quarta-feira, 7 de julho de 2021

TODOS NÓS CRESCEMOS COM DEMANDAS REPRIMIDAS

 


  1. Cultura
     

Pior do que não ter dinheiro, é ter tido e perdê-lo. É preciso ter prudência sobre o futuro

Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo

Quase todos crescemos com demandas reprimidas, especialmente financeiras. A falta de recursos impede certo padrão de consumo. Os que possuem quase nada, os medianos e mesmo os ricos têm algum tipo de repressão ao consumo. Faça um exercício de imaginação: se eu ganhasse cem mil reais por mês. Claro que isso resolveria grande parte das minhas demandas atuais. “Eu poderia viajar, trocar de carro, pagar contas atrasadas!” Sim, minha querida sonhadora e meu estimado sonhador, mas dentro de limites. Há algumas pessoas que ganham cem mil reais por mês e podem viajar, mas não podem, por exemplo, passar as férias todas na suíte real do hotel Burj Al Arab Jumeirah de Dubai. Ali, em dois dias, a renda magnífica da pessoa de cem mil reais estaria consumida. Se optasse pela suíte similar do hotel Presidente Wilson (Genebra, Suíça), necessitaria quase dois meses de renda para passar um dia naquele espaço com vista para o lago. Sim, alguém com cem mil reais por mês (ou até um milhão) também teria “demandas reprimidas”. 

Dinheiro
‘Pior do que não ter dinheiro, é ter tido e perdê-lo. É preciso ter prudência sobre o futuro’ Foto: Andreas Breitling/Pixabay

A demanda reprimida explica muita coisa na vida profissional e financeira. Pessoas que trabalham demais costumam oferecer a si mesmas recompensas que comprometem sua saúde financeira. “Ah, eu mereço, eu trabalhei tanto!” Além do estresse do excesso laboral, existe um sistema de compensações perigoso quando vivemos sobre o fio da navalha da exaustão. O mesmo ocorre para pessoas que tiveram necessidades básicas severamente reprimidas por muito tempo e, de repente, entram na posse de uma grande quantia. Pode ser uma indenização trabalhista, uma loteria, uma herança súbita: a conta, antes vermelha, torna-se superavitária. Anos lutando com um orçamento que não fechava, evitando comer ou vestir o que desejava, morando em casa onde a reforma essencial era adiada a cada semestre e, de repente, as pepitas de um ouro súbito refulgem. É frequente que o dinheiro se evapore com rapidez. É a tal de “demanda reprimida”. “Dinheiro na mão é vendaval”, cantava Paulinho da Viola.

Quando escrevo isso, não me refiro apenas às histórias contadas por terceiros ou criadas por mente ficcional. Também eu já recebi dinheiros súbitos no passado e já vi o milagre da “subtração dos pães”, a inversão do milagre bíblico. Se a localidade de Tabgha visualizou dois peixes e cinco pães alimentarem milhares de pessoas sob a brisa gentil do Mar da Galileia, cestas repentinas com pães e peixes podem minguar na mão de quem pensa que o fenômeno vai se repetir sempre. Se o universo ao meu redor tiver, igualmente, grande fome, a evaporação se acelera. Trocar meu carro, presentear esposa e filhos, atender a santa mãezinha que não tem casa própria, emprestar a um amigo que se sufoca com dívidas e puf! Sumiu o capital da mesma forma miraculosa com que surgiu. 

Sim: pobres, classe média e ricos têm “demandas reprimidas”. Não tratadas ou refletidas, elas podem corroer qualquer montante. A fome excessiva pode levar a um mastigar tão rápido que provoca mal-estar. A sede em excesso possui potencial para que a bebida escorra do copo e dos lábios para se perder entre roupas e mesa. Como pedir moderação a quem atravessou um deserto de austeridade ou necessidade? De que forma se pode incitar à prudência quem carrega uma dor profunda e corrosiva? Em toda cena de filmes nos quais um grupo, quase à morte, encontra um oásis, todos se atiram nas águas, ninguém faz uma degustação equilibrada do líquido. A sede abrasiva derruba civilidades. Dizendo de forma popular, “quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza”. 

Bem, quanto melado precisamos para um patamar de prudência? Difícil dizer. Há um erro comum no Brasil: supor que educação financeira é coisa de gente muito rica. Na verdade, quanto menor o capital, maior deveria ser a educação dos bens. Voltando um pouco: o cantil deve ser racionado no deserto, não no oásis. Gastos são estudados pelos economistas, todavia, o caso quase sempre é mais psíquico do que de leis de mercado. 

