segunda-feira, 25 de julho de 2016

O TERROR MUDA DE AÇÃO CONSTANTEMENTE



Mudança no perfil dos extremistas dá nó nos grupos de inteligência

Filipe Motta 







Desde o atentado em Nice, franceses e estrangeiros fazem orações nas ruas pelas vítimas, diariamente
As medidas de combate ao terrorismo utilizadas pelas grandes potências estão focadas num modelo ultrapassado de inteligência, estruturado a partir dos anos 2000 para conter organizações que atuavam em redes, algo que não corresponde à realidade atual.
Isso explicaria a intensificação dos atentados nos últimos tempos, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos. A avaliação é do professor de Segurança e Defesa do curso de Relações Internacionais do Ibmec, Oswaldo Dehon.
Histórico
Desde janeiro de 2015, foram quase dez ataques terroristas a países europeus e norte-americanos, todos relacionados ao Estado Islâmico (EI), grupo extremista sunita, nascido da Al-Qaeda, no Iraque, e que busca implantar um califado.
“O Estado Islâmico atua de forma muito diferente da Al-Qaeda, que era o foco anterior. Os recursos dela conseguiram ser rastreados. Já o Estado Islâmico tem uma capital (no norte do Iraque), possui recursos próprios e vende petróleo. E tem essa coisa bem inusitada dos lobos solitários. Com a Al-Qaeda, havia redes, com a existência de grupos menores capazes de produção de atentados. Hoje nós temos pessoas. Um serviço de inteligência que dê conta de monitorar todos os indivíduos não existe”, analisa Dehon.

Colapso
Os atentados ao aeroporto e ao metrô de Bruxelas, em março deste ano, foram o símbolo do fim desse modelo de combate ao terrorismo.
Sede da OTAN e de vários organismos da União Europeia, a cidade era tida como um alvo óbvio de atentados, que não puderam ser evitados, causando grande desgaste nos serviços de inteligência.
Os analistas reforçam o fato de boa parte dos ataques muitas vezes acontecerem sem nenhuma ordem expressa ou conexão com o EI.
No lugar de organizações bem estruturadas, que agiam a partir de certo idealismo organizado, qualquer inconformismo e indignação no nível individual tem impulsionado atos terroristas.
Alvo certo
Essa indignação contra o Ocidente se faz notar sobretudo na França, que recebeu, nas últimas décadas, um grande afluxo de migrantes vindos de suas ex-colônias.
“Há uma coleção de fatores: o choque das concepções islâmicas de vida com a ocidental (muito evidente na França, por exemplo, com a legislação sobre o uso do véu islâmico), um certo rancor colonial dos imigrantes e filhos, e a centralidade simbólica do país, no coração da Europa”, explica o professor de política internacional da UFMG Dawisson Belém Lopes.
No caso alemão, há a mesma dificuldade de incorporação de árabes e islamitas à cultura local, pontua o professor Oswaldo Dehon. Mas, ao contrário do anti-islamismo presente na França, há xenofobia de uma maneira mais ampla, o que torna o quadro diferente.
“Essa tática de fazer guerras convencionais é complicada. Por um lado, é necessário que os governos deem resposta à opinião pública e mostrem força ao inimigo. Mas é um inimigo incerto, volátil, que some, desaparece, reivindica ataca em toda parte”
Dawisson Belém Lopes
Pesquisador de política internacional da UFMG
Monitoramento deve ser sigiloso, dizem especialistas
“Um ponto considerado por muitos observadores é que há uma relação direta e cada vez notória entre a cobertura que a grande imprensa faz dessa barbárie e eventos. Os grupos, cada vez mais, planejam seus ataques utilizando os meios de comunicação para propaganda”, pontua o pesquisador de política internacional da UFMG Dawisson Belém.

Bola de neve
A avaliação de Dawisson é compartilhada por Paulo Velasco, professor de Relações Internacionais na UERJ e na Fundação Getúlio Vargas. “Cria-se um círculo vicioso. Cada ato desse, na medida em que repercute, acaba chamando para mais”, observa.
Nesse sentido, até mesmo a exposição de ações preventivas devem ser evitadas, avalia. “O trabalho de contraterrorismo deve ser de bastidor, mais sigiloso. Claro que é normal alguma atenção, já que vamos ser palco das Olimpíadas, mas exageram e a alimentam o medo”, diz.

