sábado, 21 de novembro de 2020

PIX PODE FACILITAR SEQUESTROS DE DINHEIRO RELÂMPAGO

 

Pix facilita sequestros relâmpagos? O BC diz que não

Sistema, lançado em 16 de novembro, permite a realização de pagamentos e transferências 24 horas por dia durante todo o ano

 

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

 

 


BRASÍLIA - Após o início da operação do Pix – o sistema de pagamentos instantâneos – as redes sociais foram inundadas por supostos alertas para o risco de aumento nos sequestros relâmpagos no Brasil. Em alguns vídeos, internautas afirmam que o Pix facilitaria o crime, pois permitiria que bandidos obrigassem suas vítimas a realizar transferências instantâneas, de grande valor. O Banco Central nega que o sistema facilite o sequestro relâmpago ou deixe margens para desvios de grandes valores.

Lançado em 16 de novembro, o Pix permite a realização de pagamentos e transferências 24 horas por dia, 7 dias por semana, todos os dias do ano. O tempo médio das transações realizadas nos primeiros dias ficou próximo de 1 segundo. Esta rapidez é um dos motivos para o receio de que a ferramenta possa facilitar crimes.


Pix foi lançado em 16 de novembro e permite transferências instantâneas Foto: Banco Central

Um vídeo que viralizou na internet foi do delegado aposentado e ex-chefe da Divisão Anti-Sequestro (DAS) da Polícia Civil do Rio de Janeiro Fernando Moraes. Nele, Moraes afirma que bandidos poderão abordar suas vítimas e obrigá-las a transferir instantaneamente, por meio do Pix, todos os recursos da conta corrente para outras contas.

Para o Banco Central, no entanto, não haverá aumento das ocorrências de sequestro relâmpago por conta do Pix, porque o sistema possui várias camadas de segurança contra ações ilícitas. Além disso, o sequestro relâmpago possui características específicas.

“Este tipo de crime não é perpetrado por meio de transferências bancárias”, explicou na quinta-feira o diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC, João Manoel Pinho e Mello, durante evento virtual. Segundo ele, os sequestradores geralmente forçam as vítimas a fazer saques em caixas eletrônicos, justamente porque o dinheiro vivo não é rastreável. “O Pix é”, lembrou.

Para que um sequestrador tivesse acesso aos recursos, ele precisaria ter uma conta em seu nome – o que tornaria a operação rastreável – ou utilizar a conta de terceiros, para saque posterior. Em todos os casos, o destino do dinheiro pode ser seguido.

No BC, existe ainda a avaliação de que transferências eletrônicas via TED, disponíveis há anos, nunca foram usadas em sequestros relâmpagos, justamente porque são rastreáveis. Com o Pix, a tendência é de que ocorra o mesmo.

Numa situação em que o bandido, apesar da rastreabilidade, obrigue a vítima a realizar um Pix, ainda assim não há garantias de sucesso. Isso porque o sistema de pagamentos instantâneos possui uma série de mecanismos para evitar fraudes.

Os bancos possuem, por exemplo, ferramentas para identificação ativa de quem faz a transferência. Em alguns casos, o aplicativo do banco pode “perceber” que o cliente está digitando a senha de forma mais demorada – algo a se esperar em situações de estresse – e travar o acesso.

Há ainda a avaliação com base no histórico de transferências do cliente. Se uma pessoa nunca realiza uma transferência durante a noite, por exemplo, o sistema pode “congelar” uma operação feita neste período, para avaliar melhor a questão. O bloqueio pode ser de 60 minutos – período em que o banco tentará confirmar se a transferência foi de fato autorizada pelo cliente ou se é fruto de sequestro relâmpago. Durante o dia, o bloqueio é de 30 minutos. Sem a confirmação, a transação é rejeitada.

