Sede do Banco Central, em Brasília.| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Cumprindo o que havia prometido em sua reunião anterior, o Comitê de
Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou mais uma vez a taxa
Selic em meio ponto porcentual, como havia feito em junho. Com isso, a
taxa básica de juros passou para 13,75% ao ano, o maior patamar desde o
fim de 2016, quando o país mal começava a encontrar o caminho de saída
da “herança maldita” lulopetista, que legou ao Brasil a maior recessão
de sua história. Mas há diferenças entre aquele fim de 2016 e este meio
de 2022: naquele ano o PIB recuou mais de 3%, enquanto hoje o país está
crescendo, com previsões revisadas para cima; por outro lado, a inflação
de 2016 já estava recuando, depois da explosão de 2015, enquanto hoje
ela ainda segue acima dos 10% no acumulado de 12 meses, justificando a
nova elevação nos juros.
Em seu comunicado, o Copom afirma ter levado em consideração as
importantes mudanças na tributação de itens como energia elétrica e
combustíveis, que puxaram os preços para baixo de forma abrupta a ponto
de estar prevista uma deflação no mês de julho – o IBGE deve divulgar os
números do IPCA no próximo dia 9. Apesar dessas reduções, o comitê
listou fatores de pressão inflacionária que considera suficientemente
fortes para que o aperto monetário ainda seja necessário: “uma maior
persistência das pressões inflacionárias globais” e “a incerteza sobre o
futuro do arcabouço fiscal do país e estímulos fiscais adicionais que
impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporados nas
expectativas de inflação e nos preços de ativos”. Ou seja, um elemento
sobre o qual o país não tem controle algum, e outro em que as ações dos
poderes Executivo e Legislativo podem tanto ajudar a puxar a inflação
para baixo quanto colocar a perder o que foi conseguido com as reduções
de preços de energia e combustíveis.
O caminho do gasto público indiscriminado já foi testado e se mostrou
desastroso; por sua vez, o caminho das reformas e do ajuste foi
exatamente o que tornou possível ao país ter os juros mais baixos deste
século
Uma observação do comunicado merece atenção: “a possibilidade de que
medidas fiscais de estímulo à demanda se tornem permanentes acentua os
riscos de alta para o cenário inflacionário”, afirma o Copom. Isso
significa que o vencedor da eleição presidencial de outubro precisará
cuidar para não se juntar ao argentino Alberto Fernández, que virou
piada nas mídias sociais ao afirmar que “cada vez que ponemos dinero,
los precios siguen subiendo”, demonstrando surpresa com o que, no fim, é
a essência da inflação. Sem a retomada firme do ajuste fiscal, do
respeito ao teto de gastos e de reformas que reduzam e melhorem o gasto
público, medidas como a manutenção do valor de R$ 600 para o Auxílio
Brasil, por exemplo, mesmo que consideradas importantes do ponto de
vista social, elevarão a pressão inflacionária.
O texto divulgado ao fim da reunião termina informando que “o Comitê
avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua
próxima reunião”, apontando para uma nova elevação, mas de 0,25 ponto,
ou de manutenção dos atuais 13,75% na reunião da segunda quinzena de
setembro. Por enquanto, boa parte dos analistas do mercado financeiro
acredita que o ciclo de aperto chegou ao fim e que a Selic deve se
manter estável até meados de 2023, quando começaria a cair. Mesmo assim,
o comunicado deixa a entender que os tempos de juros básicos de 2% ao
ano estão definitivamente no passado, já que, no cenário de referência
traçado pelo Copom, a Selic terminaria 2023 em 11% e fecharia 2024 em
8%.
Com juros mais elevados, o que deve frear os investimentos e o
crescimento econômico, assumem ainda mais importância as plataformas
econômicas dos candidatos à Presidência da República e como eles
pretendem conter a inflação e dar condições para que a economia possa
crescer. O caminho do gasto público indiscriminado e do incentivo forte
ao consumo e não à poupança, sem a menor preocupação com a saúde fiscal
(ou, pior ainda, com truques orçamentários e contábeis para esconder o
quadro real), já foi testado e se mostrou desastroso; por sua vez, o
caminho das reformas e do ajuste foi exatamente o que tornou possível ao
país ter os juros mais baixos deste século, mas foi abandonado no
pós-pandemia. A escolha é óbvia; resta saber se teremos candidatos e
eleitores suficientemente convencidos disso.
Bolsonaro ao lado da primeira-dama Michelle na convenção do PL
que oficializou a candidatura à reeleição do presidente.| Foto: Natanael
Alves/ PL
As convenções partidárias para escolha dos candidatos
nas eleições foram finalizadas nesta sexta-feira (5) e deixaram sinais
de como será a campanha presidencial deste ano: polarização entre o
presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT), e fragilidade da terceira via. Há, ainda, uma sinalização de
que o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) estarão no centro das discussões eleitorais. Por fim, as
convenções também indicaram quais serão as estratégias e o discurso dos
principais concorrentes nos próximos 60 dias de campanha.
A convenção do PL, que oficializou a candidatura de Bolsonaro à
reeleição, foi realizada no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro,
e contou com a presença de milhares de apoiadores. O partido tinha um
objetivo claro: mostrar em imagens a popularidade de Bolsonaro – algo
que deve ser usado na campanha.
O evento foi marcado por críticas de Bolsonaro a Lula, à esquerda e
ao STF – com direito a convocação de seus apoiadores para irem às ruas
no dia 7 de setembro.
O discurso de Bolsonaro indica que ele vai reeditar, em 2022, o temor
da “ameaça comunista” representada por uma possível volta do PT ao
governo. Durante a convenção, ele disse que sua vida não foi fácil após
ser eleito, mas declarou que o conforta “não ver sentado naquela minha
cadeira um comunista”. Bolsonaro disse também que segue uma rotina de
orações em que reza para que o “povo” nunca “experimente as dores do
comunismo”.
Referências à religião e a defesa do conservadorismo, por sinal,
devem ser outra marca da campanha do presidente. O discurso da
primeira-dama Michelle Bolsonaro na convenção foi marcado por várias
referências religiosas. Michelle deve participar ativamente da campanha
para conquistar o voto de mulheres.
Na convenção, Bolsonaro buscou associar Lula com a agenda
progressista e lembrou dos casos de corrupção nos governos do PT. O
presidente buscou ainda diferenciar sua gestão, afirmando que não houve
desvios ou má conduta em seu governo. “Se aparecer, vamos colaborar nas
investigações”, declarou.
Mesmo com um discurso mais crítico, Bolsonaro aproveitou a convenção
para apresentar as realizações de seu governo e que vão estar na sua
propaganda eleitoral. E fez afagos a aliados do Centrão, uma sinalização
de que ele aposta nos partidos que compõem sua base de sustentação como
cabos eleitorais.
O deputado federal Bibo Nunes (RS), vice-líder do PL na Câmara, diz
que as falas de Bolsonaro dão o tom da campanha, em que as discussões
vão se concentrar nos feitos do seu governo e em Lula. “A convenção
mostrou um presidente empolgado, animando a militância toda com um
discurso propositivo de verdade. É Lula e Bolsonaro; e não tem condições
de ninguém ir contra ou fazer uma terceira via”, analisa.
Quais são os sinais da convenção do PT que oficializou Lula A
convenção que oficializou a candidatura de Lula foi marcada por uma
grande ausência: a do próprio ex-presidente. Mas isso foi proposital: o
PT trabalha nos bastidores para que a eleição seja decidida no primeiro
turno, e isso passa por fechar o maior número de alianças possíveis,
tentando atrair inclusive partidos de outras correntes políticas que
tinham pré-candidatos.
Essa estratégia tende a ser usada no discurso eleitoral como uma
mostra de que Lula é o líder de uma frente ampla que defende a
democracia em contraposição a Bolsonaro.
No mesmo dia da convenção do PT, o ex-presidente estava em
Pernambuco, onde trabalhou para fechar a montagem de seu palanque no
estado. Lula usou o período das convenções em articulações regionais
para aparar arestas restantes e selar acordos estaduais que lhe garantam
mais apoios.
