segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

DEPOIS DISSO, LOGO CAUSADO POR ISSO



POST HOC ERGO PROPTER HOC

Paulo Haddad 








No início da estação da Primavera, um feiticeiro veste o seu manto inteiramente na cor verde. As árvores crescem, as flores brotam e as paisagens se cobrem de um verde exuberante. Muitos passam a acreditar que ocorreu uma transformação do ambiente porque o feiticeiro vestiu seu manto. Uma falácia causal que a Lógica Formal denomina em Latim de “post hoc ergo propter hoc” (“depois disso, logo causado por isso”). Essa falácia lógica é também denominada de “correlação coincidente”, que consiste na ideia de que dois eventos que ocorram em sequência cronológica estão necessariamente interligados através de uma relação de causa e efeito.
Muitas vezes um fenômeno que sofre mudanças por causas necessárias e suficientes pode até mesmo se transformar quando se acionam apenas as causas necessárias porque, eventualmente, as causas suficientes ocorreram por fatores exógenos. Chega-se, assim, a uma conclusão equivocada sobre as causas da transformação, baseando-se unicamente na ordem dos acontecimentos, sem levar em consideração outros fatores que possam vir a excluir ou a confirmar tal inter-relação ou conexão causal.
Os economistas tendem a trabalhar com modelos abstratos incrustados em suas estruturas mentais visando a elaborar uma versão simplificada de uma situação ou fenômeno complexo da realidade. Em geral, essa versão contém elementos e relações em uma escala suficientemente simples para a análise sistemática dos problemas envolvidos, e suficientemente frutífera e relevante para a compreensão das circunstâncias complexas do fenômeno ou situação.
Os modelos abstratos dos economistas incorporam, cada vez menos, componentes institucionais, históricos e psicossociais da realidade sobre a qual intervêm com suas políticas econômicas. Diminuem, assim, de forma significativa, a sua capacidade de predizer as mudanças que podem ocorrer a partir dos instrumentos que controlam (taxa de juros básica, taxa de câmbio, déficit ou superávit primário); produzem um sistema teoricamente consistente, coeso e exato, o que lhes permite tergiversar sobre a política econômica com otimismo em relação aos resultados esperados.
A atual política econômica do Governo Temer baseia-se num modelo de austeridade fiscal, o qual pressupõe que a condição necessária e suficiente para que haja um processo de retomada do crescimento econômico no Brasil é o reordenamento das finanças públicas nos três níveis de Governo. E que esse reordenamento se processará através de ajustes e reformas, algumas das quais já iniciadas com grande sucesso.
Entretanto, experiências recentes que vêm sendo realizadas com o modelo de austeridade, particularmente em países da União Europeia, mostram que, se o reequilíbrio fiscal é absolutamente indispensável para criar uma expectativa favorável ao crescimento econômico no sentido de favorecer a redução das taxas de juros e abrir espaço para os investimentos privados nos mercados financeiros, esse reequilíbrio não é suficiente. Há motivos para isso.
Em países como o Brasil, onde o aparelho estatal é tão mal gerenciado e ineficiente, onde há uma inquestionável inaptidão das lideranças políticas e a corrupção administrativa estende seus tentáculos nos três níveis de governo, o reordenamento fiscal é um processo muito longo, intermitente, recessivo e desalentador. A prova desse enredo confuso e intrincado é o fato do Governo Federal trabalhar com déficit primário de R$ 170 bilhões e R$ 139 bilhões em 2016 e 2017, respectivamente. Algo absolutamente peculiar para quem defende a austeridade fiscal.
As medidas que foram propostas até agora para a retomada do crescimento econômico, ou não têm a intensidade e a cadência necessárias para dar um empurrão expressivo numa economia que precisa sair do atoleiro depressivo ou somente irão gerar resultados positivos no médio e no longo prazo. Enquanto isso, a taxa de desemprego aberto pode caminhar para 13%, cresce o número de empresas de diferentes escalas produtivas que poderão sair do mercado e aumenta o nível de insatisfação popular com um governo que nasceu sob o signo da esperança.
Assim, não há como esquecer a experiência de gestão da economia brasileira de Campos e Bulhões que souberam, nos anos 1960, integrar com inteligência a elaboração e implementação de um programa de estabilidade monetária acoplado a reformas macro e microeconômicas em um plano decenal de desenvolvimento. Uma combinação necessária e suficiente para produzir “o milagre econômico” do início dos anos 1970. É bom lembrar que o galo canta antes do nascer do sol. Mas o sol não nasce porque o galo canta.

domingo, 15 de janeiro de 2017

LULA MANDOU RETIRAR AS CÂMARAS DE SEGURANÇA DO PLANALTO E DILMA NÃO AS COLOCOU NOVAMENTE



Palácio do Planalto não tem câmeras de segurança desde 2009

Estadão Conteúdo 










O Gabinete de Segurança Institucional confirmou que as câmeras foram retiradas e diz que "está em execução o planejamento" de um novo sistema de supervisão



