sábado, 3 de julho de 2021

TEMPOS MUITO ESTRANHOS

 

Inversão de valores
A torcida de Lázaro

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Lázaro Barbosa foi morto nesta segunda-feira (28) em operação da polícia de Goiás.| Foto: Divulgação/Polícia Civil-DF

Testemunhamos tempos muito estranhos. Semana passada, quando o número de mortos por Covid chegou a 500 mil, para alguns foi como chegar a uma meta almejada, como em algum torneio mundial. O vírus parece ter uma grande torcida. Na mesma semana, aparece no palco um deputado que saiu de Brasília enxotado por gente que ele enganou, foi para a Flórida e continuou enganando e depois foi eleito após enganar mais de 65 mil eleitores. No entanto, encontrou uma torcida que lhe dá crédito, como se pessoas gostassem de serem enganadas. Até quem tem o ceticismo como princípio profissional, cedeu à fraqueza da ingenuidade.

Valores são postos de lado. É como se recusássemos a memória, ter uma comissão de inquérito com Renan Calheiros como relator e Omar Aziz como presidente. Aliás, passou-se a adotar raciocínios que obliteram a razão e lógicas que amordaçam a lógica. Gente manifestamente alheia a um tema tem sido apresentada como especialista, a inventar regras. A ciência adotada é fechada como um dogma; recusa a experiência, os fatos, a dúvida. O contraditório é exorcizado com o rótulo de negacionismo.

Agora veio o caso Lázaro a continuar a lógica da inversão de valores. Significativamente, durante quase três semanas, tirou o pódio dos neo-heróis da CPI. Matador de aluguel, jagunço ou psicopata homicida, já vinha aparecendo como o herói que humilha a polícia. Morto, tornou-se mais uma vítima da opressão da sociedade. Para a CPI, talvez um alívio que possa trazer de volta a audiência perdida.

O italiano Cesare Battisti, asilado no Brasil, atirou num menino de 13 anos, que ficou paraplégico, e matou quatro. Lázaro matou o dobro. Battisti tinha torcida por aqui. Seria a mesma de Lázaro? Ainda bem que há uma maioria que percebe e fica indignada com a torcida que subestima a inteligência das pessoas. Essa torcida desrespeita valores das raízes de quem vive com princípios de ética, lei e ordem. Valores de gente que está ao lado das vítimas e não dos bandidos.


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QUEREM INCRIMINAR O PRESIDENTE SEM PROVAS

Negociação de vacinas
Por
Gazeta do Povo

O presidente da República, Jair Bolsonaro.| Foto: Isac Nobrega/PR.

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, acatou o pedido feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizou a abertura de um inquérito para investigar o presidente Jair Bolsonaro por prevaricação no caso da negociação da vacina Covaxin. A PGR solicitou abertura de inquérito contra o presidente nesta sexta-feira (2).

“No caso concreto, o exame da petição formulada pela Procuradoria-Geral da República permite concluir que a conduta eventualmente criminosa atribuída ao Chefe de Estado teria sido por ele perpetrada no atual desempenho do ofício presidencial”, diz um trecho da decisão.

A PGR solicitou que os “autores do fato” sejam ouvidos durante a apuração. Bolsonaro seria uma das pessoas a serem ouvidas sobre a negociação. Ainda não se sabe como o presidente será ouvido pela procuradoria. Rosa Weber determinou que a Polícia Federal seja notificada para a realização das diligências necessárias. A ministra deu um prazo de 90 dias para que a investigação seja feita.

A ministra considerou que o pedido da procuradoria se apoia em elementos iniciais coletados pela CPI da Covid, “a exemplo dos testemunhos prestados pelo Deputado Federal Luis Claudio Fernandes Miranda e por seu irmão, Luis Ricardo Miranda, cujo teor indiciário embasa a hipótese criminal a ser investigada, porquanto indicativo de possível conduta que, ao menos em tese”.

Senadores apresentaram notícia-crime contra Bolsonaro
A negociação entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos, representante da Covaxin no Brasil, é um dos focos da CPI da Covid. Na última segunda-feira (28), os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Jorge Kajuru (Podemos-GO) apresentaram a notícia-crime ao STF contra o presidente.

Eles acusam o chefe de Executivo de prevaricação, quando um agente público ou político deixa de cumprir suas obrigações legais. A ministra Rosa Weber solicitou que a PGR se manifestasse sobre o pedido. Na terça-feira (29), o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, pediu ao Supremo que aguardasse a conclusão da CPI da Covid para decidir sobre a abertura de inquérito.

A ministra remeteu processo novamente à PGR, fez críticas à falta de manifestação e disse que a procuradoria “desincumbiu-se de seu papel constitucional”. Ela afirmou que “no desenho das atribuições do Ministério Público, não se vislumbra o papel de espectador das ações dos Poderes da República”. A Procuradoria, então, solicitou ao STF a abertura de inquérito contra Bolsonaro.


