra a ciência. Ora, quem invade laboratórios e
destró pesquisas são eles”, completou Salles, que foi ministro do Meio
Ambiente no governo Bolsonaro.
Para o deputado Arnaldo Jardim (CD-SP), vice-presidente da FPA na
Câmara dos Deputados, salientou que será necessário trabalhar em uma
forma de punição maior diante do cenário atual. “Nós trabalhamos pela
reforma agrária, mas somos terminantemente contra invasões de terra.
Temos que respeitar a propriedade e vamos trabalhar por requerimentos
que possam aumentar a punição para quem invade, e claro, impedir que
esses invasores tenham acesso às políticas sociais”, enfatizou.
Cuidar de um celular pode parecer algo simples e que se resume apenas
a não deixá-lo cair no chão e não dar bobeira com ele na rua para não
ser assaltado, mas os cuidados para que um smartphone tenha uma longa
vida útil vão além disso – é preciso ficar atento até com a temperatura
do ambiente em que o aparelho se encontra.
O Estadão reuniu 8 dicas sobre o que não fazer com o celular para fazê-lo durar mais tempo. Veja a seguir.
Não exponha o celular a altas temperaturas
Em dias quentes é importante ficar mais atento ao seu celular.
Aparelhos eletrônicos esquentam movidos a baterias elétricas. Porém,
apesar de serem capazes de funcionar sem problemas em temperaturas altas
entre 37°C e 43°C, é necessário ser cauteloso com os dispositivos em
ambientes mais extremos, como em uma praia.
Em situações em que o sol está forte, é essencial tirar o celular da
luminosidade e o colocar na sombra. Com o aumento da temperatura do
celular é possível que o processador e a bateria sejam danificados e até
o chip do aparelho pode parar de funcionar completamente.
O mais indicado é que o dispositivo permaneça em ambientes com
temperatura entre 15ºC e 30ºC. Além disso, é recomendável carregar
dispositivos móveis sem a capinha para não superaquecer o aparelho.
Não use carregadores falsos
Apesar de os carregadores originais serem mais caros, o preço de usar a versão pirateada pode ser mais caro.
Os carregadores originais oferecem mais segurança para o smartphone
por terem a voltagem e a amperagem ideais para o dispositivo, coisa que
não acontece nas versões falsificadas.
Sem as configurações indicadas para o celular, a bateria pode ser danificada e ter sua vida útil drasticamente encurtada.
Não coloque o celular em água salgada (mesmo aqueles à prova d’água)
Mesmo alguns aparelhos celular sendo resistentes a água, os
fabricantes não recomendam que o smartphone seja exposto à água salgada.
Normalmente, a proteção contra água é apenas para água doce.
Por conta do sal presente na água salgada, os componentes do celular podem oxidar e ser danificados internamente.
De qualquer forma, em caso de qualquer contato indevido de um celular
com água, é recomendável que o aparelho seja colocado em uma bacia com
arroz por algumas horas para que a umidade do dispositivo seja
absorvida.
Caso essa “tática” não funcione, o ideal é levar o celular para uma
assistência técnica autorizada para avaliar os danos causados ao
aparelho.
Não coloque outros objetos no mesmo bolso do celular
Aparelhos eletrônicos, geralmente, são muito sensíveis. Então
colocá-los em um bolso com vários outros objetos não é recomendável.
Além de danos superficiais, como ter a tela riscada por uma chave, o
celular pode ser prejudicado internamente se tiver contato com líquidos,
como água em uma garrafa de aguá ou até um perfume.
Assim, tente manter o dispositivo eletrônico isolado em um bolso
sozinho ou, ao menos, dentro de um recipiente de plástico, que evite que
ele seja danificado ao entrar em contato com outros itens.
Não deixe o celular junto ao corpo ao praticar esportes
Assim como a água salgada, o suor do corpo é capaz de oxidar itens eletrônicos.
Assim, ao praticar esportes não é recomendável manter o smartphone em
contato com o corpo. Para evitar o contato com o suor, leve uma pochete
ou um saco plástico onde o aparelho eletrônico pode ficar isolado e sem
contato direto com a pele.
Não deixe o celular no banheiro ao tomar banho
Mesmo que o celular não entre debaixo do chuveiro junto com o seu
dono, ele pode ser danificado estando no mesmo ambiente em que ele toma
banho.
A umidade do vapor d’água é um agente potente capaz de causar danos
internos no dispositivo, podendo prejudicar a bateria e até a tela do
aparelho.
Sendo assim, ao tomar um banho quente, deixe o celular de fora.
Não deixe de fazer as atualizações de software
As atualizações de software de um celular não existem a toa. Elas são
responsáveis por melhorar não só o visual do aparelho, mas também seus
recursos de segurança e eficiência.
Então, é importante realizar todas as atualizações disponíveis para o
smartphone, realizar backups de arquivos e apps e verificar suas
senhas. Essas etapas garantem desempenho máximo do seu aparelho.
Não deixe apps e aquivos sem uso no celular
Assim como é importante atualizar aplicativos e realizar backup dos arquivos, é importante filtrar os recursos utilizados
Quanto mais arquivos e aplicativos existirem num celular, mais lento
ele fica – além disso prejudicar também o desempenho da bateria, que
passa a ter uma durabilidade significativamente menor.
Por esse motivo, é importante fazer uma “vistoria” periódica no
smartphone para desinstalar aplicativos e apagar arquivos não usados.
Isso, além de aumentar o espaço de armazenamento do dispositivo,
garante uma eficiência maior e, a longo prazo, sua durabilidade.
Bateria do celular: não cometa esses erros e economize energia
Foto: Tiago Queiroz / Estadão
Por Alice Labate – Jornal Estadão
Confira 7 dicas para fazer a bateria do seu smartphone durar mais
A bateria de um celular é essencial para o funcionamento do aparelho,
mas também é suscetível a danos causados pelo uso diário e intensivo.
Por isso, é importante saber como conservar a bateria do celular para
prolongar sua vida útil e até para garantir que ela dure mais durante o
dia.
