domingo, 22 de agosto de 2021

MINORIAS RELIGIOSAS SOFREM NO AFEGANISTÃO

 


Por
Igor Sabino – Gazeta do Povo

Fronteira entre Afeganistão e Paquistão, em 20 de agosto de 2021.| Foto: EFE/EPA/Akhter Gulfam

O mundo acompanha com horror e grande preocupação a retomada do Afeganistão pelo Talibã, certo de que um tsunami de violações de direitos humanos se aproxima rapidamente. Mas, acompanhando as notícias em alguns dos mais famosos veículos de imprensa do Brasil, notei certa unilateralidade. Ouvi notas insistentes sobre violações dos direitos das mulheres, que certamente verão graves retrocessos, e algo sobre liberdade de expressão, mas praticamente nada sobre um tema absolutamente crucial: a ameaça à liberdade religiosa.

Sei que meu incômodo terá ressonância entre muitos leitores: a má vontade em reconhecer a intensa e terrível perseguição a cristãos e outras minorias religiosas, promovida em vários países por radicais islâmicos e sob regimes totalitários como o finado Estado Islâmico, ainda é uma memória viva. A minimização desse problema por parte de setores do movimento internacional de direitos humanos e da imprensa doeu muito e ainda dói. Mas parece que ainda doerá por bastante tempo.

A má vontade em reconhecer a intensa e terrível perseguição a cristãos e outras minorias religiosas, promovida em vários países por radicais islâmicos, ainda é uma memória viva

Para introduzir a questão a nossos leitores, convidei o amigo Igor Sabino, estudioso de Relações Internacionais, líder do Philos Project no Brasil, e contribuinte ocasional nas colunas de outros colegas da Gazeta. Boa leitura!


Na última semana, o mundo testemunhou com horror as imagens do Afeganistão após a retirada das tropas dos EUA. As cenas de civis se agarrando a aviões em movimento e depois despencando das alturas após uma aeronave decolar são algo que vai entrar para a história. O retorno dos talibãs ao poder apavora ativistas de direitos humanos e a opinião pública mundial. O grupo terrorista islâmico, criado em 1995, após a expulsão dos soviéticos em 1989, controlou o Afeganistão até 2001. Nesse ano, no contexto da chamada Guerra ao Terror, após os atentados do 11 de setembro, os EUA invadiram o país para capturar Osama Bin Laden e enfraquecer a Al-Qaeda. O que parecia uma guerra rápida, no entanto, tornou-se uma tentativa mal sucedida de construir uma nação.

Apesar dos muitos erros políticos e militares dos EUA no país e um crescente consenso de que mais cedo ou mais tarde eles teriam de deixar o Afeganistão, não é sem motivos que tantos temem a volta dos talibãs. Enquanto estiveram no poder, os talibãs aplicaram uma versão bastante radical da sharia, a lei islâmica. Nesse período, as mulheres eram proibidas de estudar e não podiam sair às ruas sem estarem usando uma burca que cobrisse todo o corpo e estarem acompanhadas de um homem. Minorias religiosas e membros da comunidade LGBTQIA+ eram perseguidos e mortos. Um símbolo do horror do Talibã é a ativista e Nobel da Paz Malala Yousafzai, que em 2012 sofreu um tiro na cabeça em atentado impetrado pelo grupo, quando ia para a escola, desafiando as proibições do grupo.

Logo, é totalmente compreensível e louvável a preocupação com o futuro das mulheres e meninas afegãs, bem como da comunidade LGBTQIA+. Eu mesmo partilho delas. Porém, há algumas minorias que têm sido esquecidas no debate sobre direitos humanos no Afeganistão. As mesmas minorias que também são esquecidas em outras crises humanitárias e que geralmente ficam de fora das políticas especiais da ONU e suas agências para grupos mais vulneráveis. São as minorias religiosas. Tenho percebido isso em primeira mão nos últimos anos ao pesquisar sobre refugiados.


Em 2016 e em 2017, no auge da crise gerada pela ascensão do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, realizei pesquisa de campo para minha dissertação de mestrado no Líbano e na Jordânia. Nos dois países tive a oportunidade de conversar com cristãos iraquianos que haviam sido obrigados a deixar suas casas em virtude da ação dos grupos terroristas. Todas as pessoas com quem eu conversei relataram o mesmo problema: a falta de medidas especiais de proteção por parte da comunidade internacional, apesar de a perseguição religiosa ser considerada uma violação do Artigo 18 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos e ser uma das causas que tornam alguém elegível ao status de refugiado segundo a Convenção de Genebra de 1951 sobre o tema.

Os cristãos iraquianos queixavam-se, por exemplo, de serem excluídos da maior parte das ações do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), uma vez que não se sentiam seguros para buscar ajuda da agência da ONU pelo fato de os funcionários locais serem muçulmanos. Para eles, ir para campos de refugiados administrados pelo Acnur, como o Zaatari, na fronteira com a Síria, era impensável, devido ao temor de viverem em um contexto em que seriam novamente uma minoria. Logo, preferiam viver como migrantes irregulares no Líbano e na Jordânia, onde ao menos estariam próximos de outras comunidades cristãs.

O grande problema disso tudo é que, ao não buscarem o status oficial de refugiados, mesmo tendo direito a ele, esses cristãos ficavam de fora dos principais programas internacionais de assistência social. E, pior ainda, eram praticamente excluídos das chances de serem reassentados em países como EUA e Canadá, que usam como critério principal de admissão o reconhecimento prévio da condição de refugiado pelo Acnur. Essas dificuldades, porém, não são exclusivas aos cristãos. Basta ver a situação dos yazidis, que também foram vítimas de uma tentativa de genocídio por parte do Estado Islâmico em 2014. Estima-se que cerca de 3 mil mulheres yazidis, sequestradas e vendidas como escravas sexuais, ainda estejam desaparecidas. Muitas outras permanecem hoje em campos para deslocados forçados no Oriente Médio, vivendo lado ao lado com os seus principais algozes.


