quarta-feira, 4 de outubro de 2017

TEMPESTADE POLÍTICA EM BRASÍLIA



Chuva de pedras em Brasília

Manoel Hygino 






As chuvas chegaram ou estão chegando, dependendo da região deste país continental. Por enquanto, não houve elevação do nível das águas nas represas expressivas no fornecimento de água e energia às regiões mais populosas. Espera-se que melhore, embora a situação não mude muito com a velocidade esperada.
As tarifas, porém, já foram aumentadas e as contas de luz em outubro já serão acrescidas. No Dia de São Miguel, em que a crença popular indica como a primeira na temporada das águas do Norte de Minas, choveu no dia emblemático. Também em Belo Horizonte e outros pedaços do Brasil. Só há esperança, embora os preços do consumo energético já estejam definidos. Como também já o foi o horário de verão, que agrada e desagrada.
Em Brasília, o tempo permanece instável, alta temperatura política, o “affair” Aécio na boca das pessoas e dos parlamentares nas duas casas do Congresso Nacional. Enquanto isso, corre o tempo para votação da segunda denúncia contra Michel Temer, de que será relator o deputado Bonifácio Andrada, o mais longevo da Câmara. Os jornais comentam que – desde antes da Independência – num 1822 remoto, a família influencia a vida nacional. Não sem razão, há uma estátua de José Bonifácio, em Manhattan, em “Downtown” , perto de onde se toma a barca para a ilha em que se encontra a estátua da Liberdade.
A pauta é eminentemente política, mas o Judiciário se encontra na berlinda e o Executivo sob inusitada vigilância. O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, primo do ex-presidente Fernando Collor, manteve-se em evidência durante a semana finda, ao passo que o notório companheiro na mais alta corte do país, Gilmar Mendes, reduziu a exposição à imprensa. Do primeiro, ficou a frase: “estamos diante de uma crise institucional”, cujo conteúdo é amainado com o competente, “mas será suplantada porque a nossa democracia veio pra ficar”. Para servir a quem, eis a questão.
Antônio Machado, em festejada coluna, opina: “a crise real que nos consome é política, não econômica. A dúvida é se saberemos reinventá-la”. E, se não conseguimos? Pergunta o advogado do diabo. O jornalista explica: “a desordem política é a sequela de uma degeneração social ampla e irrestrita e disso poucos falam. Exemplos de um país sem rumo estão em toda parte”. Há casos terrivelmente cabeludos aguardando decisões no Supremo, enquanto ponderável parte do tributo arrecadado pela União, que passa de R$ 1,3 trilhão, é gasta sem critério.
Há inclinações à ingovernabilidade e isso tem de ser contido. Precisamos suportar pelo menos até o final do presente quatriênio. No ano que vem, a palavra final será do eleitorado, que se espera e se confia saber votar. Em meio a todo o pandemônio, o novo Refis, contendo o programa de refinanciamento de dívidas com a União, evolui à base de interesses espúrios. Aprovado com modificações, incluirá até acordo que beneficia empresas flagradas em esquema de desvio de dinheiro público.
Dentro de pouco mais de sessenta dias, alcançamos o ano eleitoral. O professor Sacha Calmon pergunta: “temos um projeto nacional?”. Sem resposta, a chuva fez cair pedras geladas sobre Brasília e redondezas. A advertência vem dos céus.