Conforme o BC, mesmo que estas camadas de segurança sejam, de algum modo, ultrapassadas, o Pix não permitiria transferências de grandes montantes. Pelas regras do sistema, ainda que uma pessoa tenha R$ 100 mil na conta, o montante que pode ser transferido durante o dia é muito menor: de até 50% do limite disponível para TEDs. Durante a noite, quando ocorre maior incidência de sequestros relâmpagos, o limite é o mesmo do cartão de débito do cliente.

Além disso, o sistema deixa aberta a possibilidade de o cliente reduzir ainda mais os limites para o Pix. Uma pessoa poderá, inclusive, optar por não ter limite para transferências instantâneas durante a noite.

Saque Pix

Uma das funcionalidades do sistema previstas para começar em 2021 é a do Saque Pix, que permitirá que clientes realizem saques de dinheiro vivo em estabelecimentos comerciais. Na prática, os estabelecimentos servirão de alternativa aos caixas eletrônicos para retirada de numerário.

O BC ainda está formulando as regras de funcionamento do Saque Pix e os mecanismos de proteção aos clientes. Um dos objetivos é permitir que a segurança coíba sequestros relâmpagos em que o bandido, em vez de obrigar a vítima a sacar dinheiro vivo em caixas eletrônicos, faça isso em um estabelecimento comercial. Ainda não há detalhes sobre as camadas de segurança do Saque Pix.

O  Estadão/Broadcast questionou o BC, por meio de sua assessoria de imprensa, se a instituição tentaria derrubar, através da Justiça, vídeos na internet que alertam para supostas falhas de segurança do Pix em situações de sequestro relâmpago. O BC afirmou que não iria comentar.

 

DEBATES NA POLÍTICA SÃO NECESSÁRIOS

 

A volta do debate que importa

Só existem a boa política, que respeita os fatos e oponentes, e a má, que nega a realidade

 

João Gabriel de Lima*, O Estado de S.Paulo

 

 


Para que serve um governo? Cuidar das pessoas ou cuidar das empresas? É possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo?

São perguntas que simplificam uma questão complexa -- mas que resumem, com clareza, o debate brasileiro nos últimos oitenta anos.

A ideia vitoriosa nas duas ditaduras brasileiras do século passado, a de Getúlio Vargas e a dos militares -- e também do período democrático entre elas -- foi o nacional-desenvolvimentismo. Segundo essa corrente, cabia ao governo subsidiar setores da economia escolhidos a dedo.

De Getúlio aos militares, os governos criaram copiosamente companhias terminadas em “brás” e incentivaram indústrias como a automobilística. Cuidaram das empresas – estatais e privadas –, mas não dos cidadãos. O baixo investimento em educação mostra isso de forma eloquente. Durante a ditadura de Vargas, o valor oscilou entre 1% e 1,5% do PIB. Entre 1955 e 1975 subiu só um pouco, para 2%. Saúde pública também nunca foi prioridade nos dois regimes autoritários.

Veio a redemocratização, e os brasileiros, representados pelos constituintes de 1988, decidiram que os governos deveriam cuidar das pessoas. Saiu de cena o nacional-desenvolvimentismo e começou a era social-democrata. Ela teve seu auge nos governos de Fernando Henrique e Lula. No ciclo tucano-petista, criaram-se o Sistema Único de Saúde, os programas de combate à pobreza, e o gasto com educação mais que dobrou, saltando para o patamar de 4,5% do PIB.

O debate sobre a função do Estado – cuidar das empresas ou cuidar das pessoas? – foi retomado recentemente a propósito do livro “O Dever da Esperança”, de Ciro Gomes. Em um ensaio crítico sobre a obra, o economista Samuel Pessoa, defensor da postura social-democrata, argumentou que, num país de orçamento apertado como o Brasil, não dá para cuidar das pessoas e das empresas ao mesmo tempo. O desfecho inevitável é a insolvência do País. Na era Dilma Rousseff, que se dizia desenvolvimentista, uma recessão brutal jogou milhões de brasileiros na pobreza.

