quinta-feira, 29 de agosto de 2019

BOLSONARO ADIA ATÉ SETEMBRO A SANSÃO COM VETOS DO PROJETO DE ABUSO DE AUTORIDADE


'Estou entre a cruz e a espada', diz Bolsonaro de PL de abuso de autoridade

Rodolfo Costa 







O presidente Jair Bolsonaro deve segurar até o dia 5 de setembro a sanção, com vetos, do projeto de abuso de autoridade. Esse é o prazo final para que ele transforme em lei o Projeto de Lei (PL) 7.596/2017, que define 37 situações que configuram crimes de excesso de autoridades dos Ministérios Públicos estaduais e o Federal (MPF), das polícias estaduais e Federal (PF), Rodoviária Federal (PRF), dos auditores fiscais da Receita Federal, e da magistratura. O esgotamento do período de sanção se deve às ponderações em publicar a melhor proposta possível. “Estou entre a cruz e a espada. Se eu veto tudo, crio um problema com parte do Congresso e, obviamente, a população vai aplaudir. Se eu não vetar nada, crio problema com a população”, sinalizou o chefe do Executivo federal em reunião nesta quarta-feira (28/9).
As declarações não foram ditas por ele, mas vocacionadas pela líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), após o término de uma reunião que contou com a participação de ministros de Estado, líderes do governo, líderes e vice-líderes partidários, vários parlamentares do PSL, e entidades representativas das categorias que cobram de Bolsonaro cerca de 10 trechos do PL 7.596. “Ele está ponderando muito, não adiantou o que vai vetar, mas sabemos que vetará alguns pontos ali . A torcida é para que possa vetar alguns pontos. Mas, claro, tudo é uma costura política, pois o governo ainda tem, no mínimo, três anos e meio pela frente”, sustentou a parlamentar.
O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), iniciou a costura e a conversa com as entidades representativas ainda na segunda-feira da semana passada (19). Na quarta-feira daquela semana (21), ele se reuniu com Bolsonaro para discutir o tema. O parlamentar confirmou que o presidente não admitiu todos os pontos que serão vetados, mas citou os mais propensos a serem rejeitados. “Aquele que diz respeito à identificação do policial, o do uso (“irregular”) de algemas, alguns tipos penais que estavam muito abertos e causariam dificuldades para a atuação do promotor e juiz, e (um sobre) criminalização de certas violações às prerrogativas dos advogados”, afirmou.
O ministro da Justiça, Sérgio Moro, esteve presente na reunião e falou. “Sabemos que o ministro discorda do texto também, tanto que apresentou alguns pontos de veto, mas deixou bem claro que queremos, sim, punir o abuso de autoridade sem jamais interferir aí na eficiência e qualidade de investigações e punições”, destacou Joice. O trecho que pune agentes de segurança sobre o uso “irregular” de algemas a suspeitos que não tiverem certeza do risco de fuga, é um dos defendidos pelo ministro, e foi criticado pela líder do governo no Congresso. “Como você vai olhar pra cara de um bandido e (definir) ‘esse vai fugir, esse não vai fugir’. Não tem a menor condição um negócio desses. Depois, havia risco de fuga, e aí fica a palavra do bandido com a palavra da autoridade. Não tem pé nem cabeça uma coisa dessas”, avaliou.
Desafios
Os desafios da articulação política para manter os vetos de Bolsonaro são relevantes. Os trechos rejeitados pelo presidente serão avaliados em uma sessão do Congresso, com a presença de deputados e senadores. Na Câmara, o PL 7.596/2017 foi aprovado em votação simbólica, ao ter apoio 342 deputados pelo pedido de urgência. Somente 83 rejeitaram a urgência. Evitar um revés a esse nível é uma tarefa que vem sendo articulada por Joice e Vitor Hugo.

