Com Lula e suas falas sobre o impeachment são prova disso
Por J.R. Guzzo – Gazeta do Povo
| Foto: EFE
O presidente Lula, em um mês de casa, ainda
não foi capaz de produzir ou propor uma única ação útil em seu governo,
mas continua plenamente empenhado em levar adiante a guerra que declarou
contra todo o Brasil que não se ajoelha diante dele. Sua ideia fixa, no
momento, é construir pela repetição e arrogância uma mentira oficial,
com carimbo da presidência da República, para falsificar a história do
Brasil – o disparate de dizer que a ex-presidente Dilma Roussef foi
demitida do poder por um “golpe de Estado”. É uma decisão bem pensada,
consciente e deliberada de se comportar de maneira desonesta; não foi um
deslize de linguagem, ou uma distração. Lula falou em golpe pelo menos
três vezes, inclusive em viagem oficial ao exterior; na última menção,
aliás, fez questão de citar o “golpista Michel Temer” – o que, além de
mentira, é um insulto grosseiro e gratuito a um homem que nunca lhe fez
mal nenhum.
Sua ideia fixa, no momento, é construir pela repetição e arrogância
uma mentira oficial, com carimbo da presidência da República, para
falsificar a história do Brasil
Lula não quer paz; chegou à conclusão de que, não tendo nada de
positivo a apresentar, nem agora e nem no futuro próximo, o mais
lucrativo para ele é continuar fazendo discursos para construir inimigos
artificiais e espalhar veneno em tudo o que fala. A alegação do golpe
contra Dilma é demente. Dilma foi destituída da presidência por um
processo absolutamente legal de impeachment, estritamente dentro do que
estabelece a Constituição. Sua demissão foi aprovada pelos votos de 61
senadores, num total de 81, e 367 deputados num total de 513 – um placar
de goleada histórica. O processo levou nove meses inteiros para ser
concluído; a acusada pode exercer, ao longo deste tempo, todos os seus
direitos de defesa. O STF, em pessoa, fiscalizou cada passo do
impeachment. Como um presidente da República pode chamar isso de “golpe
de Estado”? É 100% irresponsável.
A mentira oficial de Lula vai ainda adiante. Ele sustenta a
enormidade segundo a qual as maravilhas do seu governo e do tenebroso
governo Dilma foram “destruídas” por Michel Temer. Estamos, aí, em plena
insânia. Lula-Dilma, para ficar só no grosso, deixaram o Brasil com a
maior recessão de toda a sua história econômica, com mais de 5% de
recuo, 14 milhões de desempregados, juros recorde. Temer, em pouco mais
de dois anos, consertou tudo isso; é o que mostram os fatos, e esses
fatos mostram o contrário do que Lula diz. Mais: se Temer é golpista,
como garante o atual presidente da República, então o seu governo terá
sido ilegal, e todas as decisões que tomou também são ilegais. Que tal,
nesse caso, que Lula exija a demissão do ministro Alexandre de Moraes,
do STF? Ele foi nomeado pelo ”golpista” Michel Temer. Onde está a
coragem que exibe no discursório? É extraordinário que o governo Lula
tenha dois – não um, dois – órgãos oficiais diferentes para combater a
“desinformação” e as “fake news” tão amaldiçoadas pela esquerda, na
Advocacia-Geral da União e no seu Ministério da Propaganda, a “Secom”. O
que vão fazer esses vigilantes da verdade, agora, diante da brutal
violação dos fatos pelo presidente da República? Dizer que houve um
“golpe” contra Dilma é mais do que praticar “desinformação” – é uma
agressão comprovada à verdade mais elementar. Quais as sanções que serão
tomadas? A esquerda, mais uma vez, veio com uma tentativa de explicação
perfeitamente hipócrita para as mentiras de Lula: disse que ele
“pretendeu dizer” que tinha havido “um golpe dentro da Constituição”. É
uma desculpa safada. Se quisesse mesmo dizer isso, Lula teria dito; se
não disse, é porque não quis, e fez questão de falar em golpe e acusar
de golpe um homem que fez um governo 1.500 vezes melhor do que o seu. O
que o presidente quer é confronto. Não tem outra coisa a apresentar.
Grupos cobram diálogo sobre reforma tributária, e governo aguarda Congresso para definir tramitação
Foto: Uesley Marcelino/Reuters – 12/12/2022
Por Adriana Fernandes – Jornal Estadão
Preocupação é que pressa por aprovação reduza espaço para
negociações; candidato à reeleição, Arthur Lira sinaliza apoio à reforma
como marca de sua gestão
BRASÍLIA – Favorito à reeleição como presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) já sinalizou que vai apoiar a reforma tributária dos
impostos sobre consumo para ser a marca da sua gestão, mas prefeitos
das capitais e representantes dos setores mais resistentes à proposta
querem sentar à mesa com o governo antes de a tramitação ser retomada
no Congresso. A reforma é a agenda número 1 da equipe econômica no Congresso. O governo intensificou o diálogo com os Estados.
Há uma preocupação de que a pressa do governo em aprovar a reforma,
ainda no primeiro semestre, acabe espremendo o espaço para o diálogo. Um
dos riscos é a proposta ir direto ao plenário, como já aconteceu na
votação recente de Propostas de Emenda à Constituição (PEC)..
A equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
que trabalha no texto, já foi alertada para a necessidade de chamar
logo para conversar os grupos de maior resistência, para não fomentar o
crescimento de um movimento antirreforma.
Os detalhes sobre o caminho da tramitação só sairão depois da votação
das presidências e das mesas diretoras das duas Casas, especialmente a
do Senado, que conta com a candidatura do opositor Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do governo Bolsonaro. Ele almeja a vaga ocupada atualmente por Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Rodrigo
Pacheco e Arthur Lira conversam durante evento em Brasília. Foto:
Ueslei Marcelino/Reuters Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
A definição das prioridades da agenda econômica e as relatorias dos
principais projetos fazem parte também dos acordos de apoio para a
eleição de 1º de fevereiro no Congresso. Um dos pontos a decidir é onde a
tramitação será retomada: pelo Senado ou pela Câmara.
Um grupo de trabalho poderá ser criado pelo presidente da Câmara para
discutir os pontos mais sensíveis. Lira prefere que a reforma seja
retomada pela Câmara, onde está a PEC 45, de autoria do presidente do
MDB, Baleia Rossi (SP), e que teve como relator o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Ribeiro teve reuniões com o time de Haddad e é candidato a ficar com a relatoria.
Já o relatório da PEC 110, que tramita no Senado, é resultado de um
amadurecimento da PEC 45 e tem apoio dos Estados. Até o momento, a maior
chance é que a tramitação seja feita pela Câmara, com um texto que
misture os pontos das duas propostas.
‘Eles olham só para o umbigo’
“O mais provável é começar pela Câmara. Mas isso não é o principal. Vamos ajustar”, disse ao Estadão o
deputado Baleia Rossi, que conversou com Lira. “(Lira) Vai apoiar. Eu
falei a ele: Arthur, você vai ser o presidente da Câmara que, após 30
anos, vai entregar a reforma. Você entra para a história”, relatou o
presidente do MDB, que viu no passado a PEC 45 ser engavetada por Lira. O
MDB vai apoiar Lira nas eleições.
Para Baleia, os grupos resistentes à reforma se movimentaram porque
sabem que existe uma vontade política efetiva do governo. “O pessoal que
é contra a reforma não tem ideia do impacto dela na economia. Eles só
olham para o umbigo”, disse
O relator da PEC 110, senador Roberto Rocha (PT-MA), avaliou que
conseguiu, no seu parecer, promover “avanços jamais vistos antes”. Mas,
segundo ele, por omissão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do
Senado, a PEC 110 não foi votada. “Na Câmara, a PEC 45 já está no
plenário. Basta pegar os avanços do meu relatório e incluir no projeto,
votar e mandar para o Senado, que ficará mais uma vez de coadjuvante”,
disse. “Como diz Zeca Pagodinho, ‘Camarão que dorme, a onda leva’”,
alertou Rocha para a necessidade de não perder mais tempo.
