segunda-feira, 18 de abril de 2022

NAÇÕES PREPARAM VOLTA À LUA

  1. Ciência 

Países preparam missões e projetam novas viagens tripuladas depois de cinco décadas

Italo Lo Re, O Estado de S.Paulo

Com a Lua de volta ao foco, a corrida espacial projeta importantes avanços para este e os próximos anos. Principal aposta da Nasa, agência espacial americana, o programa Artemis deve iniciar expedições de teste para enviar nesta década astronautas à Lua pela primeira vez desde 1972. Depois, a agência quer empregar as mesmas tecnologias para buscar um feito inédito: levar o homem a Marte. Após um ano movimentado, países como Rússia e China também têm progredido rumo a esse objetivo.

Cientistas ouvidos pelo Estadão indicam que, a exemplo dos anos 1960, há agora um novo ímpeto para enviar expedições à Lua, o que inclui missões não tripuladas. Alguns dos planos, contudo, podem ser freados diante da guerra na Ucrânia, que compromete inclusive a manutenção da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

Artemis
Equipamento que deve ser lançado para fora da Terra está no Cabo Canaveral, na Flórida; Nasa prevê finalizar etapas de testes este mês Foto: Frank Micheaux/NASA via The New York Times

Inicialmente, o objetivo da Nasa para o programa Artemis era levar a primeira mulher e o primeiro astronauta não branco à superfície da Lua até 2024. No documento de apresentação do projeto, de 2020, o então administrador da Nasa, Jim Bridenstine, disse que a agência usaria a expedição à Lua como “trampolim para o próximo grande salto – a exploração humana de Marte”.

A programação teve de ser adiada após imprevistos – a agência revelou que não irá concluir o Artemis antes de 2025 –, mas as etapas do programa avançam. A Nasa prevê concluir neste mês o que é considerado o último grande teste antes de lançar à órbita da Lua seu megafoguete Space Launch System (SLS), o mais potente desenvolvido até aqui. Esse teste de combustível estava programado para o início de abril, mas já teve de ser adiado três vezes para que os técnicos fizessem pequenos reparos após a identificação de problemas, como um vazamento.

Nomeada Artemis 1, a expedição prevista para este ano será não tripulada e com duração de cerca de três semanas. Simulará o trajeto pensado para a expedição com os astronautas, mas sem a nave pousar no local. “Todo mundo (da Nasa) está muito entusiasmado com a missão Artemis, que vai levar pessoas de volta à Lua”, afirmou ao Estadão a astrônoma Rosaly Lopes, cientista-chefe da área de Ciências Planetárias do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.

“A Lua é mais interessante do que se pensava no fim do programa Apollo (que levou o homem à Lua nos anos 1960 e 1970). Houve desinteresse na Lua, mas depois voltou”, prosseguiu, atribuindo a retomada a novos estudos e expedições recentes. “Estamos em um momento de exploração espacial interessante. Tem várias missões no sistema solar e em volta da Terra.”https://arte.estadao.com.br/uva/?id=QB4eaz

Prazos e desafios

A pesquisadora pondera, por outro lado, que a data para o lançamento da missão tripulada do Artemis está em aberto, até pela complexidade da aventura. “As missões tripuladas são bem mais difíceis de fazer e também muito mais caras”, disse Rosaly, que trabalha na Nasa há mais de 30 anos. O orçamento estimado para a missão Artemis é de cerca de US$ 100 bilhões (R$ 470 bilhões), mas o valor final depende de aval no Congresso americano.

A missão que levou astronautas à Lua de 1969 a 1972 teria custado hoje mais de US$ 200 bilhões (R$ 940 bilhões), estimam cientistas. “A tecnologia que foi usada na década de 1960 para ir à Lua era muito cara”, diz Adilson de Oliveira, professor de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Foi uma das razões, explica, que tornaram missões à Lua inviáveis por longo tempo.

“Com esse projeto novo da Artemis, que estão fazendo em parceria com empresas privadas, eles têm uma possibilidade de avançar com outras tecnologias”, afirma. Como exemplo, Oliveira cita um mecanismo desenvolvido pela Space X, empresa do bilionário Elon Musk, para recuperar os foguetes após os lançamentos, o que barateia a missão espacial.

Os projetos que miram a Lua visam a ampliar a presença do homem no espaço e desenvolver novas tecnologias para chegar a Marte no futuro. “A presença na Lua é um treino para ir para outros corpos do Sistema Solar”, diz Alexandre Zabot, professor de Engenharia Aeroespacial da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele relembra que, enquanto a ISS fica a menos de mil quilômetros da Terra, a Lua está a 380 mil quilômetros – um desafio bem maior.

