segunda-feira, 30 de agosto de 2021

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA PARA A PERMANÊNCIA DAS EMPRESAS NO COMÉRCIO

 

A inovação nossa de cada dia

Tempo de Inovação – Jornal Hoje em Dia

Independentemente do setor da empresa, saiba de uma coisa: ela irá precisar da inovação tecnológica para se manter competitiva no mercado. Hoje, em um mundo globalizado, uma mudança no meio de produção ou mesmo a criação de um novo processo que acontece na China, chega aqui no Brasil bem rápido. Por isso, empresas precisam ficar atentas às transformações decorrentes no mundo e acompanhar essas mudanças.

Organizações estáticas que não se preocupam com isso acabam sendo engolidas pelo mercado. Basta lembrar a quantidade de grandes empresas, até mesmo gigantes por sinal, que não acompanharam as evoluções e tiveram que fechar as portas ou praticamente desapareceram, como a Blockbuster, Kodak ou Xerox.  Até mesmo empresas focadas no ramo de tecnologia necessitam ficar atentas às mudanças para não caírem no esquecimento, casos como a Yahoo, My Space ou mesmo o Atari.   

A conta é simples! Basta observar como empresas centenárias fizeram para estarem vivas e competitivas até hoje. Qual foi o segredo delas? Entrando no famoso pensamento de Charlie Darwin, não será a espécie mais forte que vai sobreviver, e sim, a que mais se adapta às mudanças. Tem que ser por aí também nas organizações. Quem não muda, não observa as transformações e é muito rígida em sua estrutura organizacional, processos, modelo de negócios, gestão ou mesmo produtos está na contramão do sucesso. Já empresas que acompanham as inovações, estão de olho nas tendências e principalmente se movimentam neste sentido, sobrevivem. Fica a dica: é muito mais fácil a empresa tentar se adaptar às mudanças do mundo do que tentar mudar o mundo.

Nessa pandemia que assola o planeta isso ficou muito claro. O mundo de quarentena não significou que ele estagnou. Pelo contrário. Empresas e consumidores tiveram que se reinventar. Organizações aceleraram processos inovadores e viveram cinco anos em apenas um. Quem não pensava em trabalhar e-commerce, teve que trabalhar rápido. Quem não acreditava ser importante está presente nas redes, teve que entrar. Quem era contra a reuniões por videoconferência, se viu obrigado a tê-la como única alternativa.  Se a empresa parou, ela sabe que o concorrente não. Por isso, a palavra é movimentar-se!

Até mesmo o consumidor teve que se render as inovações tecnológicas. Compras online foram realizadas e o meio digital nunca foi tão usado e abusado nesse tempo pandêmico. A pergunta agora é outra: será que quando voltarmos e esse tão falado novo normal chegar, alguns novos hábitos e costumes simplesmente desaparecerão? As pessoas que passaram a comprar online, vão parar? O trabalho remoto, que gerou economia para as organizações e facilitou muitos processos vai acabar? Dificilmente. Trata-se de novos tempos, ocasionados por rupturas de paradigmas cada vez mais quebrados nos dias de hoje – basta lembrar quanto tempo você não sai à rua meio sem rumo à procura de um táxi que por ventura vai estar passando naquele local, naquela hora para parar por conta do seu sinal….  

Sobre as carreiras, pode se falar que o tipo de profissional está mudando. Fale-se muito que a tecnologia vai roubar empregos. Vai sim, muitos! No entanto, outros vão ser criados. Empregos relacionados aos novos tempos. Profissões ligadas a atividades repetitivas por exemplo, facilmente poderão ser substituídas por máquinas. Já outras que envolvam criação, criatividade, emoção, ineditismo e surpresa não. 

Sem falar que por trás da tecnologia tem um ser humano criando, ou melhor, programando. Por isso, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, a procura por profissionais na área de TI, somente no Brasil, será de 420 mil pessoas até 2024. Profissional este, que além de estar completamente inserido à competência técnica, também terá que ter desenvolvido habilidades socioemocionais e ser bom de grupo para atender o que a empresa espera dele.  Já a empresa também será adaptada. Com políticas bem definidas de benefícios, gestão de carreiras e uma forte gestão de pessoas. Mesmo assim, se der sorte, deve conseguir segurar esse profissional antenado, inquieto e que não gosta de fincar raízes por um ano, até que ele pule para outra organização em busca de novos desafios e oportunidades. Quer goste ou não, bem-vindo ao mundo de hoje!

Vale a pena ler qualquer semelhança será mera coincidência !!!

Autor desconhecido

Um ladrão entrou no banco gritando para todos:

” Ninguém se mexe, porque o dinheiro não é seu, mas suas vidas pertencem a vocês.”

Todos no banco ficaram em silêncio e lentamente se deitaram no chão.

