Corpo de Teori já estaria
no IML de Angra; Janot prevê atraso no caso Odebrecht
Estadão Conteúdo
Hoje em Dia - Belo
Horizonte
Embora nenhuma autoridade confirme oficialmente, pessoas que
acompanharam o trabalho de resgate dos corpos das vítimas do acidente de avião
que vitimou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, no mar
de Paraty (RJ), afirmam que pelo menos dois corpos, de Teori e do empresário
Carlos Alberto Figueiras, foram transportados para o Instituto Médico-Legal de
Angra dos Reis, a 91 quilômetros de Paraty.
O corpo do piloto do avião já foi resgatado, mas não há certeza de que teria sido transportado junto com os dois outros. Os corpos das outras vítimas - duas mulheres - continuam em Paraty.
Os corpos de Zavascki e Figueiras teriam sido transportados num furgão funerário, que viajou acompanhado por nove outros veículos. Em um deles estariam dois filhos de Figueiras. A comitiva teria chegado ao IML pouco depois das 3h desta sexta-feira (20).
Policiais civis que permanecem no local informaram apenas que "tem gente importante lá dentro". Jornalistas passaram toda a madrugada em frente ao prédio, e no início desta manhã curiosos também param e perguntam aos repórteres a razão de tanta movimentação.
Janot prevê atraso em caso Odebrecht
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estava na Suíça quando recebeu a notícia sobre a morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. Imediatamente, ordenou o cancelamento de todos os seus compromissos no país e decidiu que retornaria nesta sexta-feira ao Brasil, chegando a Brasília no fim do dia. A pessoas próximas, admitiu que, agora, o que está em jogo é a investigação da Operação Lava Jato.
O corpo do piloto do avião já foi resgatado, mas não há certeza de que teria sido transportado junto com os dois outros. Os corpos das outras vítimas - duas mulheres - continuam em Paraty.
Os corpos de Zavascki e Figueiras teriam sido transportados num furgão funerário, que viajou acompanhado por nove outros veículos. Em um deles estariam dois filhos de Figueiras. A comitiva teria chegado ao IML pouco depois das 3h desta sexta-feira (20).
Policiais civis que permanecem no local informaram apenas que "tem gente importante lá dentro". Jornalistas passaram toda a madrugada em frente ao prédio, e no início desta manhã curiosos também param e perguntam aos repórteres a razão de tanta movimentação.
Janot prevê atraso em caso Odebrecht
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estava na Suíça quando recebeu a notícia sobre a morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. Imediatamente, ordenou o cancelamento de todos os seus compromissos no país e decidiu que retornaria nesta sexta-feira ao Brasil, chegando a Brasília no fim do dia. A pessoas próximas, admitiu que, agora, o que está em jogo é a investigação da Operação Lava Jato.
Com a morte do relator do caso no STF, Janot prevê que a homologação das
delações da Odebrecht deve sofrer atrasos e que não mais haveria condição de
que sejam realizadas no início de fevereiro, como estava planejado.
Na Procuradoria-Geral da República, os cálculos são de que, se os casos
da Lava Jato forem redistribuídos a um outro ministro, a homologação dos 950
depoimentos da construtora poderiam ser adiadas em pelo menos três meses.
Nesta quinta-feira, 19, assessores do Supremo informaram que audiências
com os 77 delatores da Odebrecht para confirmar que concordaram em colaborar
com a Lava Jato serão canceladas. A expectativa era de que Teori e sua equipe
começassem nesta semana as audiência. Nesta fase, os delatores não precisariam
entrar no mérito das denúncias, mas apenas informar se foram coagidos ou não a
firmar o acordo de delação com o Ministério Público.
Em um rápido pronunciamento à imprensa na noite de quinta-feira, a
presidente do Supremo, Cármen Lúcia, evitou comentar o futuro dos processos da
Lava Jato após a morte de Teori. "Não estudei nada, por enquanto",
disse ao ser questionada sobre que ministro ficaria com a relatoria dos
inquéritos. "Minha dor é humana, como tenho certeza de que é a dor de
todos os brasileiros depois de perder um juiz como este", afirmou a
ministra.
Cooperação
Janot estava na Suíça para discutir com o procurador-geral do país
europeu avanços na cooperação em relação às investigações. No encontro, ele
pediria o congelamento de novas contas e tentaria estabelecer uma forma de
garantir que as novas delações da Odebrecht pudessem contar com o apoio dos
suíços. Berna teria a função de confirmar contas e as informações prestadas
pelos executivos brasileiros.
Para tentar evitar uma exposição, Janot escolheu um hotel modesto de
três estrelas em Berna, longe do centro da cidade. Mesmo assim, na recepção,
foi reconhecido por um grupo de estudantes estrangeiros.
Foi justamente quando avaliava o que dizer aos suíços que recebeu a
notícia. Numa primeira ligação, ouviu de fontes oficiais que o avião acidentado
levava o ministro. Ainda assim, torcia para um final feliz. A pessoas próximas,
já alertava que, se a morte fosse confirmada, seria um abalo à Lava Jato. Seu
telefone não parava de tocar, de receber mensagens e mesmo alertas sobre
dúvidas relacionadas ao "suposto acidente".
Por horas, Janot se recusava a pensar na hipótese da morte do ministro e
pedia calma a todos. Uma de suas preocupações era justamente a pressão que
sofreria o MP para apurar a "tese do assassinato".
Com a confirmação da morte, dizia que sentia que estava sonhando.
Imediatamente, mandou a PGR decretar luto oficial e insistia que o momento era
de mostrar firmeza. Desaba depois, recomendava.
Pressionado a dar uma declaração à imprensa, insistia que o momento era
de luto e que não falaria além da nota oficial. Mas quem esteve com Janot na
noite desta quinta-feira escutou dezenas de vezes que o Brasil estava sendo
colocado à prova.

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