quarta-feira, 27 de julho de 2016

CARGA TRIBUTÁRIA GRANDE - MAIOR A SONEGAÇÃO



Rombo causado pela sonegação pode adiar aposentadorias

Tatiana Moraes






Rombo causado pela sonegação supera em quase R$ 15 bilhões o déficit atual da Previdência

A sonegação de impostos no Brasil pode fazer com que os trabalhadores demorem mais a se aposentar. Em 2015, o desvio da contribuição previdenciária foi de R$ 103,2 bilhões, segundo levantamento realizado pelo Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz). O montante é quase 17% maior do que o rombo registrado pela previdência naquele ano, de R$ 88,6 bilhões. Ou seja, R$ 14,6bilhões superior ao que é gasto com aposentadorias, pensões e benefícios trabalhistas do regime geral no país. A conclusão é simples: se os impostos da previdência fossem pagos em dia, o discurso do governo federal de que o sistema geral não é sustentável cairia por terra.

O desvio é altíssimo. Para se ter ideia, o montante representa 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2015, fechado em R$ 5,9 trilhões. Mais do que isso: conforme o estudo do Sinprofaz, equivale a quase 30% do que deveria ser arrecadado. “Mais uma vez, o elo fraco da relação está pagando a conta. Se a sonegação não estivesse neste patamar, se houvesse recursos para barrá-la, não haveria necessidade de aumentar o limite mínimo de idade para se aposentar”, garante o presidente do sindicato, Achilles Frias.

Gorjetas

Como sonegação, foram contabilizados valores que as empresas recolhem dos empregados e não repassam aos cofres públicos, prática caracterizada como apropriação indébita, e montantes que deveriam ser recolhidos, mas não são. No último caso entram, por exemplo, pagamentos que são feitos fora da carteira de trabalho. Os garçons, que costumam receber gorjetas como salário, são um caso clássico, aponta Frias.

O presidente do Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev), Roberto de Carvalho, ressalta que os débitos tributários prescrevem em cinco anos, fato que aumenta o rombo da previdência. Ou seja, passados cinco anos, a empresa deixa de ser cobrada pelo INSS. No entanto, quando o empregado se aposentar ele será pago pelo Tesouro de qualquer forma. E é aí que mora o problema.

DENÚNCIA

“O empregado deve entender que ele é parte importante do processo. Se ele recebe fora da carteira, o INSS não é recolhido e, no futuro, alguém irá pagar. Na verdade, todos já estão pagando. Quando o governo diz que não há dinheiro suficiente, é culpa, além das aposentadorias especiais, das sonegações. É necessário denunciar pelo 135”, critica o presidente do Ieprev.

A dificuldade para o próprio empregado de saber se a empresa repassa ou não o dinheiro ao INSS também é destacada pelo especialista. No caso do FGTS, o trabalhador recebe, em casa, um extrato dos depósitos e rendimentos. Quando o assunto é o recolhimento previdenciário, não.

Aqueles que têm contas no Banco do Brasil ou na Caixa conseguem verificar por meio do internet banking. Os demais têm que se dirigir a um dos guichês do INSS, fazer um cadastro e pegar uma senha. “Falta facilidade e educação financeira. Quem pode acessar os dados não sabe que pode e não sabe para quê eles servem”, lamenta.

Imposto não recolhido para a seguridade ultrapassa R$ 300 bi

Além da contribuição previdenciária direta, a sonegação dos tributos que financiam a seguridade social ultrapassa os R$ 300 bilhões, segundo estimativa do presidente do Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), Achilles Frias.

Entre os impostos que não chegam aos cofres públicos, ele destaca a Cofins, que incide sobre o faturamento das empresas. Em 2015, R$ 44 bilhões que deveriam ser recolhidos a título da contribuição federal deixaram de ser repassados aos cofres públicos. Metade do rombo da previdência.

Cofins significa, justamente, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Outros impostos cuja sonegação vai às alturas é do PIS/Pasep, com desvio de R$ 11 bilhões, e o próprio FGTS, com R$ 31 bilhões.

Frias destaca que faltam ferramentas para que a fiscalização dos desvios seja eficaz. Segundo ele, existe menos de um servidor para cada membro da Procuradoria.