Faço questão de mencionar a experiência das minorias religiosas iraquianas porque grande parte do seu sofrimento também se deu devido à ascensão de grupos terroristas islâmicos após intervenções militares mal sucedidas dos EUA. Os americanos invadiram o Iraque em 2003 e saíram em 2011, deixando para trás uma situação, em muitos níveis, pior do que haviam encontrado. Tudo isso me faz pensar com temor e pesar sobre o futuro das minorias religiosas afegãs.

De acordo com o último relatório da US Commission for Religious Freedom (USCIRF) – organização bipartidária do governo americano para promoção internacional da liberdade religiosa –, em 2020 a população afegã era 99,7% muçulmana (84,7 a 89,7% sunitas e 10% a 15% xiitas). Os outros 0,3% eram compostos por hindus, sikhs, baha’is, cristãos, budistas, zoroastras e um único judeu – o qual, inclusive, já afirmou que não deixará o país mesmo agora que o Talibã retornou ao poder. A maioria dos cristãos é formada por ex-muçulmanos que foram evangelizados por missionários ocidentais quando os EUA ainda estavam no país e vivem sem segredo, nas chamadas igrejas subterrâneas. Muitos deles já receberam ameaças do Talibã e não têm para onde ir, já que as fronteiras estão fechadas e não existe mais uma embaixada dos EUA onde eles poderiam requerer refúgio.

O problema dos refugiados afegãos, infelizmente, é antigo. Assim como no caso dos iraquianos, intensificou-se principalmente depois das intervenções militares dos EUA. De acordo com o Acnur, há cerca de 3,5 milhões de deslocados forçados afegãos, 2 milhões deles já com status de refugiados. 90% deles encontram-se nos vizinhos Irã e Paquistão. Desde janeiro, porém, cerca de 230 mil afegãos já se tornaram refugiados. O Acnur estima que esses números possam aumentar ainda mais agora que os EUA retiraram as tropas do Afeganistão. O grande questionamento é: quais países receberão esses refugiados?

Os ativistas de direitos humanos têm de priorizar as minorias religiosas assim como o fazem em relação às mulheres e pessoas LGBTQIA+

Nem o Irã e nem o Paquistão são opções seguras para os cristãos e as minorias religiosas. Muito pelo contrário. Em ambos, tanto cristãos quanto baha’ís, por exemplo, têm uma série de direitos humanos violados, buscando, inclusive, refúgio em outros países. Conheço pessoalmente vários cristãos paquistaneses que foram obrigados a fugir de suas casas e, assim como os cristãos iraquianos, também tiveram inúmeros problemas para obter o status de refugiados. A maioria dos que fogem do Paquistão passam a viver como imigrantes irregulares em países asiáticos como Tailândia e Sri Lanka, os quais não assinam tratados internacionais de refúgio e constantemente deportam essas pessoas para o país de origem, onde a morte é certa.

À luz disso tudo, fica claro que a ONU precisa criar políticas específicas para essas pessoas, priorizando-as nas vagas de reassentamento no Ocidente. Os ativistas de direitos humanos têm de priorizar as minorias religiosas assim como o fazem em relação às mulheres e pessoas LGBTQIA+. Mas por que não o fazem? Há muitos motivos. Creio que nem todos dizem respeito a preconceitos com o Cristianismo, já que nem sempre as minorias religiosas em perigo são os cristãos, como nos lembram os yazidis no Iraque, os baha’ís no Irã, os muçulmanos em Myanmar e até os membros das religiões de matriz africana no Brasil.

Penso que a raiz do problema encontra-se no secularismo predominante em instituições internacionais e na própria disciplina acadêmica de Relações Internacionais (RI). Um dos marcos da política internacional contemporânea é a chamada Paz de Westfália. O tratado, assinado em 1648, pôs fim aos conflitos religiosos que marcaram a Europa e tornou o secularismo uma característica importante do recém-criado sistema de Estados. Esse elemento foi exportado para o resto do mundo juntamente com outras instituições ocidentais que caracterizam o que hoje os teóricos da Escola Inglesa de RI classificariam como “sociedade internacional”. É como se a rejeição da religião fosse um elemento intrínseco às RI, uma vez que o seu surgimento, bem como o dos elementos que a compõem, está diretamente atrelado à ascensão da modernidade secular na Europa dos séculos 16 e 17.

A perseguição religiosa é considerada uma violação do Artigo 18 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos e uma das causas que tornam alguém elegível ao status de refugiado segundo a Convenção de Genebra de 1951 sobre o tema

Atualmente, vários acadêmicos contestam essas premissas e lutam para mudá-las – eu, inclusive –, entendendo as mudanças positivas que poderão ocorrer no âmbito político a partir do momento em que os tomadores de decisões e formuladores de políticas públicas tiverem contato com novas teorias de RI. Embora a religião, como qualquer ideologia, possa ser usada para fins maléficos, há vários exemplos ao longo da história em que ela foi usada para trazer transformações positivas para o mundo, sendo uma força para a paz e não para a guerra.

Nesse sentido, acredito que grande parte da atenção dada hoje à situação das mulheres no Afeganistão pode ser atribuída aos esforços das feministas no âmbito da disciplina de RI. Apesar das críticas que se possa ter a alguns movimentos feministas, principalmente entre os cristãos, precisamos reconhecer que foi a atuação de muitas acadêmicas na década de 1990 que contribuiu para que casos de estupro como arma de guerra e outras formas de violência contra a mulher passassem a ser debatidos em fóruns internacionais.

Talvez, o que precisemos fazer nesse momento, caso queiramos ajudar os nossos irmãos perseguidos não apenas no Afeganistão, mas ao redor do mundo como um todo, é lembrar o quanto a liberdade religiosa é importante. Para isso, devemos considerá-la não uma mera questão de “guerra cultural”. É preciso entendê-la como um direito humano inalienável, presente em vários mecanismos internacionais, os quais, embora hoje enfraquecidos, diretamente influenciados por ideologias pós-cristãs, tiveram como base verdades essenciais do Cristianismo. Dentre elas, o fato de que todos nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Logo, devemos nos preocupar com todas as minorias religiosas. A perseguição e o sofrimento que os hindus e os baha’ís enfrentarão no Afeganistão será tão terrível quanto a sofrida pelos cristãos.