“A Lua nunca foi devidamente explorada. As missões Apollo, por exemplo, só foram um fascínio na Lua. Nunca foi feita missão científica mais profunda”, diz Oliveira. “Mesmo na fase soviética, que mandaram sondas para retirar material e trazer para a Terra, isso foi muito pouco analisado.” 

Além da Artemis, a Nasa tem dois robôs em Marte e leva à frente duas importantes missões no momento: a primeira é a Psyche, que visa a estudar um asteroide similar ao núcleo da Terra “É um asteroide metálico, como se fosse um interior de um asteroide que está exposto”, diz Rosaly. O lançamento é previsto para este ano e o retorno, para 2026. A segunda missão é a Dart, cujo objetivo é testar tecnologias para proteger a Terra de eventual colisão com asteroides. 

nasa Artemis
Nasa se prepara para mandar astronautas de novo à Lua e traballho é visto como um treino para alcançar novos destinos, como Marte Foto: Joe Skipper/Reuters

Outras missões 

Como parte dos eventos previstos para 2022, a Roscosmos, agência espacial da Rússia, anunciou o lançamento do foguete da missão Luna 25 à Lua a partir do 2º semestre. O programa foi montado para enviar a primeira expedição da agência à Lua desde 1976, período da Guerra Fria.

Paralelamente, a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) conduz o programa Juice, cujo lançamento de uma sonda para explorar as luas de Júpiter deve ocorrer até o próximo ano, e o ExoMars, em parceria com a Roscosmos. Em 2016, a primeira parte desta segunda missão foi bem sucedida e enviou um equipamento para orbitar ao redor de Marte. Para este ano, a previsão da ExoMars era lançar um robô à superfície marciana para procurar sinais de vida a partir de 2023, quando chegasse ao planeta vermelho.

Mas a guerra na Ucrânia comprometeu o planejamento para a Exomars. A ESA informou no último mês a suspensão da cooperação com a agência russa para a missão. O conflito no leste europeu pode resvalar ainda na manutenção da ISS, laboratório orbital desenvolvido por uma coalizão de 15 países há mais de 20 anos para conduzir pesquisas. A Rússia é uma das nações mais importantes do grupo. 

No início de março, a agência espacial russa cancelou o lançamento de um foguete carregado com mais de 30 satélites da empresa inglesa OneWeb, novo capítulo do estremecimento nas relações espaciais. Naquele mesmo mês, a OneWeb anunciou que iria retomar os lançamentos de satélites por meio da SpaceX.

Depois, Dmitry Rogozin, chefe da agência russa, reagiu de modo mais explícito às sanções feitas pelo presidente americano, Joe Biden. Ele disse que não iria mais fornecer motores para os foguetes americanos Atlas e Antares. 

Com o cenário de instabilidade, a Nasa indicou no último mês estudar formas de manter a estação espacial sem auxílio da Rússia, que ainda decidirá se continua na estação. “Os Estados Unidos já sabiam que precisavam cortar a dependência com a Rússia, porque havia instabilidade”, analisa Zabot.

A China também tem ganhado espaço. Os asiáticos começaram a construir em 2021 sua nova estação espacial, com conclusão prevista para o fim deste ano. Há poucos dias, astronautas chineses voltaram à Terra após expedição de mais de seis meses para atuar no desenvolvimento da estação.

E, recentemente, Pequim disse planejar uma missão tripulada a Marte até 2033. “Como tudo que envolve a China, são avanços exponenciais”, diz Zabot, ressaltando que o país tinha pouca expressão na corrida espacial do século 20.

Conforme Rosaly, a lista de países que tinham condições de planejar missões espaciais era restrita. “Agora vemos China, Índia, Emirados Árabes, todos fazendo missões. E isso é muito bom.” Como exemplo, ela cita o pouso do robô chinês Zhurong na superfície marciana em 2021, feito que antes limitado a russos e americanos.

A agência espacial japonesa, Jaxa, deverá apresentar neste ano o módulo de pouso Smart Lander for Investigating the Moon (Slim), nova tecnologia desenvolvida pelo país. Já a agência espacial da Coreia do Sul planeja lançar em agosto sua primeira missão lunar a partir da Flórida. 

Em paralelo, projetos da SpaceX – que recentemente levou a primeira equipe particular à ISS – e da Blue Origin, do bilionário Jeff Bezos, firmam parcerias com as agências espaciais e promovem uma corrida de voo comercial. 

Presença tímida 

No Brasil, os avanços na área espacial são considerados tímidos ante outras iniciativas. “É claro que não dá para investir na mesma proporção (que nações desenvolvidas), mas a gente está perdendo muito neste momento. Todo país tem de dominar alguma tecnologia, e a tecnologia espacial se mostra importante nos próximos anos”, aponta Oliveira, da UFSCar. 