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DENÚNCIAS DE APLICAÇÃO DE DOSES VENCIDAS DAS VACINAS

 

Covid-19
Por
Gazeta do Povo

Timisoara, Timis, Romania – 2 15 2021: Selective focus on anti COVID-19 vaccine vial produced by AstraZeneca

Prefeituras negam aplicação de vacina vencida da AstraZeneca e falam em erro de registro no SUS.| Foto: BigStock

O Ministério da Saúde informou nesta sexta-feira (2) que não repassa vacinas vencidas contra a Covid-19 a estados e o Distrito Federal. Acrescentou que o prazo de validade dos imunizantes é rigorosamente acompanhado desde o recebimento até a distribuição. No caso da AstraZeneca, a validade é de seis meses.

A divulgação da informação foi motivada pela publicação de uma matéria do jornal Folha de São Paulo. Segundo a publicação, cerca de 26 mil doses de vacinas da AstraZeneca teriam sido aplicadas após o vencimento em 1.532 municípios. 

Segundo o ministério, os estados são orientados a distribuírem imediatamente os imunizantes recebidos, sendo obrigação dos gestores locais do Sistema Único de Saúde (SUS) fazer o armazenamento correto e a aplicação das doses dentro do prazo de validade. As prefeituras citadas pela reportagem negam ter aplicado doses da vacina fora do prazo de validade.

Prefeituras alegam divergências no preenchimento de dados
Em nota, a prefeitura de Maringá (PR), apontada pela reportagem como o município que mais teria aplicado doses vencidas, afirmou que nenhuma dose fora da validade foi usada. Segundo o secretário de Saúde, Marcelo Puzzi, há divergências no preenchimento de dados no sistema eletrônico do Sistema Único de Saúde (SUS).

“O lançamento no Sistema Conect SUS está diferente do dia da aplicação da dose. Isso porque, no começo da vacinação, a transferência de dados demorava a chegar no Ministério da Saúde, levando até dois meses. Portanto, os lotes elencados são do início da vacinação e foram aplicados antes da data do vencimento. Concluindo, não houve vacinação de doses vencidas em Maringá e sim erro no sistema do SUS”, explicou.

A Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal também disse que é improcedente a informação sobre aplicação de vacinas vencidas. “Ocorre que nem sempre a vacina aplicada é registrada no sistema do Ministério da Saúde na mesma data em que foi administrada no paciente. Caso o digitador não altere esta data de aplicação na hora de fazer o registro no sistema, corre-se o risco de a vacina ser registrada como uma aplicação fora do prazo de validade”, afirmou a secretaria.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro declarou que recebeu do Ministério da Saúde todos os lotes de vacinas dentro do prazo de validade. Informou, também, que está verificando se houve aplicações de doses vencidas.

Segundo o Ministério da Saúde, o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a covid-19 (PNO) orienta que doses aplicadas fora do prazo de validade não podem ser consideradas para imunização, sendo recomendado recomeçar o ciclo vacinal, respeitando intervalo de 28 dias entre as doses.

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Fiocruz esclarece que lotes de vacinas supostamente vencidas vieram da Índia
Em nota, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou que os lotes que estariam com prazo de validade expirado não foram feitos no Brasil. O órgão pertence ao Ministério da Saúde e é responsável pela produção nacional dos imunizantes da AstraZeneca contra a Covid-19.

Segundo a Fiocruz, os lotes sob suspeita foram importados da Índia e são do tipo do imunizante da AstraZeneca chamado de Covishield. Os demais carregamentos foram enviados pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

“Todas as doses das vacinas importadas da Índia (Covishield) foram entregues pela Fiocruz em janeiro e fevereiro dentro do prazo de validade e em concordância com o MS [Ministério da Saúde], de modo a viabilizar a antecipação da implementação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, diante da situação de pandemia. A Fiocruz está apoiando o PNI [Programa Nacional de Imunização] na busca de informações junto ao fabricante, na Índia, para subsidiar as orientações a serem dadas pelo programa àqueles que tiverem tomado a vacina vencida”, informou a Fiocruz.

As informações são da Agência Brasil


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sexta-feira, 2 de julho de 2021

NUNCA PERMITA QUE A ESCOLA ATRAPALHE A SUA EDUCAÇÃO

 

Perfil
Por
Antonio Fernando Borges, especial para a Gazeta do Povo

Johann Amos Comenius: depois de sua passagem, a grama verde da Educação nunca mais brotou no terreno árido do ensino universal e obrigatório.| Foto: Wikimedia Commons

Logo na abertura do Diálogo ‘Mênon’, dedicado à natureza das virtudes, o personagem-título pergunta a Sócrates: “Afinal, a virtude pode ser ensinada?”. Muitos leitores do texto têm arriscado que a questão permaneceu sem resposta, enquanto outros dizem que o próprio Diálogo, na íntegra, é uma grande explicação. Mas o que parece escapar à maioria é que a pergunta inaugura uma parceria valiosa entre Educação e Virtude – e essa equivalência sugere não apenas que a Virtude pode (e deve) ser ensinada, mas sobretudo que a própria Educação deve (e pode) ser virtuosa.