Isso se chama CONCEITOS PARA MUDAR MENTALIDADES

Mude a maneira convencional de pensar sobre o mundo.

Com isso, uma mulher ao longe gritou: ” MEU AMOR, NÃO SEJA RUIM PARA NÓS, PARA NÃO ASSUSTAR O BEBÊ “, mas o ladrão gritou com ela:

“Por favor, comporte-se, isso é um roubo, não um romance!”

Isso se chama PROFISSIONALISMO

Concentre-se no que você é especializado em fazer.

Enquanto os ladrões escapavam, o ladrão mais jovem (com estudos profissionais de contabilidade) disse ao ladrão mais velho (que tinha acabado de terminar o ensino fundamental):

“Ei cara, vamos contar quanto temos.”

O velho ladrão, obviamente zangado, respondeu:

“Não seja estúpido, é muito dinheiro para contar, vamos esperar a notícia para nos contar quanto o banco perdeu.”

Isso se chama EXPERIÊNCIA

Em muitos casos, a experiência é mais importante do que apenas o papel de uma instituição acadêmica.

Depois que os ladrões foram embora, o supervisor do banco disse ao gerente que a polícia deveria ser chamada imediatamente.

O gerente respondeu:

“Pare, pare, vamos primeiro INCLUIR os 5 milhões que perdemos do desfalque do mês passado e relatar como se os ladrões os tivessem levado também”

O supervisor disse:

“Certo”

Isso se chama GESTÃO ESTRATÉGICA

Aproveite uma situação desfavorável.

No dia seguinte, no noticiário da televisão, foi noticiado que 100 milhões foram roubados do banco, os ladrões só contaram 20 milhões.

Os ladrões, muito zangados, refletiram:

“Arriscamos nossas vidas por míseros 20 milhões, enquanto o gerente do banco roubou 80 milhões em um piscar de olhos.”

Aparentemente, é melhor estudar e conhecer o sistema do que ser um ladrão comum.

Isto é CONHECIMENTO e é tão valioso quanto ouro.

O gerente do banco, feliz e sorridente, ficou satisfeito, pois seus prejuízos foram cobertos pela seguradora no seguro contra roubo.

Isso se chama APROVEITANDO OPORTUNIDADES ..

ISSO É O QUE MUITOS POLÍTICOS FAZEM ESPECIALMENTE NESTA *PANDEMIA, ELES A USAM PARA ROUBAR E RESPONSABILIZAR O VÍRUS.

A startup digital ValeOn daqui do Vale do Aço, tem todas essas qualidades, não me refiro aos ladrões e sim no nosso modo de agir:

Estamos lutando com as empresas para MUDAREM DE MENTALIDADE referente à forma de fazer publicidade à moda antiga, rádio, tv, jornais, etc., quando hoje em dia, todos estão ligados online através dos seus celulares e consultando as mídias sociais a todo momento.

Somos PROFISSIONAIS ao extremo o nosso objetivo é oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes e respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Temos EXPERIÊNCIA suficiente para resolver as necessidades dos nossos clientes de forma simples e direta tendo como base a alta tecnologia dos nossos serviços e graças à nossa equipe técnica altamente especializada.

A criação da startup ValeOn adveio de uma situação de GESTÃO ESTRATÉGICA apropriada para atender a todos os nichos de mercado da região e especialmente os pequenos empresários que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.

Temos CONHECIMENTO do que estamos fazendo e viemos com o propósito de solucionar e otimizar o problema de divulgação das empresas da região de maneira inovadora e disruptiva através da criatividade e estudos constantes aliados a métodos de trabalho diferenciados dos nossos serviços e estamos desenvolvendo soluções estratégicas conectadas à constante evolução do mercado.

Dessa forma estamos APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES que o mercado nos oferece onde o seu negócio estará disponível através de uma vitrine aberta na principal avenida do mundo chamada Plataforma Comercial ValeOn 24 horas por dia e 7 dias da semana.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (WP)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

EM CARTA NA PRISÃO ROBERTO JEFFERSON NÃO ACEITA PRISÃO DOMICILIAR

 

 Cássio Bruno – Veja

Preso há 16 dias no Rio de Janeiro, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, divulgou na noite deste domingo, 27, uma segunda carta escrita à mão de dentro da cela. A mensagem foi postada por sua filha, a também ex-deputada Cristiane Brasil, no Twitter. No texto, Jefferson, aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), diz não aceitar ir para uma possível prisão domiciliar.

O presidente do PTB, Roberto Jefferson© Reprodução/Reprodução O presidente do PTB, Roberto Jefferson

Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo a ida de Roberto Jefferson para prisão domiciliar. Segundo o documento, a PGR pede também para que o ministro Edson Fachin não seja mais o relator do habeas corpus do ex-deputado na Corte. Para a PGR, Jefferson deveria usar tornozeleira eletrônica e que a sua prisão preventiva fosse revogada. O parecer está assinado pela procuradora-geral Lindôra Araújo.

