Além de emplacar aliado na Corte, presidente do Senado ainda terá mais um parceiro político na Casa que comanda, já que o primeiro suplente de Anastasia é o secretário nacional do PSD
Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA — A escolha do senador Antonio Anastasia (PSD-MG) para a vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) por larga margem de votos mostrou a força da articulação política do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Além de emplacar seu aliado na Corte, ainda terá, a partir de agora, mais um parceiro político na Casa que comanda, já que o primeiro suplente de Anastasia é o secretário nacional do PSD, o ex-deputado federal Alexandre Silveira.
Na prática, a articulação política de Pacheco a favor de Anastasia também foi favorecida pelo comportamento hesitante do governo de Jair Bolsonaro. Se o senador mineiro levou alguma vantagem por ter se lançado como candidato antes dos adversários Kátia Abreu (Progressistas-TO) e Fernando Bezerra (MDB-PE) e por ser considerado o mais capacitado tecnicamente para o posto, a indecisão do governo sobre quem apoiar na disputa favoreceu a vitória de Anastasia.
Inicialmente, o governo pareceu inclinado a pedir votos para Kátia Abreu. Essa disposição, porém, começou a arrefecer depois que os bolsonaristas descobriram que a vitória da parlamentar abriria uma vaga na Casa para mais um senador do PT. Isso porque o suplente da senadora é o petista Donizeti Nogueira, que presidiu o partido em Tocantins.
Com isso, o governo passou a olhar com mais atenção a candidatura de Fernando Bezerra. O problema é que, apesar de ser líder do próprio governo, o parlamentar pernambucano é visto como pouco alinhado ao bolsonarismo. Mesmo assim, Bezerra ainda tentou vestir mais fortemente o uniforme do governo ao agradecer, em seu discurso antes da votação, ao presidente “pela confiança” depositada nele ao indicá-lo como líder.
Essa hesitação na escolha acabou atrapalhando uma campanha mais forte de um candidato do governo e representa a perda da oportunidade de Bolsonaro do de ter mais um aliado dentro do TCU. No fim do ano passado, o presidente já tinha indicado seu ex-ministro Jorge Oliveira para uma vaga no tribunal e pretendia ampliar essa influência numa Corte repleta de ex-parlamentares e com alto poder de fogo para fiscalizar e investigar gastos públicos. Tanto que aceitou indicar Raimundo Carreiro para a Embaixada do Brasil em Portugal justamente para abrir uma vaga na Corte – o ministro somente se aposentaria em 2023.
Para Pacheco, o resultado traz ainda um ganho extra. Pré-candidato ao Planalto, Pacheco mostrou, com a vitória de Anastasia, capacidade de negociação dentro do Congresso numa disputa envolvendo fortes líderes do Senado. Agora, se planeja, de fato, subir a rampa do Planalto, precisa mostrar essa capacidade para fazer sua candidatura pegar tração, o que não ocorreu até agora.
Ex-juiz se aproxima do ex-presidente para tentar diminuir resistência entre partidos que foram alvo da Lava Jato
Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo
Pré-candidato à Presidência pelo Podemos, o ex-juiz Sérgio Moro se aproximou do ex-presidente Michel Temer em uma tentativa de criar pontes com o MDB para a disputa em 2022. Moro, que tem a Lava Jato como bandeira, enfrenta resistência para avançar em conversas com partidos e lideranças que foram alvo da operação. Temer foi preso, em 2019, em ação da Lava Jato do Rio de Janeiro por decisão do juiz Marcelo Bretas.
Moro e Temer já conversam por telefone e um encontro entre os dois chegou a ser marcado, mas foi adiado por problemas de agenda. Os dois devem se encontrar até o final deste ano ou no início de 2022.
Desde que se filiou ao Podemos para disputar a Presidência, Moro já se encontrou com dois pré-candidatos da “terceira via”: o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o cientista político Luís Felipe d’Ávila (Novo). Não se reuniu, porém, com a senadora Simone Tebet (MS), pré-candidata do MDB, nem com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, nome do PSD ao Planalto.
Quando Moro assinou a ficha de filiação ao Podemos, em novembro, o partido convidou o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi, e a senadora Simone Tebet, mas nenhum dos dois compareceu. Rossi enviou como seu representante o deputado federal Herculano Passos (MDB-SP).
Em caráter reservado, lideranças emedebistas, tucanas e de partidos do Centrão avaliam que Moro terá dificuldade em montar uma base partidária de apoio em 2022.