Presidente da Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse),
João Diniz cobra maior interlocução com o governo. “Estamos aguardando.
Todos os atores dessa proposta e o presidente Lira sabem dos nossos
problemas”, afirmou. O setor teme ser mais onerado para que a indústria
se beneficie. A Cebrasse é uma das várias entidades que representam o
setor. Diniz defendeu uma contribuição patronal sobre a receita bruta
das empresas de e-commerce para o financiamento da desoneração da folha
de salários como compensação para a criação do Imposto sobre Valor
Agregado (IVA).
Preocupação com a arrecadação
Presidente do Fórum dos Secretários de Fazenda e Finanças das
grandes e médias cidades, Giovanna Victer destacou que as grandes
cidades apoiam a reforma tributária e reconhecem sua importância para o
crescimento da economia do País, mas há preocupação com possíveis
choques repentinos de arrecadação. “As cidades possuem compromissos
constitucionais com a manutenção do ensino fundamental, da atenção
básica da saúde e assistência social – além de toda zeladoria e
manutenção das cidades”, disse ela, que é secretária de Salvador.
Giovanna destacou também que há muitos pontos da reforma que são
remetidos à legislação infraconstitucional, o que não contribui para dar
segurança à receita. Outro ponto citado é necessidade de dar clareza
quanto à governança para repartição das receitas do IVA e transparência
quanto aos valores da arrecadação prevista. “Essas podem ser boas
iniciativas para angariar consenso dos entes subnacionais”, sugeriu.
No campo da negociação política, João Hummel, diretor da consultoria Action Relações Governamentais,
disse que o governo vai ter de sentar à mesa com os setores do
agronegócio e de serviços, mas ponderou que há espaço de negociação para
um acordo. “É uma necessidade. A única pauta para dar visibilidade em
pouco espaço de tempo é a reforma tributária e já está madura”, avaliou.
Em evento na segunda-feira, 30, Haddad deu duas sinalizações
importantes na área tributária: não vai apoiar a criação de um tributo
sobre transações financeiras e disse que não haverá reoneração do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Extração de petróleo na foz do Amazonas, dilema para Lula
O novo governo mal começou enquanto os desafios se acumulam. Um deles está agitando a mídia internacional. Matéria da Bloombergestá
sendo repercutida por vários sites especializados. E é de fato um
dilema que o presidente terá que enfrentar em breve. ‘O conflito entre
as ambições do Brasil de se tornar um administrador ambiental mais
responsável e, ao mesmo tempo, aumentar as lucrativas exportações de
petróleo se transformou em um teste inicial para o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva’. Extração de petróleo na foz do Amazonas, dilema para Lula.
Imagem, gcaptain.com.
Costa Norte do Brasil
Do ponto de vista ambiental a COSTA NORTE não poderia ser mais
importante e, ao mesmo tempo, sensível para a biodiversidade. Ela é
majoritariamente formada por manguezais.
E, segundo estudo publicado na www.researchgate.net. , os manguezais são um dos ecossistemas mais produtivos e biologicamente complexos do mundo. O Brasil é o terceiro país no ranking dos maiores manguezais do planeta, atrás da Austrália, e Indonésia em primeiro.
Para além de ser um berçário de vida marinha, florestas de mangues
são potências quando se trata de armazenamento de carbono. Estudos
indicam que, quilo por quilo, os manguezais sequestram quatro vezes mais
carbono do que as florestas tropicais.
Por outro lado, contra todas as expectativas, em 2016 foi descoberto um imenso conjunto de corais na foz do Amazonas.
Nada menos que uma faixa com 1.000 km de extensão por 40 km de
largura. E os corais se estendem por uma área de 50 mil km2,
equivalente ao Estado do Rio Grande do Norte.
Desde que este imenso banco de corais foi descoberto, ele passou a
ser ameaçado em razão do petróleo que, da mesma forma, existe na região.
Anotem aí: o vilão rondando sua presa desde que veio à luz, como
atesta The Guardian, ao mostrar que no mesmo ano da descoberta três petroleiras disputavam a área.
Vamos nos lembrar que petróleo ainda vale muito. É, portanto, uma
riqueza enorme para um País em desenvolvimento. Segundo o site, www.osul.com.br,
‘na época, a ANP estimou que existia um potencial de 30 bilhões de
barris de petróleo na Margem Equatorial – bacias Foz do Amazonas,
Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar – com um volume
recuperável (produção efetiva) de 7,5 bilhões de barris de petróleo,
volume que poderá ser bem maior com as novas tecnologias desenvolvidas
pela Petrobras.’
Este é o dilema que Lula terá que resolver, e muito rápido porque, segundo a Bloomberg,
desde o início de dezembro, a Petrobras tem uma plataforma de petróleo
no local que ainda não começou a perfurar. Não apenas uma plataforma,
mas todo o apoio necessário à operação que inclui três helicópteros,
barcos de apoio e trabalhadores.
Custo para a Petrobras: cerca de 1 milhão de dólares por dia
A Bloomberg diz
que. ‘Toda a indústria está esperando para ver se o poço exploratório
abre uma nova fronteira de petróleo em uma área conhecida como Margem
Equatorial.’
‘O atraso está custando à Petrobras uma fortuna de cerca de US$ 1
milhão por dia, segundo cálculos da consultoria Wood Mackenzie Ltd.’ A
publicação esclarece que o atraso vem ‘da instalação a ser usada em caso
de derramamento de óleo, que só estará operacional em meados de abril.’
Se isto corresponder à realidade, e parece que sim, a Bloomberg não costuma dar bola fora, só em 2023 o custo seria de US$ 90 milhões de dólares para o início da operação.
Ao mesmo tempo, a agência lembra que ‘um relatório da equipe de
transição de Lula, entregue ao Ministério de Minas e Energia no final de
dezembro, reconheceu que a exploração de petróleo em áreas sensíveis
como a Margem Equatorial pode ser incompatível com suas metas
ambientais.’
Pronto. Formou-se a tempestade perfeita, em outras palavras, o dilema que Lula e sua equipe terão que enfrentar em breve.
A importância da costa Norte para o petróleo
De acordo com nossa fonte, ‘A Petrobras e outros exploradores tiveram
pouco sucesso na última década explorando as bacias do Brasil ao largo
da costa sul, o que tornou a Margem Equatorial uma grande prioridade.’
‘O país precisa encontrar mais reservas, caso contrário a produção
começará a cair na década de 2030. Ao mesmo tempo, Lula também prometeu
fortalecer as agências ambientais e a fiscalização do país, o que vai
além de apenas reverter o desmatamento na Amazônia.’
A Petrobras não forneceu uma data para o início do poço quando contactada pela Bloomberg.
Contudo, navios-sonda de águas profundas como o ODN II custam entre US$
300.000 e US$ 500.000 por dia apenas em taxas de aluguel de
plataformas, de acordo com a ABESPetro, uma associação de prestadores de
serviços de petróleo.
Além disso, a plataforma ODN II deixou o Rio de Janeiro em 10 de
novembro e está estacionada perto do local de perfuração da Petrobras
desde 5 de dezembro, de acordo com dados de rastreamento de embarcações
compilados pela Bloomberg.
Até o momento, o Ibama tem protegido os corais, pedindo mais
informações aos exploradores. Além disso, em 2020 o órgão negou licença
para a TotalEnergies SE e a BP Plc.
A agência confirma a posição do Ibama: ‘Os promotores federais
pediram à empresa (Petrobras) que revisse os planos de contingência de
derramamento de óleo e realizasse mais discussões com as comunidades
locais.’