“É mais uma afronta à minha honra. Preso por crime de opinião, numa decisão indecorosa e arbitrária tomada por um ministro suspeito, pois litigante pessoal contra mim, que está requerendo execução antecipara da sentença condenatória de cem mil reais, por alegados danos morais, que repilo”, escreveu Jefferson referindo-se ao ministro Alexandre de Moraes. “Não aceito a coleira de tornozelo”, completou o chefão do PTB.

Jefferson está na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, mais conhecida como Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, desde o último dia 13. O ex-deputado é investigado por suspeita de integrar uma organização criminosa voltada a atacar instituições, como o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o objetivo de abalar a democracia. Nas redes sociais, que atualmente estão bloqueadas, Jefferson aparecia em vídeos manuseando armas.

No pedido de prisão de Jefferson, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que o ex-deputado divulgou vídeos e mensagens com o “nítido objetivo de tumultuar, dificultar, frustrar ou impedir o processo eleitoral, com ataques institucionais ao TSE e ao seu presidente, o ministro Luís Roberto Barroso”.

Jefferson é corrupto confesso. Em 2005, ele denunciou o esquema de mensalão do PT. Em 2012, foi condenado pelo mesmo STF a sete anos e 14 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ficou preso num presídio de Niterói, município da Região Metropolitana do Rio, durante um ano, dois meses e 23 dias. Nos bastidores, Jefferson não esconde a intenção de ser candidato novamente a deputado federal nas eleições de 2022.

Leia o trecho da carta publicada pela filha de Roberto Jefferson:

“Recebi, nesse momento, a Folha de ontem com o parecer da Procuradora Lindôra. É no sentido de que eu vá para casa, por razões de saúde pessoal, cumprir prisão domiciliar com tornozeleira. Agradeço, mas não aceito. É mais uma afronta à minha honra.

Preso por crime de opinião, numa decisão indecorosa e arbitrária tomada por um ministro suspeito, pois litigante pessoal contra mim, que está requerendo execução antecipara da sentença condenatória de cem mil reais, por alegados danos morais, que repilo.

Não aceito a coleira de tornozelo. Vejo o Zé Dirceu e o Lula, condenados por grave corrupção em todas as instâncias, no mérito, flanando pelo Brasil, ameaçando as Igrejas, defendendo a tomada do poder pela força e armando coletivos vermelhos, como na Venezuela, para violentar o povo cristão e patriota. Pior: ameaçando derrubar, pela força, o governo honesto do Presidente Bolsonaro. E para mim, como para outros conservadores, prisão domiciliar com tornozeleira, transformando meu lar num canil. NÃO ACEITO. É desonra. Não me fará outra humilhação e afronta a abominável e lombrosiana figura do Alexandre de Moraes. Fico onde estou.

Profetizo que o povo cristão patriota, antes que seja tarde demais, com seu RUGIDO DE LIBERDADE, em 7 de setembro, nos livrará desses URUBUS que pousaram, com mau agouro, nas costas do Brasil.

Creio em Deus, um Supremo renovado nos libertará da tirania atual.

Nossa Força e Vitória é Jesus,

Com amor,

Roberto Jefferson”

LULA QUER APLICAR NO BRASIL A MORDAÇA DA IMPRENSA DE HUGO CHAVES NA VENEZUELA

Censura

Por
Maria Clara Vieira

TOPSHOTS Supporters of Venezuelan President Hugo Chavez celebrate after receiving news of his reelection in Caracas on October 7, 2012. According to the National Electoral Council, Chavez was reelected with 54.42% of the votes, beating opposition candidate Henrique Capriles, who obtained 44.97%. AFP PHOTO/Luis Acosta

Fechamento de TVs e jornais: os resultados da regulação da mídia venezuelana| Foto: Luis Acosta/AFP

Uma das plataformas eleitorais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está posta: em entrevista à Rádio Metrópole da Bahia, na última quinta-feira (26), o petista voltou a falar sobre sua intenção de regulamentar os meios de comunicação no Brasil. Bandeira histórica do partido, tema já havia sido mencionado durante a passagem de Lula pelo Rio Grande do Norte e pelo Maranhão:

“Ou a gente faz um novo marco regulatório para a comunicação no Brasil ou a gente vai continuar sendo vítima da espoliação de meia dúzia de famílias que manda na comunicação. É preciso haver uma regulamentação”, disse Lula. Embora tenha dito que “não quer uma regulamentação como na imprensa chinesa ou a cubana”, alegando inspirar-se no modelo inglês, o ex-presidente explicitou suas referências ao utilizar como exemplo “o que ocorreu na Venezuela”. “Eu vi como a imprensa destruía o (Hugo) Chávez. Aqui eu vi o que foi feito comigo”.