De acordo com os pesquisadores, os programas desenvolvidos no Brasil são mais voltados à observação da Terra. Um dos exemplos é o satélite Amazônia 1, lançado em fevereiro do ano passado na Índia.

 

FUNIL DE VENDAS É UMA FORMA DE FAZER MARKETING

 

Leandro Fonseca

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O marketing tradicional inclui comerciais de televisão, publicidade em outdoors, marketing boca a boca, etc. O número de pessoas que podiam ser alcançadas era limitado.

A chegada da internet e das redes sociais revolucionaram o conceito de marketing digital. Usar um funil de vendas é uma das melhores técnicas desenvolvidas para profissionais de marketing de rede.

O objetivo desta estratégia é atrair o público para entrar na sua rede e gerar mais lucros e ganhos recorrentes.

A Importância do funil de vendas para marketing de rede?

A relação entre o número de leads e a taxa de conversão é o que demonstra a grande importância do funil de vendas digital.

Quanto maior a taxa de conversão, mais eficiente é o funil. Idealmente, todos os prospectos devem ser convertidos em clientes. Mas é praticamente impossível. O conceito central de um funil de vendas é aumentar o número de visitantes que se tornam clientes.

Independentemente de suas estratégias, o número de pessoas que realmente compram seu produto sempre será menor que o número de pessoas que visitam seu site.

Tudo o que você precisa fazer é desenvolver os melhores métodos e ter as ideias certas para criar um funil de vendas digital que maximize o número de conversões.

Resumindo, o funil de vendas para marketing de rede,  são essenciais para o seu negócio, pois oferece os seguintes benefícios:

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Nosso principal produto é a Plataforma Comercial ValeOn um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.

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domingo, 17 de abril de 2022

RÚSSIA AMEAÇA MATAR COMBATENTES UCRANIANOS

 dw.com 

Moscou pede que ucranianos cercados em siderúrgica entreguem as armas para permanecerem vivos. Zelenski diz que ameaça a combatentes do país coloca em risco negociações de paz.Tanques russos circulam pelas ruas de Mariupol© Sergei Bobylev(TASS/picture alliance Tanques russos circulam pelas ruas de Mariupol

A Rússia instou às forças ucranianas que ainda resistem em Mariupol para se renderem na manhã deste domingo (17/04) e se comprometeu a poupar as vidas daqueles que depuserem as armas. O ultimato foi dado a combatentes ucranianos e estrangeiros que se encontraram cercados numa siderúrgica da cidade.

“A todos aqueles que depuserem as armas é garantido que suas vidas serão poupadas”, afirmou o chefe do Centro de Controle de Defesa russo, o coronel general Mikhail Mizintsev. Segundo ele, os combatentes estão “numa situação desesperada, praticamente sem comida e água”.

De acordo com o Ministério de Defesa da Rússia, tropas russas já ocuparam toda a área urbana da cidade, restando apenas um grupo de combatentes ucranianos numa siderúrgica. A alegação de Moscou, no entanto, não pode ser verificada de maneira independente. Cenário dos combatentes mais pesados e da pior catástrofe humanitária da guerra, Mariupol pode ser a primeira grande cidade a ser tomada pela Rússia desde o início do conflito.

Situada no mar de Azov, Mariupol é um dos principais objetivos dos russos no esforço para obter controle total da região de Donbass e formar um corredor terrestre, no leste da Ucrânia, a partir da península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. A queda da cidade seria a maior vitória da Rússia em mais de 50 dias de guerra.

Mariupol está sitiada há semanas© Sergei Bobylev/TASS/dpa/picture alliance Mariupol está sitiada há semanas

Descrita com uma fortaleza na cidade, a siderúrgica fica numa região industrial com vista para o Mar de Azov e ocupa uma área de mais de 11 quilômetros quadrados. No local, estariam fuzileiros navais, além de combatentes da guarda nacional e do Batalhão de Azov – uma milícia nacionalista de extrema direita. Não há informações sobre o número de combatentes que estão no local.

Ainda não houve uma resposta de Kiev ao ultimato russo.

Impasse nas negociações

Num discurso à nação, no sábado à noite, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, advertiu que “a situação em Mariupol continua tão grave quanto possível, simplesmente desumana” e culpou a Rússia por “continuar deliberadamente a destruir cidades”.

Zelenski sublinhou que os russos “estão deliberadamente a tentar aniquilar todos aqueles que ficam em Mariupol”. Ele afirmou ainda que o governo ucraniano tentou, desde o início da invasão russa, encontrar “uma solução, militar ou diplomática, para salvar” a população, mas “até agora, não tem havido uma opção 100% sólida”.