Uma das principais dicas para conservar a bateria do celular é evitar
deixá-lo carregando por muito tempo, além de evitar utilizá-lo durante o
carregamento. Além disso, outra dica inclui desativar recursos que
consomem muita energia do dispositivo quando não estiverem em uso, como
os dados móveis.
Pensando nisso, o Estadão reuniu 7 dicas do que não
fazer para conservar a bateria do celular. Os primeiros quatro tópicos
incluem dicas de uso para economizar energia durante o dia e os demais
três itens são dicas para conservar a vida útil da carga.
Não deixe o brilho da tela no máximo
Apesar de parecer um ajuste inofensivo, o brilho da tela do celular
pode ser um grande vilão na hora de economizar a bateria do celular. O
brilho da tela no nível máximo é um dos recursos que mais consomem a
carga do aparelho eletrônico, porque, quanto mais luz o aparelho
necessitar para manter a luminosidade, mais energia ele consome.
Sendo assim, sempre que estiver com pouca bateria e quiser economizar, abaixe o nível de brilho da tela.
Não deixe os dados móveis sempre ligados
A conexão com a internet é o recurso de que mais necessitamos ao usar
o celular, porém, quando se está com baixa carga, o melhor a se fazer é
desativar os dados móveis e procurar por uma rede Wi-Fi.
Manter a rede móvel do aparelho sempre ativada gasta muito a bateria,
então o recomendado é que se desative sempre que possível e opte por
buscar uma conexão Wi-Fi, que não consome tanta energia como a internet
do celular.
Não deixe o celular no modo vibração o tempo todo
Para quem costuma receber muitas notificações, desative o modo
vibração do celular. Esse recurso pode parecer inofensivo, mas consome
muita bateria por exigir que o motor de vibração do aparelho permaneça
funcionando.
Nesse caso, a recomendação é que deixe o celular no modo silencioso
ou noturno – que, geralmente, não vibram – ou que ative o toque do
smartphone para que o aparelho não vibre.
Não deixe apps em segundo plano
Muitas vezes transitamos entre muitos aplicativos no nosso celular e
esquecemos de desativá-los em segundo plano, porém essa prática ajuda
muito na economia da bateria.
Enquanto os apps estão em segundo plano, eles continuam utilizando a
energia do aparelho para permanecerem executando. Então, sabendo disso,
para economizar a carga do celular procure sempre remover todos os apps
em segundo plano.
Não carregue a bateria até 100%
Ver o ícone da bateria 100% carregada no celular é algo satisfatório,
mas não é o mais recomendado para conservar a vida útil da bateria a
longo prazo.
O mais indicado para manter a bateria de um aparelho eletrônico
saudável é carregá-lo até a faixa dos 80%. O motivo disso seria porque,
quanto mais carga a bateria receber, mais íons de lítio se deslocam, o
que pode sobrecarregar a bateria a longo prazo e reduzir rapidamente a
sua funcionalidade.
Não use carregadores falsificados
Que os carregadores falsos são mais baratos a gente já sabe, mas o uso não é saudável para a bateria do celular.
O uso de carregadores que não são originais prejudicam a vida útil da
bateria e podem até superaquecer o aparelho e causar curtos elétricos
por não serem produtos feitos “sob medida” para o smartphone.
Não use o celular enquanto carrega
Usar o smartphone enquanto ele estiver carregando não é indicado porque impacta na vida útil da bateria a longo prazo.
Você já deve ter reparado que, ao utilizarmos o celular quando ele
está conectado na tomada, ele fica mais quente do que o usual. O
superaquecimento do aparelho eletrônico reduz drasticamente a vida útil
da sua carga. O recomendável é que não se use o aparelho durante o seu
carregamento.
*Alice Labate é estagiária sob supervisão do editor Bruno Romani
Cientistas da Nasa conseguiram, com uma
sonda, alterar rota de asteroide e mostraram ser possível evitar
tragédia futura; ameaças criadas pelo homem seguem um problema
Por Fernando Reinach – Jornal Estadão
Faz 66 milhões de anos que um asteroide de aproximadamente 1 quilômetro de diâmetro colidiu com a Terra. A colisão foi responsável pela extinção dos dinossauros. Ninguém quer que isso se repita e provoque a extinção da humanidade. Foi por esse motivo que a Nasa criou
o escritório de coordenação de defesa planetária, que mantém uma lista
de todos os asteroides que podem um dia vir a colidir com a Terra.
Hoje sabemos que nos próximos cem anos não seremos atingidos por um
asteroide capaz de causar um desastre global. Infelizmente, a lista
ainda não está completa para asteroides menores, capazes de provocar
danos regionais. Mas de que adianta ser capaz de prever quando seremos
atingidos se nada puder ser feito para evitar a tragédia? Por esse
motivo foi criado, e agora testado, um programa cujo objetivo é desviar a
rota de asteroides.
Para o teste, os cientistas escolheram um asteroide que estava a 11
milhões de quilômetros da Terra. É composto por dois blocos de pedra, um
de 780 metros de diâmetro, pesando 523 bilhões de quilos, chamado
Didymos; e outro que orbita em volta do primeiro, com 150 metros de
diâmetro e 4,8 bilhões de quilos, chamado Dimorphos.
O objetivo da missão era enviar uma sonda espacial de 500 quilos, do
tamanho de um frigobar, em alta velocidade (24 mil quilômetros por hora)
e atingir a rocha menor bem no meio. O impacto do frigobar deveria ser
suficiente para alterar a órbita da rocha menor, o que por sua vez
alteraria a trajetória.
Mas a tarefa não é fácil: o frigobar possuía somente uma câmara, uma
espécie de GPS capaz de direcionar a pequena espaçonave, pequenos
foguetes capazes de corrigir sua trajetória, e um rádio para enviar
imagens para o centro de controle aqui na Terra.