É curioso que o ex-presidente mencione a forma de regulação aplicada no Reino Unido para, em seguida, insinuar que pretende impedir que a mídia diga o que quiser sobre o poder, uma vez que o modelo inglês permite que os jornais não se submetam ao órgão estatal que observa a imprensa. Como funciona, então, o modelo venezuelano? Em coluna no jornal O Estado de S. Paulo, o jornalista Pedro Doria narra uma experiência pessoal:

“Em 2012, fui observador internacional da última eleição de Hugo Chávez, a convite do Sindicato dos Jornalistas Venezuelanos. Em Petare, a maior favela de Caracas, assisti em uma seção eleitoral após a outra os fiscais do PSUV, partido do governo, orientando os eleitores dentro da cabine de votação. Aqui chamamos de voto de cabresto. Estava no TSE de lá quando Henrique Capriles e Chávez disputavam voto a voto a contagem e a luz do prédio simplesmente caiu. Quando voltou, mais de uma hora depois, Chávez abria folga. O sindicato dos jornalistas não chamou observadores de todo continente à toa – tinha medo. Medo dos motoqueiros milicianos de camisa vermelha, medo dos jornais tradicionais, que já se desmantelavam sob constante ataque econômico e policial do Estado, da sombra da censura que se aproximava. Foi há dez anos”.

O cenário testemunhado pelo jornalista começou a se desenhar dois anos após a primeira eleição de Chávez, com a aprovação da Ley Orgánica de Telecomunicaciones (Lei Orgânica das Telecomunicações), cujo objetivo, em teoria, era “apenas” impedir o monopólio de concessões de rádio e televisão por poucas empresas – um argumento frequentemente usado pelos que defendem a aplicação do mesmo princípio no Brasil.

Em 2004, viria a Ley de Responsabilidad Social en Radio y Televisión (Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão), mais uma vez, revestida de um objetivo “nobre”: promover a “responsabilidade social” do sistema de mídia, mediante a obrigação que todas as emissoras de rádio e televisão veiculassem mensagens enviadas pelo governo. Na ocasião, a Human Rights Watch a classificou como “Lei da Mordaça”. No fim da década, a legislação passaria a abranger a internet e as redes sociais.

Na mesma época, a Ley Orgánica também seria ampliada, conferindo à Comisión Nacional de Telecomunicaciones (Conatel) o poder de controlar todo setor – inclusive de fechar empresas de mídia que “questionassem a autoridade legitimamente constituída”. Como resultado, em 2010, Chávez ordenou o encerramento dos seis maiores canais de televisão do país. Entre 2013 e 2018, cerca de três quartos dos jornais da Venezuela fecharam, segundo dados da Associação Nacional de Jornalistas.

O regime recrudesceu em 2017, quando o ditador Nicolás Maduro enfrentou uma onda de protestos em meio à sua campanha eleitoral. Só naquele ano, a entidade reguladora fechou 40 estações de rádio, citando “irregularidades” em suas licenças. Hoje, o único jornal independente que resta – e, portanto, o único a noticiar a subnutrição, a falta de vacinas contra a Covid-19, entre outros problemas -, o El Nacional, é tratado por Maduro como “mídia burguesa” e é investigado por “questionar as autoridades”.

Naquele ano, o derradeiro golpe contra a liberdade de expressão viria por meio da Ley contra el Odio, por la Convivencia Pacífica y la Tolerancia (Lei contra o ódio, de convivência e tolerância pacífica), que prevê punições de até 20 anos de prisão. O alvo da legislação – que, claro, não define o que, exatamente, são “discursos de ódio” – são as redes sociais, onde se concentram as maiores críticas à ditadura.

Como resultado, a Venezuela vem despencando no ranking de liberdade de imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteiras. Em 2020, passou a ocupar a 148ª posição, em uma lista de 180 países. O Brasil está em 111º lugar.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/como-foi-a-regulamentacao-de-imprensa-de-chavez-que-lula-quer-aplicar-no-brasil/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

O COMBATE À CORRUPÇÃO E À INEFICIÊNCIA DEVE SER PERMANENTE

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Protesto / 10 Medidas – 20-11-2016 – A manifestação pelas 10 medidas anticorrupção ocorreu neste domingo na frente da Justiça Federal de Curitiba. Um ônibus foi plotado com as 10 medidas.

Manifestação em Curitiba a favor das Dez Medidas de Combate à Corrupção, em 2016, no auge da Lava Jato.| Foto: Marcelo Andrade/Arquivo/Gazeta do Povo

Ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) anual pela população brasileira – que, segundo o relógio do IBGE, já atingiu 213,5 milhões e habitantes –, tem-se o valor de US$ 14.754/ano como produto por pessoa ou renda per capita, que são os dois lados da mesma moeda. Inicialmente, vale esclarecer que em várias publicações a renda per capita brasileira aparece com o valor de US$ 11 mil, pois esse era o valor oficialmente publicado em anos anteriores, tanto internamente como em documentos internacionais sobre a economia mundial. A diferença agora apresentada resulta de ajustes feitos por órgãos oficiais, como o Banco Mundial,  na metodologia de cálculo do PIB dos países, que continua considerando o preço do dólar chamado “PPP” (Purchasing Power Parity, ou “paridade de poder de compra”).

