domingo, 1 de maio de 2022

MERCADO DE TRABALHO ESTAGNADO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Carteira de Trabalho – 04-05-2017 – Vários modelos de Carteira de Trabalho e Previdência Social do Ministério do Trabalho do Brasil.

| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo


O mercado de trabalho brasileiro caminha para uma perigosa estagnação, a julgar pelos últimos dados divulgados tanto pelo Ministério do Trabalho quanto pelo IBGE. Mesmo o Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (Caged), que vem registrando uma longa sequência de resultados positivos, com exceção apenas de dezembro de 2021, mostra uma desaceleração: em março, foram criadas 136,2 mil vagas de emprego com carteira assinada, contra os 329,4 mil de fevereiro. O primeiro trimestre deste ano, embora termine com um saldo positivo de 615 mil novos postos, fica abaixo do mesmo período de 2021, quando o país ainda vivia uma fase crítica da pandemia de Covid-19 – no primeiro trimestre do ano passado, o Novo Caged registrou 805 mil contratações a mais que demissões.

Da mesma forma, a Pnad Contínua do IBGE mostrou que a taxa de desemprego se manteve estável, em 11,1% no primeiro trimestre de 2022. Desde o último trimestre do ano passado a taxa vem oscilando entre 11,1% e 11,2%, depois de uma série de quedas significativas, de meio ponto porcentual a cada mês, após o pico de 14,9% no primeiro trimestre de 2021. O número mais recente, no entanto, superou as estimativas de mercado, que previa algo entre 11,3% e 11,7%. O número de desempregados teve uma leve queda, e ficou abaixo de 12 milhões pela primeira vez em mais de um ano.

O Brasil ainda tem taxas de desemprego muito altas para que haja uma estabilização do mercado de trabalho

Apesar da estabilidade, os dados do IBGE trazem alguns recortes ligeiramente positivos. O rendimento médio continua em leve tendência de alta, depois de vir caindo há mais de um ano – mesmo assim, os R$ 2.548 registrados agora ainda estão bem longe dos R$ 2.931 de julho de 2020. Também houve pequena redução na taxa de informalidade, de 0,6 ponto porcentual na comparação com o último trimestre de 2021, mas ela segue alta, atingindo 40,1% dos brasileiros ocupados. O número de desalentados, aqueles que nem mesmo chegaram a procurar emprego nos últimos três meses, também teve redução: agora, são 4,6 milhões de brasileiros nesta situação, contra 4,7 milhões no trimestre móvel encerrado em fevereiro.

Comentando os números do Caged, membros do governo afirmaram que a desaceleração no ritmo de contratações está ligada ao fim do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda (BEm) – que permitia acordos de redução proporcional de jornada e salário, ou suspensão temporária do contrato de trabalho, em troca da manutenção do emprego e da estabilidade por alguns meses – e seria um fenômeno natural após a retomada mais forte registrada em 2021. O grande problema é que o Brasil ainda tem taxas de desemprego muito altas para que haja essa estabilização. Levantamento da agência de classificação de risco Austin Ratings, baseado em projeções do FMI, mostra que o Brasil deve encerrar o ano com desemprego de 13,7%, o nono pior desempenho em um grupo de 102 países. Mas, mesmo se o país mantiver os 11,1% atuais, ainda terá taxas muito piores que as previstas para a média global (7,7%) e a média dos emergentes (8,7%) e do G20 (8%).


Esses números são ainda mais alarmantes considerando que o Brasil deve crescer menos que o resto do mundo neste ano. O FMI revisou para cima suas expectativas para o país, mas o 0,8% estimado agora ainda está abaixo da projeção de crescimento global (3,6%), dos emergentes (3,8%), das economias desenvolvidas (3,3%) e da América Latina (2,5%). Com a persistência da inflação, que parece não dar trégua nem mesmo com a adoção da bandeira mais barata para a energia elétrica, o ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central deve continuar, o que dificulta ainda mais o crédito, o consumo e os investimentos que gerariam emprego e renda.

Sem que a economia demonstre vitalidade suficiente para seguir absorvendo os brasileiros hoje sem emprego, o mercado de trabalho dependeria do empurrão que poderia vir por meio de reformas e mudanças legais, mas nem isso deve ocorrer também. À medida que as eleições se aproximam, qualquer discussão sobre reformas macroeconômicas tende a parar. A tão necessária desoneração da folha de pagamento empacou porque, a julgar pelo que vem da equipe econômica e até de empresários, a única forma de compensá-la seria com um imposto semelhante à antiga CPMF, solução rejeitada pelo Congresso e que condena o debate à paralisia total devido à incapacidade de encontrar outras alternativas. Juros em alta, crescimento baixo e políticos com outras prioridades são a receita para perpetuar uma das piores mazelas socioeconômicas que um país pode enfrentar.


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QUANDO O BRASIL ESTÁVA MAIS PRÓXIMO DA UNIÃO NACIONAL?