Dois milênios e alguns séculos depois, enfrentamos um cenário de ressentimento e burocracia, em que uma jovem com capacidade acima da média (um proverbial superdotado) precisa recorrer à Justiça para garantir matrícula numa Universidade antes de concluir o ensino médio. Sem abusar do direito de tirar conclusões precipitadas, podemos desconfiar de que só nos dicionários Educação e Ensino permanecem sinônimos: na vida real, as duas palavras se tornaram verdadeiramente antípodas. E mais: o fato de o ensino ter se tornado “universal e obrigatório” não parece uma solução, mas parte – gravíssima! – do problema.

O italiano Alessando Manzoni escreveu (no incrível romance ‘Os Noivos’) que historiadores se assemelham a soldados, porque capturam apenas os troféus mais chamativos e supérfluos – tais como “as batalhas e as intrigas políticas”. Como romancista, Manzoni foi também um historiador muito lúcido: os que escrevem a História parecem estar disputando atenções com aqueles que a fizeram – e, preocupados com eventuais glórias futuras, acabam distorcendo os fatos passados. Na História da Educação, há espaço para nomes “chamativos” (de Jean-Jacques Rousseau a Anísio Teixeira e Paulo Freire), mas se reserva apenas uma prateleira secundária para alguém que foi um personagem-chave: o pedagogo Johannes Amos Comenius (1592-1670).

O homem, o “reformador social”
No período final da Idade Média, com o declínio da ordem cristã e a “secularização do mundo”, a avidez de alguns líderes e pensadores religiosos tratou de ganhar espaço entre as almas e mentes mais desavisadas. Foi a era dos “reformadores sociais”, arautos de novos reinos, ou melhor, de um novo reino mundial de Cristo – a chamada ‘Novus Ordo Seclorum’.

Entre eles, havia gênios e loucos, homens santos e um bom punhado de criminosos – em suma, organizadores brilhantes e desordeiros coléricos. Em comum, todos nutriam a mesma intenção de empunhar a chibata da Justiça divina e promover às pressas o anunciado Juízo Final. Talvez seja apenas um truísmo, puro e simples, ou uma constatação das mais óbvias, mas o fato é que, de um modo ou de outro, estamos sempre no fim dos tempos – ou, pelo menos, no “apogeu” do tempo que nos coube atingir.  No fim da Idade Média, não aconteceu diferente: pregava-se a renovação, a mudança milenarista, e isso costuma aglutinar os tipos mais extremos.

Um desses malucos perigosíssimos foi Johann Amos Comenius (1592-1670), o bispo protestante de origem tcheca que é considerado “o pai da didática moderna” – o que, num Dicionário de Verdades Escondidas, pode ser traduzido por algo assim como “coveiro da Educação milenar”.

A biografia de todo homem – mesmo em versão compacta – é por certo muito mais do que uma cadeia de fatos entre as duas “datas extremas”. A biografia de Comenius também é marcada por perdas, sofrimento e esforço – como a de qualquer outra criatura. Com a diferença de que seus biógrafos o condenam ou enaltecem em função de seus sofrimentos e perdas, como se houvesse uma inevitável relação de causa e efeito entre a vida, a fama e as ideias de alguém.

Facilitando as coisas para quem entra aqui em contato inicial com nosso personagem:

Comenius nasceu em 28 de março de 1592 em Nivnice, Morávia – atual República Tcheca. Filho único de protestantes do grupo Bohemian Brethren (Irmãos da Boêmia), ficou órfão aos 12 anos de idade, quando perdeu a mãe, o pai e as duas irmãs, vítimas da peste que assolava a Europa. Aos 16 anos, foi enviado para uma escola secundária na cidade de Přerov. onde foi o incentivaram a seguir o ministério. (Assim começa o mal…) Estudou durante dois anos no Herborn Gymnasium, na região de Nassau. Em 1613, ingressou na Universidade de Heidelberg, onde permaneceu apenas um ano. Escolheu então o caminho da profissionalização religiosa e se tornou pastor protestante – mas a guerra o obrigou a fugir em 1618, junto com outros líderes.

