segunda-feira, 25 de novembro de 2019

CONGRESSO DIMINUIU O CONTROLE DAS VERBAS


PEC das emendas parlamentares tira fiscalização das mãos do TCU

Daniel Weterman, Felipe Frazão, Luci Ribeiro e Paula Reverbel 






© Dida Sampaio/Estadão Ao lado do deputado Rodrigo Maia, o senador Davi Alcolumbre apoia a medida  



BRASÍLIA - O Congresso se movimenta para aprovar e promulgar, tudo nesta semana, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para permitir que deputados e senadores negociem livremente com prefeitos e governadores o destino de emendas parlamentares individuais – sem vinculação com programas do governo federal, como é hoje. A ideia é permitir que as prefeituras tenham um dinheiro extra para usar onde quiserem antes das eleições municipais de outubro do ano que vem.
A proposta retira de órgãos federais a fiscalização desses recursos, o que daria margem a questionamentos jurídicos. Um dos atingidos será o Tribunal de Contas da União (TCU), que tem a prerrogativa de fiscalização do recurso federal, tarefa que passará a ser feita por órgãos de monitoramento locais. A medida foi criticada por procuradores da República, que dizem que ela enfraquece não apenas o combate à corrupção, mas também a “boa governança de recursos públicos” (mais informações nesta página).
Apresentada em 2015 pela então senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), hoje deputada federal, a PEC foi resgatada no Senado por Davi Alcolumbre (DEM-AP). O projeto tira o poder de manobra do Palácio do Planalto e dos ministérios na destinação dos recursos, mas, ao mesmo tempo, agiliza verbas aos municípios – promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro. Com isso, Bolsonaro pavimenta sua relação com prefeitos e parlamentares que exercem liderança regional.
A PEC foi aprovada na Câmara com 391 votos favoráveis e só 6 contrários na terça-feira. Contou ainda com o apoio da liderança do governo, que orientou o voto favorável à proposta. Ela deve passar pelo Senado amanhã, em dois turnos de votação, e já seguir para promulgação – diferentemente de projetos de lei e medidas provisórias, PECs não dependem de sanção presidencial.
Congresso já dá como certa a nova regra
Certo da viabilidade da estratégia e mesmo antes da aprovação da proposta, o Congresso reabriu na sexta-feira o prazo para parlamentares indicarem emendas ao Orçamento do ano que vem, já considerando a adoção das novas regras. Assim, deputados e senadores poderão alterar a indicação da emenda de uma obra específica, por exemplo, e deixar o dinheiro livre para os prefeitos.
Isso porque, pela proposta, prefeitos e governadores poderão escolher para onde vai o dinheiro. O texto assegura a transferência direta, a Estados e municípios, de 60% das emendas individuais, num total de R$ 5,7 bilhões, ainda no primeiro semestre do próximo ano.
Ao aprovar a PEC, a Câmara ignorou parecer técnico da Casa. A Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara avaliou que a medida poderia fragilizar o orçamento e desviar recursos das prioridades definidas pelo governo federal e aprovadas no Congresso. “Sem a especificação de despesas, afasta-se dos contribuintes e do público em geral o conhecimento da atividade e da política financeira aprovada pelo governo federal”, afirmava o parecer.
Quanto à reabertura do prazo para a indicação de emendas dentro das novas futuras regras, a assessoria da Comissão Mista de Orçamento (CMO) informou que essas emendas na nova modalidade serão analisadas pelo Comitê de Admissibilidade de Emendas, vinculado ao Congresso, só após a promulgação do texto e alegou que foi necessário reabrir o sistema antes disso para viabilizar a transferência dos recursos em 2020.
Fiscalização passará para tribunais de contas e promotores locais
A PEC havia sido resgatada pelo Senado neste ano. Em abril, os senadores aprovaram o texto. Como a Câmara alterou o conteúdo, a PEC retornará agora para análise do Senado. Parlamentares justificam a proposta com a necessidade de destravar recursos para a “ponta”, onde está o eleitorado, especialmente nos municípios.
Cada congressista tem direito a destinar R$ 15,9 milhões em emendas individuais por ano. O valor total dessas emendas será de quase R$ 10 bilhões em 2020. A Constituição manda que metade do montante seja aplicada em saúde. Na outra metade, os parlamentares escolherão se destinam os recursos na nova modalidade, chamada de “transferência especial”, ou na antiga, a “com finalidade definida”.
Na transferência livre, o dinheiro não será mais fiscalizado pelo TCU, e o controle caberá a tribunais de contas e promotores locais. A proposta provocou reação de auditores do tribunal. Nota da Associação da Auditoria de Controle Externo do TCU encaminhada a senadores diz que a pulverização da fiscalização dificulta o diagnóstico de fraudes sistêmicas na aplicação de recursos federais. “A proposta representa inaceitável retrocesso em relação aos avanços conquistados com a promulgação da Constituição de 1988, cujo resultado pode ser o aumento da percepção de impunidade.”
Mas, para o presidente da comissão especial da Câmara que analisou a proposta, Eduardo Bismarck (PDT-CE), a fiscalização por tribunais de contas e promotores locais vai ter mais eficiência. “Quem perde poder normalmente grita. Na hora em que eu levo a fiscalização para a ponta, ela é muito mais atuante”, afirmou. “A emenda serve para mostrar que o parlamentar conseguiu aquele recurso no momento adequado junto à população. O parlamentar precisa de visibilidade, mandar o dinheiro para determinada coisa e aquela coisa acontecer.”
'É estímulo para fazer coisa errada', diz presidente do TCU
O presidente do TCU, ministro José Múcio Monteiro, afirmou ontem ao Estado que está preocupado com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira do tribunal e de outros órgãos federais a fiscalização do uso de verbas da União repassadas a Estados e municípios que deve ser apreciada pelo Senado.
Múcio disse que tirar o TCU desse processo de averiguação do uso das emendas com recursos federais “é um estímulo para quem quer fazer a coisa errada”.
“Fico preocupado com essa mudança”, afirmou. “Imagine se a pessoa tiver a certeza de que não vai ser fiscalizada? É um estímulo para quem fazer a coisa errada”, destacou o ministro.
Múcio também ressaltou que “hoje já não é fácil fiscalizar as emendas carimbadas, imagine essas outras”. Apesar do receio, o presidente do TCU disse acreditar em um debate amplo sobre o tema e que isso não deve passar fácil no Congresso. “Eu acredito que isso ainda vai ter muita discussão. Tem que ser muito bem pensado. Afinal, é uma mudança radical tirar o controle do dinheiro público.”
Para procuradores, nova proposta enfraquece controles
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira de órgãos federais o controle sobre o uso de dinheiro repassado por deputados e senadores a Estados e municípios – e que está em vias de ser promulgada pelo Congresso nesta semana – enfraquece a boa governança de recursos públicos, segundo autoridades ouvidas pelo Estado.
“O dinheiro das emendas parlamentares é uma verba de origem federal e sempre teve fiscalização federal”, disse o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Fábio George Cruz da Nóbrega. Uma mudança, segundo ele, estaria subvertendo essa lógica. “(A PEC) retira a competência e a expertise construída pelos órgãos federais na fiscalização desses recursos – e aí eu coloco TCU, CGU (Controladoria- Geral da União), Polícia Federal e Ministério Público Federal.”