Entre os aliados de Moro também prevalece o ceticismo quanto a aproximação com políticos e partidos que foram alvo Lava Jato, mas o ex-ministro tem dado sinais que pretende modelar o discurso em 2022 de forma pragmática em vez de negar a política tradicional como fez Jair Bolsonaro em 2018.
No MDB há uma ala pró-Lava Jato que não resiste ao diálogo com o ex-ministro. “Neste momento, o quadro é de muitas conversas e de mandar mensagens para fora. Moro procura estabelecer pontes. Se ele concordar em ser vice da Simone Tebet, seria uma boa chapa”, disse o deputado Alceu Moreira, presidente do MDB-RS.
Em suas falas, Moro tem dito que o jogo político exige “diálogo no limite ético” e que o combate à corrupção segue na agenda, mas não será seu foco principal. Quando foi questionado a respeito de suas decisões como juiz, ele disse que a campanha de 2022 terá “um competente sobre o passado”.
“Algumas pessoas são críticas em relação à algumas decisões que eu tomei, mas tenho tranquilidade, tanto no caso da Lava Jato como no governo. Às vezes foram decisões difíceis, mas estou pronto para defendê-las”, disse Moro em um debate organizado pela iniciativa do grupo ‘Derrubando Muros’ na segunda-feira.
A narrativa pragmática agradou os apoiadores lavajatistas. “Moro tem conversar com todo mundo. A terceira via precisa se destacar. Conversar com agentes políticos não é crime. Ele não pode ser um negacionista político”, disse Adelaide Oliveira, porta voz do Movimento Brasil Livre (MBL).
Céticos emolduram diplomas ou guardam pétalas de flores dadas pelo seu amor, que viram talismãs
Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo
“Toda vez que eu uso esta roupa, chove”, dizia, desolada, minha irmã sobre uma blusa bege que ainda tinha o agravante de tender à transparência quando molhada. Como enunciamos uma frase assim? Todos nós temos uma parcela de pensamento mágico, estabelecendo relações de causa-efeito a partir de deduções sem base em pesquisas científicas. Há alguma chance, remota que seja, de uma blusa mudar o jogo de massas de ar e provocar acúmulo de nuvens de chuva? Todo ser humano mais ou menos equilibrado dirá: “Não! Absurdo!. No creo en brujas, pero que las hay, las hay”.
Muitas casas possuem talismãs, imagens e disposições que mostram nosso desejo de ajuda extra de um cosmos fora da ciência. Já notou um elefante com o derrière voltado para a porta? Pode reforçar o círculo botânico da magia: experimente espadas e lanças de São Jorge, alecrim, manjericão, arruda e guiné. As energias negativas serão bloqueadas e tudo de bom fluirá. Bem, vamos ser objetivos: tudo isso foi feito em 2020 e 2021 e o que veio depois foi um desastre…
Difícil lutar contra o pensamento mágico, está no ar, invisível e onipresente. Necessário combater? Nossa percepção do real é marcada pela modulação que as emoções produzem sobre a cognição. Sentimos, preferencialmente, analisamos depois.
Um amigo meu era taxativo: pensamento mágico era falta de boa formação. Eu sou mais sensível com a fauna da humanidade. Com boa ou má formação, os atos mágicos revelam muito sobre uma sociedade. Existem códigos e convenções que atribuem significado às coisas, mesmo às coisas de pessoas com excelente currículo. Céticos emolduram diplomas ou guardam pétalas de flores dadas pelo seu amor. Dizem que é pelo afeto e memória, porém, os objetos deslocados da sua função original costumam virar talismãs.
O ser humano é um animal que simboliza, metaforiza, torna alegoria o material concreto e busca lógicas e padrões em tudo. Faz parte da famosa Revolução Cognitiva, a capacidade de inventar e contar histórias e, sobretudo, de acreditar nelas. Tal força fez surgir o Estado, a divindade dos reis, as pirâmides e, como lembra Yuval Harari, até os direitos humanos. Quando o pensamento mágico é direto e linear, chamamos de folclore. Quando fica elaborado, pode virar política ou ritos acadêmicos de defesa de doutorado. A liturgia das coisas nos inunda. De todos os pensamentos mágicos, entrar com o pé direito no avião causa menos danos do que duvidar de vacinas. Desejo boa sorte e esperança a todos nós, algo totalmente mágico…
LEANDRO KARNAL É HISTORIADOR, ESCRITOR, MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, AUTOR DE ‘A CORAGEM DA ESPERANÇA’, ENTRE OUTROS
Neste momento você está pensando nas habilidades comportamentais mais importantes para 2022? Acho que não. Mas atenção: o novo ano se aproxima e as soft skills continuarão valiosíssimas para a sua carreira e para a sua equipe.