Ouça “Editorial – Gazeta do Povo” no Spreaker.

Mesmo com a nova contabilidade, na comparação internacional o Brasil é considerado um país pobre, pois a renda por habitante é insuficiente para colocar o país no grupo das nações desenvolvidas que, segundo algumas publicações, são em número de 35 de um total de 201 países existentes. Vale ressaltar que o padrão de vida das famílias é dado pela chamada “renda disponível”, que é a renda menos o porcentual referente à carga tributária efetivamente arrecadada pelo setor estatal nas três esferas – municípios, estados e União. No Brasil, a tributação ingressada nos cofres públicos está em torno de 34% de todo o PIB e faz a renda per capita disponível ficar em US$ 9.738/ano, que é o valor médio por habitante disponível para a aquisição dos bens e serviços destinados a atender suas necessidades.

Dois elementos prejudicam sensivelmente a capacidade do governo em promover o bem-estar das pessoas: a ineficiência gerencial e a corrupção

Desses dados, podem ser deduzidas duas informações iniciais relevantes para a compreensão do que é o padrão médio de bem-estar social dos brasileiros. A primeira é que a renda per capita é uma média, quando a compreensão adequada exige classificar a população em pelo menos dez classes de renda pessoal, a fim de verificar o padrão de cada classe e o tamanho das desigualdades. A segunda é que a carga tributária não é distribuída igualitariamente entre as classes sociais, nem sobre todos os segmentos produtivos. Pode-se adicionar, ainda, que o bem-estar individual é influenciado pelos serviços públicos usados pelas pessoas, que são ofertados pelos três entes federativos e financiados com os tributos arrecadados.

A arrecadação dos 5.570 municípios, 26 estados, Distrito Federal e União, expressada nos orçamentos municipais, estaduais e nacional, destina-se a cobrir os gastos de pessoal, custeio da máquina estatal, custeio dos serviços em si, investimentos públicos e serviço da dívida, e disso resulta um conjunto de obras e serviços que a população usa. Ao arrecadar e gastar, o setor estatal interfere na distribuição da renda nacional e na desigualdade entre as várias classes sociais, seja na forma como remunera os funcionários públicos, seja nos tipos de programas de investimentos e serviços direcionados a cada segmento da população beneficiada. Nesse panorama, há dois elementos que prejudicam sensivelmente a capacidade do governo em promover o bem-estar das pessoas: a ineficiência gerencial e a corrupção.


Quando a Constituição de 1988 alterou a distribuição das receitas tributárias e aumentou o porcentual dos estados e municípios, o argumento era de que a redução da participação da União no bolo tributário e o consequente aumento da parte dos estados e municípios contribuiria para reduzir as desigualdades regionais. A tese em si faz sentido, mas na prática a realidade revelou um lado ruim: aumento da corrupção e da má gestão do dinheiro nos estados e municípios. Em uma sociedade civilizada, plural, aberta e democrática, o combate à corrupção e outros crimes econômicos deve se dar rigorosamente dentro da lei e dos ritos processuais. E, se os desvios morais se combatem com a lei e a justiça, a ineficiência gerencial e a baixa produtividade do gasto público somente se combatem com austeridade, racionalidade, eficiência, modernização administrativa, incorporação de tecnologias modernas de gestão e os elementos da boa governança.

Infelizmente, no capítulo do combate às fraudes, desvios e diversos atos de corrupção, o Brasil avança e retrocede, tornando-se lento em reduzir os níveis desses males, como se está observando com o desmonte de operações anticorrupção, a exemplo da Lava Jato. Apesar de todas as anulações recentes e totalmente equivocadas de processos e condenações, todo o conjunto probatório já levantado demonstrou, para além de qualquer dúvida, que a operação não se destinou a condenar anjos inocentes. Este quadro vem elevando de novo a crença na impunidade, e a própria impunidade vem se mostrando real mesmo diante de notórios desvios e fraudes com o dinheiro público. Nesse campo, o momento atual é de retrocesso.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/combate-a-ineficiencia-e-a-corrupcao/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

INTERESSES NADA REPUBLICANOS ESTÃO POR TRÁS DAS MANIFESTAÇÕES DOS ÍNDIOS EM BRASÍLIA

 

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Indígenas de várias etnias acompanham em frente ao STF a possível votação do chamado Marco temporal indígena

Indígenas de várias etnias acompanham em frente ao STF a possível votação do chamado Marco temporal indígena.| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Muita gente se pergunta o que são esses índios acampados em Brasília e que tocaram fogo na frente do Palácio do Planalto, e que agora muitos estão se retirando. O que é isso afinal?