Igor Sabino é bacharel e mestre em Relações Internacionais e doutorando em Ciência Política, autor do livro “Por Amor Aos Patriarcas: reflexões brasileiras sobre e antissemitismo e sionismo cristãos”, líder do Philos Brasil e pesquisa sobre temas relacionados a religião e política internacional, em especial refugiados, política externa dos EUA para o Oriente Médio e antissemitismo.


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MOTIVAÇÃO PARA AGIR?

Motivo + Ação

Por
João Kepler – Gazeta do Povo

Você espera estar motivado para agir?| Foto: Pexels, Niko Twisty/Reprodução

Você já se deu conta de como a palavra motivação é forte? Perceba que se trata da junção de um MOTIVO + AÇÃO. Ou seja, uma causa, propósito ou objetivo que precisa e deve estar acompanhado de uma ação – disposição para agir; atividade, energia, movimento.

E é justamente a partir desta energia direcionada e focada proveniente de uma ação que o motivo vai ganhando formato, musculatura. Logo, minha proposta aqui hoje é inverter o que geralmente somos ensinados de que é preciso ter uma motivação forte para agir.

Você espera estar motivado para agir? Seja na vida ou nos negócios, você pode estar cometendo um erro. A consistência e a disciplina acontecem principalmente quando fazemos algo que não queremos. Fazer quando está motivado e/ou tudo saindo como o desejado é mole. Consequentemente neste contexto favorável, uma série de ações vão derivar destes resultados obtidos até mesmo de forma natural. Agora inverte o cenário e reflita.

Logo, se você entender que motivação vem de ter motivos e que a ação vai gerar a motivação, é aí que o jogo muda. Além disso, a única certeza que temos é a mudança! Quer motivação maior que essa? De que independente de como as coisas estão agora, com toda certeza elas vão mudar (para o bem ou para o mal).

E é até por isso que, em alguns textos meu, eu já disse também que defendo a tese do “feito é melhor do que perfeito” porque acredito que somente a prática vai te mostrar o funcionamento das coisas. E a prática só é possível através da ação, do movimento, do aprendizado de erros e acertos ao longo da trajetória. Essa deve ser a maior fonte de motivação, evoluir, mudar, testar coisas novas e diferentes para obter resultados diferentes.

Se tem uma coisa que a Nova Economia tem nos mostrado nos últimos anos é que, neste momento da história, a única certeza que temos é: a mudança tem se tornado cada vez mais rápida e inevitável – em todas as esferas da sociedade.

O empreendedor que resiste às mudanças, que tenta fazer da mesma forma que viu seu pai ou alguém fazer, há 20 anos, pode pagar caro por essa atitude. Manter a cabeça aberta para as novidades é o que te manterá bem no jogo, motivado, focado. Ao invés de nadar contra a correnteza, use as inovações tecnológicas e do mercado ao seu favor e para gerar mais ações, por exemplo.

Se as mudanças estão cada vez mais comuns, aprenda a abraçá-las e a se tornar cada vez mais forte com elas, para manter-se sempre motivado e atuante.


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PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA SÓ SERÁ APROVADA COM PRESSÃO POPULAR

 

Combate à corrupção
Por
Leonardo Desideri – Gazeta do Povo
Brasília

Brasília – Manifestantes contra Lula protestam na Esplanada dos Ministérios. O STF julga o pedido do ex-presidente para não ser preso até se esgotarem os recursos na Justiça (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) – Assuntos: manifestações, pró, contra, habeas corpus, Lula, stf

Pressão da opinião pública é fundamental para PEC da prisão em segunda instância avançar, dizem deputados favoráveis.| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Deputados engajados na aprovação da Proposta de Emenda à Constituição n.º 199/19, a PEC da Prisão em Segunda Instância, querem pautá-la em setembro na comissão especial criada para discuti-la. Para isso, contudo, esperam contar com a pressão da opinião pública, considerada imprescindível para que a PEC avance na Câmara.

Presidente da comissão especial, o deputado Aliel Machado (PSB-PR) diz que o acúmulo de temas polêmicos nos últimos meses tem sufocado discussões sobre a prisão em segunda instância no Congresso. “Se nós colocássemos essa discussão no meio da questão do voto impresso, da CPI da Covid e do agravamento da pandemia, nós não teríamos nenhuma chance de aprovar. Nenhuma. A pauta seria atropelada por aqueles que são contra a proposta”, afirma.

A aprovação da PEC da Prisão em Segunda Instância é considerada por especialistas como medida essencial para o enfrentamento à corrupção no Brasil. Mas, assim como outras pautas da agenda anticorrupção, ela tem sido paulatinamente relegada a segundo plano no debate público.

Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) impediu, em novembro de 2019, a prisão antes do trânsito em julgado – libertando diversas autoridades que foram condenadas em segunda instância, judicial como o ex-presidente Lula (PT) –, o Congresso discute uma solução legislativa para evitar a impunidade em casos de corrupção.

Aliel Machado diz que planeja pautar a PEC 199 na comissão especial nas próximas semanas. Ele terá, em breve, uma reunião com o deputado Fabio Trad (PSD-MS), relator da PEC, para tratar do assunto.

Trad diz à Gazeta do Povo que concorda com a avaliação de Aliel Machado sobre a necessidade de se buscar um momento mais oportuno para pautar a matéria. Ele também destaca a importância da pressão popular para que a proposta não seja derrotada.

Sobre a possibilidade de alterações no relatório para facilitar a aprovação, Trad afirma que admitiria negociar aspectos pontuais da proposta, mas que a mudança não pode ser substancial. “Não queremos aprovar uma PEC da terceira instância ou quarta. A população clama pela aprovação da PEC da Segunda Instância.”

Já o autor da proposta, Alex Manente (Cidadania-SP), informou preferir não falar publicamente sobre o assunto neste momento. Por meio de sua assessoria, ele diz apenas que está “em uma negociação importante para a retomada da comissão especial”.

A deputada Adriana Ventura (Novo-MG) – que, em 2020, apresentou três requerimentos para tentar acelerar a tramitação da PEC – diz que não vê avanços na tramitação desde maio de 2021. “Não parece haver interesse por parte dos deputados sobre este e outros temas de combate à corrupção. Infelizmente, o que fica demonstrado com isso é que a prioridade do Congresso é votar pautas de interesse próprio como aumentar o fundo eleitoral, do distritão, a volta das coligações e outras coisas”, afirma.