O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e comandante da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), general Sergio Etchegoyen, afirmou em
entrevista à revista Veja que não há câmeras de segurança no Palácio do Planalto desde 2009.
"Não existem câmeras de segurança aqui dentro. Nenhuma. Na reforma que foi feita em 2009, no governo Lula, as câmeras foram todas retiradas", disse. "Depois, impediram que fossem recolocadas. O palácio passou anos em que, convenientemente, não se registrou nada", acrescentou Etchegoyen.
Questionado sobre essa "conveniência", ele afirmou que recebe de vez em quando pedidos da Justiça para "mostrar as imagens de fulano, mas não tem ninguém". Disse ainda não saber se a "decisão de retirar as câmeras foi para obstruir a Justiça, mas pode ter sido para evitar esse registros".
A publicação ressaltou que, no inquérito que apura se a ex-presidente Dilma Rousseff agiu no Planalto para obstruir a Lava Jato, a Procuradoria pediu as imagens. "Mas não tem câmera, então não tem imagem", respondeu o ministro.
O general Sergio Etchegoyen respondeu positivamente quando perguntado se achava que as câmeras foram retiradas propositalmente. "Acho que sim. A situação era de descontrole", apontou. Atualmente, entretanto, ele disse que está sendo feita uma licitação para instalar novas câmeras de segurança.
O Gabinete de Segurança Institucional confirmou que as câmeras foram retiradas e diz que "está em execução o planejamento" de um novo sistema de supervisão com equipamentos de vigilância no Palácio do Planalto e outras instalações ligadas à Presidência da República, como o Palácio da Alvorada e a Granja do Torto. O
sistema deve estar em operação até o fim do ano.

OBAMA - HOMEM DÍGNO E HONRRADO



Da Herança de Obama

Stefan Salej 





Se prevalecer uma das máximas da política mineira, faltando uma semana para a troca na Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, a primeira dama Michele e as duas filhas devem estar passando frio com aquecedores desligados e sem sequer serviço de café. Tudo está pronto para a posse do novo presidente no dia 20 de janeiro, mas, mesmo assim, despedida é despedida, mesmo que os aquecedores continuem ligados e o cafezinho continue sendo servido. A Casa Branca, ao final das contas, não é o Palácio da Liberdade. Mas, enquanto a despedida de Obama, na sua cidade adotiva de Chicago, foi emocionante, assistida ao vivo por 20 mil pessoas, a transição política entre o presidente eleito Trump e Obama esta aquém de tranquila.

Como será o governo Trump, nem as forças divinas conseguem desenhar com clareza. Temos que esperar e acreditar que será um governo que trará prosperidade e paz.
Como foi o governo de Obama, que está se mudando agora para Chicago, já podemos falar. Já é passado. Talvez a mensagem mais clara que ele deixe na história foi “nós podemos, yes we can”. Mensagem de que um governo pode ter princípios éticos e lutar por eles. Obama nos deixa uma impressão de que tomava suas decisões com base em princípios que levavam a um bem comum. É um cara decente, que trouxe decência ao cargo, o que não diminuía a firmeza nas decisões.

A gestão dele recuperou a indústria automobilística, aumentou o emprego, fez um sistema de saúde, Obamacare, que permite a universalização dos serviços de saúde para  toda população, caçou e matou Osama bin Laden, negociou o acordo de Paris na área de meio ambiente, confirmou a liderança tecnológica mundial dos Estados Unidos, achou caminhos de distensão com Cuba e fez um acordo nuclear com o Irã, além de um acordo comercial com os países asiáticos sem a China.

Bem, como sempre nem tudo são flores. A destruição do equilibro ditatorial no Oriente Médio com as guerras na Líbia e Síria, o surgimento do Estado Islâmico, o conflito contínuo no Afeganistão e a mal resolvida saída do Iraque, são alguns pontos mal resolvidos. Mas, o construção da paz entre a guerrilha e governo da Colômbia foi um ponto positivo. Houve também uma expansão sem limites da vigilância, através de escutas, demonstrada pelo hoje foragido Snowden, que atingiu a nossa ex-presidente Rousseff e a chanceler alemã Merkel.

O Brasil foi um parceiro complexo, não só por causa da escuta, que sempre teve e vai ter, mas por políticas internas dos governos Lula, que se deu bem com Obama, e de Dilma, que não queria uma relação boa com os Estados Unidos. A vexaminosa despedida no Itamaraty do então embaixador americano Thomas Shannon foi um ponto alto do desprezo que Dilma mantinha pelos Estados Unidos. E daí conjecturar se a saída dela foi a gosto da Casa Branca, também há uma distância. A América Latina, com suas complexidades e complexos bolivarianos, não foi prioridade de Obama, a não ser a melhoria da relação com Cuba, que agradou a todos.