Isso porque, em um mercado de trabalho cada vez mais automatizado, pessoas com habilidades comportamentais saem na frente no quesito concorrência e inovação.
Dito isso, para entender quais são as soft skills mais requisitadas até 2025, como desenvolvê-las e por que é importante, nós analisamos o relatório “The Future of Jobs”, realizado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), e conversamos com alguns especialistas. Segue o fio para começar 2022 com as habilidades comportamentais afiadas:
1- Pensamento analítico e pensamento crítico
Trata-se da capacidade de analisar as situações e, a partir da interpretação de dados, sugerir ideias e soluções inovadoras para a empresa. “É fugir do efeito manada [termo usado para definir situações das quais pessoas reagem todas da mesma forma]. É quando os profissionais têm a capacidade de ter a própria opinião. Essas pessoas não seguem o chefe, sim, ampliam novos olhares”, diz Fernanda.
2 – Aprendizagem ativa
Antes, era comum a empresa criar um plano de carreira para o funcionário, mas isso ficou no passado. Sai na frente, os profissionais capazes de trilhar a sua própria jornada corporativa. O profissional de aprendizagem ativa “é alguém que protagoniza. Ele não é refém de uma trilha de conhecimento, ele amplia o olhar do que quer na empresa. Em outras palavras, não é pautado, ele que pauta”, explica Fernanda.
3 – Capacidade de resolver problemas complexos
Os problemas complexos são aqueles que normalmente nunca aconteceram antes. Por isso, o profissional capaz de criar novas e simples soluções, de enxergar o problema como oportunidade de inovação, e não como obstáculo, é um dos mais requisitados. Principalmente em tempos de mundo VUCA (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade).
4 – Criatividade
Em tese, criatividade é a capacidade de encontrar o novo, o diferente. “São os profissionais que buscam novas formas e alternativas de fazer algo”, diz Fernanda. No entanto, para que os profissionais possam ser criativos, “a companhia não pode ter a cultura de gestão de medo, e sim propiciar um ambiente psicologicamente seguro, pois a criatividade envolve erros”, conta ela.
5 – Capacidade de liderar e influenciar
“Habilidades de liderança não são apenas para CEOs ou gerentes. São habilidades que ajudam a lidar com a responsabilidade e a pressão, inspirar colegas e partes interessadas e abraçar a mudança na busca por soluções melhores”, diz a consultoria de recursos humanos Robert Half.
6 – Usar tecnologia no trabalho
O uso da tecnologia vai além dos profissionais especializados no setor. São os funcionários — independente da área de atuação — que compreendem que a digitalização facilita os processos do dia a dia e sabem como usá-las a seu favor. “Com isso, a empresa ganha velocidade na entrega das tarefas, e os funcionários ganham horas a mais para fazer outras coisas”, conta Juliana França, gerente da Page Personnel.
7 – Inteligência emocional
É a capacidade das pessoas em aprender a lidar com as próprias emoções e o efeito delas no ambiente corporativo. É saber se conectar com si próprio e ter autocontrole da gestão de suas emoções. Além disso, o profissional inteligente emocionalmente sabe lidar com situações inesperadas do dia a dia, motiva e mantém o time — sendo líder ou não — engajado.
8 – Resiliência
Está atrelada a soft skill de inteligência emocional. Isso porque, “elas pensam positivo e têm maior índice de resiliência. Elas atravessam momentos difíceis, mas sabem lidar bem com isso. Tem um ponto positivo mesmo diante do caos. Não ficam desesperadas e deprimidas. Ao contrário, renascem com mais velocidade e mais qualidade. São pessoas que se adaptam às transformações rápidas do mundo”, explica Fernanda.