 

União nacional

Por
Guilherme Fiuza – Gazeta do Povo

FOTOTECA YOLANDA LAB:GAN

O presidente do Brasil em 1956, Juscelino Kubitschek| Foto: EFE/Miguel Cortés/yv

O Brasil precisa olhar no retrovisor e tentar enxergar em quais situações esteve mais próximo da união nacional. A união completa é impossível. Mas um alto nível de convergência social, mitigando os movimentos de instabilidade e refração, não só é possível como indispensável para qualquer chance de desenvolvimento real. Seria um delírio falar em união num momento como o atual?

Vejamos. Juscelino Kubitschek uniu o Brasil? Não. Mas é sem dúvida um dos símbolos mais reconhecíveis de um período em que o país se sentiu nação. E não por causa do projeto megalômano e perdulário de Brasília.

Parênteses: dizer que o projeto Brasília foi megalômano e perdulário também não significa um juízo conclusivo de que isso foi ruim para os brasileiros, ou que não deveria ter sido feito. Quem somos nós para fechar uma conta tão complexa. Apenas estamos dando a nossa impressão de que se tratou de uma ação marcada pela megalomania e pela incontinência orçamentária – o que antigamente se podia fazer sem atrair a sanha dos juízes sumários de plantão. Fecha parênteses.

Então, fora o delírio de Brasília, Juscelino teve um mérito, digamos, pacificador. Era um líder positivo, apaixonado, idealista, sorridente. Tinha sensibilidade para gente – uma das principais características que definem um verdadeiro político, tão em falta nos dias de hoje. Há até um seu conterrâneo presidindo o Congresso e citando frequentemente seu nome em vão, sendo sua persona praticamente oposta à do lendário ex-presidente, especialmente no quesito sensibilidade para gente.

O fato de que Juscelino tinha boas antenas para captar pessoas não significa que ele deixasse de colocar a sua própria pessoa em primeiro lugar. Era um personalista. Existe personalismo gregário? Existe. E qual foi o saldo disso? Sei lá. Consulte aí o seu retrovisor. O que estamos assinalando é que o “presidente bossa nova” personificou uma positividade brasileira, uma alma coletiva de coesão e autoestima nacional menos vocacionada para a autofagia e a fragmentação. Isso não é pouco.

Getúlio Vargas também representou em certo momento um espírito de união, por incrível que pareça. Não como o ditador que “uniu” o país à força. Mas como aquele que voltou pelo voto a pedido da maioria – para comandar um governo problemático que terminou com o suicídio do governante. Foi então uma união desastrosa – diria você, com boas chances de ter razão. De qualquer forma, o exercício aqui é buscar na história quais elementos são capazes de unir (relativamente) o país, e tentar extrair alguma boa receita deles.

No populismo getulista, talvez o fator sadio de propensão à união estivesse no anseio firme dos que trabalham de não viverem subjugados pela elite fisiológica. Sim, existe a elite fisiológica. É a união do poder intelectual e econômico para sugar a maioria com pretextos de estado. Essa união não interessa a país nenhum, embora sempre se apresente com ótimas aparências. Dê uma olhada na micareta cívica de Jorge Paulo Lemann em Boston e encontre a adaptação para os dias de hoje do que estamos falando.

Houve na fermentação do getulismo algo desse legítimo anseio das pessoas comuns de reagir vigorosamente ao elitismo parasitário? Fica a pergunta.

Quase meio século depois do “queremismo” – o movimento que trouxe Vargas de volta ao poder por vias democráticas (que acabou mal, vamos sempre ressalvar, para acalmar os juízes da execução precoce), o país se uniu em torno do improvável. Outra ressalva: isto não é um inventário das conjunturas estáveis por que o país já passou. É só uma escolha arbitrária de alguns momentos históricos que possam, talvez, dizer algo sobre o espírito de união nacional, presumindo que ele exista.

O improvável unificador no apagar das luzes do século 20 não foi um líder carismático. Foi uma ação efetiva. O espírito de congregação dos brasileiros foi despertado pela batalha contra o dragão invencível. O ataque contundente à inflação após sucessivas escaramuças que só aumentaram o poder de fogo do monstro encheu de brio os brasileiros. Foi um dos períodos históricos mais desoladores para os vendedores de segregação.

Hoje a segregação está na moda – e virou um poderoso ativo de mercado. Pode estar aí o início da conversa sobre chances atuais de união nacional. Sim, é um papo inocente. Mas com tantos culpados em cena, um pouco de inocência não fará mal a ninguém. Dá uma olhada no espelho (retrovisor).


