quinta-feira, 24 de novembro de 2022

O CONGRESSO NÃO DISCUTE NADA E O POVO VAI PRA FRENTE DOS QUARTÉIS

 

Omissão
Alexandre Garcia

Cronograma de Carga e Lacração – preparação da urnas para o 2° turno das Zonas Eleitorais do Paraná – Tags: eleições2018, eleições, voto, sulfrágio, Tribunal, urna eletronica. Fotos: André Rodrigues


TSE negou anulação das urnas de modelos anteriores ao de 2020.| Foto: André Rodrigues/Arquivo/Gazeta do Povo

O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), disse que a chance de o recurso do PL no TSE sobre 279 mil urnas antigas que não têm garantia de resultado é zero. Não tem como, já vimos a reação imediata do presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, dizendo que seria preciso acrescentar em 24 horas também pedido relativo às urnas no primeiro turno. É uma jogada para saber se vão assumir a “deseleição” de deputados estaduais e federais. Considerando só as urnas novas, de 2020, Bolsonaro teria 51% dos votos e seria o vencedor. Mas a chance é zero, disse Ricardo Barros.

Barros ainda afirmou que o que é preciso fazer é contestar a parcialidade do TSE durante a campanha, uma parcialidade expressa. Pegar todos os eventos, os episódios de parcialidade, e discutir tudo no Congresso Nacional. Aliás, o Congresso não discute nada. É por isso que o povo está na frente dos quartéis, porque desistiu de seus representantes. Isso é gravíssimo, está rompido o elo da democracia, entre representante e representado, mandante e mandatário. O mandante não confia mais no mandatário, porque o mandatário se encolheu. Temos 62 requerimentos de impeachment de ministros do Supremo parados no Senado.

Na Câmara, o deputado Marcel van Hattem está colhendo assinaturas para uma CPI que pretende investigar crimes de abuso de autoridade da parte de ministros do Supremo. Ele está com metade das 171 assinaturas necessárias. A Câmara ficou quieta quando prenderam Daniel Silveira, apesar de estar escrito na Constituição que deputados e senadores são invioláveis por quaisquer de suas palavras. A Câmara se encolheu igual ao Senado, quando senadores levam ao Supremo discussões políticas que deveriam ser resolvidas nos plenários do Congresso. Entregam ao Supremo como se dissessem “vocês é que são o poder político”. O poder de legislar fica entregue ao Supremo, o poder constituinte está no Supremo. Aí o povo não sabe a quem recorrer, não confia mais em seus representantes, e vai pedir aos quartéis para protegê-lo contra abusos.


Jucá é alvo de nova operação contra corrupção, mas será que vai acontecer algo?
A Polícia Federal fez busca e apreensão em torno do ex-senador Romero Jucá, de Roraima, que tentou voltar ao Senado este ano e perdeu. Jucá e outros teriam ficado com R$ 15 milhões de propina em negócios de R$ 500 milhões envolvendo dinheiro federal. O TCU descobriu, e a Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal foram atrás: é dinheiro de convênios com prefeituras, e as empreiteiras pagavam a propina para ganhar as obras.

Não sei o que vai acontecer com Jucá, que há muito tempo vem sendo alvo dessas investigações, porque estamos vendo que são poucos os que pagam. Alguém como Sérgio Cabral é condenado a 425 anos e já está para sair da prisão. Por isso há quem queira algo como o que aconteceu esses dias lá no Afeganistão, onde encheram um estádio para dar chibatadas em ladrões. A legislação brasileira, como diz o ex-reitor da Universidade Federal do Pará Alex Fiuza de Mello, é de uma república que não é republicana, porque favorece a corrupção.


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TSE DIZ QUE RELATÓRIO TÉCNICO DO PL É FALSO E MENTIROSO

 

Justiça Eleitoral

Por
Flávio Gordon – Gazeta do Povo


O ministro do STF Alexandre de Moraes.| Foto: EFE/ Joédson Alves

“Como forma essencial para o restabelecimento e a manutenção da paz social, cabe às autoridades da República, instituídas pelo Povo, o exercício do poder que ‘Dele’ emana, a imediata atenção a todas as demandas legais e legítimas da população, bem como a estrita observância das atribuições e dos limites de suas competências, nos termos da Constituição Federal e da legislação” (Às Instituições e ao Povo Brasileiro, nota oficial dos comandantes das três forças armadas, em 11 de novembro de 2022)

Treze minutos! Foi o tempo que Alexandre de Moraes levou para reagir à entrevista coletiva na qual o PL apresentou o seu relatório técnico, elaborado por engenheiros do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), apontando problemas nas urnas eletrônicas anteriores a 2020 e pedindo a anulação dos votos registrados nesses equipamentos no segundo turno. E o fez da maneira habitual: com parcialidade e politicagem rasteira. Sem, obviamente, ter tido tempo para cumprir o único dever que lhe caberia enquanto presidente do tribunal eleitoral (já que, desgraçadamente, existe no país um tribunal eleitoral), Moraes resolveu posar de enxadrista político, tentando intimidar os querelantes por meio de despacho dando prazo de 24 horas para inclusão de material também referente ao primeiro turno da corrida eleitoral. Num contexto de colapso total do Estado de Direito, e de omissão das instituições que deveriam resguardá-lo, já nem mais nos espantamos que um magistrado trate abertamente como inimigo político uma das partes em disputa judicial que lhe impende julgar. Eis o “novo normal”.

Mas, posto que estranhamente acostumados a uma tão distópica situação nacional, precisamos com urgência recobrar o senso de realidade e o brio coletivo para afirmar que, obviamente, a brincadeirinha de Reich tropical ou de stalinismo moreno já foi longe demais. O personagem em questão parece ter acreditado na fábula lisonjeira contada pela imprensa sicofanta, que o vem tratando – a sério e de maneira elogiosa! – como xerife. Sua cerimônia de posse na presidência do tribunal eleitoral teve tons imperiais e esgares mussolinianos. Todavia, não há juízes-xerifes ou juízes-imperadores numa república que se pretenda democrática. Numa tal república, o cidadão Alexandre de Moraes é igual aos outros. Na condição de servidor público de alto escalão, aliás, deveria sê-lo até um pouco menos, no sentido de estar mais exposto a críticas e cobranças por parte da sociedade. O seu poder, sobretudo, só pode derivar do que prevê a Constituição, na ausência da qual perde toda a legitimidade.

Moraes e os outros ministros trataram pelo menos metade do eleitorado – aquela metade que não simpatizava com o candidato deles – com deboche e rancor. Aos anseios por transparência, responderam com censura e ameaças. Às dúvidas sobre segurança, com piadinhas

Mas Moraes e seus pares há muito têm ignorado a Constituição e agido como donos possessivos do país, bem como do processo eleitoral. Em vez de servidores públicos comprometidos com a missão de assegurar os meios para a efetivação da democracia, decidiram posar como a sua encarnação mesma. Tanto que não se vexaram de invadir as prerrogativas do Congresso e, sabe-se lá por que com tamanha ânsia, pressionar parlamentares a descartar o projeto de voto impresso auditável, uma antiga demanda social. Com a cumplicidade abjeta de jornalistas sabujos, passaram os últimos anos repetindo a propaganda enganosa de que “o sistema eleitoral brasileiro é um orgulho nacional e exemplo para o mundo”. Pior ainda: fizeram de tudo para transformá-la em verdade oficial, convertendo em criminoso e inimigo do Estado quem ousasse questioná-la. Tal qual um Kim Jong-un, um Enver Hoxha ou um Nicolae Ceaucescu, exigiram aplausos ininterruptos para a sacrossanta geringonça eletrônica dos tempos do Bar Mitzvá de Matusalém, o bezerro de ouro a ser adorado pelos brasileiros. Trataram pelo menos metade do eleitorado – aquela metade que não simpatizava com o candidato deles, por eles descondenado, blindado e previamente proclamado vitorioso – com deboche e rancor. Aos anseios por transparência, responderam com censura e ameaças. Às dúvidas sobre segurança, com piadinhas. E a postura escarnecedora ao longo de todo o processo eleitoral foi sintetizada pela fala de Luís Roberto Barroso a um cidadão que o questionou nas ruas de Nova York, uma fala em linguajar de malandro, incompatível com a postura de um servidor público, logo aquele que mais gosta de posar de bastião da civilidade. “Perdeu, mané” é a expressão-símbolo da ilegitimidade de um tribunal eleitoral que se comportou invariavelmente como torcida de futebol de várzea.

Em relação ao relatório técnico apresentado pelo Ministério da Defesa há alguns dias, a estratégia havia sido mentir descaradamente e tentar enganar o público quanto ao teor, que foi simplesmente invertido pela propaganda do tribunal eleitoral e pela imprensa corrupta que lhe serve de assessoria de comunicação. Assim como haviam feito em 2014 em relação à auditoria contratada pelo PSDB, cuja conclusão pela inauditabilidade do sistema fora similar à do Ministério da Defesa, o tribunal e a imprensa companheira também deturparam o conteúdo do documento. “O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu com satisfação o relatório final do Ministério da Defesa, que, assim como todas as demais entidades fiscalizadoras, não apontou a existência de nenhuma fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022” – disse em nota o tribunal após o envio do relatório. E a imprensa sabuja repetiu bovinamente.