Em primeiro lugar, eu passei pelo acampamento dos índios na sexta-feira (27), no dia que eles puseram fogo na frente do Palácio do Planalto e vi uma quantidade enorme de ônibus estacionados. Não eram ônibus que eventualmente parados lá, estavam à disposição dos índios.

As centenas de barracas eram uniformes, como se tivessem feito uma licitação para comprá-las; além disso, todo mundo se alimentou durante o período que estiveram lá.

Fica a pergunta: quem está sustentando isso? Porque o pessoal não estava trabalhando e muitos ainda ficaram por lá.

A segunda pergunta é como eles conseguiram material para produzir aquela fumaça preta ao pé da rampa do Palácio do Planalto? Aliás, num momento que o presidente estava em Goiânia.

E terceiro: o que está sendo julgado no STF?

Esse caso é de Santa Catarina, de uma reserva que foi demarcada em 1965 de 14.000 hectares. De repente, estão aumentando a reserva para 37.000 hectares. Isso iria desalojar 5 mil pessoas, cerca de mil famílias de pequenos agricultores que tem escritura dos terrenos desde 1902.

E qual é a base para essa disputa? O artigo 231 da Constituição, que diz que as terras são “indígenas” quando ocupadas tradicionalmente por eles, ancestralmente. É óbvio que “ocupadas” a partir da data quando foi promulgada a Constituição, em 5 de outubro de 1988.

Porque senão os índios podem ocupar terra para o resto da vida, até expulsar todo mundo para seus continentes de origem: África, Ásia e Europa.

Nesse caso, como lembrou o ex-deputado Aldo Rebelo, os descendentes de Tibiriçá e Bartira vão exigir de volta o Parque do Ibirapuera, e coisas do gênero.

O STF vai votar nesta semana para decidir esse caso. Se a maioria do STF decidir que as ocupações após o ano de 1988 valham, aí vai ser um horror.

Lá no Alto-Uruguai no Rio Grande do Sul, os pequenos agricultores estão desesperados. Porque lá tem grupos de Caingangues, e Santa Catarina tem Guaranis e Caingangues. No Mato Grosso, a área potencial para pegar 4 milhões e meio de hectares de soja, milho, algodão, pastagens para gado, e 1 milhões de pessoas.

Já chega a maluquice que fizeram em Roraima. Só o STF não reconhece, porque não tem humildade para reconhecer o erro. Aquilo foi um atentado a soberania nacional com a demarcação contínua de terras indígenas em plena fronteira com a Venezuela, num local onde índios e não-índios antes viviam em simbiose produtiva para ambos.

Depois, ficaram os índios escanteados, muitos migraram para a periferia de Boa Vista. Os arrozeiros de lá perderam os negócios. Uma maluquice que poderia ter sido resolvida reservando uma pequena área para os índios.

Aldo Rebelo, que era do PCdoB, e foi ministro em várias pastas durante o governo do PT – ou seja, é insuspeito para opinar nesse assunto – falou que isso é interesse das ONGs e não dos índios. Essas ONGs disseminam ódio entre índios e não índios, os dois lados igualmente brasileiros. Isso é crime de lesa-pátria. E alguém está financiando a manifestação dos índios para tentar atemorizar o STF.

Contudo, acaba o viés político e ideológico ao tacar fogo ao pé da rampa do Palácio do Planalto, sendo que quem vai julgar o caso é o STF. Mas isso é bem revelador do que está por trás desse movimento.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/que-interesses-estao-por-tras-da-manifestacoes-de-indios-em-brasilia/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

DIA 5 DIA DA AMAZÔNIA ÓTIMA OPORTUNIDADE PARA REFLETIR SOBRE O BIOMA

 


  1. Economia
     

Trata-se de uma oportunidade para refletirmos sobre o desafiador momento enfrentado pela floresta e por nossos biomas

Luiz Carlos Trabuco Cappi*, O Estado de S.Paulo

O próximo domingo, 5, Dia da Amazônia, é uma oportunidade para refletirmos sobre o desafiador momento enfrentado pela floresta e por nossos biomas. A Amazônia dispensa maiores apresentações. É o maior bioma da América do Sul, abrange nove países e, dos seus 7,4 milhões de quilômetros quadrados, 5,5 milhões são cobertos por vegetação nativa. Estão em território brasileiro 69% dessas florestas. É também a região mais rica em biodiversidade do mundo. Estima-se que apenas 15% da totalidade dessa riqueza natural seja conhecida hoje.

