domingo, 19 de abril de 2020

REDE DE INTRIGA ENTRE OS TRÊS PODERES DA REPÚBLICA BRASILEIRA


Intrigas e acusações: três Poderes travam guerra durante a crise

Jorge Vasconcellos 





© Michel Jesus/Câmara dos Deputados Esta semana, Bolsonaro acusou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de ''trabalhar para destruir o Brasil'' Em um momento de grandes dificuldades e incertezas, a troca de comando no Ministério da Saúde está longe de estancar a crise política que dividiu o país. A disputa do presidente Jair Bolsonaro com governadores e o Congresso Nacional se intensificou, enquanto as mortes causadas pelo novo coronavírus se multiplicam e a rede hospitalar ameaça entrar em colapso. Ao mesmo tempo, a ofensiva do Planalto para afrouxar as medidas de distanciamento social, adotadas nos estados contra o avanço da pandemia, enfrenta a resistência do Supremo Tribunal Federal (STF), o que tensiona ainda mais a relação entre os Poderes.

Políticos de diferentes partidos e especialistas acompanham com preocupação os primeiros movimentos do novo ministro da Saúde, o oncologista Nelson Teich, que substituiu Luiz Henrique Mandetta, demitido na sexta-feira. Ao contrário do antecessor, Teich disse estar “totalmente alinhado” com o presidente, que é um defensor da reabertura do comércio e de outras medidas para acabar com o distanciamento social, na contramão das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da posição da maioria dos países.

O esforço do Brasil no enfrentamento da pandemia, segundo fontes ouvidas pelo Correio, foi contaminado pela disputa entre Bolsonaro e políticos que ele vê como ameaças ao projeto de reeleição. Os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), são virtuais candidatos ao pleito de 2022 e os maiores desafetos do presidente da República.

Essa rivalidade também é o pano de fundo da briga entre o Executivo e o Congresso em torno da ajuda financeira aos entes federativos, que enfrentavam dificuldades antes da pandemia e agora estão à beira do colapso. A Câmara aprovou um projeto que obriga a União a liberar R$ 80 bilhões para recompor as perdas dos estados e municípios com a queda na arrecadação do ICMS e do ISS. Contrário à proposta, o governo federal corre contra o tempo para barrá-la no Senado.

Esse projeto foi o pretexto para Bolsonaro abrir uma nova crise com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a quem acusou de “trabalhar para destruir o Brasil”. Além disso, o presidente da República teria confidenciado a aliados que Maia, João Doria e parte do STF estariam armando um golpe de Estado para tirá-lo do governo. Aos interlocutores, teria mencionado um dossiê com informações de inteligência que comprovaria o complô. Porém, nenhum documento foi apresentado como prova. Na sexta-feira, o presidente negou a veracidade das especulações.

É nesse clima de instabilidade entre os Poderes que o Brasil vai sendo tomado pelo avanço do novo coronavírus, cujos casos no país passaram de 30 mil, enquanto as mortes pela Covid-19 superam as 2 mil.

O deputado Flávio Nogueira (PDT-PI), que é médico pneumologista, diz que vê com bastante apreensão o aprofundamento da crise e lamenta que Bolsonaro se comporte como se ainda estivesse no palanque e siga governando apenas para o segmento que o elegeu em 2018. “O presidente está preocupado com o empresariado, está do lado do mercado, não pensa na proteção da vida, no drama das famílias, nas pessoas que estão doentes, que estão morrendo”, disse o parlamentar.

O deputado Ricardo Barros (PP-PR), que foi ministro da Saúde durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), considera que Bolsonaro está correto nas críticas que faz ao distanciamento social e na defesa do isolamento vertical. “Na minha opinião, formada também a partir de diferentes estudos científicos, apenas os idosos e os imunodeprimidos devem ficar em isolamento. Com o distanciamento social, o país está pagando um preço econômico por uma solução que não está sendo entregue”, afirmou Barros.

Queda de braço

O presidente da República anunciou que pretende apresentar um projeto de lei ampliando o rol das atividades essenciais que devem continuar funcionando durante a pandemia. Porém, o STF reafirmou que cabe aos estados a definição das medidas locais para conter o avanço da Covid-19.

