sábado, 9 de outubro de 2021

A ABSURDA IDEIA DO GOVERNO DISTRIBUIR ABSORVENTES FEMININOS

 

Bolsa-modess

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo

Closeup photo of young woman picking sanitary pad out of green packet. Hygiene feminine menstruation pads concepts.

Essa é uma daquelas peças que a vida nos prega: nunca imaginei que um dia escreveria um texto sobre absorventes.| Foto: Bigstock

O absorvente higiênico feminino está na moda. Tudo porque uma deputada ingenuamente acreditou numa pesquisa que dizia que 25% das meninas faltam às aulas por não terem dinheiro para comprar o produto. A deputada, ela própria uma consequência da política-de-slogans que faz a cabeça dos jovenzinhos, passou a ser uma ativista de uma causa improvavelmente batizada de “pobreza menstrual”.

O assunto tomou conta das redes sociais. E o presidente Jair Bolsonaro, antes vilão por causa de um sem-número de declarações infelizes (outro dia mesmo ele disse “bom dia”. Veja só que absurdo!), agora também é vilão por vetar uma lei proposta pela deputada (que, curiosamente, não é filiada ao PCdOB) que previa a distribuição de absorventes a meninas pobres, para que elas não faltassem às aulas.

(Aliás, me permita abrir um parêntese aqui para contar que outro dia vi uma matéria daquelas bem sentimentais, mas bem sentimentais mesmo, com pianinho deprimente e tudo, e que mostrava a miséria em algum rincão do país. Por insondáveis motivos, o jornalista decidiu incluir o termo “pobreza menstrual” na matéria. De tão absurdo, o termo chamou minha atenção. Ergui os olhos para a TV e encontrei na tela a figura de uma moça muito pobre, numa favela. Com os braços cheios de tatuagem e o indefectível celular na mão, ela reclamava da falta de comida e absorventes).

Nessa balbúrdia toda envolvendo absorventes, o antibolsonarismo psicótico deu as caras, provando ser um vírus social que não poupa nem mesmo os mais liberais. Pois não é que teve libertário defendendo a distribuição de absorventes – e ainda por cima dizendo que essa distribuição é gratuita? Na hora de ir contra o presidente, os liberais de ocasião passam por cima de Mises sem a menor vergonha. Afinal, se julgam livres também para isso.

Absorventes e líquido azul
O resultado é que agora todo mundo tem uma opinião sobre menstruação. Até eu, que nunca tive opinião sobre o assunto e sempre me resignei a passar o pacote de absorventes alheio pelo caixa do supermercado com aquele constrangimento típico dos homens nessa situação. De repente, não menos do que de repente, me vi aqui pensando até no vocábulo que, não sabem os novinhos e novinhas, é bem recente.

“Absorvente”, para mim, sempre foi sinônimo de Modess. Ou melhor, modess – a letra minúscula indicando a transição da marca ao vernáculo popular, como acontece com a gilete. Modess era palavra dita entre sussurros, pelas mulheres, e entre o riso e a ignorância constrangida, pelos homens. Era aquela coisa que eu, criança, sabia que existia, mas não tinha a menor ideia de para que servia. Até uma fatídica aula de ciências na escola, quando tudo então ficou mais ou menos esclarecido.

Aliás, a própria palavra “menstruação” é algo que escrevo constrangido. E não porque me falte lugar de fala. Não estou nem aí para lugar de fala. Não acredito em lugar de fala. Enquanto eu tiver coordenação motora para escrever e o São STF permitir, pretendo poder escrever sobre tudo. Nem que seja para falar bobagem. E, se for bobagem, ao menos que desperte o riso em alguém. Mas eu falava sobre o constrangimento de escrever a palavra “menstruação”. O que mesmo eu pretendia falar sobre isso?

Sei lá. Só sei que outro dia mesmo estava me lembrando de uma das poucas aulas que tive na faculdade de Comunicação. Se não me falha a memória falha, era uma aula de Teoria da Comunicação e o professor falava sobre as propagandas de absorventes, digo, modess, que naquela época usavam sempre um líquido azul para demonstrar o poder de absorção do equipamento. “Eles jamais usariam um líquido vermelho, porque as pessoas teriam nojo disso”, disse o professor. Que pode muito bem ter sido uma professora. Realmente não lembro. Qual não foi minha surpresa, então, ao descobrir que em 2017 uma empresa britânica mandou às favas os escrúpulos menstruais e passou a veicular um comercial que usava sangue?!

Deixando as questões cromáticas de lado, resta-nos rir do comunismo ginecológico de Tabata Amaral. Rir do fato de ele se basear em estatísticas suspeitas. Rir da premissa falsa de que o Estado deve prover tudo, inclusive artigos de higiene pessoal. Rir da ideia de que o Estado é capaz de fazer isso de uma forma minimamente eficiente. Rir até da “generosidade” da indústria, sempre disposta a colaborar com causas sociais, desde que elas envolvam dinheiro público. E, por fim, rir da sinalização da virtude dos oportunistas de sempre – os mesmos que correrão para dizer que não tenho lugar de fala para escrever sobre o assunto.