O deputado federal Zé Neto (BA), vice-líder do PT na Câmara, diz que
Lula acertou ao cuidar dos palanques estaduais. Segundo ele, as agendas
estavam “apertadas” e era preciso dar atenção especial a alguns estados.
“A eleição do PT é a eleição de um campo do país, não só de um partido.
E essa aliança que compomos é muito mais consistente do que a de 2002.
Há 20 anos, não tínhamos o risco que temos hoje de manter em xeque a
nossa democracia”, afirma.
A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), logo após
a convenção que oficializou a candidatura de Lula, confirmou que a
ideia do partido era fechar uma coligação ampla. A aposta foi fazer
acenos a potenciais aliados de outras correntes políticas – o que se
encaixa na estratégia de conquistar o maior número de eleitores, não
apenas de esquerda.
Após isso, o PT conseguiu o apoio de André Janones (Avante), que
desistiu de sua candidatura a presidente. E, em meio a uma disputa
judicial pelo comando do Pros, conseguiu o apoio do partido. Nesse
período de convenções, o PT também tentou uma frustrada aliança com o
União Brasil. E uma ala do MDB tentou impedir a candidatura de Simone
Tebet (MDB-MS) para apoiar o PT, mas ela acabou sendo oficializada como
candidata.
A entrevista coletiva de Gleisi para falar sobre a convenção também
deu indicativos de alguns pontos que serão usados na campanha para
criticar Bolsonaro: inflação alta, renda em queda, fome e “discurso de
ódio” devem ser assuntos centrais da campanha de Lula.
E o que as convenções mostram sobre a terceira via? O período das
convenções partidárias também mostrou a fragilidade dos nomes da
terceira via para romper a polarização entre Lula e Bolsonaro.
Dois pré-candidatos desistiram. André Janones (Avante-MG) decidiu
apoiar Lula e Luciano Bivar (União Brasil-PE) abriu mão da disputa ao
Planalto para concorrer à reeleição na Câmara – o partido então lançou a
senadora Soraya Thronicke (MS), que está no meio do mandato de oito
anos e não corre risco de ficar sem uma cadeira no Congresso.
Além disso, grande parte dos nomes da terceira via oficializaram a
candidatura sem ter escolhido um vice. Eles esperaram até onde puderam
para tentar oferecer a vaga a algum partido que os apoiasse.
O ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT) foi um dos que esperou até a
última hora para definir o vice – a confirmação veio só nesta sexta,
com a escolha de Ana Paula Matos, vice-prefeita de Salvador. Na
convenção que oficializou sua candidatura, ele também indicou qual deve
ser o tom de sua campanha: criticou tanto Lula quanto Bolsonaro em seu
discurso.
Pelo menos dois candidatos enfrentaram resistência dentro de seus
próprios partidos. A ala do Pros a favor de uma aliança com o PT, após
reassumir judicialmente o comando da legenda, anunciou apoio a Lula.
Mas, numa reviravolta na Justiça, a presidência do partido mudou de mãos
novamente. E o coach Pablo Marçal foi confirmado como candidato ao
Planalto. Nesta sexta, porém, uma decisão do ministro Ricardo
Lewandowski, do TSE, reconduziu o comando da legenda á ala que apoia
Lula.
A senadora Simone Tebet (MDB-MS) também passou por divergências
dentro de seu próprio partido. Uma ala que queria apoiar Lula chegou a
entrar na Justiça para barrar a convenção. Mas não obteve sucesso, e
Tebet foi oficializada como candidata. Isso evidenciou que a emedebista
não tem o apoio integral de sua sigla, sobretudo dos diretórios do
Nordeste.
Além disso, ela esperou para escolher um companheiro de chapa. A
ideia original era de que fosse Tasso Jereissatti (PSDB-CE). Mas a vice
ficou com a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP). Uma chapa só de mulheres
deve ser um trunfo na campanha para conquistar o eleitorado feminino.
O deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA), primeiro-vice-líder do
partido na Câmara, admite que os discursos e as articulações de
Bolsonaro e Lula com os partidos de centro provocam um isolamento da
terceira via.
Apoiador da candidatura de Tebet, Rocha avalia que o atual cenário
favorece o tensionamento entre Lula e Bolsonaro e, consequentemente,
enfraquece as demais campanhas. “Eles tentam polarizar para eliminar a
terceira via. A turma do Lula acha mais fácil derrotar Bolsonaro e a
turma do Bolsonaro acha que tem discurso mais fácil para derrotar Lula. É
uma polarização que se fortalece cada vez mais”, diz.
Polarização não tem mais volta, dizem cientistas políticos Cientistas
políticos ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam que, com o centro
político pulverizado, como mostraram as convenções, dificilmente
Bolsonaro e Lula terão suas candidaturas ameaçadas.
“Vamos ter muitos candidatos. Alguns até serão bem votados, como Ciro
Gomes e Simone Tebet. Mas não existe terceira via”, diz o sociólogo
Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo ele, a fragmentação das candidaturas de centro favorece,
naturalmente, Bolsonaro e Lula. O cientista político aposta que eles
estarão no segundo turno. “A eleição está polarizada, e as convenções
reforçaram isso.”
O cientista político Ricardo Sennes, fundador e sócio-diretor da
consultoria Prospectiv, avalia que o período das convenções mostrou uma
uma ligeira vantagem a Lula em relação a Bolsonaro. “Vejo um certo
alinhamento na campanha do Lula em direção ao centro, na busca pelo
eleitor indeciso. Na campanha de Bolsonaro, vejo uma divisão entre
radicalizar e ir ao centro, como defendem lideranças do Centrão”,
analisa.
“Esse certo alinhamento da cúpula de Lula e desalinhamento na cúpula
de Bolsonaro pode favorecer Lula”, afirma Sennes. “O Lula parece que
está gastando menos energia para sua base já garantida e está
basicamente concentrando esforços no centro. Ele faz o esforço de
ampliar a aliança mais ao centro.”
A Fiesp é uma das entidades empresariais que estão apresentando
suas propostas aos candidatos à Presidência. Federação também os convida
a assinar manifesto em defesa da democracia.| Foto: Julia Moraes/Fiesp
Às
vésperas das eleições presidenciais, entidades e grupos de empresários
estão fazendo esforços para passar seus “recados” aos presidenciáveis:
marcando reuniões, fazendo manifestos e distribuindo documentos. É uma
prática que já foi adotada pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp),
Confederação Nacional do Comércio (CNC) e Confederação Nacional do
Transporte (CNT).
O modelo também vem sendo adotado por novos grupos formados por donos
de empresa, ou que incluem empresários. É o caso do Esfera Brasil, que
chegou a marcar um jantar para o dia 11, com o presidente Jair Bolsonaro
(PL), e o Derrubando Muros, que no início do mês lançou uma agenda para
o país. Ciro Gomes (PDT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Simone Tebet
(MDB) já manifestaram interesse em se reunir com o grupo.
Os empresários são um grupo que vem sendo cortejado por Bolsonaro
desde o lançamento da sua pré-campanha, em 27 de março. Levantamento
feito pelo site Poder360 mostra que o presidente se encontrou com eles
pelo menos 37 vezes no período. Pouco mais de 40% dos encontros foram
com representantes do agronegócio. Uma das principais figuras na agenda
presidencial, desde o início do mandato, é o empresário Luciano Hang,
dono da Havan.
Como estão os palanques dos presidenciáveis nos estados e o que ainda está indefinido O que a indústria espera do futuro presidente da República? Fiesp apresenta propostas Como os impostos sabotam o produto brasileiro – e qual a solução, segundo a indústria
CNI apresenta reivindicações aos candidatos A indústria é
possivelmente o setor que mais detalhou suas reivindicações aos
candidatos. A CNI apresentou aos candidatos 21 estudos temáticos em
áreas tão diversas quanto tributária, transporte, energia, e ambiente
macroeconômico. E realizou um encontro ao qual compareceram três dos
quatro primeiros colocados da mais recente pesquisa PoderData de
intenção de votos – Bolsonaro, Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB). A
exceção foi Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder em intenção de votos
desse mesmo levantamento (confira a metodologia ao fim desta
reportagem).
