segunda-feira, 19 de outubro de 2020

CALAMIDADE PÚBLICA - OPORTUNIDADE PARA ROUBOS

 

Calamidade como oportunidade

 

Notas & Informações

 

Calamidade pode até rimar com oportunidade, mas quando políticos inescrupulosos transformam uma terrível pandemia em pretexto para ignorar responsabilidades básicas na administração pública, em especial no cuidado das finanças, a rima é pobre – em muitos sentidos.

Estado noticiou que um dispositivo da Lei Complementar 173/20, que estabelece uma série de medidas para socorrer Estados e municípios na pandemia, pode servir de brecha para que prefeitos criem despesas na reta final de seus mandatos sem a obrigação de deixar dinheiro em caixa para que os próximos prefeitos as honrem.

A Lei de Responsabilidade Fiscal impede que governantes, nos oito meses finais de seu mandato, assumam gastos que representem obrigações para seus sucessores sem que haja recursos disponíveis para o pagamento. Essa proibição, que prevê até pena de prisão para quem descumpri-la, visa justamente a impedir que os governantes usem a máquina pública em sua campanha pela reeleição.

Mas a calamidade causada pela covid-19 levou o Congresso a suspender temporariamente essa obrigação, em vista da necessidade de ampliar gastos relacionados à pandemia neste ano eleitoral. O problema é a interpretação que se faz do que é “calamidade” e de seus efeitos.

Para o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Glademir Aroldi, por exemplo, “a falta de recursos para pagamento de salário também é causada pela pandemia”. O argumento é que houve sensível queda na arrecadação dos municípios em razão da crise e, portanto, a calamidade é generalizada, muito além de áreas como saúde, educação e trabalho, o que justificaria a inclusão de todas as despesas das prefeituras na exceção aberta pelo Congresso.

A penúria dos cofres públicos com a pandemia é evidente, em todos os níveis. Era necessário, portanto, que a União socorresse Estados e municípios, o que foi feito. O problema, desde sempre, é saber distinguir o que é gasto que resulta da pandemia e o que é gasto produzido por má gestão ou, simplesmente, com gastança e objetivos eleitoreiros. A diferença pode estar apenas nos escrúpulos dos gestores – algo que ultimamente anda escasso.

É dessa confusão que os oportunistas podem extrair preciosas vantagens na tentativa de se reeleger e também de escamotear dificuldades de caixa que são fruto de barbeiragem administrativa ou de demagogia. Nesse aspecto, a pandemia veio a calhar.

Ao mesmo tempo que serve como alegação para liberar a gastança de prefeituras em ano eleitoral, a pandemia também é explorada como oportunidade por candidatos neste ano. Como mostrou o Estado, 6 dos 14 candidatos à Prefeitura de São Paulo prometem alguma forma de auxílio em dinheiro, seja temporário, para os afetados diretamente pela crise, ou em caráter permanente, na forma de renda mínima.

Não espanta que esse seja um dos temas dominantes da campanha, malgrado o fato de que pouco ou nada tenha a ver diretamente com a administração municipal. Milhões de moradores da cidade estão em situação crítica e precisam de alguma forma de assistência emergencial. O problema, como sempre, é que os planos dos candidatos não estão lastreados na realidade fiscal do Município – que, diferentemente do governo federal, não pode emitir títulos para se financiar.

Além disso, um programa de renda mínima que valha somente em um município certamente atrairia habitantes de outras cidades, o que ampliaria consideravelmente a despesa da prefeitura e, consequentemente, a crise social.

É óbvio que nenhum candidato está muito preocupado com nada disso. O que interessa é vender a um eleitorado exaurido pela crise sanitária, econômica e social a ilusão de que é possível obter dinheiro do governo em troca de seu voto.

O atalho da irresponsabilidade fiscal em geral dá no despenhadeiro, como o País já devia ter aprendido após as amargas lições da hiperinflação e do caos econômico dos anos 80. Mas a pandemia, ao demandar soluções excepcionais e muitas vezes extremas, criou as condições para que políticos medíocres possam oferecer seu populismo como panaceia.

 

domingo, 18 de outubro de 2020

IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO DE SOJA É ZERADO E FILAS DE 1,8 MILHÕES DE PEDIDOS DE BENEFÍCIOS NO INSS À ESPERA DE RESPOSTA

 

Governo zera imposto de importação de soja e milho para tentar conter preços

Alimentos acumulam aumento de até 50% no ano, em alguns casos; medida semelhante já havia sido tomada para o arroz

Por FOLHAPRESS

 

Soja: valorização do dólar leva produtores a exportar grandes quantidades

 

O governo decidiu zerar o imposto de importação da soja e do milho para tentar conter os preços dos alimentos, que vêm registrando, em alguns casos, aumento superior a 50% no acumulado do ano.
No caso da soja, a redução valerá até 15 de janeiro de 2021 e incluirá grão, farelo e óleo. Para o milho, o corte ficará em vigor por mais tempo, até 31 de março.

"Ambas as medidas têm como motivação conter a alta de preços no setor de alimentos", afirmou o Ministério da Economia, em nota.

A decisão foi tomada pelo comitê-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), colegiado do governo que tem entre suas atribuições definir alíquotas de importação e exportação e fixar medidas de defesa comercial.

O comitê é integrado pela Presidência da República e pelos ministérios da Economia, das Relações Exteriores e da Agricultura. A reunião foi concluída no fim de sexta-feira (16) e o resultado foi divulgado neste sábado (17). De acordo com o governo, a proposta da soja foi apresentada pelo Ministério da Agricultura. Já a do milho, pela pasta da Economia.