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dólar, moeda norte-americana| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
A política cambial de um país é executada sob um conjunto de leis, normas e procedimentos operacionais relativos à compra, venda, doações, empréstimos, transferências e outras formas de entradas e saídas de moedas estrangeiras. Embora em menor proporção, as mesmas operações feitas com a moeda estrangeira podem ser feitas com a moeda nacional em outros países por agentes econômicos brasileiros. As entradas, as saídas, os pagamentos e os recebimentos em moeda estrangeira são realizados pelas entidades macroeconômicas – pessoas, empresas, governos e resto do mundo – e por outras instituições não enquadráveis nessas categorias.
Uma empresa compra e vende moeda estrangeira para executar operações de importação e exportação de matérias-primas, bens de capital, serviços, tecnologias, patentes, viagens, investimentos externos etc. Da mesma forma, uma pessoa física pode adquirir patrimônio no exterior, fazer aplicações financeiras fora do país em diversas moedas, receber e enviar recursos para familiares residentes no exterior ou lá em atividades temporárias, adquirir objetos pessoais estrangeiros, vender objetos ou serviços para adquirentes no exterior e outras operações que exijam movimento de dinheiro.
As pessoas físicas sempre tiveram severas restrições para movimentar, transportar e reter moeda estrangeira, sobretudo o dólar, em função da decisão governamental de controlar as relações das pessoas com o resto do mundo
Esses exemplos são pequena amostra do enorme conjunto de operações, atos e eventos que as entidades internas – pessoas, empresas e governo (o que inclui qualquer instituição de qualquer natureza jurídica com existência no país) – executam com entidades iguais existentes no resto do mundo. Nesse grande cenário real, como mais expressivas em volume monetário predominam as operações de importação e exportação de bens de consumo, bens de capital, as entradas e saídas de capitais financeiros por investimento direto ou empréstimos recebidos e devolvidos, além de recebimento e pagamento por conta de viagens, seguros, fretes, aluguel de patentes, aluguel de tecnologias e transferências diretas (doações) etc.
A necessidade de uma política cambial resulta de um aspecto da vida econômica relativamente simples de compreender, porém complexo em sua execução. Trata-se do fato de que cada país adota uma moeda nacional, que tem curso legal garantido por lei e serve para as operações realizadas dentro do país. Porém, quando as entidades econômicas do país e seus agentes de mercado se relacionam com o resto do mundo, basicamente naquelas operações acima citadas, as transações e os atos de recebimentos e pagamentos se dão na moeda padrão internacional (que é o dólar) ou em outra moeda estrangeira aceita pelas partes. No Brasil, a apropriação da moeda estrangeira sempre foi monopólio do Banco Central (BC), de forma que um agente nacional – como uma empresa, por exemplo –, ao obter moeda estrangeira por exportações, recebimento de um investimento direto em sua unidade no Brasil ou a título de empréstimo contraído em banco estrangeiro, sempre foi obrigado a entregar a moeda estrangeira ao BC, recebendo em troca a moeda nacional segundo a cotação cambial vigente.
Dizendo de outra forma, no caso do exemplo citado, uma empresa exportadora nunca teve como fazer da moeda estrangeira objeto de suas vendas internacionais e usá-la para fazer depósitos em contas bancárias internas e pagar suas despesas no Brasil nessa moeda. Durante muito tempo, a empresa brasileira (o que inclui a empresa estrangeira com atividades no Brasil) também não podia manter sua moeda estrangeira depositada no exterior: era obrigada a entregá-la ao BC, recebendo o valor correspondente na moeda nacional, à taxa cambial do dia. Por isso, sempre vigorou no Brasil uma robusta atividade do BC como única instância a se apropriar das moedas estrangeiras obtidas pelas entidades e agentes nacionais, tendo o BC a obrigação de fornecer o equivalente em moeda nacional.
Essa atividade do BC é registrada por complexos sistemas contábeis e resultam num balanço conhecido por “Balanço de Pagamentos”, que inclui três grupos de contas: a Balança Comercial, para registrar importação e exportação de mercadorias tangíveis; a Balança de Serviços, para registro de pagamentos e recebimentos por conta de fretes, seguros, juros, aluguéis, viagens, transferências diretas etc.; e a Balança de Capitais, para registrar entrada de moeda estrangeira para investimento direto, obtenção de financiamentos externos, pagamentos ao exterior por amortização de financiamento, e investimentos brasileiros diretos em outros lugares do mundo.