Pouco depois em entrevista ao portal de notícias ucraniano Ukrainska Pravda, Zelenski reiterou que a situação em Mariupol é muito difícil. “Nossos soldados estão cercados, feridos estão cercados. Há uma crise humanitária. No entanto, eles estão se defendendo”.

Grande parte de Mariupol foi destruída na guerra© Alexander Nemenov/Getty Images/AFP Grande parte de Mariupol foi destruída na guerra

O presidente disse ainda que “a eliminação” dos últimos soldados ucranianos em Mariupol “colocará fim a quaisquer negociações de paz” com Moscou. Ele afirmou que as duas partes se encontram “num impasse”.

Catástrofe humanitária

Situada há semanas, Mariupol enfrenta uma das maiores catástrofes humanitárias do atual conflito. A cidade foi alvo de intensos bombardeios e está em ruínas. De acordo com autoridades locais, pelo menos 20 mil civis já morreram na região, desde o início da invasão russa, e cerca de 120 mil habitantes ainda estão na cidade sitiada.

Tropas russas anunciaram na sexta-feira que assumiram o controle de uma outra siderúrgica da cidade que era um dos pontos de defesa dos ucranianos. Jornalistas da Reuters estiveram no local e relataram que a siderúrgica foi reduzida a ruínas e também noticiaram a presença de diversos corpos de civis espalhados nas ruas próximas.

 

CÂMBIO ALTO E CÂMBIO BAIXO NA ECONOMIA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Dólar – 21-06-2018 – O dólar dos Estados Unidos ou dólar americano é a moeda oficial dos Estados Unidos da América e utilizada, praticamente, no mundo inteiro.

Desvalorização do dólar é reflexo de um aumento nos investimentos estrangeiros no Brasil, atraídos pela taxa de juros mais alta.| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Recentemente, a cotação do dólar ultrapassou o valor de R$ 5,70 e deixou a impressão de que a taxa de câmbio elevada tinha vindo para ficar e dificilmente cairia de forma significativa. Vários analistas seguiam prevendo que a cotação da moeda estrangeira continuaria flutuando para baixo e para cima, mas sem haver quedas expressivas no preço do dólar. Em geral, acredita-se que a redução no preço de qualquer produto é sempre algo positivo, e que o contrário – o aumento de preço – é sempre prejudicial à economia, especialmente às pessoas e às empresas. Essa mesma crença se aplica ao preço das moedas estrangeiras e principalmente ao dólar, por sua condição de moeda padrão internacional.

A base dessas crenças deriva de a elevação de preços ser um fenômeno decorrente de distorções e defeitos no sistema econômico e no funcionamento do mercado. Em uma economia próspera e com bons fundamentos macroeconômicas, espera-se que a inflação seja baixa e estável, sem criar maiores obstáculos ao crescimento. No caso específico das variações do preço do dólar (taxa de câmbio), há problemas mais complexos que os verificados com as variações de preços internos de bens e serviços. Quando o preço do dólar sobe, as receitas em reais das empresas exportadoras aumentam, pois, mesmo que se mantenham os preços internacionais em dólar, os exportadores têm aumento de sua receita ao trocarem os dólares por reais. Quanto aos importadores, o aumento da taxa de câmbio eleva os custos em reais dos produtos importados, de forma que os custos de produção em reais sobem e pressionam a inflação para cima.

Um bom exemplo dessa situação é o caso do trigo. Em torno de metade do trigo consumido no Brasil vem de importações e, quando o preço do dólar aumenta, as importações do produto ficam mais caras na moeda nacional e pressionam para cima os preços dos derivados do trigo, como pão, macarrão e bolachas. Em resumo, o aumento do preço do dólar é bom para os exportadores, mas é ruim para os importadores e para o controle da inflação. Por sua vez, a redução no preço do dólar é ruim para os exportadores, mas boa para quem faz importações, além de ajudar no combate à inflação. No início deste mês de abril, a cotação do dólar caiu para a casa dos R$ 4,70 e levou líderes empresariais a alertarem que, para determinados segmentos exportadores, a taxa de câmbio mais baixa poderá causar prejuízos, com a consequente diminuição das vendas ao exterior e, portanto, redução da produção e desemprego de trabalhadores.

Uma taxa de câmbio elevada compensa a baixa produtividade da empresa exportadora comparada com os concorrentes estrangeiros

Embora seja um tema técnico, com nuances contábeis e financeiras complexos, a taxa de câmbio elevada serve para compensar a baixa produtividade de parcela das empresas exportadoras, que somente conseguem ter lucro e sobreviver vendendo para o resto do mundo a preços elevados do dólar. Dizendo de outra forma: taxa de câmbio elevada compensa a baixa produtividade da empresa exportadora comparada com os concorrentes estrangeiros. De outro lado, como a inflação brasileira oficial, medida pelo IPCA, fechou 2021 em 10,06% – índice considerado muito alto diante da meta do Banco Central, que era de 3,75% –, o alto preço do dólar fatalmente acabaria levando ao aumento de preços em reais de produtos que dependem de matérias-primas, insumos e componentes importados.