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O QUE É O CAFÉ SOLÚVEL E OS MELHORES

 

Feito em um instante

Nova safra de cafés instantâneos mostra que mercado está empenhado em oferecer produtos de melhor qualidade. Confira avaliação

Se só de ouvir falar em café solúvel você já vira os olhos, com total desprezo, este teste realizado pelo Paladar servirá como um convite para deixar o preconceito de lado e se abrir para novas experiências. É verdade que a má reputação do café instantâneo, como também é chamado, não é de graça: no Brasil, bem como na Europa e nos Estados Unidos, ele é visto como um produto de qualidade regular (quando não, pior) em razão de os produtos oferecidos serem preparados, principalmente, a partir de grãos da espécie Coffea canephora e suas variedades conilon e robusta, de maior rendimento no processo industrial. 

Desgutação às avaliou os melhores cafés solúveis do mercado 

Desgutação às avaliou os melhores cafés solúveis do mercado  Foto: Felipe Rau/Estadão

A boa notícia é que, por aqui, há um movimento para oferecer café solúvel de excelente qualidade pelas principais torrefações, acompanhando uma tendência global. Destaque para as badaladas Intelligentsia, de Chicago; Ritual, de San Francisco; e Blue Bottle, de Oakland, que passaram a oferecer suas versões de café instantâneo. Na Europa, o destaque vai para a italiana illy, com blend de arábicas, e para a alemã The Barn, que mantém um excelente café instantâneo preparado com grãos naturais etíopes Dambi Uddo.

Curiosamente, o Brasil produz café instantâneo com grãos de café arábica desde a década de 1980, com a Cia. Iguaçu de Café Solúvel. A produção, porém, era exclusiva para exportação para o mercado japonês.

 

A degustação

Como já é possível encontrar no mercado uma porção destes novos cafés instantâneos, promovemos uma degustação às cegas para avaliar 11 destes produtos.

Tendência global. Há um novo movimento para oferecer café solúvel de excelente qualidade

Tendência global. Há um novo movimento para oferecer café solúvel de excelente qualidade Foto: Felipe Rau/Estadão

Além de mim, Ensei Neto, especialista no assunto e autor do blog Um Café para dividir, a prova, realizada no Centro de Preparação de Café do Sindicafé São Paulo, contou com um júri de peso, que se relaciona com a bebida de diferentes formas: Camila Archanjo (do Sindicafé), Maurício Maia (do blog O Cachacier) e a chef Carla Pernambuco. Cada jurado foi colocado em uma cabine de avaliação sensorial para provar as amostras de café preparadas na proporção de 1:39 (10g de café instantâneo para até 400 ml de água) – o equivalente a uma colher de chá para uma caneca de 240 ml. A água utilizada foi padronizada em sistema Pentair e aquecida a 96°C para o serviço.

No geral, a degustação surpreendeu os jurados por conta da alta qualidade, “inesperada desse tipo de café”, declararam. Boa acidez, notas frutadas e baixo amargor foram os pontos altos encontrados durante a prova. “Muito diferente do que se conhecia até agora”, afirma Maia. O resultado, para mim, mostra que o café especial, agora como instantâneo, rompeu sua última barreira. Confira as avaliações mais abaixo. 

 

O que é e como é feito o café solúvel

O café instantâneo pode ser produzido por dois processos principais: a atomização, ou spray dryer, e a liofilização. Basicamente, busca-se a retirada de toda a água de uma solução de café, convertendo as substâncias que estavam dissolvidas em algo sólido.

O sistema por spray dryer consiste em produzir, inicialmente, um café extraído em alta concentração para, então, ser submetido por aspersão em microgotas a uma corrente de ar quente. O resultado é um pó fino, que pode passar por outro processo para formar o chamado aglomerado, que também se dissolve facilmente em água fria.

Nova safra de cafés instantâneos mostra que mercado está empenhado em oferecer produtos de melhor qualidade

Nova safra de cafés instantâneos mostra que mercado está empenhado em oferecer produtos de melhor qualidade Foto: Felipe Rau/Estadão

Já o café solúvel liofilizado, geralmente apresentado em pequenas placas, é obtido por meio de um processo inicial de congelamento do extrato de café para, então, ter a água sublimada (passagem do estado sólido ao vapor, sob quase vácuo). O resultado sensorial é muito rico, pois praticamente não há perda das substâncias mais voláteis e, portanto, mais delicadas.

 

Senta que lá vem história

O café instantâneo nasceu na Grã Bretanha, em 1771, enquanto que o primeiro produto americano foi lançado em 1851. Seu principal apelo era a facilidade no transporte e no preparo, tendo sido utilizado inicialmente por soldados durante a Guerra Civil.

O nipo-americano Satori Kato foi inventor do primeiro método industrial para criar café solúvel em pó com boa estabilidade, em 1901. Em 1937, o químico Max Morgenthaler, da Nestlé, aprimorou o processo de preparo do café instantâneo, obtendo um pó de fácil dissolução em água, com resultado similar ao de um café fresco. A primeira indústria de café solúvel no Brasil foi instalada em 1953, atividade na qual, hoje, nosso País é o líder mundial de produção e exportação.