As sementes das intenções perigosas de Comenius caíram desde cedo em solo fértil. Aos 26 anos, tornou-se professor da sua antiga escola e, pouco depois, assumiu o cargo de diretor das escolas do Norte da Morávia. Sua carreira ganhou fôlego especial quando o governo sueco o contratou para promover uma reforma do sistema escolar e produzir livros didáticos. Ao completar 50 anos, dois novos convites: fundar o Colégio Pansófico na França e ser reitor na Universidade de Harvard, inaugurada alguns anos antes (1636). Por mais de quatro décadas, Comenius percorreu a Europa cumprindo sua sinistra missão: reformar o ensino. Morreu em 15 de novembro de 1670.

Muitos o citam, alguns o criticam e outros tantos o elogiam, mas raríssimos atribuem a Johann Amos Comenius a responsabilidade que é primordialmente dele, por fato e por direito: depois de sua passagem, a grama verde da Educação nunca mais brotou no terreno árido do ensino universal e obrigatório. Eis aqui duas palavras que promovem coisas terríveis sob a capa de supostos objetivos elevados. Pois, se a universalidade democratiza, a obrigatoriedade faz justamente o oposto, coletivizando as pessoas, com a mesma garra tirânica.

No melhor estilo “aquilo deu nisso”: onde se anunciou a implementação de novos direitos, estabeleceu-se a mais cruenta das obrigações; em vez de se promover uma Educação virtuosa, impuseram-se currículos e, desde então, exigem-se diplomas em escala que tende ao infinito (graduação, mestrado, doutorado e outros tantos pós-isso e aquilo). E tudo, acreditem, começou em Comenius.

O homem, uma “nova ordem” para o velho mundo
Aconteceu assim: chamando para si o aspecto pedagógico da renovação milenarista de seu tempo, Comenius defendeu a necessidade de uma Nova Ordem também nas escolas – o que acabou alicerçando a famigerada Nova Ordem Mundial da qual, mais do que testemunhas, somos todos vítimas.

Sendo cristão, Comenius queria que a religião estivesse no comando; sendo protestante, pretendia que sua reforma fosse igual à Reforma de Lutero – quer dizer, radical e “revolucionária”. Propôs, enfim, uma “educação para todos” e com a “colaboração de todos” – apregoando que todos deveriam ser enviados às escolas sem distinção, e não apenas os filhos dos ricos. Mas, trocando em miúdos, tudo isso significou apenas que o ensino deveria estar a cargo, não dos “mais doutos”, e sim de profissionais especializados. E nisso começou toda a encrenca que chegou até nós.

O livro mais conhecido de Comenius, ‘Didática Magna’, é também o melhor monumento-síntese de todo o projeto. Logo nas primeiras páginas, ele defende a implantação de um método universal de “ensinar tudo a todos”. E a ideia era “ensinar com tal certeza, que seja impossível não conseguir bons resultados”. E mais: ensinar rapidamente, “sem nenhum enfado ou aborrecimento para os mestres e os alunos”, e sobretudo “com sumo prazer para uns e para outros”.

O leitor atento já terá percebido a isca atraente que esconde um anzol afiado: a promessa de uma experiência prazerosa servia para atenuar o desconforto de seu caráter impositivo. E, de fato, o sucesso da proposta diabólica residiu na sua aparente “racionalidade” – na verdade, em sua argumentação falaciosa. Caso alguma dúvida reste, este trecho do livro a dissipa:

“Se um pai de família não cuida ele mesmo de tudo o que é necessário à administração doméstica, mas confia em vários colaboradores, por que também não deve fazer também neste caso [i.e., no caso do ensino]? Quando precisa de farinha, vai ao moleiro; de bebidas, ao taberneiro; de carne, ao magarefe; os pais raramente estão em condições de educar os seus filhos com proveito e raramente tem tempo para isso; seria mais útil instruir a juventude em grupos mais numerosos, porque maior é o fruto do trabalho e maior é a alegria quando uns tem o exemplo e o estímulo dos outros; e serve-nos o exemplo da natureza a mostrar-nos que as coisas, para crescerem em abundância, devem ser geradas em local determinado: as árvores nos bosques, os peixes na água e os metais nas entranhas da terra nascem em grande quantidade”. (Obs.: os grifos são meus)

Grupos mais numerosos de jovens, em locais pré-determinados, aos cuidados de especialistas: onde estaria o prazer, em tudo isso?

Virtudes são qualidades e, nesse sentido, impõem-se como tópicos valorativos, impossíveis de se quantificar. Em contrapartida, o prazer é da ordem no número, porque dependerá sempre de medidas e quantidades. Assim, por mais que muitos julguem que são equivalentes, prazer e virtude pertencem a esferas bem distintas: o primeiro diz respeito ao conjunto de impressões produzidas sobre os sentidos, enquanto o segundo tópico designa itens consoantes com o que for correto e desejável do ponto de vista dos valores morais. Em suma: valores são éticos; prazeres são sensíveis. É claro e simples assim.