“A estabilidade macroeconômica é essencial, porque cria o ambiente de
estabilidade. Sem ela, é impossível traçar o caminho que leva ao
crescimento econômico”, explicou em nota o presidente da CNI, Robson de
Braga Andrade.
No encontro, Ciro Gomes afirmou que é necessária uma indústria
poderosa, que lidere o centro de estratégia de desenvolvimento do país.
Ele prometeu aumentar o nível de investimento na economia, recriar o
Ministério da Indústria e Comércio a assinar um pacto de cooperação
entre governo e setor privado para hierarquizar o que precisa ser feito
em uma época de escassez de dinheiro público.
Assim como o pedetista, Bolsonaro também se comprometeu a recriar o
Ministério da Indústria e Comércio, que ele próprio extinguiu no início
de sua gestão, na fusão de pastas que deu origem ao Ministério da
Economia. Bolsonaro disse esperar que os Estados Unidos invistam mais no
Brasil como forma de frear o crescimento do aporte de empresas da China
no país.
Simone Tebet defendeu a pacificação política do país como caminho
para colocá-lo na rota do crescimento econômico: “O Brasil precisa
crescer, precisa de paz, precisa acabar com a polarização para ter
estabilidade”.
Fiesp quer políticas industriais modernas Outra federação
tradicional no setor fabril que encaminhou propostas foi a Fiesp, cujo
presidente é Josué Gomes da Silva, filho de José Alencar,
vice-presidente nos governos Lula (2003-10).
A entidade reivindica a adoção de políticas industriais modernas. “Um
novo consenso, baseado nas experiências internacionais e levando em
conta as mudanças tecnológicas e a sustentabilidade, recoloca o setor
industrial como o motor da retomada econômica. Para isso são necessárias
soluções estruturais e não conjunturais”, cita o texto, também
encaminhado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).
Além disso, a Fiesp elaborou um manifesto em defesa da democracia,
que já foi assinado por mais de cem entidades, entre elas a Federação
Brasileira de Bancos (Febraban) e a Federação do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP), a Câmara
Americana de Comércio (Amcham) e a Associação Brasileira da
Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).
A CNI decidiu não assinar o documento, com a justificativa de que ele
pode acirrar tensões e de que mantém diálogo com todos os políticos.
A federação paulista também está promovendo encontros com os
candidatos. Um dos que já participou da rodada de conversas com os
empresários foi Ciro Gomes, que afirmou que pretende desonerar a compra
de bens de capital e reformar o sistema tributário e a Previdência como
forma de alavancar a capacidade produtiva da indústria.
Bolsonaro cancelou a participação no evento da Fiesp prevista para o
dia 11. Na mesma data, a entidade pretende lançar seu manifesto pela
democracia. Outro documento, similar, será apresentado no mesmo dia pela
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Logo nos
primeiros dias, esse manifesto foi assinado por banqueiros, economistas e
ex-ministros do Supremo Tribunal Federal.
Segundo o G1, o presidente não descartou ir à Fiesp em outra data
para debater diretrizes e prioridades com os empresários. Bolsonaro, que
já havia criticado a carta da USP, afirmou que não vai assinar o
manifesto da Fiesp. “Eu comprovo que sou democrata pelo que fiz”, disse.
Lula deverá se reunir no dia 9 com os industriais paulistas. Ele e
seu vice Geraldo Alckmin (PSB) já tiveram um encontro prévio com
empresários na sede da entidade em 5 de junho. Além de Josué Gomes,
participaram representantes do Bradesco, Ambev, Magazine Luiza, Iochpe,
Google e Itaú. Segundo a CNN, foram discutidos temas relacionados à
economia, educação, meio ambiente, comércio exterior e agronegócio.
Quem também já esteve na Fiesp foi Simone Tebet. Ela defendeu a
estabilidade, a segurança jurídica e a sensibilidade social, sem perder
de vista a responsabilidade fiscal, para poder zerar gradativamente a
miséria, com transferência de renda. “Queremos um governo parceiro da
iniciativa privada. O Estado é aquele que garante políticas públicas,
mas deve deixar a iniciativa privada produzir e gerar emprego e renda”,
disse a emedebista.
CNC apresenta pontos fundamentais para o crescimento Quem também
encaminhou propostas aos presidenciáveis foi a Confederação Nacional do
Comércio. O documento apresenta pontos fundamentais “para a promoção do
desenvolvimento econômico, a redução das desigualdades e a construção de
uma paz social duradoura.”
As reivindicações do comércio e serviços estão relacionadas à
legislação tributária, empresarial, trabalhista, ambiental e sindical;
estabilidade macroeconômica; estímulos ao comércio exterior;
racionalização do setor público; modernização da infraestrutura e
atenção à educação e ao bem-estar social.
A CNC já se encontrou com Bolsonaro, Lula e Tebet, aos quais
apresentou sua agenda institucional. O atual presidente afirmou que
pretende recriar o Ministério da Indústria e Comércio, com representante
indicado pelo setor. Promessa similar foi feita à CNI e durante reunião
com empresários na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais
(Fiemg).
Lula abriu espaço para negociações com a entidade. “Se tudo for
acordado previamente, teremos menos problemas e poderemos construir o
país que sonhamos, em que as pessoas possam consumir e os empresários
terem seus ganhos.”
Tebet, por sua vez, disse à confederação do comércio que é preciso
“investir em empreendedorismo e entender que o mercado e a iniciativa
privada são nossos parceiros”.
CNT promove rodadas de diálogo com candidatos A Confederação
Nacional do Transporte está realizando uma série de rodadas de diálogo
com os presidenciáveis e está também está apresentando uma série de
propostas que visam fomentar a geração de emprego, o crescimento
econômico e a sustentabilidade ambiental e energética. “Quanto mais uma
nação produz, maior é a sua interface com o transporte e a logística”,
diz o presidente da entidade, Vander Costa.
Lula foi o primeiro dos candidatos a se encontrar com representantes
da entidade. Ele afirmou pretende trabalhar em uma tramitação “fatiada”
de alterações no modelo tributário brasileiro. A CNT aguarda
confirmações de outros candidatos para poder entregar o documento com as
reivindicações do setor de transporte e logística.
Febraban se reúne com canidatos Outra entidade que vai se reunir
com os candidatos é a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). O
objetivo é apresentar a visão da indústria financeira e permitir que
eles falem sobre a economia brasileira. O primeiro a ser ouvido será
Jair Bolsonaro (PL), que criticou a entidade por aderir ao manifesto
pró-democracia da Fiesp. O encontro está marcado para segunda-feira (8).
Outros candidatos também devem ser ouvidos.
Quem é o Esfera Brasil
Grupos de empresários também estão se articulando para encaminhar
propostas aos candidatos ao Planalto. Um deles é o Esfera Brasil, que
chegou a marcar um jantar com o presidente Jair Bolsonaro no dia 11. O
evento foi desmarcado para evitar, segundo o G1, uma “saia justa” para
esse grupo.
Os empresários temiam ser rotulados como apoiadores de Bolsonaro em
suas críticas ao sistema eleitoral e aos manifestos pró-democracia
encampados pela Fiesp e pela Faculdade de Direito da USP, que serão
apresentados no mesmo dia em que ocorreria o jantar de Bolsonaro com o
Esfera Brasil.
O Esfera Brasil se define como uma organização criada para fomentar o
pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne
empresários, empreendedores e a classe produtiva. “Somos independentes e
apartidários e temos a missão de engajar líderes em prol do Brasil,
gerando discussões que vão permitir a construção de um país melhor”,
destaca o grupo em seu site.
O Esfera Brasil diz que a sua missão é ser um polo aglutinador do
empreendedorismo brasileiro, promovendo diálogos entre empresas,
governos e instituições e estimulando debates produtivos, de forma
republicana.
A organização afirma que busca trazer o equilíbrio para um país que
sofre, dividido. E que defende a transparência, a ética, a pluralidade.
“Apoiamos o capitalismo de stakeholder, o ESG, a diversidade, a equidade
e a inclusão.”
O idealizador e presidente do grupo é João Carlos Camargo, um dos
sócios da 89 Investimentos, uma gestora de recursos independente com
atuação nas áreas de logística, incorporação e comunicação. É sócio das
rádios Alpha FM, Band News FM, Nativa e 89 FM.