© Dida Sampaio/Estadao -19/4/2019 Para o procurador Vladimir Aras, obras podem ficar mal feitas

Para Vladimir Aras, procurador regional da República em Brasília, a proposta que tramita no Congresso tem o potencial de enfraquecer “o sistema de controle externo do dispêndio e aplicação de verbas públicas originalmente federais”.
Depois de examinar o texto aprovado pela Câmara, Aras fez duas objeções ao projeto. “A Caixa Econômica Federal deixaria de atuar no enquadramento e na fiscalização dos projetos, que não teriam finalidade específica nos Estados e municípios”, afirmou ao Estado.
O procurador apontou que a transferência de recursos como doação, sem vinculação a projetos, “acaba aumentando o risco de mau emprego, desperdício e até mesmo de desvio”. Ele disse ainda que os Tribunais de Contas locais “têm problemas de composição e não funcionam adequadamente em grande parte dos Estados”.
Na visão do procurador, embora as cidades precisem receber dinheiro de modo não burocrático, o sistema de doação direta pode comprometer o resultado. “Ou seja, obras e projetos importantes mal feitos ou desvirtuados”, argumentou.
Além de ter participado das investigações transnacionais da Operação Lava Jato, Aras foi o candidato à chefia do Ministério Público que contou com apoio reservado dos procuradores das forças-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Rio e São Paulo.
Pela regra atual, só verbas vindas de repartição de impostos têm fiscalização local
De acordo com Nóbrega, quando o assunto é desvio de recursos públicos, duas súmulas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinam o que é competência da Justiça Federal e o que fica aos cuidados das justiças dos Estados.
Atualmente, verbas de origem federal que são enviadas a Estados e municípios mediante convênios e contratos de repasse – caso das emendas – seguem sujeitos à fiscalização federal.
Cabe às autoridades locais fazer o acompanhamento nos casos em que o dinheiro é repassado a cidades e Estados por força de repartição de impostos, como no caso dos Fundos de Participação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

OS BRICS NÃO SÃO MAIS O FUTURO DA ECONOMIA


Mar de incertezas

Paula Cristina 





© Marcos Corrêa/PRENCONTRO DE EMERGENTES Presidentes da China, Xi Jinping; da Rússia, Vladimir Putin; do Brasil, Jair Bolsonaro; da Índia, Narendra Modi; e da Áwfrica do Sul, Cyril Ramaphosa se encontram em Brasília.