Para rechear, confeitar, anunciar e vender seu pão tão amargo e sem substância, Comenius tratou justamente de fundir dois elementos tão diferenciados em seu liquidificador-de-equívocos.

O resultado? Em vez de apostar na virtude como a única trilha para a felicidade (que é, afinal, a modalidade mais sublime de prazer), a Eminência Parda da pedagogia moderna enveredou por um atalho perigoso, elevando os prazeres à categoria de… virtudes! O resto foi questão de tempo e de alguns detalhes funestos.

O resultado final? Um desastre anunciado: o alardeado “acesso universal” ao ensino foi alcançado exclusivamente às custas da mediocrização de conteúdos e da redução dos métodos pedagógicos a um conjunto de malabarismos emocionais. Nos termos do Ortega y Gasset de ‘A Rebelião das Massas’, pode-se abreviar: foi a gênese do homem-massa, em quem o dever cedeu espaço ao prazer.

Não precisa mais do que olhar em volta, leitor. Nunca foi tão fácil, tão rápido e tão agradável “estudar”! Mas o que as estatísticas efetivamente mostram é a quantificação de um batalhão de criaturinhas adestradas, ao mesmo tempo em que escondem o aspecto qualitativo, a saber: a ausência de qualidade em tudo isso. E “tudo isso” se traduz sobretudo no fato de que o “ensino obrigatório para todos” simplesmente acabou com a educação.

Testemunhas e documentos dão conta de que, em muitos lugares, a mudança foi imposta sob a pressão de armas, aos cidadãos que resistiram e buscaram proteger a integridade da família e a sanidade de seus filhos. Por não confiar nos historiadores – verdadeiros “caçadores de troféus” – a História às vezes prefere falar por si mesma. E os fatos cumprem bem essa função, de apresentar o mundo real.

O homem, a face oculta
Na galeria de vilões da História,  Johannes Amos Comenius é uma face oculta, sob camadas de poeira e esquecimento. Ao contrário de um Rousseau ou Paulo Freire, não é figurinha fácil no álbum da Educação – até porque ninguém mais do que ele ajudou a esvaziar esta palavra. Entre os motivos para tamanha “discrição” em torno de seu nome, pode-se arriscar um, bem forte: em todo esse processo de degradação progressiva do magistério, a atuação de Comenius aconteceu nos bastidores, mais do que em cena aberta.

Mesmo ao dirigir colégios e universidades, deixava os estragos mais graves para a “calada da noite”. E, embora tenha deixado uma obra extensa, sua atuação foi mais pragmática do que doutrinária – em síntese, foi uma perigosa (não custa repetir) Eminência Parda. O tempo não fez mais do que acentuar essa vocação…

Em termos doutrinários, a pedagogia de Comenius nada tem de original. Nasceu, sobretudo, de um amálgama teorético de racionalismo (a crença na argumentação e na Razão) e pietismo – que, na versão reducionista de Comenius, é justamente seu contrário, ao defender a proeminência da Fé sobre a Razão. Somem-se à receita algumas porções de Bacon, Descartes e do ilustre desconhecido Petrus Ramus (1515-1572), lógico e humanista francês que também se dedicou à reforma deformadora do ensino.

(Ao contrário do que costumam dizer os hagiógrafos de Comenius, Santo Tomás de Aquino e os escolásticos passam ao largo dessa estrovenga.)

Para infelicidade geral do mundo contemporâneo, o saldo final é irrefutavelmente deficitário. Hoje, frases como “Eu acredito na Educação!” ou “A Educação é a saída!” são apenas enunciados vazios, temperados de suspiros nostálgicos – a ponto de se poder aplicar à Educação (mais do que nunca travestida de “ensino”) a máxima com que os iluministas rotularam a religião: “Quando não é loucura, é pura esperteza”.

Mas, se para todo veneno existe a esperança do antídoto, é válido encerrar prescrevendo uma dose diária do escritor Mark Twain, cujas máximas são muito mais pedagógicas e úteis do que a herança nefasta de Comenius. E um dos conselhos de Twain é, por sinal, atualíssimo: “Nunca permita que a escola atrapalhe a sua educação”.


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COMO FAZER ANÚNCIOS DE MODO EFICIENTE

DOMTEC SISTEMAS

Em um mercado cada vez mais competitivo, sabemos que as vendas são a segurança que toda empresa tem de se consolidar em sua área de atuação. Com o avanço da tecnologia, especialmente na área digital, negócios investem cada vez mais em mídias sociais para conquistar novos clientes. Sendo assim, anunciar em marketplace como o da Startup Valeon é uma das opções mais favoráveis para divulgar produtos e serviços.

Por isso, devemos saber todos os recursos que essa plataforma oferece para alcançar resultados ainda melhores. Quer saber como? Então, leia o post até o final e confira dicas exclusivas para anunciar nesse marketplace de modo eficiente.