Um foguete carregando o frigobar foi lançado em 24 de novembro de
2021. Ele demorou 9 meses para viajar os 140 milhões de quilômetros.
Três meses antes da chegada, a câmara conseguiu tirar as primeiras fotos
do alvo. Quinze dias antes do impacto, o frigobar soltou um pequeno
satélite que ficou para trás para filmar de perto o que ocorreria. Como
tudo isso estava ocorrendo muito longe da Terra, é impossível fazer os
ajustes finais da rota mandando sinais da Terra (eles levam muito tempo
para chegar ao frigobar).
Nasa monitora asteroides com chance de atingir a Terra Foto: Reprodução/Twitter Nasa Asteroid Watch
Assim, 4 horas antes do impacto, quando faltavam 89 mil quilômetros,
um computador no frigobar assumiu o controle. E as imagens continuaram a
ser enviadas. A última, enviada menos de um segundo antes do impacto,
mostra o local exato, no centro do alvo, onde o frigobar colidiu. O
satélite que ficou para trás enviou fotos do estrago. Uma cauda de
milhares de quilômetros de poeira se formou.
O impacto ocorreu no dia 26 de setembro de 2022, às 23h14. Foi quando
cientistas passaram a analisar se haviam tido sucesso, o que para eles
não era atingir o alvo, mas sim demonstrar que a trajetória do asteroide
tinha sido modificada.
Semana passada, em cinco trabalhos científicos, conclui-se que
tiveram sucesso. A rocha menor (Dimorphos) dá uma volta completa ao
redor da maior (Didymos) a cada 12 horas e o objetivo do projeto era
diminuir esse tempo em 7 minutos. Essa mudança seria suficiente para
alterar a rota do par de rochas o suficiente.
Os estudos detalhados indicam que o tempo da órbita foi reduzido em
33 minutos pelo impacto, que ocorreu só 25 metros distante do exato
centro de Dimorphos. A mudança de rota do asteroide como um todo,
causada por essa alteração no tempo de órbita da rocha menor, é tão
pequena que é quase impossível medi-la diretamente, mas pode ser
calculada pela mudança do tempo de órbita da rocha menor.
Esse resultado demonstra que nós, habitantes da Terra, possuímos
tecnologia suficiente para nos proteger de asteroides que se aproximem
do planeta, ameaçando nossa existência. O incrível é que, apesar desse
enorme feito tecnológico, a humanidade tem se mostrado incapaz de evitar
a destruição gradual do nosso planeta pelo aquecimento global e por outras mudanças ambientais. Ou seja, vamos acabar desaparecendo por nossa culpa e não por culpa de asteroide.
A criatividade é uma habilidade que pode ser desenvolvida e
aprimorada ao longo do tempo. Aqui estão algumas dicas para ajudá-lo a
estimular sua criatividade:
Abra sua mente para novas ideias: Tente expandir seus horizontes e
estar aberto a novas experiências. Leia livros de diferentes gêneros,
assista a filmes e documentários interessantes e converse com pessoas de
diferentes origens e perspectivas.
Mantenha um diário criativo: Reserve um tempo todos os dias para
escrever ou desenhar suas ideias e pensamentos. Isso pode ajudar a
desbloquear sua criatividade e gerar novas ideias.
Faça pausas regulares: Tire um tempo para fazer uma pausa e
descansar sua mente. Você pode ir para uma caminhada, meditar ou
simplesmente se sentar em silêncio por alguns minutos.
Tente coisas novas: Experimente uma nova atividade, hobby ou
passatempo. Isso pode ajudá-lo a descobrir novas habilidades e
interesses que podem estimular sua criatividade.
Trabalhe em equipe: Trabalhar com outras pessoas pode trazer novas
perspectivas e ideias que você pode não ter considerado sozinho.
Pratique, pratique, pratique: A prática é fundamental para aprimorar
suas habilidades criativas. Tente encontrar tempo regularmente para
criar e experimentar coisas novas.
Lembre-se de que a criatividade não é algo que acontece da noite para
o dia. É um processo contínuo e requer dedicação e paciência para se
desenvolver.
Como ter originalidade e iniciativa?
Ter originalidade e iniciativa pode ser desafiador, mas existem
algumas coisas que você pode fazer para desenvolver essas habilidades:
Experimente coisas novas: Tente novas atividades, hobbies ou
interesses que você não tenha experimentado antes. Isso pode ajudá-lo a
descobrir novas ideias e perspectivas.
Leia mais: A leitura é uma ótima maneira de expandir seu
conhecimento e inspiração. Ao ler diferentes tipos de livros, você pode
se expor a novas ideias e aprender a pensar de maneira mais crítica.
Saia da sua zona de conforto: Tente fazer coisas que o deixem um
pouco desconfortável ou nervoso. Isso pode ajudá-lo a aprender mais
sobre si mesmo e a desenvolver sua confiança e capacidade de tomar
iniciativas.
Pense fora da caixa: Tente olhar para as coisas de maneira diferente
e encontrar soluções criativas para os problemas. Isso pode ajudá-lo a
ser mais original e inovador.
Pratique a criatividade: Encontre maneiras de exercitar sua
criatividade, como escrever, desenhar, pintar ou fazer artesanato. Isso
pode ajudá-lo a desenvolver sua capacidade de pensar de forma criativa e
original.
Tome iniciativas: Não espere que os outros tomem a iniciativa. Seja
proativo e encontre maneiras de fazer as coisas acontecerem. Isso pode
ajudá-lo a desenvolver sua confiança e habilidades de liderança.
Lembre-se de que a originalidade e a iniciativa são habilidades que
podem ser desenvolvidas com o tempo e prática. Esteja aberto a novas
experiências e oportunidades e mantenha uma mente aberta e curiosa.
Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda,
empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de
reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.
São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os
negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.
Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento
das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de
consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas
possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os
negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e
se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade,
personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e
serviços.
Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do
comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nos comércios
passa pelo digital.