Trabalho extra

“Não é fácil encontrar as pessoas, empresas e quadrilhas que mais sonegam. Porém, além de cruzar os dados e levantar os bens desses sonegadores, também temos que fazer fotocópias, por exemplo”, critica. Para melhorar o sistema, a Procuradoria Nacional vai focar, em 2016, em dívidas superiores a R$ 1 milhão. E há muito trabalho. Em 2015, a sonegação no país foi de R$ 452,9 bilhões, o equivalente a 23,2% do que deveria ter entrado nos cofres públicos.

O presidente do Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev), Roberto de Carvalho, destaca que a dificuldade na integração dos dados da Receita Federal (RF) e do Cadastro Nacional de Informações Sociais.

Ele ressalta que a Receita Federal e da Previdência foram integradas em 2006. A base de dados, no entanto, não seguiu a mesma linha. Assim como outros muitos bancos de dados pelo país.

Falta integração

“Embora seja o mesmo órgão responsável pela gestão dos dados, eles não estão integrados”, diz o especialista. Dessa forma, é possível que as empresas cadastrem dados diferentes em sistemas federais de prestação de contas, sem que haja verificação digital e, o mais importante, punição.

“Se uma empresa declara faturamento de R$ 1 milhão e não há recolhimento, ou ela tem muitos funcionários, há algo errado”, diz.



terça-feira, 26 de julho de 2016

CRISE ECONÔMICA - AUMENTO DA POBREZA ANDARILHA



A pobreza andarilha

Paulo Haddad 




Está se tornando urgente que o governo federal tome uma série de medidas de grande intensidade para reativar a economia brasileira. Quando uma economia em recessão demora a ser reanimada, aumenta-se o risco de que se instale um processo de depressão econômica. Enquanto a recessão se caracteriza por dois ou mais períodos de crescimento econômico negativo, uma fase de declínio típica dos ciclos das economias capitalistas, a depressão apresenta impactos econômicos, sociais e psicológicos mais dramáticos.

A depressão econômica se caracteriza por um longo período em que se observa um número inusitado de falências de empresas, crescimento alarmante do desemprego, generalização da falta de confiança sobre o futuro da economia e do próprio país, desestruturação das economias e das condições psicossociais das unidades familiares. Foi o que se viu na crise de 1929 em escala mundial ou na Grande Crise Financeira de 2008 em escala de algumas nações, até mesmo desenvolvidas. Para alguns analistas, como os da Goldman Sachs, se os grandes desequilíbrios macroeconômicos continuarem se acumulando no Brasil, o que se iniciou como uma recessão em 2014 pode se transformar numa depressão econômica já em 2017.

É importante observar como acontece a distribuição de renda numa economia em processo de transição de uma recessão para uma depressão econômica. No caso brasileiro, entre 2015 e 2016, as famílias de renda mais alta (acima de 20 mil reais por mês) obtiveram uma melhoria de 6 por cento, as de renda mais baixa (800 reais por mês), uma pequena alta de 1,5 por cento, e as classes médias, perdas significativas de até 4,5 por cento (renda familiar mensal de 4.800 reais). O que explica, na faixa de cima, a multiplicação da riqueza financeira acumulada num ambiente econômico altamente especulativo. E, na faixa de baixo, a persistência das políticas sociais compensatórias.

Igualmente importante é analisar o que vem ocorrendo com aqueles que nem mesmo aparecem nas pesquisas de distribuição da renda familiar, aqueles que, segundo um cientista político, não são encontrados pelos agentes do Censo, pelos funcionários da receita tributária e da Previdência Social ou pelos partidos de esquerda. São os sem teto, sem renda, sem riqueza e sem oportunidades num regime de pobreza absoluta que alguns denominam pobreza asiática ou africana e que prefiro denominar pobreza andarilha, pois lembram a imagem de indivíduos perambulando nos grandes centros urbanos do país. Solitários ou em grupos, vivem desalentados padecendo o mal-estar da miséria social.

Ora, quando a crise econômica se aprofunda e avança sobre as condições sociais das famílias com consequentes perdas de renda, de patrimônio e de esperança, não há como negar que o número de pobres andarilhos possa crescer geometricamente nas metrópoles e em suas áreas periféricas.
No Brasil, a dimensão cruel desse drama social tem, felizmente, dois fatores de amortecimento. De um lado, estão as políticas sociais compensatórias previstas na Constituição de 1988, do outro lado, os movimentos sociais de solidariedade humana.

