sábado, 6 de agosto de 2022

APERTO MONETÁRIO PARA EVITAR A INFLAÇÃO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Sede do Banco Central, em Brasília.| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Cumprindo o que havia prometido em sua reunião anterior, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou mais uma vez a taxa Selic em meio ponto porcentual, como havia feito em junho. Com isso, a taxa básica de juros passou para 13,75% ao ano, o maior patamar desde o fim de 2016, quando o país mal começava a encontrar o caminho de saída da “herança maldita” lulopetista, que legou ao Brasil a maior recessão de sua história. Mas há diferenças entre aquele fim de 2016 e este meio de 2022: naquele ano o PIB recuou mais de 3%, enquanto hoje o país está crescendo, com previsões revisadas para cima; por outro lado, a inflação de 2016 já estava recuando, depois da explosão de 2015, enquanto hoje ela ainda segue acima dos 10% no acumulado de 12 meses, justificando a nova elevação nos juros.

Em seu comunicado, o Copom afirma ter levado em consideração as importantes mudanças na tributação de itens como energia elétrica e combustíveis, que puxaram os preços para baixo de forma abrupta a ponto de estar prevista uma deflação no mês de julho – o IBGE deve divulgar os números do IPCA no próximo dia 9. Apesar dessas reduções, o comitê listou fatores de pressão inflacionária que considera suficientemente fortes para que o aperto monetário ainda seja necessário: “uma maior persistência das pressões inflacionárias globais” e “a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e estímulos fiscais adicionais que impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporados nas expectativas de inflação e nos preços de ativos”. Ou seja, um elemento sobre o qual o país não tem controle algum, e outro em que as ações dos poderes Executivo e Legislativo podem tanto ajudar a puxar a inflação para baixo quanto colocar a perder o que foi conseguido com as reduções de preços de energia e combustíveis.

O caminho do gasto público indiscriminado já foi testado e se mostrou desastroso; por sua vez, o caminho das reformas e do ajuste foi exatamente o que tornou possível ao país ter os juros mais baixos deste século

Uma observação do comunicado merece atenção: “a possibilidade de que medidas fiscais de estímulo à demanda se tornem permanentes acentua os riscos de alta para o cenário inflacionário”, afirma o Copom. Isso significa que o vencedor da eleição presidencial de outubro precisará cuidar para não se juntar ao argentino Alberto Fernández, que virou piada nas mídias sociais ao afirmar que “cada vez que ponemos dinero, los precios siguen subiendo”, demonstrando surpresa com o que, no fim, é a essência da inflação. Sem a retomada firme do ajuste fiscal, do respeito ao teto de gastos e de reformas que reduzam e melhorem o gasto público, medidas como a manutenção do valor de R$ 600 para o Auxílio Brasil, por exemplo, mesmo que consideradas importantes do ponto de vista social, elevarão a pressão inflacionária.

O texto divulgado ao fim da reunião termina informando que “o Comitê avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião”, apontando para uma nova elevação, mas de 0,25 ponto, ou de manutenção dos atuais 13,75% na reunião da segunda quinzena de setembro. Por enquanto, boa parte dos analistas do mercado financeiro acredita que o ciclo de aperto chegou ao fim e que a Selic deve se manter estável até meados de 2023, quando começaria a cair. Mesmo assim, o comunicado deixa a entender que os tempos de juros básicos de 2% ao ano estão definitivamente no passado, já que, no cenário de referência traçado pelo Copom, a Selic terminaria 2023 em 11% e fecharia 2024 em 8%.


Com juros mais elevados, o que deve frear os investimentos e o crescimento econômico, assumem ainda mais importância as plataformas econômicas dos candidatos à Presidência da República e como eles pretendem conter a inflação e dar condições para que a economia possa crescer. O caminho do gasto público indiscriminado e do incentivo forte ao consumo e não à poupança, sem a menor preocupação com a saúde fiscal (ou, pior ainda, com truques orçamentários e contábeis para esconder o quadro real), já foi testado e se mostrou desastroso; por sua vez, o caminho das reformas e do ajuste foi exatamente o que tornou possível ao país ter os juros mais baixos deste século, mas foi abandonado no pós-pandemia. A escolha é óbvia; resta saber se teremos candidatos e eleitores suficientemente convencidos disso.


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ELEIÇÕES E A POLARIZAÇÃO DOS CANDIDATOS

 

Partidos e candidatos

Por
Rodolfo Costa
Brasília


Bolsonaro ao lado da primeira-dama Michelle na convenção do PL que oficializou a candidatura à reeleição do presidente.| Foto: Natanael Alves/ PL

As convenções partidárias para escolha dos candidatos nas eleições foram finalizadas nesta sexta-feira (5) e deixaram sinais de como será a campanha presidencial deste ano: polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e fragilidade da terceira via. Há, ainda, uma sinalização de que o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estarão no centro das discussões eleitorais. Por fim, as convenções também indicaram quais serão as estratégias e o discurso dos principais concorrentes nos próximos 60 dias de campanha.

A convenção do PL, que oficializou a candidatura de Bolsonaro à reeleição, foi realizada no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, e contou com a presença de milhares de apoiadores. O partido tinha um objetivo claro: mostrar em imagens a popularidade de Bolsonaro – algo que deve ser usado na campanha.

O evento foi marcado por críticas de Bolsonaro a Lula, à esquerda e ao STF – com direito a convocação de seus apoiadores para irem às ruas no dia 7 de setembro.

O discurso de Bolsonaro indica que ele vai reeditar, em 2022, o temor da “ameaça comunista” representada por uma possível volta do PT ao governo. Durante a convenção, ele disse que sua vida não foi fácil após ser eleito, mas declarou que o conforta “não ver sentado naquela minha cadeira um comunista”. Bolsonaro disse também que segue uma rotina de orações em que reza para que o “povo” nunca “experimente as dores do comunismo”.

Referências à religião e a defesa do conservadorismo, por sinal, devem ser outra marca da campanha do presidente. O discurso da primeira-dama Michelle Bolsonaro na convenção foi marcado por várias referências religiosas. Michelle deve participar ativamente da campanha para conquistar o voto de mulheres.

Na convenção, Bolsonaro buscou associar Lula com a agenda progressista e lembrou dos casos de corrupção nos governos do PT. O presidente buscou ainda diferenciar sua gestão, afirmando que não houve desvios ou má conduta em seu governo. “Se aparecer, vamos colaborar nas investigações”, declarou.

Mesmo com um discurso mais crítico, Bolsonaro aproveitou a convenção para apresentar as realizações de seu governo e que vão estar na sua propaganda eleitoral. E fez afagos a aliados do Centrão, uma sinalização de que ele aposta nos partidos que compõem sua base de sustentação como cabos eleitorais.

O deputado federal Bibo Nunes (RS), vice-líder do PL na Câmara, diz que as falas de Bolsonaro dão o tom da campanha, em que as discussões vão se concentrar nos feitos do seu governo e em Lula. “A convenção mostrou um presidente empolgado, animando a militância toda com um discurso propositivo de verdade. É Lula e Bolsonaro; e não tem condições de ninguém ir contra ou fazer uma terceira via”, analisa.

Quais são os sinais da convenção do PT que oficializou Lula
A convenção que oficializou a candidatura de Lula foi marcada por uma grande ausência: a do próprio ex-presidente. Mas isso foi proposital: o PT trabalha nos bastidores para que a eleição seja decidida no primeiro turno, e isso passa por fechar o maior número de alianças possíveis, tentando atrair inclusive partidos de outras correntes políticas que tinham pré-candidatos.

Essa estratégia tende a ser usada no discurso eleitoral como uma mostra de que Lula é o líder de uma frente ampla que defende a democracia em contraposição a Bolsonaro.

No mesmo dia da convenção do PT, o ex-presidente estava em Pernambuco, onde trabalhou para fechar a montagem de seu palanque no estado. Lula usou o período das convenções em articulações regionais para aparar arestas restantes e selar acordos estaduais que lhe garantam mais apoios.