Para ajudar as vendas nos comércios a migrar a operação mais
rapidamente para o digital, lançamos a Plataforma Comercial Valeon. Ela é
uma plataforma de vendas para centros comerciais que permite conectar
diretamente lojistas a consumidores por meio de um marketplace exclusivo
para o seu comércio.
Por um valor bastante acessível, é possível ter esse canal de
vendas on-line com até mais de 300 lojas virtuais, em que cada uma
poderá adicionar quantas ofertas e produtos quiser.
Nossa Plataforma Comercial é dividida basicamente em página
principal, páginas cidade e página empresas além de outras informações
importantes como: notícias, ofertas, propagandas de supermercados e
veículos e conexão com os sites das empresas, um mix de informações bem
completo para a nossa região do Vale do Aço.
Destacamos também, que o nosso site: https://valedoacoonline.com.br/ já foi visto até o momento por mais de 220.000 pessoas e o outro site Valeon notícias: https://valeonnoticias.com.br/
também tem sido visto por mais de 5.300.000 de pessoas, valores
significativos de audiência para uma iniciativa de apenas dois anos.
Todos esses sites contêm propagandas e divulgações preferenciais para a
sua empresa.
Temos a plena certeza que o site da Startup Valeon, por ser
inédito, traz vantagens econômicas para a sua empresa e pode contar com a
Startup Valeon que tem uma grande penetração no mercado consumidor da
região capaz de alavancar as suas vendas.
O ex-ministro-chefe do GSI general Gonçalves Dias.| Foto: José Cruz/Agência Brasil.
O
diretório nacional do partido Novo protocolou nesta quinta-feira (20)
uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) pedindo que o
ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI),
Gonçalves Dias, seja processado criminalmente por suposta prevaricação.
Nesta quarta (19), a CNN Brasil divulgou imagens que mostravam o general
dentro do Palácio do Planalto durante a invasão e depredação dos atos
de 8 de janeiro. Após a repercussão das imagens, Dias pediu demissão.
“Mesmo alertado pela Abin sobre os riscos de uma escalada violenta, o
GSI dispensou reforço da guarda presidencial horas antes do ataque.
Agora, essas imagens escancaram a sua complacência durante a invasão.
Provas da omissão do general não faltam”, afirmou o presidente do Novo,
Eduardo Ribeiro, em nota. A legenda argumenta na ação que Dias “se
omitiu do seu dever de adotar providência necessária para a salvaguarda e
a proteção do Palácio do Planalto”.
Mais cedo, parlamentares da oposição também acionaram a PGR contra o
general. O grupo pediu que o órgão avalie a possibilidade de prisão para
o ex-ministro. “Os parlamentares requerem tratamento isonômico aos
demais processados pelos fatos, pedindo que seja apreendido o passaporte
do ex-ministro e decretada sua prisão preventiva”, diz um trecho da
nota conjunta divulgada pelos parlamentares.
Preso Desde Janeiro Moraes decide manter prisão preventiva de Anderson Torres PorGazeta do Povo
O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres.| Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil.
O
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu
nesta quinta-feira (20) manter a prisão preventiva do ex-secretário de
Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres. No último dia 10,
a defesa de Torres apresentou um novo pedido para a soltura do
ex-ministro da Justiça. A Procuradoria-Geral da República (PGR)
apresentou um parecer favorável à soltura de Torres. Ele está preso
desde o dia 14 de janeiro.
Moraes considerou que a prisão ainda se justifica devido a
“depoimentos de testemunhas e apreensão de documentos que apontam fortes
indícios da participação do requerente [Anderson Torres] na elaboração
de uma suposta ‘minuta golpista’ e em uma ‘operação golpista’ da Polícia
Rodoviária Federal para tentar subverter a legítima participação
popular no 2º Turno das eleições presidenciais de 2022”.
Além disso, o ministro cita que o ex-secretário teve uma “conduta
omissiva quanto à permanência do acampamento dos manifestantes no SMU
(Setor Militar Urbano) e o risco daí gerado – que culminou nos fatídicos
atos do dia 08/01; além de seu possível envolvimento na autorização
para mais de cem ônibus dirigirem-se ao referido SMU e prepararem-se
para a prática dos atos criminosos”.
O relator afirmou ainda que Torres apresentou as senhas de acesso de
seu e-mail e celular para a investigação “mais de 100 dias após a
ocorrência dos atos golpistas e com total possibilidade de supressão das
informações ali existentes”. Para Moraes, “nesse momento da
investigação criminal, a razoabilidade e proporcionalidade continuam
justificando a necessidade e adequação da manutenção da prisão
preventiva”.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes
determinou nesta quinta-feira (20) que a Polícia Federal tome um novo
depoimento do ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal
Anderson Torres. A PF solicitou a nova oitiva que está marcada para a
próxima segunda-feira (24), às 14h, na sede da corporação em Brasília.
Torres, que está preso desde 14 de janeiro, será ouvido na condição
de declarante. “A oitiva de ANDERSON TORRES, na condição de declarante,
não objetiva mitigar a natureza voluntária da opção do indivíduo em
prestar informações ou não em seu interrogatório, ou mesmo, de colaborar
de outras maneiras na produção probatória”, escreveu o ministro.
No despacho, Moraes ressaltou que “a obrigação de comparecimento e a
exigência de prestar seu depoimento como declarante… não significa
possibilidade de coação direta ou indireta para obtenção de uma
confissão ou assunção de responsabilidade, quebrando-se a necessária
‘participação voluntária’ na produção probatória”.
8 de janeiro Defensor diz que parte dos presos foi a Brasília por curiosidade e não participou do vandalismo
Por Renan Ramalho – Gazeta do Povo Brasília
O defensor público federal Gustavo de Almeida Ribeiro atende a
cerca de 400 pessoas denunciadas no 8 de janeiro| Foto: Orlando
Brito/DPU
O defensor público federal Gustavo de Almeida Ribeiro
tem se empenhado nos últimos meses para entender melhor o que aconteceu
na Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro, quando centenas de
manifestantes depredaram as sedes do Congresso, do Palácio do Planalto e
do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele atua na defesa de cerca de 400
dessas pessoas junto ao STF. Nesta quarta-feira (19), quando novas
imagens revelaram que militares do Gabinete de Segurança Institucional
(GSI), órgão responsável pela segurança da Presidência, circulavam entre
os invasores no momento em vários vandalizavam a sede do Executivo, ele
desabafou no Twitter.