Nélson Marconi, que participou da formulação do programa de Ciro na última eleição presidencial, defende que o desenvolvimentismo, em sua versão moderna, nada tem a ver com estourar orçamentos ou criar estatais. Ele acha possível o governo cuidar das pessoas e das empresas mantendo-se na trilha da responsabilidade fiscal – Marconi é um crítico da gastança do período Dilma.

(Existe uma terceira corrente, a liberal, que defende a redução do Estado para soltar as amarras da economia. Nunca fez muito sucesso no Brasil. Alguns liberais apoiaram o presidente Jair Bolsonaro mas, sentindo-se ludibriados, desertam dia após dia, como mostra a reportagem anexada à versão digital da coluna).

Os brasileiros têm gastado muito tempo discutindo temas irrelevantes, como um suposto “perigo comunista” ou a falsa oposição entre a “velha” e a “nova” política. Existem apenas a boa política – aquela baseada no respeito aos fatos e aos oponentes – e a má, que nega a realidade e desqualifica quem pensa diferente.

Passou da hora de retomar a conversa inteligente e civilizada, característica da boa política. Nélson Marconi e Samuel Pessoa, personagens dos mini-podcasts da semana, estão entre os vários interlocutores qualificados no debate que importa -- e que, com sorte, deverá prevalecer no ciclo da próxima eleição presidencial: aquele sobre o país que queremos ter.

*JORNALISTA, ESCRITOR E PROFESSOR DA FAAP E DO INSPER

 

STARTUP PROMETE CARRO ELÉTRICO COM MAIOR AUTONOMIA

 

Startup promete carro elétrico com autonomia de 725 km

 

Da redação

 

 

 

Uma startup holandesa quer produzir um carro elétrico, acessível e hiper eficiente, que consiga rodar um quilômetro e meio com o equivalente a R$ 1 de combustível graças ao uso de células solares integradas ao capô e ao teto do carro, dispensando toda infraestrutura usada normalmente para alimentar veículos elétricos – inclusive as enormes baterias.

O protótipo do Lightyear One, como é chamado, está previsto para para o primeiro trimestre de 2021. Os primeiros 125 carros devem ser entregues até o final do próximo ano. O modelo terá autonomia de 725 km com uma carga de bateria, alimentada pelo painel solar no teto do carro.

A startup acredita que um carro com baixo consumo de energia pode ser a chave para uma adoção massiva de veículos elétricos.

A Lightyear foi fundada por um grupo de ex-alunos da Universidade de Eindhoven, na Holanda, que venceram a corrida do World Solar Challenge com seus carros solares. A startup recebeu pedidos antecipados dos primeiros 946 carros Lightyear One por um preço de reserva de € 149.000 (cerca de R$ 950 mil).

Para tornar o carro mais barato, a empresa mudou seu foco para o desenvolvimento da tecnologia básica enquanto terceirizou a produção. A expectativa é que sejam produzidos 100 mil carros por ano por volta de 2023, com o valor unitário caindo para € 50 mil.

Reino Unido vai proibir a venda de carros a gasolina até 2030

 



Os veículos híbridos poderão ser vendidos até 2035. As montadoras expressaram preocupação com a meta, dizendo que a meta anterior de 2040 já era ambiciosa. (Crédito: Reprodução/Pexels)

O governo disse que as vendas de novos carros a gasolina e diesel e vans terminarão em 2030, embora os veículos híbridos possam ser vendidos até 2035. As montadoras expressaram preocupação com a meta, dizendo que a meta anterior de 2040 já era ambiciosa.

Os planos verdes do governo também incluem investimentos em energia de hidrogênio e tecnologia de captura de carbono, e a ambição de gerar energia eólica suficiente para abastecer todas as residências no Reino Unido até 2030. Para desgosto de alguns ambientalistas, os planos também incluem uma nova geração de usinas nucleares.

A pressão ambiental é parte dos esforços de Johnson para superar os temores da pandemia do coronavírus e a saída da União Europeia, e para trazer novos empregos para as antigas regiões industriais do centro e norte da Inglaterra.


 


 


 


 

 

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...