As reações de membros dos Poderes Legislativo e Judiciário às ofensivas de Bolsonaro na crise se transformaram em um anteparo na defesa das medidas que visam proteger a população e apoiar a recuperação econômica dos estados e municípios.

Thiago Sorrentino, professor de direito do Estado do Ibmec Brasília, lamenta que, independentemente de quem for o vencedor da queda de braço entre o presidente e os governadores, “o perdedor será a população brasileira”. “Na melhor das hipóteses, estamos perdendo tempo precioso para tomar as medidas mais eficientes para debelar a crise. Na pior, há o risco de ruptura institucional”, disse.

Para o advogado constitucionalista Vladimir Feijó, a crise do novo coronavírus mostra com clareza que “vivemos num Estado de Direito, não havendo espaço para autoritarismos”. “A Constituição prevê a harmonia entre os poderes. Isso não quer dizer conivência para os abusos dos outros, em conluio contra a soberania popular. A previsão é de exercício regular das funções prescritas para cada um deles, sem ingerência além do previsto, como parte do sistema de freios e contrapesos. Quando um dos poderes, ou mesmo uma autoridade de um dos poderes, pratica ilegalidade ou abuso, existem ferramentas para neutralizar esta conduta”, disse Feijó.

sábado, 18 de abril de 2020

COLUNA ESPLANADA DO DIA 18/04/2020


Povo na rua

Coluna Esplanada – Leandro Mazzini






Setor por setor, semana por semana, em horários controlados. A abertura gradativa e planejada é o trunfo do Governo federal para o País voltar à normalidade em maio, mesmo diante do acalorado debate popular sobre o ‘fica em casa’ ou ‘sai pra rua’, e as medidas de prevenção baseadas na ciência. Conforme a Coluna antecipou na quarta-feira, maio é o mês que será o teste para o presidente Jair Bolsonaro colocar o país de volta no rumo, mesmo devagar. Mas o compromisso é mútuo – a população será cobrada a fazer sua parte, com foco no distanciamento pessoal, uso de máscaras e práticas de higiene, além de evitar festas e aglomerações.
Em Brasília
Pioneiro no decreto do confinamento, Ibaneis Rocha, governador do DF, se antecipou ontem e avisou que vai reabrir o comércio dia 3 de maio. Mas as aulas, só voltam junho.
Brazilian way..
A política do presidente Donald Trump junto a ilegais nos Estados Unidos tem sido rígida. De janeiro de 2019 até ontem, 971 brasileiros foram repatriados.
.of life
Já o Brasil avança, como pode, na concessão de refúgio a estrangeiros. Foram 120 este ano – 51 deles venezuelanos. Número baixo pela quantidade que entra legalmente.
Novos brazucas
Os cidadãos que mais conseguem refúgio no Brasil, além da Venezuela, são egressos de Síria, Cuba, Togo, Guiné, Palestina, Paquistão, Quênia, Mauritânia e Iraque.

Perderam
Nem os militares, que torciam pelo almirante Antonio Barra (Anvisa), nem parte da bancada da saúde, que fazia lobby por Osmar Terra. O presidente Bolsonaro trouxe Nelson Teich para o ministério da Saúde, apadrinhado por empresários judeus paulistas.
À prova
O médico Teich é a saída para um chefe que não quer político palanqueiro na vaga. Teich pode ser uma guinada, ou um desafio imenso, por não ter contato com a frente parlamentar da Saúde. Os próximos meses mostrarão se terá ginga no cargo.

Sofra, brasileiro
De quem conhece os meandros do ministério de vários Governos: só a transição, com troca de informações essenciais entre equipes de Mandetta e Teich, vai durar um mês.
Nos trilhos
Avança em Brasília o projeto da construção da linha do VLT ligando o Aeroporto JK ao fim da Asa Norte – com estações a cada 500 metros nas vias W3. A BF Capital, comandanda por Renato Sucupira, tem contato semanal com a equipe do Governo do DF para a conclusão do planejamento.