“O mínimo que eu espero, honestamente, é que, ao final das
investigações e processos sobre os atos de 08/01, não sejam condenados
apenas o rapaz que era chapeiro em um QG e a professora do interior, se é
que me entendem”, postou na rede social.
Em entrevista à Gazeta do Povo nesta sexta-feira (20), o defensor
considera que as gravações impõem o aprofundamento das investigações,
embora não considere que a situação das pessoas que defende vá se
alterar muito.
“Claro que as investigações têm que se aprofundar sobre o que
aconteceu, o que foi mostrado. Não sei se altera a situação das pessoas
que defendo. Sinceramente, não tenho essa expectativa”, diz ele. “Os
outros acusados, as outras autoridades, não sei.”
Ribeiro considera que as acusações contra a maioria dos manifestantes
são exageradas. Para ele, muitas pessoas que foram presas dentro dos
prédios estavam ali por curiosidade e não depredaram nada, nem tinham a
intenção de dar um golpe de Estado, como são acusadas. Em seus
depoimentos, disseram que os seguranças que ali estavam as orientavam
para que se protegessem, e não tinham conhecimento para saber se eram da
polícia, do GSI ou do Exército.
“A maioria das pessoas é bastante simples e não saberia dizer isso.
Só falaram que foram orientadas a ficar em determinado lugar para não
serem pisoteadas, ou feridas no corre-corre e no empurra-empurra, isso
sim, mas sem indicar quem falou isso”, afirma Ribeiro.
Nesta semana, o STF iniciou a análise das denúncias contra cem dos
manifestantes, apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A
Defensoria Pública da União (DPU), órgão de assistência jurídica
gratuita chefiada por Ribeiro, defendeu 66 delas.
Já foi formada maioria para que 50 pessoas, que estavam acampadas em
frente ao Quartel General do Exército no dia seguinte, respondam por
associação criminosa e incitação das Forças Armadas contra os poderes
constitucionais. Outras 50 deverão responder por crimes mais graves,
como golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de
Direito e depredação do patrimônio público – no caso delas, as penas
podem passar dos 20 anos de prisão. Na defesa delas, a DPU alegou
principalmente que as denúncias foram genéricas, sem individualizar a
conduta de cada uma, uma exigência do Código de Processo Penal.
As denúncias, de fato, contêm um texto padrão para cada grupo de
manifestantes – nas peças, só muda o nome e endereço de cada um. O voto
do relator, Alexandre de Moraes, também é praticamente igual para todos,
a favor de que se tornem réus.
Ribeiro agora quer que, durante o processo criminal, onde testemunhas
podem ser ouvidas e novas provas podem ser juntadas, haja maior
individualização das condutas, e que se demonstre que “há situações e
situações”. “Claro que há pessoas que foram filmadas quebrando coisas,
estragando o patrimônio. Mas teve gente que foi à Praça dos Três
Poderes, meio que por curiosidade, para ver e conhecer, gente que nunca
tinha vindo a Brasília”.
Nessa entrevista, ele também diz que a CPMI a ser instalada no
Congresso sobre o 8 de janeiro pode trazer novas revelações, embora
reconheça que, como outras recentes, poderá servir muito para a disputa
política entre parlamentares de governo e oposição.
VEJA TAMBÉM:
Presença de ministro de Lula na invasão do Planalto levanta questões a serem respondidas na CPMI
STF forma maioria para tornar réus 100 denunciados por atos de 8 de janeiro
Ministro de Lula em vídeo do 8 de janeiro abala governo; entenda os desdobramentos
Leia a entrevista completa A revelação dessas imagens deveria levar a uma ampliação da investigação, para incluir autoridades federais ou militares?
Gustavo de Almeida Ribeiro: As coisas são ainda provisórias. Acabamos
de ver essa coisa. Agora, claro que as investigações têm que se
aprofundar sobre o que aconteceu, o que foi mostrado. Não sei se altera a
situação das pessoas que defendo. Sinceramente, não tenho essa
expectativa. De todo modo, é preciso saber com mais detalhes. Ainda que
eu ache difícil que altere [a situação dos manifestantes], é preciso
saber o que aconteceu, até para ver como as coisas se desenvolveram no
dia.
O general Gonçalves Dias deve ser incluído no inquérito que apura a omissão das autoridades?
Gustavo de Almeida Ribeiro: Ah, não sei. Isso é uma coisa que não
tenho como dizer. Porque é preciso apurar mais a situação. Não posso
dizer nem que sim, nem que não. O que sei é o que qualquer pessoa viu na
televisão, não tenho nada além disso para dizer.
Os defensores participaram dos depoimentos dos envolvidos na
audiência de custódia. Os manifestantes falaram que havia gente do GSI
dentro auxiliando?
Gustavo de Almeida Ribeiro: Não, ninguém. As pessoas que a Defensoria
atendeu, a maioria delas sequer saberiam indicar o que é o GSI. Não
indicaram GSI ou qualquer nome. Falaram que muitas pessoas da área de
segurança falavam para elas assim: ‘olha, se proteja ali naquela rampa,
para não pisarem em você’, [quando] às vezes era uma senhora idosa.
Mas indicar, falar que foi a PM, o GSI ou o Exército, não. Isso, via
de regra, não fizeram. A maioria das pessoas é bastante simples e não
saberia dizer isso. Só falaram que foram orientadas a ficar em
determinado lugar para não serem pisoteadas, ou feridas no corre-corre e
no empurra-empurra, isso sim, mas sem indicar quem falou isso.
A informação que vários nos deram é que entraram num dos prédios,
numa salinha dentro, por exemplo, para se proteger, não para estragar
nada, especialmente idosos ou mulheres. E foram orientados por pessoas
que estavam ali, mas sem saber por quem.