Sempre é curioso observar que a população e os agentes de mercado tendem a comemorar quando a cotação do dólar cai e a ficar contrariados quando a cotação sobe. No jogo político, a elevação do preço do dólar é sempre motivo para críticas ao governo e à política econômica, de forma que quase todos os governantes usam a queda na taxa de câmbio para elogiar a si mesmos. Porém, o Brasil já viveu momentos em que taxas de câmbio reduzidas provocaram prejuízos pesados para certos setores exportadores e resultaram em fechamento de empresas e perda de empregos.


Quando a taxa de câmbio era controlada, a manutenção do dólar a preços baixos gerava severas críticas ao governo, como aconteceu no início de 1999, quando o Banco Central mantinha o preço do dólar em R$ 1,20, sob duras críticas do setor exportador, até o ponto em que o problema saiu do controle, o governo cedeu e liberou a flutuação cambial. O resultado foi a explosão na taxa de câmbio, com o dólar chegando a R$ 2,10 rapidamente, e se estabilizando mais adiante, em torno de R$ 1,60. Repetindo: se o preço da moeda estrangeira cai ao ponto de gerar prejuízos para as empresas exportadoras, logo vem a redução da produção, encerramento de atividades e a conhecida sequência de menos produto, mais desemprego, menos consumo e menos tributos.

As contas não são tão simples e diretas, pois o setor exportador brasileiro melhorou seus processos produtivos, modernizou máquinas e equipamentos, reduziu custos e promoveu ganhos de produtividade, de forma a obter lucros mesmo exportando a uma taxa de câmbio em queda, Porém, para o setor exportador como um todo, há limites para o quanto as empresas exportadoras conseguem suportar de redução no preço da moeda estrangeira enquanto os custos internos em reais sobem como reflexo da alta taxa de inflação.

O Brasil já deixou para trás o tempo em que a taxa de câmbio era decidida pelo Banco Central e tabelada diariamente, e esse tempo não deve voltar, pois a economia brasileira amadureceu e a livre flutuação cambial está consolidada, sendo um dos pilares da política macroeconômica, apesar de, nestes tempos de eleições, não faltarem aqueles que retornam com ideias que não fazem mais sentido pelos menos desde os anos 1970. Dólar baixo é sempre um alerta que o desafio é elevar a produtividade das empresas exportadoras, não promover elevação da taxa de câmbio por decreto.


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CIENTIFICISMO ATRAPALHA A ECONOMIA

 

Artigo
Por
Alex Catharino – Gazeta do Povo

CHEMNITZ, GERMANY – MAY 8, 2018: Karl Marx monument in public space of Chemnitz city, Germany. The monument is locally known as Nischel. It was designed by Lev Kerbel. (CHEMNITZ, GERMANY – MAY 8, 2018: Karl Marx monument in public space of Chemnitz ci

Karl Marx foi um dos pensadores influenciados pelo cientificismo na formulação de sua teoria econômica.| Foto: Bigstock

A natural condição de pobreza da humanidade, intrínseca ao problema da escassez, ocasionou, desde a antiguidade grega, o fenômeno de que muitos filósofos, teólogos e juristas, ao discutirem os aspectos éticos da justiça, tivessem abordado, também, questões de natureza econômica. No entanto, a maioria dos especialistas, desde John Stuart Mill (1806-1873), considera que A Riqueza das Nações, de Adam Smith (1723-1790), é o marco inicial da ciência econômica, por ter abordado a temática dissociada tanto da Ética quanto do Direito e da Política, bem como devido à adoção do moderno paradigma de cientificidade estabelecido por Isaac Newton (1643-1727), o qual apresentou uma sistematização que viria a se tornar o padrão adotado pela maioria dos analistas posteriores.

Uma análise mais detida do pensamento de Adam Smith, entretanto, demonstra que há uma relação intrínseca entre os fenômenos econômicos analisados em A Riqueza das Nações, de 1776, e as reflexões éticas discutidas em Teoria dos Sentimentos Morais, de 1759. O intento de dissociar as questões éticas dos problemas econômicos foi empreendido por David Ricardo (1772-1823), no livro Princípios da Economia Política e Tributação, de 1817, em que o autor foi guiado pelo cientificismo.