Brasil
O pesquisador avalia que o país precisa manter o foco nas ações de monitoramento de mídias sociais, que têm sido feitas de forma adequada, mas tomar cuidado para não “atirar para tudo que é lado”, como forma de responder às pressões feitas por Estados Unidos e União Europeia. “As forças de segurança brasileiras querem mostrar serviço e acabam criando uma espetacularização”.
O General do Exército Gerson Menandro, chefe de operações conjuntas do Ministério da Defesa, pondera. “De fato, é preciso um ponto de equilíbrio. Temos cerca de 100 cenários possíveis treinados. Mas nunca dizemos quais cenários são esses. É importante que todos vejam que temos capacidade de resposta e que estamos preparados”, diz.
Ele destaca que especialistas de segurança de cerca de 100 países estarão no Brasil para o monitoramento das Olimpíadas, que pela primeira edição contará com um centro de inteligência integrado.
Fronteiras
Menandro afirma que uma intensificação do monitoramento das fronteiras terrestres e marítimas está em curso e que os profissionais de segurança do Brasil passaram por vários treinamentos com forças do exterior.
No entanto, reconhece a dificuldade de controlar o terrorismo invisível  e que o desafio das Olimpíadas é maior do que o da Copa. “É preciso que todos tenham conscientização. Percebendo alguma coisa que fuja a normalidade, deve-se ligar no 190 e 193. Mas sem gerar pânico”, lembra.







A POPULAÇÃO FICA PENALIZADA COM O AUMENTO DA INFLAÇÃO



Alimentos encarecem mais de 200% do campo à cidade

Tatiana Lagôa 



Leite tem acréscimo de 114,6% quando sai dos currais e chega ao consumidor final; margens apertadas fazem produtor deixar de investir na atividade

Os alimentos, que têm sido vilões da inflação em 2016, chegam bem mais caros à mesa dos mineiros do que saem das fazendas. A alta de preços depois que passam pelas porteiras pode ultrapassar a 200% em alguns casos. Custo do beneficiamento, do transporte e reflexos do mercado internacional são algumas das justificativas para a diferença. Mas há também um componente especulativo. Ou seja, alguns elos da cadeia produtiva acabam se beneficiando com altas margens de lucros em detrimento de outros.
Para se ter uma ideia da disparidade, dá para tomar como base o café. Para começar, o produto em grão tem barateado enquanto o beneficiado, que é vendido pelo varejo, segue no sentido contrário com alta de 5,8% entre janeiro e junho deste ano. Isso sem contar que os produtores venderam o quilo do café por R$ 8,16 em junho, enquanto no varejo ele foi encontrado pelo dobro (R$ 16,38).
A coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline de Freitas Veloso, explica que existe a influência dos custos do beneficiamento do grão, da logística envolvida para que ele chegue ao consumidor final e o impacto do mercado internacional, uma vez que a maior parte do café mineiro é exportado. Mas ela concorda que existe um movimento especulativo. Aproveitando a tendência de alta, parte dos envolvidos no processo, seja na indústria, no transporte ou no varejo, acaba aumentando os preços além do necessário.
“Quem forma o preço final são os industriais e atacadistas. Se o consumidor compra, o preço continua subindo, mesmo que além das necessidades reais”, afirma o superintendente de política e economia agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), João Ricardo Albanez. A única pressão contrária às altas é a redução do consumo.
Produto de primeira necessidade, o leite tem um acréscimo de 114,6% quando chega ao consumidor. “Não tem justificativa uma diferença tão grande de preço. É fato que, em alguns casos, são acrescentados diferenciais pela indústria como tornar o leite zero lactose, que é moda agora, mas o preço deveria ser mais equilibrado”, afirma o presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Faemg, que é produtor em Lavras , Eduardo Pena. Segundo ele, entre os produtores, as margens estão tão apertadas que muitos deixaram de investir na atividade leiteira. O resultado foi uma redução da oferta, que tende a pressionar os preços ainda mais para cima, além de servir como justificativa para aumento dos ganhos em outros elos da cadeia.
O arroz também tem apresentado uma diferença considerável entre o preço no campo e na cidade, com o consumidor final pagando 243,7% mais caro do que o cobrado pelos produtores. Além da especulação, que também reflete nessa cultura, a redução da oferta por causa de problemas climáticos no Sul do país -maior produtor do grão- também teve influência, segundo a coordenadora da Faemg.