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A VINGANÇA DO CORRUPTO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

O procurador da República Deltan Dallagnol.| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

No ritmo atual de demolição de todas as conquistas obtidas pela Operação Lava Jato, não demoraria muito para que os bandidos fossem formalmente transformados em vítimas e os defensores da lei terminassem no banco dos réus, condenados. É o que o Tribunal de Justiça de Alagoas acaba de fazer ao determinar que o procurador Deltan Dallagnol, ex-coordenador da (agora extinta) força-tarefa da Lava Jato, indenize o senador Renan Calheiros (MDB-AL) em R$ 40 mil por danos morais, devido a tuítes de Dallagnol publicados antes da disputa pela presidência do Senado, no início de 2019.

O Judiciário do estado onde Calheiros fez sua carreira política não é a primeira arena onde o procurador e o senador se enfrentaram. O mesmo episódio já havia levado o alagoano a reclamar ao Conselho Federal do Ministério Público, que em setembro de 2020 aplicou uma vergonhosa pena de censura a Dallagnol, endossando uma série de falácias defendidas pelo relator do processo no CNMP. Aquele julgamento chegou a ser suspenso em uma decisão exemplar do então ministro do STF Celso de Mello (depois revertida por Gilmar Mendes, aproveitando-se de licença médica do colega de corte), cujas palavras precisam ser repetidas neste momento triste para a liberdade de expressão no Brasil.

Um servidor de trajetória exemplar é condenado por simplesmente exercer um direito constitucional, por ter apenas emitido opiniões que irritaram um senador que, mesmo sem ter estatura moral alguma, ainda é um dos “donos do poder” da República

Celso de Mello lembrou que a liberdade de expressão “destina-se a proteger qualquer pessoa cujas opiniões possam, até mesmo, conflitar com as concepções prevalecentes, em determinado momento histórico, no meio social ou na esfera de qualquer instituição, estatal ou não”. Tal garantia impede que essa pessoa sofra “qualquer tipo de restrição de índole política, de caráter administrativo ou de natureza jurídica, pois todos hão de ser igualmente livres para exprimir ideias, ainda que estas possam insurgir-se ou revelar-se em desconformidade frontal com a linha de pensamento dominante”.

O decano, entretanto, não parou por aí: lembrou que “a crítica dirigida a pessoas públicas (como as autoridades governamentais, os candidatos ou titulares de mandatos eletivos), por mais acerba, dura e veemente que possa ser, deixa de sofrer, quanto ao seu concreto exercício, as limitações externas que ordinariamente resultam dos direitos de personalidade” e, tratando especialmente da liberdade de expressão dos membros do Ministério Público, deixou muito claro que “qualquer medida que implique a inaceitável proibição ao regular exercício do direito à liberdade de expressão dos membros do ‘Parquet’ revela-se em colidência com a atuação independente e autônoma garantida ao Ministério Público pela Constituição de 1988”.

As acertadíssimas palavras de Celso de Mello mostram claramente o absurdo da decisão tanto do CNMP (que se encaixaria na “restrição de caráter administrativo”) quanto da Justiça alagoana (na definição de “restrição de natureza jurídica”). Afinal, Dallagnol nada mais fez que, em um primeiro tuíte, defender o voto aberto na eleição para a presidência do Senado e, em outra mensagem, afirmar que, “se Renan for presidente do Senado, dificilmente veremos reforma contra corrupção aprovada”, pois o alagoano “tem contra si várias investigações por corrupção e lavagem de dinheiro” – o que é a mais pura verdade, tanto sobre os processos e investigações contra Calheiros (fato público e notório) quanto sobre a possibilidade real de retrocesso no combate à corrupção caso o Senado caísse nas mãos de um dos grandes patrocinadores da Lei de Abuso de Autoridade.


O fato fundamental é que, objetivamente, não existe nenhum tipo de injúria nos tuítes de Dallagnol. Trata-se, única e exclusivamente, de crítica motivada pelo interesse público, já que centrada no futuro do combate à corrupção no Brasil. Confundir crítica com injúria é erro primário que revela extremo desconhecimento tanto da lei quanto da jurisprudência brasileiras, que jamais viram em críticas como as feitas por Dallagnol algo ilícito ou que desse margem a indenizações por dano moral. E, se estamos apenas diante de uma manifestação de opinião sem injúria alguma, todo o resto se torna completamente irrelevante, incluindo a própria veracidade ou não das opiniões, já que não cabe ao Judiciário aferi-la, e o alegado dano à reputação de Calheiros “perante terceiros, notadamente seus eleitores”.

Após a derrota de Calheiros naquele fevereiro de 2019, a Gazeta do Povo afirmou que, quando ele perde, o Brasil ganha. Pois o inverso também é verdadeiro: o país perde quando Calheiros ganha. Neste caso, perde porque um servidor de trajetória exemplar, que contribuiu de forma decisiva para desmontar o maior escândalo de corrupção da história do país, é condenado por simplesmente exercer um direito constitucional, por ter apenas emitido opiniões e lembrado verdades que irritaram um senador que, mesmo sem ter estatura moral alguma, ainda é um dos “donos do poder” da República. A “vingança dos corruptos”, na certeira expressão de Luís Roberto Barroso quando votou contra a suspeição de Sergio Moro, continua.


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SITUAÇÃO DAS REFORMAS NO CONGRESSO

 

Parlamentares

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

Plenário do Senado: governo quer a aprovação da reforma do Imposto de Renda (IR), da privatização dos Correios, da PEC dos precatórios e negocia emendas parlamentares para essas votações| Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A reforma administrativa não é a única pauta que pode obrigar o governo a negociar com a base governista emendas parlamentares não impositivas — as chamadas emendas extras, que não são de execução obrigatória no Orçamento. Outras matérias listadas como prioritárias também estão no radar, a exemplo da chamada PEC dos precatórios, a privatização dos Correios e a reforma do Imposto de Renda (IR).