Sim, a abundância ajuda. Todas as vezes que meu refrigerador esteve sem nada, tive vontades fortes de comer muito. Com estoques em casa, a vontade diminui. Será que o sábio rei Salomão olhava com tédio para seu harém numeroso com setecentas esposas e trezentas concubinas? Em oposição, como pensava o adolescente hebreu fervente de hormônios que nem uma única mulher conseguia nas vielas de Jerusalém? Se, subitamente, por um passe mágico e inesperado, o jovem ansioso estivesse no lugar do governante, supomos que os dias iniciais seriam de intensidade única. Agora, com o refrigerador cheio, cansaria logo? Alguns especialistas na psique imaginam que hábitos de gastos seguem uma lógica erótica, o que ajuda a explicar minha referência ao rei de Israel. Salomão foi homem de muitas mulheres e de grande fortuna. Uma coisa excluiria outra ou explicaria?

Bem, todos temos carências afetivas, sexuais e financeiras. Ter consciência delas ajuda bastante. Todo dinheiro deve responder a algumas questões antes de assumir a cidadania no meu lar: de onde veio este haverá mais? Como fazer com que ele vire mais dinheiro? Quais demandas posso atender agora e quais posso adiar para que sejam atendidas no futuro sem risco? Sem responder a tais perguntas, há uma chance de evaporação dolorosa. Sim, pior do que não ter dinheiro, é ter tido e perdê-lo. É preciso ter esperança e alguma prudência sobre o futuro. 

É HISTORIADOR, ESCRITOR, MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, AUTOR DE ‘O DILEMA DO PORCO-ESPINHO’, ENTRE OUTROS

TRABALHAR COM AQUILO QUE SE AMA

Rafael Carvalho* Jornal Hoje em Dia

Imagine trabalhar com aquilo que você mais ama. É esse o significado da Passion Economy, método que une uma paixão ou habilidade a uma oportunidade de negócio. A expressão americana nasceu no Vale do Silício, mas está ganhando cada vez mais espaço no Brasil, devido às estatísticas econômicas e ao panorama sobre o emprego no país.

No primeiro trimestre de 2021 (de dezembro a fevereiro), o Brasil bateu o recorde histórico com 14,4 milhões de pessoas desempregadas, segundo os dados divulgados em abril, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. Este cenário abriu uma brecha maior para o surgimento de novas atividades profissionais e de modelos de trabalho, como home office, híbrido e o nomadismo digital – o que também impulsionou ainda mais o movimento da “economia da paixão”.

Transformar atividades como jogar videogame em produção de conteúdo para as redes sociais; fazer pães e bolos em empreendimento virtual; tocar violão ou fazer churrasco em cursos online para compartilhar conhecimento com outras pessoas, tudo isso se tornou uma oportunidade de lucrar com um hobby, seja para as pessoas que precisaram começar um novo negócio, como as que mudaram de carreira ou precisaram criar uma fonte de renda extra com o objetivo de garantir mais segurança financeira.

Monetizar habilidades e capitalizar suas paixões com um propósito maior faz da passion economy uma nova modalidade de empreendedorismo. Para quem quer começar, vale dar o primeiro passo e investir. Seja por meio de e-books, audiobooks, podcasts, vídeos aulas outros infoprodutos, plataforma de negócios (empresas que funcionam como lojas ou prateleiras virtuais comercializando e monetizando produtos digitais) ou por rede de afiliados (vendedores que incentivam o consumo de infoprodutos e são comissionados pelas vendas).

Trabalhar com uma rede de valores e com aquilo que gosta é uma tendência para o futuro do trabalho e isso deve causar grandes impactos no mercado, uma vez que os trabalhos apoiados ao mundo virtual estão em ascensão. Um exemplo desse movimento é a força da internet, o Facebook, Twitter, TikTok e Instagram se tornam grandes redes, não só sociais, mas para construir vínculos e gerar lucro. Segundo o Panorama de Negócios Digitais Brasil 2020, realizado pela HeroSpark, 40% das pessoas já utilizam o Instagram como principal canal de divulgação para seus negócios digitais.

Na Passion Economy, qualquer um pode construir audiência e interações baseando-se em interesses sinceros e em comum com toda uma rede. As marcas e os criadores capitalizam isso e, ao mesmo tempo, descobrem que as paixões são um ativo muito mais valioso do que pensavam anteriormente. À primeira vista, a tendência parece enfatizar a individualidade, mas, na verdade, conecta ambos os lados dessa equação, favorece o empreendedorismo, o mercado de trabalho e dá ainda mais força às nossas paixões.

*COO da HeroSpark, solução unificada para empreendedores digitais

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PROVÁVEL INDICAÇÃO DO GOVERNO PARA O STF

 

Sucessor de Marco Aurélio

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

O Advogado- Geral da Uniao (AGU), Andre Luiz de Almeida Mendonca, durante a coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, sobre as ações de enfrentamento no combate ao coronavírus (O Advogado- Geral da União (AGU), André Luiz de Almeida Mendonça.