O cientificismo acaba por confundir os modelos teóricos explicativos com a própria realidade, sendo que, no caso específico da Economia, torna-se pretexto para a rejeição das verdadeiras leis econômicas

O cientificismo é uma errônea concepção filosófica positivista, sendo caracterizado como uma forma de racionalismo que extrapola os limites da cientificidade, ao adotar uma postura ideológica, que, dogmaticamente, acredita ser a ciência a única forma válida de conhecimento, em detrimento de saberes de outras naturezas. Dentre os pensadores que criticaram os erros do cientificismo destacamos os filósofos da ciência Karl Popper (1902-1994), Mario Bunge (1919-2020), Paul Feyerabend (1924-1994) e Hilary Putnam (1926-2016), os economistas Ludwig von Mises (1881-1973) e Friedrich August von Hayek (1899-1992), e os filósofos políticos Eric Voegelin (1901-1985) e Michael Oakeshott (1901-1990).

De certo modo, o cientificismo é a raiz de muitos erros propagados por diferentes economistas nos séculos 19 e 20, que serviram como justificativa teórica para a implementação de diversas formas de intervencionismo estatal. A mentalidade positivista perpassa as análises de Karl Marx (1818-1883), de John Maynard Keynes (1883-1946) e até mesmo de Milton Friedman (1912-2006), dentre tantos outros economistas. Em última instância, o que diferencia a chamada Escola Austríaca de Economia das demais correntes econômicas contemporâneas são as divergências metodológicas.


No seu monumental tratado Ação Humana, de 1949, o economista austríaco Ludwig von Mises defendeu que “muitos autores tentaram negar a importância e a utilidade da teoria econômica”. O eminente pensador liberal argumentou que “o historicismo pretendia substituí-la por história econômica; o positivismo recomendava substituí-la por uma ilusória ciência social que deveria adotar a estrutura lógica e a configuração da mecânica newtoniana”. De acordo com Mises, “ambas as escolas concordavam numa rejeição radical de todas as conquistas do pensamento econômico”. Ancorados na crença ingênua acerca da possibilidade da descoberta de leis empíricas dos fenômenos sociais semelhantes às leis da física newtoniana, o cientificismo acaba por confundir os modelos teóricos explicativos com a própria realidade, sendo que, no caso específico da Economia, torna-se pretexto para a rejeição das verdadeiras leis econômicas.

Nas obras Princípios de Economia Política, de 1871, e Investigações sobre o Método das Ciências Sociais com Especial referência à Economia Política, de 1883, escritas por Carl Menger (1840-1921), o fundador da Escola Austríaca de Economia, são encontradas inúmeras críticas às tentativas positivistas de desenvolver novas leis econômicas fundadas em estatísticas. Uma parcela significativa das análises elaboradas pelos críticos da economia de livre mercado é derivada de premissas cientificistas, que utilizam a acumulação de fatos irrelevantes, oferecidos por estatísticas duvidosas, como justificativa para diversas formas de intervencionismo governamental. Todavia, apenas a livre iniciativa é compatível com as verdadeiras leis econômicas.

Alex Catharino é historiador e pesquisador da Fundação da Liberdade Econômica.
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BOLSONARO QUESTIONA ACORDO TSE E WHATSAPP

 

Justiça Eleitoral
PorGazeta do Povo

Presidente passa o feriado de Páscoa em Guarujá, no litoral de São Paulo| Foto:

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse neste sábado (16), em entrevista à CNN Brasil, que o governo deve marcar uma reunião com representantes do WhatsApp. O objetivo, segundo ele, é discutir o acordo que o aplicativo firmou com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para adiar o lançamento no Brasil, apenas após um eventual segundo turno das eleições deste ano, o recurso Comunidades, que permitirá o envio de mensagens para milhares de pessoas ao mesmo tempo.

“Já conversei com o Fábio Faria [ministro das Comunicações]. Vai conversar com representante do WhatsApp aqui no Brasil para explicar” o acordo. “Se ele [WhatsApp] pode fazer um acordo com o TSE, pode fazer comigo também, por que não?”, questionou Bolsonaro, após ser abordado no Guarujá, litoral de São Paulo, onde passa o feriado de Páscoa.

“Vou buscar o CEO do WhatsApp essa semana e quero ver que acordo é esse. Se é para o mundo todo, não posso fazer nada, agora, só para o Brasil, e volta a ser pro mundo todo depois das eleições, quer prova mais clara de interferência como essa na liberdade de expressão?”, indagou o presidente.

Na sexta-feira (15), durante em motociata realizada em São Paulo com apoiadores, Bolsonaro já havia criticado o acordo do WhatsApp com o TSE, dizendo que a medida não seria cumprida, embora não tenha deixado claro de que forma isso seria feito. Neste sábado, ele voltou a dizer à CNN que o acordo é “inaceitável” e “inadmissível”.

