Outro dia, enquanto eu estava lendo os comentários na newsletter, encontrei esse:
“Mais conteúdos sobre a Geração Z, por favor. Preciso conhecê-la”
Todos nós precisamos, já que os nascidos no final de 1990 ao início de 2010 chegaram ao mercado de trabalho.
Isso significa que essa geração (da qual eu não faço parte e,
possivelmente, você também não), é a nova integrante dos times na firma —
e promete revolucionar o mercado de trabalho.
Entenda
Agora começa a acontecer o chamado choque geracional, onde pessoas de
diferentes visões e comportamentos trabalham juntas. Para as empresas, é
importante conhecer esse novo perfil para atrair e reter os melhores
talentos.
Por exemplo, a Geração Z traz uma visão que antes era pouco comum no
mundo corporativo: a de equilibrar a vida pessoal e a profissional. Para
ela, é o fim da era workaholic.
O que vale é a experiência e a busca pela verdade. Rejeitam rótulos e
são altamente analíticos e pragmáticos ao tomar decisões e
relacionar-se com empresas. É o que mostra uma pesquisa feita pela
McKinsey.
Não acreditam em jornada fixa de trabalho, mas sim na qualidade das
entregas e em passar menos tempo na empresa. Algumas companhias já
entenderam isso e implementaram modelos de trabalho diferentes na
rotina, como semana mais curta, horário flexível e contratação de nômade
digital — pessoas que trabalham enquanto viajam.
Mas não para por aí. Saúde mental também é um ponto importante para a
GenZ. A título de curiosidade, foram publicados 111% mais podcasts
sobre o assunto no primeiro trimestre de 2022 quando comparado com o
mesmo período em 2021, segundo dados do Spotify. Não à toa, programas de
bem-estar e cuidado com a saúde mental foram implementados em empresas.
Além disso, os valores e propósito são importantes para essa geração,
e se o seu produto não se enquadra a eles, sinto dizer: o talento não
vai trabalhar para a sua empresa.
Viu só como o comportamento da GenZ tem mudado o mercado de trabalho?
O que fazer?
O primeiro passo é entender o perfil dessa geração. Se você leu o bloco acima já eliminou esta etapa.
Depois, vale criar estratégias corporativas de acordo com o
comportamento. Por exemplo, vai entrevistar candidatos à uma vaga da
GenZ? Que tal apostar em entrevista no metaverso, já que essa geração é
nativa digital? Por mais que possa parecer surreal (eu sei, o novo
assusta) pode ser uma boa opção para criar uma conexão com esses
profissionais.
A mesma análise vale para o equilíbrio pessoal e profissional: o que a
sua companhia poderia criar ou reformular para atrair e reter o
trabalhador da GenZ?
Outro ponto: capacite a sua equipe. Ela deve ter soft skill
necessária para lidar com uma geração diferente da deles. Afinal, a
diversidade, incluindo a geracional, é uma das formas de criar novas
ideias, de inovar.
Resumindo:
A Geração Z chega no mercado de trabalho com comportamento diferente
das anteriores. Por isso, para atrair e reter o talento da GenZ, é
importante conhecer o perfil dela e criar modelos de trabalho e
benefícios corporativos que atendam às suas necessidades. Afinal, quanto
mais diverso o time — incluindo geracional — mais inovações o seu
negócio pode ter.
CARACTERÍSTICAS DA VALEON
Perseverança
Ser perseverante envolve não desistir dos objetivos estipulados em
razão das atividades, e assim manter consistência em suas ações. Requer
determinação e coerência com valores pessoais, e está relacionado com a
resiliência, pois em cada momento de dificuldade ao longo da vida é
necessário conseguir retornar a estados emocionais saudáveis que
permitem seguir perseverante.
Comunicação
Comunicação é a transferência de informação e significado de uma
pessoa para outra pessoa. É o processo de passar informação e
compreensão entre as pessoas. É a maneira de se relacionar com os outros
por meio de ideias, fatos, pensamentos e valores. A comunicação é o
ponto que liga os seres humanos para que eles possam compartilhar
conhecimentos e sentimentos. Ela envolve transação entre pessoas. Aquela
através da qual uma instituição comunica suas práticas, objetivos e
políticas gerenciais, visando à formação ou manutenção de imagem
positiva junto a seus públicos.
Autocuidado
Como o próprio nome diz, o autocuidado se refere ao conjunto de ações
que cada indivíduo exerce para cuidar de si e promover melhor qualidade
de vida para si mesmo. A forma de fazer isso deve estar em consonância
com os objetivos, desejos, prazeres e interesses de cada um e cada
pessoa deve buscar maneiras próprias de se cuidar.
Autonomia
Autonomia é um conceito que determina a liberdade de indivíduo em
gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias
escolhas. Neste caso, a autonomia indica uma realidade que é dirigida
por uma lei própria, que apesar de ser diferente das outras, não é
incompatível com elas.
A autonomia no trabalho é um dos fatores que impulsionam resultados dentro das empresas. Segundo uma pesquisa da Page Talent, divulgada em um portal especializado, 58% dos profissionais no Brasil têm mais facilidade para desenvolver suas tarefas quando
agem de maneira independente. Contudo, nem todas as empresas oferecem
esse atributo aos colaboradores, o que acaba afastando profissionais de
gerações mais jovens e impede a inovação dentro da companhia.
Inovação
Inovar profissionalmente envolve explorar novas oportunidades,
exercer a criatividade, buscar novas soluções. É importante que a
inovação ocorra dentro da área de atuação de um profissional, evitando
que soluções se tornem defasadas. Mas também é saudável conectar a
curiosidade com outras áreas, pois mesmo que não represente uma nova
competência usada no dia a dia, descobrir novos assuntos é uma forma
importante de ter um repertório de soluções diversificadas e atuais.
Busca por Conhecimento Tecnológico
A tecnologia tornou-se um conhecimento transversal. Compreender
aspectos tecnológicos é uma necessidade crescente para profissionais de
todas as áreas. Ressaltamos repetidamente a importância da tecnologia,
uma ideia apoiada por diversos especialistas em carreira.
Capacidade de Análise
Analisar significa observar, investigar, discernir. É uma competência
que diferencia pessoas e profissionais, muito importante para contextos
de liderança, mas também em contextos gerais. Na atualidade, em um
mundo com abundância de informações no qual o discernimento,
seletividade e foco também se tornam grandes diferenciais, a capacidade
de analisar ganha importância ainda maior.
Resiliência
É lidar com adversidades, críticas, situações de crise, pressões
(inclusive de si mesmo), e ter capacidade de retornar ao estado
emocional saudável, ou seja, retornar às condições naturais após
momentos de dificuldade. Essa é uma das qualidades mais visíveis em
líderes. O líder, mesmo colocando a sua vida em perigo, deve ter a
capacidade de manter-se fiel e com serenidade em seus objetivos.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil – 28/6/2021
Por Weslley Galzo
De 13 processos em andamento na Corte, presidente desrespeitou o limite de tempo em 11 ações e não se manifestou em duas delas
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BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro ignorou todos os prazos de pedidos de explicações dados a ele pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 13, dos 150 processos contra o governo que tramitam na Corte, os
ministros deram entre cinco e 15 dias para manifestação da defesa.
Levantamento do Estadão mostra que, na maioria das vezes, Bolsonaro descumpriu o limite de tempo. Também há casos em que ele ignorou a Corte.
De 13 pedidos de explicações, governo respondeu atrasado em onze e ignorou dois. Foto: Dida Sampaio/Estadão
Desde o início do mandato, Bolsonaro mantém uma relação conflituosa com os magistrados, a quem acusa de ativismo judicial.
O presidente já ameaçou inúmeras vezes descumprir decisões da Suprema
Corte. No caso dos pedidos de explicações, ele não é obrigado a
responder. Segundo juristas, porém, isso significa que as ações serão
julgadas sem que o chefe do Executivo tenha apresentado seus
esclarecimentos.
Das 13 solicitações, 11 foram respondidas fora do prazo e duas foram
ignoradas. Um dos casos segue sem resposta há mais de um mês após o fim
do limite de tempo determinado.
Na última sexta-feira, a ministra Cármen Lúcia fez mais um pedido de
explicações ao presidente. Deu cinco dias para ele expor os motivos da mudança do desfile de 7 de Setembro do centro do Rio para Copacabana.
Ação proposta pela Rede sustenta que a alteração no local da parada
militar teria motivação política. O prazo de resposta começa a contar
quando a Presidência da República for notificada.
Não é raro ministros estenderem “prazos irrevogáveis” para aguardar
respostas de Bolsonaro. No dia 3 de dezembro do ano passado, a ministra
Rosa Weber determinou que o presidente se manifestasse em até 15 dias
sobre a acusação pela CPI da Covid do Senado de que praticou charlatanismo ao defender medicamentos sem eficácia para a covid-19.
Passados dois meses e 20 dias do prazo, o presidente não havia se
manifestado. Em 23 de fevereiro deste ano, a ministra, então,
estabeleceu novo “prazo improrrogável” para que Bolsonaro apresentasse
sua versão. A resposta só veio, enfim, 19 dias depois do segundo limite
de tempo.
Os prazos curtos visam atender o contraditório, garantir o
diálogo institucional entre os Poderes, evitar decisões monocráticas sem
a escuta do outro Poder.”
