A institucionalização da
crise
Paulo Haddad
Uma das características de uma economia em recessão é a deflação do
nível geral de preços. Durante o período recessivo, há uma queda generalizada
na demanda agregada de consumo e de investimentos que dificultam a eventual
intenção dos empresários de remarcar seus preços de venda. Os níveis elevados
de desemprego inibem os trabalhadores, sindicalizados ou não, a negociar
aumentos reais de salários, levando-os a aceitar até mesmo a redução nominal de
seus rendimentos.
A perspectiva para as nossas taxas de inflação ao longo dos próximos meses é de queda, podendo terminar o ano em torno de 7%. Uma informação auspiciosa, levando-se em conta que a inflação anual se aproximou da taxa de 11%, após a correção dos preços administrados, congelados na última etapa do primeiro mandato de Dilma Rousseff, numa clara manifestação de populismo econômico.
Essa informação abre espaço para que as taxas de juros possam sofrer sensível diminuição. De outra forma, irá prevalecer o seguinte absurdo ou terror econômico: a taxa SELIC ao ano está, atualmente, em 14,25%, os juros do cartão de crédito e dos empréstimos pessoais estão, respectivamente, em torno de 260% e de 105% ao ano, enquanto a taxa de inflação caminha para 7% ao ano em 2016 e para 5,5% ao ano em 2017. Um verdadeiro paraíso para os detentores da riqueza financeira do Brasil e um verdadeiro martírio para os endividados ou os que necessitam de se endividar. Um processo de realimentação da concentração da renda e da riqueza onde os rios caminham para o mar.
Ora, quando o governo federal decidiu que o déficit público de 2017 será de R$139 bilhões, decidiu também por muitas mazelas importantes para a vida econômica e social do país. Decidiu continuar gastando mal o dinheiro do contribuinte, pois não irá reprogramar as despesas orçamentárias que nasceram da malversação e dos desperdícios dos recursos públicos, dos privilégios acumulados, do fisiologismo político e das práticas de corrupção. Decidiu, com estardalhaço, que a despesa pública não iria mais evoluir segundo a média histórica de 6% ao ano, pois o déficit de 2017 iria para R$ 270 bilhões, ou seja, decidiu na verdade cortar vento.
O mais grave, contudo, é que, ao aceitar um déficit de tal magnitude como o novo normal, sob o manto da transparência e do pragmatismo, estará dificultando a queda indispensável nas taxas de juros, pois, para financiar esse déficit junto ao mercado, receberá em troca a exigência de quem o financia por prêmios de riscos nas taxas de juros ainda muito elevadas. Isso porque os mercados financeiros terão a desconfiança de que a atual administração federal desistiu da possibilidade de enfrentar uma solução estrutural para a crise das finanças públicas do país.
Há muitos argumentos que podem ser levantados para justificar tal postura do governo Federal. O mais repetido é o de que, sendo interino e dependente da base aliada, não tem como confrontar interesses velados para impor o interesse público. O espelho dessa opção é a continuidade do status quo: elevadas taxas de desemprego, estagnação econômica, pífio progresso econômico e social e persistência do descrédito sobre o futuro do Brasil.
A perspectiva para as nossas taxas de inflação ao longo dos próximos meses é de queda, podendo terminar o ano em torno de 7%. Uma informação auspiciosa, levando-se em conta que a inflação anual se aproximou da taxa de 11%, após a correção dos preços administrados, congelados na última etapa do primeiro mandato de Dilma Rousseff, numa clara manifestação de populismo econômico.
Essa informação abre espaço para que as taxas de juros possam sofrer sensível diminuição. De outra forma, irá prevalecer o seguinte absurdo ou terror econômico: a taxa SELIC ao ano está, atualmente, em 14,25%, os juros do cartão de crédito e dos empréstimos pessoais estão, respectivamente, em torno de 260% e de 105% ao ano, enquanto a taxa de inflação caminha para 7% ao ano em 2016 e para 5,5% ao ano em 2017. Um verdadeiro paraíso para os detentores da riqueza financeira do Brasil e um verdadeiro martírio para os endividados ou os que necessitam de se endividar. Um processo de realimentação da concentração da renda e da riqueza onde os rios caminham para o mar.
Ora, quando o governo federal decidiu que o déficit público de 2017 será de R$139 bilhões, decidiu também por muitas mazelas importantes para a vida econômica e social do país. Decidiu continuar gastando mal o dinheiro do contribuinte, pois não irá reprogramar as despesas orçamentárias que nasceram da malversação e dos desperdícios dos recursos públicos, dos privilégios acumulados, do fisiologismo político e das práticas de corrupção. Decidiu, com estardalhaço, que a despesa pública não iria mais evoluir segundo a média histórica de 6% ao ano, pois o déficit de 2017 iria para R$ 270 bilhões, ou seja, decidiu na verdade cortar vento.
O mais grave, contudo, é que, ao aceitar um déficit de tal magnitude como o novo normal, sob o manto da transparência e do pragmatismo, estará dificultando a queda indispensável nas taxas de juros, pois, para financiar esse déficit junto ao mercado, receberá em troca a exigência de quem o financia por prêmios de riscos nas taxas de juros ainda muito elevadas. Isso porque os mercados financeiros terão a desconfiança de que a atual administração federal desistiu da possibilidade de enfrentar uma solução estrutural para a crise das finanças públicas do país.
Há muitos argumentos que podem ser levantados para justificar tal postura do governo Federal. O mais repetido é o de que, sendo interino e dependente da base aliada, não tem como confrontar interesses velados para impor o interesse público. O espelho dessa opção é a continuidade do status quo: elevadas taxas de desemprego, estagnação econômica, pífio progresso econômico e social e persistência do descrédito sobre o futuro do Brasil.