“Essa última informação agora que o WhatsApp pode ter uma política mundial, ninguém vai reclamar. Agora, [por que] apenas para o Brasil o disparo em grupo poderá ser realizado depois das eleições?”, disse.

Para ele, a decisão fere a liberdade de expressão. “Não vai ser um acordo com o TSE que o WhatsApp vai fazer e vai impor a toda a população brasileira. Para Bolsonaro, “no Brasil, ou o produto está aberto para todo mundo ou tem restrição para todo mundo”, referindo-se ao WhatsApp.

Tudo sobre:
Bolsona
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DÉCADA PERDIDA NOS GOVERNOS DO PT

 

Política econômica

Por
Vandré Kramer – Gazeta do Povo

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa extraordinária para votar a Denúncia 1/2016, que trata do julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff por suposto crime de responsabilidade. Em pronunciamento,a presidente afastada, Dilma Rousseff. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Erros de política econômica, como a Nova Matriz Econômica de Dilma Rousseff, explicam boa parte da “década perdida”. Mas país também foi prejudicado por fatores externos, diz diretor do Ibre/FGV.| Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Uma década perdida, que teve como um dos principais marcos a grande recessão de 2014-16. É assim que muitos economistas qualificam o período entre 2011 e 2020, quando o Brasil cresceu em rimo equivalente a um décimo da velocidade da economia global: uma média de 0,27% ao ano, enquanto o mundo avançava 2,83% ao ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Para o diretor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), Luiz Guilherme Schymura, essa recessão foi o ponto final “de um período de cerca de uma década de desempenho econômico mais razoável, que chegou a alimentar a ilusão de que o país poderia manter um ritmo satisfatório de crescimento do PIB, em torno de 4% ao ano”.

Em artigo publicado no blog do instituto, ele reconhece que grande parte da sofrível trajetória da economia brasileira tem como causa o que chama de “bad policy” ou seja, má política econômica – mais especificamente, os erros da Nova Matriz Econômica, “receita” adotada durante o governo de Dilma Rousseff.

Mas o economista também vê alguma influência de “bad luck”, ou seja, má sorte. Ele diz que outros problemas – alheios à atuação da administração federal – impulsionaram o fraco desempenho, como a perda de ritmo de crescimento da China, a falta de chuva no Brasil e a mudança da política de preços da Opep (o cartel dos exportadores de petróleo), em 2014.

Segundo Fernando de Holanda Barbosa, secretário de Política Econômica no governo Itamar Franco e autor do livro O flagelo da economia de privilégios: Brasil 1947-2020 – Crescimento, crise fiscal e estagnação, a mudança na orientação de política econômica levou o Brasil a se perder e criar a crise de 2014. De lá para cá estamos nesta crise. “Não saímos do lugar e o resultado é de estagnação relativa.”


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A avaliação é compartilhada pelos professores Jackson Bittencourt, Rodolfo Prates e Lucas Dezordi, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Eles também consideram que a mudança na condução na política econômica interrompeu um ciclo de crescimento mais virtuoso que o país estava experimentando. E lembram que o ajuste de tais erros teve um grande custo: inflação, juros elevados, desemprego e aumento da pobreza.

Em entrevista à Gazeta do Povo, eles afirmaram que o tripé macroeconômico deveria ter sido mantido no governo Dilma, bem como a transparência e a independência do Banco Central.

O peso dos fatores externos
O diretor do Ibre/FGV aponta que fatores internacionais pesaram no fraco desempenho da economia brasileira. Ele destaca que apesar de o mundo ter escapado de uma nova Grande Depressão após a crise financeira global de 2008-09, a década seguinte foi frustrante para as economias mais dependentes da China e que são exportadoras de commodities.

Em 2019, o PIB chinês foi 10% menor que o projetado pelo FMI em meados de 2012 para os anos seguintes. Este percentual de frustração foi de 14% para um grupo de emergentes exportadores líquidos de commodities como Chile, Colômbia, Peru, México, Rússia e África do Sul. No Brasil, esse percentual foi de 24%.

Outro problema, segundo o diretor do Ibre/FGV, foi a mudança na política de preços da Organização dos Países Exportadores de Petróleo no final de 2014, que teve forte impacto negativo sobre a indústria petrolífera global. A entidade atuou para derrubar o preço do petróleo, de modo a dificultar ou inviabilizar outros produtores, como os Estados Unidos, e a inibir o desenvolvimento de novos combustíveis, como o gás de xisto (shale gas, em inglês).