Em médio e longo prazos, o Brasil precisa encontrar sua trajetória de crescimento sustentado e inclusivo, pois, a persistir na estagnação econômica, entre suas sequelas estará a de se minar a capacidade de financiamento público das políticas sociais compensatórias. Nesse caso, cresce a necessidade redistributiva da solidariedade humana, pois o pouco dos que têm muito acaba por representar muito para os que têm pouco.

SERÁ QUE TODOS NÓS E OS POLÍTICOS, MILTARES E JUDICIÁRIO SOMOS IGUAIS PERANTE A LEI?



Fim das aposentadorias especiais?

Amália Goulart 



O grupo de trabalho, montado pelo presidente interino Michel Temer (PMDB), para propor mudanças no sistema previdenciário estuda a possibilidade de acabar com aposentadorias especiais. Aquelas destinadas aos trabalhadores rurais estão no foco. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse, novamente pelas redes sociais, que “reforma da Previdência: Todos brasileiros são iguais ante a lei. O Presidente busca a igualdade na nova Previdência Social”. E também: “Sensível ao interesse nacional na Reforma da Previdência, o Presidente pediu ao GT estudo incluindo todos no novo regime”.

Além das aposentadorias especiais para os trabalhadores rurais, o governo pode atacar as regalias dadas aos parlamentares. Em oito anos de mandato eles podem aposentar-se. E o rombo é desproporcional, como mostrou reportagem de Tatiana Moraes na edição de ontem do Hoje em Dia. E temos ainda juízes com as famosas aposentadorias compulsórias, uma grata forma de punição. Se o presidente Temer conseguir aprovar proposta colocando, de fato, todos iguais perante a lei será o maior dos legados. Agora, deixar de fora deputados e senadores e incluir apenas trabalhadores rurais será um tiro no pé. Nos próximos dias saberemos o que o ministro Padilha entende por iguais”.

Twitter
O ministro Padilha é o mais tecnológico do primeiro escalão. Na semana passada, informou no Twitter que o governo estuda aumentar em 40% o tempo restante para a aposentadoria, conforme informou o Hoje em Dia.

Agronegócio
O presidente Michel Temer prepara um pacote para o setor. A ideia é aumentar de 7% para 10% a participação do Brasil no mercado internacional em cinco anos. O projeto foi batizado de Programa Acesso a Mercados (PAM-Agro). O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, apresentou o programa a Temer na última semana. Para anunciar o PAM-Agro, o presidente espera apenas o acerto de alguns pontos pela equipe econômica.


MARAVILHA DA ENGENHARIA MODERNA



Avião Solar Impulse 2 completa volta ao mundo

Agência Brasil 



O Solar Impulse 2 em solo ainda no Cairo

O avião Solar Impulse 2 (SI-2) pousou em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, na segunda-feira (25), completando a sua longa viagem de volta ao mundo iniciada há mais de um ano.
A notícia foi publicada através do Twitter oficial do projeto, com a seguinte mensagem: “Solar Impulse 2 e Bertrand Piccard pousaram com sucesso em Abu Dhabi”.
Movido somente a baterias que acumulam energia solar, o SI-2 iniciou a viagem de volta ao mundo em Abu Dhabi, no dia 9 de março de 2015. A aeronave é pilotada pelo suíço Bertrand Piccard, autor do primeiro voo transatlântico em um aeroplano capaz de voar sem combustível, similar ao usado no atual projeto.
Durante seu trajeto, Piccard visitou Omã (Muscat), India (Varanasi), Myanmar (Mandalay), China (Chongqing e Nanjing), Japão (Nagoya) e várias cidades dos Estados Unidos. A última etapa desta viagem, entre Cairo e Abu Dhabi, foi anunciada por Piccard no domingo (24).
O SI-2 pode atingir uma velocidade máxima de 140 km por hora. Sua envergadura é de 72 metros e o peso é de apenas 2.300 kg, o equivalente ao de um carro. O avião é alimentado por energia solar recolhida por mais de 17.200 células solares que cobrem suas asas e fuselagem.
No início de julho chegou ao Havai, estabelecendo o mais longo recorde de voo sem escalas, de 120 horas.













AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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