Marketplace: o que é e qual a sua importância?

Antes de tudo, podemos entender que o marketplace nada mais é do que um espaço onde são feitas trocas, vendas e compras de produtos e serviços. Com a evolução da internet, empresas e pessoas divulgam algum tipo de oferta pelo meio digital, a fim de chamar atenção de compradores em potencial.

Com a evolução da tecnologia no meio digital, vender na internet tem se tornado cada vez mais prático e fácil. Comparando-se aos modelos tradicionais de vendas e divulgações, tais como lojas físicas, panfletagem, anúncios em rádios e TV’s, as ferramentas do marketplace são mais eficientes e práticas.

Anunciar em marketplace: o que isso significa?

Quando é feito o oferecimento de um produto ou serviço, é preciso apontá-lo para a direção certa. Por isso, os anúncios no marketplace são uma forma de você segmentar o seu público e fazer com que seus produtos e serviços sejam direcionados a pessoas que estão efetivamente interessadas na sua oferta. Além de você otimizar o seu tempo com serviços, os anúncios irão trabalhar por você e fará o seu caixa crescer muito mais.

4 dicas para anunciar o marketplace

Agora vamos enumerar algumas dicas exclusivas para que seus anúncios consigam trazer bons resultados. Confira abaixo quais são:

1. Conheça o seu público

Antes de efetivamente anunciar o seu produto ou serviço, é preciso saber a quem sua oferta irá atingir. Por isso, estude o seu público, conheça suas dores, necessidades e, principalmente, o seu comportamento frente a oscilação de preços.

Uma dica para tornar sua pesquisa ainda melhor é a busca por comentários no Facebook, YouTube ou qualquer outra página de produto ou serviço similar ao seu. Observe suas exigências e aplique-as ao seu anúncio, de forma que a oferta seja cada vez mais persuasiva.

2. Torne a experiência o mais visual possível

De nada adianta elaborar um anúncio com todas as estratégias de conversão aplicadas, sendo que o produto ou serviço não aparece de forma nítida para o seu público. Portanto, tire boas fotos e de todos os ângulos possíveis.

Torne a experiência do cliente mais vívida, como se ele já estivesse “em posse” da sua oferta. Além de garantir um anúncio mais chamativo, fotos reais e bem trabalhadas passam mais credibilidade e mais segurança para o seu cliente.

3. Seja detalhista

A descrição completa do seu anúncio será outro fator interessante para o seu possível cliente. Lembre-se que, além de imagens, seu texto precisa ser estruturado e criterioso, de forma que as características do produto ou serviço esteja de acordo com a necessidade atual do seu público.

4. Estude a concorrência

Atente-se aos preços que seus concorrentes estão colocando em ofertas similares as suas. Estude o seu fluxo de caixa e busque alternativas para elaborar um valor que esteja agradável para o público e que não comprometa o seu financeiro. Portanto, busque maneiras de fidelizá-los, sejam com descontos, promoções e outras ações que podem ser cabíveis para chamar a atenção do seu público. Agora que você já conhece as principais dicas para tornar o seu anúncio mais eficiente!

Startup Valeon

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Temos no nosso site uma gama variada de atrações e informações para o público consumidor de forma atrativa, lúdica e necessárias como informações e utilidade.

Temos na nossa Plataforma Comercial, várias informações úteis e necessárias ao conhecimento dos internautas como:

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  • Elaboração e formação de coletânia de informações sobre o Turismo da nossa região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas das 27 cidades do Vale do Aço, destacando: Ipatinga, Cel. Fabriciano, Timóteo e Caratinga;
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PGR DIZ QUE STF NÃO PODE OBRIGAR O GOVERNO A COMPRAR VACINAS

 Poder360 

O procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou uma manifestação ao STF (Supremo Tribunal Federal) na 4ª feira (30.jun.2021) afirmando que a Corte não deve obrigar o Governo a comprar mais doses de vacinas contra a covid-19.O procurador-geral da República Augusto Aras© Sérgio Lima/Poder360 O procurador-geral da República Augusto Aras

Segundo ele, não há quadro de inação do Estado que justifique a interferência da Justiça no plano nacional de imunização. Eis a íntegra (196 KB).

O parecer foi encaminhado ao ministro Ricardo Lewandowski, do STF, em resposta a um pedido apresentado pelo CFOAB (Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil) em março deste ano.

A ação se tratava de um pedido de medida cautelar para obrigar a União a comprar vacinas contra a covid-19 suficientes para garantir a imunização em massa da população brasileira.

Na ação (íntegra – 419 KB), o presidente da entidade, Felipe Santa Cruz, afirma que o governo federal vê a imunização “mais como um problema do que uma solução”. Ele cita os atrasos na campanha de vacinação e o risco do surgimento de novas variantes do coronavírus decorrentes desse retardo.