Um censor é um censor é um censor
O problema é que o documento não dizia nada disso, tanto que, no dia seguinte, o Ministério da Defesa viu-se na obrigação de desfazer as fake news. Em nota oficial intitulada “Relatório das Forças Armadas não excluiu a possibilidade de fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas”, o ministério informou ao público: “Com a finalidade de evitar distorções do conteúdo do relatório enviado, ontem (9/11), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Ministério da Defesa esclarece que o acurado trabalho da equipe de técnicos militares na fiscalização do sistema eletrônico de votação, embora não tenha apontado, também não excluiu a possibilidade da existência de fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022”.

A nota lembrava ainda os pontos sensíveis levantados pelo relatório: 1. Possível risco à segurança na geração dos programas das urnas eletrônicas devido à ocorrência de acesso dos computadores à rede do TSE durante a compilação do código-fonte; 2. Insuficiência dos testes de funcionalidade das urnas (Teste de Integridade e Projeto-Piloto com Biometria) para afastar a possibilidade da influência de um eventual código malicioso capaz de alterar o funcionamento do sistema de votação; e 3. Restrições ao acesso adequado dos técnicos ao código-fonte e às bibliotecas de software desenvolvidas por terceiros, inviabilizando o completo entendimento da execução do código, que abrange mais de 17 milhões de linhas de programação. E concluía: “em consequência dessas constatações e de outros óbices elencados no relatório, não é possível assegurar que os programas que foram executados nas urnas eletrônicas estão livres de inserções maliciosas que alterem o seu funcionamento. Por isso, o Ministério da Defesa solicitou ao TSE, com urgência, a realização de uma investigação técnica sobre o ocorrido na compilação do código-fonte e de uma análise minuciosa dos códigos que efetivamente foram executados nas urnas eletrônicas, criando-se, para esses fins, uma comissão específica de técnicos renomados da sociedade e de técnicos representantes das entidades fiscalizadoras”.

O relatório da equipe altamente qualificada contratada pelo PL resultou de uma tal investigação técnica. Somado ao relatório da Defesa, o documento joga uma pá de cal na falácia do “sistema 100% seguro”, “orgulho nacional”, “exemplo para o mundo” e outras patacoadas impostas como mandamentos divinos. Diante desse novo contexto, as autoridades eleitorais e seus porta-vozes não poderão simplesmente continuar estigmatizando os críticos e calando as dúvidas. O “perdeu, mané” talvez seja celebrado como glória nos convescotes no Copacabana Palace, onde os torcedores vitoriosos – eles próprios árbitros da partida – podem tripudiar dos rivais a uma distância segura, gargalhando ao lembrar dos pênaltis inexistentes marcados a favor do seu time e das expulsões injustas de jogadores do time adversário. Mas, do lado de fora do baile, uma sociedade em crescente ebulição continua esperando por respostas. Uma sociedade que parece dizer cada vez mais alto, com destemor e inabalável convicção: “Basta!”


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O BRASIL ESTRÉIA HOJE NA COPA DO MUNDO DO CATAR

Rrrrrrrrrola a bola

Por
Paulo Polzonoff Jr.


Ei, Neymar, quantos gols você vai fazer no jogo de hoje?| Foto: EFE/EPA/NEIL HALL

Hoje tem jogo do Brasil na Copa do Mundo do Catar. Nada? Deixa eu tentar de novo: hoje tem jogo do Brasil na Copa do Mundo do Catar. Nada ainda? Vai ver não estou sendo enfático o bastante. Tentemos uns pontos de exclamação: hoje tem jogo do Brasil na Copa do Mundo do Catar!!!! Nada. Ué, isso nunca me aconteceu antes… Vou tentar uma última vez antes de prosseguir com o texto: hoje, dia 24 de novembro de 2022, às 16 horas, o Brasil entra em campo pela primeira vez na Copa do Mundo do Catar. Ah, o jogo é contra a Sérvia.

Nada. Absolutamente nenhuma reação. Não ouço nenhum grito de “Vai, Brasil!”, de “O Hexa é nosso!”, de “Pra cima deles, Neymar!”, de “A Sérvia não é de nada!”. Ouço apenas gritos de “Juiz ladrão!”, mas acho que não tem a ver com o futebol. No Brasil de hoje, a rigor esta é uma quinta-feira normal, dia de Júpiter e véspera de sexta. É como se uma Copa do Mundo não estivesse sendo disputada no longínquo, exótico e cafona Catar. Como se o Brasil não fosse favorito (dizem). Como se já não fizesse 20 anos desde que Vampeta desceu rolando a rampa do Planalto.

Pior! O dia de estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo se transformou em dia de se posicionar politicamente. Impossível dizer que às 16 horas se pretende estar confortavelmente sentado diante da televisão sem ouvir uma reprimenda. É neste momento, aliás, que os dois polos da política parecem esquecer as desavenças. É quando o “Como assim você vai dar audiência para a Rede Globo?!” dá as mãos para o “É impossível torcer para essa Seleção fascista!”.

Eu, que não tenho nada a ver com isso e só espero que o Brasil ganhe da Sérvia por dois a zero para não continuar em último lugar no bolão, contemplo com a perplexidade de um velho cada vez mais ranzinza o mau humor que me rodeia. É como se não houvesse vida fora da política e do medo que ela desperta. E logo depois me perco no delírio de ser o portador da má notícia para Nelson Rodrigues e Paulo Mendes Campos: em 2022, o brasileiro não está nem aí para a Copa do Mundo do Catar. Dá para acreditar?

Num primeiro momento eles não acreditam, dizem que só posso estar brincando, que não é possível, que o futebol é a alma do brasileiro, que isso, que aquilo. “Se não somos mais a pátria de chuteiras, no que nos transformamos?”, pergunta Nelson Rodrigues tomando um Chicabon. Temendo matar os dois cronistas pela segunda vez, hesito, mas acabo respondendo o óbvio: nos transformamos no país da política. “Até durante o jogo da seleção na Copa do Mundo?!”, me pergunta um escandalizado xará. “¯_(ツ)_/¯”, respondo. E estou sendo sincero!

Troco o sonho pela memória assim como quem abre um parágrafo à toa e, quando percebo, estou diante da caixa mágica cujos noticiários esquerdistas hoje tanto me ofendem. Sou menino de cabelos fartos e gigantescas orelhas de abano. Minha família me cerca na expectativa boa. Depois de alguma insistência, mamãe (ela odeia que a chame de “mamãe”) nos permite fazer uma pipoquinha. Durante 90 minutos, ganho até permissão para xingar, de leve, o juiz. E o melhor: sem ser considerado antidemocrático por causa disso.

Hoje tem jogo do Brasil na Copa do Mundo do Catar. Em campo, Neymar e outros dez caras cujos nomes me escapam. Não sei você, mas, quando começar a tocar o Hino, e por mais que eu ache isso ridículo, vou me emocionar. Quando Galvão Bueno soltar seu “rrrrrrrrrrrrrola a bola”, torcerei como se um lateral ou um passe de dois metros no meio de campo fossem os lances definitivos de toda uma vida.

Quando o time adversário (uma tal de Sérvia) subir ao ataque, me sentirei diante do abismo. Ufa! Essa passou perto. Quando o juiz consultar o VAR, reclamarei da tecnologia, do esporte de alto rendimento, da modernidade, dessa palhaçada toda. Quando o árbitro der falta para o Brasil, pedirei cartões amarelos por causa de meros esbarrões e cartões vermelhos quando me der na telha.

E, como sou filho do meu tempo, na hora do gol (se houver e haverá dois) celebrarei como se Alexandre de Moraes tivesse sofrido um impeachment. Ou melhor, como se Lula tivesse voltado para a cadeia da qual jamais deveria ter saído.


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DESAFIOS PARA O SUCESSO DOS PROFISSIONAIS

 

Michael Aboud   

                                                                                                                                                                        Quais os principais desafios do profissional com esses perfis e o que fazer para ter sucesso?

Você sabia que existe uma grande diferença entre ser um profissional com potencial e ser um profissional que tem boa performance? Essa é uma dúvida frequente no mundo corporativo e, apesar de serem os dois lados de uma mesma moeda e precisarem caminhar sempre de forma conjunta, o potencial e a performance apontam para direções diferentes.

Um profissional que tem potencial, não importa em qual área ou em qual função ele trabalhe, consegue desempenhar seu papel de forma simples, rápida e sem esforço, com um resultado superior. “O profissional com potencial faz o que precisa ser feito ‘com as mãos nas costas’, sem sofrimento”, explica o empresário Michael Aboud, um dos principais empresários brasileiros nos setores de imóveis, mineração e investimentos.