Os melhores cafés solúveis do mercado

Nescafé Gold 8

Nestlé, liofilizado (R$ 21,99 no Pão de Açúcar)

Bebida com excelente estrutura, com destaque para sua acidez licorosa e corpo com toque sedoso. “Melaço e caramelo dão o tom. Impressiona também pelo bom corpo”, descreve a chef Carla Pernambuco.

Perfil Sensorial: acidez licorosa, chocolate, caramelo, castanhas, encorpado, estruturado.

Nescafé Gold 8

Nescafé Gold 8 Foto: Feliep Rau/Estadão

 

2º Nescafé Origens do Brasil – Chapada Diamantina

Nestlé, spray dryer pó (R$ 14,20 no Sonda Supermercados) 

Feito com grãos 100% arábica com grãos da baiana Chapada Diamantina, destacou-se pelo caramelo intenso e pelo equilíbrio da bebida. “Tem notas frutadas e finalização elegante”, afirma Ensei Neto.

Perfil Sensorial: acidez cítrica média baixa, castanhas, caramelo, leve floral, frutado, encorpado médio, elegante.

Nescafé Origens do Brasil – Chapada Diamantina

Nescafé Origens do Brasil – Chapada Diamantina Foto: Feliep Rau/Estadão

 

3º Cafuso Tradicional

Real Café, spray dryer granulado (R$ 3,60; 50g – marca capixaba, ainda não vende em SP)

“Cremoso”, definiu Maurício Maia. Produto 100% conilon, destacou-se pelo equilíbrio e pelo corpo. Tem boa acidez final, além de delicada nota frutada.

Perfil sensorial: acidez cítrica média, frutado, chocolate, encorpado, discreta adstringência, macio.

Cafuso Tradicional

Cafuso Tradicional Foto: Felipe Rau/Estadão

 

Cafuso Extraforte 

Real Café; spray dryer granulado; R$ 3,60; 50g (marca capixaba, ainda não vende em SP)

É 100% conilon. Surpreendeu aos jurados pelo perfil equilibrado e pelo fato de ser fácil de beber.

Perfil sensorial: acidez cítrica média, encorpado, macio, com notas de chocolate.

illy

illycaffè; liofilizado (R$ 45,36 no Carrefour)

100% arábica, tem 3% de café em pó. Seu blend é composto de grãos de diferentes países, entre eles o Brasil.

Perfil sensorial: acidez cítrica delicada, notas herbáceas, leve caramelo, discreta aspereza.

 

Lor Classique

JDE; liofilizado (R$ 17,20 no St. Marché)

Blend de arábica e canephora. A bebida é “flat”; poderia ser mais ousada. 

Perfil sensorial: acidez baixa, leve cítrico e chocolate, leve adstringência.

 

Nescafé Gold 6 Espresso

Nestlé, liofilizado; R$ 19,20 no St. Marché

Surpreendente acidez cítrica, muito bem trabalhada com notas de caramelo e o toque cremoso da percepção de corpo. “A acidez é brilhante, vibrante, incrível”, avaliou Camila Archanjo.

Perfil sensorial: acidez brilhante, caramelo, cítrico, encorpado, cremoso, equilibrado.

 

Nescafé Gold 9

Nestlé; liofilizado (R$ 18 no Pão de Açúcar)

Preparado com grãos 100% arábica, sua torra intensa privilegia o sabor amargo. Vai bem com leite.

Perfil sensorial: acidez baixa, amargor intenso, leve defumado, leve adstringência.

 

Nescafé Origens do Brasil – São Sebastião do Paraíso

Nestlé; spray dryer pó (R$ 14,50 no Pão de Açúcar)

Grãos 100% arábica provenientes do Sudeste de Minas Gerais, divisa com a Alta Mogiana (área reconhecida pela produção de cafés de excelência). 

Perfil sensorial: acidez cítrica média, chocolate, leve frutado, amendoim, pouco encorpado.

Nescafé Origens do Brasil – Serras do Alto Paranaíba

Nestlé; spray dryer pó (R$ 14,20 no Sonda Supermercados)

Bebida equilibrada. 100% arábica com grãos produzidos no Cerrado Mineiro.

Perfil sensorial: acidez cítrica média, leve caramelo, notas tostadas, finalização macia.

 

Três Corações

Três Corações; liofilizado (R$ 18,35 no St. Marché)

100% arábica. O sabor químico predominou, impactando na percepção de corpo. 

Perfil sensorial: acidez cítrica média, amargor intenso, sabor químico, corpo leve.

JESUS E O TRABALHO

 

  1. Cultura 

Trabalhar

Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo

Trabalhar é bom? Tenho uma intuição estranha. No Dia dos Namorados, namoramos. No Dia das Crianças, ficamos juntos delas e presenteamos. Cada festa nos leva a demonstrar a excelência da homenagem com a intensificação do objeto celebrado. No Dia do Trabalho, curiosamente, folgamos. 