A resposta enviada por Aras menciona dados obtidos pelo Ministério da Saúde. Eles mostram que aproximadamente 100 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 já foram aplicadas e quase 130 milhões de doses foram distribuídas em todo o país até o dia 28 de junho.

“O quadro atual demonstra o incremento gradual da oferta de vacinas e, consequentemente, do quantitativo de pessoas vacinadas, a confirmar a ausência da alegada inação a justificar a intervenção excepcional do Judiciário”, declara Augusto Aras.

“Determinação judicial que se sobreponha à programação nacional implicaria rearranjo orçamentário e de medidas definidas e em curso, com impacto relevante sobre a gestão nacional e sobre a própria operacionalização do programa de imunização”, diz.

Segundo o procurador-geral, o cumprimento do plano nacional de imunização, bem como o respeito ao cronograma previsto e à ordem de imunização dos grupos prioritários, vêm sendo acompanhados e monitorados pelo STF.

Ministério da Saúde confirmou mais 2.081 mortes por covid-19 na 4ª feira (30.jun.2021), elevando o total para 518.066. Os casos confirmados em 24 horas foram 43.836. Desde o início da crise sanitária, são 18.557.141 diagnósticos da doença.

 

STF É O RETRATO DA INJUSTIÇA NO BRASIL

Ativismo judicial

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo

18/5/2017- Brasília- DF, Brasil- Sessaão do STF. Foto: Lula Marques / AGPT

Ministro do STF Ricardo Lewandowski anulou a delação da Odebrecht que cita o ex-presidente Lula.| Foto: Lula Marques/Fotos Públicas

A empreiteira de obras públicas Odebrecht, uma das que mais roubou no governo Lula — é a empresa que revelou ao mundo o “amigo do amigo do meu pai” — assinou um notável acordo com a Justiça brasileira, através do qual confessa a prática de crimes de corrupção, promete devolver ao erário público uma parte do que roubou e, em troca desse seu misto de colaboração-delação-confissão, recebe do Estado um tratamento mais suave na punição dos seus delitos.

Ninguém forçou a Odebrecht a fazer nada. Foi o seu próprio presidente, com a assistência plena de toda uma equipe milionária de advogados, quem concordou em fazer “delação premiada” a respeito dos crimes cometidos na esfera de atuação da empresa — especialmente na ladroagem monumental da Petrobras lulista.

Também foi a construtora, por sua livre e espontânea vontade, que devolveu R$ 8,6 bilhões aos cofres públicos. Em função do acordo, o presidente Marcelo Odebrecht foi solto da cadeia em dezembro de 2017, após dois anos e meio de xadrez em Curitiba.

Qual é a dúvida em relação a isso tudo? Existe no mundo alguém que aceita devolver R$ 8,6 bi de dinheiro roubado — mais de 2 bilhões e meio de dólares, pela cotação da época — se não roubou nada? Há alguém que invente crimes para delatar a si mesmo? Não há nada de errado com nenhuma dessas coisas. Ao contrário, trata-se de um momento histórico: foi feita justiça neste Brasil onde sempre reinou, durante séculos, a impunidade para os ricos e poderosos.

Não, não há mesmo nada de errado — salvo para o ministro Ricardo Lewandovski, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em compensação, para ele, está tudo absolutamente errado. O ministro acha que esse exemplo de justiça é tão ruim, mas tão ruim, que tem de ser anulado da primeira à última letra. Isso mesmo: nada do que a Odebrecht confessou, delatou e pagou vale mais coisíssima nenhuma. Só está faltando dizer, agora, que o pagador de impostos tem de devolver à empresa os bilhões que ela pagou para fechar o seu acordo.

Não se trata de nenhum surto de loucura — ou, mais precisamente, é loucura com muito método. Lewandovski quer, acima de qualquer outra coisa na vida, eliminar até o último fiapo qualquer culpa que existe contra Lula — condenado, como se sabe, em terceira e última instância, por nove juízes diferentes, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Atuando em conjunto, e em perfeita harmonia, com os ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin, Lewandowski opera na equipe de advogados que trabalham em tempo integral para Lula no mais alto Tribunal de Justiça do Brasil. Deixaram de lado, há anos, a função de juízes, pagos pelo público para prover justiça; seu trabalho, com o pleno apoio dos demais colegas de STF, é servir aos interesses processuais, políticos e eleitorais do ex-presidente.

Lewandovski, Mendes, Fachin e os demais decidiram não apenas anular todas as ações penais contra Lula, mas apontar como único culpado por tudo o juiz Sergio Moro — e, agora, declarar inválidas todas as provas reunidas contra ele, para que nunca mais possam ser utilizadas em qualquer processo que se tente fazer para retomar os que foram anulados. Mesmo provas como a confissão de Marcelo Odebrecht? Sim, mesmo provas como a confissão de Marcelo Odebrecht.