Wallace Corbo, professor de Direito Constitucional da FGV-Rio
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Depois de ignorar a ministra, Bolsonaro respondeu que suas
declarações públicas em defesa de tratamentos comprovadamente ineficazes
para o tratamento da covid-19 foram feitas no “exercício da liberdade
de expressão” e argumentou que “a opinião política eventualmente
divergente não pode ser interpretada como fruto de ilícitos criminais”.
Com base na explicação, a vice-procuradora-geral da República, Lindôra
Araújo, pediu, em julho, o arquivamento do caso.
Bolsonaro também ignorou questionamentos do Supremo mais de uma vez.
No início de junho, o ministro Dias Toffoli deu cinco dias para que o
governo explicasse a ordem de reajuste de 15,5% nos preços dos planos de
saúde, anunciada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O
presidente nunca respondeu.
A ANS, também questionada, apresentou uma explicação da sua parte
oito dias depois do prazo. O processo foi encaminhado para a
Procuradoria-Geral da República apresentar parecer e deve retornar ao
gabinete de Toffoli, que terá de tomar a decisão sem as justificativas
do presidente.
O presidente adotou o mesmo comportamento quando foi cobrado a
explicar ataques a adversários políticos. Foi notificado por críticas ao
então governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). Só
respondeu 17 dias após o prazo. Quando o alvo foi a ex-presidente Dilma
Rousseff (PT), Bolsonaro tinha 15 dias para se justificar. Manifestou-se
seis dias após o prazo.
Além
dos 13 procedimentos em que houve solicitação de respostas, os demais
processos no Supremo não avançaram e nem chegaram à fase de pedido de
esclarecimentos ou mais informações. Foto: Wilton Junior/Estadão
Além de não cumprir os prazos da Justiça, Bolsonaro, quando se
manifestou, deu respostas evasivas na maioria dos casos. Em junho, o
ministro André Mendonça estabeleceu prazo de dez dias para que o governo
explicasse o sigilo imposto aos registros de visitantes do Palácio do
Planalto e a outros atos do governo.
As respostas da Presidência chegaram cinco dias após o prazo
determinado e repetiram dados veiculados pela imprensa, como o número de
vezes em que os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos estiveram na
sede do governo.
Além dos 13 procedimentos em que houve solicitação de respostas, os
demais processos no Supremo não avançaram e nem chegaram à fase de
pedido de esclarecimentos ou mais informações.
O STF tem o poder de pedir explicação com base no sistema de
freios e contrapesos, até porque essas explicações vêm por meio de
processos e representações que partidos políticos têm feito contra atos
de gestão do presidente.”
Renato Ribeiro, professor de Direito da USP
O professor de Direito Constitucional Wallace Corbo, da Fundação
Getulio Vargas (FGV-Rio), disse que o presidente pode ignorar os pedidos
de explicação do Supremo, mas isso tem consequência: a Justiça terá de
decidir sem saber o que o Executivo tem a dizer. Além de, segundo ele,
expor a falta de deferência do presidente em relação à Corte.
Os pedidos de informação estão previstos em três leis diferentes que
organizam a tramitação de algumas das principais ações que chegam ao
Supremo. “Prazos curtos visam atender o contraditório, garantir o
diálogo institucional entre os Poderes, evitar decisões monocráticas sem
a escuta do outro Poder afetado por isso”, afirmou.
PRERROGATIVA
Professor de Direito da USP, Renato Ribeiro disse que o pedido de
informações está previsto na legislação e avalia que não há abuso da
Corte. “O STF tem o poder de pedir explicação com base no sistema de
freios e contrapesos, até porque essas explicações vêm por meio de
processos e representações que partidos políticos têm feito contra atos
de gestão do presidente. O STF tem, portanto, a prerrogativa de pedir
informações e pode decidir sem elas, caso não sejam apresentadas pelo
presidente”, afirmou.
O levantamento do Estadão identificou que boa parte
dos pedidos de explicação ocorreu durante a pandemia de covid-19. Em
março do ano passado, Bolsonaro disse que “tiranos” estavam esticando a
corda ao determinar medidas restritivas. Na ocasião, o presidente
afirmou a apoiadores que poderiam “contar com as Forças Armadas pela
democracia e pela liberdade”.
O caso chegou ao STF e ficou sob a relatoria do então ministro Marco
Aurélio Mello. Ele pediu explicações, mas Bolsonaro solicitou que o caso
fosse arquivado, sob o argumento de que as declarações tinham “cunho
político, sem destinatário certo e específico”. Foi atendido.
De boleto falso a Pix de emergência: vítimas de golpe contam como foram enganadas
Atenção ao smartphone é fundamental: ele é o principal alvo de bandidos que querem tirar dinheiro do consumidor
Celulares tornaram-se
o centro de nossas vidas, reunindo em um único aparelho informações
pessoais, de trabalho e também financeiras. Exatamente por isso, bandidos visam esses smartphones em
furtos ou roubos. Proteger o aparelho para evitar que os criminosos
tenham acesso a dados sensíveis, como e-mail ou contas bancárias,
tornou-se primordial para garantir a segurança no mundo digital.
Abaixo, listamos algumas dicas de proteção, classificadas por
complexidade. O nível básico, por exemplo, é mais simples de realizar,
mas também consegue ser contornado mais facilmente por bandidos. Já o
nível avançado dá mais trabalho para executar, mas oferece barreiras
maiores.
Aprenda
como ter mais segurança no celular e se proteger se furtos acompanhados
de golpes financeiros. Foto: Wilton Junior/Estadão
Independentemente do nível de dicas que você adotar, é sempre bom ter
em mente que não existe solução mágica contra crimes digitais. O
importante é ter atenção máxima e exigir de autoridades e instituições
investimento no combate a fraudes no ambiente online.
Nível básico de segurança
1) Use senhas alfanuméricas (incluindo símbolos e combinando letras
minúsculas e maiúsculas) diferentes para cada cadastro, como em redes
sociais e e-mail;
2) Use sequências numéricas aleatórias em instituições financeiras,
como senhas de cartões ou credenciais em aplicativos bancários (nada de
datas comemorativas ou números sequenciais óbvios);
3) Ative a verificação em duas etapas com número de celular ou e-mail;
4) Coloque senha no chip (SIM) da operadora, o que irá impedir que
ladrões insiram o cartão em outro aparelho e tenha acesso ao seu número;
5) Desconfie sempre: não clique em links duvidosos ou dê informações
pessoais, mesmo que o pedido parta de um contato conhecido – esses podem
ser casos de “phishing”, quando o criminoso tenta extrair informações
de você;
6) Ative todas as biometrias do seu aparelho, como leitores de
digitais e de rosto, que ajudam a criar uma camada a mais de segurança.
Nível intermediário de segurança
1) Tenha senhas aleatórias, complexas e impossíveis de decorar: use
apps específicos (1Password, Last Password) ou ferramentas nativas de
navegadores (Google Chrome e Safari), que criam senhas completas e as
colocam em um “cofre” na nuvem;
2) Ative senhas de uso único como outra etapa de verificação. Essas
senhas são números aleatórios que funcionam como um segundo código para
fortalecer a conta. Elas são criadas por apps próprios (Google
Authenticator, Microsoft Authenticator, Authy, 1Password). Redes
sociais, e-mails e outras plataformas permitem ativar o recurso;
3) Entre em contato com a sua instituição financeira e diminua
limites diários de transferência (DOC, TED e Pix), saques e empréstimo
pré-aprovado; em alguns casos, essas funções podem ser alteradas via
aplicativo;
4) Considere incluir um contato de confiança em sua família iCloud
(Apple), permitindo que familiares possam apagar o dispositivo à
distância rapidamente em caso de roubo — Android (Google) não tem o
recurso.
Nível avançado de segurança
1) Comprar uma chave de segurança física para recuperação de senha e
logins, como Titan (do Google), Yubico e OnlyKey — os preços, no
entanto, podem ser salgados, ultrapassando a faixa dos R$ 800. Esses
objetos são pequenos e podem ser guardados em chaveiros, por exemplo;
2) Gere e imprima códigos de backup alternativos, que são uma série
de senhas criadas automaticamente pelo próprio cadastro dos serviços.
Esses códigos devem ser guardados em casa em local seguro, de modo que o
acesso seja facilitado para recuperar as contas como última tentativa
quando todos os outros métodos de proteção e recuperação de conta
falham. Google, Facebook e Microsoft possuem esse recurso e ensinam a
fazer o passo a passo;
3) Caso tenha adotado um app do tipo gerador de senhas (Google
Autenticathor, Microsoft Autenticator, Last Password, 1Password), apague
todas as senhas salvas dos navegadores (como Google Chrome e Safari)
para evitar brechas. Aqui, a ideia é concentrar todas as suas senhas em
um lugar mais seguro;
4) Crie um “e-mail secreto” a que só você tem acesso: essa conta não
pode estar salva em nenhum dispositivo do cotidiano, deve ter senhas
fortes e autenticação em dois fatores ativada. Será por esse e-mail que
você fará recuperação das contas mais importantes, como Google, Apple e
Facebook;
5) Deixe um dispositivo em casa (como um tablet ou celular velho)
para ser o local por onde você acessa seu e–mail “secreto”, apps
próprios de senhas ou até de instituições financeiras que são menos
utilizadas, por exemplo.