Caso seja aprovada na comissão especial, a PEC ainda teria de ser votada em dois turnos no plenário da Câmara. E, depois disso, ainda teria de ser aprovada pelo Senado, em outros dois turnos de votação, para entrar em vigor.


Prorrogação da CPI da Covid atrapalhou os planos para votar a PEC
Inicialmente, a ideia do deputado Aliel Machado era pautar a PEC da Prisão em Segunda Instância na comissão especial no começo do segundo semestre. Era a data original de conclusão da CPI da Covid no Senado. Mas, por decisão do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a CPI foi prorrogada por mais 90 dias. E isso atrapalhou os planos para votar a prisão em segunda instância.

O ideal, segundo Machado, seria “esperar esfriar um pouco a situação da CPI, que está tomando o foco e os holofotes”. “A gente precisa muito do apoio da imprensa para a cobertura e o acompanhamento dessa proposta, para a gente ter a aprovação dela. A gente decidiu esperar um pouco mais, até por questão dos prazos da CPI, porque é uma coisa concorrente”, diz.

“É muito importante entender que essa pauta só vai passar se ela tiver a devida luz da imprensa. E essa não é uma pauta de esquerda ou de direita”, acrescenta ele.

Agora, a previsão é de que a CPI da Covid encerre seus trabalhos em setembro, o que permitiria que a PEC consiga atrair mais interesse público.

Aliel Machado acredita que a chance de aprovação na comissão é grande, mas “depende muito do acompanhamento e da força que a imprensa vai dar” para o assunto.

Quanto à possibilidade de que a matéria chegue ao plenário da Câmara ainda neste ano, ele é menos otimista. “Isso é uma coisa difícil de responder, porque depende do presidente [da Câmara] Arthur Lira. Vejo que muita coisa que não é prioritária acaba sendo colocada em discussão”, afirma.


Entenda a PEC da Prisão em Segunda Instância
A PEC da Prisão em Segunda Instância modifica os artigos 102 e 105 da Constituição. No texto original da PEC, de 2019, o deputado Alex Manente propunha acabar com a possibilidade de, após uma condenação em segunda instância judicial, haver o recurso especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ, a terceira instância) e o recurso extraordinário apresentado ao STF (a quarta instância).

Mas o relator da PEC na comissão especial, Fabio Trad, fez um pequeno ajuste: a chance de recursos extraordinários e especiais é mantida, mas a proposta antecipa os efeitos do chamado trânsito em julgado – ou seja, a sentença da qual não se pode mais recorrer.

Não será mais necessário aguardar o julgamento de possíveis recursos nas instâncias superiores para que o réu seja considerado culpado. A proposta define que a condenação (que pode ser de prisão) já é definitiva após ser confirmada pelos Tribunais de Justiça dos estados ou pelos Tribunais Regionais Federais – foros judiciais de segunda instância.

A possibilidade de protocolar recursos em cortes acima da segunda instância – Tribunal Superior do Trabalho (TST), Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF) – continuaria a existir. Mas esses recursos seriam considerados, na prática, como um novo processo.


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sábado, 21 de agosto de 2021

A CHINA NUNCA SERÁ A MAIOR ECONOMIA DO MUNDO?

 

Artigo
Por
Allison Schrager, para o City Journal* – Gazeta do Povo

US dollars and chinese yuan on the map of China. Trade war between US and China, economic sanctions

Falta de inovação e intervenção excessiva do Estado impedirão a China de tomar o lugar dos EUA| Foto: BigStock

Ser a economia mais importante do mundo significa estar na vanguarda da inovação — contribuindo constantemente com novas ideias que mudam o mundo, ou pelo menos ter uma economia capaz de reconhecer e adotar as melhores e mais recentes tecnologias. Por mais de um século, os Estados Unidos desempenharam esse papel. Antes disso foi o Reino Unido, o primeiro a se industrializar. Um dia, outro país tomará esta posição — mas nunca será a China.

Pelo menos, não a China sob sua liderança atual. No mês passado, o Partido Comunista Chinês (PCC) demonstrou o motivo pelo qual a China nunca será a líder mundial em inovação e, portanto, porque nunca assumirá a liderança econômica global. Decisões recentes oferecem um alerta para os políticos e legisladores americanos que pretendem emular aspectos da política industrial chinesa.

Pequim suspendeu o que teria sido um dos maiores IPOs do mundo. Reprimiu empresas de jogos, mídia social e tutoria, tornando extremamente difícil para elas se listarem nas bolsas americanas; está bloqueando fusões, emitindo multas para violações antitruste, questionando o uso de dados dessas empresas e sobrecarregando-as com outras regulamentações punitivas. O Estado afirma estar fazendo isso para o bem da sociedade, ecoando muitas das mesmas preocupações dos americanos em relação à influência da Big Techs. O Partido afirma que deseja desviar recursos para setores mais estratégicos, como os de semicondutores.

Os mercados reagiram a esses movimentos, mas não com tanta força quanto se poderia esperar. Afinal, as ações da China são coerentes com a forma como ela lidou com a política industrial no passado e com o desejo de Pequim de controlar o ritmo e os termos do crescimento econômico. A abordagem tem funcionado bem até agora: a China teve uma média de crescimento de mais de 7% nos últimos dez anos e seu PIB está a caminho de superar o dos EUA até 2032. Mas, a menos que algo mude, é improvável que a China consiga manter essa alta taxa de crescimento ou se tornar o líder econômico global com base no PIB per capita.

Já vimos esse filme antes. Outros países do Leste Asiático cresceram rapidamente com a política industrial, embora em menor escala. Na década de 1980, muitos diziam que a economia japonesa logo dominaria o mundo. Essa narrativa familiar sugere que a política industrial pode trazer crescimento sem riscos. Se apenas o sábio burocrata do governo escolher os melhores projetos de investimento, ninguém perderá dinheiro e todos terão lucro. No entanto, na ausência de inovação contínua, essa estratégia atinge um teto, especialmente em sociedades com populações envelhecidas. Portanto, embora Coreia do Sul, Cingapura e Japão sejam prósperos, eles não são potências econômicas globais.