Outra figura importante no grupo é Eduardo Vieira, co-fundador e
sócio do Esfera Brasil. Ele, também, é sócio líder de marketing e
comunicações do Soft Bank para a América Latina.
Quem é o Derrubando Muros
Quem também pretende se encontrar com os presidenciáveis é o grupo
Derrubando Muros, que reúne 102 pessoas, entre ativistas, cientistas,
comunicadores, acadêmicos, empresários e políticos, e vem há meses
discutindo soluções para o futuro do Brasil.
Segundo o “Estadão”, Lula, Simone Tebet e Ciro Gomes (PDT) já deram
sinais de que pretendem participar das reuniões. A intenção é de que
elas ocorram ainda em agosto. Ao jornal paulista, o coordenador do
Derrubando Muros, Yacoff Sarkovas, disse que “serão convidados apenas
candidatos do campo democrático” e que Bolsonaro “não habita este
território”.
ELEIÇÕES 2022
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EU QUERO! “Queremos demonstrar que o Brasil tem jeito e que a
sociedade civil há muito assumiu o protagonismo na elaboração dos
melhores diagnósticos setoriais e proposições de políticas públicas para
nossos problemas crônicos”, diz Sarkovas, em nota.
O grupo avalia que há uma degradação das condições gerais do país e
que o país vem remando de lado, com uma economia tradicional, pouco
resiliente, basicamente produtora de commodities e serviços com
pouquíssimo impacto na economia mundial.
O Derrubando Muros reúne especialistas como Ana Toni, diretora
executiva do Instituto Clima e Sociedade; Fersen Lambranho, presidente
do conselho da GP Investimentos; Horácio Lafer Piva, empresário ligado à
Klabin; Joana Monteiro, coordenadora do Centro de Ciência Aplicada à
Segurança da FGV; Pedro Hallal, epidemiologista e ex-reitor da
Universidade Federal de Pelotas (Ufpel); Ricardo Henriques, economista
especializado em educação, desigualdade e distribuição de renda; e
Samuel Pessôa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV
(Ibre/FGV).
Metodologia da pesquisa citada O levantamento do PoderData, que
contratou a própria pesquisa, ouviu 3,5 mil eleitores em 322 municípios
das 27 unidades da federação entre os dias 31 de julho e 2 de agosto de
2022. As entrevistas foram feitas por telefone, para fixos e celulares. A
margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o
nível de confiança é de 95%. Foi registrado no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) sob o número BR-08398/2022.
No panteão de mitos
nacionais com membros ilustres como o saci-pererê, o curupira, a mula
sem cabeça e o boitatá, uma nova integrantes chega com pompa e
circunstância: a “urna eletrônica não auditável, fraudável e com
resultado pré-programado pelo STF”. Ela não existe, mas quem se importa?
Quem perde eleição, claro, mas não sejamos indelicados com maus
perdedores.
Era quase meio-dia ontem (4), quando o auditório do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), principal instituição brasileira para organização e
gestão das eleições, recebeu um grupo heterogêneo de pouco mais de vinte
pessoas, na maioria jovens engajados e hypados, produtores de conteúdo
digital escolhidos pelo movimento Redes Cordiais, que fez a gentileza de
também me convidar para o evento.
Antes do início da programação do dia, que incluía palestras, um tour
pelas dependências do TSE e uma aula técnica sobre o funcionamento das
urnas eletrônicas, todos foram convidados a se apresentar. A cada um que
resumia sua história, um TED Talk de fazer Malala Yousafzai parecer uma
patricinha de shopping. Na minha vez, tive que confessar ser apenas um
representante da odiada “grande mídia”, aquela chamada de esquerda pela
direita e vice-versa. Agradeço os breves e gentis aplausos naquele
momento de anticlímax. Sigamos.
Como resistir ao charme de uma mentira que inclui urnas hackeadas,
invasores anônimos financiados por elites malignas e pervertidas, salas
secretas de apuração de votos e resultados manipulados?
Por volta das duas da tarde, a umidade relativa do ar em Brasília
estava em 35%, abaixo do mínimo recomendável pela OMS e pelo bom senso
para um organismo humano normal sobreviver. Quanto mais seco o ar, mais
chances de dor de cabeça, problemas alérgicos, olhos irritados, asma,
infecções e, claro, desidratação. Alguém vai dizer que foi um plano
arquitetado para alterar nosso juízo.
Neste clima ameno, fomos convidados para um agradável almoço no
terraço do edifício, onde serviram um honesto strogonoff de carne,
aquele prato de aceitação universal que acaba com a margem de erro dos
anfitriões. Neste momento, reconheço que perdi uma grande oportunidade.
Voltarei ao assunto.
As palestras, apresentações e visitações apenas confirmaram o que
qualquer bípede já sabe: as urnas eletrônicas brasileiras são tão
seguras quanto possível, mais do que o sistema informatizado do banco
que você deposita seu dinheiro, uma informação real, verdadeira, mas
enfadonha. Quem se emociona com algo que funciona?
Como resistir ao charme de uma mentira que inclui urnas hackeadas,
invasores anônimos financiados por elites malignas e pervertidas, salas
secretas de apuração de votos e resultados manipulados para subtrair o
direito do povo escolher seu representante legítimo? Se non è vero, è
ben trovato!
O espírito do tempo no Brasil está propício a teorias que incluem até
cidades perdidas na Amazônia, terra plana e vermífugos que curam
Covid-19. Por que não urnas que fazem parte de uma trama digna de um
filme B de espionagem internacional? É neste momento que entra o
strogonoff.
Mente vazia, oficina de político A vez do generalíssimo O que já sabemos sobre 2026 A
iguaria é identificada com a Rússia, mas provavelmente foi inventada
pelo chef francês Charles Briere no início do séc. XIX. Ele estaria a
serviço da tradicional família Stroganov em São Petersburgo e o prato
seria um amálgama de elementos clássicos das culinárias francesa e
russa. Nunca saberemos se a história é verdadeira mas, de novo, quem se
importa? O strogonoff é russo e não se discute. Já o estado da nossa
democracia, ruça com cê cedilha, como diria o “ativista” Ivan Papo Reto.
Seria o prato principal servido ontem, na sede do TSE, uma prova de
influência russa nas eleições brasileiras? O cozinheiro estaria lá para
servir agentes infiltrados da antiga KGB, o temido serviço secreto já
chefiado por ninguém menos que Vladmir Putin? Quantos likes e
compartilhamentos um vídeo contando esta cascata não ganharia nas redes
sociais? Seria o autor do vídeo convidado para um cargo de comentarista
numa mídia governista, com um gordo salário vindo sabe-se lá de onde?
Seria o prato principal servido ontem, na sede do TSE, uma prova de
influência russa nas eleições brasileiras? O cozinheiro estaria lá para
servir agentes infiltrados da antiga KGB?
A teoria conspiratória, por mais ridícula que seja, sequer precisa
ser afirmada pelo autor. Basta que ele se mostre cético, desconfiado da
realidade aparente, que coce a cabeça, olhe sério para o expectador e
pergunte: “você não acha tudo isso muito estranho?”. Se ele for mais
ousado, pode se autoproclamar “pesquisador”, uma palavra esvaziada de
significado atualmente, e lançar cursos e livros sobre os russos
infiltrados na nossa eleição a partir do strogonoff.
Não tenho nada contra o prato, que minha saudosa avó, mineira e
cozinheira talentosíssima, fazia como ninguém, Muito menos o strogonoff
servido ontem, do qual me refastelei sem cerimônia. Os influenciadores
que me acompanharam na refeição optaram por falar a verdade sobre as
urnas em seus perfis, o que é a opção moral a se tomar, mas às custas de
algum faturamento extra.
Como dizia Viktor Frankl, só há dois tipos de pessoas: as decentes e
as indecentes. E é em momentos como esse que as diferenças ficam mais
evidentes. O Brasil nunca precisou tanto de gente decente produzindo
conteúdo, falta achar o modelo de negócios. Ou reencontrar a alma
nacional.