Enquanto isso, Schreiner Parker, chefe da Rystad Energy para a
América Latina, disse à Bloomberg: “Eles estão queimando dinheiro como
loucos. Você não vê uma plataforma ir para o local e ficar 40 a 50 dias
sem perfurar.”
Enquanto aguardamos a decisão de Lula, a Bloomberg encerra
sua matéria com uma declaração de Telmo Ghiorzi, diretor da ABESPetro:
“Existe uma certa ansiedade no setor. A Petrobras será pioneira na
região e abrirá caminho para diversas outras petrolíferas.”
Será? Saberemos nos próximos meses. O Mar Sem Fim voltará ao tema.
Uma tendência das empresas na atualidade, a gamificação é uma solução moderna para engajar colaboradores.
Uma palavra que tem sido muito usada na atualidade é o conceito de
gamificação. Gamificação na educação, no trabalho, como marketing, no
RH, entre outros. No entanto, nem todo mundo sabe o real significado da
palavra: gamificação é um termo que vem do inglês (gamification) e
consiste em empregar técnicas de jogos a outras situações, com o
objetivo de fazer elas serem mais prazerosas e dinâmicas.
A gamificação é considerada uma das melhores formas de engajar
colaboradores na atualidade e deixar sua experiência mais leve no
trabalho, desde a chegada da oferta de trabalho até o cotidiano. Para se
ter uma ideia, uma pesquisa feita pela ResearchAndMarkets.com, revelou
que a gamificação aumenta os níveis de produtividade de equipes em até
90%.
A Workverse é uma empresa que leva a gamificação no trabalho como uma
máxima, aplicando o conceito na admissão e onboarding de novos
colaboradores, como explica o CEO e Co-Founder, Daniel Uchôa. “Agora, as
grandes empresas estão indo além, oferecendo experiências memoráveis.
Nossa vida como ser humano é sobre experiências, que permanecem conosco e
nos moldam. E é assim que as empresas líderes estão moldando seus novos
talentos, através de experiências que vão além dos sentidos, e que
criam fortes laços com a marca empregadora. Novos talentos aceleram o
progresso, e as experiências aceleram esses talentos”, diz.
Abaixo, Daniel Uchôa fala sobre a melhor forma de usar a gamificação para engajar positivamente os colaboradores. Confira:
1. Engaje os colaboradores: “A falta de talentos no
mercado é, na verdade, um gap de engajamento. As empresas não conseguem
manter seus talentos por muito tempo, é o chamado turnover. E com tanto
tempo e dinheiro investidos para se chegar aos melhores talentos,
perdê-los tão rapidamente gera um enorme prejuízo. Para se ter ideia, a
Gallup estima prejuízo de U$7.8 trilhões na economia global apenas
devido ao baixo engajamento de funcionários”, comenta.
“Na hora da proposta de emprego, é importante ajudar essas pessoas em
um momento de decisão tão importante em suas vidas, que é a escolha de
um novo emprego. Nada melhor do que uma real vivência imersiva nas
vantagens da oferta, passando pelos principais fatores de decisão. Essa
experiência pode ser compartilhada e desfrutada com a família, para
apoiá-los na decisão”, completa Daniel.
2. Tenha um parceiro tecnológico: “Os líderes do RH
sabem que há mais na digitalização do que a tecnologia por si só. As
empresas que estão avançadas nessa frente constroem um framework
tecnológico que coloca as pessoas em primeiro lugar e assume uma visão
mais holística da experiência do colaborador. E buscam um parceiro
tecnológico capaz não só de prover essa tecnologia, mas de trabalhar
junto nas mudanças e desafios do dia-a-dia, trazendo metodologias,
expertise e know-how para isso”, mostra.
3. Unifique a jornada: “Os colaboradores não querem
mais soluções isoladas e uma experiência quebrada e pobre. Um parceiro
tecnológico orientado na experiência do colaborador traz um roadmap
digital que foca no que o sistema pode fazer pelas pessoas, e não o
contrário. Não é a empresa que precisa se ajustar a uma certa
ferramenta, e sim a ferramenta que precisa se ajustar aos processos da
empresa e às necessidades dos candidatos e colaboradores”, aconselha
Daniel.
4. Humanize a jornada: “Parte essencial da jornada
de gamificação é criar uma experiência humanizada para o colaborador.
Como querer ser mais humano se você não tem tempo para dar atenção? Dar
atenção é um fator fundamental na construção de um relacionamento, e não
há como pensar em uma jornada humanizada sem ter tempo para dar a
devida atenção”, afirma.
5. Crie experiências: “Humanizar a jornada é
desenhar experiências que façam sentido. São nossas experiências que nos
tornam mais humanos. Experiências ficam conosco durante toda nossa
vida. Elas não apenas moldam quem somos como seres humanos, como também
nos ajudam a conectar e construir nossos relacionamentos com pessoas e
empresas”, finaliza Daniel Uchôa.
ESCALANDO NEGÓCIOS DA VALEON
1 – Qual é o seu mercado? Qual é o tamanho dele?
O nosso mercado será atingir os 766 mil habitantes do Vale do
Aço e poder divulgar os produtos / serviços para vocês clientes,
lojistas, prestadores de serviços e profissionais autônomos e obter dos
consumidores e usuários a sua audiência.
A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e
especialmente aos pequenos e microempresários da região que não
conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que
ele proporciona. Pretendemos cadastrar todas as empresas locais com
CNPJ ou não e coloca-las na internet.
2 – Qual problema a sua empresa está tentando resolver? O mercado já expressou a necessidade dessa solução?
A nossa Plataforma de Compras e Vendas que ora
disponibilizamos para utilização das Empresas, Prestadores de Serviços e
Profissionais Autônomos e para a audiência é um produto inovador sem
concorrentes na região e foi projetada para atender às necessidades
locais e oferecemos condições de adesão muito mais em conta que qualquer
outro meio de comunicação.
Viemos para suprir as demandas da região no que tange a
divulgação de produtos/serviços cuja finalidade é a prestação de
serviços diferenciados para a conquista cada vez maior de mais clientes e
públicos.
O nosso diferencial está focado nas empresas da região ao
resolvermos a dor da falta de comunicação entre as empresas e seus
clientes. Essa dor é resolvida através de uma tecnologia eficiente que
permite que cada empresa / serviços tenha o seu próprio site e possa
expor os seus produtos e promoções para os seus clientes / usuários ao
utilizar a plataforma da ValeOn.
3 – Quais métodos você usará para o crescimento? O seu mercado está propício para esse tipo de crescimento?
Estratégias para o crescimento da nossa empresa
Investimento na satisfação do cliente. Fidelizar é mais barato do que atrair novos clientes.
Equilíbrio financeiro e rentabilidade. Capital de giro,
controle de fluxo de caixa e análises de rentabilidade são termos que
devem fazer parte da rotina de uma empresa que tenha o objetivo de
crescer.
Desenvolvimento de um planejamento estratégico. Planejar-se
estrategicamente é como definir com antecedência um roteiro de viagem ao
destino final.
Investimento em marketing. Sem marketing, nem gigantes como a
Coca-Cola sobreviveriam em um mercado feroz e competitivo ao extremo.
Recrutamento e gestão de pessoas. Pessoas são sempre o maior patrimônio de uma empresa.
O mercado é um ambiente altamente volátil e competitivo. Para
conquistar o sucesso, os gestores precisam estar conectados às demandas
de consumo e preparados para respondê-las com eficiência.
Para isso, é essencial que os líderes procurem conhecer (e
entender) as preferências do cliente e as tendências em vigor. Em um
cenário em que tudo muda o tempo todo, ignorar as movimentações externas
é um equívoco geralmente fatal.
Planeje-se, portanto, para reservar um tempo dedicado ao
estudo do consumidor e (por que não?) da concorrência. Ao observar as
melhores práticas e conhecer quais têm sido os retornos, assim podemos
identificar oportunidades para melhorar nossa operação e, assim,
desenvolver a bossa empresa.