Pela primeira vez desde que se consolidou como gigante da internet, empresa americana vê domínio ser colocado em xeque
“Como limpar o vidro do box do banheiro?”, “receitas com sassami de
frango” e “formas de dobrar roupas” são algumas das perguntas para as
quais Amanda Alt, 31, já procurou respostas na internet. Até bem pouco
tempo atrás, o lugar óbvio para fazer isso seria o Google, mas a gerente de projetos optou por um caminho aparentemente inusitado: o TikTok.
Popular entre os mais jovens, já faz algum tempo que o app chinês
deixou de ser um “aplicativo de dancinhas”. Com vídeos curtos e
espertos, o serviço passou a ser um repositório de conteúdo sobre
praticamente qualquer assunto: de culinária e limpeza doméstica a
autoajuda e conselhos para adolescentes desiludidos no amor. Em pouco
tempo, a nova vocação do serviço passou a desafiar o Google naquilo que
tornou a companhia em um gigante: buscas na internet.
“Um dia, percebi que estava indo primeiro ao TikTok para fazer
buscas. Funciona muito bem para dicas domésticas ou receitas”, diz
Amanda, que utiliza o app desde 2019. “O Google tem sido menos utilizado
nesses casos, porque os primeiros resultados trazem informações
repetidas ou são de conteúdos patrocinados que não me interessam.”
A estudante Sabrina Rocha, 23, concorda. “O Google traz muitas
respostas contraditórias. Já no TikTok, eu posso ver vídeos e postagens
de pessoas ‘comuns’ respondendo minhas dúvidas de forma direta”, conta
ela.
Os criadores de conteúdo do app, claro, perceberam a tendência e
passaram a recomendar serviços e produtos e a dialogar diretamente com o
usuário, sem links e ou resultados patrocinados. “O maior diferencial
entre o Google e o TikTok é a troca de experiências entre os usuários”,
observa Sabrina.
Fundado
em 1998, o Google é a empresa líder em buscas na internet, à frente do
Bing (da Microsoft) e Yahoo! Foto: Noah Berger/AFP – 26/7/2022
Ameaça
É uma mudança de paradigma que pode estar tirando o sono dos
executivos do Google. O novo hábito afeta diretamente o negócio da
companhia, que se consolidou nos últimos 24 anos como o lugar favorito
da internet para realizar qualquer pesquisa.
A empresa já reconheceu os novos ventos, vindos principalmente da
Geração Z, os nascidos depois dos anos 2000. “Em nossos estudos, cerca
de 40% dos jovens não vão ao mapa ou à ferramenta de busca do Google
quando procuram onde almoçar. Eles vão ao TikTok ou ao Instagram”, disse
Prabhakar Raghavan, executivo da gigante da tecnologia na área de
conhecimento e informação, em evento organizado pela revista americana
Fortune em julho passado. Segundo ele, as gerações mais novas querem
conteúdo imersivo, com formatos “ricos”, como vídeos.
“Essa não é a primeira vez que uma companhia desafiou a ferramenta de buscas do Google”, explica ao Estadão Nikhil Lai, analista da consultoria americana Forrester. O Yahoo! e o Bing (da Microsoft)
também estão na corrida, mas o líder permanece com mais de 85% da fatia
do mercado há 10 anos. “Mas eu não considero esses nomes como
desafiantes, e sim o TikTok.”
Briga de titãs
Nascido há 6 anos, o TikTok já é um gigante, com 755 milhões de
usuários ativos mensais, segundo a consultoria eMarketer — a firma
exclui da contagem perfis falsos e de marcas, por isso número é inferior
ao 1 bilhão de contas comemoradas pela ByteDance (dona
do TikTok) em setembro de 2021. Em dezembro de 2021, o aplicativo
chinês foi o site de maior acessos no mundo naquele mês e superou o
Google.
“O aumento do tráfego mostra como o TikTok continua se adaptando e
fornecendo maneiras para os consumidores descobrirem produtos”, diz à
reportagem o analista Greg Carlucci, da consultoria americana Gartner.
“Mas ainda é muito cedo para avaliar o impacto direto que o app vai ter
em todos os mecanismos de busca.”
De fato, os números indicam que o TikTok ainda tem um longo caminho a
percorrer para atingir o mesmo patamar do Google. A plataforma chinesa
soma quase US$ 6 bilhões em receita de publicidade no mercado americano,
segundo a eMarketer. O valor é inferior aos mais de US$ 20 bilhões
anuais que o YouTube, do Google, recebe em anúncios.
O Google não pode se dar ao luxo de perder a batalha contra o TikTok
Nikhil Lai, analista da Forrester
Isso, porém, não significa que o Google não esteja se movimentando
para conter os avanços do novato. Em julho de 2021, o YouTube lançou o
Shorts, serviço de vídeos curtos, verticais e rápidos — a inspiração no
rival é clara. A ideia é que youtubers tenham as duas possibilidades no
momento da criação, seja algo mais rápido, seja algo com minutagem mais
longa. Vai caber ao usuário escolher o que deseja.
“Como o TikTok tem conteúdos menores e rápidos, não costumo fazer
buscas no YouTube, apenas no caso de o app trazer um resultado
insatisfatório”, comenta Sabrina.
Amanda faz uso semelhante. “Vou ao YouTube quando preciso de mais
detalhes, como uma aula mais complexa ou algo que possua um passo a
passo mais longo”, diz ela, que ainda não foi convertida ao Shorts.
Outra manobra do Google é a inclusão de vídeos de outras plataformas
na ferramenta de buscas, e não só o YouTube. Agora, conteúdos do TikTok e
Instagram começam a aparecer nos resultados de pesquisas da companhia.
A luta se justifica. “Buscas são a propriedade mais lucrativa do
Google, representando 58% do total da receita da Alphabet (controladora
da empresa) no primeiro trimestre deste ano”, aponta Lai, da Forrester.
“O Google não pode se dar ao luxo de perder essa batalha.”
Incertezas em relação à economia global reduzem espaço para cumprir
promessas de campanha e já afetam popularidade de governantes do grupo
na região
Com a ascensão em série de líderes de esquerda na América Latina, um sentimento de euforia tomou conta de políticos, intelectuais e militantes do grupo espalhados pela região e pelo mundo.
Não apenas pelas derrotas impostas às forças de direita e de centro-direita que estavam no poder em vários países, como Colômbia, Chile, Peru, Bolívia e Honduras. Mas pela expectativa de que um novo tempo, supostamente mais favorável, estaria se anunciando.
Na miragem da turma, que enxerga florestas exuberantes onde só existe
a areia escaldante dos desertos, os mandatários de esquerda conseguirão
tirar a economia regional do marasmo em que se encontra e reduzir a
desigualdade e a pobreza – um mal crônico que está presente, em maior ou
menor grau, em toda a América Latina. No limite, acredita-se que os
“ungidos” conseguirão promover o desenvolvimento econômico em ritmo
chinês e garantir uma qualidade de vida sueca aos cidadãos.
Aqui no Brasil, onde a esquerda permaneceu no poder sob o comando do
PT por quase 14 anos, entre 2003 e 2016, a esperança do pessoal é de
que, nas eleições de outubro, com uma eventual vitória do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva – o eterno candidato do partido à Presidência –
será possível reviver os “anos dourados” que ele teria propiciado aos
brasileiros em seus dois mandatos (2003-2010).
A realidade, porém, impõe outra narrativa, que contrasta com a que
prospera no imaginário da esquerda latino-americana e se propaga por aí
em ritmo de bate-estaca. No mundo real, nem o passado da esquerda na
América Latina foi róseo como eles dizem nem o presente sugere que o
futuro, será.
Nesta reportagem, que complementa o ‘pacote” de apresentação da série
sobre as experiências de governo da esquerda na América Latina, o
Estadão mostra que os líderes do grupo não terão vida fácil, como
tiveram seus correligionários nos anos 2000, quando houve uma primeira
onda de esquerda na região.
“Os fatores que estão levando a esquerda a ganhar as eleições são os
mesmos que vão dificultar a capacidade de governar, restringindo o que
eles podem entregar e fazer”, diz o cientista político Christopher
Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia, uma consultoria
internacional especializada em avaliação de riscos.
Classe média emergente
No início dos anos 2000, durante a “primeira onda”, a situação era
muito mais favorável. Sobrava dinheiro no mundo. As taxas de juro nos
países desenvolvidos estavam em queda. A China crescia na faixa de 10%
ao ano, alavancando a economia mundial, e a globalização impulsionava o
comércio internacional numa escala sem precedentes.
Com isso, a demanda por alimentos e matérias primas explodiu, levando
os preços de produtos como petróleo, minérios, soja e carnes à
estratosfera – um fenômeno que se tornou conhecido como “boom das
commodities”. Uma enxurrada de dólares inundou os países
latino-americanos, que estão entre os maiores exportadores de
commodities do planeta.
Foi isso e não a ideologia dos governantes que estavam no poder na
região, segundo os analistas ouvidos pelo Estadão, que viabilizou os
tempos de bonança, marcados pela expansão da classe média emergente,
pelo crescimento da economia, pela redução do desemprego e pelo aumento
da renda dos trabalhadores.