A floresta guarda recursos essenciais e matérias-primas para produtos que vão de medicamentos à biotecnologia

Patrimônio valioso e delicado, ela é vital para o controle das ameaçadoras mudanças climáticas. Um hectare da mata nativa é capaz de absorver até nove toneladas de dióxido de carbono por ano. Esse gás, principal responsável pelo aquecimento global, é absorvido pela vegetação na fotossíntese. A floresta é um meio eficiente, natural e barato de combate ao efeito estufa.PUBLICIDADE

Segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), na Amazônia Legal, cuja área compreende nove Estados brasileiros, e nas demais áreas de vegetação natural do País foram derrubados 55 milhões de hectares de florestas entre 1990 e 2010. 

Amazônia
A sustentabilidade é um diferencial nos negócios atuais. Foto: Bruno Kelly/Reuters

Vem de longe o manejo nocivo à floresta. Quando o Marquês de Pombal (1699-1782) criou o vice-reino do Maranhão e o Grão-Pará para seu irmão, Francisco Xavier, o intuito foi extrair árvores, frutos e minérios. Entre 1758 e 1787, a nascente Companhia do Comércio exportou madeiras destinadas à construção naval no Arsenal Real de Lisboa, além de ouro e um amplo rol de produtos in natura. 

O Dia da Amazônia refere-se à data em que D. Pedro II instituiu a Província da Amazônia, em 1850. O monarca criou barreiras de proteção ambiental e contra a evasão de riquezas para Portugal e Europa.

O que podemos fazer para evitar o pior para os nossos biomas? Como devemos reorganizar as atividades produtivas? Ninguém, isoladamente, tem todas as respostas.

Trata-se de um desafio multidisciplinar para governos, iniciativa privada e sociedade, que deve ser enfrentado em bases científicas e com o devido sentido de urgência. 

Segundo o Painel Internacional sobre o Clima (IPCC), da ONU, com base em relatório de 200 cientistas de 66 países, a temperatura da Terra se elevará em 1,5 grau Celsius entre 2030 e 2040, uma década antes do esperado. As consequências serão extremas para o Brasil: degradação ambiental do Nordeste, mais redução da floresta amazônica, estiagens repetidas no Centro-Oeste, mais tempestades no Sul e no Sudeste.

Na semana passada, houve intensas queimadas em praticamente todos os biomas do País, resultado da seca extrema, a maior em mais 90 anos. A atual safra de café, para tomar apenas um exemplo, tem quebra prevista em 19% por causa de secas e geadas, com um milhão de sacas a menos. 

Com isso, o padrão de risco das atividades econômicas ficou mais complexo. Motor do crescimento do PIB, o agronegócio tem sido afetado diretamente pela estiagem, reduzindo sua produtividade. Entre 1991 e 2020, a área de superfície de rios, lagos e outras fontes de água doce se reduziram 15,7% no País, apontando para o ressecamento do território nacional. 

É interesse dos empresários do campo, e das instituições públicas e privadas de financiamento, uma política forte de segurança ambiental. 

Em novembro, na Conferência do Clima (a Cop-26), em Glasgow, o Brasil estará na vitrine. O mundo espera de nós um plano realista, consistente e sério de redução das emissões de carbono. Ainda é tempo de agir. 

O IPCC aponta que a reversão do aquecimento global é viável, desde que todas as nações ajam na mesma direção. O Brasil tem imensos serviços prestados ao meio ambiente e histórico de referência em ações de preservação. Cabe resgatar esse legado. 

A Amazônia é nossa, e um bem da humanidade. Temos compromisso com esse patrimônio que nos protege. 

*PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO BRADESCO. ESCREVE A CADA DUAS SEMANAS

domingo, 29 de agosto de 2021

QUADROS SÃO JANELAS

 


  1. Cultura
     

‘Quadros são janelas. Eu olho por elas e o mundo delas me observa. Vejo e sou visto, percorro e sou perscrutado’

Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo

Há obras de arte por todos os lados. Enchem museus, casas, praças e livros. Impossível ver todas, conhecer sequer a maioria. Conhecimento sempre implica dizer o que deixaremos de ver e analisar, mais do que o que faremos de verdade como projeto estético. Você se casa com uma ou duas pessoas. Significa que deixou de ter a experiência conjugal com bilhões! Tudo é sempre a mesma escolha: o que deixarei de lado e jamais saberei?

Quadros são janelas. Eu olho por elas e o mundo delas me observa. Vejo e sou visto, percorro e sou perscrutado. A experiência de um quadro é como a de um texto: o livro também me lê. Se assim não for, vira aula chata e estetizante de arte. Exemplo? “O pintor não utilizou linhas definidas de desenho, fez sombras coloridas, definiu quase tudo pela luz e registrou um instantâneo rápido da vida e, por consequência, há a chance de ser impressionista.” A observação anterior é útil, como um dicionário o é para a literatura. É importante não confundir mestre Aurélio ou Houaiss com Fernando Pessoa ou Clarice Lispector. Gramáticas de estilos são ferramentas para entender estética e emoção, jamais a arte em si. Imagine alguém dizer que ama boa comida e, indagado do motivo, cita como se deve glaçar, reduzir um molho ou distinguir entre crème brûlée e crema catalana… Quem ama chora com a arte e não classifica os pincéis quanto ao diâmetro. Arte é janela. Por ela, algo deve sair e outra coisa deve entrar. No caminho, o diálogo que muda a vida de alguém. 