O deputado federal Zé Neto (BA), vice-líder do PT na Câmara, diz que Lula acertou ao cuidar dos palanques estaduais. Segundo ele, as agendas estavam “apertadas” e era preciso dar atenção especial a alguns estados. “A eleição do PT é a eleição de um campo do país, não só de um partido. E essa aliança que compomos é muito mais consistente do que a de 2002. Há 20 anos, não tínhamos o risco que temos hoje de manter em xeque a nossa democracia”, afirma.

A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), logo após a convenção que oficializou a candidatura de Lula, confirmou que a ideia do partido era fechar uma coligação ampla. A aposta foi fazer acenos a potenciais aliados de outras correntes políticas – o que se encaixa na estratégia de conquistar o maior número de eleitores, não apenas de esquerda.

Após isso, o PT conseguiu o apoio de André Janones (Avante), que desistiu de sua candidatura a presidente. E, em meio a uma disputa judicial pelo comando do Pros, conseguiu o apoio do partido. Nesse período de convenções, o PT também tentou uma frustrada aliança com o União Brasil. E uma ala do MDB tentou impedir a candidatura de Simone Tebet (MDB-MS) para apoiar o PT, mas ela acabou sendo oficializada como candidata.

A entrevista coletiva de Gleisi para falar sobre a convenção também deu indicativos de alguns pontos que serão usados na campanha para criticar Bolsonaro: inflação alta, renda em queda, fome e “discurso de ódio” devem ser assuntos centrais da campanha de Lula.

E o que as convenções mostram sobre a terceira via?
O período das convenções partidárias também mostrou a fragilidade dos nomes da terceira via para romper a polarização entre Lula e Bolsonaro.

Dois pré-candidatos desistiram. André Janones (Avante-MG) decidiu apoiar Lula e Luciano Bivar (União Brasil-PE) abriu mão da disputa ao Planalto para concorrer à reeleição na Câmara – o partido então lançou a senadora Soraya Thronicke (MS), que está no meio do mandato de oito anos e não corre risco de ficar sem uma cadeira no Congresso.

Além disso, grande parte dos nomes da terceira via oficializaram a candidatura sem ter escolhido um vice. Eles esperaram até onde puderam para tentar oferecer a vaga a algum partido que os apoiasse.

O ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT) foi um dos que esperou até a última hora para definir o vice – a confirmação veio só nesta sexta, com a escolha de Ana Paula Matos, vice-prefeita de Salvador. Na convenção que oficializou sua candidatura, ele também indicou qual deve ser o tom de sua campanha: criticou tanto Lula quanto Bolsonaro em seu discurso.

Pelo menos dois candidatos enfrentaram resistência dentro de seus próprios partidos. A ala do Pros a favor de uma aliança com o PT, após reassumir judicialmente o comando da legenda, anunciou apoio a Lula. Mas, numa reviravolta na Justiça, a presidência do partido mudou de mãos novamente. E o coach Pablo Marçal foi confirmado como candidato ao Planalto. Nesta sexta, porém, uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do TSE, reconduziu o comando da legenda á ala que apoia Lula.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) também passou por divergências dentro de seu próprio partido. Uma ala que queria apoiar Lula chegou a entrar na Justiça para barrar a convenção. Mas não obteve sucesso, e Tebet foi oficializada como candidata. Isso evidenciou que a emedebista não tem o apoio integral de sua sigla, sobretudo dos diretórios do Nordeste.

Além disso, ela esperou para escolher um companheiro de chapa. A ideia original era de que fosse Tasso Jereissatti (PSDB-CE). Mas a vice ficou com a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP). Uma chapa só de mulheres deve ser um trunfo na campanha para conquistar o eleitorado feminino.

O deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA), primeiro-vice-líder do partido na Câmara, admite que os discursos e as articulações de Bolsonaro e Lula com os partidos de centro provocam um isolamento da terceira via.

Apoiador da candidatura de Tebet, Rocha avalia que o atual cenário favorece o tensionamento entre Lula e Bolsonaro e, consequentemente, enfraquece as demais campanhas. “Eles tentam polarizar para eliminar a terceira via. A turma do Lula acha mais fácil derrotar Bolsonaro e a turma do Bolsonaro acha que tem discurso mais fácil para derrotar Lula. É uma polarização que se fortalece cada vez mais”, diz.

Polarização não tem mais volta, dizem cientistas políticos
Cientistas políticos ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam que, com o centro político pulverizado, como mostraram as convenções, dificilmente Bolsonaro e Lula terão suas candidaturas ameaçadas.

“Vamos ter muitos candidatos. Alguns até serão bem votados, como Ciro Gomes e Simone Tebet. Mas não existe terceira via”, diz o sociólogo Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ele, a fragmentação das candidaturas de centro favorece, naturalmente, Bolsonaro e Lula. O cientista político aposta que eles estarão no segundo turno. “A eleição está polarizada, e as convenções reforçaram isso.”

O cientista político Ricardo Sennes, fundador e sócio-diretor da consultoria Prospectiv, avalia que o período das convenções mostrou uma uma ligeira vantagem a Lula em relação a Bolsonaro. “Vejo um certo alinhamento na campanha do Lula em direção ao centro, na busca pelo eleitor indeciso. Na campanha de Bolsonaro, vejo uma divisão entre radicalizar e ir ao centro, como defendem lideranças do Centrão”, analisa.

“Esse certo alinhamento da cúpula de Lula e desalinhamento na cúpula de Bolsonaro pode favorecer Lula”, afirma Sennes. “O Lula parece que está gastando menos energia para sua base já garantida e está basicamente concentrando esforços no centro. Ele faz o esforço de ampliar a aliança mais ao centro.”


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EMPRESÁRIOS PASSAM AS SUAS NECESSIDADES PARA OS POLÍTICOS

 

Reivindicações e propostas

Por
Vandré Kramer – Gazeta do Povo


A Fiesp é uma das entidades empresariais que estão apresentando suas propostas aos candidatos à Presidência. Federação também os convida a assinar manifesto em defesa da democracia.| Foto: Julia Moraes/Fiesp

Às vésperas das eleições presidenciais, entidades e grupos de empresários estão fazendo esforços para passar seus “recados” aos presidenciáveis: marcando reuniões, fazendo manifestos e distribuindo documentos. É uma prática que já foi adotada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Confederação Nacional do Comércio (CNC) e Confederação Nacional do Transporte (CNT).

O modelo também vem sendo adotado por novos grupos formados por donos de empresa, ou que incluem empresários. É o caso do Esfera Brasil, que chegou a marcar um jantar para o dia 11, com o presidente Jair Bolsonaro (PL), e o Derrubando Muros, que no início do mês lançou uma agenda para o país. Ciro Gomes (PDT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Simone Tebet (MDB) já manifestaram interesse em se reunir com o grupo.

Os empresários são um grupo que vem sendo cortejado por Bolsonaro desde o lançamento da sua pré-campanha, em 27 de março. Levantamento feito pelo site Poder360 mostra que o presidente se encontrou com eles pelo menos 37 vezes no período. Pouco mais de 40% dos encontros foram com representantes do agronegócio. Uma das principais figuras na agenda presidencial, desde o início do mandato, é o empresário Luciano Hang, dono da Havan.


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CNI apresenta reivindicações aos candidatos
A indústria é possivelmente o setor que mais detalhou suas reivindicações aos candidatos. A CNI apresentou aos candidatos 21 estudos temáticos em áreas tão diversas quanto tributária, transporte, energia, e ambiente macroeconômico. E realizou um encontro ao qual compareceram três dos quatro primeiros colocados da mais recente pesquisa PoderData de intenção de votos – Bolsonaro, Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB). A exceção foi Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder em intenção de votos desse mesmo levantamento (confira a metodologia ao fim desta reportagem).