André Mendonça, ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), foi confirmado por Bolsonaro ao STF em reunião com ministros.| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro deu início à maratona de provações que o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), André Mendonça, vai enfrentar para garantir um assento no Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro confirmou reservadamente a ministros que indicará o ex-ministro da Justiça, mas o vazamento da informação à imprensa mais complica do que ajuda o ministro.

A Gazeta do Povo mostrou no início de junho que Mendonça havia conseguido vencer resistências e se tornar “superfavorito” para ser indicado como sucessor do ministro Marco Aurélio Mello, que se aposenta na próxima segunda-feira (12). A questão agora, segundo apurou a reportagem, é que o cenário político é menos favorável do que há um mês.

Se a indicação de Mendonça foi confirmada por Bolsonaro, a aprovação pelo Senado virou uma incógnita. Em junho, o governo contabilizava atingir até 50 votos com a indicação do chefe da AGU. Contudo, hoje, o cálculo político é outro. A CPI da Covid acuou o governo com as suspeitas sobre o contrato da vacina Covaxin e um “superpedido” de impeachment contra Bolsonaro foi apresentado. Tais fatos políticos colocam em dúvida a margem de aprovação.

O governo mantém a confiança de que Mendonça será aprovado, ainda que admita que sob uma margem inferior à projetada anteriormente. No Senado, a leitura feita é de que a votação será a mais apertada desde a redemocratização.

O que o Senado espera da sabatina de André Mendonça
A aposta no Senado — a Casa legislativa responsável por apreciar as indicações ao STF — é que o nome de André Mendonça pode até ser aprovado, mas sob um desgaste semelhante ao do ministro Edson Fachin. Em maio de 2015, o então candidato à Suprema Corte foi sabatinado por 12 horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na mais longa sabatina desde a redemocratização.

O colegiado aprovou a indicação de Fachin por 20 votos favoráveis e sete contrários. O plenário o aprovou por 52 a 27. O desgaste enfrentado foi superior, inclusive, ao de Alexandre de Moraes, indicado pelo impopular ex-presidente Michel Temer, aprovado na CCJ por 19 a sete na CCJ — após 11 horas de sabatina — e 55 a 13 no plenário.

A comparação feita com os dois magistrados é citada por alguns senadores como forma de explicar o quão difícil deve ser a aprovação de Mendonça. “Vai ser mais difícil que a do [ministro] Kássio [Nunes Marques], que tinha o apoio do [senador] Ciro [Nogueira, presidente do PP] e do [senador] Flávio [Bolsonaro]”, aposta um senador aliado. Nunes Marques, indicado por Bolsonaro, foi aprovado 22 votos a 10 na CCJ e 57 a 10 no plenário.


Além da CPI: quais as outras resistências do Senado a Mendonça
O desgaste sofrido pelo governo na CPI da Covid é um importante elemento político para entender os motivos de resistência de alguns senadores, mas não é o único. Outro é a associação religiosa. Bolsonaro vinculou essa candidatura a uma indicação para atender o eleitorado evangélico, prometendo um ministro “terrivelmente evangélico”.

A sinalização de que Bolsonaro escolheria Mendonça atraiu o apoio do pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. O líder evangélico é desafeto de muitos senadores, e pesou ainda mais contra ele ter chamado de “arregão” o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), após ter vetada sua convocação ao colegiado.

Em junho, em solenidade no Pará para a entrega de títulos rurais, Bolsonaro foi acompanhado de Malafaia e Mendonça. O líder evangélico pediu que o presidente da República anunciasse a indicação do titular da AGU na ocasião. O apoio explícito do líder religioso tem constrangido senadores e, hoje, pesa mais contra do que a favor da indicação do ministro.

Outra resistência apontada por alguns senadores — inclusive da base governista — é que nem mesmo o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) sinaliza apoio a Mendonça. Nos bastidores, é dito que o filho de Bolsonaro não apoia o ministro da AGU. Outro na mesma situação é o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

O ex-presidente do Senado tem sido persuadido por evangélicos em sua base eleitoral, o Amapá, a apoiar Mendonça. O senador resiste à ideia e tem dito a aliados que falou diretamente a Bolsonaro que não apoiará o titular da AGU.

Por que a resistência entre aliados e o que Mendonça tem feito para contornar
Além da associação à questão religiosa, pesa contra Mendonça entre senadores a leitura de que, no STF, ele poderia ser um ministro “anti-político”. A leitura feita por alguns é que, na Suprema Corte, ele poderia ser alguém que “atacaria” a classe política.

Parte dessas suspeitas entre senadores tem sido aventada pelo passado do ministro na AGU. Mendonça foi diretor do Departamento de Patrimônio e Probidade, tendo coordenado a estrutura responsável por cuidar das ações da advocacia-geral junto à Lava Jato. A ideia de colocar uma “raposa” para cuidar do “galinheiro” não agrada alguns senadores.

