quinta-feira, 14 de novembro de 2019

BRASIL QUER LIVRE COMÉRCIO COM A CHINA


Acordo comercial com a China esbarra em regulamento do Mercosul
 
© Gabriela Biló/Estadão Em encontro bilateral com a China, Paulo Guedes confirmou a negociação de um acordo comercial com o país da Ásia

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na quarta-feira, 13, que o Brasil conversa com a China sobre a possibilidade de estabelecer uma área de livre-comércio entre os dois países. Este tipo de acordo costuma prever uma fase de transição até o fim de todas as barreiras tarifárias na venda de produtos.
O Estadão/Broadcast apurou que as negociações estão em estágio inicial e que, formalmente, ainda não incluem a ideia de uma área de livre-comércio. Além disso, pelas regras do Mercosul, países membros do bloco não podem firmar individualmente acordos bilaterais que envolvam eliminação de tarifas.
Neste sentido, uma eventual negociação teria de acontecer entre a China e o Mercosul (mais informações nesta página). É o que faz hoje o bloco em conversas com Coreia do Sul, Canadá, Líbano e Singapura.
Segundo fontes, neste momento o objetivo é aumentar os itens na pauta de exportação para a China, hoje concentrada em três produtos: soja triturada (34%), óleos brutos de petróleo (24%) e minério de ferro (21%).
“Estamos conversando com a China sobre a possibilidade de considerarmos uma ‘free trade area’ (área de livre comércio). Estamos buscando um alto nível de integração. É uma decisão. Queremos nos integrar às cadeias globais. Perdemos tempo demais, temos pressa”, afirmou o ministro, em seminário do banco do Brics, em Brasília. A capital federal recebe desde ontem o encontro de cúpula do grupo, que reúne líderes de Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul.
Durante evento distinto do que teve Guedes como participante, o presidente Jair Bolsonaro ressaltou o desejo de uma maior aproximação com a China, mas não fez menção a um acordo de livre-comércio entre os dois países. “A China é nosso primeiro parceiro comercial e, juntamente com toda minha equipe, bem como com empresariado brasileiro, queremos mais que ampliar, queremos diversificar nossas relações comerciais”, disse Bolsonaro.
Já o presidente chinês, Xi Jinping, disse que a China está disposta a trabalhar com o Brasil “em pé de igualdade” para intercâmbio em diferentes áreas. Os dois países fecharam ontem acordos bilaterais em transporte, saúde, segurança, comunicações e agronegócio. O último possibilita a venda de melão brasileiro para a China em troca da importação de pera chinesa.
A China é hoje o maior parceiro comercial do País. De janeiro a outubro deste ano, o Brasil exportou US$ 21,5 bilhões a mais do que importou da China. Os chineses respondem por 27,8% das exportações e por 20% das importações. Sem entrar em detalhes, Guedes afirmou que o objetivo do Brasil é ampliar as trocas comerciais com o país asiático, ainda que isso signifique uma redução do superávit comercial do Brasil com o parceiro. “Não me incomodo se nossa balança (comercial) com a China se equilibrar lá na frente.”
Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro afirmou que o anúncio é positivo, mas ressaltou que, diferentemente do Brasil, a China possui baixos custos de produção e alta eficiência. Assim, uma eventual abertura afetaria principalmente o setor de manufatura brasileiro, que seria tomado por produtos chineses. “A indústria brasileira não está preparada para nenhuma abertura de mercado hoje”, disse ele.
Segundo fontes do governo, as conversas entre autoridades dos dois países incluem a formação de joint-ventures com empresas chinesas para manufaturar os produtos no Brasil, aumentando o valor agregado.
O Brasil tem uma demanda antiga para que os chineses abram o mercado interno a produtos agrícolas processados e semiprocessados, de maior valor agregado, como a soja, que poderiam ampliar os ganhos nas exportações.
Guedes não descartou acordos com outros países ou blocos comerciais. “Se pudermos passar para a área de livre-comércio com outras áreas do mundo, também queremos”, afirmou o ministro da Economia. “Queremos nos integrar. Vamos fazer 40 anos em quatro.”
No fim de julho, o Brasil iniciou oficialmente as negociações para o fechamento de um acordo comercial com os Estados Unidos, após o Mercosul ter fechado, semanas antes, um acordo de livre-comércio com a União Europeia. / FABRÍCIO DE CASTRO, LORENNA RODRIGUES, FELIPE FRAZÃO, MATEUS VARGAS E GUILHEME GUERRA