Ampliar a liberdade e desburocratizar as operações é sempre notícia boa e favorável à economia brasileira, que ainda é bastante fechada e com muitas limitações às operações com moedas estrangeiras por agentes nacionais
As pessoas físicas sempre tiveram severas restrições para movimentar, transportar e reter moeda estrangeira, sobretudo o dólar (por ser a moeda padrão internacional), em função da decisão governamental de controlar as relações das pessoas com o resto do mundo. É preciso mencionar que esse complexo de operações não se aplica literalmente aos Estados Unidos (EUA), pela simples razão de que desde 1944, quando foi assinado o tratado de Bretton Woods, o mundo adotou o dólar como moeda padrão internacional, de forma que essa moeda tem curso legal mundial e não apenas dentro do país emissor. A estrutura cambial e o envolvimento de um país com moedas estrangeiras são assuntos técnicos complexos, cujo entendimento exige estudos precisos, e é sobre esse campo que se está aprovando um novo marco regulatório com a aprovação, pelo Senado Federal, do Projeto de Lei 5.387/2019, que seguirá para a sanção presidencial. A nova norma amplia a liberdade de pessoas físicas e pessoas jurídicas, amplia o espaço para bancos brasileiros atuarem no exterior, desburocratiza as operações com moeda estrangeira e eleva o limite de dinheiro autorizado para porte de quem viaja ao exterior, passando de R$ 10 mil para US$ 10 mil ou o equivalente em outra moeda que não o dólar.
A nova norma permite que exportadores tenham mais liberdade na movimentação e aplicação de seus recursos obtidos em operações comerciais de exportação ou operações de crédito e financiamento externo. Ampliar a liberdade e desburocratizar as operações é sempre notícia boa e favorável à economia brasileira, valendo mencionar que, neste ano de 2021, analistas internacionais e outros nacionais fizeram alerta sobre o fato de que o Brasil é uma economia bastante fechada e com muitas limitações às operações com moedas estrangeiras por agentes nacionais, e que é imperativo aumentar a abertura internacional, ampliar a inserção do Brasil no mercado exterior, reduzir a dependência das commodities primárias exportadas e aumentar o grau de liberdade nas relações econômicas com o resto do mundo. Esse marco regulatório ainda padece de algum grau de timidez e poderia ter ido mais longe, mas já é um bom começo para um país que historicamente se recusou a abrir sua economia para o exterior, fato que responde por parte do atraso brasileiro e pela dificuldade de retomar o crescimento econômico.
Apoiadores de Julian Assange se reúnem em frente a tribunal de apelações em Londres, Reino Unido, 10 de dezembro| Foto: Andy Rain/EFE
Sempre se pode confiar em Lula, com 100% de certeza, para assumir o lado errado em qualquer questão que venha para o debate público. É tiro e queda. Se Lula fica contra, é coisa boa. Se fica a favor, é coisa ruim. Não tem erro: ele é assim por instinto, ou por um impulso vital que o leva a tomar automaticamente, entre todas as decisões disponíveis, sempre a pior possível.
Acaba de acontecer de novo, com o seu pedido, embarcado numa “carta” de “lideranças de esquerda”, em favor da libertação do hacker australiano Julian Assange – hacker ou usuário de crimes cometidos por hackers, o que acaba dando na mesma. Assange está no palco desde 2010, quando divulgou dados digitais roubados do governo americano no site Wikileaks; nesse período tornou-se um herói da esquerda mundial, e seus problemas com a Justiça internacional ganharam o selo de causa “democrática e popular”.
Não é só Lula, na verdade, que entrou no bonde de Assange. Ele está na companhia da esquerda “latino-mericana” em geral – gente da estatura, por exemplo, de uma Dilma Rousseff, que também acaba de se descobrir defensora de Assange. O que poderia haver de pior que isso? Pouco, ou nada, mas Lula conseguiu dobrar a própria aposta nesta história – está no bloco dos que são a favor, vejam só, de dar um Prêmio Nobel ao hacker.
O mais extraordinário nesse caso é o argumento central dos que assinam a carta: a defesa do “direito humano à liberdade de expressão e de informação”. Como assim? Todos eles, com Lula na frente, são inimigos extremados da liberdade de expressão. Lula promete, inclusive, impor o “controle social dos meios de comunicação” se for eleito. Ou seja: quer uma imprensa que só publique aquilo que ele e a esquerda aprovarem.