4 – Quem são seus principais concorrentes e há quanto tempo
eles estão no mercado? Quão grandes eles são comparados à sua empresa?
Descreva suas marcas.
Nossos concorrentes indiretos costumam ser sites da área,
sites de diretório e sites de mídia social. Nós não estamos apenas
competindo com outras marcas – estamos competindo com todos os sites que
desejam nos desconectar do nosso potencial comprador.
Nosso concorrente maior ainda é a comunicação offline que é
formada por meios de comunicação de massa como rádios, propagandas de
TV, revistas, outdoors, panfletos e outras mídias impressas e estão no
mercado há muito tempo, bem antes da nossa Startup Valeon.
5 – Sua empresa está bem estabelecida? Quais práticas e procedimentos são considerados parte da identidade do setor?
A nossa empresa Startup Valeon é bem estabelecida e
concentramos em objetivos financeiros e comerciais de curto prazo,
desconsideramos a concorrência recém chegada no mercado até que deixem
de ser calouros, e ignoramos as pequenas tendências de mercado até que
representem mudanças catastróficas.
“Empresas bem estabelecidas igual à Startp Valeon devemos começar a pensar como disruptores”, diz Paul Earle,
professor leitor adjunto de inovação e empreendedorismo na Kellogg
School. “Não é uma escolha. Toda a nossa existência está em risco”.
6 – Se você quiser superar seus concorrentes, será necessário escalar o seu negócio?
A escalabilidade é um conceito administrativo usado para
identificar as oportunidades de que um negócio aumente o faturamento,
sem que precise alavancar seus custos operacionais em igual medida. Ou
seja: a arte de fazer mais, com menos!
Então, podemos resumir que um empreendimento escalável é
aquele que consegue aumentar sua produtividade, alcance e receita sem
aumentar os gastos. Na maioria dos casos, a escalabilidade é atingida
por conta de boas redes de relacionamento e decisões gerenciais bem
acertadas.
Além disso, vale lembrar que um negócio escalável também
passa por uma fase de otimização, que é o conceito focado em enxugar o
funcionamento de uma empresa, examinando gastos, cortando desperdícios e
eliminando a ociosidade.
Sendo assim, a otimização acaba sendo uma etapa inevitável
até a conquista da escalabilidade. Afinal de contas, é disso que se
trata esse conceito: atingir o máximo de eficiência, aumentando clientes, vendas, projetos e afins, sem expandir os gastos da operação de maneira expressiva.
Pretendemos escalar o nosso negócio que é o site marketplace da Startup Valeon da seguinte forma:
objetivo final em alguma métrica clara, como crescimento percentual em vendas, projetos, clientes e afins;
etapas e práticas que serão tomadas ao longo do ano para alcançar a meta;
decisões acertadas na contratação de novos colaboradores;
gerenciamento de recursos focado em otimização.
Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (App)
Plataforma P-70, da Petrobras, no pré-sal da Bacia de Santos: por
falta de estrutura de escoamento, país reinjeta nos poços boa parte do
gás natural que é extraído.| Foto: Marcelo Alves Vieira/Agência
Petrobras
Para além dos riscos financeiros e da discussão sobre o
viés ideológico na tomada de decisões, o anúncio da intenção do governo
federal de financiar a construção de um gasoduto na Argentina para o
escoamento do insumo ao mercado brasileiro expõe uma contradição,
segundo especialistas do setor.
Embora o empreendimento possa de fato beneficiar o Brasil com uma
alternativa à importação do combustível boliviano, o investimento
poderia ser mais vantajoso para o país caso fosse direcionado à
infraestrutura de transporte de gás em território nacional.
Hoje quase três quartos do gás natural produzido no Brasil vêm da
exploração da camada do pré-sal, por meio de plataformas offshore.
Praticamente metade do que é extraído, no entanto, acaba reinjetado
justamente por falta de estrutura para escoamento.
De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP), em média 2,07 bilhões de metros cúbicos, o
equivalente a 49,6% de toda a produção brasileira do combustível, foram
devolvidos aos poços mensalmente em 2022. A média mundial de reinjeção
de gás natural é da ordem de 20%.
A redução pela metade do volume de gás reinjetado viabilizaria
investimentos da ordem de R$ 98 bilhões em novos projetos das indústrias
química, petroquímica e de fertilizantes, que utilizam o composto de
hidrocarbonetos como matéria-prima, segundo a Coalizão pela
Competitividade do Gás Natural Matéria-Prima.
VEJA TAMBÉM: Como o gás do pré-sal pode reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados A
entidade, que reúne representantes desses setores e da indústria de gás
natural, calcula que o montante permitiria um aumento de R$ 402 bilhões
no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nominal, além de gerar 2,8
milhões de novos empregos, aumentar em R$ 54 bilhões a massa salarial e
ampliar em R$ 9 bilhões a arrecadação do Estado por meio de impostos. Na
semana passada, os dados foram apresentados ao ministro de Minas e
Energia, Alexandre Silveira, segundo reportou a revista especializada
Megawhatt.
“O Brasil é um país que tem a rede de gasodutos muito ruim, com
poucos quilômetros de vias de transporte se comparado a outros países,
inclusive à própria Argentina”, diz Pedro Rodrigues, sócio e diretor do
Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), consultoria do setor de
energia.
Segundo o CBIE, a malha dutoviária do Brasil para transporte de gás
natural tem cerca de 9,5 mil quilômetros, enquanto a Argentina tem 16
mil quilômetros de dutos para o combustível, embora seu território
corresponda a um terço do brasileiro. “Então será que a prioridade de
investimento do BNDES deveria ser o gasoduto da Argentina? Será que não
há outras infraestruturas no Brasil para se investir primeiro?”,
questiona Rodrigues.
Ele ressalta que, além das rotas de escoamento da produção offshore, o
país poderia investir em uma rede para interiorização do combustível.
“Hoje só 2% da população brasileira tem acesso a gás natural
residencial, enquanto 98% das pessoas ainda utilizam somente o botijão
de gás”, diz.
A lei que privatizou a Eletrobras prevê a construção de cinco novos
gasodutos de transporte de gás natural com o objetivo de interiorizar o
acesso ao insumo e anteder à demanda de novas termelétricas. Os projetos
incluídos no Plano Indicativo de Gasodutos de Transporte (PIG) da
Empresa de Pesquisa Energética (EPE) somam aproximadamente mil
quilômetros de extensão, ao custo de R$ 20,5 bilhões.
VEJA TAMBÉM: Moeda comum com a Argentina: o que o Brasil pode ganhar e perder com essa ideia
BNDES deve financiar R$ 4,2 bilhões para construção de gasoduto argentino As
obras da primeira etapa da construção do gasoduto Néstor Kirchner, na
Argentina, estão em andamento desde 2021 e consumiram até agora o
investimento de 180 bilhões de pesos, o equivalente a R$ 48,84 bilhões
na cotação atual.
Em dezembro passado, o governo argentino anunciou que o BNDES
financiaria US$ 689 milhões (cerca de R$ 3,49 bilhões na cotação atual)
para a construção da segunda etapa do gasoduto, conforme noticiou a
imprensa local.
Segundo informou esta semana o jornal O Estado de S.Paulo, no
entanto, o valor deve chegar a US$ 820 milhões (R$ 4,16 bihões).
Detalhes como sistema de taxas, prazos e garantias devem ser tratados em
uma viagem do ministro da Economia argentino, Sergio Massa, ao Brasil
no início de fevereiro.
O segundo trecho do gasoduto permitira o escoamento do gás extraído
da reserva de Vaca Muerta, na bacia de Neuquén, na Patagônia, até a
fronteira com o Brasil. O BNDES entraria com recursos para financiar a
fabricação de tubos por uma empresa brasileira, que participaria de uma
licitação para a obra.
