Magnata com trajetória de
polêmicas e vitórias assume hoje a Casa Branca
Da Redação com AFP
O Capitólio está, há semanas, sendo preparado para receber milhares de
pessoas na posse de Donald Trump
Menos de 17 meses foi o tempo que Donald Trump precisou para chegar
à Casa Branca, superando adversários que perseguiram este sonho por anos.
Mas a ambição política do bilionário que tomará posse hoje como o 45º
presidente dos Estados Unidos remonta a 1988. A solenidade que vai
oficializá-lo como o chefe de Estado mais poderoso do mundo começa às 12h30
(horário de Brasília).
Foi há quase três décadas, no palco do programa de televisão de Oprah
Winfrey, que o magnata deu sinais de que talvez quisesse algo além de poder
econômico.
“Se eu disputasse (as eleições), teria grandes chances de ganhar, porque
as pessoas estão cansadas de ver os Estados Unidos serem passados para trás”,
disse, na ocasião, aos 42 anos. Ontem, durante um breve discurso diante do
Memorial Lincoln, em Washington, ele prometeu que irá trabalhar para “unificar”
o país. “Realizaremos coisas que não foram feitas no nosso país por muitas
décadas”.
“Pensei que tinha perdido”, contou Trump, lembrando que alugou uma
pequena sala para a noite eleitoral em Nova York
Lançamento
Em 1999, Trump deixou o partido republicano e planejou brigar pela
nomeação do pequeno partido da Reforma, com um discurso de defesa dos
“trabalhadores”. Mas jogou a toalha quatro meses depois.
Apesar da desistência, foi nesta época que ele moldou a retórica
patriótica e de tendências protecionistas. O bilionário denunciava os países
que “enganavam” os EUA no comércio internacional.
Em junho de 2015, no hall da Trump Tower, em Manhattan, Trump anunciou a
candidatura e prometeu “tornar a América grande de novo”, fazendo rir
comentaristas.
Em dezembro, propôs fechar as fronteiras aos muçulmanos, pouco após os
atentados de Paris. Cresceu rapidamente nas pesquisas: 25, 30 e, por fim, 35%
dos simpatizantes republicanos conquistados. Em maio de 2016, foi escolhido
pelo partido para concorrer à Casa Branca.
Trump deixará o próprio Boeing no aeroporto de Nova York e passará a se
deslocar em uma aeronave da frota presidencial, o Air Force One
Hillary
Trump adotou tática de guerra contra Hillary Clinton, retratando-a como
uma elitista ligada a Wall Street. Durante toda a campanha, capitalizou sobre a
onda de descontentamento que varria os EUA, mas acabou favorecido mesmo pelo
vazamento de mensagens de Hillary pelo WikiLeaks e pelo renascimento do caso
dos e-mails dela.
O cenário, junto à mensagem de mudança de Trump, permitiram ao magnata
se destacar. O mundo descobriu com espanto que ex-eleitores brancos de Obama
nas classes populares votaram um pouco mais no candidato republicano do que nas
eleições anteriores.
Governo se prepara para fase de ‘combate’ com a imprensa
Donald Trump, em guerra com os meios de comunicação desde que sua
campanha começou, parece estar afiando os ataques contra as organizações que
desafiam seus pontos de vista, agora que se prepara para ocupar o Salão Oval.
A equipe de Trump insinuou que pode tirar da Casa Branca alguns grupos
de imprensa e tomar determinadas medidas para restringir o acesso dos meios à
nova administração.
Embora muitos presidentes americanos tenham tido relações tensas com os
jornalistas, Trump fez da depreciação da imprensa um elemento central da
mensagem de sua campanha, prenunciando uma relação complicada para os próximos
anos.
Na primeira e única coletiva de imprensa desde a eleição, em 11 de
janeiro, Trump começou atacando o site BuzzFeed News por publicar o que ele
considera um relatório falso sugerindo que a Rússia tinha informações
comprometedoras sobre ele.
Quando o correspondente da CNN para a Casa Branca, Kim Acosta, cuja rede
informou sobre as mesmas alegações, pediu para fazer uma pergunta, o presidente
eleito disse: “Você não” e, voltando a atacar: “Vocês são notícias falsas”.
Alguns, no entanto, acreditam que o tratamento hostil do governo aos
meios de comunicação pode ter um efeito positivo, já que impulsionará a
imprensa a desempenhar seu papel de inspetora em relação ao poder.
Republicano chega a Washington com vontade de trabalhar
Na véspera de prestar juramento como o novo presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump chegou de avião, ontem, a Washington para dar início a um
mandato de quatro anos determinado a transformar a política americana e deixar
o legado de Barack Obama para trás.
“Esta viagem começa e vou trabalhar e lutar muito para que esta seja uma
grande viagem também para os americanos. Não tenho dúvidas de que juntos
devolveremos a grandeza aos Estados Unidos”, publicou o republicano no Twitter
na manhã de ontem, antes de deixar Nova York.
O bilionário, que se vangloria de ter 20 milhões de seguidores na rede
social, deixou seu QG nova-iorquino, a Trump Tower, com destino à capital
federal, onde vai permanecer pelos próximos quatro anos, pelo menos.
Na capital americana, Donald Trump e seu vice, Mike Pence, serão
empossados em pomposa cerimônia hoje no Capitólio, que vem sendo preparado há
semanas para o grande evento.
A cerimônia de juramento, ao ar livre, acima da escadaria do centro
legislativo, começará ao meio-dia (15h de Brasília), como estabelecido na
Constituição, e será transmitida pela TV de todo o planeta, em um dia com
previsão de chuvas.
Centenas de milhares de cidadãos, entre partidários e opositores ao novo
presidente começaram a chegar à capital para participar deste ritual
democrático do qual vão participar dirigentes políticos de todo o país, entre
eles a adversária de Trump na disputa à Casa Branca, a democrata Hillary
Clinton e três ex-presidentes.
Mão na massa
O republicano prevê estampar sua assinatura em quatro ou cinco decretos
ainda hoje e em muitos outros, mais importantes, a partir de segunda-feira, com
a finalidade de desmontar tudo o possível da gestão de seu antecessor Barack
Obama sem esperar o Congresso, em temas como imigração, meio ambiente, energia,
direito trabalhista.
“Trump tem pressa real de chegar à Casa Branca e começar a trabalhar
para os americanos”, disse nesta quarta-feira seu vice-presidente, o
conservador Mike Pence, de 57 anos.
Discurso terá inspiração em Kennedy e Ronald Reagan
Em dezembro, em seu clube privado na Flórida, Donald Trump disse que
queria se inspirar em John F. Kennedy e Ronald Reagan em seu discurso de posse.
Em 1961, em plena Guerra Fria, o também democrata Kennedy conclamou seus
concidadãos, em seu discurso inaugural, a não reivindicar que os Estados Unidos
fizessem algo por eles, mas se perguntar o que eles podiam fazer pelo país. Em
1981, do mesmo partido, Reagan disse que “o governo não é a solução para nossos
problemas, o governo é o problema”.
Trump consultou vários historiadores, observou discursos de alguns de
seus antecessores e foi aconselhado por seus assessores, mas o texto que lerá
hoje será “um texto Trump. É ele que o redige, edita e corrige”, comentou seu
porta-voz, Sean Spicer.
A duração do discurso seria de 20 minutos, como o de Barack Obama em
2009, disse o porta-voz. Segundo ele, será um discurso “muito pessoal” e terá
um tom “filosófico”.
“Explicará o que significa ser americano, os desafios aos quais estamos
confrontados”, destacou, e evocará em particular o tema da educação.