“A estabilidade macroeconômica é essencial, porque cria o ambiente de estabilidade. Sem ela, é impossível traçar o caminho que leva ao crescimento econômico”, explicou em nota o presidente da CNI, Robson de Braga Andrade.

No encontro, Ciro Gomes afirmou que é necessária uma indústria poderosa, que lidere o centro de estratégia de desenvolvimento do país. Ele prometeu aumentar o nível de investimento na economia, recriar o Ministério da Indústria e Comércio a assinar um pacto de cooperação entre governo e setor privado para hierarquizar o que precisa ser feito em uma época de escassez de dinheiro público.

Assim como o pedetista, Bolsonaro também se comprometeu a recriar o Ministério da Indústria e Comércio, que ele próprio extinguiu no início de sua gestão, na fusão de pastas que deu origem ao Ministério da Economia. Bolsonaro disse esperar que os Estados Unidos invistam mais no Brasil como forma de frear o crescimento do aporte de empresas da China no país.

Simone Tebet defendeu a pacificação política do país como caminho para colocá-lo na rota do crescimento econômico: “O Brasil precisa crescer, precisa de paz, precisa acabar com a polarização para ter estabilidade”.

Fiesp quer políticas industriais modernas
Outra federação tradicional no setor fabril que encaminhou propostas foi a Fiesp, cujo presidente é Josué Gomes da Silva, filho de José Alencar, vice-presidente nos governos Lula (2003-10).

A entidade reivindica a adoção de políticas industriais modernas. “Um novo consenso, baseado nas experiências internacionais e levando em conta as mudanças tecnológicas e a sustentabilidade, recoloca o setor industrial como o motor da retomada econômica. Para isso são necessárias soluções estruturais e não conjunturais”, cita o texto, também encaminhado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Além disso, a Fiesp elaborou um manifesto em defesa da democracia, que já foi assinado por mais de cem entidades, entre elas a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP), a Câmara Americana de Comércio (Amcham) e a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

A CNI decidiu não assinar o documento, com a justificativa de que ele pode acirrar tensões e de que mantém diálogo com todos os políticos.

A federação paulista também está promovendo encontros com os candidatos. Um dos que já participou da rodada de conversas com os empresários foi Ciro Gomes, que afirmou que pretende desonerar a compra de bens de capital e reformar o sistema tributário e a Previdência como forma de alavancar a capacidade produtiva da indústria.

Bolsonaro cancelou a participação no evento da Fiesp prevista para o dia 11. Na mesma data, a entidade pretende lançar seu manifesto pela democracia. Outro documento, similar, será apresentado no mesmo dia pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Logo nos primeiros dias, esse manifesto foi assinado por banqueiros, economistas e ex-ministros do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o G1, o presidente não descartou ir à Fiesp em outra data para debater diretrizes e prioridades com os empresários. Bolsonaro, que já havia criticado a carta da USP, afirmou que não vai assinar o manifesto da Fiesp. “Eu comprovo que sou democrata pelo que fiz”, disse.

Lula deverá se reunir no dia 9 com os industriais paulistas. Ele e seu vice Geraldo Alckmin (PSB) já tiveram um encontro prévio com empresários na sede da entidade em 5 de junho. Além de Josué Gomes, participaram representantes do Bradesco, Ambev, Magazine Luiza, Iochpe, Google e Itaú. Segundo a CNN, foram discutidos temas relacionados à economia, educação, meio ambiente, comércio exterior e agronegócio.

Quem também já esteve na Fiesp foi Simone Tebet. Ela defendeu a estabilidade, a segurança jurídica e a sensibilidade social, sem perder de vista a responsabilidade fiscal, para poder zerar gradativamente a miséria, com transferência de renda. “Queremos um governo parceiro da iniciativa privada. O Estado é aquele que garante políticas públicas, mas deve deixar a iniciativa privada produzir e gerar emprego e renda”, disse a emedebista.

CNC apresenta pontos fundamentais para o crescimento
Quem também encaminhou propostas aos presidenciáveis foi a Confederação Nacional do Comércio. O documento apresenta pontos fundamentais “para a promoção do desenvolvimento econômico, a redução das desigualdades e a construção de uma paz social duradoura.”

As reivindicações do comércio e serviços estão relacionadas à legislação tributária, empresarial, trabalhista, ambiental e sindical; estabilidade macroeconômica; estímulos ao comércio exterior; racionalização do setor público; modernização da infraestrutura e atenção à educação e ao bem-estar social.

A CNC já se encontrou com Bolsonaro, Lula e Tebet, aos quais apresentou sua agenda institucional. O atual presidente afirmou que pretende recriar o Ministério da Indústria e Comércio, com representante indicado pelo setor. Promessa similar foi feita à CNI e durante reunião com empresários na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Lula abriu espaço para negociações com a entidade. “Se tudo for acordado previamente, teremos menos problemas e poderemos construir o país que sonhamos, em que as pessoas possam consumir e os empresários terem seus ganhos.”

Tebet, por sua vez, disse à confederação do comércio que é preciso “investir em empreendedorismo e entender que o mercado e a iniciativa privada são nossos parceiros”.

CNT promove rodadas de diálogo com candidatos
A Confederação Nacional do Transporte está realizando uma série de rodadas de diálogo com os presidenciáveis e está também está apresentando uma série de propostas que visam fomentar a geração de emprego, o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental e energética. “Quanto mais uma nação produz, maior é a sua interface com o transporte e a logística”, diz o presidente da entidade, Vander Costa.

Lula foi o primeiro dos candidatos a se encontrar com representantes da entidade. Ele afirmou pretende trabalhar em uma tramitação “fatiada” de alterações no modelo tributário brasileiro. A CNT aguarda confirmações de outros candidatos para poder entregar o documento com as reivindicações do setor de transporte e logística.

Febraban se reúne com canidatos
Outra entidade que vai se reunir com os candidatos é a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). O objetivo é apresentar a visão da indústria financeira e permitir que eles falem sobre a economia brasileira. O primeiro a ser ouvido será Jair Bolsonaro (PL), que criticou a entidade por aderir ao manifesto pró-democracia da Fiesp. O encontro está marcado para segunda-feira (8). Outros candidatos também devem ser ouvidos.

Quem é o Esfera Brasil

Grupos de empresários também estão se articulando para encaminhar propostas aos candidatos ao Planalto. Um deles é o Esfera Brasil, que chegou a marcar um jantar com o presidente Jair Bolsonaro no dia 11. O evento foi desmarcado para evitar, segundo o G1, uma “saia justa” para esse grupo.

Os empresários temiam ser rotulados como apoiadores de Bolsonaro em suas críticas ao sistema eleitoral e aos manifestos pró-democracia encampados pela Fiesp e pela Faculdade de Direito da USP, que serão apresentados no mesmo dia em que ocorreria o jantar de Bolsonaro com o Esfera Brasil.

O Esfera Brasil se define como uma organização criada para fomentar o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. “Somos independentes e apartidários e temos a missão de engajar líderes em prol do Brasil, gerando discussões que vão permitir a construção de um país melhor”, destaca o grupo em seu site.

O Esfera Brasil diz que a sua missão é ser um polo aglutinador do empreendedorismo brasileiro, promovendo diálogos entre empresas, governos e instituições e estimulando debates produtivos, de forma republicana.

A organização afirma que busca trazer o equilíbrio para um país que sofre, dividido. E que defende a transparência, a ética, a pluralidade. “Apoiamos o capitalismo de stakeholder, o ESG, a diversidade, a equidade e a inclusão.”

O idealizador e presidente do grupo é João Carlos Camargo, um dos sócios da 89 Investimentos, uma gestora de recursos independente com atuação nas áreas de logística, incorporação e comunicação. É sócio das rádios Alpha FM, Band News FM, Nativa e 89 FM.

Outra figura importante no grupo é Eduardo Vieira, co-fundador e sócio do Esfera Brasil. Ele, também, é sócio líder de marketing e comunicações do Soft Bank para a América Latina.