VEJA TAMBÉM: O que está em jogo com o BNDES voltando a emprestar a outros países Mais de um terço do gás natural consumido no Brasil é importado Enquanto
reinjeta praticamente metade do gás natural que é extraído dos campos
do pré-sal, o Brasil importou, em média, 24,79 milhões de metros cúbicos
do combustível por dia em 2022, segundo dados do Boletim de
Acompanhamento da Indústria de Gás Natural, do Ministério de Minas e
Energia, atualizados até outubro. O volume corresponde a 34,2% de toda a
oferta do insumo no país no período (72,45 milhões de metros cúbicos).
Do total importado, 69,6% foi proveniente da Bolívia, enquanto o
restante é importado na forma de Gás Natural Liquefeito (GNL) de países
como Estados Unidos, Reino Unido, Nigéria, Angola, Argentina, Singapura,
Catar, Trinidad e Tobago e Suíça. Nesse estado, o insumo é transportado
em navios e precisa passar por um processo de regaseificação para ser
utilizado.
A maior parte da demanda do produto no país (60,6%) é para utilização
em refinarias, fábricas de fertilizantes e uso do gás como
matéria-prima industrial. Cerca de 23% é consumido por termelétricas,
para geração de energia, e outros 9,2% como combustível automotivo. O
uso doméstico corresponde a apenas 2,1% da demanda do gás natural.
“Quando a gente fala de oferta de gás natural, qualquer oferta que o
Brasil tenha de um produto mais barato é benéfica. Aumentar a oferta de
gás, do ponto de vista do mercado, é bom”, diz Pedro Rodrigues, do CBIE.
“Mas o projeto tem algumas interrogações que a gente tem de fazer.”
Além da contradição de se investir em um gasoduto argentino em meio a
um cenário de escassez de estrutura de transporte de gás no próprio
Brasil, há questionamentos em relaçao ao impacto socioambiental do
empreendimento, que contrariariam o compromisso do atual governo
brasileiro em relação à defesa do meio ambiente e dos povos originários.
VEJA TAMBÉM: Viagem de Lula à Argentina e ao Uruguai marca guinada externa de esquerda com aceno à direita Comunidades
do povo indígena Mapuche e pequenos agricultores que habitam a região
de Vaca Muerta estariam entre as populações mais afetadas, segundo a
organização não-governamental 350.org, que critica o anúncio do governo
brasileiro.
Segundo a entidade, a província de Neuquén,embora seja um centro da
exploração de petróleo e gás na Argentina, continua a ser uma das mais
pobres e endividadas do país. “Nos municípios onde o fracking é
extraído, há milhares de famílias sem acesso, inclusive, ao próprio gás
obtido na região, que dependem de lenha para aquecer suas casas”, diz
nota da organização.
A reserva de Vaca Muerta é uma formação geológica rica no chamado
shale gas, ou gás de xisto, um tipo de rocha com aspecto folheado que
abrigar os combustíveis fósseis em frestas. O processo para extração de
gás desse tipo de formação é conhecido como “fracking” (de “hydraulic
fracturing”), porque exige o fraturamento do solo e a inserção de água e
outros compostos para liberação dos hidrocarbonetos.
A técnica é criticada por ambientalistas por ser considerada danosa
ao meio ambiente e à saúde da população que vive nos arredores dos
campos de exploração. Diversos países proíbem o procedimento, que não é
regulamentado no Brasil.
Rodrigues, do CBIE, diz que avanços tecnológicos permitiram mitigar
seus riscos ambientais. “O que existe nesse aspecto é essa
incongruência: no Brasil a gente tem shale gas, só que por questões
ambientais a gente não explora esse potencial. Mas importamos gás dos
Estados Unidos que é de shale e estamos ajudando a construir um duto
para trazer esse gás.”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne com os
governadores dos 26 estados e do Distrito Federal,| Foto: José
Cruz/Agência Brasil
Depois de dizer inúmeros disparates durante
sua viagem pela América do Sul, como quando enalteceu a economia
argentina, distorceu a história brasileira dizendo que o impeachment de
Dilma foi um “golpe”, ou ressaltou que a Venezuela é um Estado livre,
Lula, finalmente, disse algo com algum teor de razão.
Em discurso inicial do encontro com governadores na última
sexta-feira (27), em Brasília, Lula defendeu que o país volte à
normalidade, disse que os Três Poderes devem cumprir seus papeis sem
interferir nas atribuições uns dos outros, e criticou a judicialização
da política. O presidente falou que vai “mostrar ao povo brasileiro que o
ódio acabou”, prometeu “trabalhar muito e conversar muito para que o
Poder Judiciário faça o papel do Poder Judiciário, que o Congresso
Nacional faça o papel do Congresso Nacional”, e ainda reconheceu a culpa
pela judicialização.
Como ressalta o jocoso ditado popular, “De boas intenções, o inferno
está cheio”. E de discursos políticos bonitos, feitos só para causar boa
impressão, também.
“Nós temos culpa de tanta judicialização. A gente perde uma coisa no
Congresso Nacional e, em vez de aceitar as regras do jogo democrático de
que a maioria vença e a minoria cumpra o que foi aprovado, a gente
recorre a uma outra instância para ver se a gente consegue ganhar. É
preciso que a gente pare com esse método de fazer política”, disse Lula
aos governadores. Uma rara demonstração de lucidez que, se fosse levada a
cabo pelo próprio Lula, poderia ser bastante benéfica ao país.
De fato, é urgente que o país volte à normalidade, deixando para trás
as tristes feridas de um processo eleitoral conturbado, marcado por uma
polarização excessiva, atuações equivocadas do Judiciário – lembremos
os casos de censura a conteúdos taxados erroneamente pela Justiça de
fake news – e mesmo desvarios golpistas, que culminaram nos atos de
depredação na sede dos Três Poderes em 8 de janeiro. É preciso virar
essa página da história o quanto antes e voltar à normalidade.
O problema é que, por mais que Lula adote esse discurso bonito pouco
tem feito para pacificar o país. Ao contrário, o que se vê é uma sanha
revanchista, que insiste em rotular seus opositores como “golpistas” e
anular todos os feitos positivos do governo anterior. Se ainda há, de
fato, desvairados que podem ser chamados de “golpistas”, eles são uma
minoria; a maioria da população brasileira, com toda razão, permanece
firme na defesa das instituições democráticas, e quer apenas ser ouvida e
ter seus valores respeitados.
A normalidade do país também passa, necessariamente, pela atuação dos
Três Poderes da República dentro do que estabelece a Constituição
Brasileira. Quando Legislativo, Executivo e Judiciário se esforçam em
cumprir com esmero suas funções sem tentar usurpar o papel de outro
poder, temos a tão necessária harmonia entre os Três Poderes. Mas,
infelizmente, sabemos que não tem sido assim.
O ativismo judicial e a judicialização da política, como já mostramos
inúmeras vezes, são problemas antigos, mas que nos últimos tempos
atingiram um nível desmedido. Talvez muitos não percebam, mas eles são a
principal fonte que tem alimentado o clima de tensão institucional que
vive o país. Até a imprensa internacional se mostra preocupada com o
excesso de poder exercido pelo Judiciário no Brasil. Lembremos, a título
de exemplo, o caso do inquérito das fake news, aberto em março de 2019,
e que levou o STF a ser simultaneamente vítima, acusador e julgador em
um mesmo caso, além de ter tomado para si a função de investigação, que
cabe ao Ministério Público.
Na pandemia, o Supremo atropelou o Executivo e o Legislativo, tomando
decisões que só cabem a representantes eleitos pelo povo. E durante as
eleições, o Tribunal Superior Eleitoral concedeu ao seu presidente, o
ministro Alexandre de Moraes, o poder de, sem provocação externa alguma –
seja de advogado de candidato ou coligação, seja do Ministério Público
Eleitoral –, ordenar de ofício a remoção de conteúdos na internet.