A privatização dos Correios e a reforma do IR são duas pautas impopulares que tramitam no Senado, onde o governo está em “débito” com a base, que é menos sólida em relação à construída na Câmara. Para aprovar as duas matérias, o Planalto foi avisado que teria de quitar compromissos pendentes.

Para a privatização dos Correios, um emissário do governo se reuniu com senadores esta semana para pedir o apoio à aprovação e avisar que emendas seriam destravadas. E a expectativa de senadores é que o mesmo ocorra em relação à reforma do IR, onde a rejeição também é grande.

Dos R$ 16,9 bilhões previstos no Orçamento de 2021 às emendas de relator, R$ 6 bilhões de recursos empenhados — a etapa que abre o caminho para o pagamento às bases eleitorais — foram liberados até a última sexta-feira (1º), segundo revelou o jornal O Estado de São Paulo. A Gazeta do Povo confirmou a informação com senadores.

Na Câmara, a PEC dos precatórios, a 23/2021, que permite o parcelamento das dívidas do setor público reconhecidas pela Justiça e abre espaço orçamentário para a ampliação do Auxílio Brasil, é outra que deputados da base vão tentar tirar alguma fatia do Orçamento justamente sabendo da resistência da oposição e do quanto ela é cara para as aspirações políticas e eleitorais do governo.


Como o governo ficou tão dependente da liberação de emendas parlamentares
A cobrança da base governista pelas emendas parlamentares extras é atribuída por lideranças político-partidárias no Congresso e até por interlocutores do governo como um sinal de fragilidade. Aliados entendem que o presidente Jair Bolsonaro ficou muito dependente do Centrão e calculam que, para apoiar um governo politicamente debilitado em um ano pré-eleitoral, terá que ser por um bom “preço”.

O cálculo feito por congressistas da base mais fisiológica e menos fiel a Bolsonaro é que, além do desgaste no combate à pandemia, o governo também se mostra fragilizado pela alta da inflação, sobretudo dos alimentos, do gás de cozinha e dos combustíveis. Para parlamentares, isso corrói o capital político e social de Bolsonaro.

A análise feita por lideranças partidárias é de que o presidente da República estagnou em uma taxa de popularidade de 20% e 22%, segundo as mais recentes e diferentes pesquisas eleitorais. A faixa, explicam, não é muito diferente do que tinha Bolsonaro antes do atentado sofrido nas eleições de 2018.

Com a leitura de que Bolsonaro ficou preso ao eleitorado bolsonarista e não consegue mais absorver os votos do eleitor médio, integrantes da base entendem que o momento é oportuno para barganhar emendas e cargos. Sobretudo diante das articulações pela construção de uma terceira via e pelo surgimento do União Brasil, o partido que nasce da fusão entre o DEM e o PSL.

A fragilidade de Bolsonaro ficou ainda mais evidente na opinião de parlamentares após o recuo na crise entre poderes, dias após as manifestações de 7 de setembro. Os partidos políticos começaram a se mobilizar para discutir a abertura de um pedido de impeachment. “O governo entregou toda a articulação e dependência para aprovar qualquer coisa para o PP e PL”, sustenta uma liderança do governo no Parlamento.

“E não existe plano B. Eles vão deixar o Bolsonaro refém até o último dia”, complementa a fonte. A leitura é endossada dentro do governo. “Quanto mais frágil e mais colado ao Centrão um governo fica, mais alto fica o preço [por liberação de emendas] da governabilidade. E já estamos na metade de outubro. A partir de julho de 2022 não libera mais nada”, analisa um interlocutor palaciano. A lei eleitoral veda até mesmo a liberação de recursos impositivos do Orçamento três meses antes do pleito.

Como o governo vai liberar as emendas parlamentares
A articulação pela aprovação de pautas com deputados e a liberação de emendas não impositivas é negociada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e líderes partidários, com anuência do ministro-chefe da Casa Civil. Para essas negociações, a proposta é destinar as verbas às bases eleitorais por meio de recursos das emendas do relator do Orçamento de 2022, Hugo Leal (PSD-RJ).

Um deputado da base que integra a Comissão Mista de Orçamento (CMO) confirma as articulações pela liberação de emendas e alerta que o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi avisado por Lira do custo que sairia aprovar tanto a reforma administrativa, que pode custar R$ 6,16 bilhões, quanto a PEC dos precatórios.

“A reforma administrativa é até melhor o Guedes desistir, porque não tem como aprovar. A PEC dos precatórios o Centrão vai querer negociar alto justamente porque a oposição é contrária e abre espaço para o governo aprovar o Auxílio Brasil”, diz o deputado. “O governo se encontra em uma situação que, ou adere ao jogo, ou ‘roda’ no Orçamento. E eles conseguem tirar dinheiro de onde nem poderia. É uma luta inglória que vai custar caro”, complementa.

Já no Senado, o custo orçamentário para destravar a reforma do IR e a privatização dos Correios virá ainda no Orçamento deste ano. Deputados e senadores aprovaram na quinta-feira (7) em sessão conjunta do Congresso o remanejamento de R$ 690 milhões. O valor seria destinado de forma integral ao Ministério de Ciência e Tecnologia, mas o governo remanejou para atender os ministros da Educação, Saúde e Desenvolvimento Regional.