Quem é o Derrubando Muros

Quem também pretende se encontrar com os presidenciáveis é o grupo Derrubando Muros, que reúne 102 pessoas, entre ativistas, cientistas, comunicadores, acadêmicos, empresários e políticos, e vem há meses discutindo soluções para o futuro do Brasil.

Segundo o “Estadão”, Lula, Simone Tebet e Ciro Gomes (PDT) já deram sinais de que pretendem participar das reuniões. A intenção é de que elas ocorram ainda em agosto. Ao jornal paulista, o coordenador do Derrubando Muros, Yacoff Sarkovas, disse que “serão convidados apenas candidatos do campo democrático” e que Bolsonaro “não habita este território”.

ELEIÇÕES 2022

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“Queremos demonstrar que o Brasil tem jeito e que a sociedade civil há muito assumiu o protagonismo na elaboração dos melhores diagnósticos setoriais e proposições de políticas públicas para nossos problemas crônicos”, diz Sarkovas, em nota.

O grupo avalia que há uma degradação das condições gerais do país e que o país vem remando de lado, com uma economia tradicional, pouco resiliente, basicamente produtora de commodities e serviços com pouquíssimo impacto na economia mundial.

O Derrubando Muros reúne especialistas como Ana Toni, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade; Fersen Lambranho, presidente do conselho da GP Investimentos; Horácio Lafer Piva, empresário ligado à Klabin; Joana Monteiro, coordenadora do Centro de Ciência Aplicada à Segurança da FGV; Pedro Hallal, epidemiologista e ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel); Ricardo Henriques, economista especializado em educação, desigualdade e distribuição de renda; e Samuel Pessôa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV).

Metodologia da pesquisa citada
O levantamento do PoderData, que contratou a própria pesquisa, ouviu 3,5 mil eleitores em 322 municípios das 27 unidades da federação entre os dias 31 de julho e 2 de agosto de 2022. As entrevistas foram feitas por telefone, para fixos e celulares. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. Foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08398/2022.


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A SITUAÇÃO NO TSE ESTÁ RUÇA

 

Por
Alexandre Borges – Gazeta do Povo


Urnas eletrônicas| Foto: TRE-PR

No panteão de mitos nacionais com membros ilustres como o saci-pererê, o curupira, a mula sem cabeça e o boitatá, uma nova integrantes chega com pompa e circunstância: a “urna eletrônica não auditável, fraudável e com resultado pré-programado pelo STF”. Ela não existe, mas quem se importa? Quem perde eleição, claro, mas não sejamos indelicados com maus perdedores.

Era quase meio-dia ontem (4), quando o auditório do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), principal instituição brasileira para organização e gestão das eleições, recebeu um grupo heterogêneo de pouco mais de vinte pessoas, na maioria jovens engajados e hypados, produtores de conteúdo digital escolhidos pelo movimento Redes Cordiais, que fez a gentileza de também me convidar para o evento.

Antes do início da programação do dia, que incluía palestras, um tour pelas dependências do TSE e uma aula técnica sobre o funcionamento das urnas eletrônicas, todos foram convidados a se apresentar. A cada um que resumia sua história, um TED Talk de fazer Malala Yousafzai parecer uma patricinha de shopping. Na minha vez, tive que confessar ser apenas um representante da odiada “grande mídia”, aquela chamada de esquerda pela direita e vice-versa. Agradeço os breves e gentis aplausos naquele momento de anticlímax. Sigamos.

Como resistir ao charme de uma mentira que inclui urnas hackeadas, invasores anônimos financiados por elites malignas e pervertidas, salas secretas de apuração de votos e resultados manipulados?

Por volta das duas da tarde, a umidade relativa do ar em Brasília estava em 35%, abaixo do mínimo recomendável pela OMS e pelo bom senso para um organismo humano normal sobreviver. Quanto mais seco o ar, mais chances de dor de cabeça, problemas alérgicos, olhos irritados, asma, infecções e, claro, desidratação. Alguém vai dizer que foi um plano arquitetado para alterar nosso juízo.

Neste clima ameno, fomos convidados para um agradável almoço no terraço do edifício, onde serviram um honesto strogonoff de carne, aquele prato de aceitação universal que acaba com a margem de erro dos anfitriões. Neste momento, reconheço que perdi uma grande oportunidade. Voltarei ao assunto.

As palestras, apresentações e visitações apenas confirmaram o que qualquer bípede já sabe: as urnas eletrônicas brasileiras são tão seguras quanto possível, mais do que o sistema informatizado do banco que você deposita seu dinheiro, uma informação real, verdadeira, mas enfadonha. Quem se emociona com algo que funciona?

Como resistir ao charme de uma mentira que inclui urnas hackeadas, invasores anônimos financiados por elites malignas e pervertidas, salas secretas de apuração de votos e resultados manipulados para subtrair o direito do povo escolher seu representante legítimo? Se non è vero, è ben trovato!

O espírito do tempo no Brasil está propício a teorias que incluem até cidades perdidas na Amazônia, terra plana e vermífugos que curam Covid-19. Por que não urnas que fazem parte de uma trama digna de um filme B de espionagem internacional? É neste momento que entra o strogonoff.


Mente vazia, oficina de político
A vez do generalíssimo
O que já sabemos sobre 2026
A iguaria é identificada com a Rússia, mas provavelmente foi inventada pelo chef francês Charles Briere no início do séc. XIX. Ele estaria a serviço da tradicional família Stroganov em São Petersburgo e o prato seria um amálgama de elementos clássicos das culinárias francesa e russa. Nunca saberemos se a história é verdadeira mas, de novo, quem se importa? O strogonoff é russo e não se discute. Já o estado da nossa democracia, ruça com cê cedilha, como diria o “ativista” Ivan Papo Reto.

Seria o prato principal servido ontem, na sede do TSE, uma prova de influência russa nas eleições brasileiras? O cozinheiro estaria lá para servir agentes infiltrados da antiga KGB, o temido serviço secreto já chefiado por ninguém menos que Vladmir Putin? Quantos likes e compartilhamentos um vídeo contando esta cascata não ganharia nas redes sociais? Seria o autor do vídeo convidado para um cargo de comentarista numa mídia governista, com um gordo salário vindo sabe-se lá de onde?

Seria o prato principal servido ontem, na sede do TSE, uma prova de influência russa nas eleições brasileiras? O cozinheiro estaria lá para servir agentes infiltrados da antiga KGB?

A teoria conspiratória, por mais ridícula que seja, sequer precisa ser afirmada pelo autor. Basta que ele se mostre cético, desconfiado da realidade aparente, que coce a cabeça, olhe sério para o expectador e pergunte: “você não acha tudo isso muito estranho?”. Se ele for mais ousado, pode se autoproclamar “pesquisador”, uma palavra esvaziada de significado atualmente, e lançar cursos e livros sobre os russos infiltrados na nossa eleição a partir do strogonoff.

Não tenho nada contra o prato, que minha saudosa avó, mineira e cozinheira talentosíssima, fazia como ninguém, Muito menos o strogonoff servido ontem, do qual me refastelei sem cerimônia. Os influenciadores que me acompanharam na refeição optaram por falar a verdade sobre as urnas em seus perfis, o que é a opção moral a se tomar, mas às custas de algum faturamento extra.

Como dizia Viktor Frankl, só há dois tipos de pessoas: as decentes e as indecentes. E é em momentos como esse que as diferenças ficam mais evidentes. O Brasil nunca precisou tanto de gente decente produzindo conteúdo, falta achar o modelo de negócios. Ou reencontrar a alma nacional.