É sensacional, também, que Lula e os companheiros exijam que Assange não seja extraditado para os Estados Unidos, onde terá de responder por seus crimes perante a Justiça – e, exatamente ao mesmo tempo, exijam a extradição do jornalista Allan dos Santos dos Estados Unidos para o Brasil. Allan é um exilado político: deixou o seu país para não ser preso no inquérito ilegal do STF contra “atos antidemocráticos”. Ele não “hackeou” nada, nem ninguém. Apenas fala mal do Supremo e se coloca a favor do presidente da República. Mas liberdade de expressão, para Lula e a turma da carta, é algo que só deve ser aplicado em favor de gente como Julian Assange. Para Allan dos Santos, eles querem cadeia.
Povo preferiu eleger Jair Bolsonaro como a personalidade do ano de 2021 da revista Time, com 24% de 9 milhões de votos.| Foto: Joédson Alves/EFE
O ministro Luis Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, esteve em Manaus, nesta segunda-feira (13), onde estão sendo produzidas 225 mil urnas eletrônicas modelo 2022 na fábrica da Positivo Tecnologia. Essa é aquela empresa de Curitiba que começou com professores, que se mostraram grandes investidores e empreendedores, sobretudo.
Enfim, são 225 mil novas urnas que irão se juntar num total de 577 mil urnas. Quase metade das urnas digitais serão novas. O ministro Barroso diz que é para dar mais velocidade ao ato de votar. Eu nem quero velocidade, posso esperar na fila, sem problema. O que eu quero é garantia, segurança de que meu voto será contado. Eu teria certeza disso se visse meu voto impresso no papel e jogado numa urna ao lado, para o caso de precisar conferir.
Em tempo, o ministro Alexandre de Moraes será o presidente do TSE durante as eleições do ano que vem.
Revista Time vai de Musk Nos Estados Unidos, a revista Time fez uma enquete perguntando quem o povo prefere como personalidade do ano de 2021 e o povo disse, com 24% de 9 milhões de eleitores, Jair Messias Bolsonaro. Em segundo lugar, com 9%, o ex-presidente Donald Trump e depois vem outros menos votados.
E lá entre os menos votados aparece o que os editores da revista escolheram para ser o homem do ano: Elon Musk, dono da montadora Tesla e da SpaceX. Para quem não sabe, o nome da empresa é uma homenagem ao inventor Nikola Tesla.
Musk é o nosso parceiro na vigilância da Amazônia. Fechou um contrato com o ministro Fábio Faria, das Comunicações, de satélites de baixa altitude, para melhorar ainda mais a vigilância do espaço aéreo da floresta amazônica.
Ele será a capa então da Time, a despeito da votação popular. O meu sonho é que a eleição no Brasil seja exatamente o oposto disso, que não sejam os editores que escolham, que seja o povo mesmo e que haja absoluto respeito à vontade popular. Obviamente essa é a vontade de todo mundo.
O Brasil sendo posto nos trilhos Sempre lamentei a burrice estratégica de governos brasileiros que abandonaram as ferrovias de 1970 em diante, talvez até antes. Foi sendo abandonado pouco a pouco, extinguindo ramais, abandonando trem de passageiro… Foi uma opção da época, daquele “rodoviarismo”, que começou com Juscelino Kubitschek. Mas um país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados e não ter trilhos para fazer transporte pesado e a longas distâncias é um absurdo.
Agora, nós temos trilhos por toda parte. O ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, está colocando dormentes e deitando trilhos em todo o país.
Depois de uma ideia que vem lá de trás, do senador José Serra (PSDB), de admitir a iniciativa privada em empreendimento de risco, por conta dela, sem precisar de licitações e leilões. Isso foi aprovado pelo Congresso. Quem quiser botar um trem de passageiro ligando Brasília a Porto Alegre, ou Brasília para o Rio de Janeiro, ou ainda, um trem de carga indo de São Paulo para Salvador, Recife, Fortaleza, pode pôr, por sua própria conta, está autorizado. É finalmente o Brasil sendo posto nos trilhos.
Dia do forró E como eu vi ontem, no Palácio do Planalto, é também um novo Brasil cultural. Cada vez mais estimulando o que é raiz da nossa cultura, nada importado ou bonitinho, que não alcança o povo, que o povo não entende. Foi no dia do Forró, aproveitando os 109 anos de nascimento de Luiz Gonzaga.
Pré-candidato à Presidência, ex-juiz admite que vai ser questionado sobre suas decisões na Lava Jato durante a campanha
Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo
Em um evento virtual realizado nesta segunda-feira, 13, pelo Derrubando Muros, grupo que reúne economistas, empresários, educadores, banqueiros e intelectuais de centro, o ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) se apresentou como um pré-candidato com “viés liberal” na economia e disse “ter dúvidas” se o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão aceitar participar de debates com ele na campanha presidencial do ano que vem.