É muito original, querida amiga trabalhadora e estimado amigo do labor. Imagine o anúncio: hoje, em função do Dia das Mães, vocês podem se afastar das suas genitoras o dia todo. Aniversário da pessoa amada? Graças à efeméride, não é preciso ficar junto ou ligar para a festa. Todos acharíamos muito bizarro se fosse assim. Entramos no feriado do trabalho com alegria total. 

A hipótese aqui levantada é: se trabalhar fosse bom, celebraríamos fazendo serões, pulando o intervalo do almoço e dobrando as metas. Assim, teríamos homenageado o Dia do… Trabalho fazendo o que nele admiramos. Alguém dirá: não é o “Dia do Trabalho”, trata-se da data do trabalhador. Isso seria o reconhecimento da negatividade do trabalho. Engrandece o homem? Dignifica? Sustenta e ampara? Continuo com desconfianças…

Imagine a cena: você ganhou a Mega-Sena da virada. Sua conta foi subitamente preenchida por, digamos, 378 milhões de reais. Uma quantia que muda a vida de quase todo mundo. Liberte-se do real e fantasie. O que você faria? Muitas pessoas viajariam com a família, comprariam uma casa melhor para a mãe, dariam presentes a filhos e festas a amigos. Há tantas coisas diante do cenário novo do dinheiro a rodo. Ninguém, absolutamente ninguém, faria planos de chegar mais cedo ao escritório no dia seguinte. “Preciso estar lá logo para garantir ao patrão que nada mudou…” Não! Nunca! A sogra seria presenteada, o cunhado, agraciado, o síndico receberia um sorriso especial. O trabalho? Abandonado para sempre. 

Jesus, Maria e José (estátua)
Estátua de Maria, José e o menino Jesus exposta para venda em uma loja de artigos religiosos próxima ao Vaticano em Roma, em 15 de março de 2013 Foto: REUTERS/Chris Helgren

Vou apimentar a discussão. Supomos que Jesus tenha ajudado seu pai na carpintaria ou sua mãe na cozinha. Supomos, porque… nem uma única linha nos Evangelhos mostra o Messias trabalhando. Sabemos que tudo que é necessário para a salvação está descrito na Bíblia. Jesus trabalhando não ocupa um versículo. Mais, chocada leitora e espantado leitor: ao chamar os apóstolos, retira-os do seu trabalho. Pedro e seu irmão André deixaram de pescar quando Cristo os convidou. Ocorreu o mesmo com Tiago e João. Mateus, filho de Alfeu, parou de cobrar impostos diante da ordem inapelável: “Segue-me!”. Querem piorar nossa visão do mundo produtivo direto? O único apóstolo que exerceu uma atividade especializada após o chamado foi… Judas Iscariotes. Foi tesoureiro do grupo sagrado e, antes de entregar o Mestre aos inimigos com um beijo e 30 moedas, demonstrou-se corrupto. 

Convenhamos: a função de Jesus de Nazaré era maior do que uma carreira profissional. Pregar, curar, fazer milagres ocupa bem uma existência. Comida? Podia multiplicar pães e peixes, fazer seu próprio vinho a partir de água, participar de jantares e festas em casas de terceiros (Zaqueu, por exemplo) ou produzir peixes em uma pesca milagrosa. Com tais poderes, bater cartão estava fora de questão. O Mestre estava envolvido em uma missão enorme e transformadora, todavia, não existe um relato de um banquinho simples feito pelas mãos do filho do carpinteiro. 

Saiamos do campo minado das figuras religiosas. Escrito perto da Grande Guerra, o poema de Apollinaire chamado Hôtel anuncia que, no quarto em forma de prisão, ele decide que irá apenas fumar e não trabalhar (Je ne veux pas travailler je veux fumer). O poema inspirou o grupo Pink Martini e eles produziram a música Sympathique (je ne veux pas travailler). Se você não conhece, escute, especialmente hoje. A letra traduz uma despreocupação com o trabalho (e com a saúde…) que causa uma reação positiva e um sorriso em quase todo mundo. Conheci como tema da propaganda de um carro francês, há mais de 20 anos. Revi quando a atriz Elizabeth Tan, vivendo Li, a rica chinesa da série Emily em Paris, cantou na rua com sua voz afinada. 

Tudo até aqui leva a crer que sou resistente a trabalho. Pelo contrário. Fui professor que não faltava e não atrasava. Entrego meus textos com antecedência enorme. Chego cedo às palestras. Trabalho, quando necessário, aos sábados e domingos. Dei duas palestras em Sabará (MG) no dia do meu aniversário. Acordo todos os dias às 4h para ler, estudar, escrever e trabalhar. Sou um workaholic crônico e feliz. E nem sequer lanço mão de cigarros para ter o prazer do ócio com volutas de fumaça descrito na música do grupo Pink Martini. Apenas sigo e indico meus espantos no Dia do Trabalho. Destaco nossa alegria na sexta à tardinha e o alvorecer sombrio das segundas. Trabalhei muito. Farei ainda mais coisas nos próximos anos. Just in case… confesso, jogo na Mega-Sena. Amo trabalhar, mas, quem sabe, eu teria um outro tipo de esperança com 378 milhões extras… Ajuda bastante. Concorda? 