O eleitor brasileiro talvez nem saiba, mas nas eleições de outubro
poderá eleger um candidato com vida pregressa incompatível com a
moralidade que se exige de um homem público. Isso porque a lei
brasileira permite a candidatura de políticos que respondem a processo
na Justiça. E não são poucos nessa situação. Um levantamento realizado
pelo Congresso em Foco mostrou que, em 2020, dos 513 deputados federais,
pelo menos 106 eram alvo de investigação judicial. A pesquisa se baseou
em inquérito e ações penais e eleitorais em tramitação, na época, no
Supremo Tribunal Federal e nos tribunais eleitorais e de Justiça
estaduais.
Não é exagero afirmar que muitos dos políticos respondendo a processo
ou sob investigação se empenham em conquistar um novo mandato
justamente para manter ou garantir o foro privilegiado, apostando
inclusive na prescrição para se manter impunes.
Fazem isso abrigados pela legislação vigente, aproveitando-se de uma
excrecência que o Brasil precisa abolir com urgência se deseja alcançar
outro nível de civilidade democrática. Pode-se admitir como tolerável
que o homem público, réu na Justiça, possa continuar no exercício do
cargo até o trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
Entretanto, não é possível dizer que isso é desejável, face aos valores
éticos e morais universalmente consagrados, especialmente porque estamos
falando de pessoas que detêm a chave do cofre do dinheiro público. Mais
difícil ainda é aceitar que a esses políticos seja dada a oportunidade
de buscar um novo mandato.
A história política brasileira tem exemplos de sobra de que a pena de
cassação temporária dos direitos políticos, prevista para casos de
improbidade administrativa, não se mostra suficiente para a moralização
do sistema. Novas candidaturas de políticos condenados em primeira
instância são eticamente lamentáveis e, portanto, absolutamente
condenáveis. Soam como verdadeiro deboche à Justiça, ao cidadão, ao voto
e à democracia.
Essa esdrúxula situação reclama alterações legislativas que o Brasil
ainda não teve coragem de realizar. A principal delas seria impedir o
registro da candidatura daqueles que são réus em processos judiciais em
razão de atos de improbidade administrativa, peculato, corrupção passiva
ou ativa e participação em organização criminosa, ainda que não se
tenha sentença definitiva.
Tal restrição – obviamente baseada em lei – daria maior segurança
jurídica ao sistema eleitoral e evitaria prejuízos como a possibilidade
de o eleito perder o cargo no meio do mandato, em razão da questão
judicial em andamento, então finalmente julgada, provocando a posse do
vice ou suplente, em conturbado processo.
Não há dúvidas quanto à necessidade de medida desse gênero. Como já
argumentou em voto no Supremo Tribunal Federal o ex-ministro Carlos
Ayres Britto, há que se fazer a distinção entre direitos políticos e
direitos individuais. Destacou com propriedade o ex-ministro que
direitos políticos estão vinculados a valores e não a pessoas. E a nossa
Constituição protege os princípios (valores) da probidade
administrativa, da moralidade e da impessoalidade, imprescindíveis para o
exercício do mandato. A proibição de candidatura de réus, portanto,
não ofenderia a presunção de inocência não podendo esta ser aplicada na
matéria eleitoral, bem como o trânsito em julgado não deve ser exigência
para rejeição da candidatura.
Da mesma forma, não é desarrazoado supor-se que, se não houvesse o
foro privilegiado no Brasil, muitos políticos-réus estariam condenados,
com penas fixadas, e presos. Uma realidade absolutamente distinta da
atual, propiciada pelo instituto do foro privilegiado que no Brasil
protege cerca de 55.000 ocupantes de cargos públicos, dimensão sem
paridade em todo o mundo. Temos, então, uma verdadeira fábrica de
impunidade.
O mais razoável seria reduzir drasticamente esse privilégio,
limitando-o, talvez, apenas aos chefes de Poder e sem alcançar eventual
prática de crimes comuns. Em sua forma atual, o foro privilegiado é um
escudo de impunidade garantida pelo mandato, em inegável distorção do
sistema democrático. Um benefício pessoal às custas do voto popular
perseguido por quem afronta a lei e aposta na morosidade do sistema
judicial brasileiro, buscando a prescrição para escapar da pena de
prisão e ainda brandir o resultado como atestado de idoneidade.
A manutenção do sistema atual é não apenas um péssimo exemplo às
futuras gerações; é também um desestímulo à formação de novas lideranças
políticas, de cidadãos bem intencionados e sem os velhos vícios da
atividade político-partidária na qual os fins justificam os meios.
Em nome da transparência, outro princípio garantido na Constituição,
seria salutar a fixação da exigência para que os candidatos a cargos
públicos apresentassem ao público documentos oficiais detalhando ações
judiciais em que são réus. Da mesma forma, contribuiria muito se os
próprios tribunais disponibilizassem informações sobre as ações em curso
envolvendo candidatos, com acesso ao público e à imprensa, sem qualquer
espécie de sigilo, durante as campanhas eleitorais, principalmente.
Como o cidadão contribui para engordar os recursos do Fundo
Eleitoral, do Fundo Partidário e da Propaganda Eleitoral de Rádio e
Televisão – gratuita apenas no nome -, é seu direito ter acesso à
completa informação sobre todos os que se lançam candidatos, a fim de
que possa decidir seu voto de maneira segura e de acordo com suas
convicções.
A lei precisa, sempre, garantir os direitos dos cidadãos. A democracia não pode, jamais, ter medo da verdade.
* Sobre o autor: Engenheiro com especialização nas áreas de
macroeconomia, administração de empresas e finanças e empresário.
E-mail: samucahanan@gmail.com
A implantação de vouchers escolares para famílias de baixa renda e
cobrança de mensalidades dos alunos mais ricos das universidades
públicas pode fazer com que o governo federal atenda até 33% mais alunos
da educação básica com o mesmo investimento atual. Hoje, mais de 6% do
PIB é destinado para educação. Esse percentual é maior que em muitos
países desenvolvidos, mas até o momento não é possível ver avanços
significativos em qualidade.
É o que revela o estudo produzido pelos pesquisadores Marcos Ricardo dos Santos, Anamaria Camargo e Leonardo Regazzini, para o Instituto Millenium, que foi publicado hoje (06).
Os autores analisaram pesquisas e dados oficiais do Brasil e de outros
países para defender um sistema proposto há mais de 60 anos e já adotado
lá fora. No documento, que faz parte da série Millenium Papers,
os autores indicam que é o momento de se tentar um caminho diferente e
utilizar mais fortemente o setor privado para melhorar a qualidade de
ensino no país.
Há décadas, o Brasil segue uma mesma estratégia: investir na educação
pública. O país conseguiu, com a ampliação da oferta estatal, passar de
atender 21% da população em idade escolar, em 1940, para 94,5% no ano
2000, índice próximo à universalização. Entretanto, os indicadores de
qualidade do ensino permanecem quase inalterados, considerando os
resultados dos estudantes brasileiros em exames internacionais
padronizados.
Uma das soluções para se obter resultados diferentes é reforçar o
papel da iniciativa privada na educação, com o uso de vouchers
educacionais. Em vez de o governo ofertar diretamente vagas em escolas
públicas, passaria oferecer vales, entregues a famílias mais pobres, que
seriam usados como pagamento em instituições privadas de ensino. Assim,
famílias mais pobres, que, por falta de condições financeiras, são
obrigadas a aceitar um modelo único de escola que o estado lhes oferece,
passariam a ter um leque maior de escolha. Com o apoio financeiro,
poderiam optar entre diversas escolas privadas que, em regra, costumam
obter resultados melhores. Em suma, a mesma liberdade de escolha que os
mais ricos hoje têm sobre a educação de seus filhos estaria disponível
também para famílias mais pobres.
Um outro caminho para a implantação de um programa como esse no
Brasil, sem aumentar o já comprometido orçamento público, seria a
utilização de recursos obtidos por meio da cobrança parcial de
mensalidade nas instituições públicas de ensino superior, a fim de
compor um fundo de financiamento para a educação básica. Hoje as vagas
em cursos universitários públicos são custeadas por impostos pagos por
toda a sociedade, mas ocupadas majoritariamente por estudantes de maior
renda. Com isso, há uma transferência indireta de recursos dos mais
pobres, que pagam a conta, para os mais ricos, que aproveitam o curso
superior “gratuito”. Essa lógica pode ser invertida com a cobrança de
mensalidade nas universidades, com descontos parciais para alunos das
classes intermediárias e integrais para alunos de menor renda.