Em contrapartida, um profissional que tem boa performance, precisa de um pouco mais de esforço para cumprir a mesma tarefa. “Ele precisa de processos, procedimentos bem estabelecidos e por isso, acaba ‘sofrendo mais’ e levando mais tempo para fazer a mesma tarefa que alguém que tem potencial, por exemplo”, completa Aboud.

Apesar da diferença no curto prazo parecer que ter potencial é melhor, no longo prazo esse jogo muda quando o assunto é criar estabilidade e se tornar um profissional além da média. “Ao longo do tempo, o profissional que tem apenas potencial pode acabar se tornando mediano, porque ele sabe o que faz, sabe que faz bem e pode acabar deixando para última hora. Enquanto isso, o profissional com boa performance, apesar de sofrer mais, nunca deixa de treinar e pode criar estabilidade, uma base sólida para a sua vida”, diz o empresário.

Quem ganha esse embate?

“Para chegar ao topo, o potencial precisa encontrar a performance. O profissional que tem potencial, precisa desenvolver uma boa performance e vice-versa”, explica Michael Aboud. E de fato, é a soma das características que faz um profissional deixar de ser mediano e se tornar imbatível, afinal, não é porque temos um diferencial ou grau de facilidade em determinado assunto que devemos deixar de praticá-lo, ou nos deixar acomodar.

Perfil potencial

Para quem tem o perfil mais potencial, é preciso ficar de olho nas seguintes características a serem trabalhadas:

Praticar seus talentos e buscar se atualizar e se desenvolver continuamente;

Melhorar ao menos 1% sempre que precisar fazer um novo projeto;

Não deixar para última hora só porque tem facilidade;

Criar métodos e processos bem estabelecidos para ter um controle de qualidade;

Saber lidar com diferentes paradigmas e oposições

Perfil de boa performance

Para quem não tem um grande potencial, mas tem força de vontade para aprender, alguns pontos também podem ser trabalhados:

Buscar cursos e treinamentos que possam melhorar a visão técnica e os conhecimentos sobre determinado assunto;

Treinar, treinar e treinar;

Dispor de energia e dinamismo para investir cada vez mais na atividade;

Criar métodos que sejam fáceis de serem aplicados para melhorar a velocidade do trabalho;

Praticar a habilidade para entender e conduzir mudanças.

A importância do bom site da Valeon para o seu negócio

Moysés Peruhype Carlech

Antigamente, quando um cliente precisava de um serviço, buscava contatos de empresas na Lista Telefônica, um catálogo que era entregue anualmente ou comprado em bancas de jornais que listava os negócios por áreas de atuação, ordem alfabética e região de atuação.

De certa forma, todos os concorrentes tinham as mesmas chances de serem encontrados pelos clientes, mas existiam algumas estratégias para que os nomes viessem listados primeiro, como criar nomes fantasia com as primeiras letras do alfabeto.

As listas telefônicas ficaram no passado, e, na atualidade, quando um cliente deseja procurar uma solução para sua demanda, dentre outros recursos, ele pesquisa por informações na internet.

O site da Valeon é essencial para que sua empresa seja encontrada pelos seus clientes e ter informações sobre a empresa e seus produtos 24 horas por dia.  Criamos uma marca forte, persuasiva e, principalmente, com identidade para ser reconhecida na internet. 

Investimos nas redes sociais procurando interagir com o nosso público através do Facebook, Google, Mozilla e Instagram. Dessa forma, os motivos pelos quais as redes sociais ajudam a sua empresa são inúmeros devido a possibilidade de interação constante e facilitado como o público-alvo e também a garantia de posicionamento no segmento de marketplaces do mercado, o que faz com que o nosso cliente sempre acha o produto ou a empresa procurada.

A Plataforma Comercial site Marketplace da Startup Valeon está apta a resolver os problemas e as dificuldades das empresas e dos consumidores que andavam de há muito tempo tentando resolver, sem sucesso, e o surgimento da Valeon possibilitou a solução desse problema de na região do Vale do Aço não ter um Marketplace que Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos e o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

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Moysés Peruhype Carlech

Existem várias empresas especializadas no mercado para desenvolver, gerenciar e impulsionar o seu e-commerce. A Startup Valeon é uma consultoria que conta com a expertise dos melhores profissionais do mercado para auxiliar a sua empresa na geração de resultados satisfatórios para o seu negócio.

Porém, antes de pensar em contratar uma empresa para cuidar da loja online é necessário fazer algumas considerações.

Por que você deve contratar uma empresa para cuidar da sua Publicidade?

Existem diversos benefícios em se contratar uma empresa especializada para cuidar dos seus negócios como a Startup Valeon que possui profissionais capacitados e com experiência de mercado que podem potencializar consideravelmente os resultados do seu e-commerce e isto resulta em mais vendas.

Quando você deve contratar a Startup Valeon para cuidar da sua Publicidade online?

A decisão de nos contratar pode ser tomada em qualquer estágio do seu projeto de vendas, mas, aproveitamos para tecermos algumas considerações importantes:

Vantagens da Propaganda Online

Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia digital.

Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda mais barato.

Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança, voltando para o original quando for conveniente.

Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e de comentários que a ela recebeu.

A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.

Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a empresa.

Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.

Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não estão.

Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.

A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.

Vantagens do Marketplace Valeon

Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.

Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes.

Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

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A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

DANOS QUE O JUDICIÁRIO BRASILEIRO ESTÁ CAUSANDO AO PAÍS

 

Marcelo Rates Quaranta

Eu quero agradecer, em meu nome e em nome de todas as pessoas comuns, cidadãos simples do meu país como eu, pelas últimas decisões tomadas pelo nosso Egrégio Supremo Tribunal Federal.

Sim, o Supremo fez de nós pessoas melhores do que pensávamos ser.

Quando olhávamos aqueles Ministros sob suas togas, com passos lentos e decididos, altivos, queixos erguidos, vozes impostadas ditando verdades absolutas e supremas, envoltos numa aura de extrema importância e autoridade, nos sentíamos pequenos, minguados e reles plebeus diante de uma Corte que beirava o sublime, o inatingível e o intangível.

Com essas decisões o Supremo conseguiu fazer com que a minha percepção sobre mim e sobre nós mudasse. Eles não são deuses. São pessoas tão pequenas e tão venais, que qualquer comparação que eu .faça de mim e de nós em relação a eles, seria desqualificar-nos a um nível abissal. Tudo aquilo é fantasia, tudo aquilo é pose e tudo aquilo não passa de um teatro, mas nós somos reais.

Foi aí que eu vi o quanto somos mais importantes que eles! Enquanto as divindades supremas encarnam seus personagens de retidão e lisura, mas com suas decisões abduzem a moral e destroem o país (e de quebra a reputação do Judiciário), nós brasileiros comuns e sem toga trabalhamos arduamente dia e noite para construir o país, ou pelo menos para minimizar os danos que eles provocam.

Então… Como é que um dia eu pude vê-los como sendo superiores a nós? Eu estava enganado. Nós somos muito superiores a eles, mesmo sendo zés, joãos, marias, desde o pequeno ambulante ao médico ou engenheiro. Nós somos as verdadeiras autoridades, porque nossa autoridade não foi conferida por um político malandro capaz de tudo com uma caneta. Nossa autoridade nos foi dada pela nossa força de continuar tentando fazer um Brasil melhor.

Fico sinceramente com pena é dos advogados, que são obrigados a chamar esses ministros de Excelência, ainda que com a certeza de que não há excelência alguma nos serviços que eles estão prestando à nação, mas excrescências Acho que deve ser o mesmo sentimento de ser obrigado a chamar o cachorro do rei de “milord”.

Agora eu sei o quanto somos bem maiores que eles, mesmo sem aquelas expressões em latim e doutrinas rebuscadas cheias de pompas e circunstâncias, que com toda máxima “data venia” no final significam apenas passar perfume em merda.

 Se há alguém realmente importante no Brasil, esse é o Excelentíssimo Povo Brasileiro, que apesar de tudo é obrigado a sentir o mau cheiro que vem da grande Corte, e mesmo com náuseas e ânsia de vômito, tem que acordar as 5 da manhã pra fazer aquilo que eles não fazem: Produzir os impostos para pagar o mais caros salarios e os adicionais como ajudas de custos, verbas de gabinetes/ indenizatorias e os agregados e polpudos auxilios funcionais. (paletó, educação, moradia, viagens, combustível , veiculo, celular, vinho, petshop, canil, periquita e sogra)

Obrigado, Supremo, por nos mostrar que hoje o rei sou eu e o meu povo, porque nao estou encastelado na ilha de Sta. Helena, podemos andar pelas ruas com liberdade e cabeça erguida sem temor de levar tomates e ovos dos súditos.

BOLSONARO PEDE ANULAÇÃO DOS VOTOS DE VÁRIAS URNAS

 

Urnas eletrônicas

Como a base de Bolsonaro reagiu à representação do PL no TSE

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, fala com a imprensa no Centro de Eventos e Convenções Brasil, em Brasília.


Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, justificou o pedido do partido ao TSE para invalidar os votos de 279 mil urnas| Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O despacho do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, em reação ao pedido do Partido Liberal (PL) para invalidar os votos computados em 279 mil urnas eletrônicas, causou críticas, desconforto e apreensão em parte da base do presidente Jair Bolsonaro (PL) no Congresso.

Moraes solicitou ao PL que a representação protocolada nesta terça-feira (22) abranja os dois turnos das eleições deste ano, já que as urnas que teriam tido problemas foram usadas em ambas as votações. O recurso do partido contesta apenas os votos do segundo turno. Isso colocaria em xeque não apenas a eleição de candidatos da legenda de Bolsonaro, mas de toda a sua base aliada, e inclusive de candidatos independentes e de oposição.

“O pessoal só queria mexer na eleição presidencial, não querem mexer no cargo deles. E aí, desmorona o resto. É um xeque-mate do Alexandre de Moraes”, afirmou um deputado federal do PL reservadamente à reportagem.

Para o deputado Aluísio Mendes (PSC-MA), vice-líder do governo na Câmara, há um sentimento de “perplexidade” em relação à decisão do PL de contestar o resultado da eleição. “Ouvi hoje a maioria dos partidos da base e não da base, e estão todos assoberbados com uma decisão e anúncio tão despropositado”, disse.

Essa opinião, porém, não é uma unanimidade na base. Outras lideranças avaliaram de positiva a iniciativa do PL. “É uma representação séria, de empresas de conceito internacional, que devem ser respeitadas e têm que ser ouvidas e respeitadas. Acatar a representação é o mínimo para dirimir dúvidas”, disse o deputado federal Bibo Nunes (PL-RS), vice-líder do partido na Câmara.

Uma parcela da bancada do PL é favorável à contestação, ainda que isso possa impactar na eleição e reeleição de candidatos. Deputados como Filipe Barros (PL-PR) e Bia Kicis (PL-DF), ambos vice-líderes do partido na Câmara, publicaram nas redes sociais as frases: “Queremos transparência nas eleições mesmo que isso custe o mandato dos já eleitos. Não há democracia sem transparência”.

À Gazeta do Povo, Barros reforçou o posicionamento do partido e entende que o despacho de Moraes não divide a bancada do partido, nem a base governista. “Não discutimos isso ainda, nem posso falar pela bancada, mas posso dizer que o clima do plenário é o mesmo que coloquei no Twitter. Pelo menos da nossa parte, dos deputados que aqui estão e que conversamos sobre isso”, afirmou.

Que análise a base de Bolsonaro faz da decisão de Moraes
Filipe Barros disse que a decisão de Moraes é política e não jurídica. “Tanto é que a coletiva [de imprensa convocada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto] não havia nem acabado e já estava com a decisão pronta”, disse. O parlamentar reforçou essa percepção ao ressaltar que a decisão ignora o histórico sequencial dos logs, o registro de eventos que ocorrem em cada urna eletrônica.

“Ele pede para incluirmos os dados do primeiro turno, que já estão, pois o log da urna é um sequencial e único, tem o histórico de tudo que aconteceu para cada urna específica, o que demonstra tudo do primeiro ao segundo turno. Os relatórios já estão constados na ação do PL. Ele saberia que o que está pedindo já está lá, se tivesse lido”, afirmou.

Barros entende que a determinação de Moraes tem por objetivo constranger Costa Neto e o próprio Congresso Nacional, a fim de incentivar “inúmeros parlamentares” a deixarem de apoiar a demanda por “mais transparência nas eleições”. “O pedido é político e muito frágil, pois o juiz tem que julgar o que foi pedido dentro das partes. Se ele deu prazo para responder, então também posso entender que ele concorda com nossa premissa, e aí, tudo bem, então vamos até as últimas consequências”, argumentou.

Crítico à contestação do PL, o deputado Aluísio Mendes chamou de “correta” a decisão de Moraes. “É uma leviandade questionar [as eleições] quando não tem resultado de que houve fraude concreta. Se está questionando o resultado baseado nessas 280 mil urnas, nada impede a decisão do TSE. Será que estão todos dispostos a participar de um novo processo eleitoral? É o preço a se pagar por uma irresponsabilidade dessas”, argumentou.

O vice-líder do governo classifica como “equivocada” a tentativa de contestação do resultado e entende que o processo eleitoral é comprovadamente confiável. “O presidente Bolsonaro e o PL perdem a oportunidade de aceitar o resultado das urnas e sair com uma grande oposição. Questionar sem fundamentação e prova considero até irresponsável e espero que a razão volte a pairar e que as pessoas entendam que é preciso respeitar o resultado das urnas”, destacou.

Mendes defende que o momento para os candidatos derrotados é discutir o futuro político-partidário para 2024 e pavimentar o caminho para as eleições de 2026. “Não é questionando que vamos mudar o resultado desta eleição. Que assumam a derrota e se preparem para disputar as próximas eleições”, disse.

Qual é a chance de Moraes acatar o pedido do PL
O prazo exíguo de 24 horas para o PL incluir as urnas usadas no primeiro turno no pedido de anulação de votos no segundo turno é considerada na base de Bolsonaro um prazo exíguo. Alguns aliados sustentam que o caminho natural é entrar com um recurso de extensão de prazo.

Ainda assim, a possibilidade de sucesso na reivindicação do PL é avaliada como improvável na base política. “A expectativa de que o TSE dê qualquer decisão a favor de Bolsonaro é zero”, disse à CNN o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), que não questiona o resultado das eleições.

O parlamentar considera, porém, importante a manifestação para “questionar a conduta da Justiça eleitoral”. “O TSE tomou lado contra ele, claramente, nas suas resoluções, nas suas decisões durante a campanha, fez tudo que pôde para prejudicar Bolsonaro”, disse. ” “Não há expectativa minha, pelo menos, de que o TSE vá acatar documentos, mas é importante que o partido apresente os seus argumentos para que não fique apenas o lamento de quem perdeu a eleição”, acrescentou.

O deputado Aluísio Mendes reforçou essa análise. “Ninguém acha que vai adiante. Apenas observei dois ou três convalidando”. Por esse motivo, o vice-líder do governo sequer vislumbra a possibilidade um racha na base governista em razão da contestação do resultado eleitoral. “Não tem como rachar, há apenas um sentimento de perplexidade e total descrença que vai resultar em alguma coisa”, disse.

O deputado Filipe Barros reforça o intuito de recorrer até as “últimas consequências”, mas diz que é preciso aguardar. “Vamos ver qual vai ser o desenrolar disso, pois é o TSE investigando o próprio TSE”, comentou.


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AUTORITARISMO JUDICIAL BLOQUEIA CONTAS INTEIRAS NA INTERNET

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Bloqueio de contas inteiras nas redes começou no STF com Alexandre de Moraes e depois foi regulamentada pelo ministro no TSE.| Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Das inúmeras medidas claramente autoritárias que o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adotaram nos últimos tempos – este, durante a recente campanha eleitoral; aquele, ao menos desde 2019, quando do início do abusivo inquérito das fake news –, existe uma cuja gravidade tem passado despercebida, em parte por não ser tão aparente, em parte porque outras medidas como prisões acabam chamando mais a atenção. Falamos da suspensão total de perfis em mídias sociais, e que hoje atinge inúmeras pessoas físicas e jurídicas: jornalistas, influenciadores digitais, empresários e até mesmo parlamentares com mandato ou eleitos para a próxima legislatura, empresas e partidos políticos. Todos estão impedidos, por ordem judicial, de manter seus perfis ou de criar novas contas nas principais plataformas de mídia social.

A suspensão, é bem verdade, não é invenção da Justiça brasileira. As próprias Big Techs se prestaram com gosto a esse papel, especialmente durante a pandemia de Covid-19, quando até mesmo a publicação de estudos revisados por pares em revistas científicas podia render “ganchos” de no mínimo alguns dias por contrariar supostos “consensos” a respeito de tratamentos ou de medidas preventivas como os lockdowns. Quando as suspensões ou cancelamentos de contas partem da mídia social, ainda seria possível argumentar que se trata de uma relação entre entes privados (o usuário e o site), e mesmo assim já se trata de medida potencialmente problemática. Afinal, as mídias se descrevem como meras plataformas, intermediários que as pessoas usam para se comunicar – com isso, as empresas evitam responsabilização legal pelo que é publicado nos perfis. No entanto, na prática, ao apagar conteúdos ou contas, elas se portam como editoras, ou publishers, o que altera completamente seu status legal e as torna sujeitas a uma série de exigências. Mas mesmo este comportamento das mídias sociais ainda é menos grave que a imposição judicial para que elas cancelem perfis e impeçam seus donos de seguir publicando em contas novas.