Os primeiros movimentos se iniciaram ainda quando Vitor Hugo sentiu que o clima político era desfavorável e a urgência seria aprovada por ampla maioria. “Quando vislumbramos no próprio Plenário que essa votação seria formada a partir da votação da urgência, já começamos a conversar com vários líderes naquele momento e houve”, explicou. Ele garante, contudo, que, mesmo líderes que orientaram voto favorável à votação de urgência, agora, sinalizam uma propensão diferente. “Algumas sinalizações no sentido de que determinados vetos, como em relação às algemas ou da identificação policial, haveria possibilidade maior, inclusive de líderes que votaram a favor desse projeto, de não derrubar os vetos”, afirmou.
Entretanto, nem todas as lideranças se mostram sensíveis a manter alguns vetos de Bolsonaro. No Congresso, as críticas são de que o governo não honrou compromissos fechados desde a votação da reforma da Previdência. Dessa forma, alguns parlamentares dão sinais favoráveis pela derrubada de vetos em resposta ao Palácio do Planalto. A articulação feita por Joice é para demover essa ideia. “Ontem houve cobranças de alguns parlamentares em relação aos acordos fechados do PLN 4 (que autorizou a abertura de crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões por meio de emissão de títulos) e da Previdência. Agora, fechamos acordos para serem cumpridos durante o ano, e não para serem cumpridos durante uma semana”, avisou.
A deputada pede calma aos parlamentares, que cobram não apenas emendas parlamentares, mas, também, a continuidade de programas de habitação e educação do governo.”Reclamaram ‘ah, o Minha Casa, Minha Vida’. Não vamos deixar o programa parar. Está tendo liberação de dinheiro conforme o dinheiro entra no caixa. O governo não tem árvore de dinheiro. Foi iso que expliquei ontem (terça-feira) aos parlamentare. Ninguém tem interesse de parar programa nenhum”, afirmou. Outras cobranças são referentes às bolsas do CNPq. “(Uns falam) ‘ah, o contingenciamento da educação’. Ninguém tem interesse que continue o contingenciamento da educação. Conforme há dinheiro, a gente vai liberar o dinheiro. Em relação às bolsas do CNPq, da mesma forma. Mas os compromissos foram fechados para que sejam cumpridos até o fim do ano, e não em uma semana, um mês, um mês e meio”, ponderou Joice.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

PAÍSES VIZINHOS DO BRASIL QUEREM UM PACTO GLOBAL SOBRE A AMAZÔNIA


Vizinhos contrariam Brasil e sugerem 'pacto' global

Estadão Conteúdo








Na contramão do Brasil, países sul-americanos passaram a pregar cooperação global para combater a destruição causada por incêndios na Amazônia, com apoio da União Europeia. Apelos mais fortes saem de países que, na esteira do desgaste brasileiro, ganham protagonismo na agenda ambiental, como Chile e Colômbia, ambos com governantes de direita simpáticos ao presidente Jair Bolsonaro.

Essas nações querem levar o debate à Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em setembro, em Nova York. A Bolívia, também afetada pelos incêndios, apoia o movimento.

Vários países já anunciaram apoio ao Brasil, mas até esta segunda-feira, (26), o Palácio do Planalto só informou que aceitou o envio de avião e equipamentos ofertados por Israel, um dos aliados preferenciais de Bolsonaro. Governos estaduais, como o Acre, pediram diretamente apoio às embaixadas sul-americanas.

Em dobradinha com o presidente francês, Emmanuel Macron, cuja relação com Bolsonaro se degradou, o presidente do Chile, Sebastian Piñera, assumiu a coordenação da ajuda oferecida pelo G-7. Piñera disse que a soberania dos países sul-americanos deve ser respeitada, mas que proteger a floresta "é dever de todos".

O presidente da Colômbia, Iván Duque, anunciou a intenção de liderar, entre países amazônicos, um "Pacto pela Conservação" e já falou sobre isso com Bolsonaro. Pelo Twitter, o brasileiro defendeu o plano, reiterando seu posicionamento de respeito à soberania dos países. 