O pesquisadores demonstram que o custo anual por aluno na educação
básica no Brasil era de R$ 7.230, em valores de 2018 (dados do INEP) ou
R$ 602,50 por mês, que pode servir de referência para a criação de um
sistema de voucher de até R$ 600,00 mensais, de valor escalonado de
acordo com a renda familiar. O escalonamento teria como referência as 5
faixas de renda da PNAD/IBGE, na qual o primeiro quintil é a mais
pobre.
Como exemplo, o estudo propõe separar como público-alvo hipotético um
contingente de um milhão de alunos matriculados na rede pública. O
montante despendido pelo poder público para custear a educação deste
grupo representaria um total de R$ 600 milhões mensais, em valores de
2018.
Se fossem oferecidos vouchers integrais no valor de R$ 600 para
39,5% desse grupo de alunos, que representam o percentual de alunos do
1º quintil de renda no ensino fundamental, a despesa para esta faixa de
renda somaria R$ 237 milhões. Para os 27,9% dos alunos que pertencem ao
2º quartil de renda, o voucher unitário seria de R$ 450, o que
representaria um total de R$ 125,55 milhões para a faixa. Para o 3º
quintil, 16,9% dos alunos receberiam um voucher de 50%, ou seja, R$ 300,
perfazendo um total de 50,7 milhões para essa faixa. Os alunos do 4º
quintil receberiam uma ajuda menor: R$ 150 mensais, apenas como
complemento, chegando a um total de R$ 16,95 milhões mensais. Já os
alunos do 5º quintil de renda (4,3% do total) não seriam elegíveis para o
programa.
Com esse modelo, seria possível atender 956 mil alunos a um custo
mensal de R$ 430,2 milhões, ou seja, o valor por aluno seria de R$ 450.
Se fosse utilizado integralmente o total de R$ 600 milhões separados
inicialmente – que correspondem a um milhão de alunos na rede pública –,
seria possível atender a 1,333 milhão de alunos, ou seja, 33,3% a mais
do que o grupo original na rede pública.
A mudança proposta neste estudo aponta que diversos países que se
tornaram referência mundial em educação, tais como Finlândia, Estônia ou
Holanda, não financiam o sistema educacional em si, mas sim os
estudantes. A Holanda, por exemplo, usa um sistema de vouchers para 70%
dos estudantes no ensino fundamental e para quase a totalidade dos
estudantes do ensino médio.
Por fim, os autores observam que há um longo percurso a ser
percorrido apesar do desenho técnico da política não ser difícil. O
maior desafio é o convencimento político: seria preciso desviar das
pressões corporativas dos sindicatos e se desapegar das velhas fórmulas,
que vêm se mostrando pouco eficientes há tempo, mas continuam dominando
as mentes de quem pensa a educação no país.
Centro logístico de empresa de comércio eletrônico. 21/6/2021. REUTERS/Evgenia Novozhenina
Comércio eletrônico faturou R$ 73,5 bilhões, segundo dados da
Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Saiba quais são
as novidades que estão movimentando o setor!
Há alguns anos o e-commerce ainda não era tão badalado como hoje. As
marcas que mais acreditavam no modelo de mercado estavam distantes do
lucro.
O cenário mudou com a aceleração digital impulsionada pela pandemia
de coronavírus. Foram recordes de faturamento no comércio eletrônico nos
últimos dois anos.
Para você ter uma noção, no primeiro semestre de 2022, o e-commerce
faturou R$ 73,5 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de
Comércio Eletrônico. Um salto de 5% em comparação com o mesmo período do
ano passado.
E como todo mercado, tem trazido mudanças tecnológicas e, ao mesmo tempo, humanizado. Confira:
METAVERSO COMMERCE
Uma das movimentações apresentadas no Fórum E-Commerce Brasil 2022
quase em unanimidade foi o metaverso. Não à toa. Afinal, é uma das
apostas da Nova Economia e deve movimentar US$ 800 bi até 2024.
Para você ter uma ideia, a L’Oreal, multinacional francesa de
cosméticos, já está no metaverso The Sandbox. “E muito provavelmente, em
breve, vamos vender produtos no metaverso, que é onde a nova gestação
está”, diz Marcelo Zimet, CEO da L´Óreal durante o Fórum E-Commerce
Brasil 2022.
Você deve estar se perguntando, mas por que o metaverso ajudaria a
vender mais? A resposta é: “ao invés de criar um cupom de desconto, você
mantém as pessoas interagindo com o produto em um jogo, por exemplo,
através do game funil”, diz Daniel Bottas, Ex-Creative Director da Meta e
Partner and CCO da 20DASH.
Confira outras empresas que apostam no metaverso
MODA DIGITAL
Se o metaverso começa a fazer barulho no comércio eletrônico, a moda
digital também. “O mercado fashion é o que mais avança no metaverso”,
afirma Bottas. “Hoje, as pessoas compram roupas apenas para postar nas
redes sociais; logo, em um mundo em que se discute a poluição da moda, a
moda digital, sem dúvida vai evoluir ainda mais nos próximos anos”,
completa. A Gucci é um exemplo de marca que ingressou na moda digital.
AVATAR
Avatares estão presentes no e-commerce tanto para humanizar a marca e
criar uma conexão com os consumidores como para ser uma nova fonte de
receita para a empresa. Por exemplo, o personagem da sua marca pode ser
pago para fazer publicidades de produtos.
Alguns exemplos de sucesso são: a Lu, do Magazine Luiza, que se
tornou a maior influenciadora digital do mundo; o CB, influenciador
virtual da Casas Bahia, entre outros.
“A Lu se tornou uma fonte de receita para o Magalu”, diz Frederico
Trajano, CEO do Magazine Luiza. “Acreditamos em trazer tecnologia para a
companhia, mas sem perder o calor humano”, completa.
SOCIAL COMMERCE
O uso das redes sociais para vender mais está movimentando o mercado
de comércio eletrônico. A estratégia, no entanto, não é focar em imagens
ou vídeos dos produtos, mas sim gerar uma conexão emocional com a
audiência.
No TikTok, por exemplo, 75% dos usuários preferem conteúdos de marca
ou produto feitos por um criador de conteúdo. Isso porque as pessoas não
querem mais anúncios tradicionais. “Elas querem interagir com o
conteúdo de quem, de certa forma, conhecem e confiam — e os criadores de
têm um papel fundamental nisso”, diz Danielle Crahim, Industry Lead
Performance no TikTok.
LIVE COMMERCE
As vendas feitas por meio de transmissões ao vivo feitas pela
internet, muito comum na China (e responsável por movimentar bilhões de
dólares nos últimos anos) começam a ganhar força no Brasil. O Mercado
Livre é uma das empresas que apostam.
O motivo do sucesso do live commerce, segundo Marcelo Zimet, CEO da
L´Óreal, é porque mexe com a emoção da pessoa que está assistindo. “O
link é gerado enquanto existe a interação entre quem está apresentando e
quem está assistindo”, conta.
Essas são algumas inovações que estão acontecendo agora, mas quais
serão as próximas tendências que vão impulsionar o crescimento do varejo
em 2023? Anualmente, diversos players se encontram no maior evento de
varejo do mundo: Retail’s Big Show da NRF.
É lá onde ocorrem intensas trocas de experiências e apresentações das
próximas inovações que vão mudar o jogo do que é o varejo hoje.
Toda pessoa empreendedora, empresária e liderança que atua nesse
setor e quer eliminar o risco de ser deixado para trás precisa estar
nesse evento.
Ele irá acontecer em Nova York nos dias 15, 16 e 17 de janeiro de
2023. Os detalhes do evento e a melhor forma de viver uma experiência
única imersiva com várias provocações e insights inovadores você
encontra neste link.