* LEANDRO KARNAL É HISTORIADOR, ESCRITOR, MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS E AUTOR DE ‘A CORAGEM DA ESPERANÇA’, ENTRE OUTROS

DIFERENTES FORMAS DE LIDERANÇA

 

UOL EdTech | EdCorp

Há anos um texto homônimo ao assunto deste e-mail é um dos mais lidos do nosso blog. E há séculos – O Príncipe, de Nicolau Maquiavel foi publicado pela primeira vez em 1532 – se discute qual é a postura adequada de lideranças e como exercer o poder e a influência necessários para que os objetivos comuns sejam alcançados.

Entretanto, nas empresas, como em quaisquer outras convenções sociais, lideranças informais despontam o tempo todo, muitas vezes com maior impacto e melhores resultados que lideranças hierárquicas. Por que será?

A literatura, o cinema, o teatro e até a música já exploraram à exaustão as diferentes formas de liderança. O carrasco, o mentor, o que joga junto, o que arrasta multidões. De elencar assim você já deve ter se lembrado de um ou mais exemplos de cada um desses tipos de líderes. E isso, além de ter a ver com a personalidade de cada líder, impacta também o resultado que ele entrega.

Para manter o exemplo lúdico, quando pensamos na tão famosa frase que Maquiavel nunca escreveu “os fins justificam os meios”, linkamos a ela um líder carrasco – como o musicista Terrence Fletcher no filme Whiplash (disponível no Globoplay, Amazon Prime e Star+), que literalmente faz sangrar seu liderado em busca de um resultado de excelência. Mas quem realmente utilizou de uma liderança em que os fins justificam os meios foram o Mestre Yoda (Star Wars) e o Professor Dumbledore (Harry Potter) – que são vistos como mentores.

E isso tem a ver também com os estágios de maturidade e de passagem pelo que Ram Charam nomeou “o pipeline da liderança”. Os líderes que são temidos, como Maquiavel colocaria, ou aqueles que entendem que a sua posição lhes confere poder e, por isso, é preciso agir com tal poder, estão provavelmente patinando no primeiro estágio do pipeline da liderança: de gestor de si, para gestor dos outros. Daí que o provérbio ganha força. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Isso não significa, porém, que líderes mais experientes, que já passaram pelos estágios de gerir gestores, funções, negócios e corporações não possam ter comportamentos similares. Afinal, muitas decisões, projetos e tarefas acontecem na base do top-down. Que é também uma ferramenta de liderança, principalmente em momentos que a estratégia precisa ser executada com mais afinco.

E, por incrível que pareça, é aí que você vê despontar ou fortalecer lideranças informais – as que jogam junto e as que arrastam multidões. Se existe alguém dando ordens e demandando de maneira incisiva por um lado, pelo outro tem alguém traduzindo essas ordens de forma mais palatável e influente, tecendo relações e explorando os ganhos coletivos de se cumprir tais demandas. Se tem alguém dando apenas fragmentos mínimos de informação para que um projeto ou tarefa sejam cumpridos, há espaço para que exista alguém que apresente contexto, histórico e cenários possíveis.

E, não entenda errado, a questão não se resume a good cop, bad cop. Lideranças – formais ou informais – têm seus estilos diversos e, se bem capacitadas, têm também uma gama de competências que garantem não só bons resultados, mas continuidade do que se faz. A vantagem que as lideranças informais levam sobre as lideranças formais na estrutura organizacional, é que o trânsito e a troca entre elas é mais simples e mais gentil – como um favor entre amigos. Então o “manda quem pode, obedece quem tem juízo” é mais um “manda quem pode, faz acontecer quem tem amigos”. E são essas pessoas que precisam ser valorizadas e capacitadas para serem a próxima geração de líderes. Afinal, são elas quem carregam o engajamento que vai gerar o resultado.

Capacite todas as suas lideranças – formais, informais e individuais

Treinamento de liderança não deve ser exclusivo para quem ocupa posição de gestão de pessoas. Desenvolver competências de liderança em todos os seus colaboradores é o caminho para ter times mais autônomos e profissionais mais engajados e satisfeitos. Para auxiliar sua empresa na construção de jornadas de liderança, confira alguns títulos SapiênCia que são essenciais:

1 – Lider sem distância

2 – Liderança ágil e transformadora

3 – O cérebro dos líderes

4 – Como ser relevante e se tornar referência

5 – Comunicação e comportamento

6 – Empatia assertiva

7 – Inteligência social

CARACTERÍSTICAS DA VALEON

Perseverança

Ser perseverante envolve não desistir dos objetivos estipulados em razão das atividades, e assim manter consistência em suas ações. Requer determinação e coerência com valores pessoais, e está relacionado com a resiliência, pois em cada momento de dificuldade ao longo da vida é necessário conseguir retornar a estados emocionais saudáveis que permitem seguir perseverante.