Impedir judicialmente alguém, pessoa física ou jurídica, de manter uma conta em mídias sociais é não apenas censura, mas censura prévia, do tipo exato que a Constituição veda explicitamente

A suspensão completa de perfis é medida não prevista expressamente no ordenamento jurídico brasileiro. Não está em nenhum dos códigos que listam medidas cautelares que a Justiça pode adotar, e não aparece nem mesmo no Marco Civil da Internet, que em seu artigo 19, parágrafo 1.º, afirma claramente que eventuais ordens judiciais de retirada de conteúdo precisam conter “identificação clara e específica do conteúdo apontado como infringente, que permita a localização inequívoca do material” – mais ainda: se isso não ocorrer, a ordem judicial se torna nula. Por mais que o Marco Civil já tenha oito anos e seja anterior à epidemia de fake news, em nenhum momento o legislador achou necessário ou conveniente acrescentar o banimento entre as medidas que estariam à disposição da Justiça.

E isso por uma razão tão simples quanto ignorada: impedir judicialmente alguém, pessoa física ou jurídica, de manter uma conta em mídias sociais é não apenas censura, mas censura prévia, do tipo exato que a Constituição veda explicitamente, pois não estamos falando da proibição justificável de conteúdos efetivamente criminosos, e sim do silenciamento puro e simples. O inciso IX do artigo 5.º afirma que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”; e o artigo 220, que em seu caput diz que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”, acrescenta, no parágrafo 2.º, que “é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”.

Censura prévia, sim, porque o indivíduo, empresa ou entidade que a Justiça impede de ter contas em mídias sociais fica proibido de se manifestar publicamente sobre quaisquer assuntos, dos mais prosaicos aos mais essenciais, ainda que o que tivesse a dizer não ferisse o Código Penal ou qualquer outra lei. Sem as mídias sociais, são pouquíssimos os brasileiros que têm a oportunidade de se fazer ouvir e de tornar públicas suas opiniões; o banimento é, assim, o equivalente em menor escala ao fechamento de um veículo de imprensa por ordem judicial, algo que qualquer cidadão não hesitaria em classificar como uma agressão indescritível à liberdade de expressão.


E, ao fazer tal comparação, dizemos “em menor escala”, mas não de menor gravidade. Afinal, a comunicação é uma dimensão essencial do ser humano. Calar alguém é negar-lhe dignidade; é a aniquilação do indivíduo. É por isso que o Marco Civil da Internet prevê apenas a exclusão de conteúdos isolados que de fato violem a legislação nacional e que estejam devidamente identificados na decisão judicial, jamais uma exclusão “por atacado”, muito menos a suspensão do perfil, que são medidas claramente desproporcionais e vão muito além da resposta legal que se admite diante de um conteúdo que efetivamente viole a lei. O cancelamento de perfis não passa pelos filtros do princípio da proporcionalidade, e por isso é o tipo de restrição que jamais deveria ser aceito.

Até mesmo as Big Techs estão percebendo isso, como se vê na ação conjunta das mídias com escritório no Brasil contra a censura imposta pelo ministro Alexandre de Moraes ao Partido da Causa Operária (PCO). “O bloqueio integral do perfil do Partido da Causa Operária (PCO) na iminência do início do período eleitoral poderia violar, com a devida vênia, dispositivos constitucionais e a própria legislação infraconstitucional relativa à matéria, tendo em vista a possibilidade de caracterização de censura de conteúdo lícito existente nos mais de 20 mil tweets postados pelo usuário desde 2010 e, especialmente, de censura prévia de conteúdo futuro lícito, não necessariamente vinculado ao objeto do inquérito em curso”, afirmaram os advogados do Twitter.

As demais mídias seguiram a mesma linha. “A remoção de um canal inteiro resultaria tanto no cerceamento genérico de discursos passados, sem nenhuma relação com o objeto da investigação, quanto na censura prévia de novos conteúdos sobre quaisquer temas, de forma incompatível com a Constituição e a jurisprudência histórica desse Egrégio Supremo Tribunal Federal”, acrescentou o Google. “A medida de bloqueio completo e irrestrito do canal seria uma clara violação à liberdade de expressão, sob pena de generalização de que todas as publicações do canal, passadas, presentes e futuras, seriam criminosas, o que não pode ser confirmado”, alegou o Telegram.

A suspensão de perfis, como vem sendo feita, equivale ao fechamento de um veículo de imprensa por ordem judicial, algo que qualquer cidadão não hesitaria em classificar como uma agressão indescritível à liberdade de expressão

Os argumentos são tão cristalinos e contundentes que Moraes não teve como enfrentá-los, sempre limitando-se a repetir a decisão original e acrescentar que “o recorrente não apresentou qualquer argumento minimamente apto a desconstituir os óbices apontados. Nesse contexto, não há reparo a fazer no entendimento aplicado”. Ora, na verdade as mídias foram totalmente capazes de apontar o erro da decisão judicial; foi a Moraes que faltou a capacidade de explicar como a suspensão dos perfis do PCO não configuraria censura prévia nem ataque à liberdade de expressão. Capacidade que também faltou aos sete ministros que seguiram o relator sem nem apresentar votos escritos, bem como a Rosa Weber, que ao menos publicou um voto citando a necessidade de a democracia ter “instrumentos de autodefesa”, sem perceber a evidente contradição de invocar medidas totalmente antidemocráticas a pretexto de defender a democracia. Apenas Nunes Marques e André Mendonça foram contrários à censura, defendendo em seus votos a liberdade de expressão. Apesar da derrota do recurso das empresas, o caso ainda aguarda o julgamento de mérito.

Diante da presença de conteúdos potencialmente criminosos nas mídias sociais, a única resposta aceitável é a ação pontual: identifica-se, analisa-se e, se for o caso, exclui-se aquele determinado texto, vídeo ou imagem, em um processo que deve ser repetido quantas vezes for necessário, por mais trabalhoso ou exaustivo que isso seja. Ir além disso é atacar frontalmente a liberdade de expressão, um dos pilares de qualquer democracia. E tirar de alguém o direito à palavra pela supressão de perfis é mais que autoritário, beirando o totalitarismo distópico.


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LIVRO DA OPOSIÇÃO SOBRE A CPI DA COVID-19 NÃO APRESENTA NADA DE NOVO

 

Opinião
Livro de Randolfe Rodrigues e Humberto Costa

Por
Eli Vieira – Gazeta do Povo


Senadores Humberto Costa (PT) e Randolfe Rodrigues (Rede) lançaram livro sobre os bastidores da CPI da Covid.| Foto: Divulgação/Geraldo Magela/Roque de Sá/Agência Senado


Acusações sobre “genocídio” e exercício ilegal da medicina, crítica ao uso de “vermífugo” e tratamentos profiláticos “comprovadamente ineficazes”, exaltação do uso de máscaras e do lockdown. “A Política Contra o Vírus: Bastidores da CPI da Covid” (Companhia das Letras, 152 páginas), livro dos senadores Randolfe Rodrigues (Rede) e Humberto Costa (PT), lançado no mês passado, é magro em número de páginas, mas volumoso em meias verdades, distorções científicas e retórica política contra o governo Bolsonaro. A publicação busca retratar como heroica uma Comissão Parlamentar de Inquérito que gerou um relatório eivado de gafes científicas, não entregando nada além da já esperada propaganda.

Randolfe e Humberto abrem o livro acusando o presidente de “exercício ilegal da medicina ao prescrever tratamento precoce e remédios ineficazes no combate ao vírus”. Como as mesmas drogas foram prescritas por muitos médicos, isso equivale a acusá-los de exercício ilegal da medicina.

Também acusam o governo de ter “por meta fomentar a proliferação da Covid na certeza de que a contaminação em massa levaria à imunização dos brasileiros”. Mas o que se esquecem de dizer, ou não sabem, é que a aposta na imunidade natural dos menos vulneráveis para atingir uma imunidade de rebanho que protegesse os mais vulneráveis foi, e ainda é, uma proposta séria de médicos e cientistas, como se pode constatar lendo a Declaração de Great Barrington.

Enquanto o livro, citando estudo, alega que essa estratégia foi um desastre e acusa de genocídio quem tentou aplicá-la, outra análise mostra que os países que foram francos a respeito de atingir imunidade de rebanho, com infecções prévias e vacina, atingiram os maiores índices de imunização do mundo, ao contrário daqueles que ainda insistem em “Covid zero”. A retórica histriônica do livro vai tão longe que acusa o governo de ter a intenção de “exterminar os povos indígenas”.

Tratamento precoce
Os senadores desqualificam a ivermectina como “vermífugo”. Apenas retórica política, já que nada na natureza ou na farmacologia impede que uma droga que trata de vermes também tenha eficácia contra um vírus. Sabe-se, ao menos, que é uma droga segura. Devido a uma confusão de interpretação estatística e uma resistência política, é possível que nunca saibamos com certeza se a ivermectina é eficaz contra a Covid. Mas há as evidências positivas, como estudos que passaram até no teste exigido pelos que fazem a confusão estatística.

