quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

ELEIÇÕES DE 2020 DESAFIAM PT E PSDB


Eleições de 2020 desafiam PSDB a se manter no topo e PT a se reerguer

Douglas Rodrigues 

 

© Sérgio Lima/Poder360 O governador de São Paulo, João Doria, durante congresso do PSDB realizado em dezembro de 2019, em Brasília

O desafio do ano para o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) será manter seu poder nas cidades mais importantes do Brasil. A sigla tem o comando de 30 das 96 cidades mais populosas do país, grupo que reúne as 26 capitais e outros 70 municípios com mais de 200 mil eleitores.
Os tucanos governam hoje 20,9 milhões de eleitores em todo o país, tendo alcançado nas eleições municipais de 2016 resultado nunca alcançado nos últimos 24 anos. Manter isso vai ser difícil. O resultado das urnas em 2018 decepcionou a sigla. O candidato à Presidência pelo PSDB naquele governo, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, não conseguiu decolar em nenhum momento do pleito e terminou a disputa na 4ª posição, alcançando só 4,8% dos votos (5 milhões).
Em todo o país todo, o MDB (ex-PMDB) segue como a sigla com maior número de prefeitos. Mas, no segmento dos grandes centros urbanos, fica em 2º lugar, com 15 prefeituras. Depois, está o PSB, com 7. Em seguida, aparecem o DEM, PSD e PDT com 6 cidades cada.
O PT quer aproveitar o entusiasmo com a liberdade do ex-presidente Lula para se reerguer e reconquistar o comando de grandes prefeituras. O partido vem perdendo força nos municípios de 2008 para cá. Naquele ano, chegou a ter o comando de 25 cidades com 200 mil ou mais eleitores. Em 2012, esse número caiu para 18. Em 2016, o partido passou a contar apenas com 1 prefeito em grandes cidades: Marcus Alexandre na capital acreana, Rio Branco. No entanto, o político renunciou ao cargo em 2018 para disputar o governo estadual. Não obteve sucesso.



© Fornecido por Poder360

Eleitorado de 2020
Atualmente o Brasil tem 5.570 cidades. Não há eleições municipais no Distrito Federal e em Fernando de Noronha (PE). Em Brasília (capital federal), onde há 2 milhões de eleitores, há 1 governador e deputados distritais. Já a cidade pernambucana é considerada 1 distrito do Estado, não tem prefeito e o número de eleitores é pequeno –pouco mais de 2.700. O governador pernambucano nomeia 1 administrador para cuidar da região.
Ao todo, 5.568 municípios vão eleger seus prefeitos e vereadores em outubro de 2020. A maior parte dos eleitores se concentra nos grandes centros urbanos.
As 96 cidades mais importantes do país –apesar de representarem apenas 1,7% dos municípios totais– concentram 38,7% do eleitorado (55,8 milhões). Portanto, o desempenho de cada partido nesse grupo é importante.
Aliás, é só nelas que há possibilidade de 2º turno. Isso ocorre quando nenhum dos candidatos a prefeito obtém, pelo menos, 50% dos votos válidos (eis a explicação do TSE).
A Constituição determina que o 1º turno seja sempre realizado no 1º domingo de outubro do ano eleitoral (4 de outubro em 2020). O 2º turno, quando houver, será no último domingo do mesmo mês (25 de outubro de 2020).
No Brasil inteiro, há 147,4 milhões de pessoas habilitadas a votar nas eleições municipais. No G96, os tucanos governam 20,9 milhões de eleitores. Em seguida estão MDB (5,8 milhões) e Republicanos (4,8 milhões)
Eis a evolução dos partidos em todo o país:



© Fornecido por Poder360

Bolsonaro quer partido próprio
A onda bolsonarista que varreu as eleições de 2018 deve ter impacto em 2020. O presidente Jair Bolsonaro quer fundar o partido Aliança pelo Brasil e ter representantes em várias cidades. Ele lançou a sigla em 21 de novembro de 2019.
A agremiação, no entanto, precisa estar registrada no TSE até 6 meses antes do pleito para poder disputar prefeituras. Ou seja, no começo de abril. Antes disso, deve coletar ao menos 492 mil assinaturas.
No último domingo (29), a sigla anunciou já ter ultrapassado a marca de 100.000 assinaturas. É provável que a legenda, com o apelo do presidente, consiga coletar todas as assinaturas necessárias e entregar até 20 de janeiro. Será difícil que processo de validação e registro seja concluído em tempo. Seria 1 recorde. A ver.

FUGA ESPETACULAR DE EMPRESÁRIO BRASILEIRO DO JAPÃO PARA O LÍBANO


A surpreendente fuga do empresário brasileiro Carlos Ghosn de prisão domiciliar no Japão para o Líbano

 
 
© Reuters Ainda não está claro como Carlos Ghosn conseguiu deixar o Japão
O ex-presidente da Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, viajou ao Líbano após fugir do Japão, onde é acusado de crimes financeiros.