COLUNA ESPLANADA DO DIA 04/10/2017



CPMI aguarda dados telefônicos dos envolvidos no escândalo JBS

Coluna Esplanada – Leandro Mazzini 







Expira na sexta-feira, 6, o prazo para a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) remeter à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito a transferência dos sigilos telefônicos do empresário-presidiário Joesley Batista e de outros envolvidos no escândalos da JBS: o ex-procurador da Lava Jato Marcelo Miller, o advogado e delator Francisco de Assis e Silva e do ex-braço direito de Joesley, Ricardo Saud. De acordo com os ofícios encaminhados pelo presidente da CPMI, Ataídes Oliveira (PSDB-TO), as operadoras terão que informar todos os dados “do período entre 1° de janeiro de 2015 e 26 de setembro de 2017”.
Aparelho funcional
A CPMI solicitou a quebra do sigilo telefônico do aparelho funcional utilizado por Marcelo Miller enquanto despachava na Procuradoria-Geral da República.
Sigilo bancário
A comissão também espera receber, ainda nessa semana, da Microsoft e do Banco Central, a transferência do sigilo bancário e dos e-mails enviados e recebidos no endereço eletrônico marcellomiller@hotmail.com.
Pós-pressão
Depois da pressão do Ministério Público Federal, os honorários advocatícios pagos a servidores federais passaram, enfim, a ser divulgados no portal da Transparência do Governo Federal.
Desatualizados
No entanto, só estão disponíveis dados a partir de abril deste ano.
Indignação irônica
O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) ficou indignado com a divulgação de um falso áudio, atribuído a ele, em defesa da intervenção militar. “Na próxima campanha eleitoral vai levar a melhor quem souber desmentir boatos e não expor ideias”, pontua o senador antes de ironizar: “Minha maior surpresa foi receber parabéns por defender a ditadura militar”.
Fila partidária
Dos 68 partidos em formação no Brasil, dois aguardam julgamento do TSE: o Igualdade e o Muda Brasil. Este, criado pelo e-deputado Valdemar Costa Neto, condenado no escândalo do mensalão.
Grita
O deputado petista Paulo Pimenta (RS) afirma que não são coincidências e “sim evidências de que há um rearranjo dentro do Poder Judiciário contra Lula”.
Lástima
Em carta aos militantes, o instituto tucano Teotônio Vilela classifica como “lástima” a liderança do ex-presidente Lula nas pesquisas.
Revoga reforma
As centrais sindicais (CTB, CUT, UGT, Força Sindical, Nova Central e CSB) agendaram para o dia 10 de novembro paralisação nacional contra o que chamam de “retrocessos do governo golpista”. Antes, no dia 8, os sindicalistas vão entregar a parlamentares o abaixo-assinado que pede a revogação da reforma trabalhista.
Vai ter luta
De acordo com o secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, as centrais pretendem repetir o movimento do dia 28 de abril. “Vai ter luta e o movimento sindical não ficará parado diante de tantos ataques”, afirma.
Gás mineiro
Para o presidente da Gasmig, Pedro Magalhães, a economia de Minas Gerais está em ritmo de crescimento. Ampara-se na alta do consumo de gás industrial no Estado em 30%.
PIB capixaba
A Reunião Empresarial em Vitória reuniu 70 empresários para discutir Eleição 2018: o antes e o depois. O grupo de CEOs e grandes empresários capixabas, que se reúne bimestralmente, é comandado pelo consultor Clóvis Vieira, da Vieira & Rosenberg Associados.
Errata
Gabriel Chalita será candidato ao Governo de São Paulo pelo PDT e não pelo PMDB como dito ontem. Ele já foi pupilo de Temer, que o lançou à prefeitura anos atrás.
Ponto Final
“É com pesar que vou votar contra a decisão do Supremo, mas não estou agindo em defesa de um senador, e sim a favor da Constituição”
Do senador Lasier Martins (PSD-RS), ao justificar a afronta do Senado à decisão do STF no caso Aécio Neves.



terça-feira, 3 de outubro de 2017

JUIZ SERGIO MORO FOI AGRACIADO COM PRÊMIO CONCEDIDO PELA UNIVERSIDADE DE NOTRE DAME (EUA)



'Ditadura militar foi um grande erro', afirma Moro

Estadão Conteúdo









No evento, Moro admitiu estar "cansado" e disse que em Curitiba a Lava Jato "está indo para o final"

Agraciado nesta segunda-feira, 2, com um prêmio concedido pela Universidade de Notre Dame (EUA), o juiz federal Sérgio Moro disse que a ditadura militar no Brasil foi "um grande erro" e a "resposta aos males democráticos, como a corrupção, é o aprofundamento da democracia".

"Os cidadãos brasileiros recuperaram em 1985 todos os seus direitos e liberdades democráticas, depois de 20 anos de ditadura militar. As Forças Armadas tiveram um importante papel na história do Brasil", discursou Moro durante almoço no Hotel Fasano, em São Paulo. "Mas este período da ditadura militar foi, e não há dúvida disso, um grande erro."

Após o evento, questionado sobre as declarações recentes do general do Exército da ativa Antonio Hamilton Martins Mourão, que falou em possibilidade de intervenção diante da crise enfrentada pelo País, o juiz disse que o "aprofundamento da democracia" é "o caminho a ser perseguido". "Não creio que aquele comentário tinha esse propósito de anunciar uma coisa fora de uma preocupação com esses casos graves de corrupção", afirmou o magistrado.

No evento, Moro admitiu estar "cansado" e disse que em Curitiba a Lava Jato "está indo para o final". "É impossível dar uma previsão, apenas a única reflexão é assim que boa parte do trabalho tinha que ser feita foi feita", afirmou. "Até falei brincando outro dia que a gente estava ‘doido’ para voltar a julgar grandes traficantes de drogas. Dá menos trabalho." Ele, contudo, disse que "é impossível dar uma previsão" sobre o encerramento da operação na primeira instância. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


NOBEL DE FÍSICA DE 2017 - PREVISÃO DE EINSTEIN DE 1915 FOI CONFIRMADA RECENTEMENTE - ONDAS GRAVITACIONAIS EXISTEM



Nobel da Física vai para estudo sobre ondas gravitacionais

Estadão Conteúdo










No fim de 1915, Einstein revolucionou a física ao propor que a gravidade não é uma força de atração

O Prêmio Nobel da Física de 2017 foi concedido nesta terça-feira, 3, ao alemão Rainer Weiss e aos americanos Barry Barish e Kip Thorne pela criação, nos anos 1990, do observatório "Interferometer Gravitational-Wave Observator" (Ligo), nos Estados Unidos, que permitiu a detecção de ondas gravitacionais pela primeira vez na história.