Foi esse quadro também, em essência, que criou as condições para que
governos de esquerda no Brasil, na Argentina e em outros países
latino-americanos se reelegessem, onde a reeleição é permitida, e
ficassem longos períodos no poder. Foi um ciclo economicamente tão
favorável que a colheita política se deu, de certa forma,
independentemente da capacidade de gestão de quem estava no governo. “É
claro que os governantes ganharam muito com isso”, afirma Garman.
Promessas generosas
Alguns analistas falam também que as reformas liberalizantes
realizadas em alguns países nos anos 1990, antes da chegada da esquerda
ao poder, também deram a sua contribuição para a decolagem da economia,
ao reduzir a intervenção do Estado, privatizar estatais e buscar o
equilíbrio das contas públicas.
“Eles herdaram as reformas dos anos 1990, que abriram a economia da
região, gerando uma dinâmica muito propícia ao crescimento e ao
investimento. O boom de commodities impulsionou um fenômeno que já
estava acontecendo”, diz o escritor e historiador Alvaro Vargas Llosa.
Apesar de ser mais conhecido como coautor dos livros Manual do Perfeito Idiota Latino-americano e A volta do idiota, ele também incursiona pelo mundo das finanças – é autor do livro Todo amador confunde preço e valor, sobre investimentos.
Posse de Boric, do Chile, em março: festa durou pouco Foto: ESTADAO / undefined
Hoje, de acordo com quem acompanha de perto os acontecimentos na
América Latina, o cenário político e econômico regional e global está
bem mais hostil do que o da primeira onda de esquerda. Isso deverá
dificultar muito o cumprimento mínimo das promessas generosas de
campanha feitas pela esquerda.
Agora, embora os preços das commodities também estejam em alta,
turbinados pelos desarranjos provocados na cadeia produtiva global pela
pandemia e pela guerra na Ucrânia, nuvens carregadas pairam sobre a
economia mundial.
A inflação deu um salto em todo o mundo – e a América Latina não é
uma exceção. Na Argentina, governada pelo peronista Alberto Fernández,
as taxas estão na faixa de 65% ao ano, trazendo de volta o fantasma da
hiperinflação, que assombrou o país nos anos 1980 e 1990. No Chile,
agora governado pelo esquerdista Gabriel Boric, a taxa anual, estimada
pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) em 7,5% para 2022, já está em
12,5%, a maior desde 1994.
Na Venezuela, a alta de preços em 2022 deve ficar em torno de 500%,
conforme as previsões do FMI (Fundo Monetário Internacional), com base
nas poucas informações divulgadas pelo governo sobre a economia do país.
Em Cuba, um dos países mais fechados do mundo, cujo “espírito
revolucionário” ainda alimenta o imaginário de boa parte da esquerda
latino-americana, inclusive no Brasil, os trabalhadores perderam quase
um quarto de sua renda nos 12 meses encerrados em maio, segundo os dados
disponíveis (veja o quadro).
Margem de manobra
Além da alta generalizada de preços, a economia global desacelerou. A
Europa e os Estados Unidos estão no limiar de uma recessão. Os juros,
que registraram recordes de baixa no boom das commodities, agora estão
em alta na maioria dos países, para domar a disparada dos preços,
afetando de forma negativa a atividade econômica e o fluxo de recursos
para as economias emergentes como a América Latina. Trata-se de um
quadro típico do que os economistas costumam chamar de “estagflação”, a
combinação perversa de inflação alta com estagnação econômica.
“É um cenário que não se vê desde os anos 1970, quase meio século
atrás”, afirma Llosa. “O cenário atual não é mais aquele de meados do
ano 2000, quando houve um superciclo de commodities. Hoje, não há muita
margem para fazer política social, política fiscal, política econômica
no sentido amplo”, diz Pedro Mendes Loureiro, professor associado na
área de estudos latino-americanos da Universidade Cambridge, na
Inglaterra.
Mesmo que a alta das commodities continue por algum tempo e ajude a
engrossar a arrecadação de impostos, em decorrência do aumento da
inflação e da base de cálculo das contribuições, isso só deve atenuar os
problemas. “É claro que a alta dos preços das commodities pode ajudar
no curto prazo, mas a inflação vai levar ao aumento dos juros e isso
obviamente vai machucar a região”, diz Vargas Llosa. “Isso será também
um desafio muito grande para esses governos de esquerda.”
Há também dificuldades políticas pela frente. Vários governantes de
esquerda latino-americanos não têm maioria parlamentar, nos países em
que a democracia existe, para poder aprovar medidas de seu interesse.
É o que acontece, por exemplo, no Chile, de Boric e na Colômbia, onde
o ex-guerrilheiro Gustavo Petro está assumindo a Presidência. No
Brasil, se Lula realmente ganhar as eleições de outubro, como apontam as
pesquisas, é provável que ele também não consiga maioria parlamentar só
com a esquerda e tenha de compor com o centro político, para governar.
“Os governos de esquerda estão com as mãos amarradas”, afirma Garman, da
Eurasia.”Agora, o potencial de estrago da esquerda é mais limitado.”
Desapontamento
Ao mesmo tempo, com o elevado grau de desalento existente hoje na
América Latina, conforme as pesquisas, a tolerância está baixa, o que
deve afetar a popularidade do grupo. “A lua de mel dos governantes com a
população vai ser curta”, diz Garman. “As condições de governabilidade
hoje são menores e a capacidade de eles se reelegerem vai diminuir
estruturalmente.”
O que está acontecendo com o novo presidente do Chile, Gabriel Boric,
ilustra com perfeição o estado de espírito predominante na região. Há
apenas cinco meses no governo, Boric, que defende a criação de estatais e
o aumento de impostos, está tomando uma ducha precoce de realidade. Sua
taxa de aprovação já caiu para cerca de 35%, uma das mais baixas da
região. Ele tentou contornar o problema aumentando o salário mínimo, mas
a estratégia não funcionou. Na avaliação de Garman, Petro, da Colômbia,
deve enfrentar um problema semelhante.
“Há um desapontamento com o Boric. Muita gente do centro político que
votou no Boric está vendo que ele não era tão moderado quanto se
imaginava”, afirma o historiador e sociólogo alemão Rainer Zitelmann,
autor do livro O capitalismo não é o problema, é a solução,
lançado recentemente no Brasil. “O Chile alcançou um grande progresso
econômico, em termos de PIB (Produto Interno Bruto) per capita e também
de outros indicadores, nas últimas décadas. Só que as pessoas votaram
num candidato socialista. Elas esqueceram a razão que os levou a ser
bem-sucedidos.”
Bruxarias
Neste cenário já tão complicado, as ideias tradicionais da esquerda
para a economia, como o uso de anabolizantes para turbinar
artificialmente o crescimento, o aumento de tributos, que desestimula os
investimentos privados, o intervencionismo estatal, que limita a
liberdade dos empreendedores, e o protecionismo, que reduz a
concorrência internacional, acabam atrapalhando ainda mais.
Nicaraguenses, na fila para fazer pedido de asilo em San Jose, na Costa Rica: êxodo para o mundo livre Foto:
Num primeiro momento, esse receituário pode até dar a ilusão de que
as coisas estão melhorando, mas depois a situação fica pior do que era
antes. Quem acaba sofrendo mais são os mais vulneráveis, a quem a
esquerda diz representar. “Tudo isso gera mais incerteza em relação à
gestão macroeconômica”, afirma Garman. “Você acaba tendo um aumento na
taxa de risco, que afeta a confiança do setor privado e exacerba
dificuldades políticas.”
É uma situação que os brasileiros conhecem bem. Quando o boom das
commodities passou, em meados da década passada, chegou a conta dos
excessos cometidos nos tempos de vacas gordas. O custo foi pesadíssimo.
Ao deixar o governo, com o impeachment, em 2016, a ex-presidente Dilma
Rousseff entregou o País mergulhado na maior recessão de que se tem
notícia.
Mas, talvez, não haja exemplo mais emblemático para os estragos que o
receituário da esquerda causa na economia do que o da Argentina, sob o
governo Fernández. O país está mergulhado no caos econômico. Para tentar
conter a escalada da inflação, que também está acima da previsão do FMI
para o ano, o governo recorreu a velhas bruxarias heterodoxas, como o
congelamento de preços de produtos essenciais. A medida, porém, em vez
de ajudar os consumidores, levou a um desabastecimento generalizado, com
o desaparecimento de produtos com preços controlados das gôndolas dos
supermercados. Até papel higiênico está em falta.
As restrições impostas pelo governo argentino às exportações de
carne, para tentar aumentar a oferta no mercado interno, desestimulou os
produtores e comprometeu o esforço que eles haviam empreendido durante
décadas, para conquistar trincheiras comerciais no exterior.
Com menos divisas internacionais ingressando no país e muitas
incertezas no ar, a cotação do dólar disparou. A dívida externa está
batendo recordes históricos e as reservas internacionais do País está na
faixa de US$ 40 bilhões, cerca de 40% a menos do que em 2018. O rombo
nas contas públicas, abaladas pelos gastos sem limite do governo, não
para de crescer.
“A Argentina é um caso típico de um governo que é incapaz de parar de
gastar. Eles estão além de quebrados, estão quase na hiperinflação”,
diz o cientista político Nicolás Saldías, analista para a América Latina
e o Caribe da Economist Intelligence Unit (EIU), ligada ao grupo que
publica a revista britânica The Economist. “Eles têm que
imprimir dinheiro, que não vale nada, para pagar pelos seus programas
sociais, cujos eventuais possíveis efeitos serão corroídos pela
inflação.”