Em pouco mais de um ano, o preço do barril despencou 75%. “Depois daquele evento, os novos investimentos em extração e processamento da indústria petrolífera global recuaram cerca de 50%, nunca mais voltando aos níveis de 2013-14″, diz Schymura. Em 2020-21, acrescenta, eles caíram mais 20% em função da agenda de combate às mudanças climáticas.

Este cenário, em 2015, atingiu a Petrobras em meio a um enorme programa de investimentos, lastreado nas descobertas do pré-sal. “Isso, claro, exacerbou o risco fiscal, já que o governo federal é o principal acionista da empresa”, diz o economista. E coincidiu com o escândalo da Lava Jato, que atingiu fortemente a petrolífera.

Outro componente de “falta de sorte”, conforme Schymura, que ajudaria a explicar o fraco desempenho na década perdida foi o fato de que entre 2012 e 2021, o volume de chuva no Brasil ter sido 17% inferior à média dos últimos 40 anos. A economia brasileira é altamente intensiva em água. O peso do agronegócio no PIB é de 27,4%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq-USP). E a matriz energética brasileira é fortemente dependente da hidroeletricidade.

“A sorte não veio lá de fora”

O economista Bráulio Borges, também pesquisador do Ibre/FGV, calcula que o nível PIB brasileiro teria sido 22% maior em 2019, se não fossem os “azares”. Mas também reconhece o papel da política econômica frágil adotada entre 2012 e 2014.

“De fato, o impulso fiscal positivo de quase 3% do PIB [nesses anos], além de eleitoreiro e populista, foi excessivamente pró-ciclico, contribuindo para levar o país de volta a uma situação de déficit fiscal estrutural que não se observava desde o período entre 1996 e 1998”, cita Schymura em seu artigo no blog.

Barbosa diz que não são só os “azares” que influenciaram no cenário econômico. “Então, a sorte não veio lá de fora e a gente teve o azar também de fazer políticas econômicas que não estavam na direção correta.”

Ele cita que certamente houve decisões econômicas erradas, como a construção das refinarias da Petrobras. “São investimentos vultuosos mal feitos. Depois teve o controle de preços do petróleo feitos pela Dilma, levando a Petrobras a ficar extremamente endividada. Obrigou a Petrobras a comprar produtos caros, elevando seus custos e, além disso, diminuiu a receita. Depois você começou a fazer investimentos ou dar subsídios em setores da economia através do BNDES. Era preferível que isto não tivesse sido feito. Então, eu acho que é uma soma de erros de política econômica que geram resultados este resultado extremamente ruim.”


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Segundo ele, o Brasil comete os seus próprios erros. “Nós temos que entender que do nosso destino depende do que nós façamos como um país. Não podemos ficar botando a culpa nos choques adversos que temos tido.”

Barbosa avalia que a pandemia agravou as “dores do paciente”. “A crise fiscal ficou pior com o socorro financeiro do governo para grande parte da população. A parada brusca da economia provocou recessão, destruindo empresas e empregos, piorando a estagnação. O mercado sozinho não dará conta de colocar a economia numa trajetória de crescimento que elimine a estagnação”, diz.

Ambiente pouco favorável para negócios

Outra questão que pesou no fraco desempenho da economia brasileira entre 2011 e 2020, de acordo com Cláudio de Moraes, professor do Instituto de Pós-graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead/UFRJ), foi a manutenção do ambiente pouco favorável para os negócios no país.

Segundo o relatório Doing Business, do Banco Mundial, em 2010, o Brasil era o 129.° entre 183 países em facilidade para se fazer negócios. Dez anos depois, era o 124.° entre 190. “É preciso um melhor ambiente de negócios para poder crescer mais”, diz Moraes, defendendo uma série de mudanças micro e macroeconômicas.

Ele destaca que é preciso uma redução do custo Brasil e um sistema tributário mais simples, de forma a evitar uma guerra fiscal entre os entes da federação. Também é necessária uma estabilidade econômica e política, para garantir ao país uma visibilidade de médio e longo prazo.

“O país precisa ser mais simples para operar”, afirma o professor do Coppead/UFRJ. Também precisa, diz ele, de uma política econômica mais robusta. “O Brasil também precisa ser um país mais previsível.”


Falta “projeto de nação”
Os professores da PUC-PR lembram que há muito tempo o país não tem um “projeto de nação” de longo prazo. Eles afirmam que desde os anos 80, os governos se preocupam muito mais com problemas conjunturais, como a inflação, do que com programas de governo para a indústria, a inovação tecnológica e o comércio exterior.

Outra deficiência é a falta de melhoria contínua na produtividade do trabalho por meio de melhorias na qualidade do ensino. “A economia brasileira entrou em um ciclo de ‘stop and go’ [para e vai], com fases de revezamento entre baixo crescimento e dinamismo.”

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