Perplexo diante dessas evidências favoráveis e outras, o famoso blogueiro psiquiatra americano Scott Alexander, com amplos interesses científicos, propôs que a ivermectina deve ter ajudado indiretamente, ao desafogar o sistema imunológico combatendo as verminoses e o liberando para lutar contra a Covid. Fica ao leitor a interpretação do que é mais provável: as pessoas dos países em desenvolvimento estão cheias de vermes, ou a ivermectina realmente pode ter algum efeito contra o vírus, como sugerido em estudos investigando suas interações moleculares?

Randolfe e Humberto alegam que, em janeiro de 2021, a cloroquina e ivermectina eram medicamentos “conhecidos havia muito como ineficazes contra a doença”, falam também em “comprovadamente ineficazes”. Essa certeza é falsa, tanto na época quanto agora. Na realidade, reanálises de dados continuam apontando que a hidroxicloroquina, uma forma menos tóxica de cloroquina, pode ter ajudado se tomada antes da infecção. Não foi a panaceia prometida por muitos, mas não se pode afirmar que é “ineficaz” também. Quanto ao “comprovadamente”, não é termo de quem entende de ciência.

Não há nenhuma ocorrência no livro para a fluvoxamina, um antidepressivo proposto como tratamento precoce que passou nos estudos mais rigorosos (chamados “ensaios controlados e randomizados”). Como não funcionou atacar todo tipo de tentativa de fazer realocação de drogas já existentes e baratas como esta, restou aos críticos do tratamento precoce ficar em silêncio a respeito da fluvoxamina. Agora, a revista científica Nature publica que a vitamina D também ajudou contra a Covid. A politização desses tratamentos sempre foi desnecessária. E nunca houve lógica em colocar como opostos o tratamento precoce e as vacinas, que atuam em âmbitos diferentes de profilaxia e cuidado.

Vacinas: economizar dinheiro do SUS é feri-lo de morte
Randolfe e Humberto são enfáticos em criticar a tentativa de empresários de comprar as vacinas no começo da pandemia, como se fosse incontroversa a interferência do Estado na propriedade privada à maneira soviética, sob a desculpa de concentrar os esforços no SUS. Com teimosia tipicamente progressista, alegam que permitir a compra privada seria “alargar o fosso social brasileiro”, em vez de desafogar o SUS e economizar com a falta de necessidade de pagar com imposto o que pode ser pago diretamente pelo cidadão e pela empresa. Tudo pelo Estado, nada contra o Estado.

É um mundo paralelo em que economia do dinheiro do pagador de impostos é ruim para o pagador de impostos. A compra das vacinas pelos grupos empresariais privados seria uma criação de “ilhas de privilégios no Brasil”, “ferindo de morte o Sistema Único de Saúde”. Como exatamente economizar impostos no SUS seria feri-lo de morte não é explicado. A estatolatria não precisa de explicações.

É uma empresária, no entanto, que ganha crédito por iniciar a cadeia de decisões que levou à CPI: “Senador Randolfe? Aqui é Luiza Trajano. Precisamos encontrar uma maneira de destravar o processo de vacinação da população”. A mania da esquerda nacional de atrapalhar a vida do empresariado enquanto dá acesso privilegiado a empresários seletos amigos do rei é apresentada, aqui, como se fosse exuberante e admirável por causa do sucesso da chefe da Magalu em fazer lobby junto ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Os autores descrevem uma reunião na residência dele em 22 de fevereiro de 2021, junto com as farmacêuticas, e outra reunião em que se sentaram com Flávio Bolsonaro, senador e filho do presidente.

Bizarramente, Randolfe e Humberto criticam empresas que “aproveitavam o momento para tentar instituir novos marcos legais que favorecessem lucros a determinados segmentos pela comercialização de imunizantes”, mas nada têm a dizer sobre o interesse de lucro dos próprios fabricantes das vacinas.

O Ministério da Saúde de Bolsonaro classificou a cláusula contratual que eximia as fabricantes das vacinas de responsabilidade por efeitos colaterais e mortes como “draconiana”. A resposta de Randolfe e Humberto? Que ela foi aceita em diversos países. Isso nos leva ao velho argumento materno para filhos adolescentes: se diversos países pularem de uma ponte, você também pula? Os méritos devem ser avaliados, em vez de apenas seguir exemplos externos, embora essa tenha sido a tônica da pandemia não só aqui, como na maior parte do mundo. Um argumento dos senadores que se sai um pouco melhor diz respeito a uma cláusula similar ter sido ignorada no malfadado e suspeito plano de comprar doses da vacina indiana Covaxin. A ministra do STF Rosa Weber arquivou o inquérito contra Bolsonaro com base nas denúncias a respeito dessa vacina.

Máscaras e lockdowns

No primeiro capítulo, os senadores contam que, no começo de 2021, houve uma reunião com prefeitos no Senado e, dos cinco senadores presentes, três foram internados com Covid, um vindo a falecer. Mas Eduardo Girão “foi salvo pela máscara”. Como já temos uma série de estudos falhando em evidenciar a eficácia das máscaras de tecido e cirúrgicas para barrar as infecções, isso quer dizer que Randolfe e Humberto preferem seu “estudo” anedótico com tamanho amostral de cinco pessoas.

As medidas de confinamento (lockdown) são apresentadas sem crítica, como se fossem um remédio doce, sem nenhum amargor. Bolsonaro é criticado por ter se pronunciado contra o fechamento do comércio de Manaus, como se tal medida fosse resolver a situação em vez de piorar os problemas sanitários dos manauaras com agravantes econômicos. Mais que isso, os autores afirmam, sem evidências, que a tragédia de Manaus foi causada diretamente pela decisão do governador Wilson Lima, alinhado com Bolsonaro, de voltar atrás no lockdown: “A colheita da má decisão foi trágica”. Políticos podem usar a complexidade do mundo e nossa ignorância sobre ele para afirmar relações causais onde for mais conveniente. Cientistas não têm esse privilégio.

Conclusões
Esta crítica ao livro não pretende negar que Bolsonaro tenha cometido erros no manejo da pandemia, especialmente com declarações descuidadas. Certas decisões, como as que envolveram o suprimento de oxigênio em Manaus, merecem uma análise sóbria, em que é provável que Randolfe e Humberto tenham alguma razão. Só não ao ponto de elogiarem o regime de Maduro na Venezuela, como fizeram na publicação, por utilizar a tragédia para benefício de sua própria imagem.

Porém, Bolsonaro merece crédito por não ter fechado o país todo, quando tinha poder para tal. Seu governo tem o mérito, também, de ter tentado proteger indivíduos de serem demitidos caso recusassem as vacinas — decisão desfeita pelo STF. No mínimo, as tentativas de coagir pessoas a tomar vacinas contra Covid revelaram-se tolas por dois aspectos: ignorar a proteção conferida pela infecção prévia (ao contrário do que fez a Dinamarca, que aceitava a infecção prévia em seus “passaportes” de imunização), e ter ficado evidente que nenhuma das vacinas era eficaz em barrar a transmissão e a infecção, embora tivessem boa eficácia em evitar mortes.

Como disse classicamente o filósofo liberal John Stuart Mill, não se força o indivíduo a coisa alguma em nome de seu próprio bem. O indivíduo é quem decide o que é o seu próprio bem e tem soberania sobre o seu corpo, como decidiu mais tarde o julgamento de Nuremberg após os abusos nazistas.

Uma das principais reclamações do livro foi pela demora no fechamento de contrato com as farmacêuticas para a compra das vacinas para o SUS. Olhando o cenário internacional fora da polêmica política interna, no entanto, o atraso não fica tão dramático. Randolfe e Humberto contam que o requerimento para abrir a CPI da Covid-19 foi apresentado em 18 de janeiro de 2021. Na época, o Brasil atingia a marca das 200 mil vítimas da doença. Nesta mesma data, como mostra o site de curadoria de dados Our World in Data, o Brasil já era o quarto país do mundo em doses administradas, atrás somente de Estados Unidos, México e Índia, com pouco mais de mil doses. Um mês depois, subiu para o terceiro lugar, com 6,5 milhões de doses. A posição continuou estável: no começo deste mês, o país era o quarto do mundo, com 473 milhões de doses.

As vacinas, especialmente a da Pfizer, não foram panaceias. Seu grande mérito de cortar o número de mortos merece ser contrabalançado com seus riscos, mesmo que baixos, o mais notório dos quais é a inflamação cardíaca em jovens do sexo masculino. Em uma amostra tailandesa, 3% tinham sinais sintomáticos ou assintomáticos do problema. Os que apoiaram a coerção e o autoritarismo sanitário deveriam sentir o peso da responsabilidade de ter arriscado o coração dos jovens em sua gana de uma só política vacinal para todos. Desde o começo estava claro que grupos humanos diferiam em sua vulnerabilidade ao novo vírus. As políticas de vacinação deveriam ter levado isso em conta de uma forma mais séria.