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POLÍTICOS COM PROCESSOS PODEM SE ELEGER E TER O FORO PRIVILEGIADO

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  • Samuel Hanan *
Crédito: REUTERS/Ricardo Moraes

O eleitor brasileiro talvez nem saiba, mas nas eleições de outubro poderá eleger um candidato com vida pregressa incompatível com a moralidade que se exige de um homem público. Isso porque a lei brasileira permite a candidatura de políticos que respondem a processo na Justiça. E não são poucos nessa situação. Um levantamento realizado pelo Congresso em Foco mostrou que, em 2020, dos 513 deputados federais, pelo menos 106 eram alvo de investigação judicial. A pesquisa se baseou em inquérito e ações penais e eleitorais em tramitação, na época, no Supremo Tribunal Federal e nos tribunais eleitorais e de Justiça estaduais.

Não é exagero afirmar que muitos dos políticos respondendo a processo ou sob investigação se empenham em conquistar um novo mandato justamente para manter ou garantir o foro privilegiado, apostando inclusive na prescrição para se manter impunes.

Fazem isso abrigados pela legislação vigente, aproveitando-se de uma excrecência que o Brasil precisa abolir com urgência se deseja alcançar outro nível de civilidade democrática. Pode-se admitir como tolerável que o homem público, réu na Justiça, possa continuar no exercício do cargo até o trânsito em julgado de eventual sentença condenatória. Entretanto, não é possível dizer que isso é desejável, face aos valores éticos e morais universalmente consagrados, especialmente porque estamos falando de pessoas que detêm a chave do cofre do dinheiro público. Mais difícil ainda é aceitar que a esses políticos seja dada a oportunidade de buscar um novo mandato.

A história política brasileira tem exemplos de sobra de que a pena de cassação temporária dos direitos políticos, prevista para casos de improbidade administrativa, não se mostra suficiente para a moralização do sistema. Novas candidaturas de políticos condenados em primeira instância são eticamente lamentáveis e, portanto, absolutamente condenáveis. Soam como verdadeiro deboche à Justiça, ao cidadão, ao voto e à democracia.

Essa esdrúxula situação reclama alterações legislativas que o Brasil ainda não teve coragem de realizar. A principal delas seria impedir o registro da candidatura daqueles que são réus em processos judiciais em razão de atos de improbidade administrativa, peculato, corrupção passiva ou ativa e participação em organização criminosa, ainda que não se tenha sentença definitiva.

Tal restrição – obviamente baseada em lei – daria maior segurança jurídica ao sistema eleitoral e evitaria prejuízos como a possibilidade de o eleito perder o cargo no meio do mandato, em razão da questão judicial em andamento, então finalmente julgada, provocando a posse do vice ou suplente, em conturbado processo.

Não há dúvidas quanto à necessidade de medida desse gênero. Como já argumentou em voto no Supremo Tribunal Federal o ex-ministro Carlos Ayres Britto, há que se fazer a distinção entre direitos políticos e direitos individuais. Destacou com propriedade o ex-ministro que direitos políticos estão vinculados a valores e não a pessoas. E a nossa Constituição protege os princípios (valores) da probidade administrativa, da moralidade e da impessoalidade, imprescindíveis para o exercício do mandato. A proibição de candidatura de réus, portanto, não ofenderia a presunção de inocência não podendo esta ser aplicada na matéria eleitoral, bem como o trânsito em julgado não deve ser exigência para rejeição da candidatura.

Da mesma forma, não é desarrazoado supor-se que, se não houvesse o foro privilegiado no Brasil, muitos políticos-réus estariam condenados, com penas fixadas, e presos. Uma realidade absolutamente distinta da atual, propiciada pelo instituto do foro privilegiado que no Brasil protege cerca de 55.000 ocupantes de cargos públicos, dimensão sem paridade em todo o mundo. Temos, então, uma verdadeira fábrica de impunidade.

O mais razoável seria reduzir drasticamente esse privilégio, limitando-o, talvez, apenas aos chefes de Poder e sem alcançar eventual prática de crimes comuns. Em sua forma atual, o foro privilegiado é um escudo de impunidade garantida pelo mandato, em inegável distorção do sistema democrático. Um benefício pessoal às custas do voto popular perseguido por quem afronta a lei e aposta na morosidade do sistema judicial brasileiro, buscando a prescrição para escapar da pena de prisão e ainda brandir o resultado como atestado de idoneidade.

A manutenção do sistema atual é não apenas um péssimo exemplo às futuras gerações; é também um desestímulo à formação de novas lideranças políticas, de cidadãos bem intencionados e sem os velhos vícios da atividade político-partidária na qual os fins justificam os meios.

Em nome da transparência, outro princípio garantido na Constituição, seria salutar a fixação da exigência para que os candidatos a cargos públicos apresentassem ao público documentos oficiais detalhando ações judiciais em que são réus. Da mesma forma, contribuiria muito se os próprios tribunais disponibilizassem informações sobre as ações em curso envolvendo candidatos, com acesso ao público e à imprensa, sem qualquer espécie de sigilo, durante as campanhas eleitorais, principalmente.

Como o cidadão contribui para engordar os recursos do Fundo Eleitoral, do Fundo Partidário e da Propaganda Eleitoral de Rádio e Televisão – gratuita apenas no nome -, é seu direito ter acesso à completa informação sobre todos os que se lançam candidatos, a fim de que possa decidir seu voto de maneira segura e de acordo com suas convicções.

A lei precisa, sempre, garantir os direitos dos cidadãos. A democracia não pode, jamais, ter medo da verdade.

* Sobre o autor: Engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças e empresário. E-mail: samucahanan@gmail.com

 

AS FAMÍLIAS POBRES DEVEM TER AS MESMAS OPÇÕES DOS RICOS NA ESCOLHA DA ESCOLA

 

Estudo indica que é o momento de se tentar um caminho diferente e utilizar mais fortemente o setor privado para melhorar o sistema de ensino no Brasil

Comunicação Millenium

A implantação de vouchers escolares para famílias de baixa renda e cobrança de mensalidades dos alunos mais ricos das universidades públicas pode fazer com que o governo federal atenda até 33% mais alunos da educação básica com o mesmo investimento atual. Hoje, mais de 6% do PIB é destinado para educação. Esse percentual é maior que em muitos países desenvolvidos, mas até o momento não é possível ver avanços significativos em qualidade.

É o que revela o estudo produzido pelos pesquisadores Marcos Ricardo dos SantosAnamaria Camargo e Leonardo Regazzini, para o Instituto Millenium, que foi publicado hoje (06). Os autores analisaram pesquisas e dados oficiais do Brasil e de outros países para defender um sistema proposto há mais de 60 anos e já adotado lá fora. No documento, que faz parte da série Millenium Papers, os autores indicam que é o momento de se tentar um caminho diferente e utilizar mais fortemente o setor privado para melhorar a qualidade de ensino no país.

Há décadas, o Brasil segue uma mesma estratégia: investir na educação pública. O país conseguiu, com a ampliação da oferta estatal, passar de atender 21% da população em idade escolar, em 1940, para 94,5% no ano 2000, índice próximo à universalização. Entretanto, os indicadores de qualidade do ensino permanecem quase inalterados, considerando os resultados dos estudantes brasileiros em exames internacionais padronizados. 

Uma das soluções para se obter resultados diferentes é reforçar o papel da iniciativa privada na educação, com o uso de vouchers educacionais. Em vez de o governo ofertar diretamente vagas em escolas públicas, passaria oferecer vales, entregues a famílias mais pobres, que seriam usados como pagamento em instituições privadas de ensino. Assim, famílias mais pobres, que, por falta de condições financeiras, são obrigadas a aceitar um modelo único de escola que o estado lhes oferece, passariam a ter um leque maior de escolha. Com o apoio financeiro, poderiam optar entre diversas escolas privadas que, em regra, costumam obter resultados melhores.  Em suma, a mesma liberdade de escolha que os mais ricos hoje têm sobre a educação de seus filhos estaria disponível também para famílias mais pobres.