Quero falar de quatro quadros fundamentais na minha vida. Só usei o critério impacto subjetivo em mim. Logo, por favor, não cobrem: “Você não incluiu um pintor do Camboja ou com estrabismo convergente”. Toda escolha implica perda. A minha tem uma arbitrariedade insuperável: minha emoção. 

Eu era adolescente quando vi pela primeira vez em uma enciclopédia de arte: A Tempestade, de Giorgione (L’Accademia, cerca de 1508). Não entendi. Talvez seja isso: escapou da compreensão lógica: uma mulher amamentando, um soldado, uma espécie de raio e uma cegonha branca empoleirada. Estranhamento pode ser um começo. Intrigado, passei a ler sobre ele. Há um cipoal de interpretações. O pintor veneziano deve rir da maioria. Eu tinha 32 anos quando vi a obra ao vivo, na Itália. Já tinha dado aulas sobre Giorgione. Agora estava ali pequeno e denso, quase do tamanho da Mona Lisa de Leonardo. Já sonhei com o quadro. A Tempestade funciona como trufas: entendo quem não ame, é algo fora do espectro, diferente de uma obra ampla e alegre como as Ninfeias de Monet. Reforço: minha seleção é arbitrária. 

O segundo é também da península genial: Judite e Holofernes, de Caravaggio (Palácio Barberini/Galeria Nacional de Arte Antiga, cerca de 1599). Aqui tudo é mais declarado: um general morrendo, uma heroína bíblica e uma criada ansiosa pela cabeça. Tenho uma experiência como professor de adolescentes: eles estão sonolentos com a aula sobre Barroco até eu mostrar esse quadro. Todos acordam. Descrevo a cena na Bíblia. Uns riem: “Deitou com o cara e cortou sua cabeça de manhã!”. Caravaggio continua causando efeito na Contrarreforma e na juventude da internet. É forte, é dramático, é arte em qualquer sentido do termo, da técnica à emoção. Giorgione seria Ingmar Bergman, Caravaggio é Quentin Tarantino. 

Não esperem muita lógica. A terceira janela é uma linha de quadros. Falo dos murais Seagram, de Mark Rothko (em parte na Tate Gallery de Londres, a partir de 1958). Aqui não foi um amor fácil. Precisei ler um pouco, ir à Capela Rothko no Texas, dar um curso sobre o pintor e ver a peça Vermelho, com Antonio Fagundes e seu filho Bruno. Por fim, o que acendeu o rastilho da pólvora ainda úmida foi o livro O Poder da Arte, de Simon Schama, com o capítulo sobre os quadros. Finalmente, fez-se a luz e, todas as vezes que vou a Londres, entro naquela sala escura da Tate e fico extático e estático. Não consigo explicar. São minhas janelas para a não razão e para o silêncio que atordoa. Se fosse uma experiência religiosa, Giorgione seria católico, Caravaggio, herege, e Rothko, budista. 

Janelas
Chilenos acenam para o Papa Francisco durante sua visita ao Santuário dedicado a San Alberto Hurtado, em Santiago. Foto: Luca Zennaro / EFE

A quarta janela será homenageada na Bienal de Veneza de 2022. Ela é anglo-mexicana: Leonora Carrington. O quadro Offering (e vários outros dela) está na West Dean College (West Sussex, pintado em 1957). Quase tudo simbólico e surreal, algo sombrio, como se fosse permitida que a estética se libertasse de vez da aliança com o belo. A vida repensada pela imaginação, “o leite dos sonhos”, mote da mostra de Veneza que a curadora Cecilia Alemani elegeu para a festa pós-pandemia (assim esperamos…). Nunca fui apaixonado pelo surrealismo. Leonora Carrington funcionou, para mim, como o cachorrinho que se dá a alguém que, até então, dizia ser avesso a mascotes e, ao acariciar o animal, se rende ao ato que contraria o discurso. Uma mulher genial no todo e no detalhe. 

Descerrei quatro janelas da minha vida. Adverti: são aleatórias. O randômico é muito revelador. Quais seriam seus quatro quadros, querida leitora e estimado leitor? Quais janelas permitem que a luz entre na sua alma ou mostram sua pupila dilatando para um novo mundo? Faça sua lista! Boa semana com novas luzes!

* Leandro Karnal é historiador, escritor, membro da Academia Paulista de Letras, autor de A Coragem da Esperança, entre outros

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...