Da Herança de Obama
Stefan Salej
Se prevalecer uma das máximas da política mineira, faltando uma semana
para a troca na Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, a primeira dama
Michele e as duas filhas devem estar passando frio com aquecedores desligados e
sem sequer serviço de café. Tudo está pronto para a posse do novo presidente no
dia 20 de janeiro, mas, mesmo assim, despedida é despedida, mesmo que os
aquecedores continuem ligados e o cafezinho continue sendo servido. A Casa
Branca, ao final das contas, não é o Palácio da Liberdade. Mas, enquanto a
despedida de Obama, na sua cidade adotiva de Chicago, foi emocionante,
assistida ao vivo por 20 mil pessoas, a transição política entre o presidente
eleito Trump e Obama esta aquém de tranquila.
Como será o governo Trump, nem as forças divinas conseguem desenhar com clareza. Temos que esperar e acreditar que será um governo que trará prosperidade e paz.
Como foi o governo de Obama, que está se mudando agora para Chicago, já
podemos falar. Já é passado. Talvez a mensagem mais clara que ele deixe na
história foi “nós podemos, yes we can”. Mensagem de que um governo pode ter
princípios éticos e lutar por eles. Obama nos deixa uma impressão de que tomava
suas decisões com base em princípios que levavam a um bem comum. É um cara
decente, que trouxe decência ao cargo, o que não diminuía a firmeza nas
decisões.
A gestão dele recuperou a indústria automobilística, aumentou o emprego, fez um sistema de saúde, Obamacare, que permite a universalização dos serviços de saúde para toda população, caçou e matou Osama bin Laden, negociou o acordo de Paris na área de meio ambiente, confirmou a liderança tecnológica mundial dos Estados Unidos, achou caminhos de distensão com Cuba e fez um acordo nuclear com o Irã, além de um acordo comercial com os países asiáticos sem a China.
Bem, como sempre nem tudo são flores. A destruição do equilibro ditatorial no Oriente Médio com as guerras na Líbia e Síria, o surgimento do Estado Islâmico, o conflito contínuo no Afeganistão e a mal resolvida saída do Iraque, são alguns pontos mal resolvidos. Mas, o construção da paz entre a guerrilha e governo da Colômbia foi um ponto positivo. Houve também uma expansão sem limites da vigilância, através de escutas, demonstrada pelo hoje foragido Snowden, que atingiu a nossa ex-presidente Rousseff e a chanceler alemã Merkel.
O Brasil foi um parceiro complexo, não só por causa da escuta, que sempre teve e vai ter, mas por políticas internas dos governos Lula, que se deu bem com Obama, e de Dilma, que não queria uma relação boa com os Estados Unidos. A vexaminosa despedida no Itamaraty do então embaixador americano Thomas Shannon foi um ponto alto do desprezo que Dilma mantinha pelos Estados Unidos. E daí conjecturar se a saída dela foi a gosto da Casa Branca, também há uma distância. A América Latina, com suas complexidades e complexos bolivarianos, não foi prioridade de Obama, a não ser a melhoria da relação com Cuba, que agradou a todos.
Barack Obama fez história como presidente dos Estados Unidos. E nós assistimos e vivemos essa historia de um homem digno e honesto que esteve na Casa Branca.

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