Fontes da CMO dizem que os recursos são para destravar emendas parlamentares extras. Para 28 de outubro, está prevista uma outra sessão do Congresso, onde devem ser votadas outras pautas de remanejamento de recursos para atender às liberações de recursos. Serão votados dois Projetos de Lei do Congresso (PLNs) que, se aprovados, destravarão R$ 4,22 bilhões para realocação orçamentária em diferentes estruturas da máquina pública.

Quais os desafios para o governo aprovar as pautas econômicas
Mesmo com a negociação de emendas extras, o governo vai encontrar dificuldades para aprovar as pautas na Câmara e no Senado, avaliam parlamentares. Um dos motivos apontados é a desconfiança sobre o Planalto honrar, de fato, com os acordos desta vez. “O governo oferece os acordos e depois não os cumpre”, critica um senador da base do governo.

Outra reclamação feita por senadores da base é que, na prática, o governo apenas tenta postergar as dívidas. O discurso é de que as emendas que serão destravadas com os remanejamentos orçamentários negociados para as sessões do Congresso pagam apenas parte dos acordos anteriores.

Ou seja, para aprovar a privatização dos Correios e a reforma do IR, o Planalto precisaria se comprometer com negociações futuras, argumentam senadores, e não postergar as dívidas. “Até porque a privatização e a reforma do Imposto de Renda não são matérias fáceis de passar”, alerta um segundo senador da base. Na reunião em que foi tratada a desestatização, um interlocutor do governo disse aos senadores que seriam liberadas emendas ainda dentro do Orçamento deste ano em apoio aos votos pela matéria.

Senadores alertam, ainda, para a falta de articulação do governo em convencer os parlamentares. “Emenda não compra todo mundo. A grande maioria não se vende por emenda”, alerta. O Planalto alega, contudo, que apresentou materiais com defesas à reforma do IR e um contendo “10 razões para privatizar os Correios”.

O argumento no Planalto é de que pautas com potencial de ampliar a arrecadação receberão atenção prioritária. No caso da PEC dos precatórios, a redação limita pagamento ao valor pago em 2016, com correção pela inflação, e reduz de R$ 89 bilhões para R$ 40 bilhões a serem pagos dentro do teto de gastos.

Outro ponto de resistência apontado por parlamentares é o constrangimento de apoiar pautas impopulares apoiadas por Guedes, sobretudo a reforma do IR, que tributa lucros e dividendos. Isolado pelo Congresso, o ministro da Economia foi convocado pela Câmara para prestar informações sobre manter US$ 9,55 milhões na conta de uma sociedade offshore controlada por ele.

“Não há clima para votar a reforma do IR. O projeto é polêmico, esse negócio de cobrar dividendos já não interessava a muitos senadores e agora, com essa história de offshore, não tem como votar”, critica um senador. A análise feita por outro é que o Planalto vai ficar dependente da liberação de emendas para aprovar a matéria.


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FÁTIMA - A HISTÓRIA DE UM MILAGRE

 

Cinema

Por
Maria Clara Vieira – Gazeta do Povo

Cena do filme “Fátima – A História de um Milagre”| Foto: Divulgação Diamond Films

Em 13 de maio de 1917, os tempos eram de tumulto em Portugal. Mal recuperado da sangrenta revolução republicana de 1910, o país acabara de ingressar na Primeira Guerra Mundial com o intuito de aumentar sua participação política na Europa, e sairia do conflito endividado, com altíssima inflação e mais de dez mil vidas perdidas. A Igreja Católica, que defendia o regresso das tropas portuguesas, fora silenciada pelos revolucionários: logo no primeiro mês, o novo governo expulsou ordens religiosas, fechou conventos e confiscou bens, além de proibir padres de dar aulas e usar trajes eclesiásticos em público.

Foi neste dia que irmãos Francisco e Jacinta Marto, de 7 e 9 anos, e sua prima Lúcia, de 10 anos, voltaram para casa afirmando ter visto “uma senhora toda vestida de branco, mais brilhante do que o sol”, que lhes pedira que voltassem ao local no mesmo dia, à mesma hora, durante os próximos cinco meses. Ali, sobre um arbusto de pouco mais de um metro, a senhora – sem revelar sua identidade – pedia que as crianças rezassem o terço todos os dias para, segundo a descrição feita anos depois pela própria Lúcia, “alcançassem a paz para o mundo e o fim da guerra”. O encontro inusitado teria acontecido na Cova da Iria, um bosque despovoado da freguesia de Fátima, onde as três crianças costumavam cuidar do rebanho de ovelhas. Começava assim o que hoje a Igreja Católica entende como a maior e mais importante aparição mariana dos tempos modernos: a história de Nossa Senhora de Fátima.