Comunicação

Comunicação é a transferência de informação e significado de uma pessoa para outra pessoa. É o processo de passar informação e compreensão entre as pessoas. É a maneira de se relacionar com os outros por meio de ideias, fatos, pensamentos e valores. A comunicação é o ponto que liga os seres humanos para que eles possam compartilhar conhecimentos e sentimentos. Ela envolve transação entre pessoas. Aquela através da qual uma instituição comunica suas práticas, objetivos e políticas gerenciais, visando à formação ou manutenção de imagem positiva junto a seus públicos.

Autocuidado

Como o próprio nome diz, o autocuidado se refere ao conjunto de ações que cada indivíduo exerce para cuidar de si e promover melhor qualidade de vida para si mesmo. A forma de fazer isso deve estar em consonância com os objetivos, desejos, prazeres e interesses de cada um e cada pessoa deve buscar maneiras próprias de se cuidar.

Autonomia

Autonomia é um conceito que determina a liberdade de indivíduo em gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias escolhas. Neste caso, a autonomia indica uma realidade que é dirigida por uma lei própria, que apesar de ser diferente das outras, não é incompatível com elas.

A autonomia no trabalho é um dos fatores que impulsionam resultados dentro das empresas. Segundo uma pesquisa da Page Talent, divulgada em um portal especializado, 58% dos profissionais no Brasil têm mais facilidade para desenvolver suas tarefas quando agem de maneira independente. Contudo, nem todas as empresas oferecem esse atributo aos colaboradores, o que acaba afastando profissionais de gerações mais jovens e impede a inovação dentro da companhia.

Inovação

Inovar profissionalmente envolve explorar novas oportunidades, exercer a criatividade, buscar novas soluções. É importante que a inovação ocorra dentro da área de atuação de um profissional, evitando que soluções se tornem defasadas. Mas também é saudável conectar a curiosidade com outras áreas, pois mesmo que não represente uma nova competência usada no dia a dia, descobrir novos assuntos é uma forma importante de ter um repertório de soluções diversificadas e atuais.

Busca por Conhecimento Tecnológico

A tecnologia tornou-se um conhecimento transversal. Compreender aspectos tecnológicos é uma necessidade crescente para profissionais de todas as áreas. Ressaltamos repetidamente a importância da tecnologia, uma ideia apoiada por diversos especialistas em carreira.

Capacidade de Análise

Analisar significa observar, investigar, discernir. É uma competência que diferencia pessoas e profissionais, muito importante para contextos de liderança, mas também em contextos gerais. Na atualidade, em um mundo com abundância de informações no qual o discernimento, seletividade e foco também se tornam grandes diferenciais, a capacidade de analisar ganha importância ainda maior.

Resiliência

É lidar com adversidades, críticas, situações de crise, pressões (inclusive de si mesmo), e ter capacidade de retornar ao estado emocional saudável, ou seja, retornar às condições naturais após momentos de dificuldade. Essa é uma das qualidades mais visíveis em líderes. O líder, mesmo colocando a sua vida em perigo, deve ter a capacidade de manter-se fiel e com serenidade em seus objetivos.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

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sábado, 30 de abril de 2022

SUPERAVIT PRIMÁRIO E TETO DE GASTOS

 

Editorial
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Gazeta do Povo

Dinheiro / Real – 25-05-2017 – O Real é a moeda corrente oficial da República Federativa do Brasi e é conhecida pelo R$l. A cédula de um real deixou de ser produzida, entretanto continua em circulação alguns exemplares. As demais cédulas de real continuaram sendo produzidas normalmente pela Casa da Moeda. Entre elas, as notas de: 2,5,10,20,50 e 100. Na foto, detalhes de uma nota de 100 reais.

Governo federal projeta que o superávit primário estará de volta em 2025.| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo


O governo federal já tem data para encerrar uma longa sequência de déficits primários iniciada em 2014, ano em que ficou evidente que a “nova matriz econômica” petista, adotada anos antes, arruinaria o país com sua explosão de gasto público. De acordo com as projeções feitas nos anexos do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2023, enviado ao Congresso, o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) terá superávit primário de R$ 33,7 bilhões em 2025 – no ano passado, o superávit primário se referiu ao setor público consolidado, que também inclui estados e municípios; foram eles que fecharam o ano no azul, já que a União ainda teve déficit de R$ 35,1 bilhões.