VEJA TAMBÉM: Vandalismo não é pretexto para mais ativismo judicial De exceção em exceção A verdade segundo o governo Lula O pacote da (anti)democracia do governo Lula Recolocar
o Judiciário nos trilhos é um desafio, mas pode ser alcançado e Lula
poderia contribuir para isso, se quisesse. Ele poderia, como declarou
aos governadores, “trabalhar muito e conversar muito para que o Poder
Judiciário faça o papel do Poder Judiciário”, mas também poderia apoiar a
criação da CPI proposta pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) para
investigar eventuais excessos cometidos pelos ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e assim
colocar mais luz sobre os limites e o lugar da atuação do Judiciário.
Outra atitude positiva seria Lula e seus aliados renunciarem a
qualquer tentativa de usurpação do Legislativo, deixando que mudanças na
Legislação, como as regras que regem a prática do aborto no país, sejam
feitas apenas pelo Congresso, eleito justamente para legislar em nome
dos brasileiros. E abrir mão de tentar judicializar temas que, de novo,
deveriam ser de alçada do Congresso.
Como ressalta o jocoso ditado popular, “De boas intenções, o inferno
está cheio”. E de discursos políticos bonitos, feitos só para causar boa
impressão, também. Se há sinceridade nas palavras de Lula aos
governadores, que ele seja o primeiro a colocá-las em prática.
Mais US$ 2 bi ao ano Bilhete premiado: novo comando de Itaipu vai definir aporte bilionário de investimento
Por Elvira Fantin – Gazeta do Povo
Seis
das 14 comportas do vertedouro da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no
Paraná, estão abertas para escoar o excesso de água, causado pelo
grande volume de chuvas dos últimos dias na região Sul. No domingo (18),
a vazão chegou a 4,5 milhões de litros de água por segundo – quantidade
equivalente a três Cataratas do Iguaçu.
Itaipu Binacional vai quitar dívida e terá sobra bilionária no
caixa a partir deste ano.| Foto: Rubens Fraulini/Arquivo/Itaipu
Binacional
A confirmação do deputado federal Enio Verri (PT-PR)
como novo presidente da Itaipu Binacional deve esquentar nas próximas
semanas o debate em torno da destinação do aporte bilionário que a
hidrelétrica terá, a partir desse ano. A quitação do financiamento feito
50 anos atrás para a construção da hidrelétrica termina em 2023. Com
isso, deve “sobrar”, por ano, algo em torno de US$ 2 bilhões no caixa da
companhia. O recurso será dividido entre Brasil e Paraguai estando, em
princípio, disponível para novos investimentos – mas ainda sem
definição.
Verri foi convidado para o cargo nesta quinta-feira (26), pelo
presidente Lula e aceitou. Sob a liderança dele, o novo comando de
Itaipu, terá como uma das principais definições a destinação desse
aporte adicional.
VEJA TAMBÉM:
Ênio Verri aceita convite de Lula para ser o novo presidente de Itaipu Binacional
Questionado pela Gazeta do Povo, Verri se limitou a responder: “ainda
não tenho detalhes suficientes para debater este assunto”. Conforme a
diretoria atual da companhia informou, em dezembro último, por meio de
sua assessoria de imprensa, a definição envolve tratativas entre os
ministérios das Relações Exteriores dos governos brasileiro e paraguaio.
A quitação da dívida coincide com a revisão do Anexo C do Tratado de
Itaipu. O documento diz respeito às bases financeiras para a
comercialização da energia da usina. Com a quitação da dívida, o custo
de produção da energia gerada por Itaipu ficará menor e a expectativa é
de que a energia possa chegar mais barata ao consumidor final.
O tema Itaipu foi elencado como prioridade pelo governador do Paraná,
Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), que participou do Fórum de
Governadores, em Brasília, nesta sexta-feira (27). Ratinho entregou
ofício ao governo federal com os anseios do Paraná sobre os destinos dos
recursos de Itaipu e sobre o preço da energia.
Expectativa para a definição do Conselho de Itaipu
Com a definição do comando de Itaipu, agora a expectativa é para o
anúncio dos demais integrantes da diretoria e também do Conselho de
Administração. O conselho é composto por doze integrantes, seis
brasileiros e seis paraguaios, e dois representantes dos Ministérios das
Relações Exteriores, um de cada país. Reúne-se a cada dois meses ou em
convocação extraordinária. Uma das conselheiras atuais é a ex-deputada
federal e ex-governadora do Paraná, Cida Borghetti (Progressistas).
No começo do ano, o ex-senador e ex-governador do Paraná, Roberto
Requião (PT-PR), foi convidado pela presidente nacional do PT, Gleisi
Hoffmann, para a vaga de conselheiro, mas recusou o cargo, qualificando o
posto como “boquinha de luxo”. Ele ainda tinha expectativa de ser
nomeado para a presidência da Itaipu, mas enfrentou grande resistência
de lideranças da região.
VEJA TAMBÉM:
Requião diz não para “boquinha de luxo” em conselho da Itaipu Binacional
Preterido por Lula em Itaipu, clã Requião reclama publicamente e abre crise no PT Maior hidrelétrica em produção acumulada
Uma das principais geradoras de energia elétrica do mundo, a usina
hidrelétrica Itaipu Binacional fica em Foz do Iguaçu, na fronteira do
Brasil com o Paraguai. É conhecida como uma das maiores obras da
engenharia moderna. O início do empreendimento foi em 1973, com a
assinatura do Tratado de Itaipu pelos dois países. A construção começou
em 1974.
Em 1984, a usina foi inaugurada, mas o projeto total, com as 20
unidades geradoras, só foi concluído em 2016. Naquele ano, a Itaipu
Binacional foi a primeira hidrelétrica do mundo a ultrapassar 100
milhões de megawatts-hora (MWh) de geração anual. Passou à frente da
chinesa Três Gargantas, que havia alcançado o recorde mundial de 98,8
milhões de MWh em 2014. A Itaipu é a maior hidrelétrica do mundo em
produção acumulada. Desde quando começou a operar, em maio de 1984, já
gerou mais de 2,4 bilhões de MWh.
De que lado você ficaria numa peleja entre Lula e Alexandre de Moraes?
Por Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo
Presidente
eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do TSE, ministro
Alexandre de Moraes e a presidente do STF, Rosa Wber, durante cerimônia
de diplomação no TSE
Lula e o ministro indicado ao STF pelo “golpista” Michel Temer: qual o seu lado?| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agênci
Semana
passada escrevi uma obra de ficção ou, se preferirem, uma notícia falsa
(guilty as charged) baseada em fatos reais, na qual Alexandre de Moraes
dava 48 horas para Lula explicar essa história de que o impeachment de
Dilma Rousseff foi um golpe de Estado. Apesar do asterisco e dos
elementos evidentemente caricaturais do texto, houve quem acreditasse.
Mas não se apresse em condenar os leitores mais afoitos, distraídos ou
escravos da indignação cotidiana. A confusão diz mais sobre o nosso
tempo, facilmente confundível com uma caricatura.
Sobre a possibilidade de um atrito entre Moraes e Lula, e em meio a
elogios discretos, xingamentos histéricos e um ou outro dedo-duro, houve
quem falasse em jogo de cena e em teatro das tesouras. Mas duas teorias
da conspiração atraíram meu olhar porque nesta encenação de caricaturas
em que vivemos, você sabe, o que é mera especulação hoje pode se
revelar uma realidade mal camuflada pela lama da política assim, ó, num
estalar de dedos.
A primeira é tão tosca que provavelmente seja verdadeira: o vice
Geraldo Alckmin, o ex Temer e o manda-chuva Alexandre de Moraes estariam
envolvidos num complô para apear Lula do seu poder-pangaré. Assim
Alckmin, traído pelo PSDB e pelos eleitores que insistem em vê-lo como
uma leguminosa em forma de gente, finalmente se sentaria no Trono de
Babaçu da política nacional.