Além disso, há um risco que ainda não foi afastado. Tivemos a sorte de o vírus da Covid ter evoluído para a variante menos letal ômicron. Mas um estudo com outra vacina que não impede transmissão e infecção, com um vírus que infecta frangos, indicou que esse tipo de vacina pode guiar o vírus na direção de variantes mais letais.

Não houve respostas fáceis na pandemia. Mas o grupo que apoiou lockdown e políticas indiscriminadas de vacinação, enquanto nada tinha a dizer sobre comorbidades como a obesidade (agravada pelos lockdowns), o grupo que apoiou o autoritarismo sanitário e o alarmismo não pode facilmente tentar retratar a si mesmo como mocinho da história sem atropelar os fatos.


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LULA COMETE OS MESMOS ERROS DO PASSADO

 

Novo governo

Por
Alexandre Garcia


| Foto: EFE/Joédson Alves

A equipe de transição do novo governo começou muito animada com a vitória na eleição, pensando que ia tratorar sobre o Congresso essa mudança na Constituição para arrombar o teto de gastos, a regra de ouro do equilíbrio das contas públicas que evita a inflação, esse mal que destrói o dinheiro no bolso do povo. Mas felizmente estão percebendo que não vai ser fácil. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, deu sua palavra a Lula de que ia ajudar, e o presidente da Câmara também deu, mas ele está indo para a Copa.

A enorme lista de retrocessos que Lula pode promover
Lula será o mais idoso presidente do Brasil, com quase 80 anos – hoje tem 77 – e com vários problemas de saúde. Mas parece que a idade não lhe deu a percepção dos erros cometidos no passado, como disse a economista Elena Landau. E quem não aprendeu com os erros os repete. Na Gazeta do Povo, Paulo Uebel, que já foi o secretário de Desburocratização de Paulo Guedes, escreveu elencando os erros que podem ser repetidos. O primeiro, contra a liberdade de expressão, regulando o noticiário da imprensa. Depois, vai trazer de novo a arrecadação para os sindicatos e centrais sindicais; alterar leis trabalhistas, inclusive a lei que permite o acordo entre patrão e empregado, incluindo os autônomos, o pessoal que trabalha no Uber, no iFood; o BNDES pode voltar a dar dinheiro para ditador; o partido vai colocar a mão nas estatais; privatizações e desestatizações serão suspensas; e talvez mudem todos aqueles marcos legais, liberdade econômica, telecomunicações e saneamento, governança digital, Lei das Falências, internet das coisas, assinatura digital, autonomia do Banco Central, a lei básica de gás, compras públicas, startups, o ambiente de negócios, da propriedade industrial, ferrovias, cabotagem, cartórios, garantias, securitização, todos os avanços que aconteceram estão sob risco.


Transição para baixo
O teto de gastos na mira do governo Lula
Há uma tremenda preocupação por causa disso; o real está se desvalorizando em relação ao dólar, enquanto as moedas do Paraguai, do Peru, da África do Sul, do México estão se valorizando. As ações, que são uma fração do capital das empresas brasileiras, estão perdendo valor, enquanto ganham valor na China, no México e na Índia. O que é isso? É a desconfiança. Não sai o nome do próximo ministro da Fazenda, fala-se em Fernando Haddad, mas ele próprio disse que teve só dois meses de aula de Economia; deve ser o bode que estão colocando na sala para depois indicar outro.

Urnas antigas, não auditáveis, são alvo de recurso do PL
O outro assunto de hoje é o recurso do PL na Justiça Eleitoral, alegando que as urnas antigas, as que não são de 2020, não se conseguem auditar e não se consegue ter certeza do resultado. Nessas urnas antigas, que são mais ou menos metade do total, Lula ganhou por pouco. Nas urnas de 2020, por sua vez, Bolsonaro ganhou. Então, o recurso é para ver se isso pode ser desvendado. Se os oito do Supremo tivessem baixado a cabeça para os 418 congressistas que aprovaram o comprovante impresso do voto, agora não haveria nenhum problema. Mas o Supremo achou que tinha de se impor aos representantes do povo que têm voto. E agora ficamos todos com essa dúvida no ar por causa disso.


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RISCOS DO GOVERNO LULA

 

Por
Paulo Uebel – Gazeta do Povo


Lula. Alckmin e Gleisi, em evento da transição: vice eleito e presidente do PT representam as alas mais ao centro e à esquerda na equipe do futuro governo.| Foto: Lula Marques/PT

Faltam 40 dias para o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), começar. Lula será o presidente mais velho a assumir a Presidência da República na história do Brasil, aos 77 anos de idade. Mas se mais idade costuma significar mais sabedoria, nesse caso, parece que Lula não ficou mais sábio, só, talvez, mais esperto. Se ele tivesse ficado mais sábio, teria aprendido com seus erros e estaria defendendo pautas como mais liberdade econômica e de expressão para os brasileiros, mais responsabilidade fiscal, mais privatizações e menos interferência estatal no mercado — na verdade, ele sequer teria se candidatado, e estaria pagando sua dívida com o povo brasileiro na prisão. Em vez disso, o que podemos esperar do nosso futuro presidente são, pelo menos, sete grandes riscos. Esperamos que o futuro vice-presidente, Geraldo Alckmin, bem mais sensato e sábio, possa segurar a ala da extrema esquerda que influencia Lula.

O primeiro risco é a grande ameaça à liberdade de expressão e de imprensa, direito que tem sido recorrentemente atacado no Brasil. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, pediu a Lula um projeto para regulamentar as plataformas digitais durante um encontro no TSE no dia 9 de novembro. Para bom entendedor, regular as plataformas é um eufemismo para implantar censuras e restrições à livre circulação de ideias e informações.

Desde antes das redes sociais se tornarem inseparáveis do dia a dia dos brasileiros, o Partido dos Trabalhadores queria regular a mídia tradicional. Agora tem a oportunidade de regulamentar a grande mídia e as redes sociais.

Orgulhoso de seus feitos, Alexandre de Moraes lembrou as ações do TSE durante as eleições, como por exemplo, a remoção de 1,8 milhão de usuários do Telegram em apenas 36 horas. Segundo a imprensa, Lula teria recebido o pedido de Moraes para regulamentar as mídias digitais com simpatia. Agora, possui o pretexto que o PT sempre quis para regulamentar os meios de comunicação e controlar a circulação de informações. No dia seguinte ao encontro com Alexandre de Moraes, já em tom de agradecimento pela deixa, Lula fez vários elogios ao ministro, a quem chamou de “homem de comportamento exemplar” e “orgulho de todo o Brasil”.

O desejo de amordaçar a liberdade de expressão e de imprensa por parte de Lula e de seu partido não é novo. Desde antes das redes sociais se tornarem inseparáveis do dia a dia dos brasileiros, o Partido dos Trabalhadores queria regular a mídia tradicional. Agora tem a oportunidade de regulamentar a grande mídia e as redes sociais, seguindo o caminho feito por Venezuela e Bolívia. Muita gente achou que o ataque à liberdade de expressão e de imprensa por parte das autoridades acabaria junto com o segundo turno das eleições de 2022. Mas a censura continuou e, pelo visto, seguirá crescendo nesse novo mandato.

O TSE e o STF foram grandes impositores da censura em 2022, mas o PT não ficou atrás, e também participou do processo. O TSE atendeu 60 pedidos do PT para remover da internet e da propaganda eleitoral conteúdos que ligassem Lula a temas incômodos, como ao crime organizado ou à corrupção, do início da corrida eleitoral até o dia 20 de outubro. Além disso, o plano de governo de Lula apresentado para as eleições trouxe a proposta de controlar as plataformas digitais e fiscalizar qualquer cidadão (item 119, página 20). Aliado ao TSE e ao STF, Lula poderá realizar seu velho desejo autoritário de limitar aqueles que se opõem a ele. Nos resta contar com o bom senso do Congresso contra esse absurdo. Se depender do Poder Judiciário, os cidadãos terão que ficar mudos. O “cala-boca”, pelo visto, não morreu, diferente do que declarou a ministra Cármen Lúcia.

Lá vem Lula com “ajustes” que devem burocratizar essa categoria de trabalho e inviabilizá-la na maior parte dos setores, deixando milhares de trabalhadores desamparados.

Enquanto quer parecer o presidente amigo dos trabalhadores, Lula traz ainda a ameaça de retrocessos na legislação trabalhista, principalmente a volta de uma espécie de imposto sindical, que tem sido chamado de “taxa de sustentabilidade sindical”. Apesar do eufemismo, todos sabem que essa taxa irá empobrecer os trabalhadores e enriquecer os sindicatos. O imposto sindical era a cobrança compulsória de um dia de trabalho de todo brasileiro com carteira assinada. Com o fim da cobrança desse imposto abusivo na reforma trabalhista de 2017, a arrecadação das entidades sindicais laborais (sindicatos, confederações e centrais) caiu de R$ 2,2 bilhões, em 2017, para R$ 21,5 milhões em 2021. Lula e os sindicatos querem voltar a assaltar o bolso dos trabalhadores. Além disso, querem aumentar os valores arrecadados compulsoriamente dos trabalhadores para R$ 4 bilhões ao ano.