No entanto, para que isso ocorra o Ministério da Economia também prevê uma forte redução em gastos discricionários, que envolvem o custeio da máquina administrativa e os investimentos de livre escolha do governo. E, sempre que surge a perspectiva de redução nos investimentos ou de piora do serviço público, aparece a tentação de culpar o “suspeito de sempre”, o teto de gastos. A regra que limita a elevação do gasto público geral à inflação foi adotada em 2016, como resposta ao descontrole petista; além de ser atacada desde que foi proposta, mais recentemente também passou a ser desmoralizada e contornada com gambiarras legais.

O raciocínio é simples: o valor total que o governo pode gastar só pode subir o equivalente à inflação, mas há vários tipos de gastos obrigatórios que sobem acima da inflação, sem falar em despesas novas que são criadas. A “fatia” desses gastos, portanto, cresce mais que todo o bolo, deixando uma parcela menor para a despesa discricionária; se o governo quiser fechar o ano no azul, precisará apertar o cinto com mais força justamente no custeio da máquina e nos investimentos. Derrubar o teto seria a forma mais simples de eliminar essa dificuldade.

Um país que retira da sociedade um terço de tudo o que ela produz na forma de impostos não pode dizer que não tem recursos para investimentos e serviços públicos de qualidade

Felizmente, não é essa a solução que está proposta no PLDO. No mesmo anexo em que se prevê o superávit primário em 2025, a equipe econômica admite que o “crescimento na participação dos gastos obrigatórios em detrimento dos gastos discricionários (…) tende a precarizar gradualmente a oferta de bens e serviços públicos e a pressionar, ou, até mesmo, eliminar investimentos importantes”, mas afirma que a forma de evitar esse desfecho é “a necessidade de avanço na agenda de reformas estruturais”. Os autores dizem que “é importante que alterações com vistas a proporcionar maior flexibilidade nas regras fiscais sejam evitadas ao máximo para se impedir uma trajetória de persistente crescimento do endividamento”, e lembram que o respeito às regras traz uma resposta positiva do mercado financeiro, e vice-versa. “Eventuais alterações no modelo de metas de resultado primário provocam mudanças na percepção de risco de quem financia o governo, o que pode causar aumento de custos desse financiamento. É notória a relação positiva entre regras fiscais críveis e queda nos prêmios de risco de refinanciamento, como pôde ser observado à época da criação do teto de gastos, pois logo após sua instituição as taxas de juros dos instrumentos de financiamento da dívida registraram queda relevante”, diz o anexo.

“A realização de reformas que reduzam a proporção de despesas obrigatórias e de receitas vinculadas no orçamento são importantes para melhorar o funcionamento das regras, mas não se deve abrir mão das regras”, continua o texto. No entanto, há quem sugira, ainda que de forma tímida, outro tipo de regras. Na entrevista coletiva de apresentação do PLDO, em 18 de abril, o secretário especial de Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Esteves Colnago, defendeu o teto, mas fez uma leve ressalva. “O reajuste automático pela inflação é uma regra que a gente deveria olhar com mais cuidado. Obviamente demanda alteração constitucional, mas essa prerrogativa de aumentar as despesas deveria ser do Congresso, e não uma fórmula automatizada na Constituição”. A crítica, aqui, não é endereçada ao teto, mas ao indexador.

Usar a inflação para reajustar o teto de gastos significa que o aumento no gasto público é apenas nominal, não real. Isso traz uma vantagem sobre indexadores que poderiam proporcionar aumento real nos gastos, especialmente em épocas de vacas gordas, com crescimento robusto do PIB e da arrecadação, pois é justamente nesses momentos que vem a tentação de incorporar mais despesas, contratando um gasto que se torna permanente mesmo que mais adiante venha um período ruim para a economia, comprometendo os cofres públicos. Solução muito mais arriscada seria deixar o índice de correção a cargo do Congresso, de forma arbitrária, pois neste caso seria impossível prever que decisão sairia da mente de parlamentares adeptos do terraplanismo orçamentário, crentes na geração espontânea e ilimitada de dinheiro público. Considerando as possíveis alternativas, a inflação como critério para a correção do teto ainda parece a melhor escolha, ao menos por ora.

Um país que retira da sociedade um terço de tudo o que ela produz na forma de impostos não pode dizer que não tem recursos para investimentos e serviços públicos de qualidade. A culpa não é do teto, e sim do engessamento legal do orçamento e da falta de disposição de governo e Congresso em aplicar os “três Ds” (desobrigar, desindexar e desvincular); da voracidade de parlamentares interessados em emendas e fundos bilionários de financiamento de partidos e campanhas; de subsídios fiscais mal aplicados e ineficientes; de um Estado inchado; dos infinitos e caros privilégios dos membros dos três poderes e da elite do funcionalismo. Sem as reformas que ataquem com força esses escoadouros de dinheiro público, pode-se até dinamitar o teto que os investimentos e serviços seguirão precarizados.


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