A outra é mais complexa e envolve intrincadíssimas táticas do xadrez
4D. Mas, em resumo, ela diz que as falas de Lula na Argentina chamando
Michel Temer de golpista são uma forma de criar, entre a militância
esquerdista, o ambiente propício para o sacrifício de Alexandre de
Moraes, até aqui um importante peão na volta do PT ao poder. Nesse
conluio cheio de camadas, haveria espaço até para o senador Rodrigo
Pacheco, que teria se comprometido em entregar a cabeça de Moraes
(metaforicamente falando, ó amado ministro!) caso seja reeleito
presidente do Senado.
Em comum, as duas teorias têm um coisa: ambas apostam na cisão dessa
Frente Ampla, por assim dizer, que ajudou a eleger Lula por meio de
interferências questionáveis do partido Todos Somos Esquerdistas (TSE). O
quê? Não posso dizer que Lula foi eleito com um empurrãozinho dos
amigos e seus indecorosos tapinhas na cara? Ah, desculpe. Não está mais
aqui quem falou.
A luta do século! Aconteça o que acontecer, o fato é que uma briga
colocaria, no corner esquerdo, pesando, sei lá, uns 100kg, com 77 anos
nas costas, 1,68m de altura e com um histórico de seis eleições, sendo
três derrotas humilhantes, duas vitórias por nocaute técnico e uma por
pontos calculados sabe-se lá como… Luiz Inácio Lula da Silva! No outro
corner esquerdo (!), ele, o desafiante, o terror da direita, o grande
protetor da democracia; com 54 anos, pesando quantos quilos quiser
pesar, tendo a altura que quiser ter, e sem nem uma mísera eleição no
currículo; o único, o inconfundível, o autoritário, a calva mais querida
do Brasil… Alexandre de Moraes!
Essa disputa pelo poder total na ex-democracia chamada Brasil,
contudo, obrigaria esse grupo que sempre me constrange resumir ao termo
“direita”, mas paciência, a assumir um dos lados. O que seria no mínimo
interessante. O pessoal que até ontem estava acampado em frente aos
quartéis, por exemplo, ficaria ao lado de quem? O clã Bolsonaro,
acredito que ficasse ao lado de Lula. Sérgio Moro ficaria ao lado de
Moraes, assim com boa parte dos liberais que até ontem estavam fazendo o
“L” pela democracia. Reinaldo Azevedo voltaria a ser o maior
antipetista do mundo – tudo para garantir a vitória do PSDB, digo,
Moraes. E a militância de extrema-esquerda, que hoje se regozija com as
arbitrariedades do todo-poderoso do STF, talvez fosse protagonista de
“atos terroristas antidemocráticos” em defesa do Painho.
Claro que, enquanto uns estivessem manifestando sua preferência por
Lula ou Alexandre de Moraes, arcando com as consequências normais dessa
escolha, haveria os advogados do deixa-disso. Do
não-sujo-minhas-delicadas-mãos. De cima do muro de marfim, esse grupo
sempre prudente & sofisticado ficaria grasnando chavões e gastando
todo um estoque de aspas para, citando Fulano Obscuro e Cicrano Chato
Paca, justificar o olhar distante, descomprometido e soberbo.
Mas agora o texto está terminando e, antes de mais nada, quero
agradecer a você que chegou até aqui. Obrigado. Aposta quanto que a
maioria das pessoas não se dará ao trabalho e reagirá instintivamente ao
título? Tudo bem. Eu meio que já previa isso. De qualquer modo, quero
aproveitar o fato de estar diante do distinto e raro Leitor Esclarecido
para repetir a pergunta que fiz lá no alto: de que lado você ficaria
numa peleja entre Lula e Alexandre de Moraes?
Ah, já ia me esquecendo! Acredito que, neste momento, para além de
preocupações econômicas de curto e médio prazo, é preciso reconquistar a
liberdade. Até porque só quando formos novamente livres para
questionarmos coisas como a lisura das eleições (e talvez até negá-la!) é
que poderemos contestar a legitimidade das autoridades “eleitas”, antes
de as botarmos porta afora. Portanto, se Lula comprasse mesmo essa
briga (o que não acredito que vá acontecer) ele teria um tiquinho do meu
respeito.
Carne artificial: no futuro seremos obrigados a comê-la?
Por Bruna Komarchesqui – Gazeta do Povo
Enquanto tentam resolver o desafio da escalabilidade do produto,
as empresas planejam convencer o mercado consumidor de que a carne
artificial é mais ecológica e ética do que a tradicional| Foto: Bigstock
Desde
que o consumo de carne passou a ser considerado o vilão das mudanças
climáticas, o prato do consumidor tem se tornado um dos campos de
batalha mais acirrados do planeta. Longe de ser uma questão de liberdade
individual, como defendem os conservadores, para os progressistas
“comer menos carne é um ato político”, como argumenta o Greenpeace. O
debate promete se intensificar nos próximos anos, com a ascensão da
carne produzida em laboratório, novidade que deve chegar a alguns
restaurantes americanos ainda em 2023 e aos mercados até 2028. Enquanto
tentam resolver o desafio da escalabilidade do produto, as empresas
planejam convencer o mercado consumidor de que a carne artificial é mais
ecológica e ética do que a tradicional. Com o ativismo alimentar
simpático à ideia, em um futuro não tão distante seremos obrigados a
comer carne cultivada no lugar de carne natural?
Como não envolve o abate de animais, apenas a coleta de células para
replicação dos tecidos em laboratório, a carne cultivada aparece como
uma alternativa de alimentação mais “ética” para quem não come proteína
animal por razões morais. O fato de o processo ocorrer em um recipiente
de aço, e não em um pasto aberto, também chama a atenção de quem está
preocupado com o impacto ambiental. A Organização das Nações Unidas para
a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que a pecuária é responsável
por 14,5% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.
“A carne cultivada pode ser uma solução promissora porque permite que
os consumidores continuem comendo carne e, ao mesmo tempo, compensam os
encargos ambientais da produção em massa de carne”, defende Janet
Tomiyama, do Departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia, e
outros colegas pesquisadores, em um estudo sobre a percepção do público
acerca da carne artificial. Os autores concordam que os humanos são
evolutivamente predispostos a desconfiar de alimentos desconhecidos e
defendem que as barreiras à aceitação pelo consumidor “exigirão
diferentes abordagens – algumas resolvidas pela ciência e tecnologia,
outras pela educação e outras ainda por políticas”.
Jan Dutkiewicz, pós-doutor em ciência política pela Universidade
Johns Hopkins, concorda que não é mais preciso escolher entre ser
sustentável e comer hambúrguer: a solução “está nas startups de ‘carne
limpa’ do Vale do Silício”. “A agricultura celular, por sua vez, usa
células-tronco de animais para cultivar carne em um ambiente de
laboratório que é geneticamente análogo à carne de animais abatidos. A
startup Memphis Meats já produziu almôndegas indistinguíveis das reais.
Em comparação com a carne convencional, a carne limpa gera 96% menos
emissões de GEE [gases de efeito estufa] e usa 99% menos terra e até 96%
menos água”, comenta.
Dutkiewicz defende a rápida regulamentação e investimentos públicos
na nova tecnologia, que ainda tem os desafios de reduzir custos e
aumentar a produção, para ser uma alternativa à carne real.
Autor do livro “Como evitar um desastre climático”, o fundador da
Microsoft, Bill Gates, defende que “os países ricos devem mudar
totalmente para a carne sintética” em vista da saúde planetária. “Eu não
acho que os 80 países mais pobres vão comer carne sintética. Acho que
todos os países ricos deveriam mudar para carne bovina 100% sintética.
Você pode se acostumar com a diferença de sabor, e a alegação é que eles
vão torná-lo ainda melhor com o tempo”, afirma, defendendo desde
incentivos à mudança de comportamento do consumidor até o uso da
“regulamentação para mudar totalmente a demanda”.