Já existe maioria no Supremo para abrir processos criminais contra 50
acampados e 50 invasores. O sr. acha que, no curso da ação penal, eles
podem revelar mais detalhes, inclusive sobre eventual conivência de
gente do governo federal, do GSI, sobretudo agora com a revelação dessas
imagens?
Gustavo de Almeida Ribeiro: Outros acusados, as outras autoridades,
não sei. Porque não tive contato com nenhum deles. Mas a maioria das
pessoas que a Defensoria atendeu não tem essa informação, são pessoas
simples, do interior. Vieram, às vezes, porque ganharam uma passagem
grátis, ou porque o grupo da igreja veio. As pessoas atendidas pela
Defensoria não têm essa informação. Agora, no correr do processo, na
oitiva das pessoas, podem se revelar novas informações, mas daquelas da
Defensoria, não.
O sr. diz que a maioria das pessoas presas na Praça dos Três Poderes
era simples. Considera que as acusações contra elas, por tentativa de
golpe e abolição do Estado Democrático de Direito, que podem levar a
mais de 20 anos de prisão, são muito pesadas? Os ministros deveriam
ponderar melhor isso no julgamento final?
Gustavo de Almeida Ribeiro: Isso é o que espero, porque há situações e
situações. Claro que há pessoas que foram filmadas quebrando coisas,
estragando o patrimônio. Mas teve gente que foi à Praça dos Três
Poderes, meio que por curiosidade, para ver e conhecer, gente que nunca
tinha vindo a Brasília.
Claro, eu acho que as denúncias vão ser recebidas, não só as que já
foram, mas também as próximas. E elas são realmente muito parecidas, os
dois grupos de denúncias, contra as pessoas que ficaram no QG do
Exército e as outras que foram à Praça dos Três Poderes.
Essas pessoas que foram fazem parte de um grupo e são muito próximas.
Mas há situações distintas. Eu espero que haja um mínimo de
individualização.
Porque teve gente que realmente foi à Praça dos Três Poderes e disse:
‘olha, já cheguei e quando fiquei sabendo, já estava tudo quebrado’. E
foram na curiosidade, ou com grupos e absolutamente não praticaram
nenhum ato. Então, espero que seja feita sim essa individualização. Não
sei como vai se dar na prática, mas seria importante. Porque têm pessoas
em situações distintas.
A maioria dos ministros acolheu a tese da Procuradoria-Geral da
República que em crimes multitudinários, cometidos por uma multidão, não
é preciso individualizar cada conduta, pelo menos nessa fase de
recebimento da denúncia. O sr. acha que no processo isso se tornará
necessário para uma eventual condenação, no julgamento final?
Gustavo de Almeida Ribeiro: Penso que sim, e torço, como defensor,
que haja essa separação. Ainda que a pessoa tenha ido ali para ver o que
aconteceu, e ouvi pessoas dizendo isso, que chegaram em Brasília até
depois dos atos, no final do dia, e foram lá por curiosidade, espero que
tenha tratamento diferenciado. Ainda que condenada, que tenha o
reconhecimento dessa situação diferente. Vamos torcer para isso, porque
não é coisa fácil de se provar. Ainda que multitudinário o crime, e que
na fase da denúncia é difícil separar, espero que na instrução isso seja
possível. Porque há situações muito distintas, realmente.
Muitas pessoas presas na Praça dos Três Poderes falam que havia
infiltrados, que foram ao ato propositalmente para vandalizar e colocar a
culpa nos manifestantes pacíficos, criminalizando a manifestação.
Agora, parlamentares de direita querem que a CPMI investigue isso mais a
fundo. O sr. acha que isso aconteceu de verdade?
Gustavo de Almeida Ribeiro: Entre as pessoas que nós atendemos, não
creio que havia infiltrados. Mas se, eventualmente, alguém fez isso e
foi embora, não sei dizer.
Durante a instrução do processo, as redes sociais dessas pessoas
poderão ser analisadas melhor para saber com qual intenção foram ao ato?
Os perfis podem auxiliar na individualização das condutas.
Gustavo de Almeida Ribeiro: Acho que vai acabar acontecendo. Vai ser
usado, até porque teve gente que se filmou nos prédios públicos e vai
ser utilizado. Talvez até a localização de telefone.
O governo já aceitou a abertura da CPMI. O sr. acha que ela vai
trazer resultados concretos para as investigações ou vai se transformar
num palco para guerra política, como tem ocorrido muito nas últimas
CPIs?
Gustavo de Almeida Ribeiro: CPI tem sempre isso, esse aspecto de
discussão política. Agora, é claro é possível que existam documentos,
vídeos revelados que a gente ainda não tem conhecimento. Certeza não
temos, mas claro que tem que ficar atento, porque pode aparecer alguém
com vídeo que não se conhece, com gravação que não se conhece e isso
interfere. Isso já aconteceu em várias outras CPIs, que revelou uma
coisa que não se esperava, às vezes até por questão de briga entre
políticos, alguém pode falar algo a mais do que se esperava. E surgindo
informações que possam interessar à defesa, estaremos atentos.
Demandas Após reunião com Haddad, MST promete desocupar áreas da Embrapa e Suzano nesta semana PorGazeta do Povo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad.| Foto: Washington Costa/MF.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu nesta
quinta-feira (20) com representantes do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST). O coordenador nacional do grupo, João Paulo
Rodrigues, afirmou que o ministro fez um apelo para que o MST desocupe
as áreas invadidas da empresa Suzano, no Espírito Santo, e da Embrapa,
em Pernambuco. A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico.
“Vamos sair o quanto antes”, disse Rodrigues. Ele afirmou que a
retirada deve ocorrer ainda nesta semana. O coordenador do movimento
afirmou ainda que Haddad teria prometido ampliar de cerca de R$ 250
milhões para R$ 400 milhões os recursos para o assentamento das famílias
que estão acampadas. Além disso, o ministro teria dito que pretende
buscar terras de devedores da União para assentamentos.