Em um passado não muito distante, quando se falava em futuro da economia global, as apostas residiam nos países emergentes. Vistos como protagonistas de uma nova era, nações como Brasil, Rússia, Índia, China, e África do Sul prometiam não cometer os mesmos erros de economias já consolidadas e desviar de uma crise em bloco como a que, em 2008, destroçou parte das finanças de países desenvolvidos. A promessa se concretizou, os emergentes não cometeram os mesmos erros dos primos ricos, mas enfrentam agora seus próprios paradoxos e crises que podem transformar o futuro promissor em um enorme vôo de galinha. Ao final do primeiro trimestre deste ano os países em desenvolvimento tinham – considerando passivos de empresas, governos, bancos e famílias – dívida de US$ 71,4 trilhões, ou 220% do Produto Interno Bruto (PIB) das nações, segundo relatório do Instituto Internacional de Finanças (IIF). A maior parte desses passivos (US$ 31 trilhões) está com as empresas, enquanto os governos têm dívidas de US$ 16,3 trilhões.
Com baixa atividade econômica, a expectativa é que os emergentes precisem renegociar passivos. Segundo o IIF há US$ 9,4 trilhões em bonds e empréstimos sindicalizados que vencem até o final de 2021, criando riscos de refinanciamento e impactos no crescimento mundial.
Para David Levy, presidente do centro de previsões Jerome Levy Forecasting Center, apesar de reduções na taxa média de juros e câmbio controlado, o cenário é desafiador. Na avaliação dele, as buscas desenfreadas por taxas de retorno altíssimas e alto endividamento são problemáticas. “A bolha de ativos deste ciclo será nos mercados emergentes”, afirma Levy. Como exemplo de instabilidade, Rui Baptistella, doutor em política econômica, cita o Chile – que tem a melhor classificação de crédito na América Latina, mas enfrenta crise interna e teve, em dois meses, desvalorização de 1,8% no valor de sua moeda. “A fuga de investimentos não será contornada no curto prazo.”
“A falta de segurança sobre o futuro tira investidores
dos países que ainda estão desenvolvimento”
Michael Gauss, professor do London School of Economics
Problemas parecidos enfrentam o Equador, com uma onda de protestos, e Argentina, onde a crise financeira se arrasta por anos, e a incerteza reside na condução econômica do presidente Alberto Fernández. A Bolívia, que tem um crescimento anual de 4%, também é uma incógnita após a saída de Evo Morales.
Quem compartilha desta opinião é Michael Gauss, professor de economia e ciências políticas do London School of Economics, na Inglaterra. Segundo ele um sintoma da tensão é que as vendas de títulos de mercados emergentes superaram, em agosto, o volume captado no acumulado de 2018. “Mesmo com as incertezas das economias consolidadas, a falta de segurança sobre o futuro tira investidores dos países em desenvolvimento.”
Gita Gopinath, Conselheira e Diretora do Departamento de Estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI) segue a mesma linha. Neste mês o FMI reviu as projeções de crescimento global para 3%, menor nível desde a crise de 2008. Entre os emergentes, a deterioração da indústria transformadora e queda do comércio mundial explicam esse enfraquecimento. “No geral, a o volume do comércio no primeiro semestre subiu só 1%, menor nível desde 2012”. Para reverter esse cenário Gita cita a importância dos governos reuduzirem barreiras comerciais, conter tensões políticas e sociais internas, fazer reformas estruturantes e reduzir a desigualdade. “O sistema de comércio mundial tem de ser aperfeiçoado, e não abandonado.”
Correndo atrás Para evitar que esta bolha estoure, presidentes dos países emergentes se reuniram, este mês, na 11ª Cúpula do Brics. O presidente Jair Bolsonaro, anfitrião do evento, disse ter “olhos postos no mundo, mas em primeiro lugar no Brasil”. Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, ressaltou que o País “demorou a chegar ao baile, mas quer dançar com todo mundo”, mostrando interesse em novos acordos comerciais. Ele aventou, inclusive, a chance de criar uma área de livre comércio com a China.


                                                                                                                             Fornecido por Três Editorial Ltda Já o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, defendeu uma discussão mais ampla sobre como combater o terrorismo. “O terrorismo, tráfico de drogas e crime organizado criam um clima de terror e comprometem nosso comércio e desenvolvimento”. Para o presidente da China, Xi Jinping, um dos papeis do Brics é criar ambiente de plena paz. “Devemos permanecer firmes ao nosso compromisso e oferecer desenvolvimento”, disse.
Em relação à Organização das Nações Unidas (ONU), Xi, disse que o Brics deve se opor ao hegemonismo. “Nos preocupamos com o aumento do protecionismo e unilateralismo “, disse. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também defendeu ampliação das relações dos países do bloco com outras nações. Na África do Sul, o tom do presidente Cyril Ramaphosa foi o de defender um mercado com maior valor agregado. “Nós, que somos exportadores de matéria-prima, queremos estar em um comércio de mais valor agregado”. Ele lembrou que a estratégia do Brics é de crescimento econômico inclusivo e voltado para erradicação da miséria.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...