Parte deste caso controverso e impressionante, que caminha nos limites da fé e da ação humana, acaba de aterrissar nos cinemas brasileiros, sob o título de “Fátima – A História de Um Milagre”. Dirigida pelo italiano Marco Pontecorvo e com atuação de Sônia Braga (“Bacurau”, “Aquarius”) no papel da irmã Lúcia, cujas memórias serviram de base para a narrativa, a obra se debruça precisamente sobre os acontecimentos daquele 13 de maio, até a última suposta aparição da santa, em 13 de outubro de 1917, ocasião que teria sido marcada por um milagre às vistas de milhares de fiéis. O americano Harvey Keitel (“Cães de Aluguel”) faz as vezes do professor cético que, ao entrevistar a religiosa, leva-a a relembrar suas experiências de infância. Com boa fotografia e interpretações emocionantes – com destaque para os três pastores e para a atriz portuguesa Joana Ribeiro como Nossa Senhora – o filme é capaz de agradar católicos e descrentes, sobretudo pela qualidade que o distancia da maioria das produções confessionais conhecidas no Brasil.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Pontecorvo confirmou sua intenção de conquistar o público secular. “A mensagem de Fátima é uma mensagem de paz. Além disso, eu acredito no poder da fé, no sentido de que essas três criancinhas estavam dispostas a brigar com todo mundo e perder tudo – sua família, sua comunidade – para defender o que elas acreditavam. Penso que isso é importante, mesmo para os descrentes, porque ser humano tem uma relação profunda e essencial com o transcendente”, disse o diretor, que reforça o caráter cético da obra, marcado tanto pelo personagem de Keitel quanto por sutilezas que permitem que o espectador especule sobre o que realmente aconteceu.

Um exemplo é a famosa visão do inferno, relatada pela irmã Lúcia em suas memórias: no filme, as imagens enxergadas pela pastorinha se parecem muito com as representações diabólicas nas paredes da paróquia que sua família frequentava. “A dúvida dentro da história é importante. É o instrumento dialético através do qual decidimos no que realmente acreditamos. Por isso, eu não quis dizer ‘essa é a verdade’: é você quem decide. Estou contando uma história que é importante para todos nós, independentemente de você acreditar que as crianças foram visitadas pela Virgem ou que Lúcia tinha uma grande imaginação”, afirma Pontecorvo. Nesse sentido, corroboram também as insinuações do administrador republicano da Vila de Ourém, decidido a abafar a “crendice popular” que tomava o vilarejo de Fátima em tempos nos quais qualquer discurso de esperança encontraria terreno fértil.

A Virgem do Estado Novo contra o comunismo
O filme de Pontecorvo é, inclusive, bastante fiel ao retratar o anticlericalismo do movimento republicano português. O fato de as supostas aparições terem acontecido neste período serviu, de um lado, para que a devoção se alastrasse pelo país em pouco tempo, à revelia dos políticos, e, por outro lado, para que se desconfiasse, desde o princípio, da “conveniência” de uma visita da mãe de Cristo a três crianças analfabetas. Duas delas, Jacinta e Francisco, morreriam vítimas da Gripe Espanhola dois anos após o ocorrido, enquanto Lúcia ingressaria no carmelo de Coimbra, onde faleceu em 2004, aos 97 anos de idade.

Ocorre que as mais vultosas polêmicas envolvendo os acontecimentos mostrados em “Fátima” começaram décadas após os fenômenos retratados pelo filme – período que o diretor, propositalmente, deixou de fora. Como que para apimentar o debate acerca dos interesses políticos e religiosos envolvidos nas aparições de Fátima, as mensagens supostamente recebidas pelos pastores extrapolaram as fronteiras portuguesas e influenciaram de forma decisiva conflitos de magnitude internacional.

Dentro de Portugal, por exemplo, a história de Fátima seria incondicionalmente abraçada pelo Estado Novo de Oliveira Salazar, que implementaria no país um regime similar ao instalado por Getúlio Vargas no Brasil em 1934. Porém, diferentemente daqui, onde o ditador agnóstico, à mesma época, fingia crer em Nossa Senhora Aparecida apenas para fortalecer sua projeção junto à população brasileira, Salazar era um homem profundamente religioso e acreditava que o poder do Estado deveria ser balizado pela moral católica. E, para manter-se no poder, contou com o apoio do bispado português.

Às vésperas da primeira eleição de deputados para a Assembleia Nacional, o bispo Manuel Gonçalves Cerejeira, braço direito de Salazar, enviou-lhe uma carta com uma mensagem da irmã Lúcia anexada. “É preciso fazer compreender ao povo que as privações e sofrimentos dos últimos anos não foram efeito de falta alguma de Salazar, mas sim provas que Deus nos enviou pelos nossos pecados”, escrevia a freira. Mas era o bispo quem insistia que “Salazar é a pessoa por Ele (Deus) escolhida para continuar a governar nossa pátria”. Neste período, o culto a Nossa Senhora e as aparições de Fátima passaram a ser ensinados como parte essencial da história de Portugal.

A maior das controvérsias protagonizadas pela santa, contudo, teria início em 1941, com a publicação das Memórias da Irmã Lúcia pela religiosa, que contava então com 34 anos. Foi em um documento enviado ao bispo de Leiria que a “vidente” falou pela primeira vez nos famosos “segredos de Fátima”: sendo um deles a visão do inferno mostrada pelo filme e, outro, a profecia de uma nova guerra, bem como de um ciclo de horrores causado pelo país que precisamente no ano das “aparições”, viveu uma revolução comunista.

“Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará”, teria dito a Virgem, conforme relatado por Lúcia. Mais quarenta anos depois, esta mensagem levaria um devoto de Nossa Senhora oriundo de uma nação esmagada tanto pelo nazismo quando pelo stalinismo a mover uma cruzada político-religiosa contra a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Já nos anos 1980, o papa João Paulo II faria a consagração da Rússia supostamente solicitada por Nossa Senhora. Na mesma época, rechaçaria, oficialmente, a Teologia da Libertação – a interpretação marxista do Evangelho. Não por acaso, a manchete do Jornal do Brasil de 3 de abril de 2005 dizia: “Morre João Paulo II, o pontífice geopolítico que venceu o comunismo e reestruturou a Igreja”.