Barack Obama fez história como presidente dos Estados Unidos. E nós assistimos e vivemos essa historia de um homem digno e honesto que esteve na Casa Branca.

sábado, 14 de janeiro de 2017

COISA DE BRASIL - O CANDIDATO A PRESIDENTE DO BRASIL É RÉU EM CINCO PROCESSOS POR CORRUPÇÃO



Setor do PT quer lançar candidatura de Lula à Presidência na semana que vem

Estadão Conteúdo
Hoje em Dia - Belo Horizonte










Lula seria lançado com a plataforma de revogar imediatamente revogar a PEC do Teto e a reforma da Previdência



Setores do PT articulam o lançamento da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República na próxima sexta-feira (20), durante a reunião do Diretório Nacional do partido, em São Paulo. Pela proposta, Lula seria lançado candidato ao terceiro mandato com a plataforma de revogar imediatamente, caso eleito, todos os feitos do governo Michel Temer - em especial a PEC do Teto e a reforma da Previdência - com amparo de uma frente composta por movimentos sociais e partidos de esquerda.

"O Diretório Nacional, reunido em 20 de janeiro de 2017, deve apresentar a candidatura de Lula à Presidência da República, conclamar a mobilização por diretas já e a construção da unidade popular de esquerda. Deve dirigir-se especialmente às Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, ao PCdoB, ao PDT, ao PSOL, para construirmos juntos uma frente única com o objetivo de eleger um governo democrático-popular que revogará de imediato todos os decretos e leis golpistas e convocará uma assembleia nacional constituinte com participação popular e liberdade irrestrita de comunicação", diz trecho do esboço de resolução, sujeito a alterações, elaborado pelo secretário nacional de Formação, Carlos Árabe, representante da Mensagem.

A ideia, segundo Árabe, é usar a força de Lula junto ao eleitorado, mensurada nas últimas pesquisas de opinião, como catalisador para uma "revolução" democrática com o objetivo de derrubar o governo Temer, convocar novas eleições e uma constituinte.

"Não exigimos que seja uma frente de todos com Lula. É uma frente progressista pelas diretas na qual o PT apresentaria o nome de Lula", disse o dirigente petista.

O objetivo, de acordo com ele, é não afastar partidos como o PDT e o PSOL que devem lançar candidaturas próprias ao Planalto em 2018.

A proposta, por enquanto, ainda está em construção dentro do Muda PT. Até a semana que vem os autores devem procurar as demais forças do partido para conseguir maioria no Diretório Nacional.

Integrantes da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) concordam que Lula é o candidato e que seu nome deve ser lançado com urgência, mas avaliam com cautela a proposta.

"Lula é o nosso candidato, quanto antes colocarmos a candidatura dele na rua, melhor, mas não pode ser de forma açodada", disse o secretário nacional de Organização, Florisvaldo Souzam da CNB.

As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo ainda não discutiram a proposta. Integrantes das organizações lembram que as frentes são compostas por entidades ligadas a outros partidos como PSOL e PCdoB. Por enquanto as prioridades destas organizações são uma campanha pelas "Diretas Já" e pela constituinte exclusiva para a reforma política.
Sinais

Na quinta-feira, 12, em evento com profissionais da educação, em Brasília, Lula voltou a dar sinais de que quer ser candidato. Na saída do evento, disse que é o PT quem deve lançar seu nome. Segundo fontes do PT, ele reclamou da falta de partidos de centro em sua base de apoio.

Na falta de uma ampla aliança partidária, os defensores do lançamento antecipado da candidatura de Lula defendem a centralidade dos movimentos sociais na campanha.

"Tão fundamental quanto lançar já a candidatura de Lula são a sua plataforma e as forças que devem dirigir a campanha, a construção da mobilização popular para derrubar o governo golpista e, fundamentalmente, dirigir e compor o novo governo. As forças partidárias e sociais que compõem as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, devem em frente única dirigir todo o processo e construir comitês populares para participar da mobilização e das decisões. Esse processo deve confluir para assembleias populares regionais e uma grande assembleia nacional popular pelas diretas já, retomada do desenvolvimento com distribuição de renda e defesa dos direitos do povo e da nação. As decisões de programa, alianças e composição da chapa presidencial serão tomadas democraticamente pela frente única", diz o texto de Árabe.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente do PT, Rui Falcão, disse no final do ano passado que o lançamento da candidatura de Lula deve ser antecipado, mas não definiu prazo.

Segundo fontes do partido, a antecipação atende a dois objetivos, explorar politicamente a fragilidade do governo Temer e reforçar a defesa jurídica de Lula, réu em cinco processos, quatro deles referentes à Lava Jato e suas ramificações. Se condenado em segunda instância Lula ficaria inelegível com base na Lei Ficha Limpa.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...