sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

MORRE MINISTRO DO STF RELATOR DA LAVA JATO



Corpo de Teori já estaria no IML de Angra; Janot prevê atraso no caso Odebrecht

Estadão Conteúdo
Hoje em Dia - Belo Horizonte









Embora nenhuma autoridade confirme oficialmente, pessoas que acompanharam o trabalho de resgate dos corpos das vítimas do acidente de avião que vitimou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, no mar de Paraty (RJ), afirmam que pelo menos dois corpos, de Teori e do empresário Carlos Alberto Figueiras, foram transportados para o Instituto Médico-Legal de Angra dos Reis, a 91 quilômetros de Paraty.

O corpo do piloto do avião já foi resgatado, mas não há certeza de que teria sido transportado junto com os dois outros. Os corpos das outras vítimas - duas mulheres - continuam em Paraty.

Os corpos de Zavascki e Figueiras teriam sido transportados num furgão funerário, que viajou acompanhado por nove outros veículos. Em um deles estariam dois filhos de Figueiras. A comitiva teria chegado ao IML pouco depois das 3h desta sexta-feira (20).

Policiais civis que permanecem no local informaram apenas que "tem gente importante lá dentro". Jornalistas passaram toda a madrugada em frente ao prédio, e no início desta manhã curiosos também param e perguntam aos repórteres a razão de tanta movimentação.

Janot prevê atraso em caso Odebrecht

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estava na Suíça quando recebeu a notícia sobre a morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. Imediatamente, ordenou o cancelamento de todos os seus compromissos no país e decidiu que retornaria nesta sexta-feira ao Brasil, chegando a Brasília no fim do dia. A pessoas próximas, admitiu que, agora, o que está em jogo é a investigação da Operação Lava Jato.
Com a morte do relator do caso no STF, Janot prevê que a homologação das delações da Odebrecht deve sofrer atrasos e que não mais haveria condição de que sejam realizadas no início de fevereiro, como estava planejado.
Na Procuradoria-Geral da República, os cálculos são de que, se os casos da Lava Jato forem redistribuídos a um outro ministro, a homologação dos 950 depoimentos da construtora poderiam ser adiadas em pelo menos três meses.
Nesta quinta-feira, 19, assessores do Supremo informaram que audiências com os 77 delatores da Odebrecht para confirmar que concordaram em colaborar com a Lava Jato serão canceladas. A expectativa era de que Teori e sua equipe começassem nesta semana as audiência. Nesta fase, os delatores não precisariam entrar no mérito das denúncias, mas apenas informar se foram coagidos ou não a firmar o acordo de delação com o Ministério Público.
Em um rápido pronunciamento à imprensa na noite de quinta-feira, a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, evitou comentar o futuro dos processos da Lava Jato após a morte de Teori. "Não estudei nada, por enquanto", disse ao ser questionada sobre que ministro ficaria com a relatoria dos inquéritos. "Minha dor é humana, como tenho certeza de que é a dor de todos os brasileiros depois de perder um juiz como este", afirmou a ministra.
Cooperação
Janot estava na Suíça para discutir com o procurador-geral do país europeu avanços na cooperação em relação às investigações. No encontro, ele pediria o congelamento de novas contas e tentaria estabelecer uma forma de garantir que as novas delações da Odebrecht pudessem contar com o apoio dos suíços. Berna teria a função de confirmar contas e as informações prestadas pelos executivos brasileiros.
Para tentar evitar uma exposição, Janot escolheu um hotel modesto de três estrelas em Berna, longe do centro da cidade. Mesmo assim, na recepção, foi reconhecido por um grupo de estudantes estrangeiros.
Foi justamente quando avaliava o que dizer aos suíços que recebeu a notícia. Numa primeira ligação, ouviu de fontes oficiais que o avião acidentado levava o ministro. Ainda assim, torcia para um final feliz. A pessoas próximas, já alertava que, se a morte fosse confirmada, seria um abalo à Lava Jato. Seu telefone não parava de tocar, de receber mensagens e mesmo alertas sobre dúvidas relacionadas ao "suposto acidente".
Por horas, Janot se recusava a pensar na hipótese da morte do ministro e pedia calma a todos. Uma de suas preocupações era justamente a pressão que sofreria o MP para apurar a "tese do assassinato".
Com a confirmação da morte, dizia que sentia que estava sonhando. Imediatamente, mandou a PGR decretar luto oficial e insistia que o momento era de mostrar firmeza. Desaba depois, recomendava.
Pressionado a dar uma declaração à imprensa, insistia que o momento era de luto e que não falaria além da nota oficial. Mas quem esteve com Janot na noite desta quinta-feira escutou dezenas de vezes que o Brasil estava sendo colocado à prova.

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