Contudo, para evitar resistências entre senadores, Mendonça tem feito gestos diversos. O titular da AGU sinalizou defesa pela revisão das decisões monocráticas, uma pauta defendida no Senado. Para buscar apoio junto ao grupo dos senadores mais independentes, também acenou defesa à limitação de mandato de senadores e o apoio à prisão após condenação em segunda instância.

Para se cacifar para o STF, Mendonça continua se reunindo com senadores. Nesta terça-feira (6), almoçou com os senadores Wellington Fagundes (PL-MT), Carlos Portinho (PL-RJ), Daniella Ribeiro (PP-PB), Zequinha Marinho (PSC-PA), Plinio Valério (PSDB-AM), Jorginho Mello (PL-SC) e Maria do Carmo Alves (DEM-SE). A senadora Simone Tebet (MDB-MS) passou rapidamente pelo local, informou o jornal Valor Econômico.

O ministro de Bolsonaro procurou afastar temores de que o fato de ser evangélico norteará suas decisões no STF, caso seja aprovado. “Ele foi muito claro em dizer que a religião influencia em sua formação humana. Mas não vai tomar decisão na Corte baseado em sua fé evangélica”, afirmou Fagundes ao Valor Econômico. Mendonça também se reuniu com o senador Lasier Martins (Podemos-RS).

Aliados de Mendonça acreditam que o ministro tem tudo para vencer as resistências e sustentam que o ministro faz um bom trabalho de convencimento junto a senadores, a ponto de acreditarem em uma vitória próxima dos 50 votos no plenário. Interlocutores reconhecem que uma parte do Senado vai usar o atual momento político vivido pelo governo para fritá-lo, mas estão otimistas de que a articulação vem sendo bem conduzida.


André Mendonça terá de sobreviver à fritura dos adversários
“A partir de agora, começa a maratona para derrubar a indicação do André Mendonça”, aposta um interlocutor do STF ouvido pela Gazeta do Povo. Um indicado à Suprema Corte não se sustenta apenas com a aprovação junto a senadores. É, também, necessário sobreviver à fritura de outros postulantes à vaga no Supremo.

É comum nos bastidores que adversários tentem minar uma indicação a fim de se manter vivo politicamente. E a divulgação da escolha de Mendonça faltando uma semana para a aposentadoria do ministro Marco Aurélio não ajuda o titular da AGU.

Se Bolsonaro mantiver o compromisso feito com o presidente do STF, Luiz Fux, a indicação de Mendonça deve ser formalizada no Diário Oficial da União na próxima segunda (12) ou terça-feira (13), às vésperas do recesso parlamentar, que se inicia em 18 de julho. Sem apoio de Alcolumbre, a aposta entre senadores é que dificilmente a sabatina na CCJ ocorrerá antes de agosto.

Quanto mais dilatar o prazo para a sabatina, mais tempo Mendonça terá para se cacifar, mas, também, mais prazo terá para ser fritado. “Quanto mais demorar, mais artilharia e chances de embarreirar o André Mendonça adversários como o [Augusto] Aras [procurador-geral da República] vão ter. Quanto mais rápido for, melhor para o Mendonça”, analisa o cientista político Márcio Coimbra, coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília.

Adversários de André Mendonça tem usado suas articulações no Senado para miná-lo nos bastidores, inclusive junto a senadores menos afeitos pelo ministro. A alegação é de que, sem sua indicação ter sido oficializada no Diário Oficial da União, ele não tem a legitimidade para se posicionar como candidato efetivo. “Agora, é o momento que vão investigar a vida dele, olhar com lupa a tese de mestrado, doutorado, checar a relação com o [Dias] Toffoli [ministro do STF]”, sustenta o interlocutor da Suprema Corte.

Quem são os adversários de André Mendonça por uma vaga no STF
A escolha por Mendonça é o “plano A” de Bolsonaro. No Palácio do Planalto, interlocutores do governo afirmam que, hoje, não existe um “plano B”. Mas há outros nomes no páreo para Bolsonaro optar caso queira retirar a indicação.

Um dos mais citados nos bastidores é o ministro Humberto Martins, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). É o nome preferido de Davi Alcolumbre; do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); e de Flávio Bolsonaro.

Outro citado é o do PGR, Augusto Aras. É um nome que conta com o apoio do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). O ministro Luís Felipe Salomão, do STJ, é apoiado por Fux, presidente do STF, mas corre por fora na disputa.