Os economistas acreditam que os países podem crescer de certas maneiras — podem adicionar mais pessoas, mais capital ou ambos. A China, como outros países do Leste Asiático, cresceu rapidamente fazendo as duas coisas. Aproveitou sua grande população para educá-la e transferi-la para fábricas e cidades, e adotou tecnologia estrangeira, tornando os trabalhadores ainda mais produtivos.

Depois de um tempo, essa estratégia perde o fôlego e a economia começa a encolher. Adicionar mais capital não fará muita diferença, porque, por exemplo, uma pessoa só pode usar vários computadores. Nesse ponto, a única maneira de crescer é sendo mais produtivo do que qualquer outra pessoa. Isso exige inovação — encontrar maneiras de usar melhor os insumos existentes. Até agora, a China não foi testada dessa forma, e a última rodada de restrições econômicas sugere que ela nunca chegará lá.

A inovação não segue os planos do governo. Frequentemente, as inovações mais transformadoras acontecem por acidente ou em áreas onde menos se esperaria. Esse foi o caso da penicilina, da borracha vulcanizada (usada para fabricação de pneus) e da máquina a vapor comercial. A agora problemática indústria de jogos da China poderia ter criado a próxima grande inovação — mudando o mundo com seu trabalho em reconhecimento facial, análise espacial 3D ou deepfakes.

Os governos não podem apenas não ditar qual será a próxima inovação transformadora; eles também não podem determinar os melhores usos do capital que financia a inovação. Pequim está reduzindo o financiamento de ações, especialmente de investidores estrangeiros. Essas entradas são cruciais para o crescimento de empresas emergentes. O corte do capital próprio limita a capacidade dessas empresas de comercializar suas inovações. O mercado também traz disciplina porque os investidores exigem eficiência, produtividade e viabilidade comercial. Eles tendem a ser melhores em escolher vencedores do que os burocratas do governo, que têm objetivos diferentes.

As indústrias favorecidas por Pequim podem continuar a crescer e atrair investidores, mas as indústrias favorecidas podem mudar repentinamente. E mesmo essas indústrias agora operam em desvantagem porque a economia chinesa e o mundo acabaram de perder uma importante fonte de inovação. As chances de que a China continue a crescer nos próximos anos são boas, mas o crescimento deve desacelerar à medida que sua população encolher e o país descobrir que carece da inovação necessária para atingir o auge da economia global. Os políticos americanos devem ficar atentos.


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SÉRGIO REIS DE ÍDOLO A INVESTIGADO PELO STF

 

 Da redação – ISTOÉ

Como o cantor que se lançou na Jovem Guarda, tornou-se um astro do sertanejo vencedor de Grammys, foi ator de novelas e elegeu-se deputado federal por São Paulo com mais de 45 mil votos chega aos 81 anos como alvo de investigações por diversos possíveis crimes, após ter se tornado um fervoroso defensor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)?

Como deputado, as bandeiras defendidas pelo sertanejo, como a redução da maioridade penal e a moralização da política, o aproximou de Bolsonaro Reprodução/Redes Sociais© Reprodução/Redes Sociais Como deputado, as bandeiras defendidas pelo sertanejo, como a redução da maioridade penal e a moralização da política, o aproximou de Bolsonaro Reprodução/Redes Sociais

Famoso por sucessos como “Menino da Porteira” e “Pinga Ni Mim”, o cantor e ganhador do Grammy Latino enveredou para a política em 2014, quando foi eleito deputado federal, aos 74 anos, graças à alta votação de Celso Russomanno (PRB), que acabou puxando o sertanejo, para a Câmara.

+ Alexandre proíbe Sérgio Reis e Zé Trovão de se aproximarem da Praça dos 3 Poderes

Mas como o cantor que foi ídolo da Jovem Guarda virou um dos porta-vozes do bolsonarismo e investigado pela PF por “incitar a população” a praticar “atos violentos e ameaçadores contra a democracia, o Estado de Direito e suas instituições, bem como contra os membros dos Poderes”?

De deputado federal a investidado da Polícia Federal, confira a trajetória política de Sérgio Reis:

Sérgio Reis foi eleito deputado federal pelo Estado de São Paulo em 2014, pelo PRB, atual Republicanos. Na Câmara, o então deputado se aproximou ainda mais do campo, a partir da participação em comissões relacionadas ao agronegócio. Em 2018, quando o então colega de Câmara Jair Bolsonaro foi eleito presidente, Sérgio Reis não tentou a reeleição. Após deixar o cargo, ele declarou que seu propósito na política era “retribuir o povo”.

As pautas defendidas por Sérgio Reis na Câmara já colocavam o cantor como um “bolsonarista em potencial”. Estiveram, por exemplo, entre as bandeiras do sertanejo, a redução da maioridade penal e a moralização da política. A boa relação do cantor com políticos veio antes mesmo de sua eleição. Em 2014, ele afirmou ter amizade com nomes que vão dos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin a Lula, que, segundo o cantor, ia a seus shows.

Um ano antes da última eleição presidencial, o cantor já declarava abertamente seu apoio a Bolsonaro. Em vídeo publicado em 2017 pelo atual presidente da República, Reis afirmava: “Precisa de um linha-dura? É Bolsonaro”. Na gravação, em que também defende o porte de arma, o cantor disse “gostar” de Bolsonaro e que ele seria capaz de “botar a casa em dia”, pois tem “pulso firme”.

No último sábado, 14, o cantor deixou explícita a tentativa de atuar como porta-voz do governo Bolsonaro. Em áudios e vídeos que circularam nas redes sociais, Sérgio Reis convoca caminhoneiros e ruralistas para uma manifestação em 7 de setembro pelo impeachment de ministros do STF — tema que o próprio presidente da República propôs ao Senado — e pelo voto impresso, pauta que já foi rejeitada em votação no plenário da Câmara dos Deputados.