Rodrigues disse que o MST não quer criar problemas para o governo
Lula. “Não tem nenhum motivo para o MST criar conflito nem
constrangimento para o governo Lula. O MST é parceiro deste governo,
está com uma agenda de produção de alimentos”, afirmou. O coordenador
nacional do movimento reivindicou também subsídios para agricultura
familiar e a inclusão da reforma agrária na agenda do governo.
As invasões de terras têm anuência presidencial
Eduardo Allgayer Osorio – Diário Popular Engenheiro agrônomo, professor titular da UFPel, aposentado
A invasão de terras recebeu do presidente da República um
inequívoco aval ao oferecer ao líder do MST um privilegiado espaço na
comitiva que visitou a China. Em Xangai, na posse de Dilma Rousseff, o
presidente Lula abriu o seu discurso com a saudação: “Quero cumprimentar
os companheiros dirigentes sindicais que vieram comigo nesta delegação
(…) e o João Pedro Stédile, líder do MST”, confirmando publicamente o
seu endosso às invasões e depredações de propriedades rurais no País.
Indignado, o deputado Evair Melo, da Frente Parlamentar da Agricultura,
mostrou-se “horrorizado ao saber que Lula é sócio desses bandidos
invasores de terra. É uma vergonha a insistência do presidente em andar
com criminosos e seus comparsas”, tendo a senadora Tereza Cristina
sentenciado: “Cenas surreais do Lula 3. Stédile viaja para a China na
comitiva presidencial e na volta invade nove propriedades”.
Antes
de viajar com Lula, esse líder do MST gravou um vídeo ameaçando
“promover invasões em todo o País, não só em abril. É a forma das
mobilizações pressionarem para que se aplique a reforma agrária.
Ocupações de terras fazem parte da existência do MST”, desconsiderando
ser errado cometer crimes em busca de uma pretensa justiça social; que
violar o direito de propriedade mediante violência não constitui uma
forma legítima de pressionar pela reforma agrária (onde impera a lei e a
ordem, os fins não justificam os meios). Em nenhum parágrafo a
Constituição Federal autoriza a invasão de terras, prevendo apenas a
possibilidade de ocorrer desapropriação em áreas que deixem de cumprir
com a sua função social, obedecido o devido processo legal. Mas o que
está presentemente ocorrendo é a invasão de propriedades produtivas, de
campos de pesquisa da Embrapa e de áreas de preservação ambiental,
ameaçando espécies silvestres em risco de extinção, sob o silêncio
“ensurdecedor” da ministra do meio ambiente e dos supremos ministros que
combatem os atos antidemocráticos.
Sobre tais acontecimentos, o
presidente da Frente Parlamentar da Agricultura manifestou “ser um
movimento orquestrado, que teve aviso prévio dos crimes a cometer. É
absurda a leniência do governo federal. O que está esperando, uma nova
guerra no campo?”. Tendo em conta “que o líder do MST anunciou
publicamente a iminência de uma onda de crimes no País, preocupado com
as graves ameaças e a incitação ao crime, acionamos o STF pedindo uma
liminar que barre as invasões de propriedades rurais, como as prometidas
pelo MST, com a prisão preventiva das lideranças e dos envolvidos”.
Preocupa
ver o governo que se inicia insistir em projetos que fracassaram
rotundamente nas iniciativas anteriores. Segundo o Incra, somadas todas
as áreas hoje ocupadas por assentados, elas perfazem quase 90 milhões de
hectares, superando a área de 77 milhões de hectares hoje cobertos no
País por todas as lavouras do agronegócio, onde são colhidos os
alimentos que abastecem a mesa dos brasileiros e todos os excedentes
exportados, que alimentam mais de um bilhão de pessoas em outros países.
Já os assentados, ainda dependentes de programas assistenciais e de
cestas básicas para sobreviver, para vender o pouco que produzem
recorrem aos programas governamentais de aquisição de alimentos,
comprados a preços superiores aos de mercado, usando para isso o
dinheiro dos contribuintes.
Imagens do 8 de janeiro e operação da PF Tentativas do governo de esconder informações caem no mesmo dia e minam gestão Lula Por Aline Rechmann – Gazeta do Povo e Por Sílvio Ribas – Gazeta do Povo
Brasília
(DF), 17/03/2023 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a 1ª
Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética –
CNPE.
| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os vazamentos das
imagens registradas no dia 8 de janeiro pelas câmeras de segurança do
Palácio do Planalto e de informações sobre a operação da Polícia Federal
que aponta uma suposta ligação dos advogados de Adélio Bispo – autor da
facada contra Jair Bolsonaro (PL) durante a campanha eleitoral de 2018 –
à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) geraram grande
repercussão no cenário político nacional. Os impactos foram imediatos no
governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Um deles foi a queda do ministro Gonçalves Dias, ex-chefe do Gabinete
de Segurança Institucional (GSI), visto nas imagens oferecendo água aos
manifestantes e indicando portas e escadas de saída de dentro do
Palácio do Planalto.
Mas, com o vazamento das imagens, a pressão pela Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito (CPMI) dos atos do dia 8 de janeiro também foi
redobrada. A oposição organizou a obstrução dos trabalhos no Congresso
Nacional e avisou que só retomará a condução com a instalação da CPMI.
Os fatos se desencadearam após um dia de aparente vitória do governo
com a postergação da sessão conjunta do Congresso e a entrega do projeto
do novo arcabouço fiscal.
Neste contexto, o governo se viu obrigado a ceder à abertura da CPMI,
que deve ocorrer durante a próxima sessão do Congresso marcada para o
dia 26 de abril. Com a crise no governo, ampliaram-se os coros pelo
impeachment de Lula, proferidos por parlamentares na tribuna e nas redes
sociais. Especialistas, porém, apontam que os episódios, apesar de
graves, não suficientes para saída do petista da presidência. (Leia mais
abaixo.)
