Obama exalta Hillary
Clinton e refuta Trump em discurso na Convenção Democrata
Estadão Conteúdo
Hillary surpreendeu a plateia ao subir no palco e abraçar Obama
No mais importante discurso da convenção democrata, o presidente Barack
Obama refutou ontem o cenário apocalíptico desenhado pelo republicano Donald
Trump na semana passada, apresentou uma visão confiante da democracia americana
e disse que seus cidadão não desejam ser dominados.
"Nós não somos um povo amedrontado. Nosso poder não vem de um salvador
autoproclamado que promete que pode restaurar a ordem", em referência à
declaração de Trump de que é o candidato da lei e da ordem que poderá resolver
todos os problemas do país.
Obama exaltou os valores, a cultura e o poder americanos e defendeu a
"audácia da esperança". O presidente pediu que os eleitores rejeitem
o medo e elejam Hillary Clinton como a próxima presidente dos Estados Unidos.
"Façam por Hillary o que fizeram por mim há oito anos", afirmou.
Ao fim de seu discurso, a candidata que foi nomeada pelo partido na terça-feira
surpreendeu o público, entrou no palco e abraçou Obama, o que levou a plateia
aos gritos.
"Isso é a América. Esses laços de afeto, a fé comum. Nós não tememos nosso
futuro, nós o moldamos, nós o abraçamos, como um povo mais forte juntos do que
quando estamos sozinhos", afirmou. "É isso que Hillary Clinton
entende - essa lutadora, essa estadista, essa mãe e avó, essa servidora
pública, essa patriota, essa é a América pela qual ela está lutando",
afirmou.
O presidente usou a referência aos valores americanos para outro ataque
indireto a Trump: "É isso por que os que ameaçam nossos valores, sejam
fascistas ou comunistas, jihadistas ou demagogos domésticos, sempre vão falhar
no fim".
Obama foi ovacionado quando entrou no local da convenção do partido e foi
recebido pelos delegados aos gritos de "yes, we can" (sim, nós
podemos), o lema que moveu sua eleição presidencial. "Eu estou diante de
vocês hoje à noite, depois de quase dois mandatos como seu presidente, para
dizer-lhes que estou ainda mais otimista com o futuro da América."
O presidente refutou o "ressentimento, acusações, raiva e ódio" que,
segundo ele, marcam a campanha de Trump. "Essa não é a América que eu
conheço", afirmou. "A América que eu conheço é cheia de coragem, de
otimismo, de criatividade. A América que eu conheço é decente e generosa".
Obama disse que Hillary é a pessoa mais qualificada a disputar a presidência,
mais do que ele próprio e o ex-presidente Bill Clinton. "Nada realmente
prepara você para as demandas do Salão Oval", disse. "Mas Hillary
esteve naquela sala, ela foi parte daquelas decisões", ressaltou.
"Mesmo no meio de uma crise, ela escuta as pessoas, mantém a calma e trata
a todos com respeito. Não importa quão assustadoras sejam as probabilidades,
não importa quantas pessoas tentem derrubá-la, ela nunca, ela jamais desiste.
Essa é a Hillary que eu conheço. Essa é a Hillary que eu passei a
admirar."
Além de Obama, Trump foi atacado como uma fraude, um demagogo perigoso e uma
ameaça para o futuro dos EUA pelo vice-presidente Joe Biden e pelo ex-prefeito
de Nova York, Michael Bloomberg, um independente que governou a maior cidade do
país por 12 anos. Todos defenderam de maneira apaixonada a candidatura de
Hillary, que venceu a nomeação do Partido Democrata na terça-feira.
Biden incendiou os democratas na Filadélfia ao descrever o bilionário como um
cínico desprovido de compaixão que tem prazer em dizer "você está
demitido". Bloomberg questionou o sucesso empresarial de Trump, disse que
ele é um "perigoso demagogo" e o acusou de hipocrisia. "Eu sou
um nova-iorquino e eu reconheço um vigarista quando vejo um", declarou o
empresário. (Cláudia Trevisan, enviada especial)