sábado, 25 de janeiro de 2020

REINO UNIDO QUER FECHAR ACORDO COM O MERCOSUL


Reino Unido quer fechar acordo com Mercosul até dois anos após Brexit

Julia Lindner 






BRASÍLIA - O Reino Unido espera fechar o acordo de livre-comércio com o Mercosul em até dois anos após o Brexit, segundo uma fonte do governo britânico. A ideia é que o novo acordo tramite paralelamente ao tratado assinado no ano passado entre o bloco sul-americano e a União Europeia.
Esta semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, demonstrou otimismo em relação ao acordo. Em Davos, após encontro com o ministro britânico Sajid Javid, Guedes afirmou que o Brasil, por meio do Mercosul, deve ser um dos primeiros países a selar um acordo com o Reino Unido.
Uma autoridade britânica ouvida pelo Broadcast Político considera que não faria sentido o acordo entre Mercosul e Reino Unido seguir em ritmo diferente ao da União Europeia, já que os termos dos dois serão semelhantes. "Existe uma triangulação totalmente forte", avaliou.
Integrantes do governo brasileiro e representantes do governo britânico já têm preparado, há pelo menos um ano, toda a base analítica para iniciar formalmente a negociação com o Mercosul. Também há um diálogo aberto com empresários britânicos e brasileiros para tentar alinhar os termos.
A ideia é que o novo acordo entre Mercosul e Reino Unido seja "ainda mais liberal", segundo uma fonte britânica. Há, ainda, interesse por parte do Reino Unido de incluir regras de cibersegurança e base de dados. As cotas estabelecidas por produto também serão reavaliadas.
Além disso, será preciso alterar cláusulas da parte política do acordo firmado entre Mercosul e União Europeia para adaptá-la aos britânicos. Um dos pontos que eles não abrem mão, no entanto, é a questão da proteção ambiental e dos compromissos com o Acordo de Paris.
Há expectativa de que o presidente Jair Bolsonaro tenha um encontro com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, no G20. Na semana passada, Bolsonaro ligou para Johnson para parabenizá-lo pela vitória na eleição do país, em dezembro.
Também está em negociação com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, uma parceria entre o Brasil e o Reino Unido na área de segurança.


                             © Fabio Motta/ Estadão Paulo Guedes, ministro da Economia


DEVIDO AOS BONS RESULTADOS DO MINISTRO MORO QUEREM DESMEMBRAR O SEU MINISTÉRIO


À frente de ministério, Moro deu mais ênfase à segurança pública

Vinícius Valfré






BRASÍLIA – Em seu primeiro ano após abandonar a toga, o ex-juiz federal Sérgio Moro foi muito mais ministro da Segurança Pública do que da Justiça. Entre os programas e ações que deram mais visibilidade para o trabalho do ministro em 2019, estão medidas como a transferência de líderes de facções, o envio de homens da Força Nacional para auxiliar cidades e Estados, a criação de centros integrados de inteligência e o registro de apreensões recordes de drogas.
Embora tenha levantado como bandeira da gestão o combate à corrupção e ao crime organizado, os avanços foram mais visíveis nesta segunda. O isolamento de chefes de facções, como Marcos Willians Camacho, o Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), é tratado pela pasta como um dos fatores que levaram à redução de índices de violência – a taxa de homicídios caiu 20% em 2019 em relação ao ano anterior e roubos a bancos foram 36% menores.
A influência da gestão de Moro na queda da criminalidade é contestada por governadores e especialistas, que veem uma tentativa do ministro de capitalizar os bons resultados da área após não conseguir avançar com pautas anticorrupção, como o seu pacote anticrime, desidratado no Congresso.
Coube justamente aos secretários estaduais levar a Bolsonaro o pedido para recriação do Ministério da Segurança Pública, hoje incorporado ao da Justiça. Se concretizada, a divisão faria Moro perder uma série de atribuições, inclusive o comando da Polícia Federal. A separação foi, por ora, descartada pelo presidente.
Presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima avaliou que o fato de Moro ter se voltado mais para ações da Segurança do que para as da Justiça ajudou a alimentar a polêmica do desmembramento.
“O presidente fez um discurso muito forte de segurança que interagiu com o sentimento de medo da população. Criou ambiente favorável para o ministro reivindicar o que os indicadores sinalizam desde 2018. Dá pra dizer que ele (Moro) foi, em 2019, mais ministro da Segurança do que da Justiça”, disse o especialista. “As medidas de Justiça esbarraram no Congresso, no Supremo Tribunal Federal e na lógica da política brasileira.”
Ao aceitar o convite de Bolsonaro e abandonar 22 anos de magistratura para assumir o posto no Executivo, Moro justificou a decisão à época com a possibilidade de endurecer a legislação anticorrupção no País. Logo em fevereiro, enviou ao Congresso uma série de projetos, batizada de pacote anticrime, que previa, como carro-chefe, medidas como a prisão após condenação em segunda instância, o plea bargain – acordo prévio em que o acusado confessa o crime para evitar uma ação judicial – e a criminalização do caixa 2. Nenhuma delas foi aprovada.
Diante de um pacote anticrime desidratado, Moro apostou no combate às facções criminosas para marcar o primeiro ano da gestão. Comemorou o crescimento da arrecadação de Fundo Antidrogas, proveniente da venda de bens de traficantes, de R$ 44,6 milhões para R$ 91,7 milhões; viabilizou 29 delegacias de combate à corrupção nos Estados; e aumentou em 600% a coleta de DNA para apontar autorias de crimes.
Especialistas também citam como ação relevante de Moro para a área de segurança o projeto “Em Frente, Brasil”, medida ainda em fase de teste que prevê o reforço do policiamento com agentes da Força Nacional em cidades que apresentam altos índices de criminalidade. Lançado em agosto, a medida funciona apenas em cinco cidades por enquanto.



© Dida Sampaio/Estadão A Força Nacional de Segurança foi criada em 2004 e desde então é formada por policiais cedidos dos Estados e treinados em Brasília para atuação em ocasiões extraordinárias

Por outro lado, em vídeo institucional no qual apresentou o balanço do ano, o ministério lista como ações que seriam atreladas à parte “Justiça” do ministério a aceleração na naturalização de estrangeiros, a expulsão de condenados e o combate tráfico de pessoas. Na peça, a pasta não apresenta números.
Eficiência
Diretora executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo disse acreditar que uma pasta específica da Segurança Pública poderia dar eficiência às políticas públicas. Contudo, a advogada e socióloga pondera que o debate que marcou a semana não teve esse propósito, uma vez que a discussão foi concentrada na retirada ou não do poder do Moro.
“Precisamos ter uma instância governamental com foco específico. O Ministério da Justiça tem muitas atribuições concorrentes. Isso dificulta priorizar o tema da segurança. Em nenhum momento se falou de um impacto disso para a política de segurança”, afirmou.
Já para Rafael Alcadipani, professor da FGV de São Paulo e pesquisador dos temas relacionados à segurança pública, uma Secretaria Nacional de Segurança Pública forte, ainda que atrelada à pasta da Justiça, bastaria. Ele também critica os reais objetivos de uma eventual divisão das pastas.
“A bancada da bala quer um ministério para chamar de seu. Os indicadores estão caindo e é o Sérgio Moro quem está sendo apontado como responsável. Essa bancada e o Bolsonaro perceberam que não é interessante deixar o Moro ser essa figura. É uma questão de protagonismo”, avaliou. / COLABOROU JULIA LINDNER

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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