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Presença de ministro de Lula na invasão do Planalto levanta questões a serem respondidas na CPMI Composição da CPMI pode ser decisiva Os
rumos da CPMI, no entanto, ainda não são possíveis de se prever. A
avaliação é do cientista político Cristiano Noronha, vice-presidente da
consultoria Arko Advice, que aponta a composição da comissão como
decisiva para os possíveis desdobramentos.
“Tendo uma formação mais governista, o governo acaba tendo maioria e
se preservando de eventuais ameaças ou de se tornar o foco das
investigações. Com uma CPMI mais independente, ela vai mirar na
requisição de documentos e em investigar por que determinadas
autoridades foram afastadas e outras não. Se ela for majoritariamente de
oposição, vai mirar o governo atual em cheio e prejudicar toda a agenda
legislativa do governo”, afirmou Noronha.
Já o deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS), que integra a base
do governo, avalia que a abertura da CPMI não aumentará a pressão sobre o
governo Lula, e, na visão dele, trará alívio. O parlamentar afirma
ainda que a não instalação da CPMI, tendo em vista o número suficiente
de assinatura, “gerava até um constrangimento”.
Matéria da Gazeta do Povo mostrou a mudança de postura do governo
após a divulgações das imagens. A reação imediata do Planalto foi, além
de afastar Gonçalves Dias do cargo, colocar os seus líderes e
articuladores no Congresso para declarar apoio à CPMI, num esforço
político para não perder o controle da narrativa sobre a depredação na
Praça dos Três Poderes, e de tentar aparentar que sempre cooperou com as
investigações. Em paralelo, a lista de apoios ao requerimento da CPMI
ganhou mais 25 deputados.
Falta de transparência no Caso Adélio Bispo A possível ligação
dos advogados de Adélio Bispo com o crime organizado apontada após uma
operação da Polícia Federal é um caso em que fica mais evidente a falta
de transparência por parte do governo Lula, de acordo o cientista
político Adriano Cerqueira, do Ibmec-MG. A PF, já com a diretoria
empossada no atual governo, teria desencadeado uma nova operação sobre o
caso, mas que não foi divulgada pela corporação.
“Trata-se de um processo extremamente sério que é uma tentativa de
assassinato, um atentado político contra um candidato à Presidência da
República [em 2018]”, pontuou. Cerqueira destaca ainda que neste caso, o
governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ficou impossibilitado de
agir pois todas as suas iniciativas eram tratadas como interferência na
Polícia Federal.
Fontes internas da Polícia Federal disseram ao jornal Folha de S.
Paulo que o sigilo na operação – no mês passado – teria sido necessário
para evitar prejuízo na investigação ainda em andamento, diferente do
que ocorre normalmente, em que a imprensa é informada das ações. Mas,
segundo o veículo existiu outro fator: a discordância da cúpula da PF no
governo Lula com a linha seguida pelo atual delegado do caso, Martin
Bottaro.
Diante disso, o deputado federal General Girão (PL-RN) reforça a
necessidade de investigação aprofundada do caso. “Nos causa estranheza
que, até hoje, não tenham aparecido os pagadores dos advogados
caríssimos que defenderam [Adélio Bispo] e nem seus respectivos
mandantes. Com toda certeza, ainda se encontram “acortinados” pelos
principais interessados”, afirma o parlamentar.
Até então, as investigações da Polícia Federal apontaram que Adélio
Bispo agiu sozinho no atentado contra o ex-presidente, por insanidade
mental, segundo repetidos laudos psiquiátricos feitos em diversas etapas
da apuração. Isso o levou a ser considerado inimputável e a cumprir
medidas de segurança na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS).
A conclusão, no entanto, sempre foi questionada pela família de Jair
Bolsonaro, que aventava a tese de que o autor da facada teria agido a
mando de alguém. A suspeita ocorreu principalmente por conta da falta de
informações de quem teria bancado a defesa de Adélio Bispo.
Pedidos de impeachment dependem do apoio popular; imagens fragilizam governabilidade A
oposição, na Câmara e no Senado, vem apostando nos fatos recentes para
engrossar o coro dos pedidos de impeachment contra o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT). Noronha destaca que se iniciou um processo
de desgaste de Lula, o qual é agravado pela queda da popularidade do
petista. Ele avalia ainda que, diante do histórico brasileiro de
processos de impeachment, “sem o apoio efetivo das pessoas nas ruas, não
acontecerá”.
A avaliação de Adriano Gianturco, coordenador do curso de relações
internacionais do Ibmec-MG, é de que a relevação das imagens do 8 de
janeiro se trata de uma “ferida importante” aberta no governo, mas que
ainda não é “uma ferida mortal” a ponto de acabar no impeachment do
presidente Lula.
Já para o deputado governista Pompeo de Mattos a gestão petista seria
a “vítima” nesse processo. “O fato de o governo ter trancado a CPMI
criou uma narrativa falsa, de que tinha problemas. E eu não vejo qual é o
problema que o governo tem”, argumentou o parlamentar gaúcho. Para ele,
a CPMI servirá para punir quem tiver que ser punido, seja por ação ou
por omissão, com as penas aferidas pela proporcionalidade dos atos.
No que diz respeito à governabilidade, a divulgação de vídeos sobre a
a atuação do ex-ministro Gonçalves Dias no 8 de janeiro trouxe mais
incômodos para a gestão petista. Com 101 dias de atraso, Lula foi
forçado a reagir aos fatos, sob acusação da oposição de que estaria
escondendo-os.
Para Arthur Wittenberg, professor de políticas públicas do Ibmec-DF, a
instalação da CPMI também pode causar atrasos significativos na
tramitação de proposições legislativas de interesse do governo,
incluindo a agenda econômica. “A comissão deve ocupar boa parte da
agenda nacional, reduzindo espaço para o debate em outras áreas, como
saúde, educação e meio ambiente”, sublinhou. “A energia do governo terá
que ser dividida entre articulação do dia a dia e contenção de danos na
CPMI”, afirmou.