A obra de Pontecorvo sequer esbarra nestes conflitos. “Eu quis ficar completamente de fora dessas questões. A irmã Lúcia começou a escrever suas memórias cerca de trinta anos depois daqueles acontecimentos. O mundo era outro. Se você me pedir hoje para escrever sobre algo que eu vivi quando tinha dez anos, certamente passará pelo filtro do que eu já vivi. Então, eu senti que era um ponto mais crítico”, justificou o diretor.

Cabe ressaltar que mesmo a cúpula da Igreja Católica não é unânime quanto à veracidade dos acontecimentos de Fátima, muito menos quanto a sua interpretação: o Catecismo não determina que os fiéis devem acreditar nas aparições, sendo o reconhecimento do Vaticano a mera permissão para a construção de templos e propagação do culto. Quer se creia ou não na existência, na aparição ou mesmo nas interpretações das mensagens atribuídas à Nossa Senhora, “Fátima” é um retrato respeitoso e delicado da força insubstituível de uma fé viva e comunitária, à prova do tempo e dos deuses materiais.


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A ATENÇÃO DA PESSOAS HOJE ESTÃO NO MARKETING DIGITAL

 

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Chegamos ao décimo mês do ano!

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sexta-feira, 8 de outubro de 2021

STF FAZ PERSEGUIÇÃO SELETIVA

 

Editorial
O STF comprova: a perseguição é seletiva
Por
Gazeta do Povo

Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal – STF

Detalhe de estátua da deusa Têmis, na frente do prédio do STF.| Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Que os tribunais superiores e instâncias políticas como a CPI da Covid vêm promovendo uma guerra contra a liberdade de expressão já é algo bastante evidente desde que o inquérito das fake news no STF resultou na censura a uma revista, ainda em 2019. E também é notório que os alvos desta perseguição têm, todos, um perfil ideológico ou político-partidário semelhante: ou estão mais à direita, ou são conservadores, ou declaram apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Alguém até poderia alegar que são apenas as pessoas desse lado do espectro ideológico ou político que “fariam por merecer”, que seriam apenas elas a propagar “discurso de ódio” e fazer “ataques às instituições”. Onde estaria a evidência empírica de que a perseguição é enviesada?

Haveria duas formas de demonstrar que a liberdade de expressão está sendo deliberadamente relativizada apenas para um grupo: a primeira seria mudar o alvo dos insultos. O que aconteceria, por exemplo, se uma coluna de um grande jornal brasileiro trouxesse, em vez de frases com início, meio e fim, apenas insultos enfileirados – quase 200, para ser mais preciso – dirigidos não ao presidente Jair Bolsonaro (como de fato ocorreu, sem nenhum tipo de consequência ou responsabilização), mas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF? A segunda forma de comprovar um viés ideológico na perseguição seria comparar insultos reais ao Supremo, mas feitos por pessoas de perfis diferentes. E, se a primeira situação ainda é hipotética, a segunda acaba de se concretizar; com isso, a corte presenteia o brasileiro com a evidência cabal de que, quando o assunto é liberdade de expressão, todos são iguais em direitos, mas uns são mais iguais que outros.

Não resta mais dúvida alguma de que o STF vem agindo não apenas de forma abusiva em suas restrições à liberdade de expressão, mas também exerce esse abuso de forma seletiva, contra apenas um lado do espectro político-ideológico

Para isso, convidamos o leitor a analisar as seguintes falas: “Por várias e várias vezes já te imaginei [o ministro Edson Fachin] tomando uma surra. Ô… quantas vezes eu imaginei você e todos os integrantes dessa corte. Quantas vezes eu imaginei você, na rua, levando uma surra. O que você vai falar? Que eu tô fomentando a violência? Não. Eu só imaginei”; ou, então: “Você faz uma intervenção agora… aposenta dez ministros do Supremo (…) pega aqueles dez satanazes… as duas bruxas… e os oito satanazes, você aposenta, manda pra casa (…) Impeachment dos ministros do Supremo. Esses dez… Tirando este Kassio que é novo (…) ainda sem os vícios dessa cachorrada mais antiga que está lá. (…) impeachment para aquelas sujeitas e aqueles sujeitos que estão lá”; e, por fim, “Uma das tarefas fundamentais da gente é estimular o ódio de classe (…) Tem que acordar todo dia querendo pegar pelos cabelos cada um daqueles ministros do STF – se puxar pelo Fux sai a peruca – (…) tem que odiar, tem que xingar. Tem que ver uma foto e ter raiva, ter vontade de cuspir, tem que odiar a burguesia brasileira e seus representantes (…) Eu quero que o STF se f…. Barroso é um grande de um canalha. É um inimigo do povo brasileiro. O STF apoiou o golpe, p…!”

Em conteúdo, não há diferenças significativas: insultos a ministros do Supremo e, em dois casos, menção a agressões físicas. Mas os autores das duas primeiras falas foram presos graças a elas: são, respectivamente, o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), atualmente com o mandato suspenso, e o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, ambos aliados de Bolsonaro. Já o autor da terceira citação, o historiador stalinista Jones Manoel, referiu-se ao Supremo naqueles termos em 18 de setembro, durante evento de um sindicato cearense. Passadas três semanas, ele continua livre para dizer o que bem entender, ainda que suas afirmações pudessem se encaixar perfeitamente no conceito de “ameaças e infrações revestidas de animus caluniandi, diffamandi e injuriandi, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares”, como descreve o ex-presidente da corte Dias Toffoli no despacho em que determinou a abertura do inquérito das fake news, em março de 2019.