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

COLUNA ESPLANADA DO DIA 13/11/2019


A vingança do governo

Coluna Esplanada – Leandro Mazzini





Nos últimos anos, o lobby das seguradoras barrou projetos no Congresso que previam a extinção do DPVAT, o Seguro Obrigatório de Acidentes de Trânsito. Até uma CPI, criada em 2016, foi enterrada sem parecer e relatório final. Uma das propostas (PL 8.338/17), do deputado Lucas Vergílio (SD-GO), previa a criação de nova taxa. Já a CPI, criada à época para apurar fraudes do seguro obrigatório, foi questionada no Supremo Tribunal Federal por seguradoras. A comissão foi encerrada após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, indeferir pedido de prorrogação dos trabalhos. Os deputados da CPI assinaram um manifesto no qual resumiram: “Os trabalhos da comissão têm sido dificultados por forças ocultas e poderosas”.
Na conta
A Medida Provisória extingue o DPVAT no dia 1º de janeiro de 2020. O governo vai economizar R$ 9 bilhões, e garante que o SUS vai continuar a prestar assistência.
É pior
A Marinha do Brasil escalou sua tropa para percorrer a pé as principais praias do Nordeste. Eles têm encontrado novos e pequenos fragmentos do piche na maioria delas.
É pior 2
A força-tarefa que investiga as causas do vazamento do óleo não descarta – e seria o pior cenário – que possa ser fissura no fundo do mar deixada por uma plataforma.
Quem foi?
As Forças Armadas da Bolívia estão curiosas: quem voou no avião presidencial, um jato Gulfstream G650, de Santa Cruz para São Paulo. Não era Evo Morales. Eles flagraram uma rota anteontem no site flight radar 24h.
Pega fogo
Militantes ligados a Evo Morales invadiram e incendiaram um hotel de propriedade do senador oposicionista Arturo Murillo, em Cochabamba, contam fontes da Coluna. Ele diz que tentaram assassinar sua irmã e duas filhas, que se refugiaram em uma vila.
Compromisso verde
CEOs de 10 companhias associadas ao Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável se reúnem hoje em São Paulo para definir como o setor privado pode contribuir para o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia. Querem levar boas idéias para a COP do Clima em Madri, mês que vem.
Serviço$
Um estudo da Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse) desmistifica que o setor, em especial o de mão de obra, paga menos impostos, como afirmam defensores das PECs 45 e 110, da Reforma Tributária. “Os técnicos que fazem essa defesa só analisam parte da carga tributária, não levam em conta o peso dos tributos sobre folha de pagamento e nem a ausência de créditos tributários, como outros setores possuem”, diz o presidente da Cebrasse, João Diniz.
Comeu?
O secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Junior, ainda não deu explicações ao Ministério Público sobre afirmações de que a população pode consumir peixes de regiões atingidas pelo óleo no litoral nordestino. Seif garantiu que o pescado está “100% avaliado pelo Ministério da Agricultura, pelo Serviço de Inspeção Federal”.
Comeu nada...
A cobrança do MP se baseia em estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Instituto Ageu Magalhães (IAM) e do Laboratório de Saúde Ambiente e Trabalho (Lasat) que alertam para o estado de emergência em Saúde Pública no Nordeste. Nas últimas semanas, vários pescadores jogaram no lixo toneladas de peixes diariamente.
Turma do pier
A Câmara de Comércio Exterior aprovou a redução da alíquota do Imposto de Importação incidente sobre embarcações para o transporte de mercadorias de 14% para 0%. Com a medida, as empresas que importarem navios terão redução de cerca de 40% na carga tributária, para a aquisição de embarcações estrangeiras.
Leilão on-line
O crescente mercado de leilões on-line no Brasil chamou a atenção de multinacionais. A Copart, norte-americana, com ações na Nasdaq e presente no Brasil há sete anos, investe pesado. Adotou plataformas eletrônicas, ampliando o acesso de vendedores e compradores aos certames. Seu foco é leilão de veículos sinistrados.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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