Do jeito que a coisa vai, a Argentina parece estar caminhando a
passos largos para se transformar numa Venezuela, ao menos na economia. A
Venezuela, que já foi um dos países dos mais prósperos da América
Latina, levou essa receita ao extremo e sofreu consequências dramáticas.
Desde que o “socialismo bolivariano” assumiu o poder, em 1999, o PIB
(Produto Interno Bruto) venezuelano caiu em torno de 80%, para cerca de
US$ 46 bilhões. Hoje, a renda per capita da Venezuela, medida pela
paridade do poder de compra (PPP), é de apenas US$ 5,4 mil. Só é maior
na América Latina que a do Haiti, de US$ 3,1 mil, o país mais pobre da
região.
“Paraíso socialista”
Apesar de tudo isso, nada parece simbolizar tão bem o fracasso das
esquerdas na América Latina quanto o desejo de milhões de pessoas de
deixar seus países, principalmente nos casos de Cuba, Venezuela e
Nicarágua, as três ditaduras da região, para ir para os Estados Unidos e
outros locais do mundo livre.
“Os imigrantes sempre vão sempre de países com menos liberdade
econômica para países com mais liberdade econômica”, afirma Rainer
Zitelmann. “Na época do comunismo, ninguém falava que queria ir da
Alemanha Ocidental para a Alemanha Oriental. Hoje, ninguém vai dizer que
quer ir de Miami para o “paraíso socialista” da Venezuela ou para Cuba.
Talvez para passar umas férias, por umas duas semanas, e olhe lá.”
Chorando, confessando, se arrependendo, pedindo perdão e
prometendo sair da vida pública Você perdoaria?| Foto: Reprodução/
Twitter
Antes de respirar fundo e começar este texto, quero
avisar os leitores mais afoitos que. Não. Pode parar! Não quero nada.
Acabei de lembrar que não escrevo para leitores afoitos, muito menos
para aqueles que leem apenas o título. Agora vou incluir aqui as
palavras-chaves “Lula” e “arrependimento” porque o algoritmo é burro e
não entende estilo nem firula literária.
[RESPIRA FUNDO] Agora, sim. Este artigo ou crônica ou artinica ou
crotigo nasceu no dia em que Lula foi preso e os mais tolos entre nós
(eu incluído) acreditaram que finalmente estávamos diante de um Momento
Histórico e Definidor: o dia em que um ex-presidente foi em cana. Tudo
bem que fosse um xilindró de luxo. Nos contentamos com pouco. Já era
alguma coisa.
(E, antes que me perguntem, vou me prolongar um pouco nesta parte
para lembrar a alguns esquecidinhos que Lula é um ex-presidiário e não,
ele não foi inocentado. Já disse que Lula é um ex-presidiário que não
foi inocentado? Caramba, devo estar com Alzheimer, porque juro que já
tinha dito que Lula é um ex-presidiário e que ele nunca foi inocentado).
Na ocasião, peguei uma cervejinha e um salaminho para acompanhar toda
a epopeia. Lula chega ao sindicato. Lula sobe ao palco. Lula fala de
groselhas & jararacas. O Tião Galinha também fala. Corta para o
helicóptero. Camburão com o agora ex-presidiário chega ao aeroporto.
Senhores passageiros, aqui é o comandante Sergio Moro. Sejam bem-vindos
ao voo 13 da Polícia Federal Airways com destino a Curitiba. Nosso tempo
estimado de voo é de 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e
lavagem de dinheiro. Etc.
(Mal sabia o comandante que esse voo teria uma escala não-prevista,
causada por problemas técnicos [uma falha na rebimboca do fachin] no
Supremo Tribunal Federal).
Naquele dia, jamais poderia imaginar que hoje, 7 de agosto de 2022,
estaria trabalhando na Gazeta do Povo e publicando uma crônica (“uma
crônica é o que eu digo que é crônica”) numa coluna com meu nome e até
minha foto. Oi, mãe! Olha eu na Gazeta! Uma crônica que daqui a
pouquinho, no parágrafo seguinte mesmo, vai falar que Lula, sim, aquele
democrata amigo de ditadores, o Lula, não tá lembrado, não?, o do
Bessias, da Odebrecht, da Dilma, dos irmãos Batista, do MST e do
Palocci… Pois esse Lula é candidato à Presidência em 2022. E tem gente
dizendo que ele pode ganhar no primeiro turno (toc, toc, toc).
Como prometido no parágrafo anterior, Lula é candidato à Presidência
em 2022. Mas isso não vem ao caso. Ainda. E tomara que nunca. O fato é
que naquele dia, ou melhor, naquela noite fui dormir atormentado por uma
imagem improvável. Improbabilíssima. E se Lula, em vez de falar de
jararaca & falsos salamaleques, tivesse subido ao palco naquele dia e
dito que (atenção porque vou usar negrito, itálico e sublinhado para
enfatizar as premissas) sua prisão era justa, que ele se arrependia, que
pedia perdão a todos, que cumpriria a pena e doaria até o Sítio de
Atibaia para as autoridades, e que sairia da vida pública para sempre.
Talvez isso seja literatura fantástica demais para a sua cabeça.
Entendo. Para mim às vezes também é. Mas nos permitamos o exercício
extremo da imaginação de alto desempenho. Vai, tenho certeza de que você
consegue. É só se concentrar. Talvez ajude trocar a voz rouca de Lula
por uma voz mais amena. Aquela mesma voz que todos usamos nos nossos
arrependimentos mais sinceros. Nos nossos mais desesperados pedidos de
perdão.
Se isso acontecesse, você estaria disposto a perdoar Lula? Calma! Não
corra ainda para a caixa de comentários. Pense novamente. É um homem
pedindo perdão. Mas é o Lula. É o Lula. Mas é um homem pedindo perdão.
Se sua resposta for “sim”, oquei, estamos conversados. O perdão nem
sempre requer grandes justificativas. Se sua resposta for “não”, tudo
bem também. Senão terei que lhe fazer perguntas adicionais e… não dá. O
texto está chegando ao fim e, no mais, meu objetivo não é sugerir que,
nas condições propostas dois parágrafos acima, você deva ou não deva
perdoar Lula. (Antes de encerrar o texto, acende um cigarro Free e
pensa: “cada um na sua, mas com alguma coisa em comum”).
O texto era para ter terminado com essa imagem noir do cigarro, mas
voltei. Só porque acho que faltou um arremate para minha história.
Naquela noite, atormentado pela dúvida louca, corri para a Internet
(moro num palacete e o celular estava na Ala Norte) e cometi a ousadia
de fazer a pergunta nas redes sociais. A reação e o tom das respostas
não me surpreenderam. Como, tenho certeza, tampouco vai acontecer agora.
Um pouco mais aliviado, me deitei. E foi assim, com a consciência me
cobrando uma resposta à minha própria hipótese fantástica, que adormeci.
Modelo nórdico pode aprimorar resultados da educação formando pessoas e profissionais mais felizes e capazes.
O ensino tradicional brasileiro corre o risco de se tornar obsoleto.
De acordo com o Relatório de Capital Humano Brasileiro, estudo inédito
do Banco Mundial, uma criança brasileira
nascida em 2019 deve alcançar em média apenas 60% do seu capital humano
potencial ao completar 18 anos. O objetivo do levantamento é alertar
governos sobre a necessidade de investir em pessoas, e a educação é
parte fundamental desse processo, por isso é preciso criar alternativas.
Diante disso, Luciana Pinheiro, mestre e doutora em linguística e uma
das diretoras da Winsford Global Education, destaca a importância de
adotar um novo modelo de ensino que faça com que as crianças se tornem
boas em aprender, mas também em viver. “As aprendizagens que acontecem
dentro da sala de aula devem ter muita conexão real com o mundo das
crianças. Fazer essa ligação é fundamental para que o aprendizado tenha
significado real para elas”, pontua.
Isso é confirmado por dados do relatório The Future of Jobs (O futuro
dos empregos), do Fórum Econômico Mundial. No futuro, é estimado que
65% das crianças que estão começando os estudos hoje realizarão
trabalhos que ainda sequer existem.
Modelo finlandês Os esforços para corrigir os
resultados da educação nacional devem começar de imediato e, para isso, o
modelo pedagógico finlandês é uma ótima opção do que se seguir. Dados
mostram que o ensino do país nórdico alcança o primeiro lugar em
rankings como o de melhor educação primária, melhor educação para o
futuro, maior letramento e bem-estar e felicidade.
Esse formato tem registrado crescimento em todo o mundo e defende um
ensino menos padronizado em relação a avaliações que alimentam a
competitividade, como as provas, e mais focados na cooperação e na
adoção de novas tendências para o desenvolvimento de habilidades.
Dentre as principais mudanças no formato estrangeiro está a
transformação na arquitetura das salas de aula, que não possuem fileiras
de cadeiras voltadas para uma lousa, e no fim do foco na
competitividade e no controle para favorecer o aprendizado mútuo.
Fonte: Plena Estratégias Criativas
Brasil desperdiça 40% do talento de suas crianças, diz estudo inédito do Banco Mundial
Antes da pandemia, seriam necessários 60 anos para país atingir
nível de capital humano dos países desenvolvidos, diz estudo inédito;
crise sanitária agravou ainda mais esta situação.
