terça-feira, 28 de julho de 2020

O MINISTRO GUEDES QUER A CRIAÇÃO DE UM NOVO IMPOSTO SOBRE TRANSAÇÕES ELETRÔNICAS

Guedes cogita enviar proposta de nova CPMF até o fim de agosto

 

Alessandra Azevedo


 

© Marcos Correa/ PR Equipe de Guedes trabalha para antecipar projetos e diminuir resistências. A fim de ampliar o apoio às mudanças, o governo deve antecipar o envio das outras propostas para a reforma tributária ao Congresso até 15 de agosto. Quando apresentou a primeira parte, na semana passada, a intenção era encaminhar os próximos textos aos poucos, a partir do fim do mês que vem. Após sugerir unificar impostos federais sobre consumo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, agora, considera importante focar em dois pontos: desoneração da folha de pagamentos e criação de um imposto sobre transações eletrônicas — a retomada da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), só que digital.

Com a antecipação dos projetos, o governo acredita que será possível diminuir a resistência de setores econômicos à reforma e a desconfiança do mercado sobre a real chance de que ela vá além do texto básico proposto na semana passada. O envio de um projeto apenas com a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), no lugar do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), foi considerado insuficiente até por parlamentares aliados do presidente Jair Bolsonaro, além de fortemente criticado por grupos prejudicados pelas mudanças.

O setor de serviços, que representa cerca de 70% da economia brasileira, alega que a primeira proposta, sozinha, resultará em aumento de carga tributária, sem nenhum tipo de contrapartida. Para resolver o problema, o governo se apressa para enviar logo o projeto que tratará da desoneração da folha de pagamento, antes previsto para a quarta e última fase da reforma. Diante da redução dos encargos trabalhistas, as empresas gastarão menos com contratações, o que compensaria o possível aumento de carga com a CBS. Além disso, o benefício às empresas, em tese, desestimula demissões.

A proposta substituiria a aprovada pelo Congresso, vetada por Bolsonaro, que prorrogava a desoneração até 31 de dezembro de 2021 para 17 setores da economia, por meio da Medida Provisória (MP) 936. Guedes pretende enviar o projeto antes que os parlamentares derrubem o veto. “O projeto do governo será muito mais amplo”, afirmou Guilherme Afif Domingos, assessor especial do ministro. “Temos de desonerar para todos, não apenas para 17 setores.”

Para garantir que o governo terá como cobrir a perda arrecadatória e arcar com novos gastos, Guedes quer enviar, também até 15 de agosto, o projeto que prevê a criação da repaginada CPMF. A equipe econômica alega que a nova fonte de recursos será essencial para bancar não só a desoneração, mas também programas sociais, como o Renda Brasil, que substituirá o Bolsa Família. “Quase tudo reflete no Renda Brasil”, disse Afif. Como ainda estão em fase de elaboração, os projetos podem ser revistos, inclusive, o novo imposto, rejeitado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Ainda não há consenso na equipe econômica sobre o envio das propostas relativas à tributação sobre rendimentos, que seria assunto para a segunda fase da reforma. O ministro estuda mandar a parte que trata do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), em agosto, com corte de deduções, mas deixar para depois as mudanças em relação às empresas. Segundo Afif, “ainda não dá para garantir” que será enviada a proposta de taxação do dinheiro distribuído a acionistas e sócios por meio de dividendos. “Por enquanto, estamos tratando de pessoas físicas”, disse.

O senador Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso, reconhece que antecipar o projeto da desoneração facilita o andamento da reforma. Mas, segundo ele, a discussão de todas as propostas ao mesmo tempo pode ser complicada nas atuais circunstâncias. “Temos de levar em conta o ambiente de discussão. As sessões não estão presenciais ainda”, ponderou. Gomes acredita que será possível aprovar, ainda neste ano, a primeira parte, que cria a CBS.

 

LEI DO MARCO DO SANEAMENTO É QUESTIONADA NO STF


Toffoli deixa para Fux analisar ação contra o novo marco do saneamento

Poder360




© Nelson Jr./SCO/STF O atual presidente do STF, Dias Toffoli, e o presidente eleito, Luiz Fux, no plenário

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, não viu urgência na análise de ação apresentada pelo PDT contra trechos da lei que estabelece o Novo Marco do Saneamento. Com isso, a rejeição ou acolhimento dos argumentos do partido fica para análise do ministro Luiz Fux –relator original.
O caso foi enviado primeiramente ao gabinete da presidência do Supremo porque a Corte está em recesso.
O texto questionado pelos pedetistas foi aprovado no Senado em 25 de junho. Tem por objetivo universalizar o acesso ao serviço e, para isso, facilita a entrada de investimento privado no setor. Entenda a nova lei aqui.
A norma estabelece a possibilidade de exploração por blocos, onde haveria áreas de maior e menor interesse econômico licitadas em conjunto. A empresa vencedora da licitação tem de assumir as metas de universalização do saneamento básico em toda a área.
Para o PDT, a regra não garante que o investidor privado ou estatal conseguirá explorar o serviço sem exagerar na cobrança das tarifas.
Outro ponto questionado pela sigla é a obrigatoriedade de os municípios licitarem os serviços de saneamento. Antes, eles podiam fechar os contratos diretamente com as empresas públicas.
A sigla diz que haverá “inevitavelmente o desmonte das empresas estatais”“Terão seus ativos estiolados e muitas delas estavam, inclusive, avançando na direção da expansão de seus serviços e na melhora de sua eficiência”.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

QUE MUNDO TEREMOS APÓS A PANDEMIA?

O mundo vai se fechar

Mateus Simões 

 


O pós-pandemia vai apresentar a nós um outro mundo, bem diferente daquele que existia antes, em termos de hábitos, de fluxos humanos e financeiros. Mas que mundo será esse?

Três tendências parecem indicar que os países passarão por um fechamento: (i) os apoios à produção local, à indústria local e ao comércio local são já percebidos como uma forma de defesa contra a crise; (ii) o medo “sanitário” deve diminuir o fluxo de pessoas pelo mundo e mesmo dentro do país; (iii) o desemprego e o medo da possível extensão da crise financeira desestimulará o turismo e, com ele, o intercâmbio sócio-cultural.

Vamos viver uma onda nacionalista, no sentido de fechamento de economias se protegendo contra produtos estrangeiros, inclusive com possibilidade de criação de barreiras regulatórias e tarifárias?

Por outro lado, a queda global dos juros fará com que as reservas financeiras mundiais tendam a migrar de investimentos financeiros e dívidas públicas nacionais para a economia real, para evitar o que muitos já começam a ver como o fim do rentismo no mundo. Isso deveria fazer com o que aumente o fluxo financeiro internacional, com aporte de recursos em países, como o Brasil, que tem capacidade de produção e de expansão do seu parque industrial.

Mas se o mundo tiver se fechado, esses recursos virão? Se não vierem, provavelmente faltarão recursos para a necessária retomada econômica em países mais pobres, como o Brasil.

E se vierem os recursos, mas as economias mundiais estiverem fechadas para a produção, teríamos condição de aumentar a renda interna na velocidade necessária para absorver esse crescimento sem os mercados internacionais que por décadas garantem a sustentação da economia brasileira?

Os desafios que surgirão no pós-pandemia vão redesenhar o mundo e as finanças públicas e privadas. Temos de estar prontos e atentos, pois os riscos e oportunidades podem redesenhar o nosso futuro.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...