Num comunicado, Ghosn disse que não fugiu da Justiça, mas sim "da injustiça e da perseguição política". O advogado Junichiro Hironaka, que representa o brasileiro, afirmou que está "estupefato" com a notícia e que não falou recentemente com seu cliente.
Não está claro como Ghosn conseguiu deixar o país, já que ele estava impedido de viajar para o exterior e sob supervisão da Justiça.
O brasileiro, que tem um patrimônio estimado em US$ 120 milhões, era uma das figuras mais poderosas da indústria automotiva até ser preso em novembro de 2018. Ele nega ter cometido qualquer irregularidade.
O caso dele atraiu atenção internacional e os vários meses em que ficou na prisão levou a um questionamento sobre o sistema judicial japonês. O executivo de 65 anos nasceu no Brasil, é descendente de libaneses e passou parte da infância e juventude em Beirute, capital do Líbano, antes de completar os estudos em Paris.


© AFP Esta casa em Beirute pertence a Ghosn. A esposa dele, Carole, nasceu na capital libanesa

Ele possui passaportes francês, brasileiro e libanês. Mas seu advogado disse a repórteres em Tóquio, nesta terça (31), que a equipe de defesa de Ghosn ainda está com os documentos dele.
"Eu nem sei se conseguiremos contato com ele. Não sei como vamos prosseguir a partir de agora", disse Hironaka.
O Líbano não tem acordo de extradição com o Japão. Ghosn foi liberado da prisão em abril após pagar US$ 9 milhões em fiança e sob várias restrições que tinham como objetivo impedir que ele saísse do país.
O que diz o comunicado de Carlos Ghosn
O executivo brasileiro divulgou um breve comunicado depois que várias agências de notícias publicaram a informação de que ele teria viajado ao Líbano.
Ele confirmou que embarcou para o país do Oriente Médio e disse que "não vai mais ser mantido refém pelo viciado sistema de justiça japonês, em que a culpa é presumida, a discriminação é desenfreada e direitos humanos básicos são negados".
"Agora eu posso finalmente me comunicar livremente com a imprensa e espero começar a fazer isso na próxima semana."
Ghosn tem repetidamente negado qualquer irregularidade desde que foi preso pela primeira vez. Os advogados dele acusaram o governo japonês de conspirar contra seu cliente, dizendo que o processo teve "motivações políticas".
A esposa de Ghosn, Carole Ghosn, disse à BBC News em junho que autoridades tentaram "intimidar e humilhar" o casal.



© Getty Images Carole Ghosn (à direita, ao lado de Carlos Ghosn) chegou a dizer que pediria ajuda aos presidentes dos EUA e do Brasil e acusou o sistema judicial japonês de não respeitar os direitos do marido

Como o executivo conseguiu fugir do Japão é uma incógnita. Ghosn tinha que observar diversas restrições por determinação da Justiça desde que foi solto sob fiança.
Ele era monitorado por um sistema de vídeo em sua casa e tinha limitações para uso de celular e computador. Teve também que entregar os passaportes a seu advogado e necessitava pedir permissão a um juiz para passar mais de duas noites fora de casa.
De acordo com a agência de notícias japonesa Kyodo News, os termos da fiança não haviam sido modificados.
Vergonha e questionamentos no Japão
O correspondente da BBC News em Tóquio, Rupert Wingfield, diz que a fuga de Ghosn deixou na capital japonesa um sentimento de embaraço e muitas perguntas sem resposta.



© STEPHANE DE SAKUTIN/AFP/GETTY IMAGES As condições da soltura de Ghosn sob fiança incluíam monitoramento de sua casa com câmeras de segurança e a entrega dos do executivo passaportes aos advogados de defesa

Como uma figura tão conhecida, que teve de entregar seus passaportes, conseguiu deixar um país que não tem fronteira terrestre com nenhum outro?
A imprensa japonesa especula que Ghosn pode ter usado um outro passaporte, com nome diferente.
Promotores haviam alertado que, se o executivo fosse solto, havia um risco de fuga, devido ao seu amplo patrimônio e múltiplas cidadanias.
Que acusações Ghosn enfrenta?
Ghosn já foi considerado o "herói" do sucesso da Nissan e se tornou até personagem de revista em quadrinhos no Japão. Mas sua queda foi tão notável quanto sua ascensão.
Ele passou 108 dias sob custódia, após ser preso em Tóquio em novembro de 2018. A Nissan demitiu Ghosn três dias depois disso.
Promotores alegam que o executivo fez um pagamento multimilionário a um distribuidor da Nissan em Omã. A empresa japonesa, por sua vez, acusa Ghosn de desviar dinheiro da companhia para enriquecimento próprio.
Ele também é acusado pelos investigadores de ter reportado ao fisco remuneração menor do que a que recebia. Ghosn nega todas as acusações.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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