Mas que não pense o leitor que desejamos ver Alexandre de Moraes ordenando a prisão de Jones Manoel por seu discurso de ódio – agora dirigido ao Supremo, mas que é habitual no caso do historiador, que já defendeu a execução de adversários políticos. Se isso ocorresse, estaríamos diante de abuso idêntico ao cometido contra Roberto Jefferson e Daniel Silveira (no caso do deputado, com a agravante de também ter sido violada a imunidade parlamentar). Seria apenas mais uma arbitrariedade cometida dentro de um inquérito que jamais deveria ter existido, tantas as aberrações jurídicas contidas nele. Se ressaltamos o caso de Jones Manoel, é para que não reste mais dúvida alguma de que a corte vem agindo não apenas de forma abusiva em suas restrições à liberdade de expressão, mas também exerce esse abuso de forma seletiva, cassando a voz e validando arbítrios – como no caso recente em que Cármen Lúcia validou a quebra de sigilo do antropólogo, escritor e colunista da Gazeta do Povo Flávio Gordon – contra apenas um lado do espectro político-ideológico.

Se estivesse vivo, Alfredo Ceschiatti teria de alterar sua escultura da deusa Têmis, que está diante da sede da corte na Praça dos Três Poderes. Melhor seria instalar-lhe uma venda removível, para mostrar que os ministros às vezes enxergam, às vezes preferem não enxergar, e às vezes enxergam até o que não existe – ao menos é o que tem ocorrido neste inquérito das fake news e em outras investigações semelhantes, em que decisões parecem ditadas mais pelas conveniências que pelos fatos e pela lei penal e processual. Afinal, há quem veja crimes quando o que existe é o mero exercício da liberdade de expressão; há quem não veja o princípio do juiz natural quando há indícios de possíveis crimes; e, como fica claro agora, há quem tenha passe livre para dizer de tudo sem que os ministros vejam absolutamente nada ali.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/o-stf-comprova-a-perseguicao-e-seletiva/
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GOVERNO GASTA MUITO COM ESCOLTA POLICIAL DE SENADORES

Por
Lúcio Vaz – Gazeta do Povo

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, na portaria do Congresso.| Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A segurança não preocupa apenas o Judiciário, como mostrou o blog. As despesas com diárias, passagens aéreas e cartões corporativos dos policiais legislativos que fazem a segurança de um privilegiado grupo de senadores já somam R$ 3,8 milhões desde o início da atual legislatura. Isso sem contar com os mais de R$ 3 milhões gastos com jatinhos da FAB pelos presidentes Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Davi Alcolumbre (DEM -AP).

Considerando os presidentes da casa, os senadores ameaçados de morte – Marcos do Val (Podemos-ES) e Ângelo Coronel (PSD-BA) – o filho do presidente Jair Bolsonaro, senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), e outras missões eventuais, as despesas com diárias já batem nos R$ 2 milhões. A emissão de passagens aéreas para as equipes de segurança consumiu R$ 1,1 milhão, enquanto os cartões corporativos já somam R$ 713 mil. Desse total, R$ 430 mil foram gastos pelo Serviço de Proteção Presidencial.

O campeão da gastança é o ex-presidente Alcomumbre. Ele torrou R$ 800 mil com diárias para os policiais que fazem a sua segurança nos voos pelo país, mais 317 mil com despesas pagas com cartões corporativos. Os cartões são usados para despesas extras com passagens e locomoções, como aluguel de veículos. Os seus 90 voos da FAB pelo país e pelo mundo custaram R$ 2,4 milhões. Alcolumbre gastou R$ 3,7 milhões com viagens em dois anos como presidente.


Segurança recebe até 17 diárias
O atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, é mais comedido. Seus seguranças gastaram até agora R$ 173 mil com diárias e R$ 112 mil com cartões corporativos. Os integrantes das equipes de segurança recebem em média três diárias por viagem. A exceção foi durante o recesso parlamentar de julho, quando três policiais legislativos receberam 10 diárias cada um – ao custo total de R$ 20 mil – para acompanhar o presidente em Belo Horizonte. Mas já gastou R$ 800 com voos em jatinhos da Aeronáutica. Nesse ritmo, vai igualar Alcolumbre.

O ex-presidente não tinha pena dos cofres públicos. No final de dezembro de 2019, foram pagas 88 diárias e 12 seguranças do Senado que acompanharam Alcolumbre num roteiro de visita a obras no Amapá, seu reduto eleitoral. O custo das diárias chegou a R$ 57 mil. No recesso de julho daquele ano, já havia ocorrido outra farra de diárias em Macapá. Seis policiais legislativos receberam de 13 a 17 diárias numa só viagem. No ano passado, participou da campanha eleitoral do irmão a prefeito de Macapá.

O então presidente do Senado Davi Alcolumbre visitando obras em Macapá – Reprodução/Facebook
O Senado também se preocupa com a segurança do prédio na Esplanada dos Ministérios e com as residências dos senadores. O contrato para de serviços vigilância armada e desarmada no edifício sede, na residência oficial do presidente do Senado na Península dos Ministros e nos três blocos de apartamentos funcionais ocupados pelos senadores na Asa Sul custa R$ 24 milhões por ano aos cofres públicos.