COLUNA ESPLANADA DO DIA 28/08/2019


Sinal vermelho

Coluna Esplanada – Leandro Mazzini 






Os resultados da pesquisa CNT/MDA, que mostram que a avaliação negativa do governo Jair Bolsonaro saltou de 19% em fevereiro para 39,5% neste mês, acenderam o sinal vermelho no Palácio do Planalto. Embora o presidente mantenha o hábito de ignorar e desqualificar sondagens, ministros e assessores da Presidência consideram os dados “preocupantes”. Saúde (30,6%), Meio Ambiente (26,5%) e Educação (24,5%) foram apontados pelos entrevistados como as áreas de pior desempenho de Bolsonaro. Palacianos correm para divulgar uma agenda positiva nos próximos dias.
A galope
Outro dado que preocupa o governo é a avaliação pessoal do presidente: recuou de 57,5% para 41%; A desaprovação foi de 28,2% para 53,7% entre fevereiro e agosto.

PGR
Hoje, o nome de Bolsonaro para a Procuradoria Geral da República é o subprocurador Antonio Carlos Soares Martins, do Rio de Janeiro.

Fogo na língua
O ministro Onyx Lorenzoni queima a língua ao não revisitar a memória e citar incêndio da Catedral de Notre Dame. Pelo visto, cuidamos bem do Museu Nacional do Rio.

Aliança...
Entidades nacionais e internacionais, além de ONGs, declaram apoio à ação movida pela Advocacia-Geral da União para que fabricantes de cigarro paguem pelas despesas do poder público com o tratamento de doenças relacionadas ao tabagismo. A ação foi protocolada pela AGU na Justiça Federal do RS, no dia 21 de maio.

...contra tabaco
O pedido engloba os gastos dos últimos cinco anos na rede pública de saúde e indenização por danos morais coletivos. Entre as entidades que apoiam a ação contra a indústria tabagista estão a União Internacional contra a Tuberculose e Doenças do pulmão, Bloomberg Philanthropies e a Aliança de Controle do Tabagismo.

Muita fumaça
Anda nervosa a assessoria da cigarreira Souza Cruz, que se recusou a responder demanda sobre Grupo de Trabalho, no governo, que estudou redução da carga tributária

Queimadas
Em meio à crise das queimadas na Amazônia, a oposição na Câmara quer agilizar as audiências com ministros do governo em comissões da Casa. Os requerimentos já foram aprovados. Dois deles, da deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS), convocam Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, e Tarcísio Freitas, da Infraestrutura, para debaterem sobre o aumento do desmatamento.

Despesas
O aumento de despesas do governo - em especial com pessoal e Previdência - levou à redução de 24% das despesas discricionárias no 1º semestre de 2019 em comparação com o mesmo período de 2018. As discricionárias são despesas em que a União tem liberdade para definir a alocação dos recursos, de acordo com as necessidades.

O de sempre
Os orçamentos da Saúde, Educação e Transportes, por exemplo, caíram mais de 30% nos primeiros seis meses. A área da Saúde foi a que mais perdeu orçamento discricionário: caiu de R$ 16 bilhões, entre janeiro e junho de 2018, para R$ 9,2 bilhões durante o mesmo período deste ano. Os dados são do Boletim Macrofiscal elaborado pela Secretaria de Política Econômica.

Herdeiro
Quem presenciou a cena ontem no restaurante Piantella, notou que o deputado João Campos (PSB-PE), filho do saudoso presidenciável Eduardo, herdou do pai a simpatia e a ginga política. Foi tietado pela maioria dos presentes às mesas e posou para fotos.

Rota da gratidão
João Campos faz em Pernambuco a Rota da Gratidão, visitando as bases eleitorais para agradecer pela eleição para federal. Percebe que o país ainda vive um clima de 2018, dividido, e aponta o presidente Bolsonaro como um dos agentes protagonistas para a solução: “Quem teve o bônus da vitória tem o ônus de baixar a guarda”.
Esplanadeira
# A sede da Todde Advogados no Lago Norte, em Brasília, sedia hoje sarau com sete pianos para convidados.
# O III CaRIOca ProgFestival começa neste sábado, 31, em Niterói, no Rio, reunindo 13 bandas de rock progressivo.
Com Walmor Parente e Equipe DF, SP e Nordeste


AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...