Um outro caminho para a implantação de um programa como esse no Brasil, sem aumentar o já comprometido orçamento público, seria a utilização de recursos obtidos por meio da cobrança parcial de mensalidade nas instituições públicas de ensino superior, a fim de compor um fundo de financiamento para a educação básica. Hoje as vagas em cursos universitários públicos são custeadas por impostos pagos por toda a sociedade, mas ocupadas majoritariamente por estudantes de maior renda. Com isso, há uma transferência indireta de recursos dos mais pobres, que pagam a conta, para os mais ricos, que aproveitam o curso superior “gratuito”. Essa lógica pode ser invertida com a cobrança de mensalidade nas universidades, com descontos parciais para alunos das classes intermediárias e integrais para alunos de menor renda.

O pesquisadores demonstram que o custo anual por aluno na educação básica no Brasil era de R$ 7.230, em valores de 2018 (dados do INEP) ou R$ 602,50 por mês, que pode servir de referência para a criação de um sistema de voucher de até R$ 600,00 mensais, de valor escalonado de acordo com a renda familiar. O escalonamento teria como referência as 5 faixas de renda da PNAD/IBGE, na qual o primeiro quintil é a mais pobre. 

Como exemplo, o estudo propõe separar como público-alvo hipotético um contingente de um milhão de alunos matriculados na rede pública. O montante despendido pelo poder público para custear a educação deste grupo representaria um total de R$ 600 milhões mensais, em valores de 2018.

 Se fossem oferecidos vouchers integrais no valor de R$ 600 para 39,5% desse grupo de alunos, que representam o percentual de alunos do 1º quintil de renda no ensino fundamental, a despesa para esta faixa de renda somaria R$ 237 milhões. Para os 27,9% dos alunos que pertencem ao 2º quartil de renda, o voucher unitário seria de R$ 450, o que representaria um total de R$ 125,55 milhões para a faixa. Para o 3º quintil, 16,9% dos alunos receberiam um voucher de 50%, ou seja, R$ 300, perfazendo um total de 50,7 milhões para essa faixa. Os alunos do 4º quintil receberiam uma ajuda menor: R$ 150 mensais, apenas como complemento, chegando a um total de R$ 16,95 milhões mensais. Já os alunos do 5º quintil de renda (4,3% do total) não seriam elegíveis para o programa. 

Com esse modelo, seria possível atender 956 mil alunos a um custo mensal de R$ 430,2 milhões, ou seja, o valor por aluno seria de R$ 450. Se fosse utilizado integralmente o total de R$ 600 milhões separados inicialmente – que correspondem a um milhão de alunos na rede pública –, seria possível atender a 1,333 milhão de alunos, ou seja, 33,3% a mais do que o grupo original na rede pública.

A mudança proposta neste estudo aponta que diversos países que se tornaram referência mundial em educação, tais como Finlândia, Estônia ou Holanda, não financiam o sistema educacional em si, mas sim os estudantes. A Holanda, por exemplo, usa um sistema de vouchers para 70% dos estudantes no ensino fundamental e para quase a totalidade dos estudantes do ensino médio.

Por fim, os autores observam que há um longo percurso a ser percorrido apesar do desenho técnico da política não ser difícil. O maior desafio é o convencimento político: seria preciso desviar das pressões corporativas dos sindicatos e se desapegar das velhas fórmulas, que vêm se mostrando pouco eficientes há tempo, mas continuam dominando as mentes de quem pensa a educação no país.

MUDANÇAS TECNOLÓGICAS NO COMÉRCIO ELETRÔNICO

 

Sabrina Bezerra  – StartSe

Centro logístico de empresa de comércio eletrônico. 21/6/2021. REUTERS/Evgenia Novozhenina

Comércio eletrônico faturou R$ 73,5 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Saiba quais são as novidades que estão movimentando o setor!

Há alguns anos o e-commerce ainda não era tão badalado como hoje. As marcas que mais acreditavam no modelo de mercado estavam distantes do lucro.

O cenário mudou com a aceleração digital impulsionada pela pandemia de coronavírus. Foram recordes de faturamento no comércio eletrônico nos últimos dois anos.

Para você ter uma noção, no primeiro semestre de 2022, o e-commerce faturou R$ 73,5 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico. Um salto de 5% em comparação com o mesmo período do ano passado.

E como todo mercado, tem trazido mudanças tecnológicas e, ao mesmo tempo, humanizado. Confira:

METAVERSO COMMERCE

Uma das movimentações apresentadas no Fórum E-Commerce Brasil 2022 quase em unanimidade foi o metaverso. Não à toa. Afinal, é uma das apostas da Nova Economia e deve movimentar US$ 800 bi até 2024.

Para você ter uma ideia, a L’Oreal, multinacional francesa de cosméticos, já está no metaverso The Sandbox. “E muito provavelmente, em breve, vamos vender produtos no metaverso, que é onde a nova gestação está”, diz Marcelo Zimet, CEO da L´Óreal durante o Fórum E-Commerce Brasil 2022.

Você deve estar se perguntando, mas por que o metaverso ajudaria a vender mais? A resposta é: “ao invés de criar um cupom de desconto, você mantém as pessoas interagindo com o produto em um jogo, por exemplo, através do game funil”, diz Daniel Bottas, Ex-Creative Director da Meta e Partner and CCO da 20DASH.

Confira outras empresas que apostam no metaverso

MODA DIGITAL

Se o metaverso começa a fazer barulho no comércio eletrônico, a moda digital também. “O mercado fashion é o que mais avança no metaverso”, afirma Bottas. “Hoje, as pessoas compram roupas apenas para postar nas redes sociais; logo, em um mundo em que se discute a poluição da moda, a moda digital, sem dúvida vai evoluir ainda mais nos próximos anos”, completa. A Gucci é um exemplo de marca que ingressou na moda digital.

AVATAR

Avatares estão presentes no e-commerce tanto para humanizar a marca e criar uma conexão com os consumidores como para ser uma nova fonte de receita para a empresa. Por exemplo, o personagem da sua marca pode ser pago para fazer publicidades de produtos.

Alguns exemplos de sucesso são: a Lu, do Magazine Luiza, que se tornou a maior influenciadora digital do mundo; o CB, influenciador virtual da Casas Bahia, entre outros.

“A Lu se tornou uma fonte de receita para o Magalu”, diz Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza. “Acreditamos em trazer tecnologia para a companhia, mas sem perder o calor humano”, completa.

SOCIAL COMMERCE

O uso das redes sociais para vender mais está movimentando o mercado de comércio eletrônico. A estratégia, no entanto, não é focar em imagens ou vídeos dos produtos, mas sim gerar uma conexão emocional com a audiência.

No TikTok, por exemplo, 75% dos usuários preferem conteúdos de marca ou produto feitos por um criador de conteúdo. Isso porque as pessoas não querem mais anúncios tradicionais. “Elas querem interagir com o conteúdo de quem, de certa forma, conhecem e confiam — e os criadores de têm um papel fundamental nisso”, diz Danielle Crahim, Industry Lead Performance no TikTok.

LIVE COMMERCE

As vendas feitas por meio de transmissões ao vivo feitas pela internet, muito comum na China (e responsável por movimentar bilhões de dólares nos últimos anos) começam a ganhar força no Brasil. O Mercado Livre é uma das empresas que apostam.

O motivo do sucesso do live commerce, segundo Marcelo Zimet, CEO da L´Óreal, é porque mexe com a emoção da pessoa que está assistindo. “O link é gerado enquanto existe a interação entre quem está apresentando e quem está assistindo”, conta.

Essas são algumas inovações que estão acontecendo agora, mas quais serão as próximas tendências que vão impulsionar o crescimento do varejo em 2023? Anualmente, diversos players se encontram no maior evento de varejo do mundo: Retail’s Big Show da NRF.

É lá onde ocorrem intensas trocas de experiências e apresentações das próximas inovações que vão mudar o jogo do que é o varejo hoje.

Toda pessoa empreendedora, empresária e liderança que atua nesse setor e quer eliminar o risco de ser deixado para trás precisa estar nesse evento.