Em um dos áudios, o cantor sugere que o movimento conta com apoio financeiro para manter os manifestantes hospedados e alimentados em Brasília por mais de um mês. Seria uma forma de forçar os senadores a aprovar o afastamento dos ministros do STF e o voto impresso. O artista dá a entender que o presidente Jair Bolsonaro apoia o movimento.

Três dias após o chamado à paralisação, o cantor virou alvo de uma representação assinada por 29 subprocuradores da República, que pediram a abertura de investigação para apurar se o artista cometeu crimes como incitação à subversão da ordem política ou social e incitação ao crime.

O documento foi enviado na terça-feira, 17, à Procuradoria da República no Distrito Federal. Os subprocuradores argumentaram que é preciso considerar o contexto recente de ‘ameaças de ruptura institucional’ e “desrespeito à independência dos Poderes e de seus integrantes”.

Após a repercussão dos vídeos e áudios o cantor e o deputado bolsonarista Otoni de Paula foram alvo, na manhã de sexta-feira (20), de mandados de busca e apreensão da PF. As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, a pedido da PGR.

A proximidade do cantor com o setor de transportes inclui o repasse de R$ 398,2 mil em verbas de origem pública que são repassadas a entidades de transportes ligadas ao Sistema S. Ele recebeu os pagamentos para divulgar ações do setor em suas mídias sociais entre janeiro e setembro de 2020, pelo Serviço Social do Transporte (Sest) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat).

Cada uma das duas entidades fez depósitos de R$ 18,1 mil mensais à empresa do cantor, chamada Sérgio Reis Produções e Promoções Artísticas Ltda. Os pagamentos constam da prestação de contas do Sest/Senat para 2020, e se referem à divulgação de iniciativas das entidades nas redes sociais de Sérgio Reis, como o Facebook e o Instagram.

Repercussão

Após o cantor ser investigado por incitar atos violentos e ameaçadores contra a democracia, Maria Rita optou por cancelar sua participação no novo álbum de Sérgio Reis. A cantora havia gravado uma versão de “Romaria”, famosa na voz de sua mãe, Elis Regina.

Outro que se pronuncioi foi o músico Gutemberg Guarabyra, famoso por integrar a dupla Sá e Guarabyra. No Twitter disse: “No disco dele que irá sair, inclusive participaria em uma faixa, gravação dele de Sobradinho. Mas me considero incompatível com seu posicionamento atual e infelizmente declino o convite.”

À Folha de S. Paulo, sua esposa Ângela Bavini disse que o sertanejo foi “mal interpretado” e que adoeceu após a ampla repercussão negativa do vídeo.

“Ele está muito triste e depressivo porque foi mal interpretado. Ele quer apenas ajudar a população. Está magoado demais”, afirmou à coluna de Mônica Bergamo. “A diabetes dele subiu que é uma barbaridade”, disse ela, creditando a situação ao estresse.

AUMENTO DO FUNDO ELEITORAL É VETADO PELO BOLSONARO

 

 Lauriberto Pompeu e Daniel Weterman – Estadão

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro decidiu na noite desta sexta-feira, 20, vetar o valor de R$ 5,7 bilhões definido em junho pelo Congresso para o fundo eleitoral. Pressionado por sua base eleitoral, que criticou fortemente nas redes sociais o aumento do fundo, Bolsonaro havia feito várias críticas ao valor aprovado pelo Legislativo.

O presidente também resolveu vetar a possibilidade de emendas de relator para o Orçamento de 2022. Essa modalidade de emendas está no centro do escândalo do orçamento secreto. Revelado em uma série de reportagens pelo Estadão, o caso apontou o uso desse dispositivo pelo Palácio do Planalto para garantir a vitória dos aliados Arthur Lira (Progressistas-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) nas eleições para o comando da Câmara e do Senado, respectivamente.

A decisão foi comunicada em nota divulgada pela Secretaria Geral da Presidência e será publicada em edição extra do Diário Oficial desta sexta. A ação, que precisa ser confirmada em votação no Congresso, foi tomada por Bolsonaro ao sancionar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que também trouxe a decisão de vetar o fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões.

A LDO foi relatada pelo deputado Juscelino Filho (DEM-MA) e garante a permanência da indicação das verbas pelo relator-geral do Orçamento (RP-9) e pelas comissões do Congresso (RP-8). As emendas de comissões também foram vetadas por Bolsonaro.

As duas modalidades de emendas não permitem identificar os congressistas que as solicitaram. Foram usadas pelo Planalto, em 2020, no valor de R$ 21 bilhões, e continuam sendo utilizadas em 2021, com valores autorizados de R$ 16,5 bilhões, para enviar verbas às bases eleitorais de parlamentares sem os critérios de distribuição e transparência adotados para as demais emendas. O mecanismo foi questionado no Tribunal de Contas da União (TCU), que concluiu que o modelo fere a Constituição.

Ao justificar o veto, o governo disse que o fez “por motivos de política fiscal”. A Secretaria-Geral da Presidência afirmou em nota que as modalidades de emendas vetadas “ampliam a segregação” de emendas de livre escolha de responsabilidades de ministérios e “que engessa excessivamente a despesa”. “O que pode prejudicar a condução e execução efetiva de políticas públicas sob responsabilidades de cada Pasta”, destacou.

Em 2020 os partidos obtiveram R$ 2 bilhões de fundo eleitoral para as disputas municipais. Nas eleições gerais de 2018 o total distribuído foi de R$ 1,8 bilhão. Bolsonaro deve agora encaminhar um novo projeto ao Congresso, alterando o cálculo para a despesa. O valor deve ficar entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões, de acordo com o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO). A análise do novo valor ocorrerá em dezembro durante a votação do Orçamento.

A quantia citada por Gomes está abaixo do patamar de R$ 4 bilhões que o Centrão estava disposto a negociar. Apesar do valor sugerido pelo Palácio do Planalto, o governo federal e partidos ainda não chegaram a um acordo sobre o valor do fundo eleitoral de 2022.

Dirigentes de partidos procurados pelo Estadão disseram que ainda não há uma definição sobre o valor e evitaram dizer se a quantidade sugerida pelo governo vai ter apoio. Os chefes das legendas não pretendem dar celeridade às negociações e querem usar todo o prazo até a votação do orçamento para definir o tamanho do fundo.