Preferências de Publicidade e Propaganda
Moysés Peruhype Carlech – Fábio Maciel – Mercado Pago
Você empresário, quando pensa e necessita de fazer algum anúncio para
divulgar a sua empresa, um produto ou fazer uma promoção, qual ou quais
veículos de propaganda você tem preferência?
Na minha região do Vale do Aço, percebo que a grande preferência das
empresas para as suas propagandas é preferencialmente o rádio e outros
meios como outdoors, jornais e revistas de pouca procura.
Vantagens da Propaganda no Rádio Offline
Em tempos de internet é normal se perguntar se propaganda em rádio funciona, mas por mais curioso que isso possa parecer para você, essa ainda é uma ferramenta de publicidade eficaz para alguns públicos.
É claro que não se escuta rádio como há alguns anos atrás, mas ainda
existe sim um grande público fiel a esse setor. Se o seu serviço ou
produto tiver como alvo essas pessoas, fazer uma propaganda em rádio
funciona bem demais!
De nada adianta fazer um comercial e esperar que no dia seguinte suas
vendas tripliquem. Você precisa ter um objetivo bem definido e entender
que este é um processo de médio e longo prazo. Ou seja, você precisará
entrar na mente das pessoas de forma positiva para, depois sim,
concretizar suas vendas.
Desvantagens da Propaganda no Rádio Offline
Ao contrário da televisão, não há elementos visuais no rádio, o que
costuma ser considerado uma das maiores desvantagens da propaganda no
rádio. Frequentemente, os rádios também são usados como ruído de
fundo, e os ouvintes nem sempre prestam atenção aos anúncios. Eles
também podem mudar de estação quando houver anúncios. Além disso, o
ouvinte geralmente não consegue voltar a um anúncio de rádio e ouvi-lo
quando quiser. Certos intervalos de tempo também são mais eficazes ao
usar publicidade de rádio, mas normalmente há um número limitado,
A propaganda na rádio pode variar muito de rádio para rádio e cidade
para cidade. Na minha cidade de Ipatinga por exemplo uma campanha de
marketing que dure o mês todo pode custar em média 3-4 mil reais por mês.
Vantagens da Propaganda Online
Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e
a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos
smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia
digital.
Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é
claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco
dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é
mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda
mais barato.
Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar
uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em
uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança,
voltando para o original quando for conveniente.
Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo
o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é
colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e
de comentários que a ela recebeu.
A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o
material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é
possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver
se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.
Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio
publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não
permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio
digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que
ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a
empresa.
Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o
seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela
esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.
Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a
mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente
estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que
não estão.
Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.
A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de
alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários
dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.
Vantagens do Marketplace Valeon
Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.
Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso
proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores
que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por
meio dessa vitrine virtual.
Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes
queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência
pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente.
Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas
compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos
diferentes.
Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa
abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das
pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua
presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as
chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma,
proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.
Quando o assunto é e-commerce,
os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles
funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os
consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo
ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas
encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus
produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa
que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em
2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas
vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver
seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do
nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a
visibilidade da sua marca.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode
moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é
colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn
possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o
seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Jô Soares tinha 84 anos| Foto: Reprodução / Instagram
O
humorista Jô Soares, que também era escritor, apresentador, diretor e
ator, morreu em São Paulo, na madrugada desta sexta-feira (5). Ele
estava internado no Hospital Sírio Libanês desde 25 de julho para tratar
uma pneumonia. A causa da morte não foi confirmada. Jô Soares tinha 84
anos.
A informação sobre o falecimento foi postada por Flávia Pedras
Soares, ex-mulher do humorista, por meio das redes sociais. Segundo ela,
o funeral será reservado para familiares e amigos próximos. No
Instagram, ela escreveu a seguinte mensagem:
“Faleceu há alguns minutos o ator, humorista, diretor e escritor Jô
Soares. Nos deixou no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, cercado de
amor e cuidados. O funeral será apenas para família e amigos próximos.
Assim, aqueles que através dos seus mais de 60 anos de carreira
tenham se divertido com seus personagens, repetido seus bordões, sorrido
com a inteligência afiada desse vocacionado comediante, celebrem, façam
um brinde à sua vida.
A vida de um cara apaixonado pelo país aonde nasceu e escolheu viver,
para tentar transformar, através do riso, num lugar melhor.
Viva você meu Bitiko, Bolota, Miudeza, Bichinho, Porcaria, Gorducho.
Você é orgulho pra todo mundo que compartilhou de alguma forma a vida
com você. Agradeço aos senhores Tempo e Espaço, por terem me dado a
sorte de deixar nossas vidas se cruzarem. Obrigada pelas risadas de dar
asma, por nossas casas do meu jeito, pelas viagens aos lugares mais
chiques e mais mequetrefes, pela quantidade de filmes, que você achava
uma sorte eu não lembrar pra ver de novo, e pela quantidade indecente de
sorvete que a gente tomou assistindo.
Obrigada para sempre, pelas alegrias e também pelos sofrimentos que
nos causamos. Até esses nos fizeram mais e melhores. Amor eterno, sua,
Bitika”, disse a ex-mulher de Jô Soares.
José Eugênio Soares, o Jô Soares, nasceu em 16 de janeiro de 1938, no
Rio de Janeiro. Trabalhou em várias emissoras, tais como Continental,
TV Rio, Tupi, Excelsior, Record, SBT e na Globo. Fez sucesso em
programas humorísticos como o “Viva o Gordo”, transmitido pela Globo nos
anos 80. Posteriormente, passou a ser apresentador de programas de
entrevistas, os talk-shows. De 1988 a 1999, estrelou o “Jô Soares Onze e
Meia”, no SBT. Depois voltou à Globo e comandou o “Programa do Jô”
entre 2000 e 2016.
Lucros recordes da Petrobras, criticados por Bolsonaro, podem
fazer o governo federal voltar ao azul após oito anos.| Foto: Flávio
Emanuel/Agência Petrobras
Os lucros recordes da Petrobras, que o presidente Jair Bolsonaro
(PL) chegou a chamar de “estupro” em um momento de alta nos preços dos
combustíveis, podem agora ajudar o governo central (Tesouro, Previdência
e Banco Central) a registrar o primeiro superávit primário após oito
anos no vermelho.
No mais recente relatório de receitas e despesas do Tesouro Nacional,
divulgado no fim de julho, a projeção do resultado primário já havia
passado de déficit de R$ 65,5 bilhões para de R$ 59,35 bilhões. Ainda
sem os números do segundo trimestre da Petrobras, a equipe econômica já
falava na expectativa, ainda que pequena, de fechar o ano no azul.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, dizia ser possível zerar o
déficit da União ainda em 2019, no primeiro ano de governo, mas o
objetivo só ficou mais próximo agora, graças à forte alta dos lucros das
estatais e outras receitas extraordinárias.
No fim de julho, a petroleira anunciou um lucro de R$ 54,3 bilhões
para o período de abril a junho e a distribuição de um valor recorde de
R$ 87,8 bilhões em dividendos a serem pagos em agosto e setembro. Desse
montante, a União, como acionista majoritária, receberá diretamente R$
25,2 bilhões.
Por que a Petrobras dá tanto lucro e o que é feito com o dinheiro Com
os R$ 45,2 bilhões que o Tesouro já tinha de receitas com dividendos de
estatais este ano, o governo federal acumula, agora, R$ 70,4 bilhões de
repasses de estatais em 2022.
O valor já ultrapassa em 28,4% uma projeção feita pela equipe
econômica antes da divulgação do resultado da Petrobras. Os cálculos
apontavam R$ 54,8 bilhões em receitas extras com dividendos e
participações até o fim do ano – estimativa que já havia sido revista
para cima após pagamentos complementares de R$ 18,9 bilhões do BNDES
referentes a lucros apurados em 2020 e 2021.
Dividendos: por que o governo está pedindo mais dinheiro às estatais Até
dezembro, entrarão ainda dividendos da Petrobras correspondentes ao
resultado do terceiro trimestre. Além disso, o governo pode receber
repasses do BNDES e da Caixa que originalmente seriam pagos apenas em
2023, mas que as empresas avaliam antecipar após pedido do Ministério da
Economia.