“O café sofre influência do mercado externo já que mais de 90% da produção mineira é exportada”
João Ricardo Albanez
Superintendente de política e economia agrícola da Seapa

Preços do arroz e do feijão ainda têm potencial de aumento
A base da alimentação dos brasileiros – arroz e feijão – deve manter a escalada de preços nos supermercados. Levando em conta o comportamento dos demais produtos, que encarecem nas gôndolas pelo menos na mesma proporção de alta do campo, o potencial de elevação do arroz é de 15,7% e do feijão, de 41%.
Em junho, o quilo de feijão nas fazendas custava R$ 7,81. O valor é 136,9% superior aos R$ 3,28 que custava em janeiro deste ano. Mas o repasse para o consumidor final não aconteceu na mesma proporção. A alta no varejo foi de 68%, fechando em R$ 8,55 em junho. Para igualar a alta, ainda pode ocorrer uma elevação de 41%.
Da mesma forma, o arroz encareceu mais no campo, passando de R$ 0,72 para R$ 0,90 o quilo. Nos supermercados, a alta de 5,26% no mesmo período abre espaço para um encarecimento de, pelo menos, 15,7%. Isso se o verificado com leite, açúcar e café, por exemplo, for seguido. No caso dessas outras culturas, a alta para o consumidor foi ainda maior.
Estoques
O diretor comercial e de marketing do Mart Minas, Filipe Martins, explica que existe uma defasagem na alta de preços nos supermercados por causa dos estoques. “Às vezes, nós temos o produto por R$ 5 e compramos por R$ 7 e acabamos vendendo por um valor intermediário. Por isso, o repasse não é na mesma velocidade. Mas sempre acontece”, afirma. Segundo ele, levando em conta as negociações com fornecedores, o ciclo de alta do arroz deverá prosseguir pelos próximos dois meses.
Da mesma forma o feijão, segundo o superintendente de política e economia agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), João Ricardo Albanez. O produto deve seguir com preços altos até o início de janeiro, quando será colhida a primeira, das três safras que a cultura possui no ano.

“A indústria está testando o consumidor com os altos preços do leite”
Eduardo Pena
Presidente Comissão Técnica da Pecuária de Leite da Faemg
Produção  de arroz, feijão e café em Minas
A produção de arroz em Minas Gerais tem ficado menor a cada ano devido a dificuldade de concorrência com o Rio Grande do Sul, que detém 72,3% da produção brasileira. A expectativa é que as terras mineiras tenham uma produção de 7,9 mil toneladas neste ano, segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). O volume é quase quinze vezes menor do que as 115,4 mil toneladas registradas em 2010 pelo Estado.<

Apesar de ter apresentado ligeiro crescimento frente ao ano passado, ao passar de 333,5 mil toneladas para 334,6 mil toneladas, a produção de feijão no Estado também tem reduzido. Em 2014, por exemplo, chegou a 573,2 mil toneladas. Mesmo assim, Minas Gerais é o segundo maior produtor brasileiro, atrás apenas do Paraná.

No caso da produção de café, Minas Gerais é destaque nacional. Neste ano, o Estado deverá produzir 28,5 milhões de sacas. No Brasil, o esperado é uma produção de 49,7 milhões de sacas, fazendo com que o Estado fique com uma representatividade de 57,4%.







domingo, 24 de julho de 2016

DEVEMOS FICAR DE OLHO NA IMPARCIALIDADE DA PRESIDÊNCIA DO STF



Movimento NasRuas muda data de manifestação pró-impeachment de Dilma


Da Redação Jornal Hoje em Dia 



O Movimento NasRuas decidiu alterar de 31 de julho para 21 de agosto a data da manifestação que pretende fazer, junto a outros grupos, com o objetivo de pressionar os senadores no julgamento final da presidente Dilma Rousseff. Pelo calendário do processo de impeachment no Senado, caso o parecer do relator da Comissão, o tucano Antonio Anastasia, seja aprovado, o julgamento final de Dilma será entre 24 e 26 de agosto.
A ideia do Movimento NasRuas, fundado por Carla Zambetti, é colocar a manifestação bem próxima da data do julgamento para que "o som das vozes das ruas ainda esteja ecoando na cabeça dos senadores no dia da decisão final do destino de Dilma Rousseff"
As manifestações estão programadas para os estados do Acre, Rio Grande do Norte, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Amapá, Amazonas, Pará, Goiás, Distrito Federal, Pernambuco e Paraíba. "Eu respondo pelo Movimento NasRuas, mas outros movimentos deverão anunciar o mesmo (alteração na data da manifestação) nos próximos dias", disse Carla.
Já o ato em repúdio "à imparcialidade do Supremo Tribunal Federal (STF) e para pontuar que estamos vigilantes à atuação do ministro Ricardo Lewandowski (presidente da suprema corte) durante o impeachment" está mantido para 31 de julho no Distrito Federal, segundo a fundadora do NasRuas.
De acordo com Carla, o ato contará com o "Petrolowisk", um boneco inflável que remete à figura do ministro Lewandowisk. No dia 12 de agosto, o NasRuas fará também um ato no Rio de Janeiro, durante a Olimpíada.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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