Custo-benefício
“A ideia é a reurbanização das vias W3 Norte e Sul, um projeto que vai ajudar na mobilidade urbana da capital, revitalizar a avenida, fortalecer o comércio”, conta Sucupira, ressaltando ser um veículo movido a energia limpa. A previsão é de funcionamento até meados de 2022. É o famoso value for money com retorno social.

Coronamulta 
Caso estranho na turística Pirenópolis (GO) – que tem até conselho fiscalizador nomeado pela prefeitura, no combate ao coronavírus. Uma senhorinha, moradora, recebeu poucos familiares em casa, foi flagrada e multada em 10 salários mínimos. O “fiscal” deu prazo de 5 dias para ela recorrer – quatro dias ‘caíram’ no último feriadão. Ela perdeu o prazo e chora o prejuízo do dinheiro que nem tem.

Bibo..
A exemplo dos petistas que incluem Lula no sobrenome, homenagem ao ex-presidente, o deputado Bibo Nunes (PSL-RS) adotou o Bibolsonaro. E criou página no Facebook.

Quatro rodas
Com os aviões no chão e a maioria dos aeroportos fechados, a Movida está procurando vagas em várias 9 cidades ( 6 delas, capitais ) para estacionar mais de 7,3 mil carros.
Com Walmor Parente e Equipe DF, SP e Nordeste
reportagem@colunaesplanada.com.br

PROJETO DE AJUDA AOS ESTADOS FAZ O ROMPIMENTO DE MAIA E GUEDES


Socorro a Estados provoca rompimento de Maia e Guedes

Adriana Fernandes 




© Gabriela Biló / Estadão Desgaste começou por controle de R$ 30 bilhões do Orçamento

BRASÍLIA – A votação do projeto de socorro emergencial do governo a Estados e municípios rompeu a relação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Os dois não têm mais contato, como revelou o próprio presidente Jair Bolsonaro em entrevista após a demissão de Luiz Henrique Mandetta do cargo de ministro da Saúde.
Guedes está convencido que Maia trabalha para “explodir” as finanças de Bolsonaro e inviabilizar uma recuperação econômica do País numa articulação com os dois principais adversários do presidente: os governadores João Doria (São Paulo) e Wilson Witzel (Rio de Janeiro).

A auxiliares e amigos, Guedes tem repetido nas últimas semanas que o governo não vai financiar o que chama de “farra eleitoral” com disfarce de combate à covid-19. O ministro compartilha da visão do presidente, que, em entrevista à CNN, acusou Maia de querer dar um golpe político no governo ao colocar os governadores contra Bolsonaro e posar de “primeiro-ministro”.Como pano de fundo da guerra estão as disputas eleitorais deste ano e, mais à frente, a corrida pela Presidência em 2022.
O presidente da Câmara considera que os R$ 40 bilhões oferecidos aos governadores e prefeitos é muito pouco diante do tamanho do problema e que o Palácio do Planalto age para prejudicar a ação dos seus dois principais adversários, justamente nos Estados com mais vítimas.
Numa das últimas mensagens trocadas com Maia, o ministro mandou uma mensagem pelo celular acompanhada de artigo dos economistas Marcos Lisboa e Marcos Mendes alertando para o problema que a proposta de ajuda aos Estados poderia gerar. A resposta do outro lado: “Está tudo tranquilo. Eu vou aprovar”. Guedes disse que não havia acordo. “Daqui não passo”, declarou o ministro da Economia, que vem chamando o projeto da Câmara de “arrombamento geral da República”.
Desgaste começou por controle de R$ 30 bilhões
Embora a gota d´água da discórdia tenha sido a decisão de Maia de colocar em votação o projeto com um custo considerado alto demais para a equipe econômica, o desgaste já vinha de antes: da disputa pelo controle de R$ 30 bilhões do Orçamento, previstos nas chamadas emendas de relator, que levou a embate duro com o Congresso antes da pandemia.
Enquanto o governo aposta no esvaziamento do poder de Maia junto aos líderes do Centrão com a aproximação do fim do seu mandato, o presidente da Câmara está certo que Bolsonaro será rendido pelos fatos e terá que socorrer os Estados com muito mais dinheiro diante do avanço do coronavírus no Brasil.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...