O ministro Ives Gandra Martins Filho, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), é outro cotado. É apoiado pelos militares, que têm grande apreço pelo pai do magistrado, o jurista Ives Gandra Martins, que foi professor de muitos dos generais na Escola Superior de Guerra.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/qual-clima-no-senado-para-aprovar-andre-mendonca-no-stf/
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GOVERNO QUER VENDER 100% DOS CORREIOS

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Plano do governo é vender 100% dos Correios.| Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

A desestatização da Eletrobrás, aprovada no Congresso e à espera de sanção presidencial, não agradou completamente alguns defensores da redução do mastodonte estatal brasileiro. Não tanto por causa dos jabutis inseridos ali pelos deputados e senadores, impossíveis de remover graças a um truque mal-intencionado de redação legislativa, mas por causa do modelo de diluição da participação da União pela emissão de novas ações, mantendo ainda o governo como principal acionista, embora minoritário. Estes críticos não terão do que reclamar no caso dos Correios, se a promessa do secretário de Desestatização, Diogo MacCord, for cumprida: a venda total do capital da empresa.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), quer votar o Projeto de Lei 591/21 na próxima semana, antes do recesso parlamentar. Se o Senado tiver a mesma celeridade, o governo poderia publicar o edital do leilão de privatização ainda neste ano. O projeto tem um alcance mais amplo que a mera venda da estatal, regulamentando o Sistema Nacional de Serviços Postais e estabelecendo de que maneira a União cumprirá a obrigação constitucional de “manter o serviço postal e o correio aéreo nacional”, prevista no artigo 21, X da Carta Magna, sem exigir que o governo seja proprietário de uma empresa de serviços postais.

Há o risco de os parlamentares repetirem com os Correios a mesma farra dos jabutis que desfigurou o projeto de desestatização da Eletrobrás

Mesmo que ainda longe do nível de qualidade que fez dos Correios uma das instituições mais respeitadas pelos brasileiros por décadas, a empresa está se recuperando do desastre a que foi submetida durante a era petista. Os quatro anos seguidos de lucro (embora turbinado por uma isenção fiscal) ainda não compensaram os quatro anos anteriores de prejuízo, mas demonstram o potencial dos Correios – em setembro do ano passado, o ministro Fábio Faria, das Comunicações, afirmou que havia ao menos cinco interessados no leilão, incluindo gigantes estrangeiros.

O fato de a empresa ter voltado a ser lucrativa, aliás, não pode servir de argumento para que ela não seja privatizada, como afirmaram muitos parlamentares nas discussões sobre a privatização da Eletrobrás, que também fechou 2020 com lucro. O principal critério para se definir o que privatizar não pode ser o caráter lucrativo ou deficitário da estatal. A questão que precisa ser enfrentada é se a iniciativa privada é capaz de prestar o serviço postal com eficiência e qualidade. Se a resposta for afirmativa, não há razão para que o Estado atue diretamente no setor, muito menos em regime de monopólio. E, assim como no caso da Eletrobrás, não se trata apenas do respeito ao princípio da subsidiariedade, mas também de livrar empresas grandes de nefastas ingerências políticas. Nunca é demais recordar que foi uma investigação de corrupção nos Correios que levou às denúncias do mensalão, o primeiro dos grandes esquemas petistas para fraudar a democracia brasileira.


Ainda assim, há preocupações legítimas em torno da privatização, e a principal delas é a manutenção da capilaridade do serviço, já que os Correios estão hoje em 5.556 dos 5.568 municípios brasileiros, e em muitos deles a operação gera mais custos que receitas. No entanto, tanto uma lei quanto um edital bem redigidos podem garantir a continuidade do serviço postal em toda a extensão do território nacional; pode-se fazer um paralelo com as concessões de aeroportos pelo modelo de blocos, em que os consórcios vencedores arrematam terminais grandes e pequenos, com a obrigatoriedade de investimento em todos eles. A experiência internacional na privatização de serviços postais também precisa ser bem aproveitada.

Na verdade, talvez a maior ameaça esteja no Congresso Nacional – não tanto na esquerda estatizante, mas naqueles que, a exemplo do que fizeram no caso da Eletrobrás, podem alterar significativamente o projeto para garantir privilégios ou impor novos custos, reduzindo a competitividade futura dos Correios, afastando potenciais interessados e encarecendo o serviço postal. A farra dos jabutis da Eletrobrás não pode se repetir no caso dos Correios.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/a-privatizacao-dos-correios/
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CPI NEGA DIREITO DE RESPOSTA COM DENUNCIADO

 

Acusado de malfeitos

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Brasília – O ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante anúncio de novos recursos para o fortalecimento da Atenção Básica. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, recorreu ao STF para exigir que a CPI agende o seu depoimento.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal mandou abrir a CPI da Covid, estabeleceu quem pode e quem não pode ir, definiu quem tem direito a ficar quieto na comissão e até quem pode levar advogado.

Agora, o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), pediu ao STF que seja chamado para depor na CPI. Ele quer ir à comissão tentar entender por que seu nome foi envolvido nessa “conspiração” — como dizem os irmãos Miranda — sobre a vacina indiana Covaxin.