Até o momento, apenas Singapura tem aprovação para a venda de carne
artificial no varejo. Em novembro, a FDA, agência federal do
Departamento de Saúde dos Estados Unidos, disse que um peito de frango
cultivado em laboratório pela UPSIDE Foods, com sede na Califórnia, era
seguro para consumo humano. A empresa ainda aguarda inspeção do
Departamento de Agricultura e a aprovação de seus rótulos, para seguir
com os planos de distribuição nos próximos cinco anos.
Temores de coerção
A defesa da carne cultivada como alternativa à proteína animal
tradicional aparece em um contexto de guerra cultural intensa,
aumentando temores de que a solução seja imposta à população, tão logo
se torne viável economicamente.
Rumores sobre planos governamentais de banir o consumo de carne
cresceram nos Estados Unidos em 2021, com o Green New Deal, de Biden. “O
plano climático de Joe Biden inclui cortar 90% da carne vermelha de
nossas dietas até 2030. Eles querem nos limitar a cerca de quatro quilos
por ano. Por que Joe não fica fora da minha cozinha?”, protestou na
ocasião a deputada republicana Lauren Boebert, do Colorado.
De acordo com a imprensa americana, no entanto, a notícia de que
Biden pretendia limitar a alimentação dos cidadãos surgiu do cruzamento
equivocado das propostas climáticas do governo com um trabalho acadêmico
feito em 2020, na Universidade de Michigan, que estimava possíveis
impactos de mudanças hipotéticas na dieta dos americanos.
“Não, hambúrgueres, costeletas e bifes não serão proibidos, mas com
toda a probabilidade serão racionados, ainda que pelo preço e não pela
lei. A perspectiva de que taxas de gases de efeito estufa cada vez mais
onerosas – e inegavelmente regressivas – possam ser impostas à carne
está longe de ser remota”, pondera Andrew Stuttaford, editor da revista
conservadora National Review.
Para o analista, é bom que cientistas possam “desenvolver carne
alternativa nutritiva, de custo competitivo e saborosa à base de plantas
ou cultivada em laboratório”, mas isso apenas deveria ampliar “a
escolha do consumidor”. “A bem-vinda disponibilidade de uma gama
crescente de alternativas (eu as experimentaria) não deve se tornar um
caminho para a proibição ou taxação penal da carne ‘real’, um prazer que
beneficiou nossa espécie por milhões de anos”, defende Stuttaford.
A coerção, seja por meio de leis proibitivas ou de taxação (o que
tornaria, por exemplo, a carne real uma alternativa possível apenas para
os ricos), é um dos pontos do ativismo alimentar duramente criticado
por conservadores. “Quando um conservador é vegano, ele simplesmente não
come carne. Quando um progressista é vegano, ele não quer que VOCÊ coma
carne”, argumenta Dan Lakey, fazendeiro do estado americano de Idaho.
Guerra à carne De acordo com uma reportagem da agência de notícias
Associated Press, o consumo de carne passou para o centro da guerra
cultural americana, juntamente com “aborto, controle de armas e direitos
dos transgêneros”. Enquanto a deputada democrata de Nova York
Alexandria Ocasio-Cortez defende um esboço ambiental que aponta a
necessidade da redução na produção de gado, a senadora republicana Joni
Ernst, de Iowa, apresentou, em abril de 2021, um projeto de lei para
impedir agências federais de estabelecer políticas proibindo servir
carne aos funcionários em determinados dias da semana. Para ela, as
“segundas-feiras sem carne” são uma “guerra à carne” como outras já
travadas anteriormente, contra o Natal, por exemplo.
Na Europa, ativistas também têm declarado guerra à carne e a quem a
consome. Em setembro do ano passado, a filial alemã de um grupo de
direitos dos animais chamado Peta defendeu que homens que comem carne (o
que seria um “sinal de masculinidade tóxica”) deveriam ser proibidos de
fazer sexo e se reproduzirem, para “salvar o planeta”. “Agora há
comprovação científica de que a masculinidade tóxica também prejudica o
clima. Portanto, um pesado imposto sobre a carne, de 41% para os homens,
seria apropriado. Uma proibição de sexo ou procriação para todos os
homens que comem carne também seria importante neste contexto”, disse
Daniel Cox, líder da Peta Alemanha.
No mês seguinte, o Comitê de Participação Cidadã e Petições Públicas
do Parlamento Escocês prometeu considerar uma petição sobre a proibição
de carne em todo o país, entre 2023 e 2040. O pedido foi apresentado por
Roger Green, da Vote With Your Fork [Vote com seu garfo], uma campanha
que luta por um mundo sem carne no futuro. Segundo Green, um membro do
Parlamento “concordou amplamente com o conteúdo e a proposta” e outro
estava de acordo com alguns pontos, mas ainda não convencido de que a
proibição de carne seria viável.
Na mesma época, a cidade de Haarlem, na Holanda, anunciou que vai ser
a primeira do mundo a banir anúncios de carne em espaços públicos a
partir de 2024, em decorrência do impacto climático da proteína animal.
“Proibir propaganda por motivos de origem política é quase ditatorial”,
disse o vereador Joey Rademaker, do partido de direita BVNL, que
classificou a medida como uma violação da liberdade empresarial,
possivelmente fatal para suinocultores. “As autoridades estão indo longe
demais ao dizer às pessoas o que é melhor para elas”, afirmou a
Organização Central do Setor de Carnes à rede BBC.
Sinalização de virtude
Nos últimos anos, relatórios climáticos têm apontado a proteína
bovina como o alimento que mais contribui para emissões de gases de
efeito estufa e desmatamentos em regiões como Amazônia e Cerrado. Isso
porque o gás carbônico e o metano são emitidos na pecuária em três
momentos: no desmatamento de áreas usadas para pasto, na erosão do solo
da pastagem e no processo de fermentação gástrica dos bovinos. Embora
estudiosos apontem boas práticas no campo como saídas importantes para
reduzir os impactos da atividade econômica, há opiniões mais radicais,
que defendem a eliminação completa do consumo de carne para conter o
aquecimento.
“De longe, a coisa mais importante que você pode fazer é
surpreendentemente simples: você pode parar de comer carne”, disparava
um artigo na imprensa americana em 2016, quando o tema começou a ganhar
mais espaço, baseado em dados divulgados uma década antes pela FAO.
Em 2018, a We Work, gigante do coworking que opera em cerca de 38
países, resolveu banir a carne de eventos corporativos e das refeições
de seus 6 mil funcionários. A proibição abrange carne vermelha, aves e
suínos, com o objetivo de “deixar um mundo melhor para as gerações
futuras”. “Novas pesquisas indicam que evitar a carne é uma das maiores
coisas que um indivíduo pode fazer para reduzir seu impacto ambiental
pessoal – ainda mais do que mudar para um carro híbrido”, disse o
cofundador da empresa, Miguel McKelvey, em comunicado.
O analista financeiro Felix Salmon definiu a medida como
“paternalismo arrogante” por parte do bilionário, “cuja pegada de
carbono pessoal está certamente entre os 0,1% dos cidadãos globais” [um
estudo mostra que o 1% mais rico do mundo emite mais que o dobro de
carbono que metade da população mais pobre]. “Haveria maneiras muito
mais fáceis e eficazes de reduzir a pegada de carbono da empresa. E
embora a política certamente economize uma certa quantia de dinheiro,
duvido que essa seja a motivação principal. Em vez disso, este é um
estudo de caso perfeito em sinalização de virtude. Chame isso de
vegetarianismo performático: essa é uma política que ganhará aplausos de
McKelvey e status social entre os bilionários woke [lacradores] de
Powder Mountain [maior estação de esqui dos EUA, bastante frequentada
por milionários], ao custo de enormes dores de cabeça de RH e
ressentimento generalizado dos funcionários”, criticou.