Os senadores ameaçados
Dois senadores contam com escolta policial permanentemente. As maiores despesas foram feitas por Marcos do Val, que foi alvo de ameaças quando assumiu a relatoria do pacote anticrime. Sua equipe de segurança já recebeu 1.160 diárias, no valor total de R$ 806 mil. Não é possível identificar os gastos com passagens e cartões corporativos por senador.

Nos últimos dois anos, o número médio de diárias pagas aos seguranças do senador do Val é de sete. Mas há alguns casos extremos. Em 6 de outubro de 2020, por exemplo, cada um dos dois policiais recebeu 14 diárias, num gasto total de R$ 18 mil. Em 18 de junho do mesmo ano de 2020, as 29 diárias pagas a dois policiais custaram R$ 18,7 mil. Em 17 de dezembro, três seguranças receberam um total de 30 diárias, no valor de R$ 20 mil. Um deles levou 17 diárias no valor de R$ 11 mil.

As despesas com diárias dos policiais que acompanham Ângelo Coronel já somam R$ 546 mil. O número médio de diárias é de sete e também chega a 17 numa única viagem. Em 1º de outubro do ano passado, as 28 diárias pagas a dois seguranças custaram R$ 18 mil. Um deles recebeu 17 diárias.  Em 5 de novembro, as 29 diárias pagas a três policiais custaram R$ 18,7 mil.

O blog questionou os dois senadores por que foram necessárias viagens com mais de suas semanas de duração com a presença de seguranças. Também questionou se os constantes deslocamento em aviões, a maior parte durante a pandemia da Covid-19, não colocaram em risco a vida dos policiais legislativos e dos próprios senadores. Solicitou ainda esclarecimentos sobra as ameaças feitas aos senadores.

Os dois gabinetes dos senadores responderam que os assuntos referentes à escolta policial dos senadores são respondidos pelo Serviço de Policiamento (SPOL), unidade que realiza a proteção de autoridades. Ressaltaram ainda que “há informações cuja sensibilidade demanda a restrição dos dados, pela própria natureza da atividade de proteção policial”.


O filho do presidente roda o mundo
Como filho do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro tem direito a escolta policial permanente, como acontece com todos os familiares de presidentes da República. A proteção é feita normalmente pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), mas um acordo entre o Senado e a GSI transferiu a tarefa para a Polícia do Senado.

Em junho deste ano, o senador Flávio esteve em Washington e Nova Iorque participando da comitiva do ministro das comunicações, Fábio Faria, com o objetivo de verificar modelos de redes privativas de comunicação. Nessa viagem, o policial legislativo Bruno Ribeiro Fonseca recebeu seis diárias no valor total de R$ 13 mil na “missão oficial de segurança de autoridade”.

Flávio fez viagens pelo mundo protegido por seguranças do Senado. Esteve em Tel Aviv (Israel) por uma semana em outubro de 2019, acompanhado do policial Bruno Fonseca, chefe da sua equipe de segurança. As cinco diárias do senador custaram R$ 8,7 mil. Bruno recebeu R$ 13,9 mil por oito diárias mais R$ 8,8 mil pelas passagens.

Bruno também esteve na China, de 14 a 23 de setembro daquele ano, em missão oficial de proteção ao senador Flávio. As 10 diárias custaram R$ 17 mil. As passagens dos dois foram pagas pelos organizadores do evento.


Fórmula 1, férias em Nova Iorque
Flávio também esteve em Abu Dhabi, no final de novembro, supostamente para negociar o retorno do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 para o Rio de Janeiro. Levou informações sobre a construção do autódromo em Deodoro (RJ). E aproveitou para assistir a última corrida do ano, vencida por Lewis Hamilton. Viajou a convite dos organizadores do evento. Bruno esteve na missão de “proteção de parlamentar” em Abu Dhabi. As despesas ficaram em R$ 10,8 mil com seis diárias e R$ 10,2 mil com passagens.

O senador Flávio Bolsonaro posa para foto com o CEO da Fórmula 1, Chase Carey – Reprodução/Facebook
Nos registros do Senado, o chefe da segurança também declarou ter recebido R$ 40 mil por 23 diárias em “missão oficial de proteção de parlamentar”, de 21 de dezembro de 2019 a 12 de janeiro deste ano, em Nova York. Ele gastou mais R$ 24 mil com passagens para esse evento. Procurado pelo blog, o senador respondeu que viajou de férias durante o recesso. Por isso, não utilizou passagens nem recebeu diárias do Senado. Mas as despesas do policial legislativo somaram R$ 64,4 mil.


A gastança em Noronha
Mas Flávio também fez turismo pelo país no ano passado. Esteve duas vezes em Fernando de Noronha. No final de fevereiro, a despesa com os dois seguranças chegou a R$ 11 mil em passagens e diárias. O senador passeou de barco com amigos, visitou os principais pontos turísticos do arquipélago e postou nas redes sociais uma foto segurando uma cavala recém pescada, para estimular a “pesca esportiva”.

Retornou no feriado de Finados, acompanhado da mulher, Fernanda Antunes. O deslocamento dos policiais legislativos que fizeram a escolta do senador custou mais R$ 18 mil aos cofres públicos em diárias e passagens. Os policiais Bruno Ribeiro Fonseca e Leonardo Rocha dos Santos receberam seis diárias – cada um – no valor total de R$ 6,5 mil, mais R$ 11,2 mil em passagens aéreas.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lucio-vaz/despesas-com-escolta-policial-de-senadores-ja-somam-r-38-milhoes/
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