Ele irá acontecer em Nova York nos dias 15, 16 e 17 de janeiro de 2023. Os detalhes do evento e a melhor forma de viver uma experiência única imersiva com várias provocações e insights inovadores você encontra neste link.

Preferências de Publicidade e Propaganda

Moysés Peruhype Carlech – Fábio Maciel – Mercado Pago

Você empresário, quando pensa e necessita de fazer algum anúncio para divulgar a sua empresa, um produto ou fazer uma promoção, qual ou quais veículos de propaganda você tem preferência?

Na minha região do Vale do Aço, percebo que a grande preferência das empresas para as suas propagandas é preferencialmente o rádio e outros meios como outdoors, jornais e revistas de pouca procura.

Vantagens da Propaganda no Rádio Offline

Em tempos de internet é normal se perguntar se propaganda em rádio funciona, mas por mais curioso que isso possa parecer para você, essa ainda é uma ferramenta de publicidade eficaz para alguns públicos.

É claro que não se escuta rádio como há alguns anos atrás, mas ainda existe sim um grande público fiel a esse setor. Se o seu serviço ou produto tiver como alvo essas pessoas, fazer uma propaganda em rádio funciona bem demais!

De nada adianta fazer um comercial e esperar que no dia seguinte suas vendas tripliquem. Você precisa ter um objetivo bem definido e entender que este é um processo de médio e longo prazo. Ou seja, você precisará entrar na mente das pessoas de forma positiva para, depois sim, concretizar suas vendas.

Desvantagens da Propaganda no Rádio Offline

Ao contrário da televisão, não há elementos visuais no rádio, o que costuma ser considerado uma das maiores desvantagens da propaganda no rádio. Frequentemente, os rádios também são usados ​​como ruído de fundo, e os ouvintes nem sempre prestam atenção aos anúncios. Eles também podem mudar de estação quando houver anúncios. Além disso, o ouvinte geralmente não consegue voltar a um anúncio de rádio e ouvi-lo quando quiser. Certos intervalos de tempo também são mais eficazes ao usar publicidade de rádio, mas normalmente há um número limitado,

A propaganda na rádio pode variar muito de rádio para rádio e cidade para cidade. Na minha cidade de Ipatinga por exemplo uma campanha de marketing que dure o mês todo pode custar em média 3-4 mil reais por mês.

Vantagens da Propaganda Online

Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia digital.

Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda mais barato.

Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança, voltando para o original quando for conveniente.

Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e de comentários que a ela recebeu.

A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.

Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a empresa.

Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.

Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não estão.

Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.

A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.

Vantagens do Marketplace Valeon

Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.

Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes.

Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

MORRE JÔ SOARES O MAIOR COMEDIANTE E APRESENTADOR BRASILEIRO

 

Aos 84 anos
Por
Gazeta do Povo


Jô Soares tinha 84 anos| Foto: Reprodução / Instagram

O humorista Jô Soares, que também era escritor, apresentador, diretor e ator, morreu em São Paulo, na madrugada desta sexta-feira (5). Ele estava internado no Hospital Sírio Libanês desde 25 de julho para tratar uma pneumonia. A causa da morte não foi confirmada. Jô Soares tinha 84 anos.

A informação sobre o falecimento foi postada por Flávia Pedras Soares, ex-mulher do humorista, por meio das redes sociais. Segundo ela, o funeral será reservado para familiares e amigos próximos. No Instagram, ela escreveu a seguinte mensagem:

“Faleceu há alguns minutos o ator, humorista, diretor e escritor Jô Soares. Nos deixou no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, cercado de amor e cuidados. O funeral será apenas para família e amigos próximos.

Assim, aqueles que através dos seus mais de 60 anos de carreira tenham se divertido com seus personagens, repetido seus bordões, sorrido com a inteligência afiada desse vocacionado comediante, celebrem, façam um brinde à sua vida.

A vida de um cara apaixonado pelo país aonde nasceu e escolheu viver, para tentar transformar, através do riso, num lugar melhor.

Viva você meu Bitiko, Bolota, Miudeza, Bichinho, Porcaria, Gorducho. Você é orgulho pra todo mundo que compartilhou de alguma forma a vida com você. Agradeço aos senhores Tempo e Espaço, por terem me dado a sorte de deixar nossas vidas se cruzarem. Obrigada pelas risadas de dar asma, por nossas casas do meu jeito, pelas viagens aos lugares mais chiques e mais mequetrefes, pela quantidade de filmes, que você achava uma sorte eu não lembrar pra ver de novo, e pela quantidade indecente de sorvete que a gente tomou assistindo.

Obrigada para sempre, pelas alegrias e também pelos sofrimentos que nos causamos. Até esses nos fizeram mais e melhores. Amor eterno, sua, Bitika”, disse a ex-mulher de Jô Soares.

José Eugênio Soares, o Jô Soares, nasceu em 16 de janeiro de 1938, no Rio de Janeiro. Trabalhou em várias emissoras, tais como Continental, TV Rio, Tupi, Excelsior, Record, SBT e na Globo. Fez sucesso em programas humorísticos como o “Viva o Gordo”, transmitido pela Globo nos anos 80. Posteriormente, passou a ser apresentador de programas de entrevistas, os talk-shows. De 1988 a 1999, estrelou o “Jô Soares Onze e Meia”, no SBT. Depois voltou à Globo e comandou o “Programa do Jô” entre 2000 e 2016.


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LUCROS E DIVIDENDOS DAS ESTATAIS BENEFICIAM O GOVERNO

 

Contas públicas

Por
Célio Yano – Gazeta do Povo


Lucros recordes da Petrobras, criticados por Bolsonaro, podem fazer o governo federal voltar ao azul após oito anos.| Foto: Flávio Emanuel/Agência Petrobras


Os lucros recordes da Petrobras, que o presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou a chamar de “estupro” em um momento de alta nos preços dos combustíveis, podem agora ajudar o governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) a registrar o primeiro superávit primário após oito anos no vermelho.

No mais recente relatório de receitas e despesas do Tesouro Nacional, divulgado no fim de julho, a projeção do resultado primário já havia passado de déficit de R$ 65,5 bilhões para de R$ 59,35 bilhões. Ainda sem os números do segundo trimestre da Petrobras, a equipe econômica já falava na expectativa, ainda que pequena, de fechar o ano no azul.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, dizia ser possível zerar o déficit da União ainda em 2019, no primeiro ano de governo, mas o objetivo só ficou mais próximo agora, graças à forte alta dos lucros das estatais e outras receitas extraordinárias.

No fim de julho, a petroleira anunciou um lucro de R$ 54,3 bilhões para o período de abril a junho e a distribuição de um valor recorde de R$ 87,8 bilhões em dividendos a serem pagos em agosto e setembro. Desse montante, a União, como acionista majoritária, receberá diretamente R$ 25,2 bilhões.


Por que a Petrobras dá tanto lucro e o que é feito com o dinheiro
Com os R$ 45,2 bilhões que o Tesouro já tinha de receitas com dividendos de estatais este ano, o governo federal acumula, agora, R$ 70,4 bilhões de repasses de estatais em 2022.

O valor já ultrapassa em 28,4% uma projeção feita pela equipe econômica antes da divulgação do resultado da Petrobras. Os cálculos apontavam R$ 54,8 bilhões em receitas extras com dividendos e participações até o fim do ano – estimativa que já havia sido revista para cima após pagamentos complementares de R$ 18,9 bilhões do BNDES referentes a lucros apurados em 2020 e 2021.


Dividendos: por que o governo está pedindo mais dinheiro às estatais
Até dezembro, entrarão ainda dividendos da Petrobras correspondentes ao resultado do terceiro trimestre. Além disso, o governo pode receber repasses do BNDES e da Caixa que originalmente seriam pagos apenas em 2023, mas que as empresas avaliam antecipar após pedido do Ministério da Economia.