Barros diz que não tem nada a ver com isso. Tanto que a servidora do Ministério da Saúde Regina Célia, que depôs nesta terça-feira (6) na CPI, disse que nunca teve contato com o deputado, contrariando o que disseram os irmãos Miranda, e que nunca Ricardo Barros influenciou na pasta depois que deixou de ser ministro da Saúde no governo Temer.

O ministro do STF Ricardo Lewandowski deu cinco dias de prazo para a CPI explicar por que o depoimento de Ricardo Barros que estava marcado para quinta-feira (8) foi adiado e uma nova data não foi marcada. Barros está doido para falar aos senadores porque ficou no ar uma ilação, uma calúnia ou uma informação, que não tem a outra parte, não tem o outro lado. É um princípio básico da defesa o direito de resposta. Estão tirando, do deputado, o direito dele ir à CPI. Enfim, a comissão terá de se explicar com o ministro Lewandowski agora.

Miranda precisa se explicar
O senadores fizeram mil perguntas à servidora Regina Célia na CPI e ela respondeu a todas. Ela negou irregularidades na assinatura da liberação de compra da vacina Covaxin. Agora está na hora de o deputado Luís Miranda (DEM-DF) voltar à CPI para explicar aspectos do depoimento dele que estão inexplicados.

Doenças cardiovasculares matam muito
Peguei os dados de mortes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e me surpreendi. Porque as doenças cardiovasculares, segundo a OMS, matam no mundo por ano quase 18 milhões de pessoas. E a Covid-19, nesses últimos 18 meses, matou pouco mais de 4 milhões.

Aí fico me perguntando por que os governos não fazem campanha para resolver essa matança por doenças cardiovasculares, que basicamente a gente sabe o que causa? É a má alimentação e o sedentarismo. São coisas fáceis de se corrigir a fim de reduzir esse número imenso de mortes.

As doenças cardiovasculares são a primeira causa morte do mundo e, em geral, ficam meio esquecidas na minha opinião até que a pessoa sofra um AVC ou um infarto.

André Mendonça no STF
O presidente Jair Bolsonaro anunciou que o substituto de Marco Aurélio Mello no STF será o ministro-chefe da AGU, André Mendonça — se o Senado aceitar. Os senadores irão submetê-lo a uma longa sabatina e depois acontece a votação.

André Mendonça é de Santos, tem 48 anos, é pastor presbiteriano e formado em Direito com pós-graduação na Universidade de Salamanca, na Espanha. Já trabalhou na Advocacia-Geral da União sob o comando de Dias Toffoli, atual ministro do Supremo.

Começou o governo Bolsonaro como ministro da AGU, depois foi ministro da Justiça e Segurança Pública e, por fim, voltou à AGU. Mendonça se enquadra no perfil “terrivelmente evangélico” que Bolsonaro falou anteriormente, mas também tem farta cultura jurídica.


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SE VOCÊ NÃO DEIXAR DE COMER CARNE POR CONTRA PRÓPRIA ELES FARÃO UMA LEI

 

Controle total
O que realmente está em jogo. Se você não deixar de comer carne por conta própria, eles farão leis.

Por
Daniel Lopez – Gazeta do Povo

Klaus Schwab está de olho no seu bife| Foto: Agência O Globo

O título deste artigo foi inspirado num vídeo recente do investidor Mark Moss, que abriu meus olhos para um problema que poucos têm comentado. A cada dia é mais frequente nas publicações online uma célebre frase atribuída a Henry Kissinger, antigo Conselheiro Nacional de Segurança dos EUA. Ela é mais ou menos assim: “Quem controla o abastecimento de alimentos controla as pessoas; quem controla a energia pode controlar continentes inteiros; quem controla o dinheiro pode controlar o mundo”. Um dos motivos que tem feito a citação ressurgir são as propostas relacionadas ao chamado Great Reset, tema que já abordei aqui em outras oportunidades. Muitos identificam certa histeria nos comentários sobre essa ousada proposta de repaginar o mundo como o entendemos. Um antídoto para fugir aos delírios é partir de fontes primárias. Por este motivo, inicio a presente reflexão retomando um artigo publicado por Klaus Schwab no site do Fórum Econômico Mundial (FEM) no dia 03 de junho de 2020. Nele, o economista alemão defende a tese de que a pandemia representa uma “rara mas estreita janela de oportunidade para refletir, reimaginar e redefinir nosso mundo para criar um futuro mais saudável, justo e próspero”. Deus queria que seja isso mesmo. Porém, costumo pautar minhas reflexões por um importante preceito bíblico: “Examine todas as coisas; retende o que é bom”. Examinemos.

