Estados Unidos
avaliam avião Super Tucano da Embraer
Estadão Conteúdo

O avião de ataque
A-29 Super Tucano, da Embraer Defesa e Segurança (EDS), será avaliado em julho
pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), para substituição do jato A-10
Javali na frota de ações contra alvos no solo. Os ensaios serão conduzidos no
complexo de Holloman, no Novo México. A observação ainda não é um programa,
todavia, especialistas militares americanos estimam que um futuro pacote, a ser
definido nos próximos anos, possa abranger mais de 120 unidades, valendo acima
de US$ 1,2 bilhão.
O convite é importante para a Embraer. A demanda por aeronaves da classe do
Super Tucano está em crescimento na Ásia, África, Oriente Médio e América
Latina. O convite do Pentágono é fator de prestígio, e eventualmente um bom
argumento comercial, em um segmento avaliado em US$ 3,5 bilhões, envolvendo encomendas
potenciais de 300 aeronaves. O principal produto militar da companhia já atua
regularmente na aviação do Afeganistão, Angola, Brasil, Burkina-Fasso, Chile,
Colômbia, Equador, Indonésia, EUA, Líbano, Mauritânia, Mali e Republica
Dominicana.
O viés do estudo OA-X (Conceito de Observação e ataque na sigla em inglês) é
definir os benefícios do uso de um modelo novo, de baix0 custo, e que não
requeira desenvolvimentos para fornecer o apoio tático à tropa, em missões em
ambiente de baixo risco - por exemplo, onde as defesas antiaéreas estiverem
limitadas a metralhadoras ou mísseis disparados do ombro de um soldado.
O modelo examinado deverá ter, ainda, capacidade para receber acessórios que
permitam realizar voos de coleta de informações de inteligência. A análise
considera uma solução em dois vieses: a compra de uma aeronave para fazer esse
trabalho mais leve, associada à modernização de uma parte da frota do A-10,
providência capaz de estender a vida útil do pesado e caro Javali até ao menos
2035.
O ágil turboélice A-29 não está sozinho na OA-X. A USAF convidou também as
empresas Beechcraft, com o AT-6 Wolverine - muito parecido com o Super Tucano
-, e a Textron Airland, por meio do Scorpion, o único jato do grupo. A
preocupação das autoridades americanas com o gasto operacional é grande. Uma
hora de voo do A-10 não sai por menos de US$ 17 mil. O novo F-35 Lightning
exige entre US$ 35 mil e US$ 42 mil. A despesa com o Super Tucano, pelo mesmo
tempo de emprego, fica na faixa entre US$ 1 mil e US$ 1,5 mil. "O nosso
produto é a solução ideal para a USAF porque é especialmente adequado para o
tipo de missão pretendido", disse Jackson Schneider, presidente da EDS.
Com uma vasta lista de admiradores e volumosa ficha de sucesso em combate, o
Javali, entrou em operação há 40 anos - ainda é eficiente, mas ficou velho. A
rigor, o A-10 foi desenhado em torno do maior canhão embarcado de sua classe: o
GAU-8 Vingador, um gigante de 300 kg, 6 metros de comprimento e 7 canos
rotativos de 30 mm. A arma é um metro mais comprida que o Mercedes Benz S/500L,
um dos maiores sedãs do catálogo da fabricante alemã.
Sucessão
A Comissão das Forças Armadas do Senado dos EUA quer que a desmobilização
comece já em 2017 no âmbito de um corte proposto de despesas da aviação militar
da ordem de US$ 4 bilhões. Não é tão simples.
"O A-10 é muito bom no que faz", diz o ex-piloto Bock Martin,
lembrando que nas duas guerras do Iraque, em 1991 e 2003, "foram cumpridos
mais de 4 mil ataques com os Javalis - o índice de êxitos foi superior a 94%,
um recorde - fica difícil tirar do ar um recurso eficiente assim". O
problema é que o A-10 não tem sucessor claro. A solução mais prática para o
problema, de acordo com os consultores do Pentágono, é submeter a um amplo
programa de modernização de 173 exemplares extraídos da atual frota pronta para
uso, cerca de 290 unidades - 160 delas compondo esquadrões em permanente
mobilização.
Esse conjunto permaneceria engajado nas tarefas mais pesadas. As missões mais
leves caberiam a uma outra aeronave, entre as avaliadas na OA-X. Leve vantagem
para o A-29 Super Tucano, da EDS.
Considerado o melhor de sua classe em produção no mundo, com 200 aviões
produzidos, e uso regular em 13 países contra insurgentes, no trabalho de apoio
aproximado da tropa em terra, o A-29 leva a vantagem de já ter sido escolhido
uma vez pelo Departamento de Defesa dos EUA e de já estar sendo fabricado em
território americano. Mais do que isso: o avião brasileiro é citado nos EUA em
todos os principais estudos a respeito da troca do A-10 como opção para atender
ao segundo viés do empreendimento: "ataque leve em território hostil de
baixo risco".
O Super Tucano foi selecionado pela Força Aérea dos EUA para ser comprado e
repassado para a aviação do Afeganistão. O contrato, de US$ 428 milhões, cobre
20 aviões. Parte desse lote, 8 aeronaves, permanecerá em território americano
servindo ao treinamento de pilotos na base de Moodys. Os 12 restantes já foram
entregues estão sendo empregados para atingir alvos do Taleban, da Al-Qaeda e
do Estado Islâmico. Entre janeiro e março de 2016 - único balanço oficial
divulgado - foram realizados 260 ataques. Em apenas um deles 42 líderes
radicais teriam sido eliminados, de acordo com o comando afegão de operações
aéreas.
A linha de produção americana fica em Jacksonville, na Flórida. É dessa
facilidade industrial, mantida em associação com o grupo Sierra Nevada Company,
que saem outras encomendas intermediadas em Washington, como os seis Super
Tucanos comprados em novembro de 2015 pelo Líbano. As informações são do
jornal O Estado de S. Paulo.