Por BBC
04/07/2022 07h31 Atualizado há um mês
Banco Mundial estima que PIB do Brasil poderia ser 158% maior, se
crianças desenvolvessem todo seu potencial e país chegasse a pleno
emprego — Foto: Getty Images via BBC
O que uma criança vivendo nas ruas e fora da escola em São Paulo e
uma jovem negra formada na universidade que não consegue emprego em
Salvador têm em comum?
Ambas fazem parte do contingente de talentos que são desperdiçados todos os dias no Brasil.
Uma criança brasileira nascida em 2019 deve alcançar em média apenas
60% do seu capital humano potencial ao completar 18 anos, calcula estudo
inédito do Banco Mundial, ao qual a BBC News Brasil teve acesso.
Isso significa que 40% de todo o talento brasileiro é deixado de lado, na média nacional.
Nos rincões mais vulneráveis, o
desperdício de potencial superava os 55% antes da pandemia, estima a
instituição. Com a crise sanitária, a situação se agravou e, em apenas
dois anos, o Brasil reverteu dez anos de avanços no acúmulo de capital
humano de suas crianças.
“Agora, mais do que nunca, as ações não podem esperar”, alerta o
banco, no Relatório de Capital Humano Brasileiro, que deverá ser lançado
nesta semana.
O estudo é parte do Human Capital Project do Banco Mundial,
iniciativa lançada em 2018 para alertar governos quanto à importância de
se investir em pessoas. O relatório brasileiro é o primeiro focado em
um país específico.
O banco estima que o PIB (Produto
Interno Bruto, soma de bens e serviços produzidos por um país) do Brasil
poderia ser 2,5 vezes maior (158%), se as crianças brasileiras
desenvolvessem suas habilidades ao máximo e o país chegasse ao pleno
emprego.
Capital humano e potencial desperdiçado
Capital humano é o conjunto de habilidades que os indivíduos acumulam
ao longo da vida, explica Ildo Lautharte, economista do Banco Mundial e
um dos autores do estudo.
Essas habilidades acumuladas determinam, por exemplo, o nível de
renda e as oportunidades de trabalho que uma pessoa vai ter em sua vida.
E impactam a produtividade, o tamanho do PIB e a capacidade de gerar
riqueza de um país.
Índice de Capital Humano é mais baixo no Norte e Nordeste, mas há
também desigualdades significativas dentro dos Estados e das regiões —
Foto: Banco Mundial
Para comparar esse potencial acumulado nos diferentes países e nas
diversas regiões, Estados e municípios em cada país, o Banco Mundial
desenvolveu o ICH (Índice de Capital Humano), um indicador que combina
dados de educação e saúde, para estimar a produtividade da próxima
geração de trabalhadores, se as condições atuais não mudarem.
Os dados que compõem o ICH são: taxas de mortalidade e déficit de
crescimento infantil; anos esperados de escolaridade e resultados de
aprendizagem; e taxa de sobrevivência dos adultos.
Com base nesse conjunto de dados, o indicador varia de 0 a 1, sendo 1
o potencial pleno — ou seja, não ter déficit de crescimento ou morrer
antes dos 5 anos, receber educação de qualidade e se tornar um adulto
saudável.
Aplicando essa metodologia ao
Brasil, o banco chegou a um ICH de 0,60, que significa que uma criança
brasileira nascida em 2019 deve atingir apenas 60% de todo seu potencial
aos 18 anos. O país está abaixo de países de desenvolvidos como Japão
(0,81) e Estados Unidos (0,70) e de pares latino-americanos como Chile
(0,65) e México (0,61), mas acima de outros países em desenvolvimento
mais pobres como Índia (0,49), África do Sul (0,43) e Angola (0,36).
“O Brasil precisaria de 60 anos para alcançar o nível de capital
humano alcançado pelos países desenvolvidos ainda em 2019”, estima o
Banco Mundial. “Não há tempo a perder.”
‘Muitos Brasis’
A instituição financeira internacional alerta, porém, que a média
nacional é apenas uma parte da história e que há muitas desigualdades
dentro do país.
Por regiões, por exemplo, em 2019, o ICH do Norte e do Nordeste era
de 56,2% e 57,3%, enquanto para Sul, Centro-Oeste e Sudeste variava de
61,6% a 62,2%.
“60% a 70% dessa desigualdade regional é explicada pela educação”,
afirma Lautharte. “Isso inclui tanto os anos que a criança fica na
escola, como a qualidade da educação, isto é, se ela consegue aprender
aquilo que deveria ter aprendido na escola.”
“Mas além dessa desigualdade regional, que já é esperada por quem
conhece o Brasil, chama atenção a desigualdade dentro de um mesmo Estado
ou uma mesma região”, observa.
Por exemplo, enquanto o município de Ibirataia na Bahia tem um ICH de
44,9%, similar a países africanos muito pobres como Gana e Gabão, Cocal
dos Alves no Piauí, com um ICH de 74%, está mais próximo dos índices da
Itália e da Áustria.
Embora todas as regiões tenham melhorado seu ICH ao longo dos anos — o
estudo analisa o período de 2007 a 2019 —, a desigualdade persiste com o
passar do tempo.
Por exemplo, o Índice de Capital Humano médio das regiões Norte e
Nordeste em 2019 era similar ao das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste
em 2007 — ou seja, uma lacuna de 12 anos.
Índice de Capital Humano das regiões Norte e Nordeste em 2019 era
similar ao das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste em 2007 — Foto: Banco
Mundial
Desigualdade racial crescente
O Banco Mundial chama atenção também para a desigualdade racial no desenvolvimento do potencial dos brasileiros.
Segundo o estudo, a produtividade esperada de uma criança branca em
2019 era de 63% do seu potencial, comparado a 56% para uma criança negra
e 52% para uma indígena.
Mas, ainda mais grave, é que essa desigualdade está aumentando ao longo do tempo.
Isso porque o ICH das crianças brancas avançou 14,6% entre 2007 e
2019, enquanto o índice para crianças negras variou 10,2% e o das
indígenas ficou praticamente estável (0,97%).
Para Ildo Lautharte, a explicação aqui novamente está nas desigualdades educacionais.
“O Brasil teve muito sucesso em termos de acesso à educação,
conseguimos fazer com que a quase totalidade das crianças esteja na
escola. A grande questão agora é a qualidade dessa educação e isso tem
um componente racial muito elevado”, diz o economista.
Diferença de potencial entre brancos, negros e indígenas aumentou ao longo do tempo — Foto: Banco Mundial
Lautharte observa que essa diferença nos resultados de aprendizagem
está ligada tanto à qualidade do ensino, quanto às condições das
crianças, que partem de bases muito desiguais.
Mercado de trabalho e o talento desperdiçado das mulheres
O Banco Mundial analisa também o que acontece quando todo esse
potencial chega ao mercado de trabalho. E aqui, o quadro é ainda mais
preocupante.
O ICHU (Índice de Capital Humano Utilizado) pondera o ICH com a taxa
de emprego nos mercados de trabalho formal e informal. O objetivo é
analisar quanto do capital humano é de fato aproveitado pelo mercado de
trabalho.
No Brasil, o ICHU é de 39%, estima o Banco Mundial, o que significa
que o mercado de trabalho brasileiro desperdiça boa parte dos seus
talentos devido à baixa ocupação.
Aqui, chama a atenção também a desigualdade entre homens e mulheres.
Olhando para o ICH, as mulheres
chegam aos 18 anos com potencial acima dos homens. Elas tinham um Índice
de Capital Humano de 60% em 2019, contra 53% para eles. A diferença se
explica por fatores diversos. Por exemplo, as mulheres tendem a
abandonar menos a escola para trabalhar e, por isso, acumulam em média
mais tempo de estudo do que os homens. Além disso, elas tendem a viver
mais, tanto por questões de saúde, como da maior propensão dos homens
(particularmente dos negros) a morrer por causas violentas.
No entanto, apesar de as mulheres terem acúmulo de capital humano
acima dos homens aos 18 anos, elas são menos aproveitadas no mercado de
trabalho.
Enquanto o ICHU delas é de 32%, o deles é de 40%. Isso se deve a
fatores que vão desde profissões que ainda hoje são entendidas como
predominantemente masculinas, até a desigualdade no trabalho doméstico e
no cuidado dos filhos.
“Só política pública pode fazer com que essa diferença entre homens e mulheres no mercado de trabalho diminua”, diz Lautharte.
“Esse é um ponto onde o Brasil ainda engatinha, outros países já
estão fazendo muito mais, com políticas muito mais ativas para aumentar a
inserção da mulher no mercado de trabalho. Esse desperdício é
particularmente grave entre mulheres negras, são talentos
desperdiçados.”
Pandemia fez Brasil andar dez anos para trás
Se o Brasil já desperdiçava o potencial de suas crianças antes da
pandemia, a crise sanitária só agravou essa situação, destaca o Banco
Mundial.
“Em termos de saúde infantil, por exemplo, mais 3,5 em cada 10 mil
crianças não sobreviveram até os 5 anos de idade em 2021, em comparação a
2019, no Sudeste do Brasil”, cita o banco, no relatório. “Além disso,
cerca de 80 mil crianças podem sofrer déficit de crescimento no Brasil
devido à pandemia.”
Na educação, as escolas ficaram
fechadas por 78 semanas, um dos fechamentos mais longos do mundo.