Além da volta da cobrança dos trabalhadores, a equipe de transição de Lula elegeu três pontos fundamentais da reforma trabalhista para serem revistos: o regime de trabalho intermitente (por hora de serviço), o fim da ultratividade das normas coletivas e a autorização para acordos firmados diretamente entre patrões e empregados sem a interferência do sindicato da categoria. No regime intermitente, o trabalhador pode prestar serviços esporádicos a várias empresas, e pode ganhar por horas, dias ou meses. Os direitos trabalhistas são garantidos, sendo que se a contribuição previdenciária não for suficiente, o trabalhador deve complementar do bolso.

O número de trabalho para intermitentes saltou de 72.275 em 2020 para 92.696 em 2021, segundo o Ministério do Trabalho. Até setembro deste ano, outras 59.158 vagas foram abertas nesse regime. Segundo a equipe de transição, Lula não deve acabar com a categoria, mas “ajustar”. Um dos “ajustes” acabaria com a possibilidade desse tipo de trabalho em diversos setores. Hoje, o trabalho intermitente é liberado em áreas como a de metalurgia, entretenimento, indústria alimentícia, restaurantes e lanchonetes, comércio, escolas, consultório médico e outros. Pessoas próximas a Lula acham que o modelo de trabalho mais flexível, embora dê mais liberdade para o trabalhador, prejudica as negociações sindicais, e querem limitar a setores como turismo, shows e buffets, segundo apuração do jornal O Globo. Lá vem Lula com “ajustes” que devem burocratizar essa categoria de trabalho e inviabilizá-la na maior parte dos setores, deixando milhares de trabalhadores desamparados.

Quanto ao ponto de rever a medida que autorizou acordos diretos entre os empregados e os patrões, sem o aval do sindicato, o objetivo seria restaurar o poder dos sindicatos. A ultratividade, que acabou na reforma trabalhista, permitia prolongar acordos e convenções coletivas em vigor até que as partes chegassem a um novo acordo. As mudanças seriam retrocessos que trariam insegurança jurídica para trabalhadores e empregadores, mas atendem sindicatos que querem ter mais poder que os próprios trabalhadores.

No geral, o novo governo também pretende suspender todas as privatizações e desestatizações, que será uma de suas piores medidas para o Brasil.

Além disso, Lula também pode criar regras para prestadores de serviço de plataformas como a Uber e o Ifood, que poderiam inviabilizar esse tipo de negócio. Essa deve ser mais uma marca do governo Lula III: mais burocracias e menos liberdade para os trabalhadores de aplicativos e MEIs. Trabalhadores livres e independentes não servem aos interesses sindicais. Essas medidas, que vão na contramão da autonomia do trabalhador, serão as primeiras de muitas que devem vir para reduzir ainda mais a produtividade no Brasil. Afinal, Lula nunca trabalhou para melhorar a produtividade e a geração de renda enquanto esteve na Presidência, sua política sempre foi a de beneficiar sindicatos e empresas que ele escolhia — geralmente aquelas em que ele poderia ganhar algo em troca.

Na política dos campeões nacionais, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi instrumentalizado por Lula para despejar bilhões de reais em empresas escolhidas a dedo por ele. Por exemplo, o grupo J&F, que inclui a JBS, recebeu R$ 17,6 bilhões entre 2003 e 2017 do BNDES, o equivalente a R$ 49,2 bilhões em valores de hoje. Anos depois de serem beneficiados por Lula, os famosos “irmãos Batista”, que encabeçam o grupo, ficaram conhecidos no Brasil inteiro por causa da Operação Lava Jato… A farra no BNDES já foi detalhada nesta coluna.

Sem vergonha do passado, Lula prometeu, durante as eleições, que o BNDES voltará a ser um banco de investimentos. Além da volta dos absurdos gastos e maracutaias políticas com os “campeões nacionais”, também podemos esperar que ele volte a torrar o dinheiro dos pagadores de impostos em outros países — inclusive naqueles que deram calote, já que ele também defendeu isso nas eleições. Venezuela, Moçambique e Cuba deram calote de R$ 5,2 bilhões no Brasil, por exemplo, recursos que receberam durante os governos de Lula e de Dilma Rousseff. “O calote deverá ser ainda maior, pois há outros R$ 3,19 bilhões vencendo, sem a perspectiva desses países conseguirem honrar suas dívidas”, denunciou o repórter Hugo Marques mês passado na revista Veja.

Na mesma linha, Lula deve voltar ao retrocesso das intervenções nas estatais. Ele prometeu, por exemplo, mudar a política de preços da Petrobras. Hoje, ela está associada ao preço internacional de petróleo e gás, em Dólar. Ele quer voltar a controlar os preços (como deixou claro no Item 56 de seu plano de governo). Mas foi essa política que quebrou a empresa. Em 2015, durante o governo Dilma, a Petrobras teve prejuízo de R$ 34,8 bilhões, o pior de sua história até então.

Como resultado da crise gerada pelo PT, em fevereiro de 2016, a Petrobras foi avaliada em apenas R$ 67,6 bilhões. No dia 21 de outubro deste ano, a Petrobras atingiu R$ 520,6 bilhões em valor de mercado. Lula não deveria fazer a empresa ou qualquer outra estatal retroceder. Por outro lado, da eleição de Lula até o dia 11 de novembro, as estatais perderam mais de R$ 100 bilhões em valor de mercado. Sozinha, a Petrobras acumulou queda de R$ 81,456 bilhões, como noticiou a CNN. Os números não mentem. E não é só a interferência estatal que ameaça as estatais: Lula e o PT protagonizaram o Mensalão e o Petrolão, dois dos maiores escândalos de corrupção da história do Brasil, portanto, a corrupção é outro risco iminente.

No geral, o novo governo também pretende suspender todas as privatizações e desestatizações, que será uma de suas piores medidas para o Brasil. “A privatização dos Correios nós achamos que não tem que fazer. Devia ser feito logo na saída ou pode entrar e fazer em janeiro, mas nós vamos sugerir que seja retirado”, disse o ex-ministro das Comunicações e integrante da equipe de transição de Lula.


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Petrolão e Mensalão foram os maiores ataques à democracia brasileira
Outro risco iminente são os retrocessos em marcos regulatórios importantes aprovados nos últimos anos. O governo Bolsonaro aprovou leis importantes como a do Cadastro Positivo, da Liberdade Econômica, das Agências Reguladoras, de Telecomunicações, do Saneamento, de Governo Digital, de Falências, de Internet das Coisas, de Assinatura Digital, de Autonomia do Banco Central, do Gás, de Compras Públicas, de Startups, de Ambiente de Negócios, de Propriedade Industrial, de Ferrovias, de Cabotagem, de Modernização dos Cartórios, de Garantias, de Securitização, entre outras medidas.

Nessa linha, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), famoso defensor de invasões, que agora integra a equipe de transição do governo Lula III, disse que o governo deve rever as medidas de privatização e os decretos regulamentadores do novo marco do saneamento. Embora o modelo de estatização do saneamento tenha sido um grande fracasso no Brasil, já que temos 35 milhões de brasileiros sem água potável e mais de 100 milhões de brasileiros sem tratamento de esgoto, para eles, os resultados não importam. Para a turma da extrema esquerda, o modelo que mata mais gente pobre e negra nas periferias deve ser mantido a qualquer preço. Para esse grupo, a ideologia é mais importante do que vidas. Se quisermos salvar vidas, não podemos retroceder nos avanços do marco do saneamento básico. Como Boulos não foi desmentido e ele faz parte do governo de transição, infelizmente, essa declaração parece refletir a visão do novo governo.

Por último, mas não menos importante, Lula está trabalhando para furar o teto de gastos antes mesmo de sua posse. “Vai cair a Bolsa, vai aumentar o dólar? Paciência”, disse Lula, na semana passada, sobre o assunto. A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) fura-teto vai elevar a dívida pública entre 92,9% do PIB (Produto Interno Bruto) a até 108,4% do PIB, segundo cálculo da XP Investimentos. E “não há qualquer impeditivo à expansão além desse valor no ano que vem”, sentenciou a XP em seu relatório.

Para Lula pode ser uma questão de “paciência”, já para o brasileiro, é questão de sobrevivência. Quem paga a conta da irresponsabilidade fiscal é o pagador de impostos, e o mais pobre é sempre o mais prejudicado, seja com a inflação mais agressiva, seja com os juros mais altos. Se Lula realmente se importasse com os mais pobres e quisesse vê-los independentes, em vez de trazer essas ameaças para o país inteiro, ele tornaria o Brasil um país mais livre e fértil para a geração de renda, empregos e novos empreendimentos em seu terceiro mandato. Vamos torcer para que os riscos apontados fiquem apenas no papel e não se tornem realidade, embora as declarações da equipe de transição não tenham sido nada animadoras.


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