“Tem que ver se vai ter debate. Eu me disponho a ir, mas tenho dúvidas se o ex e o atual presidente vão se dispor a ir nessa arena”, disse.
Em uma tentativa de se contrapor aos dois líderes das pesquisas de intenção de voto, o ex-juiz disse que Bolsonaro “flerta com o autoritarismo” e tem um “projeto pessoal e familiar de poder”, enquanto Lula representa o governo que deixou “os dois maiores escândalos de corrupção da história”.
Em outra passagem, Moro, que falou dos Estados Unidos, deu sua versão sobre sua decisão de entrar na política. “Se tivesse um candidato competitivo de centro contra os dois, eu provavelmente ficaria no setor privado”, afirmou.
Apesar do tom duro, o pré-candidato do Podemos disse que não pretende adotar uma postura agressiva na campanha e admitiu que vai ser questionado sobre suas decisões na Lava Jato e no governo Bolsonaro, que integrou como ministro.
“Essa campanha vai ter um componente sobre o passado. Algumas pessoas são críticas em relação à algumas decisões que eu tomei, mas tenho tranquilidade, tanto no caso da Lava Jato como no Governo. Às vezes foram decisões difíceis, mas estou pronto para defendê-las.”
A eleição de 2022 não será para construir horizontes, será para destruir adversários
Bolsonaro, Lula, Moro, Ciro, Doria: disputa será um campeonato de rejeições
Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo
Foi-se o tempo em que os brasileiros discutiam quem consideravam o melhor candidato, mais experiente, preparado, confiável, honesto e, só de quebra, davam uma estocada nos que não gostavam de jeito nenhum. Agora, os eleitores só criticam, atacam, quando não odeiam. A eleição de 2022 será um campeonato de rejeições.
Esse movimento começou, ou se intensificou, em junho de 2013, com os protestos espontâneos contra tudo e contra todos, embalados pela internet e ao largo dos partidos políticos. A negação da política deu no que deu, mas só piora.
Novas pesquisas deverão confirmar, nesta semana, altos índices de rejeição. O presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, teve 59% e foi o campeão nesse quesito no Datafolha de setembro. Tudo é possível, mas é difícil um candidato com esse índice vencer no final.
Foram duas perguntas: “Em quem não vota de jeito nenhum no primeiro turno da eleição para presidente?” e, depois, “Em quem mais?” Ou seja, os entrevistados puderam apontar os dois candidatos que mais rejeitam e Bolsonaro “venceu” na soma. Os demais, porém, não têm o que comemorar.
A rejeição do ex-presidente Lula, primeiro nas intenções de voto, foi de 38%. A de João Doria, então disputando as prévias do PSDB, de 37%. A de Ciro Gomes, 30%. Todas muito altas. Os demais ficaram abaixo de 20%, porque são desconhecidos. Pouco conhecimento, baixa rejeição.
Nas novas pesquisas, o ex-juiz Sérgio Moro chega ao terceiro lugar das intenções de voto, mas disputando com Bolsonaro o campeonato de rejeição. Pelo instituto Quaest, que registra o índice só entre os que conhecem o candidato, a rejeição de Moro bateu em 61%.
Considerado todos os entrevistados, nem Moro nem os demais deverão chegar a uma rejeição tão impactante, mas ainda assim o índice de Moro será alto. Ele é o mais rejeitado/detestado pelos eleitores de Lula e pelos bolsonaristas resilientes.
Assim, a eleição vai ser uma guerra de rejeições, de ataques, de ódio e de… fake news. As verdades contra os adversários serão muito pioradas, para assumir potencial destruidor. As meias-verdades serão muito apimentadas, para tornar esses adversários intragáveis.
Com Lula consolidado, ele tenta adiar sua entrada no tiroteio, enquanto Bolsonaro mira em Moro e em Doria e Moro e Doria atacam Bolsonaro, tudo pela segunda vaga do segundo turno. Já Ciro Gomes ataca Moro e Doria para sobreviver.
Assim, não esperem programas de governo, compromissos, debates sobre economia, inflação, emprego, renda, educação e saúde. A eleição de 2022 não será para construir horizontes, será para destruir adversários.