O próprio BNDES é também acionista da Petrobras e, por isso, receberá
R$ 6,97 bilhões em dividendos referentes ao resultado do segundo
trimestre da petroleira.
Com tudo isso, o total repassado de lucros de estatais para o governo
federal este ano deve superar os R$ 100 bilhões, com aumento de mais de
130% em relação a 2021, quando a União obteve R$ 43 bilhões em
dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).
Estatais faturam R$ 1 trilhão e têm maior lucro em 13 anos; governo ficou com R$ 43 bilhões
Além disso, entre outras receitas extraordinárias, houve aumento
substancial na rubrica “concessões e permissões”, de R$ 26,87 bilhões,
devido, principalmente, à arrecadação de receitas de novos contratos de
geração de energia elétrica advindos da desestatização da Eletrobras.
Receita extra supera gasto com desoneração de combustíveis e PEC dos Benefícios Após
a realização dos números, as receitas extraordinárias devem cobrir, com
uma folga de mais de R$ 42 bilhões, o rombo aberto pela Emenda
Constitucional 123/2022, que criou e ampliou benefícios sociais até o
fim do ano, e pela Lei Complementar 194/2022, que zerou temporariamente
as alíquotas de PIS, Cofins e Cide de gasolina e etanol.
A Emenda Constitucional 123, que turbinou até dezembro o Auxílio
Brasil e o vale-gás, além de lançar vouchers para caminhoneiros e
taxistas, gerou uma despesa adicional de R$ 41,25 bilhões para a União
neste exercício. E a retirada de impostos federais sobre combustíveis
terá impacto de R$ 16,5 bilhões. Com isso, chega a R$ 57,75 bilhões o
total de despesas não previstas no Orçamento.
Quais indicadores e fatos econômicos podem ajudar na reeleição de Bolsonaro Finalmente,
um acordo assinado entre a União e a prefeitura de São Paulo
relacionado ao acordo de cessão do Aeroporto do Campo de Marte deve
impactar o saldo do governo central positivamente em mais R$ 24 bilhões.
A operação envolveu um encontro de contas, com o encerramento de uma
dívida do município com a União em troca do valor da indenização devida
pelo governo federal pelo uso da área.
Assim, as novas receitas não previstas podem superar com alguma
margem as despesas projetadas até aqui, tornando mais tangível a
possibilidade do primeiro superávit primário do governo central desde
2013. No ano passado, houve superávit do setor público consolidado,
quando se consideram os balanços de Estados, municípios e empresas
estatais. O governo federal, no entanto, teve déficit de R$ 35,1
bilhões.
A presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, falando com a
presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, durante uma coletiva de imprensa no
Palácio Presidencial em Taipei, Taiwan, 3 de agosto de 2022.| Foto:
EFE/EPA
A visita da presidente da Câmara dos Representantes norte-americana,
Nancy Pelosi, a Taiwan, como parte de seu roteiro pela Ásia, dividiu
opiniões dentro e fora dos Estados Unidos. Curiosamente, ela foi
elogiada pelos adversários republicanos por demonstrar a solidariedade
norte-americana à ilha asiática; já os correligionários democratas
criticaram Pelosi por irritar o governo comunista de Pequim, que
prometeu retaliações – e as críticas vieram apesar de a visita ter
oferecido aos democratas um factoide que permite desviar a atenção do
estado lastimável da economia norte-americana, vítima de uma estagflação
que deve levar o eleitor a colocar os republicanos à frente das duas
casas do Congresso nas eleições de novembro. No entanto, há muito mais
na visita que meras considerações eleitorais.
Os tempos atuais, infelizmente, têm sido marcados pelo aumento da
crença das superpotências em soluções de força. A própria China, em
desrespeito claro ao acordo de devolução de Hong Kong, já aboliu o
modelo de “um país, dois sistemas” que deveria vigorar até 2047,
esmagando liberdades e impondo sobre o antigo enclave britânico a mesma
ditadura à que submete todos os demais cidadãos. A repressão promovida
por Pequim foi recebida com protestos da comunidade internacional, mas
nada mais que isso. A Rússia, incapaz de aceitar que os ucranianos
decidissem seu próprio destino e optassem por uma aproximação com o
ocidente em vez de ficar na órbita de Moscou, invadiu a nação vizinha e
vem conduzindo uma campanha militar brutal e desgastante, contando com o
cansaço de norte-americanos e europeus, dependentes do gás russo.
Este é o momento de a comunidade internacional enviar uma mensagem
inequívoca de que não tolerará aventuras imperialistas como a que está
ocorrendo na Ucrânia e que poderia vir a ocorrer em Taiwan
A posição de Taiwan é muito mais frágil que a da Ucrânia, uma nação
estabelecida, membro de pleno direito da comunidade internacional.
Apenas pouco mais de uma dúzia de países reconhecem a República da
China, nome oficial de Taiwan – o maior deles é o Paraguai. A maior
parte do ocidente (incluindo os Estados Unidos) mantém relações
informais com a ilha, enquanto reconhece formalmente a China comunista. A
postura norte-americana ficou conhecida como “ambiguidade estratégica”:
os EUA defendem o princípio de “Uma China”, mas não são claros sobre o
que isso significa, e a expressão tem sentidos diferentes dependendo de
quem a usa – para os comunistas chineses, por exemplo, ela descreve um
único país sob o governo do Partido Comunista, e que inclui a “província
rebelde” de Taiwan, que mais cedo ou mais tarde será submetida a
Pequim, por bem ou por mal.
Críticos da visita de Pelosi, mesmo aqueles solidários a Taiwan,
argumentaram que o momento escolhido não foi dos melhores, pois em breve
o Partido Comunista Chinês realizará seu congresso, no qual Xi Jinping
buscará um novo mandato, e o líder não pode demonstrar fraqueza em um
tema tão crucial quanto o status de Taiwan às vésperas do momento de sua
consagração como o governante comunista chinês mais forte depois de Mao
Tse-tung e Deng Xiaoping. No entanto, nada indica que a posição de Xi
esteja ameaçada caso ele não responda agressivamente à visita. E, a bem
da verdade, se a questão é não irritar o Partido Comunista, nenhuma hora
seria apropriada para se visitar Taiwan.
Mas a hora é totalmente apropriada para toda a comunidade
internacional (e não apenas os Estados Unidos) enviar uma mensagem
inequívoca de que não tolerará aventuras imperialistas como a que está
ocorrendo na Ucrânia e que poderia vir a ocorrer em Taiwan. A China de
2022 não é a mesma dos anos 90 do século passado, quando ocorreu a mais
recente Crise do Estreito de Taiwan: ela está mais poderosa e mais
agressiva, e faz questão de demonstrá-lo não apenas em Hong Kong, mas
também com todos os exercícios militares que faz nas proximidades da
ilha, lançando mísseis e frequentemente violando o espaço aéreo e o mar
territorial taiwaneses.
Por mais que o uso da via diplomática para dissuadir a China e o
envio de ajuda militar a Taiwan para que seja capaz de responder a uma
agressão chinesa continuem sendo sumamente necessários, eles não excluem
a importância de uma demonstração pública de apoio. Se a visita da
presidente de uma das casas do Poder Legislativo norte-americano (e que é
adversária de longa data do totalitarismo chinês) a Taiwan é a melhor
maneira de fazer tal demonstração, é algo passível de discussão diante
de tantos fatores envolvidos. E, ainda que esta visita específica não
tenha sido a decisão mais prudente, há de se reconhecer que os Estados
Unidos ao menos foram além de palavras de solidariedade e reforçaram a
promessa, feita por Joe Biden, de apoiar Taiwan em caso de um ataque
comunista.
Até o momento, a resposta da ditadura comunista foi parar de importar
peixe e frutas da ilha – sem, no entanto, tocar no importante comércio
de chips taiwaneses, fundamentais para as fábricas de eletrônicos
chinesas – e realizar novos exercícios militares mais próximos da ilha,
mas que até o momento soam mais como nova demonstração de força que como
sinal de um ataque iminente. Apenas os próximos dias e semanas
mostrarão se o recado norte-americano foi convenientemente entendido por
Pequim.