“A gente vai conversar entre os partidos para verificar qual o valor que vamos propor de acordo. Como foi feito lá atrás (na votação que havia definido os R$ 5,7 bilhões). É um negócio que ainda temos um prazo para fazer e é só conversar”, disse o presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP).

A sede do Congresso Nacional, em Brasília © Dida Sampaio/Estadão A sede do Congresso Nacional, em Brasília

“Ele (Bolsonaro) vai ter que mandar um valor no orçamento e esse valor vai ser negociado daqui para votação do orçamento, ou seja, daqui para dezembro”, completou o deputado.

Relator-geral no Congresso do orçamento de 2022, onde a quantia vai ser definida, o deputado Hugo Leal (PSD-RJ) também afirmou que o valor do fundo ainda não tem um acordo. “Esta discussão é do coletivo de líderes. Vamos aguardar a consolidação da informação e ver as repercussões”.

Um dos maiores beneficiados com o aumento do fundo, o presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), declarou que o espaço no orçamento para aumentar o dinheiro eleitoral pode ser feito como remanejamentos dentro do orçamento.

“Sem alterar o orçamento público, apenas com um pequeno ajuste em remanejar as emendas de relator. Isso atenderia a milhares de candidatos com valores razoáveis sem qualquer prejuízo de acréscimo orçamentário”, afirmou ao fazer críticas ao orçamento secreto, caso revelado pelo Estadão.

Em evento promovido pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo na quarta-feira, 18, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, defendeu a decisão do Congresso de aumentar o fundo para R$ 5,7 bilhões. “Se não (houver aumento do fundo), a sociedade vai olhar e pensar que as reformas políticas são feitas para manter os mesmos políticos”, declarou

Kassab também disse que o aumento do fundo eleitoral acontece por conta da proibição de doações eleitorais de empresas privadas. “Empresas não vão doar. Criou-se uma cultura de que a doação era corrupta, e parte dela era. Se não tiver (financiamento) público, haverá caixa 2”, disse.

INQUÉRITO DAS FAKE NEWS DO STF É UM INQUÉRITO DO FIM DO MUNDO

 

Fake news

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello profetizou que o inquérito das fake news seria “sem limites”.| Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Único voto contrário ao inquérito das fake news, o ministro Marco Aurélio o denominou de inquérito do fim do mundo e profetizou que seria sem limites. Foi em 18 de junho do ano passado, quando o Supremo, por 10 a 1, confirmou uma ação baseada em seu próprio regimento interno, em que o ofendido investiga, denuncia, julga e manda prender. Esse ônus o recém aposentado Marco Aurélio não carrega em sua biografia. O inquérito já tinha 15 meses, quando foi assumido pela maciça maioria do Supremo. E já botou na cadeia um jornalista, um deputado e agora um presidente de partido. Juízes de outras instâncias e estudantes de Direto devem estar se perguntando onde estão o devido processo legal e a Constituição.

O mais terrível disso tudo é a indiferença ao descumprimento da Constituição diante de prisões por opinião – com o conhecido disfarce de “ameaça à democracia”, tão usado na História por regimes totalitários. Na Câmara, mais do que indiferença, houve aprovação. Um parlamentar foi preso por opinião e fingiram não saber que está escrito na Constituição que deputados e senadores são invioláveis por suas palavras. Os que fazem cara de paisagem também têm boca e as palavras de todos passam a depender do arbítrio de um juiz e não de uma carta de direitos.

Não aplaudo o estilo de nenhum dos três presos, mas está escrito na Constituição que é garantida a liberdade de expressão, sem censura. Para injúria, calúnia e difamação, há o Código Penal; para indenização por danos morais decorrentes, há o Código Civil. O que não há, em código algum, é a possibilidade de o ofendido investigar, denunciar, julgar e prender. As palavras de qualquer dos três não produziram dano algum à democracia; as prisões deles, sim. Deixam no ar o medo do avanço totalitário, a liberdade condicionada à interpretação que um juiz der ao exercício da liberdade de expressão.

Um mês depois de aberto o inquérito por iniciativa e decisão do presidente do Supremo Dias Toffoli, a procuradora-geral Raquel Dodge, em abril de 2019, mandou arquivá-lo, baseada na Constituição e no estado democrático de direito. Mas nada aconteceu. Agora a PGR manifestou-se contra a prisão de Jefferson, por caracterizar censura prévia – como, aliás, classificou o mestre Ives Gandra. Mas a prisão aconteceu. A despeito de a Constituição estabelecer (art.127) que o Ministério Público é “essencial à função jurisdicional do estado”.


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ALTERAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO PARA O CONGRESSO AGIR CONTRA A JUDICIALIZAÇÃO DO STF

 

Crise entre poderes
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo
Brasília

Ministro do STF antes de sessão plenária na Corte: PEC em discussão na CCJ da Câmara tem potencial para ampliar crise com o Supremo.| Foto: Nelson Jr./STF

A Câmara dos Deputados desengavetou uma proposta de emenda constitucional (PEC) que inclui entre as prerrogativas do Congresso o poder de sustar atos normativos do poder Judiciário. A PEC 125 foi apresentada pelo deputado Marco Feliciano (Republicanos-SP) em 2015. O objetivo, segundo defensores da proposta, é coibir o ativismo judicial. A proposta estava parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa desde 2019, mas foi resgatada nos últimos dias.

Autora da PEC do voto impresso, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) é relatora dessa nova proposta. Ela tentou avançar com a matéria nesta semana dentro da CCJ, comissão que ela preside. Contudo, um requerimento de retirada de pauta acabou aprovado por um placar de 31 votos a 30, adiando a discussão para a próxima semana.

A Constituição Federal de 1988 legitima o controle entre os poderes a partir do chamado sistema de freios e contrapesos. A PEC 125 traz em sua ementa a sugestão de alterar o artigo 49 da Carta Magna, de maneira a ser possível “sustar Atos Normativos do Poder Judiciário” que “exorbitem do poder regulamentar”, dando à Câmara e ao Senado essa competência.