Pode ser que o Great Reset seja apenas uma maneira de “melhorar o capitalismo”. Porém, alguns o interpretam a partir da premissa de Kissinger, enxergando na proposta uma maneira de faturar bilhões e aumentar ainda mais o controle dos poderosos sobre as massas. A frase do antigo diplomata coloca três pontos de análise sobre a busca pelo poder que todos devem sempre ficar de olho: o controle dos alimentos, da energia e do dinheiro. Em geral, especialistas abordam o “Grande Reinício” como uma nova ordem financeira global. Eles o enxergam como uma espécie de reedição do Acordo de Bretton Woods, que definiu, em 1944, um novo sistema de gerenciamento econômico internacional, formalizando regras para as relações comerciais entre os países mais desenvolvidos. No entanto, um aspecto não muito frequente das análises sobre esse novo cenário proposto é seu componente alimentício.

O grande argumento para uma reforma dos hábitos alimentares é a questão da mudança climática. Especialistas têm argumentado que precisaremos, a cada 2 anos, de reduções de carbono equivalentes à que tivemos no ano de 2020, para “manter os limites seguros para o aquecimento global”. E um dos instrumentos para evitar o caos climático é, na opinião deles, controlar o consumo de carne, o novo vilão do clima global.

No dia 17 de janeiro de 2019, foi publicado um artigo no site do FEM cujo título é bem elucidativo: “Por que todos nós precisamos seguir a ‘dieta da saúde planetária’ para salvar o mundo”. Neste ano, no dia 12 de março, foi publicado outro texto no site do Fórum com o título: “Soluções baseadas na natureza podem salvar o planeta, mas somente se mudarmos nossa dieta também”. E qual seria essa dieta miraculosa? Outro estudo publicado por eles responde: “As dietas à base de plantas serão essenciais para o futuro do planeta, diz relatório”. Para eles, a humanidade somente poderá salvar o planeta se deixar de comer carne e buscar outras proteínas alternativas. Há uma campanha já antiga que tenta estabelecer a associação dos gases liberados por touros e vacas como os grandes poluidores globais.

Nesse sentido, o que eles poderiam fazer para reduzir o número de vacas no mundo? Investir numa campanha contra o consumo? Isso eles já estão fazendo há muito tempo. Outro caminho mais recente, que muitos não percebem, é um movimento que os americanos estão chamando de “farmers squeeze”, que espreme o produtor rural. Eu escrevi um artigo recente sobre esse tópico. Os fazendeiros americanos estão sendo empurrados para fora do mercado. Grandes fundos de investimento estão se dedicando fortemente à aquisição de terras agricultáveis. Comentei, por exemplo, no referido artigo, que Bill Gates já se transformou no maior dono de fazendas nos Estados Unidos. Provavelmente ele não planeja investir na pecuária.

Em 27 de fevereiro de 2019, a Reuters publicou uma matéria mostrando que a dívida dos agricultores americanos subiu para níveis somente vistos durante a crise agrícola dos anos 1980. A pressão sobre os agricultores tem sido tão grande que estudos mostram que eles estão em primeiro lugar no ranking das profissões com maiores taxas de suicídio, com 85 mortes por 100 mil pessoas.

E quem são os maiores produtores de carne no mundo? Segundo o próprio Departamento de Agricultura americano, os EUA estão em primeiro lugar, o Brasil em segundo e a União Europeia em terceiro. Mas, nos EUA, apenas 4 empresas dominam 85% do mercado de produção de carne. E duas delas estão sob o controle de brasileiros…

Eles estão determinados a convencer (ou futuramente obrigar) o mundo a deixar de comer carne. Mas não divulgam os dados mostrando que alimentar vacas com algas marinhas pode reduzir sua emissão de metano em até 82%, conforme estudo publicado no dia 18 de março no jornal inglês The Guardian.

Com os Estados Unidos agora de volta ao Acordo de Paris, os signatários estão programando trilhões em investimento anual para adequar as finanças internacionais a empresas e governos que sejam partidários dessa nova moda. Aí você imagina que os grandes controladores da produção de carne mundial estariam contra esse projeto, certo? Errado. Alguns já entraram na corrida pela busca por substitutos para a carne. Eles já estão criando uma “coalizão global de proteína sustentável”.

O processo em curso é a concentração da produção de carne e a posse das terras agricultáveis cada vez nas mãos de menos pessoas. Nesse meio, surge Bill Gates argumentando que as nações ricas deveriam abandonar de vez o consumo de carne bovina e adotar completamente o bife sintético. Curiosamente, ele disse que, caso não seja possível alterar de forma espontânea os hábitos alimentícios das pessoas, poderão ser usadas regulações para mudar completamente a demanda. Talvez seja só uma coincidência o fato de ele investir em inúmeras empresas desse ramo de carne artificial. Mas fique tranquilo caso não queira comer bife sintético. Existem outras opções muito “interessantes”, conforme matéria do último dia 8 de maio, que trouxe o seguinte título: “Se queremos salvar o planeta, o futuro da alimentação são os insetos”…

Será que esse pessoal está realmente preocupado em salvar o planeta, ou em controlá-lo? Dinheiro, energia e comida. Nunca foi tão importante parar e pensar sobre isso. Depois que as leis forem aprovadas, já será tarde demais.


