Giuseppe Conte renuncia e Itália é abalada por crise política (de novo)
Gabriela Ruic
© Yara Nardi/Reuters Giuseppe Conte, primeiro
ministro italiano
Giuseppe Conte, líder da coalizão
governista entre o Movimento 5-Estrelas e o ultradireitista A Liga, renunciou
ao cargo de primeiro-ministro da Itália,
afundando o país em uma nova crise política.
O político anunciou a decisão de deixar o posto agora pouco, durante um
pronunciamento ao Senado.
A dissolução do Parlamento ainda depende do
presidente da Itália, Sergio Mattarella. No entanto, antes de fazê-lo e abrir
caminho para uma nova eleição, Mattarella deve tentar formar um novo governo.
Crises políticas não são notícias
raras na Itália. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, que completou 74 anos
em 2019, o país vivenciou 66 governos diferentes. Agora, chegará ao 67º, graças a uma estratégia duvidosa do ministro do Interior, o ultradireitista
Matteo Salvini, líder de A Liga, em mover uma moção de desconfiança
contra Conte. Ao desmantelar o governo, Salvini abriria caminho para uma
eleição.
Por trás dessa estratégia estão as pesquisas de
opinião extremamente favoráveis ao A Liga, e que podem projetar Salvini ao
cargo de primeiro-ministro, até então ocupado por Conte. Segundo estimativas
recentes, o partido e seu líder poderiam vencer novas eleições com 36% dos
votos. Em uma eventual coalizão com outro partido de extrema-direita, Irmãos da
Itália, a maioria no Parlamento estaria assegurada, assim como um governo agora
liderado por Salvini.
O drama começou no início de agosto, quando Salvini
veio à público colocar um ponto final na coalizão com o populista Movimento
5-Estrelas, que é liderado por Luigi Di Maio. Juntas, as siglas dominavam a
maioria no Parlamento do país. “Não há mais maioria no poder, então precisamos
devolver a escolha ao povo”, disse Salvini ao anunciar o rompimento, alegando
desentendimentos irreconciliáveis.