As tarifas tradicionais aplicadas aos produtos são de 6% para farelo de soja, 8% para soja e milho, e 10% para óleo de soja.

O corte do imposto é realizado após medida similar ter sido tomada pelo governo há menos de um mês no caso do arroz. Na época, o governo já analisava iniciativas similares para milho e soja.

Em 9 de setembro, o governo decidiu zerar a alíquota de importação para o arroz em casca e beneficiado até 31 de dezembro deste ano. A medida também buscava conter a alta nos preços, segundo o governo.

Os dados mais recentes continuam mostrando aumento de preços para a alimentação do brasileiro.
O IPCA, índice oficial de inflação no país, fechou setembro com alta de 0,64%, acima dos 0,24% de agosto. Foi o maior índice para o mês desde 2003, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento foi impulsionado justamente pelo grupo alimentação e bebidas, com alta de 2,28% em setembro. Na categoria, a alta foi puxada pelo segmento de alimentos para consumo no domicílio (2,89%), com destaque para altas no óleo de soja (27,54%) e arroz (17,98%).

No ano, esses dois itens acumulam alta de 51,3% e 40,69%, respectivamente. As carnes variaram 4,53% em setembro.

A aceleração do preço dos alimentos prejudica sobretudo as famílias de baixa renda, que gastam uma parte maior de seu orçamento com essas despesas.

Compensa mais exportar

O gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov, afirmou neste mês que a alta nos preços do arroz e do óleo está relacionada à valorização do dólar e à maior demanda interna durante a pandemia, influenciada principalmente pelo pagamento do auxílio emergencial.

"O câmbio num patamar mais elevado estimula as exportações. Quando se exporta mais, reduz os produtos para o mercado doméstico e, com isso, temos uma alta nos preços. Outro fator é a demanda interna elevada, que, por conta dos programas de auxílio do governo, tem ajudado a manter os preços num patamar elevado", diz.

No caso do grão de soja, o gerente da pesquisa relacionou a alta à forte demanda da indústria de biodiesel.

Análise do Banco Inter sobre a inflação vai na mesma linha ao apontar que, embora a produção agrícola brasileira tenha apresentado bom desempenho nos últimos meses, parte desse excedente tem sido destinado à exportação, mais vantajosa para produtores com o real depreciado e maior demanda da China.

"Somado à forte demanda no varejo alimentício durante a pandemia, isso contribui para que os alimentos figurem entre os itens com maiores altas nos índices de preços", analisou o banco neste mês.
Outros alimentos tiveram aumento em setembro, como o tomate (11,72%) e o leite longa vida (6,01%).

Pior para os mais pobres

A inflação atingiu todas as faixas de renda do país no mês de setembro, informou estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado na última quarta-feira (14). Mas vem sendo mais acentuada entre a faixa de população mais pobre, que subiu 0,98%, enquanto os mais ricos tiveram crescimento na proporção de 0,29%.

A alta expressiva no preço dos alimentos em domicílio que vem ocorrendo desde março, início da pandemia da Covid-19 no Brasil, prejudica as famílias mais vulneráveis. Nos nove primeiros meses do ano, a inflação acumulada é de 2,5% entre os mais pobres, bem maior do que os 0,2% registrados entre a faixa mais rica da população.

 

INSS tem fila de 1,8 milhão de pedidos de benefícios à espera de resposta

Do total, cerca de 800 mil pedidos estão parados, em cumprimento de exigência, que é quando o segurado precisa entregar documentos


O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tem uma fila de mais de 1,8 milhão de pedidos de benefícios à espera de resposta do instituto. Os dados foram extraídos pelo órgão em 30 de setembro e fornecidos ao IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário) no último dia 5.

Do total, cerca de 800 mil pedidos estão parados, em cumprimento de exigência, que é quando o segurado precisa entregar documentos complementares para a análise da solicitação.

Segundo a advogada Adriane Bramante, presidente do IBDP, há alguns pontos que explicam os números. "A gente tem o problema da pandemia, tem o problema do estoque que já estava grande antes da pandemia. Muitos casos são de perícia, aguardando a exigência do segurado, aguardando algum documento. Então tudo isso contribuiu para esse número ser bastante expressivo", diz.

Adriane lembra que os prazos para cumprir exigência estão suspensos. Neste caso, o beneficiário tem mais tempo para conseguir a documentação necessária para análise de seu pedido, mas quanto mais demorar, mais tempo o instituto levará para dar uma resposta.

A especialista afirma ainda que há casos nos quais o segurado não consegue cumprir a exigência porque depende de documentação da empresa antiga, o que atrasa ainda mais o andamento da solicitação.

É possível entregar os documentos pela internet, no portal ou no aplicativo Meu INSS, ou na porta das agências, por meio de drive-thru, na chamada "exigência expressa". A medida foi adotada pelo INSS em agosto e deve ser válida até o fim deste mês, caso o instituto não faça prorrogação. Antes de ir a uma agência, é preciso agendar.

O cidadão que vai até o local deve ter o número do protocolo de agendamento e apresentar documento pessoal. Quem vai enviar os documentos pela internet pode fotografá-los e anexá-los pelo celular ou computador. Com a reabertura dos postos, é possível agendar horário para entregar os documentos a um servidor.

Para o Sinnsp (sindicato da categoria), o INSS tem um déficit de, no mínimo, 15 mil servidores. Os dados mostram que, desde 2015, 40% dos funcionários do instituto se aposentaram.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...