O próprio BNDES é também acionista da Petrobras e, por isso, receberá R$ 6,97 bilhões em dividendos referentes ao resultado do segundo trimestre da petroleira.

Com tudo isso, o total repassado de lucros de estatais para o governo federal este ano deve superar os R$ 100 bilhões, com aumento de mais de 130% em relação a 2021, quando a União obteve R$ 43 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).


Estatais faturam R$ 1 trilhão e têm maior lucro em 13 anos; governo ficou com R$ 43 bilhões

Além disso, entre outras receitas extraordinárias, houve aumento substancial na rubrica “concessões e permissões”, de R$ 26,87 bilhões, devido, principalmente, à arrecadação de receitas de novos contratos de geração de energia elétrica advindos da desestatização da Eletrobras.

Receita extra supera gasto com desoneração de combustíveis e PEC dos Benefícios
Após a realização dos números, as receitas extraordinárias devem cobrir, com uma folga de mais de R$ 42 bilhões, o rombo aberto pela Emenda Constitucional 123/2022, que criou e ampliou benefícios sociais até o fim do ano, e pela Lei Complementar 194/2022, que zerou temporariamente as alíquotas de PIS, Cofins e Cide de gasolina e etanol.

A Emenda Constitucional 123, que turbinou até dezembro o Auxílio Brasil e o vale-gás, além de lançar vouchers para caminhoneiros e taxistas, gerou uma despesa adicional de R$ 41,25 bilhões para a União neste exercício. E a retirada de impostos federais sobre combustíveis terá impacto de R$ 16,5 bilhões. Com isso, chega a R$ 57,75 bilhões o total de despesas não previstas no Orçamento.


Quais indicadores e fatos econômicos podem ajudar na reeleição de Bolsonaro
Finalmente, um acordo assinado entre a União e a prefeitura de São Paulo relacionado ao acordo de cessão do Aeroporto do Campo de Marte deve impactar o saldo do governo central positivamente em mais R$ 24 bilhões. A operação envolveu um encontro de contas, com o encerramento de uma dívida do município com a União em troca do valor da indenização devida pelo governo federal pelo uso da área.

Assim, as novas receitas não previstas podem superar com alguma margem as despesas projetadas até aqui, tornando mais tangível a possibilidade do primeiro superávit primário do governo central desde 2013. No ano passado, houve superávit do setor público consolidado, quando se consideram os balanços de Estados, municípios e empresas estatais. O governo federal, no entanto, teve déficit de R$ 35,1 bilhões.


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LUTA CONTRA O IMPERIALISMO DE TODAS AS IDEOLOGIAS

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


A presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, falando com a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, durante uma coletiva de imprensa no Palácio Presidencial em Taipei, Taiwan, 3 de agosto de 2022.| Foto: EFE/EPA

A visita da presidente da Câmara dos Representantes norte-americana, Nancy Pelosi, a Taiwan, como parte de seu roteiro pela Ásia, dividiu opiniões dentro e fora dos Estados Unidos. Curiosamente, ela foi elogiada pelos adversários republicanos por demonstrar a solidariedade norte-americana à ilha asiática; já os correligionários democratas criticaram Pelosi por irritar o governo comunista de Pequim, que prometeu retaliações – e as críticas vieram apesar de a visita ter oferecido aos democratas um factoide que permite desviar a atenção do estado lastimável da economia norte-americana, vítima de uma estagflação que deve levar o eleitor a colocar os republicanos à frente das duas casas do Congresso nas eleições de novembro. No entanto, há muito mais na visita que meras considerações eleitorais.

Os tempos atuais, infelizmente, têm sido marcados pelo aumento da crença das superpotências em soluções de força. A própria China, em desrespeito claro ao acordo de devolução de Hong Kong, já aboliu o modelo de “um país, dois sistemas” que deveria vigorar até 2047, esmagando liberdades e impondo sobre o antigo enclave britânico a mesma ditadura à que submete todos os demais cidadãos. A repressão promovida por Pequim foi recebida com protestos da comunidade internacional, mas nada mais que isso. A Rússia, incapaz de aceitar que os ucranianos decidissem seu próprio destino e optassem por uma aproximação com o ocidente em vez de ficar na órbita de Moscou, invadiu a nação vizinha e vem conduzindo uma campanha militar brutal e desgastante, contando com o cansaço de norte-americanos e europeus, dependentes do gás russo.

Este é o momento de a comunidade internacional enviar uma mensagem inequívoca de que não tolerará aventuras imperialistas como a que está ocorrendo na Ucrânia e que poderia vir a ocorrer em Taiwan

A posição de Taiwan é muito mais frágil que a da Ucrânia, uma nação estabelecida, membro de pleno direito da comunidade internacional. Apenas pouco mais de uma dúzia de países reconhecem a República da China, nome oficial de Taiwan – o maior deles é o Paraguai. A maior parte do ocidente (incluindo os Estados Unidos) mantém relações informais com a ilha, enquanto reconhece formalmente a China comunista. A postura norte-americana ficou conhecida como “ambiguidade estratégica”: os EUA defendem o princípio de “Uma China”, mas não são claros sobre o que isso significa, e a expressão tem sentidos diferentes dependendo de quem a usa – para os comunistas chineses, por exemplo, ela descreve um único país sob o governo do Partido Comunista, e que inclui a “província rebelde” de Taiwan, que mais cedo ou mais tarde será submetida a Pequim, por bem ou por mal.

Críticos da visita de Pelosi, mesmo aqueles solidários a Taiwan, argumentaram que o momento escolhido não foi dos melhores, pois em breve o Partido Comunista Chinês realizará seu congresso, no qual Xi Jinping buscará um novo mandato, e o líder não pode demonstrar fraqueza em um tema tão crucial quanto o status de Taiwan às vésperas do momento de sua consagração como o governante comunista chinês mais forte depois de Mao Tse-tung e Deng Xiaoping. No entanto, nada indica que a posição de Xi esteja ameaçada caso ele não responda agressivamente à visita. E, a bem da verdade, se a questão é não irritar o Partido Comunista, nenhuma hora seria apropriada para se visitar Taiwan.


Mas a hora é totalmente apropriada para toda a comunidade internacional (e não apenas os Estados Unidos) enviar uma mensagem inequívoca de que não tolerará aventuras imperialistas como a que está ocorrendo na Ucrânia e que poderia vir a ocorrer em Taiwan. A China de 2022 não é a mesma dos anos 90 do século passado, quando ocorreu a mais recente Crise do Estreito de Taiwan: ela está mais poderosa e mais agressiva, e faz questão de demonstrá-lo não apenas em Hong Kong, mas também com todos os exercícios militares que faz nas proximidades da ilha, lançando mísseis e frequentemente violando o espaço aéreo e o mar territorial taiwaneses.

Por mais que o uso da via diplomática para dissuadir a China e o envio de ajuda militar a Taiwan para que seja capaz de responder a uma agressão chinesa continuem sendo sumamente necessários, eles não excluem a importância de uma demonstração pública de apoio. Se a visita da presidente de uma das casas do Poder Legislativo norte-americano (e que é adversária de longa data do totalitarismo chinês) a Taiwan é a melhor maneira de fazer tal demonstração, é algo passível de discussão diante de tantos fatores envolvidos. E, ainda que esta visita específica não tenha sido a decisão mais prudente, há de se reconhecer que os Estados Unidos ao menos foram além de palavras de solidariedade e reforçaram a promessa, feita por Joe Biden, de apoiar Taiwan em caso de um ataque comunista.

Até o momento, a resposta da ditadura comunista foi parar de importar peixe e frutas da ilha – sem, no entanto, tocar no importante comércio de chips taiwaneses, fundamentais para as fábricas de eletrônicos chinesas – e realizar novos exercícios militares mais próximos da ilha, mas que até o momento soam mais como nova demonstração de força que como sinal de um ataque iminente. Apenas os próximos dias e semanas mostrarão se o recado norte-americano foi convenientemente entendido por Pequim.


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