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CPI DA COVID ATIRA PARA TODOS OS LADOS

 

Ofensiva contra governo
Por
Olavo Soares – Gazeta do Povo
Brasília

O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni; participa de coletiva de imprensa no Palácio do Planalto

Ministro Onyx Lorenzoni pode ser convocado a dar explicações na CPI sobre anúncio de que o deputado Luis Miranda (DEM-DF) será investigado pelo governo.| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A CPI da Covid do Senado pode ter, nesta quarta-feira (7), um dia de notícias negativas ao governo federal. A comissão votará requerimentos que, entre outras demandas, pedem a convocação do ministro Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral da Presidência, e a quebra do sigilo do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).

Barros já teve sua convocação aprovada pela comissão, mas ainda não há uma data agendada para o depoimento. O parlamentar chegou a acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir para ser ouvido, medida que contrariou os senadores da CPI — segundo eles, a agenda da comissão é feita pelos integrantes do colegiado, não por agentes externos.

Outra convocação que a CPI pode decidir nesta quarta é a do diretor da Anvisa, Antonio Barra Torres. Ele já foi à comissão, em maio, e teve um novo pedido apresentado pelo vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). No pedido, o parlamentar alega que Barra Torres pode trazer informações sobre a compra da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde, negócio que entrou nas prioridades da comissão.

Os senadores governistas esperam, por sua vez, que a CPI vote a convocação de testemunhas que falariam sobre denúncias de corrupção em estados e municípios. Os parlamentares alinhados com a gestão de Jair Bolsonaro alegam que as principais falhas do Brasil no combate à pandemia de coronavírus se dão por problemas de gestão e por corrupção praticada por governadores e prefeitos.

Entre os nomes que os governistas querem ouvir e que poderão ter a convocação aprovada nesta quarta estão o de Bruno Dauster, ex-secretário da Casa Civil do governo da Bahia, e Cristiana Prestes, dona da empresa Hempcare Pharma Representações Ltda. A Hempcare comercializou respiradores com o Consórcio Nordeste, que representa os nove estados da região; os equipamentos, porém, não foram entregues. A negociação tem ainda denúncias de superfaturamento.

Testemunha-bomba fala sobre cobrança de propina
O governo também tende a ser pressionado por conta do depoimento desta quarta na CPI. A comissão receberá o ex-servidor Roberto Ferreira Dias, do Ministério da Saúde. Ele foi acusado pelo policial militar Luiz Dominguetti de pedir propina de US$ 1 dólar a cada dose da vacina AstraZeneca comercializada pela Davati, empresa para a qual Dominguetti trabalha, com o governo federal. Dias nega ter feito a cobrança, mas confirma que teve encontros com Dominguetti.

Líder do DEM no Senado e defensor do governo na CPI, Marcos Rogério (RO) disse considerar o depoimento de Dias como “oportunidade de enfrentar os questionamentos em relação a uma acusação que foi feita”. Segundo o parlamentar, a suposta transação intermediada por Dominguetti não se concretizou e não há nem sequer comprovação de que o policial militar falava em nome da AstraZeneca. A empresa negou ter intermediários para negociação com o governo brasileiro.

“Eu vejo um esforço muito grande [da oposição] de tentar acuar o governo de práticas ilegais diante do inexistente, do chamado crime impossível”, afirmou. Também apoiador do Planalto, Luís Carlos Heinze (PP-RS) disse que não tem “nenhuma objeção a que membros do governo prestem esclarecimentos”, e recordou que as vacinas Covaxin e Sputnik V ainda não tiveram sua utilização no Brasil aprovada pela Anvisa.


Recesso na CPI vira dúvida
Durante a sessão da CPI desta terça, quando o colegiado ouviu a servidora Regina Célia Silva Oliveira, o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), disse que o grupo não fará o recesso do Senado, previsto para o período entre os dias 18 e 31 de julho. “Não temos direito de tirar férias enquanto pessoas estão morrendo”, declarou.

A quebra do recesso para a CPI tem sido demandada há dias por Aziz e pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL). O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), ainda não se manifestou sobre o assunto. A Gazeta do Povo consultou a assessoria do Senado para saber sobre a possibilidade de a CPI manter as atividades mesmo com o restante da Casa em recesso, mas ainda não obteve retorno.

Adversário da gestão Bolsonaro, o senador Otto Alencar (PSD-BA) disse ser favorável ao cancelamento do recesso. “Uma interrupção de 15 dias é tudo que o governo precisa e quer para atrapalhar as investigações.  Mas não vamos recuar em nada”, afirmou.


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