Consequentemente, a parcela de crianças que não sabem ler e escrever
saltou 15 pontos percentuais entre 2019 e 2021, observa a instituição
financeira internacional. Com tudo isso, o Índice de Capital Humano do
Brasil caiu de 60% para 54% entre 2019 e 2021, estima o Banco Mundial,
voltando ao nível de 2009. “Em dois anos, a pandemia de Covid-19
reverteu o equivalente a uma década de avanços do ICH no Brasil”,
observa o Banco Mundial.
O caminho para a recuperação será longo, diz a instituição.
“Considerando-se a taxa de crescimento antes da pandemia, o ICH
levará de 10 a 13 anos para retornar ao patamar de 2019 no Brasil. Ou
seja, o Brasil chegaria novamente ao ICH de 2019 somente em 2035.”
Para Lautharte, reverter esse quadro passa por um grande esforço de
políticas públicas, com recomposição da aprendizagem, que deve ser
combinado com a agenda de combate à fome, de fortalecimento dos
programas de transferência de renda e de políticas de saúde pública.
Além disso, diz o economista, o Brasil precisa aprender consigo
mesmo. Por exemplo, a bem sucedida experiência educacional do Ceará pode
ser replicada em outros Estados e municípios.
“Mesmo antes da pandemia, o Brasil tinha 52% das crianças com 10 anos
que não conseguiam ler um parágrafo adaptado para a idade delas. Então
nosso objetivo não deve ser voltar para o pré-pandemia, mas avançar para
um cenário melhor”, diz Lautharte.
“Temos agora uma oportunidade para repensar algumas coisas e
fortalecer outras. Então conhecer os ‘muitos Brasis’ é fundamental para
saber onde investir e quem precisa de mais ajuda.”
Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62018496
Olá! Em viagens em família, é recomendável levar o cachorro? Camilli
Chamone, consultora sobre bem-estar e comportamento canino e editora de
todas as mídias sociais “Seu Buldogue Francês”, traz recomendações
importantes para ajudar nesta decisão.
Viagem em família: levar ou não o cachorro?
Geneticista traz recomendações que prezam pelo bem-estar do peludo e, consequentemente, de seus donos
Viagem em família pode ser uma ótima oportunidade para relaxar e
recarregar as energias. Com programação fechada, hospedagem e transporte
garantidos, vem a dúvida: e o cachorro? Levar ou não? E, se ficar, qual
a melhor opção?
Segundo Camilli Chamone, geneticista, consultora em bem-estar e
comportamento canino, editora de todas as mídias sociais “Seu Buldogue
Francês” e, também, criadora da metodologia neuro compatível de educação
para cães no Brasil, são muitas as variáveis para responder a estas
questões, mas todas giram em torno de um foco: prezar pela segurança e
pelo bem-estar do animal. E isso passa por, obrigatoriamente, conhecer
suas particularidades e necessidades.
“Para tomar essa decisão, tente responder: sair de casa será melhor,
para o meu cachorro, do que ficar? Só leve se a resposta for positiva”,
enfatiza.
Alguns pontos importantes para esta decisão envolvem logísticas, como duração da viagem, meio de transporte e local de destino.
“Cães não devem ser transportados em bagageiros de ônibus, pois são
pouco ventilados. E, no avião, só se, além de tolerarem calor, já serem
habituados a usar a caixa de transporte. Já para viagem em cabine,
precisam ser calmos e educados, até para não incomodarem as outras
pessoas”, pontua a geneticista.
Além disso, se já apresentam comportamentos agressivos, o ideal é não
arriscar uma mudança de ambiente, pois isso poderá causar mais
transtornos do que benefícios – para eles e para seus donos.
Caso a escolha seja por inserir o peludo na viagem, é fundamental que
o lugar seja condizente com suas necessidades naturais, incluindo, por
exemplo, contato com sol, terra, mato e cachoeiras, permitindo que
fareje prolongadamente as árvores e brinque tranquilo. Por isso,
destinos que envolvam a natureza, com passeios, são boas opções. “Se o
local não for apropriado e ele ficar trancado, sozinho, em quarto de
hotel, melhor não submetê-lo a esse estresse”, pontua.
E, se a escolha for por não levá-lo, Chamone aponta três caminhos com
foco em seu bem-estar: hospedar em um hotel para cães, com supervisão
contínua de profissionais; manter em casa, com uma pessoa de confiança;
ou deixar na casa de familiar ou amigo.
Em todos os casos, se o animal não conhece as pessoas ou o ambiente
no qual ficará neste período, é imprescindível passar por uma adaptação –
algo a ser feito com, no mínimo, 30 dias de antecedência.
“O desenvolvimento cognitivo de um cachorro é o mesmo que o de uma
criança de dois anos de idade. Logo, o que faríamos se precisássemos
deixar nosso filho de dois anos na casa de alguém? Com certeza, não
seria com um desconhecido”, exemplifica.
Segundo a geneticista, os cães não têm noção da impermanência. Com
isso, entendem que o cenário vivido no momento é definitivo. “Eles não
têm a percepção de que o dono vai voltar; por isso, é comum que, ao
serem colocados em locais totalmente desconhecidos, entrem em luto e em
um quadro grave de sofrimento. Eles entendem que foram abandonados ali”,
pontua.
Por isso a necessidade da adaptação gradual, ou seja, levar o
cachorro no local que vai ficar aos poucos, bem antes da viagem ocorrer.
“Comece deixando-o ali por algumas horas. Depois, por um período; dali
mais uns dias, por mais tempo, e assim sucessivamente. Com isso, ele já
vai se habituando ao novo ambiente”.
No caso de hoteizinhos, é preciso identificar os que entendem de
comportamento canino, pois recebem outros animais por ali e precisam
saber gerenciar o convívio entre eles.
Caso a opção seja por deixá-lo na casa de amigos ou familiares na
qual ele já está habituado a ir, esse cuidado pode ser dispensado, pois
já é um lugar seguro e conhecido. A mesma lógica serve para o animal que
permanecer em sua própria casa.
No entanto, seja qual for a opção, Chamone aponta a importância de
manter a rotina, pois cães são muito apegados a ela – se muda de uma
hora para outra, pode gerar estresse, afetando até o funcionamento do
seu sistema imunológico.
“Não raro, cachorros afastados de forma abrupta de casa e das pessoas
nas quais convivem desenvolvem doenças de pele, otite, infecção
intestinal e vômitos. Manter rotina e fazer adaptação gradual (quando
necessário) são ações que evitam o sofrimento desse baque emocional e,
consequentemente, não compromete o funcionamento do sistema
imunológico”, ressalta.
Assim, se o animal passeia todo dia – algo, inclusive, ideal para sua
saúde física e mental –, é recomendável, por exemplo, contar com um
serviço de dog walker. “Também é essencial propiciar o enriquecimento do
ambiente – além de passeios, brinquedos interativos ou um osso para
roer; assim, o cão se mantém entretido e sem tempo ocioso”.
Com esses cuidados, é possível curtir plenamente a viagem em família,
com ou sem o peludo, com a certeza de que, independentemente da
escolha, o bem-estar e a segurança estarão garantidos.
Em 2020 e 2021 o cenário econômico global foi afetado por causa da
pandemia – a qual deixou grandes lições para gestores de negócios. Para
se ter uma ideia, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística), o PIB (Produto Interno Bruto) sofreu uma queda
histórica de 9,7% no segundo trimestre de 2020.
Assim, as empresas tiveram que enxergar novas possibilidades de
crescimento em meio a dificuldades, sendo que uma delas foi o
fortalecimento da relação empresa-colaborador e da cultura
organizacional.
Esses dois pontos são extremamente importantes dar esteio a empresas
de todos os portes em momentos de crise. Uma lição foi a valorização da
comunicação entre funcionários e gestores de forma remota e constante
para evitar ruídos e desalinhamentos que pudessem interferir no
desempenho das tarefas.
Abaixo, listo as 10 lições que os colaboradores aprenderam em 2021. Confira:
1. Tecnologia e equipes estruturadas têm de ter total foco no cliente e na resolução de possíveis problemas.
2. Planejamento com opções A, B e C são fundamentais para um bom andamento das corporações nesse momento de readaptação.
3. Lidar com novas gerações de colaboradores requer da liderança
entendê-las e, sobretudo, as engajar. Acredito que o uso de tecnologias e
formatos que se assemelham com redes sociais são boas alternativas
nesse sentido.
4. Conhecer colaboradores significa também gerar e analisar métricas de alcance, absorção e engajamento.
5. Encontrar influenciadores internos é um benefício, já que todas as
empresas têm alguns colaboradores que são mais “populares”. Esse
colaborador pode ajudar tanto no processo de comunicação dentro da
empresa, quanto engajar outros colegas.
6. Flexibilização em relação à quantidade de dias que o colaborador
precisa estar presente no escritório. Hoje, o modelo híbrido é bem mais
aceito no mundo corporativo e há ferramentas que contribuem para manter a
cultura organizacional em pleno funcionamento.
7. O colaborador precisa conhecer diferentes setores e unidades da
empresa e incentivá-lo a publicar conteúdos em canais horizontais de
comunicação interna, descentralizando a função que normalmente é
atribuída a um único departamento, criando uma cultura de comunicação
horizontal.