Lewandovski, Mendes, Fachin e etc são o retrato acabado do tipo de justiça que se pratica no Brasil de hoje — dentro das “instituições”, da pregação diária da “democracia” e dos alertas diários sobre a “ditadura” que virá se Lula perder a eleição de 2022.


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GOLPE DA VACINA DENUNCIADO NA CPI DA COVID

 

Pandemia

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que prestou depoimento à CPI da Covid, se apresentava como representante da vacina AstraZeneca, mas empresa nega.| Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Eu cheguei à conclusão ao assistir a CPI da Covid que muita prefeitura nesse país afora recebeu a oferta de vacinas vindas de picaretas, de intermediários. Na CPI apareceu um cabo da Polícia Militar de Minas Gerais chamado Luiz Paulo Dominguetti que contou uma história difícil de acreditar.

Ele disse que em um jantar em Brasília o diretor de logística do Ministério da Saúde pediu um dólar de propina para comprar dele, Dominguetti, a vacina da AstraZeneca. O PM se apresentou como intermediário do laboratório, mas a empresa, claro, negou porque ela só negocia com governos e não com outras empresas privadas. E a AstraZeneca disse que faz negócio direto com o governo brasileiro.

Pensem comigo: um dólar em um lote de 400 milhões de vacinas. São US$ 400 milhões de dólares, o que dá R$ 2 bilhões. Isso seria a maior propina do planeta Terra, nível Guinness Book de propina. É difícil de acreditar. Além disso parece que a AstraZeneca até hoje fabricou 600 milhões de doses de vacina, e ele já estava vendendo 400 milhões. Imagina só, vendendo dois terços do total de fabricação do laboratório.

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) conta que a prefeitura de Porto Velho caiu num conto desses e comprou 400 mil doses de vacina que não foram entregues. Por isso fico imaginando quantas prefeituras receberam esse tipo de oferta de intermediário se dizendo representante de laboratórios.

Esse cabo de Minas Gerais já ofereceu Oxford, Sputnik V, Janssen, qualquer vacina, diz que tem estoque. Gente que compra do laboratório para revender com lucro. Parece aquele filme “O terceiro homem”, do contrabandista de remédio na Segunda Guerra Mundial que ganhava dinheiro falsificando remédio para os hospitais onde tinham feridos de guerra. Uma coisa incrível. Aproveitam-se da tragédia para ganhar dinheiro.

Só que para o Ministério da Saúde não venderam nada, pelo menos é o que se constata. Mas vê-se que algumas prefeituras caíram nessa. O Consórcio do Nordeste, por exemplo, pagou R$ 48 milhões por respiradores que nunca foram entregues. A gente viu lá em Manaus comprar respirador em uma loja de vinho, com intermediação. Teve muita gente que tentou ganhar dinheiro às custas da tragédia do povo brasileiro.

Inquérito arquivado
Aquele inquérito dos atos antidemocráticos que estava com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi arquivado. E se vocês estão pensando que ato antidemocrático é queimar bandeira do Brasil como em Curitiba, quebrar vidraça como em São Paulo, agredir com paus e barras de ferro como Rio de Janeiro e São Paulo; não, não é.

Ato antidemocrático, segundo o inquérito do STF, era criticar o Congresso e o Supremo, mas foi arquivado. Agora Alexandre de Moraes diz que ainda tem indícios de organização criminosa contra a democracia e o Estado de Direito.

Eu acho que quem não obedece a Constituição está fazendo isso. Quem passa por cima dos direitos e garantias individuais do artigo 5º da carta magna está atentando contra a democracia. Quem não dá bola para o artigo 220, da liberdade de expressão, está atentando contra a democracia.

Exército não tem o que informar
Psol, PT, PCdoB e PDT queriam que a ministra do STF Cármen Lúcia obrigasse o Exército a explicar porque não puniu o general Eduardo Pazuello pela participação em um ato público com o presidente Jair Bolsonaro. O Exército respondeu que não tem informação a dar, que o caso está sob sigilo e que é um assunto interno da Força, uma decisão entre o comandante e o general. O comandante ouviu o general e arquivou.

Porque o general estava em um ato político, com P maiúsculo, mas não em um ato político eleitoral, nem de manifestação partidária, mas em apoio ao comandante supremo das Forças Armadas. Mas agora esses partidos estão insistindo. A ministra Cármen Lúcia vai perguntar se é isso mesmo e o Exército vai responder a ela que é isso mesmo, ao que tudo indica.

Superávit na balança
A Funai está abastecendo com tratores indígenas que têm produção agrícola, sustentável, e inclusive têm exportado sua produção. As exportações brasileiras, nesse primeiro semestre, bateram todos os recordes históricos de um primeiro semestre. Foram R$ 37,5 bilhões de superávit na balança comercial.


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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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