“O Estado Democrático de Direito somente poderá existir se cada um dos poderes agir estritamente no seu âmbito de atuação, não interferindo nas competências constitucionais e infraconstitucionais conferidas a outro poder”, justifica o relatório de Kicis.

De acordo com a relatora, é preciso coibir o “ativismo” do Judiciário, que “tem assumido cada vez mais um papel de protagonista como agente político, com interferência no espaço de competência e atuação dos demais Poderes”.

“Em virtude da intensificação do ativismo judicial protagonizado, no Brasil, principalmente pelo Supremo Tribunal Federal, o Poder Judiciário tem exorbitado das suas atribuições constitucionais para invadir, de modo flagrante, a competência do Poder Legislativo. Assim, tem atuado como legislador ordinário, em verdadeira sublevação do esquema constitucional de repartição de funções.

Argumentos a favor da PEC 125
Em seu relatório, Bia Kicis elenca uma série de decisões proferidas pelo Judiciário que, pela Constituição, seriam de prerrogativa do Legislativo. Entre elas, o mandado de injunção nº 4733, de 2019, em que o STF permitiu a criminalização da homofobia e da transfobia.

Sem uma legislação aprovada pelo Congresso, a maioria da Corte entendeu que atos preconceituosos contra homossexuais e transexuais deveriam ser enquadrados no crime de racismo. Durante a votação, a ministra Cármen Lúcia alegou que o Congresso foi inerte até o momento, acrescentando que os episódios reiterados de ataques contra homossexuais revelam “barbárie”. O mesmo entendimento foi dado pelo ministro Gilmar Mendes, para quem a falta de uma legislação afronta, ainda, a dignidade humana.

“Resta claro que a mora legislativa discutida consubstancia inegável insuficiência na proteção constitucional que determina a criminalização da discriminação atentatória à dignidade humana”, disse Mendes na ocasião. Ao todo, oito ministros votaram pela criminalização e três foram contra.

De acordo com Kicis, a decisão do Congresso de não legislar sobre um tema não deve ser usado pelo STF para se sobrepor a outro poder. “As dificuldades naturais para a formação de consensos em temas complexos ou a decisão de não legislar a respeito de um tema ou de não cominar pena a determinada conduta não podem ensejar ao Poder Judiciário, sob nenhum pretexto, a subversão do esquema organizatório funcional estabelecido na Constituição”, argumentou a deputada em seu relatório.


Tema pode gerar novos embates entre os poderes 
Líderes partidários admitem que o placar apertado na CCJ, que teve apenas um voto a mais pela retirada de pauta nesta semana, é um sinal que o assunto deverá gerar novos embates dentro do Congresso. Além do governo, líderes do PSL, Novo e Avante orientaram contra a retirada de pauta. Apesar de não se manifestarem durante a votação, deputados de PL, PSC, Republicanos, DEM e PSD também votaram contra o requerimento.

“Queremos que o Supremo faça aquilo que é competente a ele, e não fazer interferências indevidas, agir como agente político”, disse o deputado Carlos Jordy (PSL-RJ).

Os partidos de oposição, junto com PSDB e MDB, votaram a favor da retirada de pauta. Para o deputado Orlando Silva (PCdoB), a articulação é uma tentativa da bancada bolsonarista de “retaliar” o Judiciário depois da derrota do voto impresso no plenário da Câmara.

“Esse projeto surge quase como uma tentativa de retaliação, porque no debate que fizemos aqui sobre o voto impresso, muitos devem se recordar, que a relatora atacava o Supremo sob o argumento de que o Supremo e o TSE estavam interferindo nos debates do Legislativo. É nitidamente uma tentativa de retaliação”, argumentou Silva.

Já o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) defendeu o debate, mas afirmou que a ocasião escolhida para votar o projeto era inadequada. “Estamos vivendo um momento bem delicado, de ataque direto ao Supremo Tribunal Federal, de proselitismo, ofensa, gente querendo fechar o tribunal, falando do que não sabe”, pontuou.

Caso seja aprovada na CCJ, a PEC 155/15, se não for criada uma comissão especial para melhor análise da proposta, entra no rol de pautas a serem discutidas no plenário da Casa. A decisão de levar a matéria à apreciação em plenário é do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).


Presidente do Senado tenta amenizar crise entre poderes
Paralela à tramitação da PEC na Câmara, o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), passou a atuar nos bastidores para tentar controlar a crise entre integrantes do Legislativo, do governo Bolsonaro e de membros do Judiciário. A situação se agravou com o anúncio por parte do presidente da República de que entraria com pedidos de impeachment dos ministros do STF Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Um encontro entre Pacheco e o presidente do STF, ministro Luiz Fux, ocorreu nesta quarta-feira (18), com objetivo de distensionar a relação entre os poderes e reabrir um canal de diálogo com o Supremo. “O diálogo entre os poderes é fundamental e não podemos abrir mão dele, jamais. Fechar portas, derrubar pontes, exercer arbitrariamente suas próprias razões são um desserviço ao país”, afirmou Pacheco em suas redes sociais.

Ainda na gestão da crise, Pacheco esteve com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e com o presidente da Câmara, Arthur Lira. Ao assumir o ministério, Ciro afirmou que atuaria como “amortecedor” para melhorar a relação e diminuir a tensão do Executivo com os demais poderes.

Além dos presidentes da Câmara e do Senado, o ministro da Casa Civil buscou o presidente do STF, Luiz Fux, em um encontro que durou cerca de 40 minutos. “Vamos retomar o diálogo, eu tenho certeza”, disse ao fim da reunião.

Nesta quinta-feira (19), durante evento em Cuiabá (MT), o presidente Jair Bolsonaro disse estar disposto a dialogar. “A minha voz vai continuar sendo usada. Não estou atacando ninguém, nenhuma instituição. Algumas poucas pessoas estão turvando as águas do Brasil. Quero paz, quero tranquilidade. Converso com o senhor Alexandre de Moraes, se quiser conversar comigo. Converso com o senhor Barroso, se quiser conversar comigo. Converso com o [corregedor do TSE, Luis Felipe] Salomão, se quiser conversar comigo. Ele fala o que ele acha que está certo, eu falo o que acho que está para o lado de cá. E vamos chegar num acordo”, disse.


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