8. A contratação de novos talentos para as empresas passou por uma
implantação de processos realizados de forma remota no recrutamento, no
onboarding e no engajamento do dia a dia.
9. Uma preparação adequada na política de trabalho remoto fez toda a
diferença para desenvolver planos de contingência no gerenciamento das
equipes que trabalhavam de forma remota.
10. Para finalizar, considero importante também ressaltar que a
comunicação da empresa pode andar de forma integrada com o RH. As redes
sociais corporativas também tornaram possível entregar métricas aos
gestores de RH e ter uma visão clara do alcance, absorção e eficácia dos
comunicados internos.
Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda,
empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de
reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.
São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os
negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.
Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento
das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de
consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas
possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os
negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e
se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade,
personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e
serviços.
Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do
comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nos comércios
passa pelo digital.
Para ajudar as vendas nos comércios a migrar a operação mais
rapidamente para o digital, lançamos a Plataforma Comercial Valeon. Ela é
uma plataforma de vendas para centros comerciais que permite conectar
diretamente lojistas a consumidores por meio de um marketplace exclusivo
para o seu comércio.
Por um valor bastante acessível, é possível ter esse canal de
vendas on-line com até mais de 300 lojas virtuais, em que cada uma
poderá adicionar quantas ofertas e produtos quiser.
Nossa Plataforma Comercial é dividida basicamente em página
principal, páginas cidade e página empresas além de outras informações
importantes como: notícias, ofertas, propagandas de supermercados e
veículos e conexão com os sites das empresas, um mix de informações bem
completo para a nossa região do Vale do Aço.
Destacamos também, que o nosso site: https://valedoacoonline.com.br/ já foi visto até o momento por 98.000 pessoas e o outro site Valeon notícias: https://valeonnoticias.com.br/
também tem sido visto por 982.000 pessoas , valores significativos de
audiência para uma iniciativa de apenas dois anos. Todos esses sites
contêm propagandas e divulgações preferenciais para a sua empresa.
Temos a plena certeza que o site da Startup Valeon, por ser
inédito, traz vantagens econômicas para a sua empresa e pode contar com a
Startup Valeon que tem uma grande penetração no mercado consumidor da
região capaz de alavancar as suas vendas.
Maior manobra já realizada na área incluiu lançamento hoje de 11 mísseis balísticos e deve durar até o domingo
Por
Agência O Globo
Reprodução – 01.08.2022China inicia exercícios militares inéditos em torno de Taiwan
As Forças Armadas chinesas iniciaram
nesta quinta-feira exercícios militares com munição real em torno de
Taiwan, nas maiores manobras de guerra já realizadas pela China na
região, representando na prática um teste para um bloqueio naval e aéreo
da ilha autogovernada que Pequim considera parte integral do seu
território.
Os exercícios começaram à 12h locais (1h no Brasil) e vão durar até
as 12h de domingo (13h no Brasil), segundo a emissora estatal CCTV. Eles
foram anunciados há dois dias, em represália à visita a Taiwan da
presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, que a China considerou uma
violação da sua soberania e um estímulo à independência da ilha.
“Durante esses exercícios de combate reais, seis zonas principais ao
redor da ilha foram selecionadas e, no período, todos os navios e
aeronaves não devem entrar nas áreas marítimas e no espaço aéreo
relevantes”, informou a CCTV. Umas das zonas fica a apenas 20
quilômetros de Kaohsiung, a principal cidade do Sul de Taiwan.Comece o
dia bem-informado com as principais notícias da manhã
A ilha de Taiwan é separada do separada do território continental
chinês por um estreito vital para a navegação comercial, que em sua
largura máxima tem 180 quilômetros de extensão e, na mínima, 130
quilômetros.
De acordo com autoridades taiwanesas, 11 mísseis balísticos Dongfeng
foram disparados em águas ao norte, sul e leste da ilha. Não está claro
se a trajetória dos mísseis incluiu zonas que a ilha considera serem do
seu mar territorial nem muito menos se os projéteis sobrevoaram o
território.
O ministro da Defesa japonês, Nobuo Kishi, disse que o país está
verificando se cinco dos mísseis caíram em sua zona econômica exclusiva.
No início da noite em Pequim, manhã no Brasil, o Comando Leste do
Exército de Libertação do Povo sugeriu, em dois comunicados curtos, que
as manobras terminaram por hoje. Os comunicados confirmam o lançamento
de “múltiplos” mísseis, em “ataques de precisão” em “áreas específicas”
do Estreito de Taiwan, e informam que o bloqueio aéreo e naval foi
suspenso.
“Todos os mísseis atingiram o alvo com precisão, testando os ataques
de precisão e o domínio da área. Toda a missão de treinamento com
munição viva foi completada com sucesso, e os controles relevantes do
espaço aéreo e naval foram suspensos”, dizem os comunicados, que não
deixam claro se os exercícios continuarão nos próximos dias.
As autoridades taiwanesas chamaram as ações de “irracionais” e de
“ameaça à paz”. Elas disseram que estão monitorando de perto os
exercícios militares da China e que suas forças estão se preparando para
um conflito, mas não vão tomar a iniciativa.
“O Ministério da Defesa Nacional sustenta que manterá o princípio de
se preparar para a guerra sem buscar a guerra, com a atitude de não
escalar o conflito ou causar disputas”, disse a pasta em comunicado.
Hoje, mais de 40 voos de e para Taiwan foram cancelados, segundo o
jornal local China Times, mas o aeroporto de Taipé informou que os
cancelamentos “não necessariamente” têm a ver com os exercícios
chineses.
A agência Bloomberg informou que navios comerciais continuaram a
trafegar pelo estreito, com pelo menos 15 deles na região ao meio-dia de
hoje, na hora local. Porém, segundo a agência, nenhum deles estava em
áreas próximas à costa chinesa. Ainda de acordo com a Bloomberg, algumas
companhias recomendaram que suas embarcações mudassem de rota.
Enquanto isso, a Marinha dos EUA divulgou que o porta-aviões USS
Ronald Reagan estava realizando operações programadas no Mar das
Filipinas, no Pacífico Ocidental, um trecho de 5,7 quilômetros quadrados
de oceano, que inclui águas ao sudeste de Taiwan.
Os chanceleres da Associação das Nações do Sudeste Asiático
(Asean), que estão reunidos no Camboja desde quarta-feira, alertaram
hoje que a situação “pode desestabilizar a região e eventualmente causar
(…) conflitos abertos e consequências imprevisíveis entre grandes
potências”.
O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, condenou os
exercícios militares e considerou que a visita de Pelosi “não era uma
justificativa” para eles. “Taiwan faz parte do território chinês e a
intromissão em seus assuntos é uma violação de sua soberania”, respondeu
o porta-voz da missão chinesa a UE, Zhang Ming.
Pequim defendeu as manobras como “justas e necessárias” e culpou os Estados Unidos e seus aliados pela escalada.
“Na atual disputa por causa da visita de Pelosi a Taiwan, os Estados
Unidos são os provocadores e a China é a vítima”, disse a porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying.
A presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, agradeceu aos países do Grupo
dos Sete (G7), formado por grandes economias aliadas dos EUA, por
“apoiarem a paz e a estabilidade regionais”, depois que o grupo pediu à
China que resolva as tensões no Estreito de Taiwan de maneira pacífica.
Tsai, em um post no Twitter, escreveu: “Taiwan está empenhada em
defender o status quo e nossa democracia. Trabalharemos com parceiros
que pensam da mesma forma para manter um Indo-Pacífico livre e aberto”.
A presidente taiwanesa tem relações conturbadas com Pequim desde que
foi eleita, em 2016, por não aceitar o chamado “consenso de 1992”, pelo
qual os dois lados aceitam o princípio de “uma só China”, mas a ilha
pode manter o sistema de autogoverno.
“O anúncio dos exercícios militares chineses representa uma clara
escalada em relação à última crise no Estreito de Taiwan, em 1995-1996”,
disse Amanda Hsiao, analista de China do centro de estudos
International Crisis Group, referindo-se à última vez em que Pequim
testou mísseis no estreito.
No entanto, analistas disseram à AFP que a China calibra as manobras
para impedir que fujam do controle e deem início a um confronto direto
com a ilha ou com os EUA, que têm bases e navios de guerra na região.
“A última coisa que Xi Jinping quer é uma guerra acidental”, disse
Titus Chen, professor associado de ciência política da Universidade
Nacional Sun Yat-Sen, em Taiwan, referindo-se ao presidente chinês.
A reunificação da ilha que tem hoje 23 milhões de habitantes ao
continente é uma meta do Partido Comunista da China desde que os
nacionalistas fugiram para Taiwan ao serem derrotados na guerra civil
chinesa, em 1949.
Hoje, apenas 14 países têm relações diplomáticas formais com a ilha.
Os Estados Unidos reconheceram o princípio de “uma só China” ao reatar
com Pequim em 1979, mas mantêm o que chamam de “ambiguidade
estratégica”, fornecendo armas a Taiwan.
Nos últimos anos, a ascensão econômica chinesa e a piora nas relações
entre Pequim e Washington gerou acusações na China de que os EUA viriam
estimulando uma mudança do status quo em Taiwan, ou seja, uma
declaração de independência.
O Estreito de Taiwan é uma importante rota militar e comercial, e
passaria a ser integralmente controlado pela China em caso de eventual
reunificação.