De acordo com o comitê do Nobel, os cientistas laureados deram "decisivas contribuições ao detector Ligo e à observação de ondas gravitacionais". As ondas gravitacionais foram previstas por Albert Einstein em sua Teoria Geral da Relatividade, publicada há cem anos, mas, extremamente sutis, elas pareciam impossíveis de detectar.

A observação só aconteceu no dia 14 de setembro de 2015, no Ligo. Naquela data, os cientistas finalmente detectaram as tênues vibrações emitidas por dois buracos negros que giram um em torno do outro, a 1,3 bilhão de anos-luz da Terra.

A descoberta foi divulgada no dia 11 de fevereiro de 2016, com grande impacto mundial. "Em 14 de setembro, tudo mudou", afirmou Thorne na ocasião da divulgação. "Graças a essa descoberta, a humanidade embarca na maravilhosa exploração dos lugares mais extremos do Universo".

Antes da façanha, os físicos sempre utilizaram o espectro eletromagnético - que inclui a luz visível, o raio X e o infravermelho, por exemplo - para fazer suas descobertas. Mas o experimento provou que também é possível estudar o Universo a partir de outros tipos de ondas existentes.

A partir dali, os cientistas se convenceram de que, se é possível detectar ondas gravitacionais, talvez seja possível descrever fenômenos que não emitem ondas eletromagnéticas suficientemente significativas para serem observadas. "Antes nós víamos o Universo. Agora, nós começamos a ouvi-lo", disse Thorne na época.

No fim de 1915, Einstein revolucionou a física ao propor que a gravidade não é uma força de atração, mas uma distorção no tecido do tempo-espaço produzida por objetos que possuem massa.

Segundo a teoria, a distorção causada por corpos muito grandes e acelerados deveriam produzir ondas no espaço-tempo, de maneira semelhante às ondulações produzidas por uma pedra atirada na água. Mas a detecção dessas ondas gravitacionais era quase impossível, já que são minúsculas, com amplitude milhares de vezes menor que o comprimento de um próton.

Para conseguir a façanha, os cientistas observaram dois buracos negros que giraram um em torno do outro em uma galáxia distante, a 1,3 bilhão de anos-luz da Terra. Os dois corpos, com massa cerca de 30 vezes maior que a do Sol, aproximaram-se até se fundirem, gerando - por uma fração de segundo - uma grande emissão de ondas gravitacionais, cujos ecos foram "ouvidos". Além de observar as ondas, o experimento foi o primeiro na história a detectar um sistema binário de buracos negros em colisão.

Apesar do importante papel dos três laureados na descoberta das ondas gravitacionais, as pesquisas tiveram participação de mais de mil cientistas de 14 países, incluindo grupos brasileiros liderados por Odylio Aguilar, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e por Riccardo Sturani, do Centro Internacional de Física Teórica, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Outros prêmios

Em 2016, o Prêmio Nobel de Física foi concedido aos pesquisadores britânicos David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz por suas descobertas teóricas sobre estados exóticos da matéria, que abrem caminho para o desenvolvimento de novos materiais com propriedades incomuns.

Entre 1901 e 2016, 110 Prêmios Nobel de Física foram concedidos. Do total, 47 foram concedidos para um só pesquisador - apenas dois eram mulheres. Um só cientista, o americano John Bardeen, ganhou o prêmio de Física duas vezes, em 1956 e em 1972. O mais jovem laureado foi Lawrence Bragg, que com apenas 25 anos de idade dividiu o prêmio de 1915 com seu pai, Henry Bragg.

O prêmio de Física é o segundo da temporada do Nobel 2017. Na segunda-feira, 2, o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2017 foi concedido aos americanos Jeffrey Hall, Michael Rosbash e Michael Young, por suas descobertas sobre os mecanismos moleculares que controlam os chamados ritmos circadianos - uma espécie de relógio biológico interno que regula o metabolismo dos seres vivos.

Nesta quarta-feira, 4, será anunciado o vencedor do prêmio de Química. O prêmio Nobel da Paz será anunciado na sexta-feira, 6 e o das Ciências Econômicas na segunda-feira, 9. A data para o Prêmio Nobel da Literatura ainda não foi divulgada.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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